Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Mobilidade em Pauta

A redução na quantidade de ônibus circulando nas ruas de Natal voltou ao centro do debate sobre mobilidade urbana. Em vídeos divulgados nas redes sociais, o vereador Léo Souza (Republicanos) afirmou que a frota do transporte coletivo foi reduzida desde dezembro e que a situação estaria provocando superlotação nos veículos e dificuldades para os passageiros.
Nas gravações, o parlamentar aparece em um ponto da cidade observando o fluxo de ônibus e afirmando que os veículos estariam circulando lotados, especialmente em trechos de grande movimentação.
Superlotação e menos veículos nas ruas
Segundo Léo Souza, a redução teria ocorrido durante o chamado período de férias, quando tradicionalmente algumas linhas operam com menos veículos devido à diminuição na demanda.
No entanto, o vereador afirma que a frota ainda não foi totalmente normalizada, mesmo após o período em que normalmente ocorre a retomada das atividades escolares e da rotina de trabalho da população.
“Tem menos ônibus nas ruas desde dezembro”, afirmou o parlamentar em um dos vídeos divulgados nas redes sociais, enquanto mostra veículos passando com passageiros em pé.
A crítica do vereador aponta que a situação estaria resultando em ônibus mais cheios e maior tempo de espera nas paradas, o que impacta diretamente trabalhadores e estudantes que dependem do transporte coletivo diariamente.
Crítica às empresas de ônibus
Em um segundo vídeo, durante uma entrevista a uma rádio local, Léo Souza também critica a possibilidade de que a redução da frota esteja sendo usada como forma de pressão nas discussões sobre o financiamento do sistema.
Segundo ele, a população não pode ser prejudicada em meio ao debate sobre subsídios ou ajustes no transporte coletivo.
“As empresas não podem penalizar a população para fazer pressão por subsídio ou por ajustes”, afirmou o vereador.
A fala ocorre em um momento em que o sistema de transporte da capital potiguar enfrenta discussões frequentes sobre custos operacionais, financiamento público e equilíbrio econômico das empresas operadoras.
STTU promete aumento de frota
De acordo com o vereador, após as críticas feitas publicamente, a Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU) informou a ele que está prevista uma ampliação da frota nos próximos dias.
Segundo o parlamentar, o órgão garantiu que até a próxima semana algumas linhas deverão receber reforço na quantidade de veículos em operação.
Apesar disso, ainda não há confirmação oficial de que o sistema voltará a operar com o mesmo número de ônibus que circulavam antes de dezembro, quando foi implementada a chamada tabela de férias, que tradicionalmente reduz a oferta de viagens durante o período de menor demanda.
Debate sobre mobilidade urbana
A situação reacende o debate sobre o funcionamento do transporte público em Natal, especialmente em relação ao equilíbrio entre oferta de ônibus e demanda de passageiros.
Nos últimos anos, o sistema passou por mudanças operacionais relacionadas a fatores como:
- queda no número de passageiros e linhas abandonadas após a pandemia
- aumento dos custos operacionais
- necessidade de subsídios públicos para manter o serviço
Enquanto isso, usuários do transporte seguem relatando superlotação em horários de pico e maior tempo de espera nas paradas, fatores que reforçam a pressão sobre o poder público e as empresas para garantir a regularidade do serviço.
A expectativa agora é que a prometida ampliação da frota anunciada pela STTU se confirme nos próximos dias, permitindo aliviar a demanda nas linhas mais movimentadas da capital.
Fotos: Sarah Carvalho/Câmara de Natal/Ilustração

Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN
Thiago Martins é jornalista formado pela UFRN e há 15 anos dedica-se ao estudo e à cobertura do setor de mobilidade urbana. Escreve sobre o tema desde o início da carreira, colaborando com portais de notícias especializados e acompanhando de perto as transformações na mobilidade ativa, no setor de transportes e na infraestrutura urbana. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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