Relator André Mendonça reiterou fundamentos da decisão que determinou a detenção preventiva no início de março; defesa e PGR haviam pedido revogação da medida
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (13) para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, investigado por suspeita de envolvimento em crimes financeiros e tentativa de interferência em investigações.
O julgamento ocorre na Segunda Turma do STF, composta pelos ministros Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça. O ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito e não participa da análise.
Voto do relator
O relator do caso, ministro André Mendonça, votou pela manutenção da prisão e reiterou os fundamentos da decisão que determinou a detenção de Vorcaro no início de março. No voto, o ministro afirmou que os elementos reunidos nas investigações apontam risco concreto às apurações.
Entre os pontos citados, Mendonça destacou mensagens encontradas no celular do investigado, que incluiriam ameaças de morte e menções a uma suposta estrutura de monitoramento de autoridades e jornalistas. Para o relator, os novos elementos reforçam a necessidade da prisão preventiva.

O ministro também rebateu argumentos apresentados pela defesa do ex-banqueiro e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que havia sustentado que parte das mensagens analisadas seria antiga e não representaria risco imediato às investigações. Mendonça afirmou que, no caso de crimes de organização criminosa, a conduta tem natureza permanente, podendo justificar medidas cautelares enquanto houver indícios de atuação do grupo.
Decisão atinge outros investigados
A decisão também mantém a prisão de outros investigados na mesma operação, entre eles Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro do grupo, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado.
A medida deixou de valer para Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu após a prisão.
Investigações da Polícia Federal
Segundo as investigações da Polícia Federal, os envolvidos teriam formado um grupo para acessar informações sigilosas e intimidar jornalistas e adversários. A apuração aponta indícios de acesso indevido a sistemas restritos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como a Interpol.
O inquérito busca esclarecer a extensão das atividades do grupo e possíveis conexões com outros casos sob investigação.
Fotos: Márcio Gustavo Vasconcelos/Ilustração / Fellipe Sampaio /SCO/STF
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