Reajustes sucessivos na refinaria Clara Camarão elevam custos e ameaçam circulação de ônibus em Natal e Região Metropolitana
O preço do diesel acumula alta de cerca de 20% no Rio Grande do Norte após dois reajustes aplicados em menos de uma semana pela Refinaria Clara Camarão. A elevação nos valores do combustível já provoca impactos diretos no setor de transportes, com reflexos no sistema de transporte público de passageiros e na atividade dos caminhoneiros autônomos que atuam no estado.
Empresas de ônibus alertam para a possibilidade de cortes de linhas e redução de horários, especialmente em trajetos com menor demanda. A medida, caso concretizada, afetaria principalmente moradores de bairros periféricos de Natal, como regiões da Zona Norte e Zona Sul, além de passageiros de cidades da Região Metropolitana como Parnamirim e São Gonçalo do Amarante.
Paralelamente, caminhoneiros autônomos defendem uma paralisação da categoria em âmbito nacional como forma de pressionar por medidas que contenham a alta do diesel. A decisão sobre o movimento depende de deliberação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), que aguarda o resultado da Assembleia Geral dos Caminhoneiros marcada para quinta-feira (19) na sede do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (SINDICAM).
Transporte público enfrenta risco de redução na oferta de ônibus
O aumento do diesel representa um impacto significativo na estrutura de custos das empresas de transporte público. De acordo com a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste, o combustível responde pela maior parcela das despesas operacionais do setor. Com a elevação dos preços, as margens das empresas ficam ainda mais apertadas, o que pode levar à suspensão de linhas de menor rentabilidade.
A entidade deve buscar diálogo com o Governo do Rio Grande do Norte para discutir alternativas emergenciais que evitem um colapso no sistema de transporte. Entre as medidas sugeridas estão a concessão de subsídios públicos, a realização de ajustes tarifários e a oferta de apoio financeiro direto às empresas operadoras.
Operadores do sistema já admitem a necessidade de revisar rotas, reduzir a frequência de viagens e priorizar as linhas mais lucrativas. Essa readequação pode resultar em menos ônibus circulando diariamente, dificultando o deslocamento da população que depende do transporte coletivo em Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e demais municípios da região metropolitana.
O setor alerta que, na ausência de intervenção rápida por parte do poder público, a tendência é de redução na oferta de serviços e possível aumento nas tarifas pagas pelos usuários. O cenário evidencia a necessidade de soluções imediatas para garantir a continuidade e a qualidade da mobilidade urbana no estado.
Caminhoneiros autônomos organizam mobilização nacional contra alta do diesel
No segmento do transporte de cargas, os reajustes consecutivos no preço do diesel também geram reação. Caminhoneiros autônomos do Rio Grande do Norte manifestam apoio a uma paralisação da categoria, que está sendo avaliada em âmbito nacional desde a semana passada.
A adesão ao movimento no estado depende do posicionamento da CNTTL, que aguarda a decisão da assembleia geral dos caminhoneiros. A orientação repassada pela Cooperativa de Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Norte (Coopcam-RN) é que os profissionais locais aguardem a deliberação nacional, embora haja apoio à mobilização entre os autônomos que atuam no estado.

Entre os profissionais, a paralisação é vista como instrumento para pressionar o poder público e as autoridades competentes a adotarem medidas que contenham a escalada nos preços do diesel. O valor dos fretes não tem acompanhado o aumento dos custos operacionais, o que compromete a viabilidade financeira das viagens de longa distância.
Na Central de Abastecimento do Rio Grande do Norte (Ceasa), em Natal, caminhoneiros que realizam transporte de mercadorias de outros estados relatam que o custo adicional com diesel já impacta diretamente o valor dos fretes. O aumento é repassado ao longo da cadeia, chegando ao consumidor final.
O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cargas no Estado do Rio Grande do Norte (Sintrocern) avalia que uma eventual adesão à paralisação no estado deve ser limitada. A entidade considera que não há mobilização entre os trabalhadores vinculados ao sindicato e que o movimento tem caráter predominantemente político-partidário. O sindicato acompanhará os desdobramentos da assembleia nacional e, se houver paralisação, deverá analisar a pauta junto ao sindicato patronal.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Rio Grande do Norte (Setcern) informou que não participa da organização de uma greve, mas acompanha as discussões sobre os custos do setor.
Cenário nacional influencia preços no estado
O aumento do diesel no Rio Grande do Norte acompanha uma tendência verificada em todo o país, influenciada por fatores como a alta do petróleo no mercado internacional, a variação do câmbio e a política de preços praticada pela Petrobras. Apesar das tentativas do governo federal de conter os impactos sobre os combustíveis, os reajustes continuam pressionando o dia a dia de empresas e profissionais que dependem do transporte rodoviário.
A refinaria Clara Camarão, responsável pelo fornecimento no estado, aplicou dois aumentos consecutivos em um intervalo de sete dias, elevando o preço do diesel em cerca de 20% no período. O percentual acumulado supera a média nacional e acende alerta nos setores produtivos que têm no combustível um dos principais insumos para suas operações.
A definição sobre a paralisação nacional dos caminhoneiros deve ocorrer nos próximos dias. Caso a greve seja aprovada, o Rio Grande do Norte pode registrar adesão parcial, concentrada principalmente entre os autônomos, segmento mais impactado pela alta dos combustíveis. No transporte público, as empresas aguardam posicionamento do governo estadual sobre as alternativas emergenciais apresentadas pela federação do setor.
Fotos: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração / Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo/Ilustração
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