Ministro contesta dados do Banco Central sobre prejuízos das estatais
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, negou nesta segunda-feira (30) que as empresas estatais tenham registrado um déficit recorde. A declaração foi feita após o Banco Central divulgar um levantamento apontando déficit de R$ 6,04 bilhões entre janeiro e novembro deste ano, o maior da série histórica iniciada em 2002.
Compreensão do déficit nas estatais
Haddad ressaltou a necessidade de analisar os esclarecimentos do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI). Segundo o ministro, a metodologia do Banco Central não reflete adequadamente a realidade das estatais.
“Não é verdade. A contabilidade das estatais difere da contabilidade pública. Investimentos aparecem como déficit, mas isso não representa prejuízo”, afirmou Haddad.

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, reforçou que a avaliação financeira das estatais deve seguir a contabilidade empresarial, que considera investimentos como gastos diferidos ao longo do tempo, evitando que sejam lançados integralmente como despesas no ano corrente.
Empresas lucrativas e investimentos
Dweck destacou que, das 13 estatais analisadas, nove registraram lucro. Ela explicou que muitas empresas realizaram investimentos utilizando recursos acumulados de anos anteriores. Esses investimentos resultam em déficit na contabilidade pública, mas não afetam o resultado final da empresa.
A ministra também mencionou que algumas estatais receberam aportes do Tesouro Nacional entre 2019 e 2020, gerando superávit naquele período. Contudo, devido às restrições impostas pelo Plano Nacional de Desestatização, o uso desses recursos foi limitado até recentemente.
Reestruturação das estatais
Dweck reconheceu que três estatais apresentaram prejuízos, entre elas os Correios. A ministra enfatizou que o governo está atento à saúde financeira dessas empresas e que o presidente Lula assinou um decreto para discutir a reestruturação do setor.
“A reestruturação busca fortalecer as estatais, garantindo que possam investir e gerar resultados positivos sem comprometer suas operações”, concluiu Dweck.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Paulo Pinto/Agência Brasil
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