Julgamento do Caso Zaira é cancelado após abandono da defesa em Natal

Julgamento do Caso Zaira é cancelado após abandono da defesa em Natal

Sessão do júri popular contra o sargento Pedro Inácio Araújo foi suspensa e será remarcada ainda em 2024

O julgamento do sargento da Polícia Militar Pedro Inácio Araújo, acusado de estuprar e matar a universitária Zaira Cruz, de 22 anos, foi cancelado nesta terça-feira (3.jun.2025) em Natal. A suspensão do júri popular ocorreu após os advogados de defesa do réu deixarem o plenário do Fórum Miguel Seabra Fagundes, o que levou à dissolução do Conselho de Sentença, conforme informou o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN).

O júri, iniciado na segunda-feira (2.jun), acontecia a portas fechadas e tinha previsão de durar até sexta-feira (6.jun), com o depoimento de até 22 testemunhas. A sessão será remarcada pela 2ª Vara Criminal de Natal, que poderá reorganizar a agenda de outras audiências para que o novo julgamento aconteça ainda este ano.

Motivo do cancelamento

Segundo nota oficial do TJRN, a defesa do réu alegou cerceamento de defesa como justificativa para abandonar o julgamento. Os advogados argumentaram que perguntas consideradas essenciais à linha de defesa foram indeferidas pelo magistrado responsável pela sessão.

O Ministério Público se manifestou contrário à formulação dessas perguntas, argumentando que poderiam ferir a dignidade da vítima. O juiz acatou a argumentação do MP e indeferiu as questões, o que motivou a reação da defesa.

Após a suspensão do julgamento, o Ministério Público solicitou que sejam apurados os custos envolvidos na realização da sessão, com a possibilidade de pedir ressarcimento à defesa do réu. O processo segue em segredo de justiça.

Histórico do caso

Zaira Cruz foi morta no dia 2 de março de 2019, durante o carnaval, no município de Caicó, região Seridó do Rio Grande do Norte. A jovem foi encontrada morta dentro do carro do sargento Pedro Inácio Araújo. O veículo estava trancado, sendo necessário acionar o Corpo de Bombeiros para a abertura.

De acordo com as investigações, Zaira e o acusado integravam um grupo de amigos que havia alugado uma casa para passar o carnaval na cidade. O próprio policial militar acionou a polícia e alegou que havia mantido relações sexuais com a vítima, deixando-a dormindo no veículo.

Zaira era natural de Currais Novos e morava em Mossoró, onde cursava Engenharia Química na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa).

Linha do tempo do processo

  • 2 de março de 2019: Zaira Cruz é encontrada morta em Caicó, dentro do carro do policial Pedro Inácio Araújo.
  • 15 de março de 2019: Pedro Inácio é preso preventivamente em Currais Novos, suspeito de estupro e feminicídio.
  • 26 de março de 2019: A Polícia Civil conclui o inquérito apontando que a jovem foi vítima de estupro e feminicídio.
  • 2 de abril de 2019: O Ministério Público denuncia o sargento pelos crimes de homicídio triplamente qualificado: por asfixia, para assegurar a ocultação de outro crime e por feminicídio.
  • 2021: A Justiça determina que o réu será julgado por júri popular.
  • 2024: O julgamento é transferido de Caicó para Natal após pedido da defesa, com justificativa de garantir a imparcialidade do processo.

Próximos passos

Com a suspensão da sessão, a 2ª Vara Criminal de Natal deverá agendar uma nova data para o julgamento. Ainda não há definição sobre quando o novo júri ocorrerá, mas a previsão do TJRN é que aconteça até o fim de 2024.

Foto: Reprodução / Reprodução/OAB

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