Tecnologia criada por Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Instituto Federal da Paraíba utiliza resíduo da mandioca na produção de solo-cimento
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com o Instituto Federal da Paraíba (IFPB), desenvolveram um tijolo de solo-cimento produzido com manipueira, efluente resultante do processamento da mandioca. A inovação resultou em patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).
O produto consiste em tijolos maciços ou vazados, fabricados por meio da substituição parcial ou total da água por manipueira no processo produtivo. A composição inclui solo classificado segundo a HRB-AASHTO, cimento Portland e o efluente orgânico.
Processo produtivo envolve prensagem e período de cura
Após a mistura dos materiais, o processo de fabricação inclui prensagem manual ou hidráulica. Em seguida, os tijolos passam por um período de cura de sete dias, etapa necessária para que o material atinja propriedades compatíveis com as normas vigentes.

Os testes laboratoriais indicaram que os tijolos apresentam resistência à compressão superior a 2 MPa, absorção de água inferior a 20% e perda de massa menor que 7%. Os resultados atendem às normas ABNT NBR 8491 e ABNT NBR 13553, que estabelecem requisitos para tijolos de solo-cimento.
Aplicação inclui construções residenciais e projetos sustentáveis
O uso da manipueira na produção dos tijolos reduz o consumo de água potável e oferece destinação a um resíduo que pode causar impactos ambientais quando descartado de forma inadequada. O processo produtivo é descrito como simples e de baixo custo, com possibilidade de aplicação em diferentes contextos.
Os tijolos podem ser utilizados em construções como residências unifamiliares, habitações de interesse social e projetos voltados à construção sustentável. A tecnologia também pode ser aplicada por comunidades rurais e associações de produtores ligadas à cadeia da mandioca.
Patente integra pesquisa acadêmica e aplicação tecnológica
De acordo com os pesquisadores envolvidos, a tecnologia busca integrar resultados científicos à aplicação prática. O professor Jônatas Macêdo de Souza, um dos inventores, afirma que a proposta envolve a redução de impactos ambientais, sociais e econômicos, além de apresentar alternativa para a construção civil.

O desenvolvimento da tecnologia ocorreu no âmbito de programas de pós-graduação da UFRN, com orientação do professor Wilson Acchar e colaboração de pesquisadores do IFPB.
A equipe também contou com a participação de Luciana Lucena, Vamberto Monteiro e Sóstenes Rêgo, que atuaram em etapas como análise, ensaios laboratoriais e validação tecnológica.
Estudos seguem em fase de validação para uso ampliado
Os pesquisadores já desenvolveram protótipos em escala laboratorial e semi-industrial, submetidos a ensaios de resistência mecânica, absorção e durabilidade. Os resultados indicam viabilidade técnica do material dentro dos parâmetros analisados.

O projeto segue em fase de aperfeiçoamento e validação em campo, etapa considerada necessária para futuras aplicações em escala comercial e industrial.
Além do desenvolvimento tecnológico, o grupo também participou da produção científica internacional sobre o tema, incluindo a publicação do livro Use of Cassava Wastewater and Scheelite Residues in Ceramic Formulations, que aborda o uso de resíduos agroindustriais na construção.
Fotos: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN
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