Quando o luto afeta o corpo: como a dor da perda pode repercutir na saúde

Quando o luto afeta o corpo: como a dor da perda pode repercutir na saúde

Alterações no sono e até maior risco de eventos cardiovasculares podem estar relacionados ao período de perdas; psicóloga explica a importância de observar os sinais do corpo e da mente após uma perda

Quando o luto afeta o corpo: como a dor da perda pode repercutir na saúde

O luto é uma experiência emocional, mas seus efeitos podem ultrapassar o campo dos sentimentos e também se manifestar fisicamente. De acordo com especialistas, após a perda de uma pessoa querida, é possível que surjam sintomas como cansaço intenso, alterações no sono e no apetite, dores de cabeça, tensão muscular, desconfortos gastrointestinais e sensação de aperto no peito.

A relação entre o sofrimento emocional e as respostas do organismo, chamados de sintomas psicossomáticos, ganha ainda mais relevância diante de evidências científicas sobre os impactos do luto na saúde. Uma pesquisa publicada no periódico JAMA Internal Medicine acompanhou mais de 30 mil pessoas que haviam perdido o parceiro e comparou os resultados com os de um grupo semelhante que não havia passado pela perda. 

Nos primeiros 30 dias após o falecimento, a ocorrência de infarto ou AVC foi mais que duas vezes maior entre as pessoas enlutadas, com um risco 2,20 vezes superior ao observado no grupo de comparação.

Segundo a psicóloga Anna Cláudia Abdon, especialista em luto da Empresa Vila, os dados ajudam a reforçar a importância de compreender o luto de maneira integral. “O corpo também responde à perda e pode apresentar sinais de que aquela pessoa está passando por um período de grande impacto emocional. Por isso, é importante que esses sintomas sejam percebidos e acolhidos”, explica.

Durante o processo, mudanças na rotina são frequentes. Alterações no sono, na alimentação, na disposição e nos hábitos cotidianos podem se somar às respostas físicas já existentes e contribuir para o surgimento de doenças ou agravamento de condições médicas.

“Quando estamos diante de uma perda significativa, o organismo também pode entrar em um estado de maior alerta. Isso pode repercutir no sono, na alimentação, na tensão muscular e em outras funções do corpo. Não devemos separar completamente o que é emocional do que é físico”, explica Anna Cláudia.

A psicóloga ressalta, no entanto, que nem todo sintoma físico apresentado durante o luto deve ser automaticamente atribuído à perda. “Dores persistentes ou intensas precisam ser avaliadas por profissionais de saúde, especialmente quando aparecem acompanhadas de outros sinais”, enfatiza a especialista.

Nesse sentido, a atenção aos sinais do corpo também faz parte do cuidado durante o luto. O objetivo não é atribuir toda manifestação fisiológica ao sofrimento emocional, mas compreender que saúde mental e física estão interligadas, principalmente em períodos de grande estresse e sofrimento.

“Durante todo o processo, familiares e pessoas próximas também podem exercer um papel importante, observando mudanças significativas na rotina e incentivando a busca por ajuda quando necessário. O acolhimento, nesse momento, pode ser fundamental para que a pessoa enlutada não precise enfrentar sozinha as diferentes dimensões da perda”, finaliza Anna Cláudia.

Fotos: Divulgação

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