Por que o luto pela perda de um pet ainda é incompreendido?

Por que o luto pela perda de um pet ainda é incompreendido?

Pet Memorial Day, celebrado neste domingo (13), chama atenção para a importância de reconhecer a dor de quem perde um animal de estimação

Por que o luto pela perda de um pet ainda é incompreendido?

“Era só um cachorro”, “era só um gato” ou “você pode ter outro”, frases como essas, muitas vezes ditas na tentativa de consolar alguém que perdeu um amigo de quatro patas, podem acabar produzindo o efeito contrário, minimizar uma dor. No Pet Memorial Day, celebrado anualmente no segundo domingo de setembro, a discussão sobre o chamado “luto invisível” ganha espaço e reforça a importância de reconhecer a relação afetiva entre tutores e seus animais.

A experiência da social media Melissa Albuquerque, que perdeu a gata Madoka há dois anos, ilustra essa realidade. Depois de um período internada, ela precisou passar por uma eutanásia, procedimento sugerido pelo veterinário responsável por acompanhar o caso. Para a tutora, o momento da decisão e a despedida foram marcados por sofrimento. Além de lidar com a ausência, Melissa também precisou enfrentar a falta de compreensão de algumas pessoas da sua convivência. 

“Na hora, eu senti uma dor indescritível, desde o processo de despedida até o pós, foi muito difícil. E algumas pessoas ao meu redor não foram solícitas, chegaram a questionar: será que ela é tão próxima a essa gata? mas é só um gato”, conta.

A psicóloga Anna Cláudia Abdon, especialista em luto da Empresa Vila, explica que a intensidade do sentimento está relacionada ao vínculo construído ao longo da convivência, e não ao fato do ente ser humano ou não. “Quando falamos de uma perda estamos tratando de uma relação construída diariamente. Existe presença, cuidado, rotina, afeto e uma série de experiências compartilhadas, por isso, quando um pet falece, para a família, não é apenas a ausência física que aparece, mas também a ruptura de uma rotina e de um vínculo afetivo importante”, explica.

A dificuldade pode ser ainda maior quando o sofrimento não é reconhecido por familiares, amigos ou pelo próprio ambiente social. Diferentemente de outras formas de luto, o falecimento de um animal ainda pode ser tratada como algo que deveria ser rapidamente esquecido, o que pode fazer com que o tutor se sinta constrangido por demonstrar tristeza ou até mesmo evite falar sobre o que está sentindo. Um processo saudável não é ignorado e sim ressignificado, permitindo que o amor continue existindo mesmo na ausência física

Para Anna Cláudia, acolher é, antes de tudo, respeitar a dimensão que aquele vínculo tinha para cada pessoa. “Não cabe ao outro determinar o tamanho da angústia, dizer que era ‘só um animal’ ou sugerir rapidamente que a pessoa tenha outro pet pode invalidar uma experiência que é muito significativa. O mais importante é ouvir, permitir que a pessoa fale sobre o assunto, lembrar que aquela perda representa uma mudança concreta na vida dela e respeitar o tempo de cada um”, finaliza.

Fotos: Divulgação

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