Valor retido dos servidores já ultrapassa R$ 600 milhões, diz sindicato; Deputado protocola pedido de CPI com apoio de oito parlamentares
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte voltou a pressionar o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, por explicações sobre o atraso no repasse de empréstimos consignados descontados dos servidores públicos. A retenção dos valores, que deveriam ser transferidos às instituições financeiras, já ultrapassa a marca de R$ 600 milhões, de acordo com o Sindicato dos Servidores da Administração Direta (Sinsp).
O problema atinge servidores que tiveram parcelas de empréstimos descontadas em folha desde julho de 2025, mas os valores não foram repassados ao Banco do Brasil. A situação bloqueou a contratação de novas operações de crédito consignado e expõe os funcionários ao risco de negativação por inadimplência.
Valor retido dos servidores já ultrapassa R$ 600 milhões, diz sindicato
Diante da dimensão do caso, o deputado Gustavo Carvalho (PL) formalizou o pedido de convocação do secretário para prestar esclarecimentos no Legislativo. O parlamentar também anunciou que irá protocolar um pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. Segundo ele, a iniciativa já conta com o apoio de oito deputados.

A insatisfação é generalizada entre os parlamentares. O presidente da Comissão de Finanças e Fiscalização, Luiz Eduardo (PL), afirmou que a retenção dos valores prejudica diretamente os servidores, que ficam impossibilitados de honrar seus compromissos, e também afeta o comércio local, que depende do consumo desses trabalhadores.
Deputado protocola pedido de CPI com apoio de oito parlamentares
O deputado José Dias (PL) também engrossou o coro por uma solução imediata. Ele cobrou transparência do governo estadual e a regularização dos repasses como forma de resguardar o nome e a saúde financeira dos funcionários públicos que contrataram os empréstimos de boa-fé.
O secretário Cadu Xavier havia reconhecido publicamente os atrasos ao longo de 2025 e chegou a prometer a quitação total dos valores até dezembro do ano passado, o que não se concretizou.
Cobrança por transparência ocorre às vésperas de possíveis renúncias
A pressão política em torno do caso ganha contornos ainda mais delicados às vésperas das possíveis renúncias da governadora Fátima Bezerra (PT) e do próprio secretário Cadu Xavier, previstas para o mês de abril. A situação coloca a gestão estadual sob escrutínio e acende um alerta sobre a saúde financeira do estado e o cumprimento de suas obrigações com os servidores e o sistema financeiro.
Fotos: Carmem Félix/Governo do RN
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