Ana Beatriz

Feliz dia e muito obrigada, professores; por Ana Beatriz Amorim

Feliz dia e muito obrigada, professores; por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Sem dúvida, minha mãe foi minha primeira professora, motivo de inspiração e confiança. Nos meus primeiros anos, me repassou as informações iniciais de uma vida que estava apenas começando. Conforme fui crescendo, outras pessoas passaram a fazer parte de minha vida, novas relações surgiram e hoje escrevo aqui para homenagear essas pessoas de fundamental importância durante minha formação, meus professores.

Professores estes que me auxiliaram na construção de minha imagem externa, diante do mundo, e interna, perante eu mesma. O professor é aquele que nos deixa crescer com nossos próprios passos, porém sempre pronto a nos oferecer auxílio.

O ensino do professor de forma alguma está restrito as quatro paredes. Pelo contrário, algumas lições são lembradas por toda uma vida. E esta mesma vida não deixa de ser uma escola, na qual, somos mutuamente, professores e alunos, pois mesmo quando ensinamos, aprendemos. Chegar à conclusão de uma graduação/pós-graduação é algo recompensador e gratificante, pois vários degraus foram percorridos nesta escadaria.

Durante a minha caminhada acadêmica, as dificuldades não foram poucas, os desafios foram muitos. Os obstáculos, muitas vezes, pareciam intransponíveis. Muitas vezes me senti só, e, assim estive. Algumas vezes o desânimo quis contagiar, porém a garra e a força de vontade foram mais fortes, sobrepondo esse sentimento, fazendo-me seguir a caminhada, apesar da sinuosidade do caminho.

Agora ao olhar para trás, a sensação de dever cumprido se faz presente e posso constatar que as noites de sono perdidas, os longos tempos de leitura, a apuração da pauta, o correr para cumprir o deadline, a digitação, renderização, vetorização, discussão, a ansiedade em querer fazer e a angústia de muitas vezes não o conseguir, não foram em vão.

Ao corpo docente dos cursos de Jornalismo, Design Gráfico, Assessoria de Comunicação da Universidade Potiguar, e também aos professores do curso de Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o meu parabéns e muito obrigada. Todos, juntos, formaram um time imbatível no momento de compreender, ter paciência e de mostrar os caminhos corretos da profissão.

Feliz dia e obrigada, professores. Hoje estou aqui como sobrevivente de uma longa batalha, porém, muito mais forte e confiante, com coragem suficiente para enfrentar todos os obstáculos que ainda estarão por aparecer, tendo em vista que atualmente continuo qualificando-me para exercer as profissões que tanto amo e às quais venho me dedicando.

Foto: Ilustração/Quino

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Sobre Ana Beatriz Amorim, colunista do portal Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim coluna Por Dentro do RN

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte.

É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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Últimas conversas, por Ana Beatriz Amorim (Foto de Sara Recondo)

Últimas conversas: sobre a angústia do silêncio da ausência, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

É impossível superar uma vida interrompida. Com morte por infarto ou velhice, a gente aprende a lidar. Com uma tragédia, criamos um espaço doído e intocável que se força e se esforça para encontrar paz de vez em quando – e que entende que nunca vai conseguir sentir isso para sempre de novo.

A minha mãe morreu há mais de dez anos e nunca pode ver quem eu me tornei. A casa que sonho transformar no melhor lugar do mundo, a profissão em que me formei, depois a que inventei. Não soube das minhas histórias de amor, das viagens que fiz, das que sonho fazer. Nunca ganhou o presente de Salvador, nem sabe das músicas que eu ouço hoje, dos filmes que vejo, quais livros já li daquela minha estante infinita.

Aprendi a disfarçar a dor. E tenho uma tristeza que me acompanha sempre desde o dia em que tudo acabou. Sei que ela não ia querer saber que eu sinto essas coisas e talvez seja por isso eu tento viver tão bem.

Tem dia que é mais complicado.

Geralmente, acontece quando alguém ou alguma coisa te lembra que não tem jeito, que aquela pessoa que você amava profundamente não vai viver de novo, por mais que a medicina, a ciência e a tecnologia avancem tanto. Acabou, finito, já era, zerou. O mundo dela nunca mais vai encontrar o seu.

Minha mãe deixou de presente um grande ensinamento. Ela ouvia o que qualquer pessoa tivesse a dizer e extraía de cada uma sua melhor parte, ou a mais comovente. E ela ouvia seus pacientes com tanto interesse e tanto cuidado, sem preconceito ou julgamento. Tão raro, né?

E ela conduzia diálogos fantásticos, com suas perguntas lógicas e também com as absurdas. Foi ela quem me ensinou saber escutar com interesse e paciência. Aprendi que devemos respeitar os silêncios – que tantas vezes faz jorrar histórias e sentimentos de onde menos se espera. E que através do questionamento podemos captar histórias comoventes.

Acompanhar algumas notícias ultimamente é um exercício gigante de empatia. É sentir a dor do outro, se colocar no lugar, querer entrar na tela e dar um abraço na maioria deles! É se ver em gente que não tem nada a ver com você. O ouvir em alguns momentos universaliza a angústia e a dor, nos coloca todos no mesmo lugar, transforma a tragédia em algo que faz com que a gente se entenda um pouco mais. Nos envolve na intimidade e na fragilidade do outro e nos faz melhor ao refletirmos diante de cada situação vivenciada.

Viver é um aprendizado diário. Vale ainda mais a pena quando somos privilegiados e encontramos pessoas que criam um legado fascinante sobre a vida de gente comum ou quando você assisti um filme e fica pensando em vida e morte, lembra da música que você cantava para sua mãe e acabava arrancando risadas deliciosas dela.

Disfarçar a dor é daquelas verdades que acompanha sempre quem perdeu alguém que amamos. É esperar pela próxima lembrança para sentir aquela saudade boa e isso faz a gente seguir em frente. O silêncio do ausência chega a ser angustiante. Tem dia que é mais complicado e bate uma saudade absurda de nossas últimas conversas.

Foto: Reprodução/Sara Recondo

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Coluna de Ana Beatriz Amorim Por Dentro do RN novo

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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As coisas que não podemos explicar, por Ana Beatriz Amorim

As coisas que não podemos explicar, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Um dia uma amiga querida perguntou o que me encanta. Descobri que o encanto vem de coincidências que eu nem sei dizer, só sentir. Não tem regra, nem padrão, não tem roteiro, vivência anterior que dê a dica. É só um encanto. Encanto pelo encanto, essa coisa meio parnasiana.

Encanto é aquilo que enche o coração quando você menos espera. É aquilo que faz os olhos saltarem, se encherem de alegria ou de lágrimas. Lágrimas boas, não aquelas que lavam o desespero e a dor, mas as que transbordam o que o coração já não consegue dar conta.

Encanto, apesar do jogo de palavras, não se encontra em qualquer esquina, em qualquer canto. Mas aparece no diálogo mais banal, na surpresa que você nunca imaginaria, mas que vai lembrar pro resto da vida. Leva tempo para que duas pessoas descubram seus encantos. O dia a dia tem essa dureza de massacrar a gente, às vezes.

Leva tempo para que elas saibam o que enche o coração e transborda pelos olhos até se transformar em um beijo, um abraço ou na frase mais simples que diz a maior coisa do mundo, com todo o amor que isso carrega. Mas, às vezes, o encanto se perde de repente. E resta esperar que ele surpreenda de novo.

Foto: Reprodução/Ana Echebarria

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Olhar para dentro, por Ana Beatriz Amorim

Olhar para dentro, por Ana Beatriz Amorim

A melhor coisa que fiz por mim nos últimos tempos foi voltar a escrever. Dividir a angústia foi um alívio – e já me fez pensar em várias coisas, algumas novas, outras nem tanto. Escrever me tirou da inércia. Ler os comentários de vocês é a mesma coisa que receber uma injeção de adrenalina, motivação e amor.

A gente vive um momento delicado. É muito louco. Exigimos demais de nós mesmos – e o mundo ao nosso redor parece exigir mais ainda. Temos que fazer muito, ter uma vontade incessante, nos dedicar a tudo com muita determinação.

Ao receber o convite para colaborar com essa coluna, confesso que fiquei reflexiva. Gosto de ficar em dúvida. De pensar “pra quê?”. De quase desistir, ao menos por um tempo. Me senti mais gente de verdade, menos personagem nesta internet que a gente se acostumou a viver como palco.

Ao construir os textos e ver que muitos de vocês sentem as mesmas coisas, meu nível de empatia aumentou em 100%. Empatia, essa palavra de que eu tanto gosto! Entre o primeiro post e este, comecei um daqueles trabalhos que nos fazem lembrar porque escolhemos uma profissão. O que eu mais gosto no Jornalismo é de fazer entrevistas.

Gosto de dialogar com gente que dedica a vida inteira a uma ideia, a uma causa; gente que fala com paixão sobre o que faz, sobre o que ainda quer fazer – e a força incessante de cada um deles é impressionante! Não poderia haver momento melhor do que esse de entrar em contato com gente admirável, inspiradora, que todos vocês vão adorar conhecer no decorrer das próximas publicações.

Ao longo dessas conversas, que podem durar uma hora, mas geralmente duram 5, 6, 7 horas ou um dia inteiro, voltei a perceber que uma das melhores coisas do mundo é conversar ouvindo com toda atenção o que o outro tem a dizer. Ando tão fascinada por isso! Você conversa 5, 10 minutos, ok, pode saber algumas coisas sobre alguém. Passou da meia hora, não tenha dúvida que vai descobrir, ao menos um pouquinho, as nuances, o que faz aquela pessoa ser quem é.

Voltar a fazer Jornalismo me lembrou do que une tudo que fiz e faço na profissão. A vontade de compartilhar as coisas do mundo que me interessam e me emocionam. É quando mostro, faço um convite, converso sobre as coisas que elas ficam mais legais de verdade. Há momentos em que tudo que a gente precisa é olhar para dentro, né? E depois ver o tanto de mundo que existe lá fora.

Este post é para agradecer pelas palavras de vocês, que me lembraram da essência da reflexão. É muito natural para mim dividir o que me emociona. Pode ser uma foto, uma música, uma história transformadora. O mundo é tão interessante, e eu me empolgo tanto com tanta coisa que é impossível não postar por aqui com todo o amor do mundo.

Vocês são demais! Muito obrigada.

Foto: Ilustração/Duane Michals

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Coluna de Ana Beatriz Amorim Por Dentro do RN novo

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O que a gente é hoje é o que importa, por Ana Beatriz Amorim

O que a gente é hoje é o que importa, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

A gente passa a vida com medo: medo de morrer, de ficar tempo demais no emprego errado, de não ter o colo dos amigos quando a gente mais precisa, de não fazer as viagens dos sonhos, de não conseguir comprar a casa própria, de não encontrar alguém para casar e ter filhos. De todos os medos, o que mais me aflige é o de não conseguir amar.

Porque vamos combinar: depois de um, dois, três corações partidos, fica fácil pensar que nada vai dar certo, que as relações viram DRs intermináveis que culminam em mágoas quase eternas. Nos livros, nos filmes, nas músicas que a gente passa o tempo todo lendo, vendo e ouvindo, todo mundo sofre por amor; e a gente acha lindo, se identifica, quer viver aquela avalanche de paixão, de tesão, de loucura.

Quando chega a vida real, todo mundo parece querer o conto de fadas, enxergando no outro a imagem da perfeição, alguém sem um passado que diga muito, alguém que mal tenha um presente (só se for com você) e cujo futuro esteja inevitavelmente atrelado ao seu e comece a ser planejado imediatamente.

Não, pessoal, menos! Vamos com calma! É preciso entender que a gente é a soma de tudo o que nós vivemos, principalmente de tudo o que vivemos com outras pessoas. São as histórias de amor que deixam a gente do jeito que é: às vezes mais madura, às vezes mais medrosa, às vezes mais otimista para buscar de novo, mas sempre diferente e mais experiente.

O que a gente é hoje é o que importa. A gente faz o que pode e, na maioria das vezes, é de todo o coração. Afinal, por mais que o medo insista em se instalar, ainda vale mais uma paixão louca do que um coração congelado.

Foto: Reprodução/Tatiana Pezzin

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Ana Beatriz Amorim

A arte de registrar, por Ana Beatriz Amorim

Por Ana Beatriz Amorim
Para o Por Dentro do RN

Hoje, celebramos o dia mundial da fotografia. Além de abordar o tema por ser tão apaixonada por essa arte, resolvi compartilhar alguns dilemas da profissão de fotojornalista que em diversos momentos eu me perguntava: “será que devo parar de fotografar e abaixo a câmera de vez?”.

O fotojornalismo é uma profissão muito, muito instigante. No período em que estive “na rua”, vivi situações, conheci lugares e pessoas que, muito provavelmente, eu não conheceria se não fosse jornalista. Diariamente, a gente se depara com as mais diferentes histórias, das mais bonitas às mais dolorosas.

Ser testemunha dessas histórias e poder contá-las por meio de textos e imagens é uma experiência muito rica e gratificante. Mas, como todas as coisas vêm com seus bônus e ônus, nem sempre é fácil e nem sempre é confortável vivenciar tudo isso com uma câmera nas mãos.

Uma das situações que acho mais difíceis de se fotografar são os enterros, principalmente, os relacionados à violência . O profissional está ali, de certa forma invadindo aquele espaço, aquele momento de tristeza, de dor, do sofrimento da perda, do inconformismo, da revolta. É difícil não se sentir desconfortável, é difícil buscar boas imagens sem ser notado, sem ser indelicado, porque por mais que você tome cuidado em ser sutil, a sua presença ali muitas vezes é encarada como desrespeito para os familiares e amigos do falecido.

Já perdi as contas de quantas vezes me chamaram de urubu e já perdi as contas de quantas vezes me senti como tal. Mas tenho meus limites, nem sempre consigo respirar fundo, ignorar os olhares duros e continuar fotografando. Tem hora que preciso abaixar a câmera e respeitar aquela dor. Mas aí surge o meu grande dilema: e se eu chegar no meu limite e abaixar a câmera e o fotógrafo da concorrência não fizer o mesmo?

Já vivi isso diversas vezes. E em muitas delas, tive de passar dos meus limites pra não perder “A” foto. É inevitável falar desse assunto e não lembrar dos depoimentos incríveis dos fotógrafos Greg Marinovich e João Silva, no livro O Clube do Bangue-Bangue, que relata a cobertura fotográfica dos conflitos civis que marcaram o período de transição entre o apartheid e a república democrática, com a eleição de Nelson Mandela para presidente, na África do Sul.

Nunca vivi nada nem parecido com o drama de uma guerra, mas Greg Marinovich levanta uma questão que tem muito a ver com essas situações de limite que os fotógrafos vivem no dia a dia de um jornal: tragédias e violência certamente geram imagens poderosas. os registros do que vêm sendo feitos no Afeganistão é o exemplo mais atual. É para isso que somos pagos. Mas cada uma dessas fotos tem um preço: parte da emoção, da vulnerabilidade, da empatia que nos torna humanos se perde cada vez que o obturador é disparado.

Não me sinto menos humana a cada click que dou em uma pauta difícil. Pelo contrário, busco ainda mais a minha humanidade e o meu respeito pelo ser humano. E em todas as fotos que faço, tento passar isso. Lembro-me muito de uma pauta bem dolorida que fiz, o enterro de uma menina de 13 anos que tinha sido atropelada. As pessoas, principalmente crianças, estavam muito emocionadas no velório e isso mexeu bastante comigo.

Teve um momento que subi em uma sepultura, porque tinha muita gente e eu não tinha bom ângulo para fotografar de baixo, e uma senhora gritou para mim: “mas é um urubu mesmo!”. Engoli seco, continuei fotografando, depois desci da sepultura, me afastei um pouco e tentei me acalmar.

Eu estava visivelmente mal com aquilo e uns cinco minutos depois, a mesma senhora se aproximou, notou minhas lágrimas e me pediu desculpas falando: “Não é fácil para você estar aqui, não é? Estou vendo que você mesmo bem jovem tem coração, me perdoe”. Fui embora daquele cemitério pensando muito no meu papel de fotojornalista e nos meus sentimentos enquanto fotógrafa e pessoa.

As cenas fortes são extremamente fotografáveis, isso é um fato. Uma fotografia de um choro desesperado emociona, outra de alguém desmaiando também emociona. Mas existem formas e formas de se fazer essa imagem. Sem falar que não dá para passar por cima de tudo para se conseguir uma fotografia digna de prêmio.

Nós estamos lidando com pessoas, com sentimentos, e não dá para ignorar isso. Daniel Cornu, no livro Jornalismo e Verdade diz, de maneira bem dura, que “o jornalista que seja tentado em tais circunstâncias a esquecer o respeito que deve ao outro, vítima, testemunha, parente, espezinha o respeito que deve a si mesmo: não é mais que instrumento – meio! – da informação. Está reduzido à função que o sistema mediático lhe atribui. É prisioneiro de um determinismo reificante, de que seu próprio cinismo não é capaz de o libertar (…)”.

Abaixar a máquina, para mim, é antes de tudo respeitar a mim mesma. Há momentos nos quais a gente precisa recuar e pronto. A minha hora, talvez, não seja a mesma do fotógrafo ao lado e muitas vezes não é, porque cada pessoa reage de um jeito diferente diante dessas situações. E eu não quero dizer com isso que um fotógrafo seja mais sensível ou humano do que outro, de jeito nenhum. O limite de cada um é diferente, apenas isso.

Foto: Ana Beatriz Amorim

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Ana Beatriz Amorim

Ana Beatriz Amorim tem 35 anos, é jornalista e designer gráfica formada pela UnP. Também é fotógrafa, licenciada em Artes Visuais pela UFRN e especialista em Assessoria de Comunicação. Adepta da teoria do faça uma coisa de cada vez e seja múltipla, escreve a respeito do cotidiano, artes, cultura e esporte. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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