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Confiança da indústria no RN atinge menor nível em cinco anos

Confiança da indústria no RN atinge menor nível em cinco anos

ICEI recua em agosto e reflete impacto de tarifas dos EUA sobre exportações

Confiança da indústria no RN atinge menor nível em cinco anos

A Confiança da indústria no Rio Grande do Norte registrou em agosto de 2025 o menor índice para o mês nos últimos cinco anos. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu 2,5 pontos, atingindo 51,6 pontos. O menor valor anterior havia sido registrado em agosto de 2023, com 53,3 pontos.

O recuo ocorre após dois meses de alta consecutiva, com 53,8 pontos em junho e 54,1 em julho. Apesar da queda, o índice permanece acima de 50 pontos, indicando que os empresários ainda demonstram confiança, embora em menor intensidade.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) atribui a moderação na confiança ao impacto das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras. As medidas entraram em vigor no dia 6 de agosto e afetam diretamente setores estratégicos da economia potiguar.

Com o recuo, o ICEI está 3,9 pontos abaixo do valor registrado em agosto de 2024 (55,5 pontos) e 2,7 pontos abaixo da média histórica, atualmente em 54,3 pontos. A Fiern aponta que a instabilidade política nacional também influencia negativamente o cenário econômico e as decisões do setor produtivo.

A sondagem indica que projetos em andamento tendem a continuar, mas novos investimentos podem ser adiados. A percepção de risco inclui aumento de juros, ameaça ao nível de emprego, crescimento da informalidade e retração do consumo.

Mesmo com o impacto das tarifas, a Fiern avalia que as condições atuais dos negócios demonstram piora pelo décimo mês consecutivo, embora em menor intensidade do que em julho. A expectativa é de queda no otimismo nos próximos meses, mas ainda com índices acima de 50 pontos.

Na análise por setores, a Indústria Extrativa e de Transformação apresentou índice de 57,9 pontos em agosto, abaixo dos 58,7 de julho e dos 58,3 de agosto de 2024. Já o setor da Construção registrou falta de confiança pelo segundo mês consecutivo, com 45,2 pontos em agosto e 49,3 em julho. Em agosto de 2024, o índice da construção era de 51,2 pontos.

Quanto ao porte das empresas, médias e grandes indústrias demonstraram menor confiança em relação aos meses anteriores. O índice foi de 57,0 em agosto de 2024, 55,7 em julho de 2025 e 52,2 em agosto de 2025. As pequenas empresas apresentaram índice de 50,5 pontos, considerado neutro. Em agosto de 2024, o índice foi de 51,1 e de 49,3 em julho.

O indicador nacional também apresentou queda, passando de 47,3 para 46,1 pontos em agosto. A retração nacional reforça o cenário de cautela entre os empresários industriais em todo o país.

A Fiern continuará monitorando os impactos das tarifas e da instabilidade econômica sobre a confiança da indústria no RN. A expectativa é que os próximos levantamentos indiquem se o cenário atual se manterá ou se haverá recuperação nos índices de confiança.

Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração

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Exportações RN podem crescer em 88 países e reduzir dependência dos EUA

Exportações RN podem crescer em 88 países e reduzir dependência dos EUA

Sedec aponta mercados abertos e programa estadual para ampliar presença internacional

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As Exportações RN têm potencial para expansão em até 88 países, segundo estimativa da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec). A análise reforça a necessidade de diversificação dos destinos comerciais e redução da dependência do mercado norte-americano, especialmente após o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos.

A Sedec aponta que o Rio Grande do Norte já possui abertura comercial com esses países, mas ainda explora pouco esse potencial. Entre os produtos com maior impacto estão pescado, caramelo, sal marinho e peixes congelados, todos afetados pelas novas tarifas.

A estratégia do governo estadual inclui o lançamento do programa “RN Mais Exportação”, desenvolvido em parceria com o Sebrae. O programa está em fase final de regulamentação e tem previsão de início em outubro, com meta de atender pelo menos 100 empresas. A proposta é realizar diagnóstico, capacitação, orientação logística e abertura de mercados para os exportadores locais.

Enquanto o programa não é formalizado, o governo anunciou medidas emergenciais em 1º de agosto. Entre elas estão a ampliação temporária do Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi) e a duplicação dos créditos de ICMS sobre exportações para setores atingidos pelas sanções.

Dados da Sedec mostram que, em 2025, os Estados Unidos importaram do RN aproximadamente US$ 24 milhões em fuel oil, US$ 10,3 milhões em produtos de origem animal, US$ 4,8 milhões em albacoras e bandolins, US$ 3,4 milhões em sal marinho e US$ 2,1 milhões em peixes congelados.

A meta do governo é reduzir a vulnerabilidade do estado frente a decisões unilaterais de grandes parceiros comerciais. A diversificação dos destinos é vista como essencial para aumentar a competitividade dos produtos potiguares e garantir maior autonomia econômica.

A Sedec destaca que já existem tratados internacionais em vigor que podem ser utilizados pelo estado, como os acordos do Mercosul com Singapura e o Acordo de Livre Comércio (FTA). Esses instrumentos podem facilitar o acesso a novos mercados e ampliar as exportações RN.

As negociações incluem aproximações com países da Ásia e da Europa, além de tratativas com a China e esforços para retomar o envio de pescado à União Europeia, suspenso há anos. O mapa global da Sedec identifica 88 mercados receptores de produtos potiguares, incluindo Singapura, Espanha, Reino Unido, Colômbia, Portugal, México, Itália e Canadá.

O tarifaço, em vigor desde o início de agosto, afeta diretamente setores estratégicos do estado, como o pesqueiro e o salineiro. A pressão sobre as empresas locais tem acelerado a busca por alternativas comerciais e fortalecido a agenda de internacionalização da economia potiguar.

A Sedec pretende acompanhar a implementação do programa RN Mais Exportação e avaliar os resultados das medidas emergenciais. O objetivo é consolidar uma política de comércio exterior que amplie as exportações RN e reduza a concentração em poucos mercados.

Foto: Adriano Abreu/Tribuna do Norte/Sandro Menezes/Divulgação

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