Huol oferece tratamento para o transtorno bipolar

Huol oferece tratamento para o transtorno bipolar

Paciente relata jornada de superação após 60 dias internado no HUOL-UFRN; especialista explica desafios do diagnóstico e importância do acompanhamento multidisciplinar

Valney Mello, corretor de imóveis, passou por uma transformação radical em 2012 após ser diagnosticado com transtorno bipolar. Internado por 60 dias no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL-UFRN), vinculado à Rede Ebserh, ele iniciou um tratamento que mudou sua vida. Sua história ilustra os desafios do diagnóstico e a importância do acesso a cuidados especializados.

Valney trabalhava em uma imobiliária recém-inaugurada quando começou a apresentar comportamentos incomuns. “Fiquei extremamente agitado, sem sono e sem limites no trabalho”, relata. Inicialmente, os sintomas foram atribuídos ao estresse, mas a piora do quadro levou sua esposa a buscar ajuda em uma emergência psiquiátrica do SUS. Após avaliação médica, veio o diagnóstico: transtorno bipolar.

De acordo com o psiquiatra Emerson Arcoverde, do HUOL, o transtorno bipolar frequentemente é confundido com outras condições, como esquizofrenia ou depressão grave. “Sintomas psicóticos podem atrasar o diagnóstico em anos”, explica. Ele ressalta que a doença costuma surgir entre a adolescência e o início da vida adulta, mas muitos pacientes só recebem o diagnóstico correto uma década depois.

O especialista destaca que a genética desempenha um papel crucial no desenvolvimento do transtorno bipolar. “Pessoas com histórico familiar da doença ou de suicídio têm risco elevado”, afirma. Além disso, traumas na infância, negligência e experiências de violência aumentam as chances de manifestação da condição.

Desde 2012, Valney segue um rigoroso acompanhamento no HUOL, com consultas trimestrais e participação em terapia em grupo. “Levo o tratamento muito a sério”, diz. Ele adotou hábitos saudáveis, como prática de esportes e atividades religiosas, para manter a estabilidade emocional.

Apesar de sua trajetória positiva, Valney reconhece que o preconceito ainda é uma barreira para muitos pacientes. “Nem todos sabem do meu diagnóstico, o que me poupa de julgamentos”, comenta. O estigma social e a desinformação dificultam a vida de quem convive com a doença.

Atendimento especializado no HUOL

O HUOL conta com dois ambulatórios dedicados ao transtorno bipolar: um para casos agudos e outro para pacientes estáveis há mais de seis meses. Atualmente, cerca de 250 pessoas são atendidas por uma equipe multidisciplinar, incluindo psiquiatras, psicólogos e enfermeiros. O hospital também pesquisa o uso de toxina botulínica como tratamento auxiliar para depressão bipolar.

Dia mundial do Transtorno Bipolar

Celebrado em 30 de março, o Dia Mundial do Transtorno Bipolar visa conscientizar a população e reduzir o estigma em torno da doença. A data homenageia Vincent Van Gogh, que, postumamente, foi diagnosticado com a condição.

Sobre a Rede Ebserh

O HUOL integra a Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh gerencia 45 hospitais universitários, promovendo assistência, ensino e pesquisa no SUS.

Foto: Cícero Oliveira/AgecomUFRN/Ilustração

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