Multas ambientais

Ibama aplica R$ 2 milhões em multas por desmatamento da Mata Atlântica no RN

Ibama aplica R$ 2 milhões em multas por desmatamento da Mata Atlântica no RN

Operação Mata Viva embarga mais de 1.600 hectares e identifica infrações ambientais em todo o estado

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) lavrou 25 autos de infração por desmatamento na Mata Atlântica no Rio Grande do Norte ao longo do mês de maio. As multas aplicadas totalizam quase R$ 2 milhões, conforme balanço divulgado nesta terça-feira (28).

A ação faz parte da Operação Mata Viva, que tem como foco o combate ao desmatamento e à degradação ambiental no bioma da Mata Atlântica dentro do território potiguar. A iniciativa busca responsabilizar administrativamente os infratores e estabelecer medidas para a reparação dos danos causados ao meio ambiente.

De acordo com o órgão federal, os resultados preliminares da operação já apontam para um cenário crítico de conservação ambiental no estado. Além das multas, foram aplicados 33 embargos acautelatórios em áreas degradadas, o que equivale à interdição de mais de 1.600 hectares de Mata Atlântica desmatados nos últimos cinco anos. A operação resultou ainda na emissão de 15 notificações e um termo de suspensão de atividades em locais considerados de impacto ambiental significativo.

Os embargos visam impedir a continuidade de práticas ilegais nessas áreas, interrompendo obras, plantações e demais atividades que possam agravar o processo de degradação. As áreas embargadas seguem sob monitoramento ambiental, podendo passar por processos de recuperação obrigatória conforme a legislação.

Dados de 2023 do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica indicam que o Rio Grande do Norte perdeu quase toda a cobertura original do bioma. Do total de cerca de 6.400 km² existentes originalmente — o que corresponde a aproximadamente 13% da área territorial do estado — restam atualmente apenas 2,5%.

O Ibama classifica o estado como um dos mais críticos em termos de conservação da Mata Atlântica no Brasil. A redução drástica da vegetação nativa é atribuída principalmente à expansão da agropecuária e, mais recentemente, à urbanização acelerada, à especulação imobiliária e ao crescimento desordenado do setor turístico em áreas costeiras e interioranas.

Segundo o coordenador da operação no estado, analista ambiental Frederico Fonseca, a fiscalização tem como prioridade a responsabilização dos responsáveis e a garantia de que os danos ambientais não apenas cessem, mas sejam revertidos, na medida do possível.

— Estamos atuando firmemente para proteger os remanescentes de Mata Atlântica no estado, um bioma fundamental para a biodiversidade, para o equilíbrio climático e para a qualidade de vida das populações locais — declarou Fonseca.

A Operação Mata Viva será mantida de forma contínua, com novas ações programadas para o segundo semestre. O Ibama reforça que denúncias de crimes ambientais podem ser realizadas por meio do canal Linha Verde, disponível no site do órgão.

A fiscalização integra uma estratégia nacional de combate aos crimes ambientais que afetam os biomas brasileiros. A Mata Atlântica, reconhecida como Patrimônio Nacional pela Constituição Federal e como Reserva da Biosfera pela Unesco, possui legislação própria que restringe o desmatamento e exige compensações ambientais.

Foto: Divulgação/IBAMA

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Governo federal decide cobrar R$ 29 bilhões em multas ambientais

Governo federal decide cobrar R$ 29 bilhões em multas ambientais

Novo entendimento da AGU prolonga o tempo que o governo tem para processar os infratores

O governo federal decidiu persistir na cobrança administrativa e judicial de R$ 29,1 bilhões em multas ambientais. Essa nova posição é resultado da alteração de dois pareceres jurídicos da Advocacia-Geral da União (AGU), que abordam a prescrição da cobrança das sanções.

Quando ocorre a prescrição, a União perde o direito de cobrar multas lavradas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Pelo novo entendimento, a AGU passa agora a sustentar que a contagem do prazo para essa prescrição fica interrompida durante a realização de certas diligências, como vistorias e elaboração de pareceres. Na prática, o novo entendimento prolonga o tempo que o governo tem para processar os infratores.

Outra mudança de entendimento diz respeito à nulidade de mais de 45 mil autos de infração produzidos por fiscais ambientais, no valor de R$ 18 bilhões. No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Ibama decidiu anular as penalidades impostas, por considerar uma irregularidade a notificação dos infratores por edital. Agora, a AGU sustenta que as notificações por edital são regulares, e, portanto, a cobrança das multas deve prosseguir.

Juntas, as duas mudanças revertem a possível prescrição de 183 mil autos de infração, chegando ao total de R$ 29,1 bilhões em multas ambientais, segundo levantamento feito pela Procuradoria Federal Especializada junto ao Ibama, unidade da AGU que presta consultoria ao órgão ambiental. Os novos pareceres jurídicos foram aprovados pelo advogado-geral da União, Jorge Messias. O órgão também afirmou, em nota, que a medida dará “segurança jurídica para a continuidade da cobrança” das multas ambientais.

A mudança nos entendimentos passou pelo crivo também da procuradora-geral Federal Adriana Maia Venturini e da Consultoria Jurídica do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com auxílio da Procuradoria Nacional de Defesa do Clima e do Meio Ambiente.

Em um de seus primeiros atos após assumir o cargo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que reverteu a anulação das penalidades que haviam sido invalidadas pelo Ibama. Na mesma norma, ele reverteu mudanças que haviam sido promovidas pelo governo anterior nos processos administrativos que tratam das multas ambientais.

Foto: Wesley Mcallister/AscomAGU

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Com informações da Agência Brasil

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