Autoridades resgatadas por operação diplomática contestam versão oficial do Ministério das Relações Exteriores sobre missão em território israelense
Um grupo de prefeitos, vice-prefeitos e secretários brasileiros deixou Israel nesta quarta-feira (18.jun.2025) após os bombardeios registrados na semana passada. A delegação integrava uma missão oficial de intercâmbio técnico coordenada pela agência israelense Machave. A retirada foi realizada por via terrestre até a Jordânia e, de lá, os integrantes seguiram para a Arábia Saudita, onde embarcaram em voo particular com destino ao Brasil.
Entre os participantes estavam o secretário de Planejamento de Natal, Vágner Araújo, e o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena. Em mensagens nas redes sociais, eles divulgaram imagens da saída do hotel e agradeceram pelo apoio recebido durante a operação. Lucena agradeceu também a líderes religiosos e políticos pela solidariedade.
Outros nomes presentes na delegação incluíam Francisco Nélio (Confederação Nacional de Municípios), Álvaro Damião (prefeito de Belo Horizonte), Márcio Lobato (secretário de Segurança Pública de Belo Horizonte), Davi de Matos (Civitas do Rio de Janeiro), Welberth Porto (prefeito de Macaé), Claudia da Silva (vice-prefeita de Goiânia), Janete Aparecida (vice-prefeita de Divinópolis), Gilson Chagas (secretário de Segurança Pública de Niterói), Johnny Maycon (prefeito de Nova Friburgo) e Flávio Guimarães (vereador do Rio de Janeiro).
A operação de retirada contou com apoio direto das Embaixadas do Brasil em Tel Aviv (Israel), Amã (Jordânia) e Riade (Arábia Saudita), além da coordenação entre os Ministérios das Relações Exteriores do Brasil e da Jordânia.
Críticas ao Itamaraty
Ainda durante a permanência no Oriente Médio, a delegação brasileira divulgou uma nota oficial manifestando “profundo desacordo e surpresa” com a Nota à Imprensa nº 269 publicada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. O comunicado do Itamaraty afirmou que o governo brasileiro não tinha conhecimento prévio da missão da comitiva e que a viagem ocorreu em desacordo com alertas consulares emitidos desde outubro de 2023.
De acordo com os integrantes da delegação, essa versão contradiz informações repassadas por representantes da própria Embaixada do Brasil em Tel Aviv, em reunião virtual ocorrida no dia 14 de junho. Na ocasião, os diplomatas teriam confirmado que foram avisados com antecedência sobre a missão, especialmente em relação à segunda comitiva composta por prefeitos e um governador.
A delegação também afirmou que a viagem foi organizada com o apoio direto do governo israelense e destacou o caráter oficial da agenda cumprida. No documento, os prefeitos e demais autoridades criticaram o conteúdo e o momento da nota do Itamaraty, classificando o posicionamento como mais próximo de uma reprimenda do que de um gesto de apoio.
O grupo reiterou que a missão teve propósitos institucionais e seguiu os princípios republicanos, com objetivos públicos. Os representantes também agradeceram às equipes diplomáticas brasileiras e aos governos locais pelo apoio prestado durante o processo de evacuação.
Por fim, o Itamaraty informou que mais 27 autoridades ainda permanecem em Israel e deverão ser retiradas por vias similares nos próximos dias. A recomendação do ministério segue sendo que brasileiros evitem viagens não essenciais ao país e que aqueles em território israelense acompanhem as atualizações do “Home Front Command” local e da Embaixada do Brasil em Tel Aviv.
Delegação participava de intercâmbio sobre cidades inteligentes; retorno ao Brasil deve ocorrer via Catar
Um grupo de 12 políticos brasileiros que estava em Israel deixou o país na noite de segunda-feira (16.jun.2025) e cruzou a fronteira em direção à Arábia Saudita. A entrada no território saudita foi autorizada por volta das 19h21 (horário de Brasília), após passagem pela Jordânia. A movimentação ocorre em meio à escalada de tensão entre Israel e Irã.
Segundo informações do secretário de Planejamento de Natal, Vágner Araújo, que integra a comitiva, o trajeto até a fronteira foi acompanhado por um diplomata brasileiro para facilitar os trâmites de entrada, uma vez que a passagem não havia sido previamente planejada.
A comitiva brasileira em Israel era composta por 18 pessoas e integrava uma delegação internacional organizada pela agência israelense Machave. A missão tinha como foco a troca de experiências nas áreas de inovação urbana, segurança cidadã e cidades inteligentes. Além dos representantes brasileiros, o grupo contava com participantes de outros países convidados pelo governo israelense.
Com o agravamento do conflito, as atividades presenciais previstas na programação foram suspensas. Algumas reuniões e palestras passaram a ocorrer nos alojamentos do grupo, com temas voltados à resiliência psicológica e à análise geopolítica da crise.
O conflito teve início após Israel lançar, na última quinta-feira (12), uma ofensiva preventiva contra o programa nuclear do Irã. Desde então, as autoridades israelenses suspenderam as atividades não essenciais e recomendaram que a população permaneça em casa. A situação elevou o nível de alerta em todo o país.
De acordo com o deputado federal Mersinho Lucena (PP-PB), parte da delegação brasileira deve embarcar nesta terça-feira (17), ao meio-dia no horário local (6h em Brasília), em um voo com conexão no Catar e destino final no Brasil. Outros nove integrantes do grupo aguardam a autorização do plano de voo de uma aeronave particular para deixar a região.
Mersinho Lucena viajou ao Oriente Médio para se encontrar com o pai, o prefeito de João Pessoa (PB), Cícero Lucena (PP), que estava em Israel no momento em que os ataques começaram.
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou, em nota oficial divulgada na segunda-feira (16), que 27 autoridades brasileiras convidadas ainda permanecem em Israel. O governo brasileiro afirmou que as autoridades israelenses apresentaram uma proposta semelhante à realizada com o grupo que deixou o país pela Jordânia, com possibilidade de execução nos próximos dias, dependendo da avaliação de risco.
Segundo o Itamaraty, a saída de brasileiros do território israelense só é confirmada quando a fronteira com a Jordânia é efetivamente cruzada. A operação depende de uma análise de segurança no momento da execução.
Irã pressiona por cessar-fogo com apoio internacional
Em paralelo ao deslocamento dos brasileiros, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, publicou uma mensagem na rede social X direcionada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitando apoio para encerrar o conflito. Araghchi indicou que um contato direto entre os governos norte-americano e israelense poderia resultar em um cessar-fogo.
Segundo o ministro iraniano, uma ligação de Washington seria suficiente para conter as ações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Araghchi também afirmou que os ataques israelenses têm como objetivo comprometer possíveis acordos entre o Irã e os Estados Unidos.
O Irã está em tratativas com Catar, Arábia Saudita e Omã para intermediar uma negociação com os Estados Unidos, a fim de que pressionem Israel por um cessar-fogo imediato. Segundo informações da agência Reuters, o governo iraniano considera a possibilidade de flexibilizar posições nas negociações nucleares caso o cessar-fogo seja alcançado.
A ofensiva israelense, lançada como reação ao avanço do programa nuclear iraniano, reacendeu tensões históricas entre os dois países. O Irã declarou que o primeiro-ministro israelense deve ser responsabilizado por crimes de guerra. A situação contribui para o aumento da instabilidade na região do Oriente Médio.
Réus foram responsabilizados por pendurar boneco com camisa do jogador antes de clássico em Madri
Quatro pessoas foram condenadas por um tribunal de Madri por envolvimento em crime de ódio e ameaças relacionadas a um ato direcionado ao atacante Vinicius Júnior, do Real Madrid. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (16.jun.2025) pela La Liga, entidade que organiza o Campeonato Espanhol de Futebol.
As condenações estão ligadas a um incidente ocorrido em janeiro de 2023, quando uma faixa com os dizeres “Madri odeia o Real” e um boneco inflável de cor preta vestindo uma réplica da camisa número 20 do jogador brasileiro foram pendurados em uma ponte na capital espanhola, antes de uma partida válida pela Copa do Rei entre Real Madrid e Atlético de Madri.
De acordo com a sentença, um dos réus foi condenado a 15 meses de prisão por crime de ódio e mais sete meses por ameaças, totalizando 22 meses. Esse mesmo indivíduo também foi responsabilizado por divulgar imagens do ato nas redes sociais. Os outros três condenados receberam penas de sete meses por crime de ódio e sete meses por ameaças, somando 14 meses cada um.
Apesar das condenações, nenhum dos quatro cumprirá pena em regime fechado. Todos assinaram uma carta de desculpas endereçada a Vinicius Júnior, ao Real Madrid, à La Liga e à Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), como parte do acordo que resultou na suspensão das penas.
Segundo o comunicado da La Liga, o réu que divulgou as imagens do episódio online também foi proibido de exercer atividades em ambientes voltados à educação, esportes ou lazer com crianças e jovens por um período de quatro anos e três meses. Os demais condenados receberam punição semelhante, com duração de três anos e sete meses.
Além das penas restritivas de direitos, os quatro réus foram multados financeiramente. O primeiro foi condenado a pagar 1.084 euros, enquanto os outros três foram multados em 720 euros cada. As penalidades incluem ainda uma ordem de restrição que os impede de se aproximar a menos de 1.000 metros de Vinicius Júnior, de sua residência e de seu local de trabalho.
Outra determinação da Justiça espanhola foi a proibição de acesso aos estádios durante partidas organizadas pela La Liga ou pela RFEF, impedindo que os condenados frequentem eventos esportivos nesses locais por período determinado.
Como condição para que as penas de prisão permaneçam suspensas, os quatro condenados também deverão participar de um programa educacional voltado à promoção da igualdade de tratamento e à prevenção da discriminação.
O tribunal de Madri não se manifestou oficialmente sobre a decisão até o momento, e não houve reação pública por parte do jogador Vinicius Júnior.
O caso faz parte de uma série de episódios envolvendo manifestações discriminatórias contra o atleta brasileiro em diferentes estádios da Espanha, o que tem gerado repercussão internacional e medidas de combate ao racismo no futebol europeu.
Anna Luiza Queiroz e Anne Letícia Pinheiro, alunas da escola estadual de Tempo Integral Dr. José Fernandes de Melo, em Pau dos Ferros, representaram o Brasil em uma missão científica no Massachusetts Institute of Technology (MIT), entre os dias 7 e 14 de junho. O projeto que levou as jovens à maior universidade de tecnologia do mundo foi um rover sustentável, desenvolvido por elas e outros colegas como parte da equipe Redescobrindo a Caatinga.
A proposta nasceu dentro do ambiente escolar e alia tecnologia, sustentabilidade e valorização do bioma semiárido. O pequeno veículo robótico foi projetado para operar em condições extremas do solo e clima da Caatinga, com estrutura montada a partir de materiais reaproveitados. A ideia é utilizar soluções tecnológicas para responder a desafios locais, tendo a natureza como fonte de inspiração e campo de atuação.
A jornada até o MIT teve início ainda em 2024, durante a RoverXpedição Caatinga — uma série de etapas formativas e seletivas que mobilizou estudantes e professores da rede estadual. Em outubro, na fase realizada na Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), em Mossoró, a equipe se destacou entre dezenas de projetos. Já em janeiro deste ano, Anna Luiza e Anne Letícia participaram de uma missão preparatória no Laboratório de Aplicações Científicas (LAC) da UFERSA, onde trabalharam ao lado de mentores da universidade, estudantes do MIT e outros finalistas.
“É profundamente gratificante testemunhar que estudantes da escola pública são plenamente capazes de sonhar alto, romper barreiras e concretizar seus projetos de vida”, afirmou a professora Jacicleuma Oliveira, uma das orientadoras do projeto.
De volta ao Rio Grande do Norte, as estudantes relatam que a experiência foi marcante. “Foi a realização de um sonho. A sensação que tenho é de missão cumprida e de coragem para encarar mais um desafio”, disse Anna Luiza.
A secretária de Estado da Educação, professora Socorro Batista, parabenizou as estudantes e destacou a importância do feito. “É um orgulho imenso ver nossas estudantes se destacando internacionalmente. Essa conquista mostra o poder da escola pública quando há investimento, incentivo e valorização do protagonismo juvenil. Elas nos ensinam que a educação transforma — e transforma para o mundo”, pontuou Batista.
A missão científica nos Estados Unidos chegou ao fim, mas o legado que as jovens deixam é um convite à esperança e à ousadia. Do sertão potiguar ao MIT, a Caatinga foi redescoberta com ciência, criatividade e amor pelas raízes.
Foto: ASSECOM/SEEC
Sobre Danilo Bezerra, colunista do Por Dentro do RN
Interface é a coluna onde tecnologia, aviação, sociedade e educação se cruzam. Um espaço para refletir sobre como a inteligência artificial transforma nossas rotas, como as inovações decolam (ou colapsam) no setor público e privado, e como tudo isso impacta a forma como aprendemos, nos movemos e nos conectamos. Aqui, análise crítica e informação qualificada ganham altitude.
Grupo de gestores municipais iniciou retirada nesta segunda (16) após aumento dos ataques entre Irã e Israel; parte da delegação permanece no país
O secretário de Planejamento de Natal, Vagner Araújo, integrante da delegação brasileira de gestores municipais em missão oficial em Israel, confirmou na manhã desta segunda-feira (16.jun.2025) que o grupo deixou o território israelense e cruzou a fronteira com a Jordânia. A informação foi também validada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
Segundo a nota da CNM, “por questões de segurança, detalhes sobre o horário e o trajeto da comitiva não haviam sido divulgados previamente. Segundo informações repassadas, a comitiva ultrapassou por ônibus a fronteira e está no país em deslocamento a outro ponto onde pegarão avião para retorno ao Brasil”.
A saída acontece após o agravamento do conflito entre Irã e Israel, com diversos ataques ocorrendo ao longo dos últimos dias. Vagner Araújo relatou que a travessia foi tranquila. “Após um percurso de 1h40 até a fronteira com a Jordânia e uma espera de mais 1h30 nos trâmites do posto de saída de Israel, conseguimos chegar à fronteira com a Jordânia, onde fomos muito bem recebidos por diplomatas brasileiros – em segurança”, disse o secretário.
O secretário detalhou ainda que o grupo dele foi o primeiro a deixar Israel. Segundo ele, alguns integrantes da delegação, tanto brasileiros quanto estrangeiros, optaram por permanecer no país por receio de incidentes durante o trajeto até a fronteira. “Dos 18 brasileiros, viemos 12, entre os quais os prefeitos Cícero, Álvaro Damião, Werberth (Macaé), Jonhy Michael, de Nova Friburgo, e Francisco Nélio – ex-prefeito de Santarém e atual secretário de Estado do Pará. Seis brasileiros resolveram ficar, como foi o caso da vice-prefeita de Florianópolis, Maryanne”, informou.
Sobre o trajeto, Araújo destacou que, apesar das tensões na região, a viagem ocorreu sem intercorrências. “O percurso foi tranquilo. Desde o início vimos que tinha movimento nas estradas com caminhões e outros carros – e não tivemos qualquer problema. Graças a Deus. Agora estamos cuidando da burocracia de entrada no país e por isso não vou conseguir responder perguntas individuais neste momento”, completou.
A presença da comitiva brasileira em Israel se deu em razão de uma agenda oficial iniciada no último dia 10 de junho. O foco do encontro internacional é a discussão sobre inovação urbana, segurança cidadã e cidades inteligentes. A delegação do Brasil é formada por 18 gestores, incluindo prefeitos e secretários, e participa ao lado de cerca de 15 representantes de outros países. O convite partiu do governo israelense.
Os nomes dos integrantes que já cruzaram a fronteira incluem prefeitos de capitais e cidades do interior, além de secretários estaduais. A expectativa é que os trâmites para embarque de volta ao Brasil ocorram ainda nesta segunda-feira, a partir de pontos estratégicos na Jordânia.
A CNM não informou previsão de chegada dos gestores ao território brasileiro, mas ressaltou que mantém contato contínuo com os órgãos diplomáticos para garantir apoio logístico e segurança a todos os envolvidos.
Presidente representará o Brasil em sessão ampliada do G7, com foco em segurança energética e preparação da COP-30
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta segunda-feira (16.jun.2025) para mais uma viagem internacional. Desta vez, o destino é o Canadá, onde ele participará da 51ª Cúpula do G7, marcada para o dia 17. O evento reúne os líderes das sete maiores economias industrializadas do mundo e contará com uma sessão ampliada com países convidados, entre eles o Brasil.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o tema da segurança energética será central nos debates da cúpula, ao lado de assuntos como tecnologia e inovação, diversificação de cadeias produtivas de minerais críticos, infraestrutura e investimentos. Essas diretrizes foram destacadas pelo embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty.
Segundo o diplomata, a participação do presidente brasileiro será também uma oportunidade para adiantar tópicos que estarão em pauta na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-30), que ocorrerá em Belém, no Pará, em novembro. Lula deverá usar o espaço para apresentar informações sobre a organização do evento e convidar outros países para a conferência.
O Brasil participará da sessão ampliada do G7 ao lado de outras nações convidadas, como África do Sul, Austrália, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Índia e México. A cúpula principal é composta por Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido.
O convite para a participação de Lula foi feito no último dia 11 pelo primeiro-ministro canadense, Mark Carney. Está prevista uma reunião bilateral entre os dois líderes no dia 17, paralelamente às atividades do G7.
A presença de Lula no encontro integra a agenda internacional do governo federal e amplia o posicionamento do Brasil em fóruns multilaterais. O Itamaraty destaca que os temas tratados no G7 possuem relação direta com os objetivos da COP-30, o que torna a viagem estratégica para a diplomacia ambiental brasileira.
A Cúpula do G7 é realizada anualmente e é considerada um dos principais espaços de coordenação política entre países desenvolvidos e parceiros estratégicos convidados. A edição de 2024 acontece no Canadá.
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República / Cláudio Kbene/PR
Secretário de Planejamento de Natal está em campus com outros brasileiros durante ataques; bombardeios deixaram dezenas de mortos nos dois países
O conflito entre Irã e Israel chegou ao quarto dia nesta segunda-feira (16.jun.2025), após uma série de ataques que intensificaram a tensão na região e deixaram dezenas de mortos. O secretário de Planejamento de Natal, Vagner Araújo, está entre os brasileiros que permanecem abrigados em um campus universitário próximo a Tel Aviv, onde cumpre agenda oficial relacionada à inovação urbana, segurança cidadã e cidades inteligentes.
De acordo com informações repassadas por Vagner à imprensa do Rio Grande do Norte na noite de domingo (15.jun), muitas pessoas da comitiva brasileira têm optado por dormir diretamente no abrigo, evitando o desconforto de se deslocar no meio da madrugada ao som dos alarmes de ataque. “Algumas pessoas já estão vindo dormir no abrigo direto. Não querem mais ficar acordando na madrugada para vir, nem ficar com a psicose de esperar o alarme a qualquer momento”, afirmou.
A comitiva brasileira é composta por 18 representantes, entre eles prefeitos e gestores públicos. O grupo internacional conta com cerca de outros 15 participantes de diversos países, todos convidados pelo governo israelense para uma série de visitas técnicas e reuniões.
Segundo o secretário, o número de mísseis disparados contra Israel continua elevado. Somente na noite de domingo (15.jun), cerca de 90 projéteis foram interceptados, mas nem todos foram barrados. “Hoje ouvimos as explosões mais fortes (de dentro do abrigo) desde que começou”, relatou Vagner. Ainda segundo ele, alguns moradores e participantes do grupo só se dirigem ao abrigo no último alerta, mesmo diante do risco.
Na mesma noite, a comitiva participou de uma reunião com representantes do Ministério das Relações Exteriores de Israel, onde foi discutida a possibilidade de evacuação terrestre até a fronteira com a Jordânia. A saída estava prevista para ocorrer nesta segunda-feira (16.jun).
Escalada militar entre Irã e Israel deixa dezenas de mortos e ameaça estabilidade regional
A ofensiva entre Irã e Israel provocou a morte de dezenas de pessoas entre a noite de sábado (14.jun) e o domingo (15.jun), com ataques aéreos intensificados e alertas sonoros em várias cidades israelenses, incluindo Tel Aviv. A ação elevou o total de mortos para pelo menos 13 pessoas em Israel, incluindo crianças, após mísseis iranianos destruírem prédios residenciais.
Equipes de resgate israelenses trabalharam entre os escombros com cães farejadores e escavadeiras, enquanto as sirenes voltaram a soar em plena luz do dia pela primeira vez desde o início dos ataques. No Irã, as forças israelenses lançaram mísseis sobre depósitos de combustível e instalações estratégicas, resultando em incêndios de grande proporção e dezenas de mortes.
O governo iraniano informou que 78 pessoas morreram na sexta-feira (13.jun), e mais 60 no sábado (14.jun), metade delas crianças, em um ataque a um edifício residencial de 14 andares em Teerã. O país não divulgou o total atualizado de vítimas.
A ação israelense foi nomeada “Operação Leão em Ascensão” e, segundo autoridades locais, teve como objetivo eliminar integrantes do alto escalão militar iraniano e comprometer instalações nucleares. O Irã prometeu retaliação e alertou que suas respostas serão mais severas caso os ataques continuem. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que “o Irã pagará um preço alto pelo assassinato de civis, mulheres e crianças”.
O Exército de Israel alertou a população iraniana a evacuar áreas próximas a instalações militares. Segundo fontes militares israelenses, foram disparados cerca de 270 mísseis balísticos pelo Irã, dos quais 22 conseguiram ultrapassar o sistema de defesa antimísseis.
Em meio à escalada militar, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou envolvimento americano nos ataques e alertou Teerã para não mirar alvos dos EUA. “Se formos atacados de qualquer forma, maneira ou tipo pelo Irã, toda a força e poder das Forças Armadas dos EUA cairão sobre vocês a níveis nunca antes vistos”, declarou.
As negociações nucleares entre Irã e Estados Unidos, que estavam previstas para domingo (15.jun), foram canceladas. O governo iraniano afirmou que não negociaria enquanto estivesse sob bombardeio.
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Grupo com secretário de Natal, Vagner Araújo, aguarda definição para deixar Israel; retorno pode começar nesta segunda (16)
A comitiva de brasileiros que se encontra em Israel, composta por prefeitos, autoridades públicas e o secretário de Planejamento de Natal, Vagner Araújo, participou neste domingo (15.jun.2025) de uma reunião promovida pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel para tratar da possibilidade de deixar o país por via terrestre, em direção à fronteira com a Jordânia.
A alternativa foi apontada como a mais viável, diante do fechamento do espaço aéreo israelense, que permanece bloqueado desde a escalada de tensões na região iniciada na sexta-feira (13.jun), após ataques do país ao Irã. A expectativa do grupo é que a saída pela Jordânia ocorra já nesta segunda-feira (16.jun), dependendo de liberação oficial.
O secretário Vagner Araújo compartilhou detalhes da reunião por meio das redes sociais, informando que o encontro com o embaixador israelense ocorreu no início da noite, por volta das 20h30 no horário local (14h30 em Brasília). “Reunião acabou agora com o embaixador. Ficaram de resolver nossa saída pela Jordânia. Há possibilidade de ser amanhã”, escreveu.
Segundo informações do próprio secretário, a alternativa de saída pela Jordânia já vinha sendo avaliada desde sábado (14). Outros destinos que estavam sendo considerados eram o Chipre e o Egito. Após a chegada à Jordânia, o grupo poderá aguardar a reabertura do espaço aéreo ou seguir até a Arábia Saudita, de onde poderão embarcar em um voo de volta ao Brasil.
Comitiva brasileira participa de agenda sobre inovação urbana em Israel
A comitiva brasileira chegou a Israel em 10 de junho, para participar de uma programação voltada a temas como inovação urbana, segurança cidadã e cidades inteligentes. O grupo é formado por 18 brasileiros, entre eles gestores municipais e representantes de órgãos públicos. Além dos brasileiros, há também cerca de 15 representantes de outros países participando das atividades a convite do governo israelense.
A permanência da comitiva no país tem sido afetada pela crescente tensão no Oriente Médio. Desde a madrugada de sexta-feira (13), o governo de Israel suspendeu as atividades não essenciais e emitiu recomendações para que a população permaneça em casa. A medida foi tomada após ataques realizados contra alvos no Irã, elevando o nível de alerta no país.
O grupo brasileiro está em contato constante com representantes diplomáticos locais e aguarda orientações oficiais para viabilizar a saída de forma segura.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a logística completa da operação de saída, mas a possibilidade de evacuação via Jordânia é considerada a mais concreta. A comitiva deve seguir as instruções das autoridades israelenses e brasileiras envolvidas na articulação.
Itamaraty tenta garantir retorno de comitivas brasileiras após conflito entre Israel e Irã suspender voos
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil iniciou tratativas com o governo da Jordânia para abrir uma rota de retirada terrestre de comitivas de autoridades brasileiras que se encontram em Israel. O diálogo foi conduzido pelo chanceler brasileiro Mauro Vieira, que conversou com o ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, neste sábado (14.jun.2025), conforme nota divulgada pelo Itamaraty.
A medida visa viabilizar o retorno seguro de autoridades estaduais e municipais brasileiras que participavam de uma feira de segurança em Israel e foram surpreendidas pelo início de confrontos envolvendo o Irã. Segundo o governo brasileiro, a evacuação dependerá da melhoria das condições de segurança no território israelense para permitir o deslocamento terrestre até a fronteira com a Jordânia.
Suspensão de voos e interdição do espaço aéreo
Desde a escalada do conflito entre Israel e Irã, os voos no Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, estão suspensos. Além de Israel, os espaços aéreos do Iraque e do Irã também foram interditados, dificultando o retorno por via aérea de estrangeiros que se encontram na região.
De acordo com o Itamaraty, o governo brasileiro foi informado sobre a presença de duas comitivas de representantes políticos brasileiros em solo israelense. Os grupos estão sob a responsabilidade da embaixada do Brasil em Tel Aviv, que mantém contato direto com as delegações e com autoridades locais.
Contato com diplomacia israelense
A embaixada brasileira em Israel, juntamente com o Ministério das Relações Exteriores, está em articulação com o governo israelense para garantir a segurança das delegações. O secretário do Departamento de África e Oriente Médio do Itamaraty manteve contato telefônico com representantes da chancelaria israelense solicitando prioridade na proteção dos brasileiros que participam da missão oficial.
As autoridades israelenses, por sua vez, recomendaram que todas as comitivas estrangeiras permaneçam no país até que seja possível organizar uma retirada segura, seja por via aérea ou terrestre.
Delegações estão em bunkers
As comitivas de autoridades estaduais e municipais brasileiras participavam de uma feira internacional de tecnologia e segurança quando teve início a ofensiva iraniana. Com a intensificação dos ataques, os grupos foram conduzidos a abrigos subterrâneos (bunkers), utilizados como medida de proteção contra mísseis e drones lançados em direção ao território israelense.
Entre os integrantes das delegações estão os prefeitos de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), e de João Pessoa, Cícero Lucena (Progressistas). As autoridades brasileiras continuam em comunicação com seus respectivos gabinetes no Brasil, enquanto aguardam autorização e segurança para deixar o país.
Câmara dos Deputados acompanha a situação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou por meio das redes sociais que a instituição acompanha de perto a situação. Ele garantiu que medidas estão sendo adotadas para assegurar o retorno das autoridades municipais e estaduais ao Brasil com segurança.
A crise no Oriente Médio intensificou-se com o lançamento de ataques do Irã contra Israel, incluindo o envio de mísseis e drones. A escalada levou vários países a interromperem voos comerciais e a reforçarem medidas de segurança para proteger seus cidadãos no território israelense.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Conflito entre Irã e Israel se intensifica com operação militar que matou generais iranianos e provocou retaliação com centenas de mísseis
Na noite desta sexta-feira (horário local), explosões foram ouvidas sobre Tel Aviv e Jerusalém, em Israel, ao som de sirenes que alertavam para ataques aéreos. O porta-voz militar de Israel confirmou que os disparos foram provocados pelo lançamento de mísseis pelo Irã.
Segundo a agência estatal iraniana IRNA, centenas de mísseis balísticos foram lançados como retaliação aos ataques promovidos por Israel contra alvos estratégicos no Irã. Entre os alvos atingidos estavam instalações nucleares subterrâneas em Natanz e bases militares de alto escalão.
Israel denominou a ofensiva de “Operação Leão em Ascensão” e declarou que o objetivo é neutralizar o que considera uma ameaça existencial representada pelo programa nuclear iraniano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou, em pronunciamento, que os ataques seguirão enquanto forem considerados necessários para garantir a segurança nacional.
A mídia iraniana reportou explosões ao norte e ao sul de Teerã, bem como na cidade de Isfahan e nas proximidades de Fordow, outra base nuclear próxima a Qom. A Guarda Revolucionária iraniana confirmou que pelo menos duas instalações nucleares foram atingidas.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, acusou Israel de ter iniciado uma guerra. Em resposta, o Irã declarou que sua reação é legítima diante da destruição causada. Ainda na sexta-feira, as defesas aéreas foram ativadas em diversas cidades iranianas.
A Polícia Federal iraniana afirmou que cerca de 80 civis morreram e mais de 300 ficaram feridos nos ataques israelenses. As imagens divulgadas pela imprensa local mostram destruição em áreas residenciais e danos em complexos nucleares.
Segundo fontes regionais, 20 comandantes militares iranianos foram mortos, incluindo o chefe do Estado-Maior, major-general Mohammad Bagheri, e o comandante da Guarda Revolucionária, Hossein Salami. O general Mohammad Pakpour foi designado como novo líder das forças da Guarda e prometeu retaliação ao governo israelense.
Em carta lida pela televisão estatal iraniana, Pakpour escreveu: “As portas do inferno se abrirão para o regime que mata crianças”.
Internamente, o Irã vivencia clima de tensão. Cidadãos relatam pânico, com moradores deixando suas casas e buscando formas de sair do país. Em algumas regiões, houve corrida para troca de moeda estrangeira.
Os ataques provocaram instabilidade no mercado internacional. O preço do petróleo subiu em razão do temor de impactos na produção nos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), embora até o momento não tenha sido confirmado qualquer dano a instalações de extração ou armazenamento.
No campo diplomático, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump se manifestou. Em entrevista à agência Reuters, afirmou que os Estados Unidos tinham conhecimento prévio dos planos israelenses. Ele acrescentou que ainda é possível uma negociação entre Teerã e Washington sobre o programa nuclear iraniano, embora não tenha certeza se o encontro previsto para domingo ocorrerá.
Trump disse: “Tentei salvar o Irã da humilhação e da morte. Tentei poupá-los com muito afinco, pois adoraria que um acordo tivesse sido fechado”.
Nas redes sociais, Trump reforçou sua posição, afirmando que “o Irã precisa fazer um acordo antes que não reste mais nada”.
O conselheiro de segurança nacional de Israel, Tzachi Hanegbi, declarou que a ação militar não visa eliminar por completo o programa nuclear iraniano, mas criar um cenário favorável a um acordo futuro, sob mediação dos Estados Unidos.
Apesar dos ataques, o Irã sustenta que seu programa nuclear tem fins civis. No entanto, o órgão de vigilância nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou recentemente que o país violou obrigações do tratado de não proliferação nuclear, ao refinar urânio em níveis considerados compatíveis com armamentos bélicos.
Entre os aliados regionais do Irã, apenas a milícia Houthi, no Iêmen, realizou um ataque. Um míssil foi disparado e caiu em Hebron, na Cisjordânia, ferindo três crianças palestinas, de acordo com o Crescente Vermelho Palestino.
O impacto da operação israelense ainda está sendo avaliado, principalmente em relação ao grau de destruição das instalações nucleares subterrâneas, como a de Natanz, considerada um dos principais centros de enriquecimento de urânio do país.
Foto: AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA REPUBLICA ISLÂMICA / Arte: Dijor / Daniel Torok/White House / Joyce N. Boghosian
Vagner Araújo integra comitiva brasileira em missão oficial e relata fechamento do espaço aéreo e alertas de segurança
O secretário municipal de Planejamento de Natal, Vagner Araújo, buscou abrigo em um bunker nas primeiras horas desta sexta-feira (13.jun.2025), após um ataque aéreo de Israel contra infraestruturas nucleares no Irã. Araújo está em Israel desde o dia 9 de junho, integrando uma comitiva de representantes de cidades brasileiras e de outros países da América Latina. A visita ocorre a convite do governo israelense, com o objetivo de conhecer tecnologias voltadas à segurança, educação e cidades inteligentes.
Segundo relato do secretário, por volta das 3h da madrugada no horário local (21h de quinta-feira no horário de Brasília), os membros da comitiva receberam em seus celulares um alerta sonoro com instruções para se dirigirem imediatamente a abrigos antiaéreos. O grupo está hospedado na cidade de Kfar Saba, na região central de Israel, em um campus universitário que possui estrutura de segurança.
“Recebemos um alerta bastante barulhento nos telefones, indicando que deveríamos ir para um abrigo antiaéreo. O local onde estamos tem esses abrigos, e nos dirigimos imediatamente para lá. Ficamos aguardando novas informações. Existe expectativa de que o Irã reaja ao ataque”, afirmou Vagner Araújo.
Entre os integrantes da comitiva brasileira está o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, que, segundo Araújo, entrou em contato com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, pedindo apoio do governo brasileiro para uma eventual retirada do grupo de Israel.
O espaço aéreo israelense foi fechado por 48 horas, conforme o secretário, mas há previsão de que esse prazo seja ampliado. Ele explicou que as companhias aéreas internacionais interrompem as operações em situações de conflito e demoram a retomar os voos, mesmo após a reabertura do espaço aéreo.
“Mesmo com o espaço aéreo reaberto, as companhias levam dias para retomar a operação. Considerando a gravidade da situação, é pouco provável que voos comerciais voltem a operar nos próximos dias”, disse Araújo.
Apesar da escalada do conflito, o secretário afirma que o grupo permanece tranquilo, especialmente por estar em uma área distante de cidades mais visadas, como Tel Aviv. “Estamos em uma região um pouco afastada, o que reduz o risco de sermos alvo direto de ataques”, completou.
Ataque de Israel ao Irã
O ataque das Forças de Defesa de Israel foi realizado na madrugada desta sexta-feira (13), horário local, com foco em estruturas ligadas ao programa nuclear iraniano. A ação ocorreu dias após o Irã ter lançado mais de 100 drones contra o território israelense, segundo o governo de Israel.
De acordo com informações da TV estatal iraniana, o chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, e o chefe das Forças Armadas, Mohammad Bagheri, morreram durante os bombardeios. Dois cientistas ligados ao programa nuclear do país também foram mortos.
Em resposta ao ataque, o governo do Irã prometeu retaliação. As autoridades israelenses emitiram alertas à população, instruindo que os civis permaneçam próximos a abrigos e evitem áreas abertas, especialmente em cidades centrais como Tel Aviv e Jerusalém.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil ainda não se pronunciou sobre a situação do grupo de brasileiros em Israel. A expectativa é de que medidas de evacuação possam ser consideradas caso o conflito se intensifique nos próximos dias.
A missão brasileira em Israel está prevista para terminar no dia 20 de junho. No entanto, com o fechamento do espaço aéreo e a instabilidade na região, a programação pode ser alterada.
Bombardeios atingem alvos militares e nucleares; AIEA confirma danos em Natanz e monitora situação
O governo de Israel confirmou que bombardeou alvos militares e nucleares no Irã durante a madrugada desta sexta-feira (13), em uma ação que marca a segunda fase de sua ofensiva contra Teerã. A operação contou com dezenas de aeronaves da Força Aérea israelense, autorizadas pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
As autoridades militares israelenses informaram que o ataque teve como objetivo “destruir estruturas relacionadas ao programa nuclear iraniano” e “neutralizar ameaças estratégicas”. Os bombardeios atingiram principalmente a Central de Enriquecimento Nuclear de Natanz, localizada no centro do país.
De acordo com agências iranianas, pelo menos nove pessoas morreram e cerca de 100 ficaram feridas. Entre os mortos estariam seis cientistas ligados ao programa nuclear iraniano. Israel também teria bombardeado instalações de mísseis balísticos e centros de comando militar.
AIEA confirma danos em Natanz e monitora situação
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou, por meio de comunicado oficial, que a Central Nuclear de Natanz foi atingida durante os ataques israelenses. Segundo o diretor-geral da agência, Rafael Grossi, os níveis de radiação permanecem dentro da normalidade, mas a situação continua sendo monitorada.
“A AIEA está acompanhando de perto a situação preocupante no Irã e confirma que a Central de Natanz está entre os alvos atingidos”, declarou Grossi. A central de Bushehr, localizada no sul do país, não foi atingida pelos bombardeios, segundo informações fornecidas pelas autoridades iranianas à agência.
Estados Unidos apoiam ataque e pedem acordo nuclear
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista à rede ABC News que o ataque de Israel ao Irã foi “excelente” e indicou que outras ações podem ser realizadas caso Teerã não retome as negociações sobre seu programa nuclear.
“Foi uma resposta forte. Há mais por vir. Muito mais”, declarou Trump, ao comentar sobre os bombardeios. O presidente norte-americano ressaltou que já havia dado ao Irã um prazo de 60 dias para negociar um novo acordo nuclear e que esse período terminou na última quinta-feira (12.jun).
“Hoje é o 61º dia. Dei instruções claras sobre o que deveria ser feito, mas não houve resposta. Agora talvez tenham uma segunda chance”, escreveu Trump em sua conta no Truth Social. Ele também afirmou que ainda é possível evitar novos conflitos, desde que o Irã aceite retomar o diálogo com os Estados Unidos e com a comunidade internacional.
Objetivo da ofensiva israelense
O governo de Israel justificou a operação como uma medida preventiva para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. O país afirma que Teerã está próximo de enriquecer urânio suficiente para fabricar até 15 bombas atômicas.
Segundo representantes militares israelenses, os ataques foram direcionados a “instalações militares estratégicas” e “infraestruturas nucleares sensíveis” no território iraniano.
As autoridades iranianas ainda não confirmaram oficialmente o número de mortos, mas veículos estatais noticiaram que os bombardeios resultaram em múltiplas vítimas civis e militares. O governo do Irã prometeu responder à altura e convocou reuniões de emergência com representantes de países aliados.
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Decisão também torna a ex-presidente inelegível de forma vitalícia e confirma pena por fraude em obras públicas na Patagônia
A Suprema Corte da Argentina rejeitou nesta terça-feira (10.jun.2025) um recurso apresentado por Cristina Kirchner e manteve a condenação da ex-presidente a seis anos de prisão por fraude. A decisão também torna a ex-líder peronista inelegível de forma vitalícia para cargos públicos.
A sentença confirma o veredito de 2022 emitido por um tribunal inferior e ratificado posteriormente pela Câmara Federal de Cassação Penal. Kirchner, de 72 anos, foi condenada no caso conhecido como Vialidad, que investigou irregularidades na concessão de contratos públicos durante seus mandatos como presidente da Argentina entre 2007 e 2015.
De acordo com as investigações, Cristina Kirchner favoreceu o empresário Lázaro Báez, que obteve contratos de obras públicas na região da Patagônia, área de forte influência política da ex-presidente. O Ministério Público estimou um desvio de recursos públicos da ordem de bilhões de pesos argentinos.
A Corte Suprema, composta por quatro juízes, rejeitou por unanimidade os argumentos apresentados pela defesa da ex-presidente, que sustentava a tese de perseguição política e ausência de provas concretas de seu envolvimento direto nas fraudes.
A decisão judicial ocorre poucos dias após Kirchner anunciar publicamente a intenção de se candidatar a deputada nas eleições legislativas previstas para setembro. A disputa ocorrerá em um dos principais distritos eleitorais da província de Buenos Aires, tradicional reduto do peronismo. Com a decisão da Suprema Corte, a possibilidade de sua candidatura está inviabilizada, salvo alguma reversão por órgãos internacionais ou decisão liminar posterior.
A situação jurídica de Kirchner pode ainda levar à definição sobre o tipo de cumprimento da pena. Por ter mais de 70 anos, ela pode ser autorizada a cumprir prisão domiciliar, a depender de análise de outro tribunal. Até o momento, ela segue em liberdade, uma vez que a execução da sentença depende de esgotamento de todos os recursos e trâmites legais pendentes.
Cristina Kirchner, que também exerceu o cargo de vice-presidente entre 2019 e 2023, nega as acusações e tem afirmado ser alvo de perseguição política promovida por setores do Judiciário e por adversários do atual governo liderado pelo presidente libertário Javier Milei.
Aliados políticos da ex-presidente argumentam que a manutenção da sentença tem motivação eleitoral e ocorre em um momento estratégico para desmobilizar a oposição ao governo. Setores do peronismo organizam manifestações em apoio a Kirchner e prometem recorrer a instâncias internacionais de direitos humanos.
Especialistas em direito argentino apontam que a decisão da Suprema Corte representa o encerramento da discussão jurídica dentro do sistema judiciário nacional, cabendo agora apenas ações em cortes internacionais. O caso reacende o debate político e jurídico sobre a atuação do Judiciário em temas sensíveis na política argentina e deve intensificar o clima de polarização durante o processo eleitoral legislativo.
A expectativa é que o julgamento definitivo e os desdobramentos políticos fortaleçam a articulação de grupos peronistas em torno de um novo nome para liderar a oposição ao governo Milei, já que Kirchner está, ao menos temporariamente, fora da disputa direta por cargos eletivos.
Pré-candidato à presidência foi baleado durante evento em Bogotá; Petro reúne Conselho de Segurança e cobra apuração
O senador colombiano Miguel Uribe Turbay, de 39 anos, foi alvo de um atentado a tiros no sábado (7.jun.2025), durante um evento de campanha no Parque El Golfito, localizado no bairro Modelia, zona oeste de Bogotá. Uribe é pré-candidato à presidência da Colômbia pelo partido de direita Centro Democrático e se preparava para discursar a apoiadores quando foi atingido nas costas por dois disparos.
A equipe de segurança reagiu ao ataque e houve troca de tiros no local. Um adolescente de 15 anos foi detido com uma arma e também ficou ferido. Duas outras pessoas sofreram ferimentos durante a ação. O senador foi socorrido e levado inicialmente ao Centro Médico Engativá, sendo depois transferido para a Clínica Fundación Santa Fe, onde passou por cirurgias neurocirúrgicas e vasculares. Segundo boletim médico divulgado na madrugada de domingo (8), seu estado de saúde é considerado crítico, mas estável.
Presidente Petro cancela viagem e convoca Conselho de Segurança
Em resposta ao atentado, o presidente colombiano Gustavo Petro convocou uma reunião do Conselho de Paz e Segurança no domingo (8), com a presença do prefeito de Bogotá, Carlos Galán, e da cúpula militar. Durante o encontro, Petro determinou prioridade total na identificação dos responsáveis pelo atentado, incluindo eventuais mandantes, e solicitou investigação sobre falhas na segurança do parlamentar.
Em decorrência da gravidade do ocorrido, Petro cancelou uma viagem oficial à França para acompanhar pessoalmente as apurações. O governo afirmou que mais de 100 agentes participam da investigação.
Investigação e segurança reforçada
A Procuradoria-Geral da Colômbia confirmou que o senador foi atingido por dois tiros e reforçou que o adolescente detido no local segue sob custódia. O armamento apreendido será periciado, e imagens de câmeras de segurança da região estão sendo analisadas para traçar a dinâmica do ataque.
Autoridades avaliam a possibilidade de reforçar a proteção de pré-candidatos à presidência, diante do clima de instabilidade gerado pelo atentado. O governo federal avalia também a adoção de medidas emergenciais nas campanhas eleitorais.
Reações políticas e apelo por moderação
O ataque a Miguel Uribe provocou reações em todo o espectro político colombiano. Partidos de diferentes correntes condenaram o atentado e pediram moderação no debate público. Líderes políticos sugeriram inclusive a suspensão temporária das campanhas eleitorais como forma de reduzir tensões no país.
A presidência da República divulgou nota ressaltando que a Colômbia “não pode tolerar mais polarização” e que a violência política ameaça os fundamentos democráticos do país. O atentado reacende o debate sobre segurança pública, polarização e liberdade de expressão no ambiente eleitoral colombiano.
Repercussão internacional
Diversos líderes internacionais manifestaram solidariedade após o atentado. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, condenou o ataque e cobrou do governo colombiano ações firmes para garantir a integridade de todos os candidatos. A União Europeia, o Chile e o Equador também se pronunciaram, expressando apoio à família de Uribe e reiterando a necessidade de preservar o processo democrático.
Perfil de Miguel Uribe Turbay
Miguel Uribe Turbay é neto do ex-presidente colombiano Julio César Turbay Ayala e filho da jornalista Diana Turbay, assassinada em 1991 durante operação de resgate após sequestro por narcotraficantes. Representando o partido conservador Centro Democrático, Uribe é uma das principais vozes da oposição ao governo Petro e tem se posicionado com ênfase sobre temas como segurança pública e combate à criminalidade.
Com trajetória marcada por embates políticos, sua pré-candidatura à presidência da Colômbia para as eleições de 2026 ganhou visibilidade nos últimos meses, impulsionada por críticas às políticas do atual governo.
Presidente cita R$ 100 bilhões anunciados por empresas francesas e fala sobre Putin, guerra na Ucrânia e eleições de 2026
Durante entrevista coletiva concedida neste sábado (7.jun.2025), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu seu papel como articulador de investimentos estrangeiros no Brasil e destacou os resultados da viagem à França. Lula citou o anúncio de R$ 100 bilhões em aportes previstos para os próximos cinco anos, feitos por 15 empresas francesas, como evidência da confiança internacional em sua gestão.
Ao comentar os custos da comitiva brasileira durante a viagem à Europa, o presidente afirmou que “não sabe quanto está gastando, mas sabe quanto está levando de volta para o Brasil”. Ele defendeu que o país pense grande e que os embaixadores brasileiros atuem para ampliar a presença internacional do país.
Acordo entre União Europeia e Mercosul
Lula voltou a cobrar a entrada em vigor do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul até o fim de 2025. A França é um dos principais opositores à assinatura. O presidente declarou que não pretende impor prejuízos a setores sensíveis, como a agricultura francesa, mas defendeu que o acordo precisa ser aceito por todas as partes.
“Não quero que assinem o acordo e as pessoas fiquem de cara feia. Aí não é acordo”, disse Lula ao citar conversas com líderes europeus, incluindo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
Putin e guerra na Ucrânia
Durante a coletiva, o presidente também falou sobre o possível comparecimento de Vladimir Putin à cúpula dos BRICS, marcada para julho, no Rio de Janeiro. Desde 2023, o presidente russo é alvo de um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional, o que, em tese, obrigaria o Brasil a executar a ordem se ele pisar em território nacional.
Lula afirmou que a decisão sobre participar ou não do encontro é de Putin. O presidente brasileiro relatou que conversou com o líder russo por telefone durante uma escala na Rússia, em maio, e o convidou para participar de um encontro sobre a paz na Turquia, que ocorreu recentemente. Putin não compareceu.
O presidente brasileiro afirmou ainda que o conflito entre Rússia e Ucrânia estaria “mais próximo de um acordo” do que se imagina, embora não tenha dado detalhes sobre eventuais negociações em andamento.
Críticas a Israel e eleições de 2026
Em meio à coletiva, Lula voltou a criticar Israel, acusando o país de cometer genocídio. A declaração reforça a posição do governo brasileiro no cenário internacional quanto ao conflito no Oriente Médio.
Questionado sobre as eleições presidenciais de 2026, Lula demonstrou confiança na possibilidade de reeleição. Segundo ele, a extrema direita não vencerá o pleito. A declaração foi dada com ênfase, enquanto batia no púlpito com as mãos.
Ex-presidente dos EUA ameaça consequências se Musk apoiar candidatos democratas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (7.jun.2025) o fim de seu relacionamento com o empresário Elon Musk. A declaração foi feita durante entrevista por telefone à NBC News, após uma série de críticas públicas de Musk ao projeto de corte de impostos defendido por Trump.
Trump afirmou que haverá “consequências sérias” caso Musk financie candidatos democratas que concorram contra republicanos favoráveis ao projeto. O presidente não especificou quais seriam essas consequências e disse que não discutiu a possibilidade de investigar o empresário.
Ao ser questionado se pretendia reatar a relação com Musk, Trump respondeu: “Presumo que sim”, indicando o fim do vínculo. Ele também negou qualquer interesse em restaurar a parceria com o CEO da Tesla e da SpaceX.
Conflito recente
A tensão entre os dois começou após Musk criticar duramente o projeto de lei de Trump, chamando a proposta de “abominação nojenta”. A legislação visa reduzir impostos, mas sua aprovação no Congresso enfrenta resistência, inclusive entre membros do Partido Republicano.
A medida foi aprovada por uma margem apertada na Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado. Especialistas estimam que, se aprovada, a proposta pode aumentar a dívida pública dos EUA em até US$ 2,4 trilhões na próxima década.
Apesar da resistência, Trump demonstrou otimismo quanto à aprovação do projeto. Segundo ele, o objetivo é garantir a sanção da medida até 4 de julho, data do feriado da Independência dos Estados Unidos.
Postura de Musk
Nos últimos dias, Elon Musk apagou publicações em suas redes sociais em que criticava Trump, incluindo uma mensagem em que sinalizava apoio ao impeachment do ex-presidente. O gesto foi interpretado como tentativa de amenizar a crise, mas a entrevista de Trump sugere que o rompimento é definitivo.
Na sexta-feira (6), Trump chegou a sugerir uma revisão dos contratos do governo federal com as empresas de Musk, incluindo a Tesla e a SpaceX. Fontes próximas ao empresário disseram que ele ainda está irritado com o episódio, mas poderá buscar reconciliação no futuro.
A tensão entre Trump e Musk ocorre em um momento crucial para o cenário político norte-americano, às vésperas das eleições presidenciais de 2024. O apoio de grandes empresários é considerado estratégico tanto para republicanos quanto para democratas.
Foto: RS/Fotos Públicas
MATÉRIA ATUALIZADA ÀS 14h05 DE 08/06/2025 PARA CORREÇÃO DE INFORMAÇÕES
Presidente brasileiro afirma que convidará pessoalmente o ex-presidente dos EUA para a conferência do clima
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou neste sábado (7.jun.2025) que pretende convidar pessoalmente o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para participar da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro, em Belém (PA).
Durante coletiva de imprensa em Paris, Lula afirmou que, se Trump não confirmar presença até perto do evento, fará uma ligação pessoal: “Se até perto [da conferência] o Trump não confirmar que vem, eu, pessoalmente, vou ligar para ele e falar: ‘Ô, cara, Trump, a COP é aqui no Brasil, vamos discutir esse negócio’”, declarou.
A COP30 reunirá chefes de Estado e representantes de quase 200 países para discutir metas e ações de enfrentamento às mudanças climáticas. Segundo Lula, o Brasil está organizando uma reunião preparatória entre os chefes de Estado, com dois dias de antecedência à abertura da conferência, para aprofundar os debates.
Lula destacou a importância da participação dos Estados Unidos na conferência, afirmando que o país “poluiu muito e ainda polui”, referindo-se à responsabilidade histórica das grandes potências industriais nas emissões de carbono.
COP30 será realizada no Brasil
Esta será a primeira vez que a conferência do clima será realizada na região amazônica. Belém sediará o evento entre os dias 30 de novembro e 12 de dezembro. A escolha da capital paraense tem como objetivo colocar os desafios da Amazônia e dos países em desenvolvimento no centro do debate climático.
Durante a COP30, os países deverão apresentar metas de redução de emissões mais ambiciosas para cumprir o Acordo de Paris, que estabelece o limite de aumento da temperatura média global em 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais.
Participação dos Estados Unidos e políticas de Trump
Donald Trump, durante seu mandato como presidente dos EUA, anunciou a retirada do país do Acordo de Paris, decisão revertida posteriormente por Joe Biden. Trump também promoveu medidas que flexibilizaram regras ambientais nos Estados Unidos, incluindo a expansão da exploração de combustíveis fósseis.
O governo brasileiro busca garantir a presença de lideranças internacionais, mesmo as mais controversas, como Trump, a fim de fortalecer a participação global no evento e pressionar países desenvolvidos a contribuírem financeiramente com a mitigação das mudanças climáticas.
Lula defende financiamento climático por países ricos
O presidente brasileiro reiterou que os países industrializados têm responsabilidade histórica e devem financiar ações climáticas nos países em desenvolvimento. “O mundo rico tem uma dívida tão contenciosa com o meio ambiente porque se industrializou há mais de 200 anos. Se industrializaram à custa da carbonização do planeta e têm que pagar um pouco agora para descarbonizar”, disse Lula.
Segundo ele, o Brasil pretende liderar o debate sobre justiça climática e financiamento climático durante a COP30.
Investimentos franceses no Brasil
A declaração de Lula ocorreu durante visita oficial à França, onde o presidente também anunciou a previsão de investimentos de R$ 100 bilhões por empresários franceses no Brasil até 2030. A viagem tem como foco o fortalecimento das relações comerciais e políticas com o governo francês.
Licenciamento ambiental
Durante a coletiva, Lula também foi questionado sobre o projeto de lei aprovado no Senado que flexibiliza regras de licenciamento ambiental no Brasil. O presidente afirmou que ainda aguardará a tramitação do projeto na Câmara dos Deputados e que poderá exercer seu direito de veto.
“É muito difícil um presidente da República dar palpite de uma coisa que está sendo votada na Câmara. Eu tenho direito de vetar. Então, deixa acontecer, deixa ver como o debate na Câmara evolui”, afirmou.
Ele destacou que ministros do governo ligados ao tema devem participar do debate com os parlamentares, buscando aperfeiçoamentos no texto.
Críticas ao projeto
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, já se manifestou publicamente contra o projeto. Em pronunciamento recente em rede nacional de rádio e TV, ela afirmou que a proposta representa risco à legislação ambiental brasileira. “Não podemos permitir que, em nome da agilização das licenças ambientais, seja desferido um golpe mortal em nossa legislação”, disse.
A tramitação do projeto segue sob atenção de ambientalistas, representantes do setor produtivo e do governo federal, que buscam um equilíbrio entre a proteção ambiental e o desenvolvimento econômico.
Foto: Ricardo Stuckert/PR / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A produtora cultural Tatiane Fernandes, o maestro Linus Lerner e a violonista Glaucia Santos, da OSRN, integram equipe com colaboradores de mais de 10 países
A cidade colombiana de Medellín recebe, neste fim de semana, uma das maiores produções operísticas dos últimos anos na América Latina. Trata-se da produção da ópera Aida, de Giuseppe Verdi, que estreia no Teatro Metropolitano José Gutiérrez Gómez, nesta quinta (5), sexta (6) e domingo (8). Entre os nomes envolvidos no projeto, destacam-se três nomes da cultura potiguar: a produtora cultural Tatiane Fernandes, o maestro Linus Lerner e a violonista Glaucia Santos.
A iniciativa é conduzida pela equipe responsável pelo Festival Lírico Internacional SASO Prolírica de Antioquia (Flispa), que, além da produção de Aida, prepara a segunda edição do Flispa e o Concurso Internacional de Canto Linus Lerner, previstos para 2026. A ação reúne esforços da Orquestra Sinfônica do Sul do Arizona (SASO), da Fundação Prolírica de Antioquia e da Mapa Realizações Culturais, destacando mais uma vez o protagonismo potiguar na cena lírica latino-americana.
“Não é todo dia que se tem a oportunidade de dirigir uma ópera dessa magnitude, então estou muito feliz. São poucos os teatros no mundo que conseguem receber uma obra dessa envergadura, tanto em termos de palco quanto de produção. Além disso, é um prazer imenso compartilhar este projeto com a nossa produtora do Rio Grande do Norte, Tatiane Fernandes, e poder trabalhar, mais uma vez, com a minha orquestra, com músicos que vieram dos Estados Unidos, e, claro, com a Orquestra EAFIT, que é simplesmente maravilhosa”, destaca o maestro Linus Lerner, que é também diretor da SASO.
Segundo a produtora cultural Tatiane Fernandes, a presença da equipe potiguar representa a continuidade de um trabalho iniciado pelo Maestro Linus Lerner há 10 anos. “Nosso trabalho é dedicado ao desenvolvimento de talentos que atuam no mundo da ópera. Durante oito anos, estivemos no México, devido à expressiva quantidade de jovens talentos líricos. No ano passado, encontramos na Fundação Prolírica de Antioquia, uma instituição alinhada aos nossos valores. Por isso, as ações na Colômbia são a continuidade desse esforço”, explica.
Uma contribuição para o vigor da cena operística na América Latina
Ainda de acordo com Tatiane Fernandes, a produção de Aida marca um novo momento para o trabalho desse grupo na América Larina. Isso porque, diferentemente das montagens realizadas com alunos e alunas do Festival, essa produção reúne cantores profissionais com carreira internacional e um corpo artístico expressivo com mais de 200 artistas em cena e uma equipe criativa com mais de 60 integrantes, de mais de 10 países.
“É um feito. Aida é uma das poucas obras classificadas como ‘Grand Ópera’, justamente por sua complexidade de grande escala, grande elenco, quatro atos e uma composição que exige toda técnica e talento de cantoras, cantores, corpo de baile, coro e orquestra”, enfatiza o maestro Linus.
“O mundo da Ópera enfrenta diversos desafios, seja pela complexidade das produções, seja pelo investimento que exige, seja pelas desigualdades sociais que querem restringir o tipo de obra para um tipo de plateia, quando a Ópera deve ser para todos e todas. Ainda assim, trata-se de uma linguagem de enorme potência emocional, capaz de arrebatar os mais diversos públicos – e muitos títulos clássicos seguem encantando plateias em todo o mundo”, completa a produtora da Mapa.
Aida é uma das obras mais celebradas de Giuseppe Verdi e estreou em 1871, no Cairo. A ópera narra a trágica história de amor entre Aida, uma princesa etíope escravizada, e Radamés, comandante do exército egípcio. Além da carga dramática e emocional, a montagem exige aparato técnico e artístico de grande escala, incluindo orquestra completa, corpos de baile, grandes coros e solistas com elevada exigência vocal.
“O convite do maestro Linus para integrar a orquestra da Ópera Aida em Medellín é uma oportunidade tanto para minha carreira e formação como violinista, como também de intercâmbio cultural com profissionais da ópera, cantores e músicos dos Estados Unidos, da Colômbia, do México, da Croácia, da Guatemala e outros países. Uma experiência única: aprender e contribuir, com investimento pessoal, para a montagem de uma ópera tão importante”, resume a violinista Glaucia Santos.
Ficha Técnica — Ópera AIDA
AIDA: Ana Isabel Lazo (Guatemala-Itália) Cover Aida: Anastasia Antropova (Rússia–Estados Unidos) RADAMÉS: Vitaliy Kovalchuk (Ucrânia) AMNERIS: Jennifer Kosharsky (Estados Unidos) Cover Amneris: Diana Peralta (México) AMONASRO: Camilo Mendoza (Colômbia) RAMFIS: José Antonio García (Espanha) – 5 e 6 de junho | Alexis Trejos (Colômbia) – 8 de junho FARAÓ: Alexis Trejos (Colômbia) – 5 e 6 de junho | Marcelo Gómez (Colômbia) – 8 de junho SACERDOTISA: Angie Muñoz (Colômbia) MENSAGEIRO: Víctor Araque (Venezuela) | Paulo Espinosa (Peru)
Coro: Fundación Prolírica de Antioquia Camerata Vocal de Medellín IUVENTUS da Fundación Sirenaica Ballet: Ballet Metropolitano de Medellín Coreógrafo: Daniel González Escobar
Orquestra: Formada por músicos da Orquestra Sinfônica EAFIT, da Orquestra Sinfônica do Sul do Arizona (SASO), além de músicos convidados
Equipe Artística e Técnica
Diretor Musical: Linus Lerner (Brasil) Diretor de Cena: Ragnar Conde (México) Diretor Geral: Luis Carlos Rico Puerta (Colômbia) Diretora Artística: Elisa Brex Bonini (Argentina) Diretor do Coro Prolírica de Antioquia: Agustín Tamayo (Colômbia) Diretor do Coro Camerata Vocal: Mauricio Balbín (Colômbia) Diretora do Coro IUVENTUS: María Adelaida Mejía (Colômbia) Assistente de Direção Musical: Carlos Monoyoa Assistentes de Direção de Cena: Camilo Manrique Colorado, Diana Valencia
Presidente reage a declarações de autoridades americanas e pede mobilização da esquerda nas redes contra ofensivas bolsonaristas ao Supremo
Durante discurso no 16º congresso nacional do PSB, realizado neste domingo (1º.jun.2025), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou publicamente o governo do ex-presidente norte-americano Donald Trump após o Departamento de Estado dos Estados Unidos sugerir a aplicação de sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Lula condenou a tentativa de interferência estrangeira em decisões do Judiciário brasileiro, ao reagir às declarações recentes do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que indicou haver “grande possibilidade” de sanções contra Moraes. As críticas se referem a decisões do magistrado que impactaram plataformas digitais sediadas nos EUA e figuras ligadas à Casa Branca, como Elon Musk, dono do X (ex-Twitter).
“Você veja, os Estados Unidos querem processar o Alexandre de Moraes porque ele está querendo prender um cara brasileiro que está lá nos Estados Unidos fazendo coisa contra o Brasil o dia inteiro. Ora, que história é essa de os Estados Unidos quererem criticar alguma coisa da Justiça brasileira? Nunca critiquei a Justiça deles”, afirmou Lula.
O pronunciamento de Lula ocorreu no evento do PSB que marcou a eleição do prefeito do Recife, João Campos, para a presidência do partido, em substituição a Carlos Siqueira. A legenda é a mesma do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
A reação do presidente brasileiro se soma à crescente tensão política entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e o STF. Lula fez referência à atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos e articula apoio ao governo Trump para pressionar por sanções ao Supremo. No Congresso norte-americano, Eduardo vem contando com apoio de parlamentares considerados parte de uma “bancada anti-Moraes”.
Na última quinta-feira (29.mai), o Bureau of Western Hemisphere Affairs (WHA), órgão vinculado ao Departamento de Estado dos EUA, publicou uma mensagem em português no X afirmando que “nenhum inimigo da liberdade de expressão dos americanos será perdoado”, dias após Rubio citar as sanções ao ministro do STF.
Além da crítica direta ao governo Trump, Lula alertou sobre as estratégias políticas do bolsonarismo para as eleições de 2026, especialmente para o Senado. Segundo ele, a intenção é formar uma “superbancada” para confrontar o Supremo e tentar aprovar pedidos de impeachment de ministros da Corte, com foco em Moraes.
“Não que a Suprema Corte seja uma maçã doce. Não, é porque precisamos preservar as instituições que garantam a democracia deste País. Se a gente for destruir o que não gosta, não vai sobrar nada”, disse.
Lula também convocou os militantes da esquerda a disputarem espaço nas redes sociais com maior intensidade. O presidente destacou que a extrema direita tem tido protagonismo digital e que é preciso fazer frente a isso com engajamento.
“Muitas vezes a extrema direita faz a gente recuar. Vamos fazer uma revolução na rede digital. Temos que rebater na hora. Cada um de vocês tem que virar um influencer na internet. Atacou o PSB? Pau em quem atacou o PSB”, declarou Lula, em referência à necessidade de reação imediata no ambiente digital.
Durante o congresso do PSB, o presidente também comentou sobre a possibilidade de disputar a reeleição em 2026. “Para ser candidato, eu preciso estar 100% de saúde como estou hoje”, afirmou.
Crise do IOF e articulação com o Congresso
Ainda durante o evento, Lula se referiu à recente crise provocada pelo aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que gerou reações negativas no Congresso Nacional e no mercado financeiro. O presidente defendeu o diálogo entre Executivo e Legislativo para garantir governabilidade e aprovação de pautas.
Lula citou diretamente o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como parceiros no processo de articulação política. Segundo o presidente, decisões devem ser compartilhadas com os líderes partidários antes de serem anunciadas pelo governo.
“O correto não é tomar a decisão e depois comunicar. É chamar as pessoas para decidir junto com a gente. Quando chega no Congresso, já está mais alinhado. Se o Congresso não concordar, ninguém tem obrigação de aprovar. Nosso papel é convencer da importância”, disse Lula.
Deputado é investigado por incitar EUA a adotarem ações contra Moraes
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (26) abrir um inquérito para investigar o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelos crimes de coação no curso do processo e obstrução de investigação.
O pedido de abertura de investigação foi feito ao Supremo pelo procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, para apurar a suposta atuação do parlamentar para incitar o governo dos Estados Unidos a adotar medidas contra Moraes, que foi escolhido relator do caso por também atuar no comando das ações da trama golpista e no inquérito das fake news.
O ministro também autorizou o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro para prestar esclarecimentos por ser “diretamente beneficiado” pelas ações de seu filho. Bolsonaro é réu do núcleo 1 da trama golpista. Diplomatas brasileiros também devem ser ouvidos.
A PGR também anexou ao inquérito a notícia-crime enviada em março ao STF pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Na ocasião, o deputado pediu a apreensão do passaporte de Eduardo Bolsonaro (foto) para evitar a saída dele para o exterior. No entanto, a procuradoria e Alexandre de Moraes rejeitaram o pedido.
Na ocasião, Lindbergh denunciou que Eduardo Bolsonaro fazia viagens aos Estados Unidos para articular com deputados daquele país ataques contra o ministro Alexandre. Segundo o parlamentar, o filho de Bolsonaro comete crime de lesa-pátria por constranger o ministro e o Poder Judiciário brasileiro.
Com a nova decisão de Moraes, Lindbergh Farias vai depor contra o filho de Bolsonaro no inquérito.
Em março deste ano, em meio ao julgamento no qual Bolsonaro virou réu, Eduardo pediu licença de 122 dias do mandato parlamentar e foi morar nos Estados Unidos. Por estar no exterior, Eduardo poderá depor por escrito.
Na semana passada, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, confirmou que há “uma grande possibilidade” de Moraes sofrer sanções do país.
Outro lado
Em postagem nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro considerou que o pedido de investigação é uma medida “injusta e desesperada”.
“Só configura aquilo que sempre falamos, o Brasil vive um regime de exceção, onde tudo no Judiciário defende de quem seja o cliente”, declarou.
Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados / Bruno Spada/Câmara dos Deputados / Antonio Augusto/STF / Nelson Jr./SCO/STF
Governo da Venezuela conquista 23 dos 24 estados; oposição denuncia fraude e repressão durante o processo eleitoral
O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), liderado pelo presidente Nicolás Maduro, venceu 23 dos 24 cargos de governador nas eleições regionais e legislativas realizadas no domingo (25). Os resultados foram divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) no fim da tarde de domingo, em meio a denúncias de repressão e baixa participação eleitoral.
Segundo o CNE, o PSUV também obteve 82,68% dos votos nas listas nacionais para o Parlamento. A participação oficial foi de pouco mais de 42%, número contestado pela oposição, que boicotou o processo.
Durante os dias que antecederam a votação, 70 pessoas foram detidas sob diversas acusações. Entre elas, o opositor Juan Pablo Guanipa, próximo da líder María Corina Machado, foi preso na sexta-feira sob suspeita de integrar uma “rede terrorista” que, segundo as autoridades, pretendia sabotar as eleições.
Foram mobilizados mais de 400 mil integrantes das forças de segurança em todo o país durante a votação. Após a divulgação dos resultados, o governo classificou o processo como um ato de reafirmação da estabilidade e da soberania nacional.
As eleições ocorreram meses após os distúrbios registrados nas eleições presidenciais de 28 de julho, que deixaram 28 mortos e mais de 2.400 detidos. Das detenções, cerca de 1.900 pessoas foram liberadas até o momento.
A eleição incluiu também o pleito para a região de Essequibo, território disputado entre Venezuela e Guiana. O governo venezuelano elegeu Neil Villamizar como governador da região em votação realizada em área fronteiriça. O território de 160 mil quilômetros quadrados é administrado por Georgetown, capital da Guiana, que não reconhece a autoridade venezuelana sobre a área.
O presidente da Guiana, Irfaan Ali, classificou a eleição como uma ameaça à soberania de seu país. Nicolás Maduro, por outro lado, declarou que a Venezuela “recuperará” o território e afirmou que Irfaan Ali terá que negociar sobre a questão.
A oposição venezuelana, que contesta os resultados e denuncia irregularidades, se divide entre os que rejeitaram participar do processo eleitoral e os que buscaram garantir cadeiras na Assembleia Nacional. Henrique Capriles, eleito pela lista nacional, defendeu sua participação como forma de manter representatividade no Legislativo.
A condução das eleições e os desdobramentos na disputa territorial com a Guiana continuam a gerar tensões diplomáticas e críticas internacionais, enquanto o governo de Maduro amplia sua presença política nos principais cargos do país.
Universidade questiona legalidade da revogação da certificação para matrículas internacionais
Uma decisão judicial dos Estados Unidos suspendeu temporariamente a medida do governo Trump que revogava a certificação da Universidade de Harvard para matrícula de estudantes estrangeiros. A suspensão foi determinada nesta sexta-feira (23.mai.2025) pela juíza distrital Allison Burroughs.
A decisão judicial é válida por duas semanas e impede que a nova política migratória entre em vigor de imediato. Harvard havia acionado a Justiça Federal de Boston argumentando que a revogação da certificação do Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio viola a Constituição dos EUA e leis federais, além de causar impacto imediato a mais de 7 mil estudantes internacionais.
Segundo a universidade, a medida faz parte de uma série de ações do governo federal contra instituições que resistem à influência da Casa Branca em temas acadêmicos e administrativos. A certificação cancelada foi anunciada pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, com efeitos previstos para o ano letivo de 2025-2026.
Impacto para Harvard
Harvard afirma que a retirada da certificação comprometeria sua estrutura acadêmica, já que cerca de 27% dos alunos matriculados atualmente são estrangeiros — o equivalente a aproximadamente 6.800 estudantes. A universidade considera que a medida tem motivação política e é uma forma de retaliação pela recusa da instituição em ceder à interferência federal em sua gestão acadêmica.
A suspensão da medida foi determinada com base na possibilidade de prejuízos irreversíveis antes que o caso possa ser analisado em profundidade. Audiências judiciais já estão marcadas para os dias 27 e 29 de maio.
Pressão política sobre instituições
A tentativa de revogação da certificação de Harvard se insere em um contexto mais amplo de pressões do ex-presidente Donald Trump sobre universidades, escritórios de advocacia, mídia e outras instituições. Em paralelo, há registros de ações para deportar estudantes estrangeiros que participaram de protestos pró-Palestina, mesmo sem condenações judiciais.
Harvard também já havia travado disputas com o governo anterior em relação ao congelamento de cerca de US$ 3 bilhões em subsídios federais. A justificativa do Departamento de Segurança Interna para a medida atual inclui acusações de que a universidade promove antissemitismo e coopera com o Partido Comunista Chinês, alegações negadas por Harvard.
Segundo a universidade, os pedidos por registros audiovisuais de protestos e atividades dos estudantes internacionais nos últimos cinco anos são arbitrários e violam princípios legais.
Mais de 20 países impõem restrições após confirmação de foco de influenza aviária em granja comercial no Rio Grande do Sul
O Brasil monitora 17 investigações ativas de suspeitas de gripe aviária em diferentes estados do país, de acordo com dados atualizados na plataforma de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As análises, que envolvem coleta de amostras, ainda não têm resultado laboratorial conclusivo.
Dentre as investigações, duas ocorrem em ambientes de produção comercial: uma em uma granja de pintinhos no município de Ipumirim (SC) e outra em um abatedouro de aves em Aguiarnópolis (TO). Outras nove suspeitas envolvem aves de subsistência em Capela de Santana (RS), Concórdia (SC), Angélica (MS), Jardim (MS), Belo Horizonte (MG), Salitre (CE), Quixadá (CE), Eldorado do Carajás (PA) e Abel Figueiredo (PA). Também são investigadas seis suspeitas em aves silvestres nas cidades de Porto Alegre (RS), Jaguari (RS), Castelo (ES), Belo Horizonte (MG), Ilhéus (BA) e Icapuí (CE). Uma suspeita em Gaurama (RS) já foi descartada.
Desde a primeira confirmação de gripe aviária no Brasil, em maio de 2023, em uma ave silvestre, mais de 2.500 notificações foram investigadas. A doença, causada pelo vírus H5N1, é de notificação obrigatória e imediata às autoridades sanitárias. Devem comunicar casos suspeitos os produtores rurais, técnicos, proprietários, prestadores de serviço e demais envolvidos com criação de aves.
Até o momento, o país contabiliza um caso confirmado da doença em uma granja comercial localizada em Montenegro (RS), na Região Metropolitana de Porto Alegre. Além disso, foram confirmados 164 casos em animais silvestres (160 em aves e 4 em leões-marinhos), três focos em criações domésticas e um em produção comercial, totalizando 168 registros.
Com a confirmação do caso em ambiente comercial, aumentaram as restrições à exportação de carne de frango brasileira. O Ministério da Agricultura e Pecuária informou que Albânia, Namíbia e Índia passaram a suspender as importações de carne de aves provenientes de todo o território nacional. Já Angola optou por restringir apenas as compras oriundas do estado do Rio Grande do Sul.
Ao todo, 23 países impuseram suspensão total das exportações brasileiras de carne de frango. Estão nessa lista: China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, Filipinas, África do Sul, Jordânia, Peru, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Sri Lanka, Paquistão, além dos recém-incluídos Albânia, Namíbia e Índia.
Outros 17 países aplicaram suspensão parcial, limitada ao estado do Rio Grande do Sul, incluindo Arábia Saudita, Reino Unido, Rússia e Turquia. Já Emirados Árabes Unidos e Japão restringiram as importações apenas ao município de Montenegro (RS), onde ocorreu o foco confirmado.
O Ministério da Agricultura segue em diálogo com as autoridades sanitárias dos países importadores, compartilhando informações técnicas e medidas adotadas. O objetivo, segundo a pasta, é garantir a segurança sanitária e viabilizar a retomada das exportações o mais rápido possível.
O órgão também reforçou que o consumo de carne de aves e ovos no Brasil não representa risco à saúde da população.
Foto: Wolfgang Ehrecke/Pixabay / Javier Garcia/Pixabay / Bernhard Jaeck/Pixabay
Primeira-dama diz que regulação chinesa impõe regras severas e questiona resistência ao tema no Brasil
A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, defendeu a discussão sobre a regulação das redes sociais no Brasil, citando o modelo adotado pela China como exemplo. A declaração foi feita na sexta-feira (23.mai.2025) durante entrevista ao podcast Se ela não sabe, quem sabe, do jornal Folha de S.Paulo.
Segundo Janja, o país asiático possui regras rigorosas de controle digital, inclusive com previsão de prisão para quem descumpre as normas estabelecidas. “O presidente Xi (Jinping) falou que eles também têm problemas dentro da China, apesar de ter uma regulação muito forte. Lá, crianças menores de idade só podem usar telas a partir de 11 anos com horário específico, não podem ter rede social. Tem toda uma regulamentação e, se não seguir a regra, tem efeito, tem prisão. Por que é tão difícil a gente falar disso aqui?”, afirmou.
Brasília (DF), 19/05/2025 – A primeira-dama, Janja Lula da Silva, durante a abertura da Semana Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A primeira-dama afirmou ainda que o debate não se trata de uma questão de liberdade de expressão, mas de proteção à vida e às crianças. A fala ocorreu após críticas por conta de sua postura durante viagem oficial à China na semana anterior.
Na ocasião, Janja tomou a palavra em um encontro oficial e comentou sobre a atuação do TikTok no Brasil, dizendo que o algoritmo da plataforma favorece conteúdos da direita. A fala, feita na presença do presidente chinês Xi Jinping, foi descrita por integrantes da comitiva brasileira como um momento “constrangedor”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa da primeira-dama. Segundo ele, foi feito um pedido formal à China para envio de um especialista que possa colaborar com o debate digital no Brasil. “Eu perguntei ao companheiro Xi Jinping se era possível ele enviar para o Brasil uma pessoa da confiança para a gente discutir a questão digital, sobretudo o TikTok. E aí a Janja pediu a palavra para explicar o que está acontecendo no Brasil, sobretudo contra as mulheres e as crianças. Foi só isso”, declarou Lula.
O episódio gerou reações da oposição, que criticou a menção a um modelo de regulação de redes semelhante ao chinês, país onde o controle estatal é severo. O governo chinês determina o que pode ser acessado pela população e restringe plataformas como Facebook, Instagram e Google. Além disso, conteúdos considerados ofensivos ao Partido Comunista ou favoráveis a pautas pró-democracia são frequentemente censurados.
Brasília (DF), 19/05/2025 – A primeira-dama, Janja Lula da Silva, durante a abertura da Semana Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Durante a entrevista, Janja também comentou sobre sua atuação pública e reforçou que não pretende seguir carreira política. “Quer dizer que eu não posso falar? Eu não sou um biscuit de porcelana. Eu não vou num jantar só para acompanhar meu marido. E ele nunca disse: ‘Não fale, fique quieta’”, disse. Ela afirmou ter bom senso e conhecimento dos limites e temas mais sensíveis.
A primeira-dama ainda abordou as críticas que recebe na esfera pública, negou intenção de disputar cargos eletivos e afirmou que o presidente Lula está “forte e bem” para concorrer à reeleição em 2026. Janja também declarou não “passar pano” para declarações machistas feitas por Lula.
Apesar de não ocupar cargo oficial no governo federal, Janja conta com uma equipe que a acompanha em eventos e viagens, inclusive no exterior. Segundo reportagens, o grupo tem pelo menos 12 integrantes. A oposição passou a questionar na Justiça os custos associados aos deslocamentos internacionais da primeira-dama.
Durante o mesmo evento, Lula afirmou que, daqui em diante, vai buscar uma comunicação mais direta com líderes internacionais. “A partir de agora, todo presidente com quem eu tiver uma reunião, eu vou pegar o telefone dele e vou dar o meu telefone. Como eu não tenho telefone, ou eu dou os telefones dos meus assessores ou eu dou o telefone da Janja”, declarou. O presidente argumentou que, atualmente, uma conversa entre dois chefes de Estado pode levar semanas para acontecer por conta de trâmites burocráticos.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil / Marcelo Camargo/Agência Brasil
Instituto Terra confirma falecimento do fotógrafo brasileiro; causa da morte ainda não foi divulgada
O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado morreu nesta sexta-feira (23.mai.2025), aos 81 anos, em Paris, onde vivia. A informação foi confirmada pelo Instituto Terra, organização fundada por ele e por sua esposa, Lélia Deluiz Wanick Salgado. A causa da morte ainda não foi divulgada oficialmente, mas Salgado enfrentava problemas crônicos relacionados à malária, doença contraída durante expedições fotográficas na década de 1990.
Salgado foi reconhecido internacionalmente por seu trabalho no campo da fotografia documental, com registros marcantes sobre condições de vida de populações vulneráveis e impactos ambientais em diversas regiões do planeta.
Carreira e reconhecimento internacional
Nascido em Aimorés, no estado de Minas Gerais, Sebastião Salgado começou sua carreira como economista, mas se destacou no cenário mundial como fotógrafo a partir da década de 1970. Seu trabalho foi publicado em revistas de grande circulação internacional e exibido em exposições nos cinco continentes.
Ele registrou conflitos armados, fluxos migratórios, povos indígenas e condições de trabalho em vários países. Entre suas obras mais conhecidas estão os projetos “Trabalhadores” (1993), “Êxodos” (2000) e “Gênesis” (2013), além do mais recente “Amazônia” (2021), que documenta comunidades indígenas e a biodiversidade da floresta.
Salgado recebeu diversos prêmios internacionais e foi integrante da prestigiosa agência de fotografia Magnum Photos antes de fundar sua própria agência, a Amazonas Images, em Paris.
Nota oficial do Instituto Terra
O Instituto Terra, fundado em 1998 por Sebastião e Lélia Salgado, divulgou uma nota oficial lamentando o falecimento do fotógrafo. A organização é dedicada à restauração ambiental e desenvolvimento sustentável da Mata Atlântica na região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.
Leia a íntegra da nota:
“Com imenso pesar, comunicamos o falecimento de Sebastião Salgado, nosso fundador, mestre e eterno inspirador.
Sebastião foi muito mais do que um dos maiores fotógrafos de nosso tempo. Ao lado de sua companheira de vida, Lélia Deluiz Wanick Salgado, semeou esperança onde havia devastação e fez florescer a ideia de que a restauração ambiental é também um gesto profundo de amor pela humanidade. Sua lente revelou o mundo e suas contradições; sua vida, o poder da ação transformadora.
Neste momento de luto, expressamos nossa solidariedade a Lélia, a seus filhos Juliano e Rodrigo, seus netos Flávio e Nara, e a todos os familiares e amigos que compartilham conosco a dor dessa perda imensa.
Seguiremos honrando seu legado, cultivando a terra, a justiça e a beleza que ele tanto acreditou ser possível restaurar.
Nosso eterno Tião, presente! Hoje e sempre.”
Legado cultural e ambiental
Além de sua obra fotográfica, Salgado será lembrado por seu engajamento ambiental e social. O Instituto Terra recuperou mais de 2 mil hectares de floresta nativa e se tornou referência em projetos de educação ambiental e reflorestamento no Brasil.
Seu trabalho influenciou fotógrafos, pesquisadores, ambientalistas e cineastas. O documentário “O Sal da Terra” (2014), dirigido por seu filho Juliano Salgado em parceria com Wim Wenders, retrata a trajetória do fotógrafo e foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário.
A família ainda não divulgou detalhes sobre o funeral ou cerimônias em homenagem ao fotógrafo.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil / Valter Campanato/Agência Brasil / Fernando Frazão/Agência Brasil
Assassinato de dois funcionários da embaixada israelense nos EUA é atribuído ao ódio antissemita, mas também levanta reações sobre o conflito em Gaza
Dois funcionários da embaixada de Israel nos Estados Unidos foram assassinados na noite da quarta-feira (21.mai.2025), em frente ao Museu Judaico, em Washington. As autoridades norte-americanas confirmaram que o ataque ocorreu nas imediações do local e que um suspeito foi detido após gritar “Palestina livre”, segundo informações divulgadas pela emissora NBC News.
A polícia de Washington solicitou à população que evite a área e afirmou que colabora com a Embaixada de Israel para esclarecer os fatos. Pelo menos uma das vítimas foi levada em estado crítico para um hospital local.
A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, declarou nas redes sociais que o governo federal está “investigando ativamente” o atentado. Já o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que “esses horríveis assassinatos em Washington, obviamente motivados pelo antissemitismo, têm de acabar agora”, em publicação na Truth Social.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou o reforço da segurança nas missões diplomáticas israelenses em todo o mundo. Ele também relacionou o atentado ao crescimento do antissemitismo e de discursos hostis ao Estado de Israel.
O presidente israelense, Isaac Herzog, e o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, classificaram o crime como terrorismo. Saar afirmou que há uma ligação direta entre a incitação antissemita e o atentado, inclusive com menções a líderes europeus que vêm criticando as ações de Israel na Faixa de Gaza.
No Brasil, a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) também atribuiu o crime ao antissemitismo e às crescentes críticas à atuação de Israel no conflito com o Hamas. Em nota, a Fisesp lamentou a morte dos funcionários da embaixada e disse que a retórica contra Israel está alimentando manifestações de ódio em todo o mundo. A entidade também mencionou declarações do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, como a comparação das ações de Israel em Gaza com o Holocausto.
“Discursos contra a legítima defesa do Estado de Israel frente aos ataques terroristas do Hamas têm estimulado um crescimento global de manifestações antissemitas”, afirmou a Fisesp. “Antissemitismo mata”, completou a federação.
A Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), por sua vez, condenou o atentado, mas alertou para o risco de o crime ser utilizado como forma de blindar Israel diante das crescentes críticas da comunidade internacional. O presidente da Fepal, Ualid Rabah, destacou que há países do Ocidente que têm considerado a atuação israelense em Gaza como genocídio.
“A rejeição a Israel tem crescido como reação às suas ações na Palestina, não por antissemitismo”, declarou Rabah à Agência Brasil. Ele também sugeriu que uma investigação completa deveria considerar inclusive a hipótese de crime de “falsa bandeira”, ou seja, cometido para gerar comoção internacional favorável a Israel.
A tensão entre as reações ao crime e as críticas à política externa de Israel ocorre no contexto de denúncias sobre a atuação militar no território palestino. A África do Sul entrou com uma ação contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), acusando o país de genocídio. Paralelamente, países como Inglaterra, França, Canadá e Espanha aumentaram a pressão por um cessar-fogo e a liberação de ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
No Brasil, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) declarou que o governo repudia o crime ocorrido em Washington e que o presidente Lula “nunca fez fala preconceituosa contra judeus”. Segundo a nota, as críticas de Lula foram direcionadas às ações do governo de Israel, em especial à desproporcionalidade dos ataques contra civis palestinos. A Secom reafirmou a condenação do governo brasileiro ao antissemitismo e ao terrorismo.
Enquanto os desdobramentos do atentado seguem em investigação pelas autoridades americanas, o episódio acirra o debate global sobre antissemitismo, liberdade de expressão, segurança diplomática e os limites do discurso político em tempos de conflito internacional.
Informação é do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, disse nesta segunda-feira (19) que o Brasil pode retomar o status de país livre de gripe aviária e, consequentemente, as exportações de carne de frango, caso nenhuma nova infecção seja registrada em um período de 28 dias.
“O importante é a gente fazer todo o bloqueio e o rastreamento de tudo o que saiu dessa granja. Fazendo a inutilização de toda essa produção, a gente diminui muito o risco de novos casos. Diminui muito mesmo. Feito isso, cumpre-se o prazo de 28 dias, que é o ciclo desse vírus”, disse Fávaro.
“Se, em 28 dias, não tiver nenhum outro caso, a gente pode, com tranquilidade, baseado em ciência, dizer ao mercado e aos compradores, a gente volta então a colocar o status de como livre de gripe aviária. O Brasil, de novo, livre de gripe aviária”, completou, em conversa com jornalistas.
O ministro lembrou que, mesmo com a retomada do status de livre de gripe aviária, a normalização das exportações de carne de frango deve ocorrer de forma gradativa.
“Não significa que, imediatamente, todos os mercados se abrirão. Muitos vão fazer questionamento, tirar dúvidas. E é normal isso”, ressaltou.
“28 dias são o prazo científico que se extingue o risco de um ciclo se perpetuar. A gente, não tendo novos casos, pode, com segurança, dizer que o Brasil volta ao status de livre de gripe aviária. Certamente, aqueles que restringiram o Brasil todo, vão reduzir provavelmente só ao Rio Grande do Sul ou a Montenegro e aí, gradativamente, voltando à normalidade.”
China
Aos jornalistas, Fávaro disse ainda que a China estava prestes a voltar a comprar carne de frango proveniente do Rio de Grande do Sul, após suspender a importação do produto no ano passado por causa de um caso da doença de Newscastle em uma granja comercial do estado.
Brasília (DF) 04/07/2024 – Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro participa do programa Bom dia, Ministro na Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
“A China estava na iminência de voltar a compra do Rio Grande do Sul, pois se deram por satisfeitos. Inclusive, na missão do presidente Lula na semana passada à China, a GACC [agência aduaneira do governo chinês] deu sinais de que estava satisfeita com todos os relatórios fornecidos sobre Newcastle e, provavelmente, ia tirar as restrições até do Rio Grande do Sul”, declarou o ministro.
“Infelizmente, a restrição agora veio por outro motivo”, completou.
Entenda
O Brasil confirmou, na última sexta-feira (16), o primeiro caso de vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em um matrizeiro de aves comerciais no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, trata-se do primeiro foco de IAAP detectado em sistema de avicultura comercial do país.
Em nota, a pasta destacou que a doença não é transmitida pelo consumo de carne nem de ovos.
“A população brasileira e mundial pode se manter tranquila em relação à segurança dos produtos inspecionados, não havendo qualquer restrição ao seu consumo. O risco de infecções em humanos pelo vírus da gripe aviária é baixo e, em sua maioria, ocorre entre tratadores ou profissionais com contato intenso com aves infectadas (vivas ou mortas)”.
Desde o anúncio do primeiro caso de IAAP no país, China, União Europeia e Argentina suspenderam as importações de carne de frango brasileira – inicialmente, por um prazo de 60 dias. Apesar do foco ser regional, as restrições comerciais, no caso da China e do bloco europeu, abrangem todo o território nacional, por exigências previstas em acordos comerciais com o Brasil.
Foto: José Cruz/Agência Brasil / Fernando Frazão/Agência Brasil / Joédson Alves/Agência Brasil
Primeira-dama afirma que não se calará ao tratar da proteção de crianças e adolescentes
A primeira-dama Janja Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (19.mai.2025), que abordou pessoalmente o presidente da China, Xi Jinping, sobre a atuação de plataformas digitais. A fala ocorreu durante a abertura de um evento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em Brasília, e representa a primeira manifestação pública de Janja sobre o episódio que gerou repercussão no governo brasileiro.
Na ocasião, Janja defendeu a responsabilização das plataformas digitais pela disseminação de conteúdos nocivos a crianças e adolescentes e rebateu críticas por ter tratado do tema com o líder chinês durante um jantar com autoridades realizado na semana anterior.
“Não há protocolo que me faça calar se eu tiver uma oportunidade de falar sobre isso com qualquer pessoa que seja. Do maior grau ao menor grau. Do mais alto nível a qualquer cidadão comum”, afirmou a primeira-dama durante o evento.
Ela completou: “Eu quero dizer que a minha voz — vocês podem ter certeza de que — vai ser usada para isso. E foi para isso que ela foi usada na semana passada, quando eu me dirigi ao presidente Xi Jinping após a fala do meu marido sobre uma rede social.”
A declaração pública contrasta com o que havia sido informado anteriormente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 13 de maio, o presidente disse que ele próprio havia feito a solicitação ao presidente chinês para discutir a atuação de plataformas digitais, com foco na rede TikTok.
Na ocasião, Lula declarou: “Eu fiz uma pergunta ao companheiro Xi Jinping se era possível enviar para o Brasil uma pessoa da confiança dele para discutir a questão digital e, sobretudo, o TikTok.”
A divergência entre as falas gerou questionamentos públicos e bastidores de tensão no Palácio do Planalto. O episódio também alimentou críticas de setores que consideraram inadequado o encaminhamento direto da pauta por parte da primeira-dama.
Durante o evento do Ministério dos Direitos Humanos, Janja reforçou sua posição: “Eu como mulher não admito que alguém me diga que eu tenho que ficar calada. Eu não me calarei quando for para proteger a vida das nossas crianças e dos nossos adolescentes.”
Contexto da reunião com Xi Jinping
A reunião entre o presidente Lula, a primeira-dama Janja e o presidente chinês Xi Jinping ocorreu durante um jantar diplomático com autoridades da comitiva chinesa no Palácio da Alvorada. O encontro teve como pano de fundo a visita oficial de Xi ao Brasil para reforçar parcerias comerciais e institucionais entre os dois países.
Durante o encontro, a pauta sobre o impacto das redes sociais — especialmente o TikTok, plataforma de origem chinesa — foi mencionada. O governo brasileiro tem demonstrado preocupação com a disseminação de conteúdos nocivos e o impacto da tecnologia sobre crianças e adolescentes.
A fala de Janja, nesta segunda, marca o posicionamento público da primeira-dama sobre o tema e indica um papel ativo dela em pautas de proteção de direitos da infância e juventude, com foco na regulação do ambiente digital.
Posição do governo sobre plataformas digitais
Nos últimos meses, o governo federal tem intensificado o debate sobre a regulação das redes sociais. O Ministério da Justiça e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania estão envolvidos em propostas para estabelecer critérios de moderação de conteúdo e responsabilidade das plataformas.
Em meio ao avanço de propostas no Congresso Nacional, o governo também tenta articular com empresas globais medidas que limitem a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos considerados prejudiciais à saúde mental, física e emocional.
A atuação de plataformas como TikTok, Instagram, YouTube e outras está no centro dessa discussão. O TikTok, em particular, tem sido alvo de críticas por suposta falha na filtragem de conteúdos sensíveis e pela facilidade de acesso a vídeos que envolvem desafios perigosos, exposição indevida e propagação de desinformação.
A menção direta ao presidente Xi Jinping por parte de Janja reforça o peso atribuído ao tema pela gestão federal, especialmente diante da origem chinesa da plataforma TikTok e da influência econômica e tecnológica da China no cenário global.
Exame detectou nódulo e células cancerígenas já se espalharam para os ossos, informou gabinete do ex-presidente dos EUA
O ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden foi diagnosticado com câncer de próstata com metástase nos ossos, conforme informou seu gabinete neste domingo (18.mai.2025). A confirmação do diagnóstico foi feita após exames realizados na semana passada, motivados por sintomas urinários e a detecção de um nódulo na próstata durante avaliação médica.
O câncer foi diagnosticado na sexta-feira (16), segundo nota oficial. Os médicos identificaram que as células cancerígenas se espalharam para os ossos, caracterizando uma metástase, o que indica um estágio mais avançado da doença.
“Embora represente uma forma mais agressiva da doença, o câncer parece ser sensível a hormônios, o que permite um tratamento eficaz”, informou o gabinete do ex-presidente norte-americano.
O comunicado acrescenta que Joe Biden e sua família estão avaliando as opções terapêuticas disponíveis com sua equipe médica. O ex-presidente tem sido acompanhado por especialistas desde que os primeiros sintomas surgiram.
Exames e detecção
A avaliação médica que levou ao diagnóstico foi realizada na última semana, após Biden apresentar sintomas urinários atípicos, o que motivou uma investigação mais detalhada. A presença de um nódulo na próstata levou à realização de exames complementares, incluindo biópsia e exames de imagem.
A biópsia confirmou a presença de células malignas, e exames adicionais detectaram que o câncer já havia ultrapassado a próstata, com disseminação para estruturas ósseas. Essa condição é classificada como metástase, um estágio em que o tratamento se torna mais complexo.
Sensibilidade hormonal
De acordo com o boletim médico divulgado pelo gabinete de Biden, o câncer identificado é do tipo hormônio-dependente, o que significa que as células tumorais respondem a terapias hormonais. Esse tipo de tratamento tem como objetivo reduzir os níveis de hormônios que favorecem o crescimento do tumor.
Especialistas indicam que o tratamento hormonal pode retardar a progressão da doença, especialmente em casos onde a metástase é diagnosticada precocemente. As opções em estudo pela equipe médica incluem bloqueadores hormonais, radioterapia e tratamentos sistêmicos mais modernos, como terapia alvo e imunoterapia, dependendo do estágio exato e das condições gerais de saúde do paciente.
Histórico médico e idade
Joe Biden tem 81 anos e já ocupou diversos cargos políticos ao longo de mais de cinco décadas. Ele foi senador por Delaware, vice-presidente dos Estados Unidos entre 2009 e 2017, durante o governo de Barack Obama, e presidente entre 2021 e 2025. Desde que deixou o cargo, sua saúde tem sido acompanhada regularmente por equipes médicas devido à idade avançada e ao histórico de saúde.
Em relatórios médicos divulgados anteriormente, Biden havia apresentado bom estado de saúde geral, com acompanhamento regular para condições como hipertensão leve e colesterol elevado. O novo diagnóstico representa uma mudança significativa no quadro clínico do ex-presidente.
Pronunciamento público
Até o momento, Joe Biden não se pronunciou diretamente sobre o diagnóstico. O gabinete afirmou que ele está “tranquilo e confiante” e que manterá a imprensa e a população informadas sobre a evolução do tratamento. Não foi informado se haverá mudança em sua rotina pública ou compromissos previstos para os próximos meses.
Novo líder da Igreja Católica defende descentralização do poder papal e critica desigualdades globais
O Papa Leão XIV celebrou sua missa inaugural neste domingo (18.mai.2025), na Praça de São Pedro, no Vaticano, diante de milhares de fiéis. Em seu primeiro discurso como pontífice, ele reafirmou o compromisso com os ensinamentos da Igreja Católica e defendeu que a instituição enfrente os desafios do mundo contemporâneo sem abandonar suas raízes.
Durante a celebração, Leão XIV destacou a importância de manter a tradição da Igreja, que reúne mais de 1,4 bilhão de fiéis em todo o mundo, mas sem se isolar da realidade atual. “Não há espaço para propaganda religiosa nem para jogos de poder”, afirmou o novo papa, ao discursar para os presentes.
Em sua homilia, o pontífice fez críticas ao sistema econômico global, que, segundo ele, “explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres”. A fala reforça o posicionamento social adotado também por seu antecessor, o papa Francisco, especialmente em temas como justiça social, ecologia e economia.
Leão XIV também fez referência direta à estrutura de poder no Vaticano. Ele alertou contra a centralização do comando papal e afirmou que pretende liderar a Igreja “sem nunca ceder à tentação de ser um autocrata”.
A escolha do novo papa foi anunciada dias após a morte de Francisco, e Leão XIV assume com a responsabilidade de dar continuidade às diretrizes que marcaram o último papado, ao mesmo tempo em que busca reafirmar a presença da Igreja nos debates contemporâneos.
Ainda não foram divulgadas novas medidas ou nomeações para a Cúria Romana, mas espera-se que o pontífice reforce pautas como o acolhimento a refugiados, o combate à fome e a atuação inter-religiosa.
A agenda oficial do papa Leão XIV nos próximos dias deve incluir encontros com representantes do clero e autoridades diplomáticas. A comunidade internacional aguarda os primeiros posicionamentos sobre temas sensíveis da Igreja em áreas como saúde reprodutiva, estrutura clerical e direitos humanos.
Tuta está preso e condenado a 12 anos de prisão no Brasil
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, disse neste sábado (17), na sede da PF, em Brasília, que já tem equipe e avião destinados a fazer a transferência do brasileiro Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta, preso nesta sexta-feira (16), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
Neste momento, o governo brasileiro aguarda a realização de uma audiência judicial na Bolívia, prevista para este domingo (18), que poderá definir se Marcos Roberto será expulso imediatamente ou se será extraditado formalmente pela Bolívia. A audiência na justiça boliviana é um procedimento semelhante ao de uma audiência de custódia no Brasil, quando o preso é apresentado pela primeira vez a um juiz, após a detenção.
“Agora, é aguardar e a nossa equipe de cooperação, quanto a nossa equipe tática, estão prontos para atuar”, explicou Rodrigues.
Na Bolívia, a Polícia Federal tem uma equipe para fazer cooperação policial, composta por um agente em Santa Cruz de la Sierra e outros três, na capital La Paz.
Próximos passos
Se a decisão da justiça da Bolívia for pela expulsão, o diretor-geral esclareceu que a próxima etapa será a definição da logística de transferência do preso, com respeito à soberania, à legislação, às regras do país onde Tuta está preso.
Brasília, DF 17/05/2025 – O diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acompanhado do chefe do escritório da Interpol no Brasil, delegado Fabio Mertens, durante coletiva sobre prisão de brasileiro integrante de facção criminosa em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Andrei Rodrigues ainda apontou os diferentes cenários trabalhados pela instituição para o recebimento do brasileiro, que é condenado a 12 anos de prisão no Brasil e
“Pode acontecer da polícia boliviana trazer esse preso até o Brasil: trazer até uma região de fronteira ou trazer até Brasília. Pode acontecer, também, que nós enviemos a nossa equipe até Santa Cruz [de la Sierra] e lá trazemos o preso com o nosso time.”
O chefe da Polícia Federal mencionou que os próximos passos dependem das negociações entre os dois países, com base nas legislações da Bolívia e do Brasil e considerando, também, o que for mais seguro para a operação.
Detalhes da prisão
Durante a entrevista coletiva para detalhar a operação, o diretor-geral da Polícia Federal afirmou que a prisão ocorreu após Marcos Roberto comparecer a uma unidade policial boliviana para tratar de questões migratórias, apresentando um documento do Brasil falso em nome de Maycon da Silva.
A falsidade foi detectada imediatamente pelas autoridades bolivianas, que, então, acionaram a Interpol naquele país, e o oficial de ligação da PF, na cidade localizada na parte oriental da Bolívia.
Em ato contínuo estas últimas autoridades acionaram a Interpol e a Polícia Federal em Brasília. A partir do uso de ferramentas de checagem biométrica, as autoridades brasileiras conseguiram confirmar que Maycon era na verdade Marcos Roberto.
Brasília, DF 17/05/2025 – O diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acompanhado do chefe do escritório da Interpol no Brasil, delegado Fabio Mertens, durante coletiva sobre prisão de brasileiro integrante de facção criminosa em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O nome dele consta da Lista da Difusão Vermelha da Interpol e de mandados de prisão no Brasil. Com a confirmação da verdadeira identidade, Tuta foi detido pela Força Especial de Luta Contra o Crime Organizado na Bolívia (FELCC).
“Quero reiterar e, uma vez mais, afirmar o compromisso da nossa instituição com o combate ao crime organizado. E o crime organizado se combate com essas ações: a prisão de lideranças, o enfrentamento ao poder econômico dessas entidades criminosas; e, fundamentalmente, com a integração e cooperação doméstica e internacional”, listou o diretor-geral da polícia.
Neste sábado, a polícia brasileira ainda não tinha informações se objetos foram apreendidos no momento da prisão do criminoso brasileiro por uso de documento falso.
Nomes
Na conversa com a imprensa, o diretor-geral da PF não quis afirmar o nome completo do criminoso preso na Bolívia, nem a facção criminosa que o preso brasileiro representaria. “Eu não vou aqui exaltar nem nome de pessoa e, muito menos, de organização criminosa”, explicou. O nome de Marcos Roberto de Almeida foi confirmado em nota divulgada à imprensa pela Polícia Federal, na tarde deste sábado.
Andrei Rodrigues também disse desconhecer em qual dos cinco presídios federais está preso Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), à qual Marcos Roberto é apontado como integrante.
Entidade reforça que o consumo de frango e de ovos é seguro
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informou acompanhar com atenção a confirmação, por parte do Ministério da Agricultura e Pecuária, do primeiro foco de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em um matrizeiro de aves comerciais no município de Montenegro (RS).
“O caso marca uma nova etapa na presença do vírus que, até então, se limitava a aves silvestres e de criação caseira”, avaliou a entidade em nota.
De acordo com o comunicado, desde 2022, mais de 4,7 mil surtos de gripe aviária altamente patogênica foram notificados na região da América Latina e do Caribe, afetando desde aves de criação e aves migratórias a mamíferos marinhos e até mesmo animais de estimação.
“A propagação do vírus segue as rotas naturais das aves migratórias, conectando ecossistemas do Canadá até a Terra do Fogo.”
Para a FAO, além de representar uma ameaça à saúde animal, o vírus gera preocupação crescente em razão do potencial de transmissão de aves vivas para seres humanos e também pelos impactos em sistemas alimentares, na biodiversidade e na saúde pública da região.
Risco baixo
Na nota, a entidade reforça que o consumo de frango e ovos continua sendo seguro, sobretudo quando bem cozidos, e que o risco de infecção humana permanece baixo.
Avanços recentes da gripe aviária, segundo a FAO, reforçam a urgência de fortalecer sistemas nacionais de vigilância, biossegurança e resposta rápida, com atenção especial para pequenos e médios produtores, além de uma abordagem que considera de forma integrada interações entre animais, seres humanos e meio ambiente.
Ainda de acordo com o comunicado, ao longo dos últimos meses, países como Argentina, Colômbia, México, Panamá, Peru e Porto Rico também anunciaram casos de IAAP.
“É fundamental um trabalho coordenado entre todos os países da região para conter a propagação do surto ao longo do continente. Somente por meio de uma ação conjunta e contínua será possível proteger a saúde animal, salvaguardar a saúde pública e fortalecer a resiliência dos sistemas agroalimentares.”
Gripe aviária: tire suas dúvidas sobre doença que afeta aves
O Brasil confirmou esta semana o primeiro caso de vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em um matrizeiro de aves comerciais no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, trata-se do primeiro foco de IAAP detectado em sistema de avicultura comercial do país.
Em nota, a pasta destacou que a doença não é transmitida pelo consumo de carne nem de ovos.
“A população brasileira e mundial pode se manter tranquila em relação à segurança dos produtos inspecionados, não havendo qualquer restrição ao seu consumo. O risco de infecções em humanos pelo vírus da gripe aviária é baixo e, em sua maioria, ocorre entre tratadores ou profissionais com contato intenso com aves infectadas (vivas ou mortas)”.
Desde o anúncio do primeiro caso de IAAP no país, China, União Europeia e Argentina suspenderam as importações de carne de frango brasileira, inicialmente por um prazo de 60 dias. Apesar do foco ser regional, as restrições comerciais, no caso da China e do bloco europeu, abrangem todo o território nacional, por exigências previstas em acordos comerciais com o Brasil.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, desde 2006, casos de IAAP vêm sendo registrados em diversas partes do mundo, sobretudo na Ásia, na África e no norte da Europa.
Confira, a seguir, as principais perguntas e respostas sobre a infecção, conforme avaliação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
O que é a influenza aviária?
A influenza aviária, comumente conhecida como gripe aviária, é uma doença causada por vírus influenza originários de aves. Esses vírus pertencem à família Orthomyxoviridae e incluem o A(H5N1). Eles afetam principalmente aves, mas também foram detectados em mamíferos, incluindo bovinos. A gripe aviária raramente afeta humanos, mas a orientação é que as pessoas se mantenham informadas e tomem as medidas preventivas recomendadas.
Como acontece a transmissão?
A forma mais comum de entrada do vírus em um território é por meio de aves selvagens migratórias. O principal fator de risco para a transmissão do vírus de aves para humanos é o contato direto ou indireto com animais infectados ou com ambientes e superfícies contaminados por fezes ou outros fluidos animais. Depenar, manusear carcaças de aves infectadas e preparar aves para consumo, especialmente em ambientes domésticos, também podem ser fatores de risco.
Quais são os sintomas em humanos?
Os sintomas variam de leves – com alguns pacientes até mesmo assintomáticos – a graves. As principais manifestações relatadas incluem febre, tosse, resfriado, conjuntivite, sintomas gastrointestinais e problemas respiratórios.
Qual é o tratamento para a gripe aviária?
Medicamentos antivirais são recomendados para pessoas com quadros graves ou em risco de desenvolver quadros graves devido a condições pré-existentes ou subjacentes, como no caso de idosos ou indivíduos com problemas de saúde crônicos. A orientação é que pessoas que apresentarem sintomas de gripe aviária entrem em contato com um profissional de saúde para receber o tratamento adequado.
Pessoas podem morrer de gripe aviária?
Os seres humanos não têm imunidade prévia à gripe aviária, portanto, o vírus pode causar quadros graves da doença. Entretanto, a OMS diz ser difícil generalizar a análise com base em dados históricos, já que o vírus tem evoluído. Desde 2003, cerca de 900 casos humanos de infecção por A(H5N1) foram relatados, com uma taxa de mortalidade superior a 50%.
Existe uma vacina para gripe aviária?
A OMS atualiza regularmente vacinas em potencial no intuito de se preparar para eventuais pandemias, o que ajuda a garantir que as doses possam ser produzidas rapidamente, se necessário. No caso do vírus H5N1 encontrado em vacas leiteiras, a entidade já tem vacinas em potencial prontas por meio de seu Sistema Global de Vigilância e Resposta à Influenza. Em relação a vacinas para humanos, a OMS tem acordos com 15 fabricantes de imunizantes para acessar cerca de 10% da produção em tempo real de uma futura dose contra a influenza em caso de pandemia. Essas vacinas, segundo a entidade, serão distribuídas aos países com base no risco e na necessidade para a saúde pública.
A vacina contra a gripe sazonal protege contra a gripe aviária?
As vacinas atuais contra a influenza sazonal ou gripe comum não protegem contra a infecção humana pelo vírus da gripe animal, incluindo os vírus H5N1.
Quem corre risco de contrair a gripe aviária?
De acordo com a Opas, sempre que houver qualquer tipo de exposição a animais infectados (como aves domésticas, aves selvagens ou mamíferos) ou a ambientes contaminados, onde circulam os vírus da gripe aviária, existe risco de infecção humana esporádica. Casos humanos de gripe aviária associada ao vírus A(H5N1), segundo a entidade, são isolados. Ao longo dos últimos anos, cerca de 70 infecções humanas foram relatadas na região das Américas, sendo 67 nos Estados Unidos (até abril de 2022), uma no Equador (janeiro de 2023), uma no Chile (março de 2023) e uma no Canadá (novembro de 2024), com uma morte associada à infecção nos Estados Unidos. A maioria dos casos está ligada ao contato com a criação de gado (40 casos, todos nos Estados Unidos) ou aves. A transmissão entre humanos não foi identificada em nenhum desses cenários.
É seguro consumir ovos e frango originários de áreas com surto em animais?
Carnes e ovos podem ser consumidos com segurança, desde que preparados adequadamente. O consumo de carne e ovos crus ou mal cozidos de áreas com surtos de gripe aviária é de alto risco e deve ser evitado. Da mesma forma, animais doentes ou que morreram inesperadamente não devem ser consumidos.
Como preparar carne e ovos com segurança?
A OMS recomenda seguir cinco orientações específicas:
mantenha o ambiente limpo;
separe alimentos crus dos cozidos;
longo tempo de cozimento;
manter alimentos em temperaturas seguras;
utilizar água e matérias-primas seguras.
É seguro beber leite de vacas infectadas?
Altas quantidades do vírus A(H5N1) foram encontradas no leite cru de rebanhos infectados. O consumo e manuseio do leite em meio à transmissão da doença está sendo investigado pela OMS. Produtos lácteos produzidos com leite seguindo rigorosos padrões de higiene devem ser considerados seguros para consumo. A OMS e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) recomendam fortemente o consumo de leite pasteurizado, já que a pasteurização é um sistema eficaz contra o vírus e outros patógenos. Estudos da Food and Drug Administration (FDA) sobre pasteurização também mostraram resultados promissores. A OMS alerta, entretanto, que algumas amostras comerciais de leite pasteurizado nos Estados Unidos continham fragmentos de vírus. Desde que o leite contenha apenas fragmentos de vírus e não o vírus vivo ou em sua forma infecciosa, ele é considerado seguro para consumo. Para trabalhadores da indústria leiteira, atividades que envolvem o manuseio do leite de rebanhos infectados, como ordenhar vacas ou limpar a sala de ordenha, podem aumentar a chance de infecção. Portanto, esses profissionais devem seguir medidas preventivas recomendadas.
E quanto ao queijo e outros laticínios?
Laticínios feitos com leite pasteurizado e que seguem rigorosos padrões de higiene são considerados seguros para consumo. No caso do queijo de leite cru, a sobrevivência do vírus durante a produção está sendo investigada. Como precaução, a produção de queijo de leite cru em áreas com surtos não é recomendada.
A carne bovina foi afetada? É seguro consumir carne de animais afetados?
Não foram relatados casos de detecção em rebanhos de gado de corte. A OMS recomenda o cozimento completo da carne para reduzir a exposição a patógenos.
O que tem sido recomendado para prevenir ou controlar surtos de gripe aviária em animais?
Os países precisam ter um plano de contingência completo e atualizado para surtos. Recomendações específicas para esses planos podem ser obtidas de organizações como a Food and Drug Administration (FAO) e a Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH). Equipes envolvidas na vigilância e na resposta à gripe animal devem ser treinadas para implementar esses planos em caso de emergência, além de receber recursos necessários para isso. Também é considerado fundamental que produtores de aves reforcem a biossegurança em suas instalações, evitando o contato entre aves domésticas e aves selvagens, inclusive por meio de água e ração. Ainda segundo a OMS, os produtores desempenham papel fundamental na detecção precoce da doença e precisam ser capazes de reconhecê-la e notificá-la às autoridades veterinárias, para que a gripe aviária possa ser descartada ou confirmada e medidas apropriadas sejam tomadas. A detecção precoce facilita uma resposta oportuna, ajudando assim a reduzir a propagação do vírus. Indivíduos ou famílias que criam aves para consumo pessoal também devem estar bem informados sobre como reconhecer uma ave infectada, quais medidas tomar e como se proteger adequadamente.
Gatos são afetados pela gripe aviária? Existe risco para humanos que criam gatos?
Os gatos são suscetíveis ao H5N1, incluindo os de estimação e também felinos selvagens, como tigres, leões e leopardos. Os fatores de risco para gatos incluem exposição a aves doentes ou mortas, o consumo de aves cruas infectadas ou a ingestão de leite cru. Gatos infectados podem desenvolver sintomas graves e morrer em razão da doença. Estudos sugerem que as pessoas podem transmitir o vírus da gripe sazonal aos gatos, mas o risco da transmissão, para humanos, através de gatos infectados é classificado como baixo. A OMS, entretanto, recomenda evitar o contato com animais doentes ou mortos e a prática de hábitos de higiene ao manusear animais de estimação.
Por que a vigilância animal e a detecção precoce de casos são importantes?
A vigilância adequada da presença de influenza aviária em animais, incluindo aves e mamíferos, fornece informações sobre quais subtipos de influenza estão em circulação. O processo também permite detectar a presença do vírus com caráter zoonótico mais acentuado, ou seja, possivelmente apresentando alterações genéticas que podem resultar em maior adaptabilidade à transmissão de humano para humano, o que é importante para a saúde pública. A detecção precoce torna possível ainda que os países implementem ações de resposta rápida para mitigar o risco de transmissão do vírus para humanos.
Dia Internacional de Combate à LGBTfobia foi comemorado neste sábado
No dia 16 de maio de 1990, quem consultasse o Código Internacional de Doenças (CID), encontraria o termo homossexualidade ao lado do número 302.0. Havia anos, no entanto, que a comunidade de LGBT lutava para que houvesse uma revisão da publicação, da Organização Mundial da Saúde (OMS), e a palavra fosse retirada da lista de doenças.
O dia seguinte seria considerado, portanto, um marco para os ativistas LGBT, já que a OMS, em sua 43ª assembleia mundial, naquela data, finalmente revisaria o CID e deixaria de considerar a homossexualidade uma doença.
Desde 2004, a data passou a ser conhecida como o Dia Internacional de Combate à LGBTfobia, que neste sábado (17), celebra os 35 anos dessa decisão da OMS.
“Foi muito importante que uma das primeiras lutas desse ativismo organizado LGBTI+, justamente tenha sido combater os discursos e as tentativas de patologização”, afirma o professor de Direito da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do Núcleo TransUnifesp, Renan Quinalha.
Segundo ele, a patologização da homossexualidade surge ainda no século 19.
“A primeira vez que o termo aparece, em 1869, como homossexualismo ainda, é num tratado de psicopatologia sexual”, ressalta o pesquisador.
Ele acrescenta que, entre o fim do século 19 e o início do século 20, esse discurso de homossexualidade como doença se intensifica, a ponto de haver manicômios judiciais e hospitais psiquiátricos “cheios de homossexuais, pessoas acusadas de serem homossexuais ou assim diagnosticadas”.
“Uma série de torturas eram praticadas contra elas nessas terapias de reorientação sexual, como eletrochoque, convulsoterapia, lobotomia”.
Em 1948, o Código Internacional de Doenças, em sua sexta edição, passou a considerar homossexualidade um transtorno de personalidade. Quatro anos depois, a Associação Americana de Psiquiatria (APA) lançaria a primeira edição de seu Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), que incluiria a homossexualidade como um “desvio sexual”.
A luta de ativistas LGBT para reverter essa tendência de patologização dessa orientação sexual começou a dar frutos na década de 1970. Em 1973, a APA decidiu retirar a palavra homossexualidade do DSM.
“Logo em seguida, outros países caminham nesse sentido. O Brasil fez isso em 1985, graças a um abaixo-assinado, feito pelo Grupo Gay da Bahia, que contou com milhares de assinaturas, inclusive de personalidades notáveis da política da época, como Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas”, lembra Quinalha.
“Aí a gente chega nos anos 90, com essa decisão da OMS, importantíssima, e retira [a homossexualidade] dessa classificação internacional. Isso reforça esse processo de despatologização que vinha se intensificando”.
Apesar disso, Quinalha destaca que a visão da homossexualidade como uma patologia ainda persiste, principalmente em comunidades terapêuticas ligadas a denominações evangélicas, como as chamadas “curas gay”.
“A gente ainda vê essas práticas sendo ofertadas, contrariando resoluções do Conselho Federal de Medicina e do Conselho Federal de Psicologia”, disse.
Em suas redes sociais, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, lembrou que o Dia Internacional de Combate à LGBTfobia foi oficializado pelo Ministério da Saúde, em 2010.
“A data é um momento de reflexão e resistência, mas também de celebração das conquistas obtidas por meio da luta de movimentos sociais e ativistas, que, ao longo das décadas, vêm construindo um Brasil mais justo, diverso e plural”, afirma a ministra.
A ministra, no entanto, alerta que a população LGBT ainda enfrenta violações de direitos, discriminação e violência motivada por orientação sexual ou identidade de gênero.
Projeto “The American” prevê desafios culturais e históricos; vencedor seria naturalizado no Capitólio
O governo do presidente Donald Trump está avaliando uma proposta de reality show no qual imigrantes competiriam entre si em provas inspiradas na história e na cultura dos Estados Unidos. O projeto, intitulado The American, foi criado pelo produtor e roteirista canadense Rob Worsoff e está sendo analisado pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês).
Segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal, o DHS confirmou que recebeu a proposta e está realizando uma análise preliminar. No entanto, não há ainda um parecer oficial da secretária Kristi Noem sobre a continuidade do projeto ou seu eventual aval.
Como funcionaria o programa
De acordo com o documento obtido pelo Daily Mail, o reality show teria 12 imigrantes como participantes. A chegada dos competidores seria feita de barco na Ilha Ellis, em Nova York, um local histórico para a imigração nos Estados Unidos. Em seguida, os participantes viajariam de trem temático pelo país, enfrentando desafios ligados a marcos históricos e símbolos da identidade nacional americana.
Entre os desafios sugeridos estão:
Garimpar ouro em São Francisco, numa referência à Corrida do Ouro do século XIX.
Participar de uma competição de rolamento de troncos em Wisconsin, atividade tradicional da região.
Montar um automóvel Ford Modelo T em Detroit, símbolo da revolução industrial americana e da indústria automobilística.
Premiação e regras do programa
O vencedor do reality seria premiado com a cidadania americana, em uma cerimônia simbólica no Capitólio, em Washington, D.C. Segundo o criador do projeto, Rob Worsoff, os demais participantes não seriam deportados caso não vencessem. “Não é ‘Jogos Vorazes’. Se perder, você não é expulso do país”, disse Worsoff em entrevista ao Wall Street Journal.
O projeto também prevê que celebridades que se naturalizaram americanas possam apresentar o programa. Entre os nomes sugeridos estão a atriz colombiana Sofia Vergara, o ator canadense Ryan Reynolds e a atriz Mila Kunis, natural da Ucrânia.
Análise e repercussões
O Departamento de Segurança Interna dos EUA ainda não definiu um prazo para se manifestar oficialmente sobre o projeto. No entanto, a proposta já gera discussões sobre a relação entre imigração, mídia e política no contexto norte-americano.
Especialistas acreditam que a eventual aprovação do reality pode levantar debates sobre o tratamento de temas sensíveis como imigração e cidadania no formato de entretenimento.
Foto: Daniel Torok/Via Fotos Públicas / Carlos Fyfe/Via Fotos Públicas
Epicentro foi próximo à cidade de Puquio; não há registros de danos significativos
Um terremoto de magnitude 6 atingiu o centro do Peru neste sábado (17.mai.2025), segundo informações divulgadas pelo Instituto Geofísico do Peru. O abalo sísmico ocorreu na região andina de Ayacucho e teve como epicentro um ponto localizado 23 quilômetros ao sul da cidade de Puquio, na província de Lucanas.
A profundidade do terremoto foi registrada em 97 quilômetros, o que, segundo especialistas, explica por que o tremor, embora perceptível, não causou danos significativos na superfície.
Percepção do tremor e impactos
O chefe do Instituto Geofísico do Peru, Hernando Tavera, declarou em entrevista à rádio RPP que o terremoto foi sentido até a costa central do país, porém com baixa intensidade. “O terremoto foi sentido até a costa central, mas foi leve. Pode ter havido alguns deslizamentos de terra em algumas estradas, mas nenhum dano foi relatado em Puquio”, afirmou.
Ele explicou que, por ter ocorrido em uma profundidade significativa, o tremor teve sua força atenuada ao alcançar a superfície, o que evitou destruições nas áreas próximas ao epicentro.
Dados internacionais confirmam evento
O Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ) também monitorou o terremoto e registrou magnitude de 6,1, com profundidade de 10 quilômetros. As divergências nos dados de profundidade são comuns entre diferentes centros sismológicos, devido às metodologias distintas de medição.
Apesar da discrepância, ambas as instituições confirmaram a intensidade significativa do evento, embora sem efeitos destrutivos.
Região propensa a abalos sísmicos
A região do epicentro está localizada em uma zona de atividade sísmica constante, devido à subducção da placa de Nazca sob a placa Sul-Americana. Esses eventos são frequentes no território peruano, que integra o chamado “Cinturão de Fogo do Pacífico”, área conhecida por sua intensa atividade geológica.
Até o momento, autoridades locais não reportaram vítimas, evacuações ou necessidade de mobilização emergencial. No entanto, equipes de monitoramento continuam avaliando as condições em regiões rurais próximas ao epicentro, onde as comunicações são mais limitadas.
Foto: aOliNex on Visualhunt.com / renzonapa por Pixabay
Foco de gripe aviária foi detectado no Rio Grande do Sul
A China, a União Europeia (UE) e a Argentina suspenderam, nesta sexta-feira (16), as importações da carne de frango brasileira, inicialmente por 60 dias. A medida foi tomada após o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmar a detecção de um caso de vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em matrizeiro de aves comerciais localizado no município de Montenegro (RS).
Apesar do foco regionalizado, as restrições da China e do bloco europeu abrangem todo o território nacional, por conta das exigências nos acordos comerciais de ambos com o Brasil.
A China é o maior comprador da carne de frango brasileira, com embarques de 562,2 mil toneladas em 2024, cerca de 10,8% do total. Já a União Europeia é o sétimo principal destino das exportações nacionais, com mais de 231,8 mil toneladas comercializadas no ano passado, que representou 4,49% do total. Os dados são da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
No caso da Argentina, cujo volume de importação de carne de frango do Brasil não está entre os maiores, o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) do país vizinho decidiu suspender preventivamente as importações de produtos e subprodutos brasileiros de origem avícola que dependem da comprovação de que o país está livre da gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP).
Além disso, o governo argentino afirmou que está tomando medidas de biossegurança e vigilância sanitária de estabelecimentos avícolas para reduzir o risco de ingresso. O foco da gripe aviária ocorreu a cerca de 620 quilômetros (km) da fronteira entre os dois países.
Em nota, o Mapa disse que vai seguir o que está previsto nos acordos comerciais vigentes. “Reafirmando o compromisso de transparência e de responsabilidade com a qualidade e sanidade dos produtos exportados pelo Brasil, as restrições de exportação seguirão fielmente os acordos sanitários realizados com nossos parceiros comerciais”, informou.
Restrição regionalizada
A pasta destacou que tem trabalhado para que as negociações de acordos sanitários internacionais com os países parceiros reconheçam o princípio de regionalização, preconizado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), restringindo a exportação aos 10 quilômetros de raio do foco. No entanto, a própria pasta pondera que os países costumam adotar diferentes critérios de regionalização, que podem variar entre restrições locais ou regionais.
Japão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Filipinas, por exemplo, já aprovaram a regionalização para IAAP, o que deve evitar um impacto muito generalizado nas exportações. Depois da China, esses cinco países são os maiores compradores da carne de frango brasileira, respondendo, juntos, por 35,4% do total exportado em 2024, segundo ABPA.
Maior exportador de carne de frango do mundo, o Brasil vendeu 5,2 milhões de toneladas do produto, em diferentes formatos, para 151 países, auferindo receitas de US$ 9,9 bilhões. Mais de 35,3% de toda a carne de frango produzida no Brasil é destinada ao mercado externo. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram 78% dessas exportações.
No ano passado, um foco da doença de Newcastle (DNC), que atinge aves silvestres e comerciais, também foi identificado no Rio Grande do Sul e, após as medidas sanitárias adotadas, o próprio Ministério da Agricultura e Pecuária comunicou à Organização Mundial de Saúde Animal sobre o fim da doença, cerca de 10 dias depois.
Sem risco
Mais cedo, o Mapa já havia enfatizado que a doença não é transmitida pelo consumo de carne de aves nem de ovos.
“A população brasileira e mundial pode se manter tranquila em relação à segurança dos produtos inspecionados, não havendo qualquer restrição ao seu consumo. O risco de infecções em humanos pelo vírus da gripe aviária é baixo e, em sua maioria, ocorre entre tratadores ou profissionais com contato intenso com aves infectadas (vivas ou mortas)”, garantiu a pasta.
Foto: Wolfgang Ehrecke/Pixabay / Bernhard Jaeck/Pixabay
A Kactus é liderada por um time de governança diversificada e com presença internacional
O empreendedorismo potiguar conquistou espaço de destaque na Brazilian Week, semana de conexões estratégicas que reuniu, em Nova York, investidores, empresários e autoridades do Brasil e dos Estados Unidos. À frente de uma das agendas mais robustas do evento esteve a Kactus Capital, empresa do Rio Grande do Norte com atuação nos setores imobiliário e de construção civil, que liderou um movimento de prospecção e captação de investimentos com foco na internacionalização de projetos brasileiros — especialmente no Nordeste.
Com atuação também nos segmentos de Esporte e Entretenimento, além do setor de Real Estate, a Kactus apresentou cases sólidos e iniciativas estruturadas, ancoradas por fundos que, juntos, somam mais de R$ 900 milhões sob sua gestão. As propostas despertaram o interesse de players nacionais e internacionais, reforçando o potencial econômico, estratégico e inovador do Rio Grande do Norte.
A Kactus é liderada por um time de governança diversificada e com presença internacional: Rafael Matheus, engenheiro e CEO; Darius Alamouti, investidor britânico com forte atuação no Reino Unido e em mercados emergentes; Leonardo Dias, advogado e diretor jurídico; e Jean Valério, presidente do LIDE RN e empresário com experiência em prospecção e aceleração de negócios.
A missão empresarial começou com agendas privadas em fundos de investimentos que atuam nos EUA e Brasil. A Kactus participou de roadshows e visitas técnicas que abriram portas para conexões estratégicas com gestores de ativos internacionais.
Também participou de programações técnicas como a visita ao The Spiral, um dos empreendimentos imobiliários mais emblemáticos de Nova York, onde o grupo foi recebido pela diretoria do projeto.
Os executivos também estiveram presentes em compromissos que incluiram apresentações e discussões sobre:
Investimentos no segmento Multifamily;
Panorama do mercado imobiliário nova-iorquino e o que o Brasil pode aprender;
Visitas técnicas a ativos;
Exposição de portfólios e modelos de investimento;
Oportunidades e parcerias estratégicas;
Um momento relevante da missão foi a participação em reuniões estratégicas no BTG Pactual, maior banco de investimentos da América Latina. Os diálogos avançaram sobre estruturas de financiamento voltadas para projetos no Brasil, com ênfase no desenvolvimento urbano e imobiliário do Nordeste.
Fechando a agenda, a Kactus marcou presença no GRI Club, um dos principais encontros globais do mercado real state. Em dois dias de intensa programação, os executivos apresentaram o portfólio de ativos da empresa e áreas de alto potencial no Rio Grande do Norte, consolidando a região como destino atrativo para investidores interessados em alto retorno, estabilidade jurídica e impacto sustentável.
“A Kactus Capital demonstrou que o Rio Grande do Norte tem competência e ambiente favorável para receber investimentos estratégicos. Conversamos com grandes fundos globais, reforçando a capacidade do estado de gerar boas oportunidades. Nós estamos trabalhando para posicionar Natal e o RN como referências emergentes no cenário global de negócios. E voltamos com muitas negociações iniciadas”, destaca o CEO Rafael Matheus.
Caso registrado no Rio Grande do Sul ativa protocolo que interrompe exportações à China; Ministério da Agricultura negocia regionalização dos embargos com países parceiros
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, na quinta-feira (15.mai.2025), o primeiro foco de gripe aviária em uma granja comercial no Brasil. O caso foi identificado em um matrizeiro de aves localizado no município de Montenegro, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A detecção do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em sistema de produção de ovos férteis ativou protocolos internacionais de sanidade animal.
Diante da confirmação, a China, principal destino das exportações brasileiras de carne de frango, suspenderá automaticamente a importação do produto por um período de 60 dias, conforme previsto no acordo sanitário entre os dois países. A informação foi confirmada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em entrevista à TV Centro América, nesta sexta-feira (16).
“O protocolo com a China restringe a exportação de frango de todo o País em caso de gripe aviária. A partir de hoje, por 60 dias, a China não estará comprando carne de frango brasileira”, afirmou o ministro.
A suspensão das exportações para a China ocorre de forma automática e não depende de avaliação técnica. Desde maio de 2023, o Brasil vinha tentando revisar os protocolos de embargo sanitário com a China, propondo a regionalização das restrições — ou seja, limitar as sanções apenas à área geográfica afetada pelo surto. No entanto, até o momento, a negociação não foi concluída.
Em nota oficial, o Mapa reforçou que a influenza aviária não é transmitida pelo consumo de carne de frango nem de ovos. O ministério também ressaltou que o risco de infecção em humanos é considerado baixo, ocorrendo geralmente entre profissionais que mantêm contato direto com aves infectadas, vivas ou mortas.
“A população brasileira e mundial pode se manter tranquila em relação à segurança dos produtos inspecionados, não havendo qualquer restrição ao seu consumo”, destacou o ministério.
Medidas de contenção e erradicação do foco já foram acionadas conforme o Plano Nacional de Contingência da Influenza Aviária. Segundo o Mapa, as ações visam eliminar o foco da doença, preservar a capacidade produtiva do setor e garantir o abastecimento alimentar. Além disso, o ministério está em comunicação com os entes das cadeias produtivas, a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), os Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente, além dos parceiros comerciais do Brasil.
O Brasil é um dos maiores exportadores de carne de frango do mundo, com vendas para cerca de 200 países. O ministro Fávaro informou que os embarques em trânsito não serão afetados pela suspensão e que outros países adotam protocolos diferentes. Ele citou que, com o Japão, há embargo apenas ao estado do Rio Grande do Sul e ao município de Montenegro. Emirados Árabes e Arábia Saudita, por sua vez, já mantêm acordos de regionalização, permitindo a continuidade das exportações fora da área afetada.
“O sistema brasileiro é tão robusto e confiável, que vários países passaram a trocar o protocolo, sabendo que o Brasil tem estrutura para fazer a contenção e, portanto, a restrição comercial fica restrita à região do foco do acontecimento”, explicou Fávaro.
O Serviço Veterinário brasileiro, segundo a pasta, está treinado e equipado para conter a doença. A confirmação do foco em sistema comercial marca um novo estágio da vigilância sanitária, já que, até então, os registros no Brasil se limitavam a aves silvestres.
Desde 2006, surtos de IAAP ocorrem com maior frequência na Ásia, África e norte da Europa. No Brasil, os órgãos de controle sanitário seguem em alerta e em articulação com os países compradores para mitigar os impactos sobre o comércio internacional de proteína animal.
Foto: Wolfgang Ehrecke/Pixabay / Bernhard Jaeck/Pixabay / Carlos Silva/Mapa
Cinco homens foram sentenciados a um ano de prisão, multa de 1.620 euros e proibição de atuar em atividades esportivas e educacionais por quatro anos
A Justiça da Espanha condenou cinco torcedores do Real Valladolid a um ano de prisão por ofensas racistas dirigidas ao jogador brasileiro Vinícius Júnior. Os insultos ocorreram em dezembro de 2022, durante uma partida entre o Valladolid e o Real Madrid, válida pelo Campeonato Espanhol, no Estádio José Zorrilla.
Além da pena de reclusão, os torcedores foram multados em 1.620 euros e receberam sanção adicional que os proíbe de exercer atividades profissionais ou voluntárias nos âmbitos da educação, do esporte e do lazer pelo período de quatro anos. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (16), e as sanções devem ser ratificadas pelo Tribunal de Valladolid em sessão marcada para o próximo dia 21 de maio.
Na ocasião, Vinícius Júnior havia sido substituído na parte final do segundo tempo. Fora de campo, o atacante do Real Madrid comemorou um gol da equipe próximo da mureta que separa a arquibancada do gramado. Nesse momento, ele foi alvo de xingamentos com conteúdo racista vindos da torcida adversária.
As agressões verbais foram registradas por outros torcedores e rapidamente viralizaram nas redes sociais, gerando forte repercussão. A divulgação do conteúdo ofensivo motivou uma investigação por parte das autoridades espanholas. Com base nas imagens e nos relatos, os agressores foram identificados e autuados.
O Ministério Público da Espanha concluiu que os torcedores cometeram crime de ódio, com base na legislação local que pune manifestações discriminatórias de cunho racial, étnico ou xenófobo. Posteriormente, foi aberto um processo administrativo disciplinar, que correu em paralelo ao inquérito criminal.
Durante o processo judicial, os réus reconheceram por escrito a prática das ofensas racistas e apresentaram pedidos de desculpas formais. Apesar da possibilidade legal de solicitar reparação financeira, Vinícius Júnior optou por não aceitar qualquer tipo de indenização por danos morais.
A condenação é considerada uma das primeiras sentenças com pena de prisão aplicada a torcedores por racismo no futebol espanhol. A legislação da Espanha prevê punições severas para crimes de ódio, especialmente quando cometidos em ambientes públicos como estádios, considerados espaços de grande exposição social.
Segundo o comunicado da Promotoria, a restrição de atuar em áreas como educação, esporte e lazer tem como objetivo prevenir a reincidência em contextos que envolvam coletividade, influência sobre menores e contato com grupos vulneráveis. A medida também atende a critérios de proteção do interesse público e da integridade dos ambientes esportivos.
O caso envolvendo Vinícius Júnior não foi o único episódio de racismo registrado na temporada 2022/2023 do Campeonato Espanhol. Em outras ocasiões, o atacante do Real Madrid foi alvo de insultos em partidas disputadas contra clubes como Atlético de Madrid e Valencia. Os episódios deram origem a uma série de manifestações públicas de repúdio, tanto na Espanha quanto no Brasil, e motivaram discussões sobre o combate ao racismo no esporte europeu.
Após os incidentes, a Liga Espanhola (La Liga) e a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) anunciaram medidas para intensificar a identificação de torcedores envolvidos em práticas discriminatórias. Parte das ações envolve a ampliação do uso de câmeras de vigilância, sistemas de reconhecimento facial e campanhas educativas nas arenas esportivas.
A atuação de Vinícius Júnior, dentro e fora de campo, tem sido reconhecida por organismos internacionais. Em maio de 2023, o jogador recebeu um prêmio da Unesco por seu posicionamento contra o racismo. Ele também foi incluído na lista da revista Time das 100 personalidades mais influentes do mundo no mesmo ano.
A sentença contra os torcedores do Valladolid representa um marco na jurisprudência espanhola e levanta expectativa quanto à efetividade das punições futuras em casos semelhantes. A audiência do dia 21 de maio deverá confirmar a execução das penas impostas.
Novo pontífice afirma que “a guerra nunca é inevitável” e oferece Santa Sé como mediadora
O papa Leão XIV, primeiro norte-americano a liderar a Igreja Católica, prometeu nesta quarta-feira (14.mai.2025) fazer “todos os esforços” pela paz e ofereceu o Vaticano como mediador em conflitos globais. Em seu primeiro discurso público após ser eleito, o pontífice afirmou que a guerra “nunca é inevitável”.
Eleito na semana passada para suceder o falecido papa Francisco, Leão XIV já havia feito apelos pela paz em seus primeiros dias de pontificado. Suas primeiras palavras ao se dirigir aos fiéis na Praça de São Pedro foram: “A paz esteja com todos vocês”.
Santa Sé como mediador em zonas de conflito
O papa reforçou seu compromisso com a paz ao se reunir com representantes das Igrejas Católicas Orientais, muitas delas localizadas em regiões de tensão, como Ucrânia, Síria, Líbano e Iraque.
“A Santa Sé está sempre pronta para ajudar a reunir os inimigos, cara a cara, para que os povos de todos os lugares possam recuperar a dignidade da paz”, declarou.
Ele ainda acrescentou: “As armas podem e devem ser silenciadas. Elas não resolvem os problemas, apenas os aumentam. Aqueles que fazem a história são as tropas de paz, não os que semeiam sofrimento”.
Críticas às narrativas de “Bem vs. Mal”
Leão XIV também alertou contra discursos que dividem o mundo entre “bons e maus”, afirmando: “Nossos vizinhos não são primeiramente nossos inimigos, mas companheiros seres humanos”.
No domingo (11), o pontífice já havia pedido:
Paz duradoura na Ucrânia
Cessar-fogo em Gaza
Libertação de reféns israelenses detidos pelo Hamas
Apoio ao frágil cessar-fogo entre Índia e Paquistão
Diálogo com Zelenskiy e possível mediação na Ucrânia
Na segunda-feira (12), Leão XIV manteve sua primeira conversa como papa com um líder estrangeiro: o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy. De acordo com fontes do governo ucraniano, o pontífice se ofereceu para facilitar negociações de paz durante sua missa de posse, marcada para 18 de maio.
Presidente afirmou que diálogo sobre o TikTok era confidencial e reforçou o direito do Brasil de regulamentar plataformas digitais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira (13.mai.2025) o vazamento da conversa com o presidente da China, Xi Jinping, ocorrida durante um jantar oficial em Pequim. O episódio, que envolveu também a participação da primeira-dama Janja da Silva, trouxe à tona um debate sobre os efeitos das redes sociais, especialmente o TikTok, no Brasil.
Segundo Lula, o diálogo sobre a plataforma chinesa era para ser confidencial, restrito aos participantes da comitiva oficial. “A primeira coisa que acho estranha é como essa pergunta chegou à imprensa, porque estavam só meus ministros lá: o Alcolumbre e o Omar. Alguém teve a pachorra de ligar para alguém e contar uma conversa que aconteceu em um jantar que era algo muito pessoal e confidencial”, afirmou.
Discussão sobre TikTok e extrema direita
De acordo com relatos de membros da comitiva, Janja teria pedido a palavra para comentar sobre os impactos do TikTok no Brasil. Ela destacou que o algoritmo da rede social estaria favorecendo o avanço da extrema direita e aumentando a disseminação de conteúdos nocivos, especialmente direcionados a mulheres e crianças.
A intervenção da primeira-dama foi considerada inadequada por alguns presentes, já que o protocolo do encontro não previa manifestações abertas. Ainda assim, Lula afirmou que não houve desrespeito e que a fala de Janja foi pertinente ao tema tratado.
Xi Jinping reconheceu direito do Brasil de regulamentar
Fontes que acompanharam o jantar relataram que o presidente chinês, Xi Jinping, respondeu de forma diplomática, afirmando que o Brasil tem total direito de regulamentar ou até mesmo proibir plataformas digitais, conforme sua legislação e soberania.
Lula confirmou que a conversa abordou a necessidade de discutir a regulamentação das redes sociais. “Eu fiz uma pergunta ao companheiro Xi Jinping se era possível enviar para o Brasil uma pessoa da confiança dele para discutir a questão digital e, sobretudo, o TikTok”, explicou.
Em seguida, Janja pediu a palavra para relatar casos de ataques virtuais sofridos por mulheres e crianças no Brasil. Segundo Lula, Xi Jinping reiterou que o país tem autonomia para regulamentar o uso de plataformas digitais.
Defesa da participação de Janja
O presidente também se posicionou em defesa da primeira-dama, argumentando que Janja tem total direito de participar das discussões sobre redes sociais. “O fato de minha mulher ter pedido a palavra se deve ao fato de que ela não se considera uma cidadã de segunda classe. Ela entende mais de rede social do que eu”, declarou Lula.
Ele ressaltou que a participação de Janja foi natural e que o objetivo era discutir um tema de interesse público e urgente: a regulamentação das plataformas digitais. “Não é possível que continuemos com as redes sociais cometendo os absurdos que cometem”, afirmou.
Lula ainda revelou que Xi Jinping se comprometeu a enviar um representante da China para dialogar com o Brasil sobre a questão digital e as medidas que podem ser adotadas para regulamentar o ambiente virtual.
Sem incômodo com a postura de Janja
O presidente reiterou que não ficou incomodado com a atitude da primeira-dama e voltou a criticar a divulgação do episódio. Para ele, a exposição da conversa foi uma quebra de confiança e de protocolo.
“Foi uma coisa normal, e ele [Xi Jinping] vai mandar uma pessoa especialmente para conversar conosco sobre o que podemos fazer nesse mundo digital”, concluiu Lula.
Resultado impede Leão de confirmar classificação para oitavas
Tendo como objetivo alcançar a classificação antecipada para as oitavas de final da Copa Libertadores, o Fortaleza recebeu o Atlético Bucaramanga (Colômbia) na noite desta terça-feira (13) em um Castelão lotado. Mas, apesar de manter a posse de bola pela maior parte do tempo e criar as melhores oportunidades de marcar, a equipe comandada pelo técnico argentino Juan Pablo Vojvoda não conseguiu tirar o placar do 0 a 0.
Apesar do resultado frustrante o Leão do Pici lidera o Grupo E da competição com oito pontos. Porém, pode perder a ponta da classificação caso o Racing (Argentina), vice-líder da chave com sete pontos, derrote o Colo-Colo (Chile) na próxima quarta-feira (14) no estádio El Cilindro, em Avellaneda.
De qualquer forma o Fortaleza terá que confirmar a presença no mata-mata da Libertadores na última rodada da fase de grupos da competição, oportunidade na qual medirá com o Racing fora de casa. A partida será disputada no dia 29 de maio.
Ícone da esquerda, ele enfrentava um câncer de esôfago
Morreu nesta terça-feira (13), no Uruguai, o ex-presidente, ex-guerrilheiro e ícone da esquerda latino-americana José Alberto “Pepe” Mujica Cordano, aos 89 anos. A notícia foi confirmada pelo atual presidente uruguaio e aliado de Pepe, Yamandú Orsi.
“Com profunda dor comunicamos que faleceu nosso companheiro Pepe Mujica. Presidente, militante, referência, liderança. Vamos sentir muito sua falta, velho querido! Obrigado por tudo que nos deste e por teu profundo amor pelo seu povo”, escreveu Orsi.
“Don” Pepe, que completaria 90 anos no próximo dia 20, havia anunciado, em abril do ano passado, ter recebido diagnóstico de câncer no esôfago. Desde então, passou a ter uma vida mais reclusa, com raras aparições. Ele vivia em uma chácara nos arredores de Montevidéu.
O ex-presidente e senador do Uruguai José Mujica durante encontro com estudantes na concha acústica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no campus do Maracanã (Fernando Frazão/Agência Brasil)
O tumor acabou se espalhando para outras partes do corpo, e Mujica vinha fazendo tratamento paliativo nos últimos tempos, segundo declarou sua esposa, Lucia Topolanksy, ao jornal uruguaio La Diaria. De acordo com ela, o ex-presidente estava em estágio terminal e recebendo conforto por parte da equipe médica. Por causa das condições de saúde, Pepe não chegou a ir votar nas eleições regionais do país, realizadas no último domingo (11).
Mujica presidiu o Uruguai de 2010 a 2015. Ele era conhecido como “presidente mais pobre do mundo”, por seu estilo de vida simples. Dirigia um fusca dos anos 1970 e doava parte do salário para projetos sociais. Também ficou marcado pelas reflexões políticas com forte teor filosófico.
Defensor da integração dos países latino-americanos e caribenhos, Mujica se tornou referência da esquerda do continente durante uma época em que representantes da esquerda e centro-esquerda assumiram diversos governos da região, como Venezuela, Argentina, Equador, Bolívia e Brasil.
“Me dediquei a mudar o mundo e não mudei nada, mas me diverti. E gerei muitos amigos e muitos aliados nessa loucura de mudar o mundo para melhorá-lo. E dei sentido à minha vida”, revelou o político em entrevista ao jornal espanhol El País, em novembro de 2024.
Guerrilheiro
Nascido em 1935 em uma família de origem humilde, nos arredores de Montevidéu, Mujica entrou para política ao fundar o Movimento de Libertação Nacional Tupamaros, grupo guerrilheiro urbano que operou nos anos 1960 e 1970 e enfrentou a ditadura civil-militar no Uruguai (1973-1985).
Sua atividade no movimento Tupamaros lhe custou cerca de 14 anos de prisão, tendo sido preso quatro vezes, ferido por seis tiros e escapado da prisão em duas ocasiões. A história da prisão de Mujica, torturado e jogado na solitária por longos anos, foi contada pelo longa-metragem Uma Noite de 12 Anos, dirigido pelo uruguaio Álvaro Brechner.
Em entrevista ao jornalista brasileiro Emir Sader, Mujica revelou que, para suportar a solitária, teve que se relacionar com animais. “Se você pegar uma formiga e colocá-la perto do ouvido, vai ouvi-la gritar. Isso eu aprendi no calabouço. [Também] guardava umas migalhas de pão porque havia uma ratazana que aparecia sempre lá”, contou.
Presidente
Com o fim da ditadura, Mujica foi libertado e participou da criação do Movimento de Participação Popular, que compõe a chamada Frente Ampla, grupo de organizações de esquerda e centro-esquerda que levou Mujica à Presidência da República do pequeno país sul-americano. Antes, foi deputado federal, ministro da Agricultura e senador.
Na Presidência, Pepe Mujica chamou atenção por promover uma legislação considerada progressista com a descriminalização do aborto, a lei do casamento igualitário, que permitiu casais homossexuais adotarem filhos; além da legalização da maconha.
Doutor e professor em história na Universidade de Brasília (UnB), Rafael Nascimento destacou que a pobreza no país caiu de 39% em 2004 para 11,5% em 2015. Além disso, houve expansão dos programas de transferência de renda e aumento do salário mínimo, além da distribuição de laptops para estudantes e professores e políticas habitacionais para famílias de baixa renda.
“Mujica é celebrado não apenas por suas realizações políticas, mas por sua ética de vida, por sua simplicidade e por sua luta por justiça social! Ele defende valores como a solidariedade, o respeito à natureza e o consumo consciente, tornando-se uma referência global”, destacou o especialista.
Em 2019, Mujica foi novamente eleito senador, mas renunciou ao cargo em 2020 para evitar o contágio durante a pandemia de covid-19. “Há uma hora de chegar e uma hora de partir na vida”, disse.
Em novembro de 2024, o candidato da Frente Ampla, Yamandú Orsi, venceu a eleição presidencial, marcando a volta da centro-esquerda ao poder no Uruguai após a derrota em 2020. O candidato do grupo de Mujica assumiu o governo em março de 2025.
Integração latino-americana
“Ou nos integramos, ou não somos nada”, costumava dizer Pepe Mujica, que sempre lembrava que a América Latina possui apenas cerca de 7% da população mundial. Para ele, a integração dos países da região é fundamental para o nosso desenvolvimento.
Mujica argumentava que a história da humanidade é definida fora do continente e que apenas a união dos países da região, independentemente se os governos são de direita ou esquerda, seria capaz de interferir nas mudanças impostas de fora.
“[Após as independências], era mais importante comunicar-se com Paris ou Londres do que entre nós. E agora percebemos que, para defender a pouca soberania que nos resta em um mundo cada vez mais global, se não nos unirmos, não existimos. Precisamos, para nosso próprio interesse, de uma política de colaboração entre todos os latino-americanos para multiplicar nossa força no mundo”, afirmou Mujica, em outubro de 2023, quando participou do lançamento da Jornada Latino-americana e Caribenha de Integração dos Povos, em Foz do Iguaçu (PR).
Lula condecora Mujica
No dia 5 de dezembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi até o sítio de Mujica, no Uruguai, e o condecorou com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, homenagem dedicada a personalidades estrangeiras.
Para Lula, Mujica foi, entre os presidentes que conheceu, “a pessoa mais extraordinária”. “Essa medalha que eu estou entregando ao Pepe Mujica não é pelo fato de ele ter sido presidente do Uruguai. É pelo fato de ele ser quem é”, disse Lula, emocionado.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil / Ricardo Stuckert / PR
Leão XIV concedeu hoje a primeira entrevista coletiva
Em sua primeira entrevista coletiva, o papa Leão XIV fez um apelo aos profissionais da imprensa pelo compromisso com uma comunicação “que não busque o consenso a todo custo, não se revista de palavras agressivas, não abrace o modelo da competição, não separe nunca a busca da verdade do amor com que devemos humildemente buscá-la”.
“A paz começa em cada um de nós: no modo como olhamos os outros, ouvimos os outros, falamos dos outros. Neste sentido, o modo como comunicamos é de fundamental importância: devemos dizer não à guerra das palavras e das imagens, devemos rejeitar o paradigma da guerra”, disse, conforme informou o Vaticano.
O pontífice recém-eleito lembrou jornalistas presos em todo o mundo “por terem buscado e relatado a verdade” e pediu pela libertação de cada um dos profissionais.
“A Igreja reconhece nessas testemunhas. Penso naqueles que relatam a guerra mesmo à custa da própria vida, a coragem de quem defende a dignidade, a justiça e o direito dos povos à informação. Porque só os povos informados podem fazer escolhas livres. O sofrimento desses jornalistas presos interpela a consciência das nações e da comunidade internacional, chamando-nos a todos a salvaguardar o bem precioso da liberdade de expressão e de imprensa.”
Em conversa com os jornalistas, Leão XIV citou ainda que “vivemos tempos difíceis de percorrer e contar, que são um desafio para todos nós e dos quais não devemos fugir”.
“Pelo contrário, pedem a cada um de nós, em nossos diferentes papéis e serviços, para nunca ceder à mediocridade”.
“A Igreja deve aceitar o desafio dos tempos e, da mesma forma, não pode haver comunicação e jornalismo fora do tempo e da história. Como nos lembra Santo Agostinho: ‘Vivamos bem e os tempos serão bons. Nós somos os tempos’.”
Ao final, o papa avaliou que um dos desafios mais importantes para os profissionais da imprensa na atualidade consiste em promover uma comunicação “capaz de nos tirar da torre de Babel em que, às vezes, nos encontramos, da confusão de linguagens sem amor, muitas vezes ideológicas ou tendenciosas”.
“Por isso, o seu serviço, com as palavras que vocês usam e o estilo que vocês adotam, é importante”.
Medida temporária reduz tarifas de importação entre as duas maiores economias do mundo e busca destravar US$ 600 bilhões em comércio bilateral
Os Estados Unidos e a China chegaram a um acordo para reduzir temporariamente as tarifas de importação aplicadas entre os dois países. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (12.mai.2025), após reuniões entre autoridades econômicas em Genebra. A medida busca encerrar a disputa comercial que vinha prejudicando as economias das duas nações e afetando o mercado global.
Pelo acordo, os Estados Unidos reduzirão as tarifas extras sobre produtos chineses de 145% para 30%. Em contrapartida, a China diminuirá as taxas sobre mercadorias norte-americanas de 125% para 10%. As novas alíquotas entrarão em vigor por 90 dias, como uma medida provisória para aliviar as tensões.
Impacto da guerra comercial
Desde o início do ano, as tarifas impostas pelo governo norte-americano sob liderança de Donald Trump elevaram os custos de importação de produtos chineses, afetando setores estratégicos como medicamentos, semicondutores e aço. A China respondeu impondo restrições à exportação de terras raras — insumos críticos para a indústria tecnológica e de defesa dos Estados Unidos — e aumentando as tarifas sobre produtos norte-americanos.
O embate tarifário travou cerca de US$ 600 bilhões em comércio bilateral, prejudicando cadeias de suprimento globais e alimentando preocupações com estagflação e demissões em ambos os países.
Negociações em Genebra
As reuniões realizadas em Genebra representaram o primeiro contato direto entre autoridades econômicas de alto nível dos Estados Unidos e da China desde a volta de Donald Trump à presidência. O encontro contou com a presença do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e do representante de Comércio norte-americano, Jamieson Greer.
“Ambos os países representaram muito bem seus interesses nacionais”, afirmou Bessent após as conversas. Ele destacou que os dois lados compartilham o interesse em promover um comércio equilibrado, sem a intenção de uma dissociação econômica.
“O que ocorreu com essas tarifas muito altas foi o equivalente a um embargo, e nenhum dos lados quer isso. Nós queremos comércio”, completou.
Termos do acordo
O acordo anunciado não inclui reduções específicas para setores individuais. As tarifas serão reduzidas de forma generalizada, sem distinção entre produtos ou indústrias. No entanto, os Estados Unidos informaram que continuarão seu reequilíbrio estratégico em áreas consideradas vulneráveis, como saúde, tecnologia e produção de aço.
Além das tarifas, as negociações abordaram questões paralelas, como a restrição do fentanil, potente opioide cuja entrada nos Estados Unidos foi declarada uma emergência nacional. Segundo Jamieson Greer, as conversas sobre o tema foram “construtivas”, embora tratadas em um canal separado das discussões comerciais.
Repercussão do mercado
A notícia da redução tarifária foi recebida como positiva por analistas de mercado. Para Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management em Hong Kong, a medida superou as expectativas.
“Isso é melhor do que eu esperava. Achei que as tarifas seriam reduzidas para algo em torno de 50%”, afirmou Zhang. Ele destacou que o acordo tende a reduzir as preocupações com os danos às cadeias globais de oferta no curto prazo e a melhorar o ambiente econômico global.
Próximos passos
Apesar da trégua de 90 dias, as negociações entre Estados Unidos e China devem continuar. A expectativa é que as partes busquem soluções de longo prazo para reequilibrar o comércio bilateral e mitigar as disputas tarifárias.
O governo norte-americano seguirá monitorando as áreas estratégicas para garantir segurança nas cadeias de suprimento, enquanto a China mantém sua política de proteção a setores considerados sensíveis.
O presidente Donald Trump afirmou que as conversas com a China representam uma “reinicialização total” das relações comerciais, conduzida de maneira amigável e construtiva.
Anúncio foi feito nesta segunda-feira pela CBF, que aposta no italiano para comandar o Brasil rumo à Copa do Mundo de 2026
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou nesta segunda-feira (12.mai.2025) a contratação do italiano Carlo Ancelotti como novo treinador da Seleção Brasileira. O anúncio foi feito por meio das redes sociais da entidade, encerrando um período de indefinição no comando técnico que se arrastava desde a demissão de Dorival Junior, ocorrida em março deste ano.
O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, celebrou a chegada do técnico com uma declaração publicada no perfil oficial da entidade. “Trazer Carlo Ancelotti para comandar o Brasil é mais do que um movimento estratégico. É uma declaração ao mundo de que estamos determinados a recuperar o lugar mais alto do pódio. Ele é o maior técnico da história e, agora, está à frente da maior seleção do planeta. Juntos, escreveremos novos capítulos gloriosos do futebol brasileiro”, disse.
Com a nomeação, a CBF aposta em um perfil internacional e consagrado para tentar recolocar o Brasil no caminho das grandes conquistas, especialmente com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, que será realizada em conjunto por Estados Unidos, México e Canadá. O torneio começa em junho de 2026, o que dá pouco mais de um ano para Ancelotti implementar seu trabalho à frente da equipe.
A chegada do italiano também marca o fim de um intervalo de quase dois meses sem técnico fixo, após a saída de Dorival Junior, anunciada em março após goleada imposta pela Argentina nas eliminatórias para a Copa do Mundo.
Quando começa o trabalho?
Segundo o jornal The Athletic, conforme matéria publicada pelo GloboEsporte.com, Ancelotti se reunirá com Rodrigo Caetano, coordenador geral das Seleções Masculinas, e Juan, coordenador técnico, para definir a lista prévia de jogadores a serem convocados para os dois próximos jogos oficiais. Ainda segundo a apuração, o treinador deve começar a trabalhar pela CBF em 26 de maio.
O próximo compromisso da seleção brasileira de futebol será no próximo dia 5, na cidade de Guayaquil, no Equador, pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2026 – o jogo será contra os equatorianos. Neste momento, o Brasil está em quarto lugar na tabela de classificação, com 21 pontos ganhos – o Equador está em segundo, com 23.
Depois, no dia 10, o Brasil enfrenta o Paraguai, na cidade de São Paulo. Os paraguaios estão na quinta colocação das eliminatórias, com os mesmos 21 pontos do time brasileiro.
Trajetória de Carlo Ancelotti
Aos 65 anos, Carlo Ancelotti é um dos treinadores mais vitoriosos do futebol mundial. Nascido em Reggiolo, na Itália, teve uma carreira sólida como jogador, atuando como meio-campista em clubes como Roma e Milan, além de defender a seleção italiana em Copas do Mundo. Como técnico, iniciou a carreira no Reggiana em 1995 e construiu um currículo impressionante com passagens por gigantes europeus.
Entre seus principais feitos, Ancelotti soma quatro títulos da Liga dos Campeões da UEFA — dois com o Milan e dois com o Real Madrid — além de campeonatos nacionais na Itália, Inglaterra, França, Alemanha e Espanha, tornando-se o único treinador a conquistar as cinco principais ligas europeias.
Conhecido pelo estilo conciliador e pela capacidade de lidar com elencos estrelados, Ancelotti é também admirado pela versatilidade tática e por seu perfil de liderança discreta, porém eficiente. Antes de aceitar o convite da CBF, comandava o Real Madrid, onde encerrará sua temporada atual antes de assumir oficialmente o comando da Seleção.
Novo pontífice pede paz na Ucrânia, cessar-fogo em Gaza e destaca cessar-fogo entre Índia e Paquistão
O novo líder da Igreja Católica, Papa Leão XIV, fez neste domingo (11.mai.2025) seu primeiro pronunciamento público como pontífice, apelando pelo fim das guerras em diversas regiões do mundo. A mensagem foi transmitida da Praça de São Pedro, no Vaticano, diante de dezenas de milhares de fiéis.
Leão XIV foi eleito em 8 de maio de 2025, sucedendo o Papa Francisco. Durante o discurso, ele pediu especificamente por uma “paz autêntica e duradoura” na Ucrânia, além de um cessar-fogo imediato em Gaza e a libertação dos reféns israelenses que ainda estão sob poder do grupo Hamas.
Conflitos em destaque: Ucrânia, Gaza e Ásia Meridional
Em sua fala, o papa fez referência à guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, e que se estende por três anos. Horas antes do pronunciamento papal, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, havia proposto negociações diretas com a Ucrânia. Leão XIV afirmou carregar o sofrimento do povo ucraniano e pediu conversas que resultem em paz justa e duradoura.
Sobre o conflito em Gaza, o pontífice disse estar profundamente triste com os acontecimentos e reiterou a necessidade de ajuda humanitária, cessar-fogo imediato e libertação dos reféns.
O papa também mencionou o recente cessar-fogo entre Índia e Paquistão, que têm histórico de confrontos armados. Ele celebrou o avanço e expressou esperança em negociações duradouras entre os dois países vizinhos.
“Mas há tantos outros conflitos no mundo!”, afirmou Leão XIV, sem citar outras nações específicas.
Herança de Francisco e mensagem de continuidade
Durante sua fala, Leão XIV repetiu expressões frequentes do papa Francisco, incluindo o apelo “Chega de guerra!” e a menção à ideia de que o mundo vive uma “Terceira Guerra Mundial sendo travada aos poucos”. Ele também fez alusão ao 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, destacando o impacto global daquele conflito.
Pontífice norte-americano com história no Peru
Antes de ser eleito papa, Leão XIV era conhecido como cardeal Robert Prevost, nascido nos Estados Unidos. Ele é o primeiro papa norte-americano da história, com dupla cidadania: norte-americana e peruana — esta última obtida em 2015 após anos de atuação como missionário no país sul-americano.
Prevost atuou como missionário no Peru por décadas, antes de ser nomeado cardeal e assumir um alto posto no Vaticano em 2023.
Apesar de sua origem norte-americana, o papa não fez menção aos Estados Unidos em nenhuma de suas aparições públicas desde a eleição, o que gerou críticas por parte de setores conservadores da imprensa norte-americana.
Evento com multidão e bandas marciais
O primeiro discurso do pontífice coincidiu com uma peregrinação internacional de bandas marciais a Roma, que se apresentaram minutos antes da mensagem papal. Grupos da Itália, México, Estados Unidos e América Latina desfilaram pela Via della Conciliazione, tocando músicas como YMCA, de Village People, temas de filmes como Rocky, e composições clássicas de John Philip Sousa.
Segundo autoridades italianas, mais de 100 mil pessoas estavam reunidas na Praça de São Pedro. Entre elas, a peruana Gladys Ruiz, que vive em Roma e expressou orgulho pela ligação do novo papa com o Peru. Também estavam presentes turistas como o norte-americano Dennis Gilligan, de Boston, que visitava Roma com sua esposa para celebrar o aniversário de casamento.
As apresentações fizeram parte da abertura das celebrações do Ano Santo Católico, marcado por eventos culturais e religiosos em diversas regiões do mundo.
O novo papa agradeceu aos cardeais que participaram do conclave
“A paz esteja convosco”. Foi com essas palavras que o cardeal norte-americano Robert Francis Prevost, recém-eleito papa, iniciou seu primeiro discurso, na janela central da basilica de São Pedro, no Vaticano. O novo pontífice, que escolheu usar o nome Leão XIV, ainda homenageou seu antecessor, Francisco.
“Nos ajudem a construir pontes vocês também, com diálogos, com encontro, para sermos um único povo, sempre em paz. Obrigado, papa Francisco”, disse Leão XIV.
“Ainda mantemos, nos nossos ouvidos, aquela voz fraca, mas sempre corajosa, do papa Francisco, que abençoava Roma”, disse.
“Permitam-me dar seguimento àquela mesma benção. Deus nos ama, Deus ama a todos e o mal não vai prevalecer. Estamos todos nas mãos de Deus. Juntos, sem medo, de mãos dadas com Deus, que está entre nós, vamos seguir”, completou.
Em seguida, Leão XIV fez um agradecimento a todos os cardeais que participaram do conclave que o elegeu “para ser o sucessor de Pedro e caminhar com vocês, como Igreja unida, sempre em busca da paz e da justiça, buscando trabalhar como homens e mulheres fiéis a Jesus Cristo, sem medo, para proclamar o Evangelho e sermos missionários”.
“Sou um filho de Santo Agostinho. Sou agostiniano. Santo Agostinho disse: ‘Para vós, sou bispo; convosco, sou cristão’. Neste sentido, podemos todos caminhar juntos, na direção da pátria que Deus nos preparou”, disse. “Necessitamos ser, juntos, uma Igreja missionária, uma Igreja que constrói pontes e diálogos. Que mantém o diálogo sempre aberto, pronta para receber todos que precisam.”
Em meio ao discurso, Leão XIV deixou de falar italiano e falou à multidão reunida na Praça São Pedro em espanhol, para agradecer à diocese peruana de Chiclayo, onde foi administrador apostólico. “Povo leal e fiel, que acompanha o bispo e o ajuda”, destacou.
Ao final, o novo pontífice lembrou que a data de hoje marca a prática devocional de súplica à Nossa Senhora de Pompeia.
“Nossa bendita Mãe Maria quer sempre caminhar conosco, estar perto de nós. Quer nos ajudar com sua intercessão e seu amor. Rezemos juntos por esta missão, por toda a Igreja e pela paz no mundo”, disse, encerrando seu discurso com a oração da Ave Maria.
Cardeal norte-americano de 69 anos é escolhido no quarto escrutínio do conclave e sucede o Papa Francisco
O cardeal norte-americano Robert Francis Prevost, de 69 anos, foi eleito nesta quinta-feira (8.mai.2025) como o novo Papa da Igreja Católica, adotando o nome de Leão XIV. A eleição ocorreu no quarto escrutínio do conclave, realizado na Capela Sistina, no Vaticano, e foi anunciada às 18h08 (horário local) com a tradicional fumaça branca.
Prevost sucede o Papa Francisco, que faleceu na última segunda-feira de Páscoa, aos 88 anos, após liderar a Igreja desde 2013. Com a eleição de Prevost, a Igreja Católica tem, pela primeira vez em sua história, um pontífice nascido nos Estados Unidos.
Trajetória e formação
Nascido em 14 de setembro de 1955, em Chicago, Illinois, Robert Francis Prevost ingressou no noviciado da Ordem de Santo Agostinho em 1977 e fez seus votos solenes em 1981. Ele é formado em Matemática e possui doutorado em Direito Canônico pela Universidade de Santo Tomás de Aquino, em Roma.
Prevost iniciou seu trabalho missionário no Peru em 1985, onde atuou por quase duas décadas. Durante esse período, foi nomeado bispo de Chiclayo e posteriormente arcebispo de Lima. Em janeiro de 2023, foi nomeado prefeito do Dicastério para os Bispos e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina.
Eleição no conclave
O conclave que elegeu Leão XIV contou com a participação de 133 cardeais eleitores. A eleição de Prevost ocorreu no quarto escrutínio, o que é considerado relativamente rápido, dado o número de participantes e a diversidade geográfica representada.
A escolha de um papa norte-americano é inédita e marca uma mudança significativa na tradição da Igreja Católica, que historicamente tem escolhido pontífices europeus.
Primeira aparição como Papa
Após a eleição, Leão XIV apareceu na sacada central da Basílica de São Pedro para saudar os fiéis reunidos na Praça de São Pedro. O anúncio oficial foi feito pelo cardeal protodiácono Dominique Mamberti, que proclamou o tradicional “Habemus Papam”. Em seguida, o novo Papa concedeu a bênção “Urbi et Orbi”.
Desafios do novo pontificado
Leão XIV assume o papado em um momento de desafios para a Igreja Católica, incluindo questões relacionadas à modernização da instituição, escândalos de abusos e a necessidade de diálogo com diferentes culturas e religiões. Sua experiência missionária na América Latina e seu trabalho na Cúria Romana são vistos como ativos importantes para enfrentar essas questões.
Capela Sistina sinaliza escolha do sucessor de Francisco; nome será anunciado ao mundo dentro de uma hora
A Igreja Católica tem um novo líder. Dezesseis dias após a morte do Papa Francisco, a fumaça branca saiu da chaminé da Capela Sistina às 13h08 (horário de Brasília) desta quinta-feira (8.mai.2025), sinalizando que os cardeais reunidos no Conclave chegaram a um consenso. A tradição da fumaça branca indica que o escolhido para suceder o pontífice aceitou a missão de comandar a Igreja Católica. O nome será anunciado ao mundo em cerca de uma hora, conforme os ritos do Vaticano.
A Praça São Pedro, no Vaticano, rapidamente se encheu de manifestações dos fiéis, que aguardavam o momento desde o início do Conclave, na quarta-feira (7.mai). A fumaça branca, gerada pela queima das cédulas de votação misturadas com substâncias químicas, representa que um novo papa foi escolhido com pelo menos dois terços dos votos dos cardeais presentes.
Conclave segue padrão das últimas eleições papais
A eleição do novo papa ocorreu no segundo dia de Conclave, seguindo o mesmo padrão observado nas escolhas anteriores. Em 2005, Bento XVI foi eleito também no segundo dia, após quatro rodadas de votação. O Papa Francisco, escolhido em 2013, também foi eleito no segundo dia, após cinco votações.
O Conclave, iniciado na manhã da quarta-feira, é um processo reservado que reúne os cardeais da Igreja Católica com menos de 80 anos em uma série de sessões secretas, realizadas na Capela Sistina, no Vaticano. O objetivo é eleger o novo líder da Igreja entre os próprios membros do Colégio Cardinalício. No total, 133 cardeais participaram desta eleição, sendo necessário o apoio de pelo menos 89 deles para a escolha de um novo papa.
Durante o Conclave, os cardeais são isolados do mundo exterior e proibidos de manter qualquer comunicação com o público, seja por meios eletrônicos, escritos ou verbais. A palavra “conclave” tem origem no latim cum clave, que significa “com chave”, em referência ao isolamento dos participantes.
Escolha será anunciada ainda hoje
Após a fumaça branca, inicia-se o protocolo de apresentação do novo pontífice ao mundo. O cardeal protodiácono deve se dirigir à sacada central da Basílica de São Pedro, onde proferirá a frase “Habemus Papam” (“Temos um Papa”) e revelará o nome civil e o nome papal escolhido pelo novo chefe da Igreja.
Em seguida, o novo papa fará sua primeira aparição pública e concederá a bênção “Urbi et Orbi” (“à cidade e ao mundo”), saudando os fiéis presentes na praça e todos os católicos ao redor do mundo.
Ainda não há informações oficiais sobre o perfil ou a origem do novo pontífice. A expectativa gira em torno de nomes que vinham sendo cotados como favoritos pelos vaticanistas nas últimas semanas, incluindo cardeais com atuação relevante na América Latina, na África e na Ásia.
Histórico das últimas eleições papais
Desde o século XX, o processo de escolha de um novo papa tem ocorrido com relativa rapidez. João Paulo II, eleito em 1978, foi escolhido após oito votações em três dias. Seu sucessor, Bento XVI, foi eleito em 2005, no segundo dia de Conclave, e permaneceu no cargo até sua renúncia em 2013 — um fato inédito nos últimos séculos. Já Francisco, o primeiro papa latino-americano da história, assumiu o pontificado também no segundo dia de votação, após a renúncia de Bento XVI.
Com a escolha do novo papa, a Igreja Católica inicia um novo ciclo, marcado pela expectativa em relação aos rumos do Vaticano diante de desafios sociais, políticos e religiosos do cenário global.
Cardeais seguem reunidos na Capela Sistina; próximas votações ocorrem nesta quinta-feira (8), com expectativa de definição a partir das primeiras horas da manhã
A primeira votação do conclave para a escolha do novo papa terminou sem a definição de um nome. A informação foi confirmada por meio da emissão de fumaça preta pela chaminé instalada na Capela Sistina, no Vaticano, na tarde desta quarta-feira (7.mai.2025). De acordo com as regras do conclave, a fumaça preta indica que nenhum dos 133 cardeais presentes atingiu a maioria qualificada de dois terços dos votos necessários para a eleição.
O conclave é o processo reservado aos cardeais eleitores da Igreja Católica para a escolha do novo pontífice. Durante esse período, os cardeais permanecem em clausura total, sem qualquer contato com o mundo exterior, até que um novo papa seja eleito. A votação é realizada em sessões secretas, dentro da Capela Sistina, e pode ocorrer até quatro vezes por dia.
A expectativa é de que novas votações ocorram nesta quinta-feira (8.mai), a partir das 5h30 (horário de Brasília). Se um nome alcançar os votos necessários logo na primeira rodada do dia, uma fumaça branca será emitida da chaminé, sinalizando ao público reunido na Praça de São Pedro que o novo papa foi escolhido. Caso contrário, nenhuma fumaça será liberada nesse horário.
Na sequência do cronograma estabelecido, uma segunda rodada de votação será realizada por volta das 7h (horário de Brasília). Assim como nas sessões anteriores, a fumaça branca indicará uma eleição bem-sucedida. Se não houver consenso entre os cardeais, a fumaça preta será liberada novamente.
O processo prossegue ao longo do dia. Por volta das 12h30 (horário de Brasília), ocorrerá a terceira rodada de votação. Caso o papa seja escolhido nesta fase, a chaminé voltará a liberar fumaça branca. Se não houver definição, nenhuma fumaça será emitida neste horário, seguindo o protocolo do conclave.
A quarta e última rodada de votação do dia está prevista para ocorrer às 14h (horário de Brasília). Se o novo papa for eleito nesse momento, a fumaça branca aparecerá na chaminé da Capela Sistina. Caso contrário, a fumaça preta indicará, mais uma vez, que o processo continuará nos dias seguintes.
O conclave permanece em andamento até que um dos cardeais atinja os votos necessários. O ritual da fumaça — branca ou preta — continua sendo o principal sinal visível ao público sobre o andamento da eleição papal, mantendo a tradição e o sigilo do processo de escolha do líder da Igreja Católica.
Capela Sisitina recebe amanhã os 133 cardeais votantes
Os cardeais que participarão do conclave para eleger um novo papa começaram nesta terça-feira (6) a fazer o check-in em dois hotéis do Vaticano, onde ficarão impedidos de ter contato com o mundo exterior enquanto decidem quem deve suceder o papa Francisco.
O conclave começará a portas fechadas na Capela Sistina na tarde de quarta-feira (7), com todos os cardeais com menos de 80 anos de idade podendo votar em quem deve ser o próximo líder da Igreja, que congrega 1,4 bilhão de membros em todo o mundo.
A corrida para suceder Francisco, que morreu no mês passado, é vista como muito aberta. Embora alguns nomes tenham sido citados como possíveis favoritos, vários dos 133 cardeais que deverão votar no conclave disseram que não sabem quem será o próximo papa.
“Não tenho nenhum palpite”, disse o cardeal Robert McElroy durante uma visita a uma paróquia em Roma na noite de segunda-feira (5).
O processo do conclave é “profundo e misterioso”, afirmou McElroy, o arcebispo de Washington. “Não posso lhe dar nenhuma ideia de quem está à frente”, disse ele.
Alguns cardeais estão procurando um novo papa que dê continuidade à iniciativa de Francisco de criar uma Igreja mais transparente e acolhedora, enquanto outros estão buscando um retorno às raízes mais tradicionais que valorizam a doutrina.
Os conclaves geralmente se estendem por vários dias, com várias votações realizadas antes que um candidato obtenha a maioria necessária de três quartos para se tornar papa.
Durante o período do conclave, os cardeais votantes ficarão em duas hospedarias do Vaticano e farão um juramento de não entrar em contato com ninguém que não esteja participando da votação secreta.
Francisco tinha como prioridade nomear cardeais de países que nunca os tiveram antes, como Haiti, Sudão do Sul e Mianmar.
Esse conclave será o mais diversificado geograficamente nos 2 mil anos de história da Igreja, com a participação de clérigos de 70 países.
O cardeal japonês Tarcisio Isao Kikuchi disse ao jornal La Repubblica que muitos dos 23 cardeais da Ásia que votarão no conclave planejam votar em bloco.
Ele contrastou a estratégia deles com a dos 53 cardeais da Europa, que são conhecidos por votar em termos de países individuais ou outras preferências pessoais.
“Nós, asiáticos, provavelmente somos mais unânimes em apoiar um ou dois candidatos… veremos qual nome sairá como o principal candidato”, declarou Kikuchi.
Presidente se reunirá com Putin em Moscou e participa de cúpula em Pequim
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retoma a agenda de viagens internacional essa semana. O primeiro compromisso será em Moscou, na Rússia. A convite do presidente Vladimir Putin, Lula participará das celebrações dos 80 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na segunda guerra mundial. É o feriado mais importante da Rússia, que ocorre no dia 9 de maio, com um grandioso desfile cívico-militar em Moscou. Ambos os presidentes também manterão reunião bilateral durante a visita, entre 8 e 10 de maio.
Na sequência, Lula segue para China, onde cumprirá agendas nos dias 12 e 13 de maio. A visita de Lula ao país asiático ocorrerá no contexto da Cúpula entre China e países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
O encontro bilateral previsto entre Lula e Xi Jinping ocorrerá em meio ao acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, as duas maiores economias do planeta. A imposição de tarifas mútuas, desencadeada por iniciativa do presidente norte-americano Donald Trump, vem causando sucessivas turbulências nos mercados de ações e alimenta o temor de uma recessão global.
A viagem à China será a segunda visita oficial de Lula neste terceiro mandato. A visita anterior ocorreu em abril de 2023, que foi retribuída por Xi Jinping em visita de Estado em novembro do ano passado, após a Cúpula do G20, sediada pelo Brasil. Além disso, eles haviam se encontrado outra vez em 2023 na Cúpula dos Brics, na África do Sul.
A cor da fumaça avisará ao mundo se há um substituto para Francisco
Os sinais de fumaça papais estão prontos. Funcionários do Vaticano içaram, nesta sexta-feira (2) uma chaminé no telhado da Capela Sistina que será usada para queimar as cédulas do conclave que elegerá o sucessor do papa Francisco.
A reunião secreta começa em 7 de maio, e os cardeais vão usar a chaminé para comunicar ao mundo exterior se eles elegeram um novo líder para a Igreja Católica, que congrega 1,4 bilhão de pessoas.
A fumaça preta significará que não houve decisão. Já a fumaça branca anunciará que o 267º papa foi eleito.
Os trabalhadores fixaram um cano cor de ferrugem acima das telhas da Capela Sistina, do século 15, conhecida por seus afrescos de Michelangelo.
A chaminé é claramente visível da vizinha Praça de São Pedro, onde se espera que milhares de pessoas se reúnam durante o conclave para ver como a votação secreta está progredindo.
Francisco, que morreu em 21 de abril, era papa desde 2013 e foi o primeiro pontífice das Américas. Espera-se que cerca de 133 cardeais, cerca de 80% deles nomeados por Francisco, votem em seu sucessor.
Os dois últimos conclaves, realizados em 2005 e 2013, foram encerrados no final do segundo dia de votação.
Redes elétricas colapsaram após perda abrupta de geração solar; UE e governo espanhol investigam causas
Um colapso no sistema elétrico afetou parte da Europa nesta segunda-feira (28.abr.2025), interrompendo o fornecimento de energia elétrica em regiões da Espanha, Portugal e sul da França. O apagão, um dos maiores registrados no continente, impactou serviços como transporte público, caixas eletrônicos, semáforos e chegou a suspender o Torneio de Tênis de Madri.
Segundo a operadora de rede elétrica espanhola Red Eléctrica, dois incidentes de perda de geração — provavelmente em usinas solares localizadas no sudoeste da Espanha — causaram instabilidade na rede. A queda afetou a interconexão com a França e gerou efeitos em cadeia no sistema elétrico dos três países.
Red Eléctrica nega ataque cibernético, mas governo investiga
Embora a Red Eléctrica tenha descartado a possibilidade de ataque cibernético aos seus sistemas, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, declarou nesta terça-feira (29.abr) que não se pode eliminar essa hipótese completamente. A Suprema Corte da Espanha anunciou a abertura de uma investigação para apurar a causa do apagão.
O comissário de Energia da União Europeia, Dan Jorgensen, afirmou que o bloco iniciará uma investigação técnica para esclarecer o colapso. A rede elétrica da Espanha é interligada com as da França, Portugal, Marrocos e Andorra, o que ampliou os efeitos da instabilidade.
Falha ocorreu durante exportação máxima de energia
No momento do apagão, a Espanha estava exportando energia em alta escala para a França e para Portugal. As exportações para a França estavam próximas do limite da capacidade líquida disponível até às 10h (horário local), sendo completamente interrompidas às 12h35, de acordo com dados oficiais da Red Eléctrica.
O colapso coincidiu com uma queda abrupta de mais de 50% na geração de energia solar fotovoltaica entre 12h30 e 12h35, que caiu de mais de 18 gigawatts (GW) para apenas 8 GW. A causa exata da perda repentina de geração ainda é desconhecida.
Condições climáticas e estabilidade da rede
Apesar de ser comum que eventos climáticos como tempestades ou ventos fortes causem grandes apagões, as condições meteorológicas na segunda-feira estavam estáveis. Especialistas destacam que o sistema espanhol operava com baixa inércia — ausência de reservas rotativas típicas de turbinas a vapor e gás — o que pode ter dificultado a resposta à queda de geração solar.
Esse fator é relevante porque a energia solar, ao contrário da energia térmica, não fornece massa rotativa à rede, o que limita sua capacidade de amortecer variações repentinas no fornecimento ou na demanda.
Perfil da matriz energética espanhola durante o apagão
Na segunda-feira (28), a matriz elétrica da Espanha era composta por 59% de energia solar fotovoltaica, 12% de energia eólica, 11% de energia nuclear e 5% de geração com turbinas a gás de ciclo combinado (CCGT). A geração a carvão, em processo de eliminação no país, teve participação nula. A maior usina de carvão foi desativada em 2024.
Em comparação, na mesma data em 2024, a solar representava 50%, a eólica 3%, a nuclear quase 15% e a CCGT quase 11%. A rápida queda na geração solar, associada à baixa inércia do sistema, pode ter contribuído para o apagão em larga escala.
Restauração do sistema: black start e importações
O restabelecimento do fornecimento foi realizado por meio do processo conhecido como black start, que consiste na reinicialização gradativa das usinas de geração e sua reconexão à rede elétrica.
Para acelerar a recuperação, a Espanha ativou usinas de gás e hidrelétricas, além de aumentar as importações de energia da França e do Marrocos.
Debate sobre excesso de renováveis e estabilidade da rede
O episódio reacendeu discussões sobre a estabilidade das redes elétricas diante do crescimento acelerado de fontes renováveis. Analistas avaliam que o excesso de geração solar e eólica em períodos de baixa demanda pode criar volatilidade nos sistemas. A situação já levou a episódios de preços negativos de energia no atacado e cortes forçados em fazendas solares em outros momentos.
Apesar disso, o primeiro-ministro espanhol negou que o país enfrente problemas de excesso de renováveis, destacando que a demanda no momento do colapso era relativamente baixa e havia ampla oferta disponível.
O comissário europeu de Energia reforçou que a investigação não pode responsabilizar uma única fonte energética e que os sistemas devem ser preparados para lidar com oscilações em diferentes tipos de geração.
Encontro entre cardeais vai ser feito na Capela Sistina do Vaticano
O Vaticano divulgou na manhã desta segunda-feira (28) a data de início do próximo conclave: 7 de maio. Em nota, a Santa Sé informou que a data foi definida por cardeais reunidos em Roma para a 5ª Congregação Geral.
De acordo com o comunicado, o conclave vai acontecer na Capela Sistina do Vaticano, que permanecerá fechada para visitantes até que a eleição do novo pontífice, que sucederá a Francisco, seja concluída.
Passo a passo
Segundo o Vaticano, o conclave será precedido por uma celebração eucarística solene, com a missa Pro Eligendo Papa, com a presença dos cardeais eleitores. No período da tarde, eles seguem em procissão solene até a Capela Sistina.
Ao final da procissão, já dentro da Capela Sistina, cada cardeal eleitor prestará juramento. “Por meio desse juramento, eles se comprometem, se eleitos, a cumprir fielmente o munus petrinum (ministério petrino, na tradução livre) como pastor da Igreja Universal”.
Os cardeais eleitores também se comprometem a manter absoluto sigilo sobre tudo o que se relaciona ao pleito e a se abster de apoiar qualquer tentativa de interferência externa na eleição.
Neste momento, o mestre de Celebrações Litúrgicas Pontifícias proclama extra omnes e todos que não fazem parte do conclave devem deixar a Capela Sistina. Permanecem no local apenas o próprio mestre e o eclesiástico designado para proferir a segunda meditação.
“Essa meditação foca na grande responsabilidade que recai sobre os eleitores e na necessidade de se agir com intenções puras para o bem da Igreja Universal, mantendo somente Deus diante de seus olhos.”
Uma vez proferida a meditação, tanto o eclesiástico quanto o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias também se retiram.
Os cardeais eleitores recitam orações e ouvem o cardeal decano, que pergunta se estão prontos para prosseguir com a votação ou se há algum esclarecimento necessário sobre regras e procedimentos.
“Durante todo o processo eleitoral, os cardeais eleitores devem abster-se de enviar cartas ou manter conversas, incluindo telefonemas, exceto em casos de extrema urgência.”
Segundo a Santa Sé, eles também não estão autorizados a enviar ou receber mensagens de qualquer tipo, receber jornais ou revistas de qualquer natureza ou acompanhar transmissões de rádio ou televisão.
Votos necessários
De acordo com o Vaticano, para eleger validamente um novo papa, é preciso uma maioria de dois terços dos cardeais eleitores presentes. Se o número total não for divisível por três, será necessário um voto adicional.
“Se a votação começar na tarde do primeiro dia, haverá apenas uma votação. Nos dias subsequentes, duas votações serão realizadas pela manhã e duas à tarde”, destacou.
Após a contagem dos votos, todas as cédulas são queimadas. Se a votação for inconclusiva, uma chaminé posicionada sobre a Capela Sistina emite fumaça preta. Se um novo papa for eleito, fumaça branca sairá da chaminé.
Caso os cardeais eleitores não cheguem a um acordo após três dias de votação, é concedido um intervalo de até um dia para oração, livre discussão entre os eleitores e uma breve exortação espiritual do cardeal protodiácono Dominique Mamberti.
Pontífice eleito
Assim que a eleição do novo papa é concluída, o último dos cardeais diáconos chama à Capela Sistina o secretário do Colégio Cardinalício e o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias.
O decano do colégio, cardeal Giovanni Battista Re, falando em nome de todos os cardeais eleitores, solicita o consentimento do candidato eleito com as seguintes palavras: “Aceita a sua eleição canônica como sumo pontífice?”
Após receber o consentimento, ele pergunta: “Qual nome deseja ser chamado?”
Dois oficiais cerimoniais, como testemunhas, redigem o documento de aceitação e registram o nome escolhido.
“A partir deste momento, o papa recém-eleito adquire plena e suprema autoridade sobre a Igreja Universal. O conclave termina imediatamente neste ponto”, destacou o Vaticano.
Os cardeais eleitores, então, prestam homenagem, juram obediência ao novo papa e agradecem a Deus.
O cardeal protodiácono anuncia aos fiéis a conclusão da eleição e o nome do novo pontífice com a famosa frase: “Annuntio vobis gaudium Magnum; habemus papam (Anuncio-vos uma grande alegria; temos um papa, na tradução livre)”.
Imediatamente, o novo pontífice concede a bênção apostólica Urbi et Orbi na varanda da Basílica de São Pedro.
“O passo final necessário é que, após a solene cerimônia de posse do pontificado e dentro de um prazo adequado, o novo papa tome posse formal da Arquibasílica Patriarcal de São João de Latrão”, concluiu a Santa Sé.
Mais de 200 mil pessoas acompanham a Missa de Exéquias; cardeal Giovanni Battista Re exalta trajetória pastoral e defesa dos marginalizados
O Vaticano celebrou neste sábado (26.abr.2025) a Missa de Exéquias do Papa Francisco, encerrando três dias de velório aberto para visitação pública. A cerimônia, realizada no átrio da Basílica de São Pedro, marca o início do Novendiali, período de nove dias de luto e orações em homenagem ao pontífice. Mais de 200 mil pessoas participaram da celebração, lotando a Praça de São Pedro e suas imediações.
A missa de corpo presente foi presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, que na homilia destacou o legado pastoral de Francisco, sublinhando seu compromisso com a proximidade ao povo e atenção especial aos marginalizados. Estiveram presentes cerca de 250 cardeais, além de bispos, padres, religiosos e religiosas de diversas partes do mundo.
O caixão de madeira e zinco, selado na noite de sexta-feira (25), foi posicionado em frente ao altar da Basílica de São Pedro. Após a celebração e os ritos da Última Commendatio e da Valedictio, o caixão foi levado ao interior da basílica e, posteriormente, transportado até a Basílica de Santa Maria Maior, seguindo um cortejo de aproximadamente 4 quilômetros pelas ruas de Roma.
Em comunicado oficial, a Santa Sé afirmou que a multidão diversificada presente representa a Igreja de Francisco, aquela que “acolhe todos, todos, todos”, em referência a uma expressão frequentemente usada pelo pontífice.
Durante a homilia, Giovanni Battista Re destacou que o Papa Francisco foi um pastor “junto do povo” e “atento aos sinais do seu tempo”. O cardeal lembrou episódios marcantes do pontificado, como as viagens a Lampedusa e Lesbos, que evidenciaram o compromisso do Papa com os refugiados e migrantes. Também citou a viagem histórica ao Iraque em 2021 e a recente visita a quatro nações da Ásia-Oceania em 2024.
O cardeal ressaltou que Francisco sempre defendeu uma Igreja de portas abertas, inspirada pela misericórdia e pela cultura do encontro, em contraste com a “cultura do descarte”. Enfatizou ainda o papel do Papa na promoção da fraternidade, refletida na encíclica Fratelli Tutti e no Documento sobre a Fraternidade Humana, assinado nos Emirados Árabes Unidos em 2019.
Segundo Battista Re, a alegria do Evangelho foi a marca central do pontificado de Francisco, que procurou iluminar os desafios contemporâneos com a sabedoria cristã, incentivando uma Igreja missionária, acolhedora e sensível às dores da humanidade. A exortação apostólica Evangelii Gaudium foi citada como exemplo do espírito que guiou suas ações.
O funeral também evidenciou o esforço contínuo de Francisco em prol da paz mundial. Em diversas ocasiões, o Papa denunciou a guerra como “uma derrota dolorosa” e pediu incessantemente negociações honestas para alcançar soluções pacíficas.
Entre os momentos lembrados na homilia, destacou-se a última aparição pública de Francisco na Solenidade de Páscoa, poucos dias antes de sua morte, quando, apesar das dificuldades de saúde, concedeu a bênção da Basílica e saudou os fiéis em um gesto de despedida.
Os nove dias de celebrações eucarísticas em sufrágio pelo Papa Francisco seguirão até 4 de maio, sempre às 17h (horário local), na Basílica de São Pedro. A exceção será a Missa da Divina Misericórdia, programada para este domingo (27.abr), às 10h30, na Praça de São Pedro.
Ao final da cerimônia, fiéis de diferentes culturas e origens sociais se despediram de Francisco, que, em vida, pediu reiteradamente: “Não vos esqueçais de rezar por mim”. Agora, a Igreja pede ao Papa Francisco que, do céu, interceda pela humanidade.
Cerimônias funerárias seguem o rito oficial do Vaticano; testamento do Pontífice pede simplicidade no sepultamento e revela desejo de descanso final em santuário mariano
O Vaticano confirmou os detalhes das exéquias e do sepultamento do Papa Francisco, que morreu após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), seguido de coma e colapso cardiovascular irreversível. O Departamento de Celebrações Litúrgicas divulgou a programação oficial das cerimônias, que seguem o Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, rito que regulamenta os funerais papais.
A primeira etapa das homenagens será o traslado do corpo da Capela da Casa Santa Marta para a Basílica de São Pedro, às 9h (horário local) da quarta-feira, 23 de abril. A procissão será precedida por uma oração conduzida pelo cardeal Kevin Joseph Farrell, camerlengo da Santa Igreja Romana. O cortejo passará pela Praça Santa Marta, pela Praça dos Protormártires Romanos e pelo Arco dos Sinos, até adentrar a Basílica pela porta central.
Diante do Altar da Confissão, ocorrerá a Liturgia da Palavra. Após esse rito, será iniciado o período de visitação pública à urna mortuária do Papa Francisco.
A Missa das Exéquias está marcada para o sábado, 26 de abril, às 10h (horário local), no átrio da Basílica de São Pedro. A celebração será presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício, e marca o início do Novendiali, período de nove dias de orações oficiais em memória do Pontífice falecido.
Concluída a missa, serão realizados os ritos da Última Commendatio e da Valedictio, cerimônias solenes que encerram as exéquias. Em seguida, o corpo será conduzido de volta ao interior da Basílica de São Pedro e, posteriormente, transferido para a Basílica de Santa Maria Maior, local escolhido para o sepultamento.
Disposições testamentárias
O Vaticano também tornou público o testamento do Papa Francisco, assinado em 29 de junho de 2022. No documento, o Pontífice expressa o desejo de um sepultamento simples. Ele solicitou que sua sepultura fosse instalada no chão da Basílica de Santa Maria Maior, sem decoração especial, contendo apenas a inscrição “Franciscus” na lápide.
Francisco afirmou, no testamento, que escolheu ser enterrado nesse local por ter costume de rezar no santuário mariano ao início e fim de cada viagem apostólica. “Desejo que minha última viagem terrena se conclua justamente neste antiquíssimo santuário mariano, onde ia rezar no início e no fim de cada viagem apostólica, para confiar com fé minhas intenções à mãe imaculada e agradecer-lhe por seu cuidado dócil e materno”, escreveu.
As despesas do funeral e da sepultura, segundo o Papa, serão cobertas por um benfeitor que havia destinado recursos especificamente à Basílica de Santa Maria Maior. O documento também informa que o valor foi providenciado por meio do monsenhor Rolandas Makrickas, comissário extraordinário do capítulo liberiano.
No encerramento do testamento, o Papa Francisco deixou uma mensagem de agradecimento e oração. “Que o Senhor conceda a merecida recompensa àqueles que me amaram e continuarão a rezar por mim. Ofereço o sofrimento que se fez presente na parte final da minha vida ao Senhor, pela paz no mundo e pela fraternidade entre os povos.”
Presenças confirmadas
Chefes de Estado e de governo de diversos países confirmaram presença nas cerimônias de despedida. O Vaticano ainda não divulgou os detalhes sobre os próximos passos relacionados à sucessão papal, como o cronograma do conclave.
Foto: Catholic Church (England and Wales)/Fotos Públicas / MAZUR Catholic Church (England and Wales)/Fotos Públicas
Ela venceu disputa com outros 5 atletas na categoria “Retorno do Ano”
A ginasta brasileira Rebeca Andrade, de 24 anos, tornou-se a primeira atleta mulher do país a vencer o Prêmio Laureus, o Oscar do esporte, criado há 25 anos. Nesta segunda-feira (21), a paulista de Gurarulhos foi laureada na categoria “Retorno do Ano”, disputada por outros cinco atletas indicados. A cerimônia de gala ocorreu no Palácio de Cibeles em Madri (Espanha). Antes de brilhar nos Jogos de Paris, quando faturou quatro medalhas olímpicas (ouro, duas pratas e um bronze), Rebeca Andrade foi sinônimo de superação longe dos holofotes: ela passou por três cirurgias para tratar lesões no ligamento anterior, que quase a fizeram desisitir da carreira.
2024.08.03 – Jogos Olímpicos Paris 2024 – Ginástica Artística feminino. A brasileira Rebeca Andrade no pódio após garantir a medalha de prata na final do salto. Foto: Wander Roberto/COB
“Eu me sinto muito feliz e honrada por receber meu primeiro Laureus. Estou orgulhosa, me sinto abençoada pela equipe que tenho e pela família que eu tenho. Eles acreditaram em mim mesmo quando eu não acreditava. Eu gostaria de fazer um agradecimento especial para uma pessoa que está aqui conosco essa noite, que foi uma peça importantíssimo para que o mundo me conhecesse não só como atleta, mas como pessoa também, que é a Aline [Wolff], minha psicóloga. Quero agradecer pelo trabalho, companheirismo, pelo cuidado durante meu período de lesões. Fico feliz de ser uma grande referência para as gerações que estão vindo e para pessoas em geral, de força, de mostrar que a gente pode alcançar os nossos objetivos, independentemente do lugar de onde a gente tenha vindo”, disse Rebeca ao receber o prêmio.
2024.08.03 – Jogos Olímpicos Paris 2024 – Ginástica Artística feminino. A brasileira Rebeca Andrade no pódio após garantir a medalha de prata na final do salto. Foto: Wander Roberto/COB
Concorriam ao prêmio com a ginasta brasileira na categoria “Retorno do Ano” o nadador norte-americano Caeleb Dressel, a esquiadora suíça Lara Gut-Behami, o piloto espanhol de MotoGP Marc Márques, e o jogador indiano de críquete Rishabh Pant e a nadadora australiano Ariame Titmus.
Maior medalhista olímpica do Brasil, com nove pódios, Rebeca Andrade foi o centro das atenções em Paris 2024 ao conquistar o ouro na prova de solo, competindo com a multicampeã norte-americana Simone Biles. Na ocasião, ao subir ao topo do pódio, a brasileira foi reverenciada tanto por Biles (prata) como por Jordan Chiles (bronze), também norte-americana. Rebeca encerrou Paris 2024 com outras três medalhas: duas pratas (individual geral e salto) e um bronze por equipes.
2024.08.03 – Jogos Olímpicos Paris 2024 – Ginástica Artística feminino. A brasileira Rebeca Andrade no pódio após garantir a medalha de prata na final do salto. Foto: Wander Roberto/COB
O último brasileiro a ser contemplado com o Laureus na categoria Retorno do Ano foi Ronaldo Fenômeno, em 2003. O atacante também enfrentou cirurgias no joelho antes de ser campeão mundial de futebol (2002) com a seleção brasileira, no caso o pentacampeonato da amarelinha.
Demais vencedores do Laureus 2025
Atleta Masculino do Ano
Armand Duplantis (salto com vara – Suécia)
Time do Ano
Real Madrid (futebol – Espanha)
Atleta Feminina do Ano
Simone Biles (ginástica artística – EUA)
Revelação do Ano
Lamine Yamal (futebol – Espanha)
Retorno do Ano
Rebeca Andrade (ginástica artística – Brasil)
Atleta do Ano com Deficiência
Jiang Yuyan (natação – China)
Atleta do Ano em Esportes de Ação
Tom Pidcock (ciclismo de montanha – Reino Unido)
Prêmio Esporte para o Bem
Kick4life (Lesoto) – usa o futebol para ajudar crianças e jovens em risco
Santa Sé ainda não divulgou detalhes sobre cerimônias fúnebres
Um boletim médico oficial divulgado nesta segunda-feira (21) pela Santa Sé informa que o papa Francisco foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), seguido por coma e colapso cardiovascular irreversível.
O relatório de óbito é assinado pelo professor Andrea Arcangeli, diretor da Direção de Saúde e Higiene do Estado da Cidade do Vaticano. A morte foi constatada por meio de registro eletrocardiotanatográfico, método que identifica o momento exato da parada cardíaca (7h35 no horário local; 2h35 no horário de Brasília).
Rio de Janeiro (RJ), 21/04/2025 – Missa em sufrágio do Papa Francisco na Catedral Metropolitana. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O documento também informa que o papa apresentava histórico clínico de insuficiência respiratória aguda, pneumonia multimicrobiana bilateral, bronquiectasias múltiplas, hipertensão arterial e diabetes tipo 2.
“Declaro que as causas da morte, segundo meu conhecimento e consciência, são aquelas indicadas acima”, afirmou Arcangeli no relatório.
A Santa Sé ainda não divulgou detalhes sobre as cerimônias fúnebres nem sobre os próximos passos do Vaticano com relação à sucessão papal.
Protocolos do Vaticano inspiram reflexão sobre como preparar uma despedida digna e reduzir impactos emocionais e burocráticos para famílias
Nesta segunda-feira (21), o falecimento do Papa Francisco, aos 88 anos, reacendeu um debate essencial: a importância de planejar o fim da vida. Reconhecido por sua precisão e tradição, o Vaticano segue um protocolo meticulosamente estruturado para garantir uma despedida digna, organizada e fiel aos ritos da Igreja.
Desde o século XI, a morte de um Papa envolve um processo cuidadosamente planejado, desde a confirmação oficial pelo Camerlengo até a realização do funeral, que tradicionalmente ocorre entre quatro e seis dias após o falecimento. Segue-se então o período de nove dias de luto, conhecido como novendiali, enquanto o conclave é preparado para a escolha do sucessor. Esses procedimentos evitam incertezas e garantem que tudo ocorra conforme os desejos e tradições da Igreja.
Mais do que uma tradição religiosa, o cuidado com o planejamento do fim da vida revela uma realidade frequentemente negligenciada: a ausência de preparo pode gerar sobrecarga emocional, burocrática e financeira para muitas famílias. Diante da dor da perda, decisões importantes — como o tipo de cerimônia, o local de sepultamento e os trâmites legais — acabam sendo tomadas às pressas e sob pressão, o que pode provocar conflitos e ampliar o sofrimento nesse momento delicado.
Há 76 anos no mercado potiguar, a Empresa Vila, administradora do Sempre Assistência Familiar, reforça a importância do planejamento antecipado para a despedida final, que permite às famílias mais tranquilidade em momentos de luto. Renato Campos, executivo de operações da Empresa Vila, ressalta que antecipar cada etapa do adeus é a maneira mais eficaz de prestar amparo afetivo.
“Pensar sobre a morte e ter um plano funerário, por exemplo, ajuda as famílias a organizarem questões práticas e legais relacionadas ao fim da vida. Com isso, também é possível garantir que os desejos da pessoa sejam respeitados e que os familiares tenham mais clareza e apoio nesse processo. Há 21 anos, o Sempre Assistência Familiar existe para assegurar que todos esses detalhes sejam cuidados antes da hora da partida”, finaliza.
Sobre a Empresa Vila
Com uma história de 76 anos marcada pelo bem servir, a Empresa Vila acolhe milhares de famílias potiguares e paraibanas em um dos momentos mais delicados da vida, que é a perda de um ente querido. A Empresa Vila possui unidades no Rio Grande do Norte e Paraíba, como a Sempre de Assistência Familiar, Crematório e Central de Velórios São José, Cemitério e Crematório Sempre Zona Norte, Vila Pet em Natal-RN, Cemitério Sempre Caicó, e Cemitério Sempre Mossoró.
Também se dedica à responsabilidade social e ao incentivo à cultura, com o objetivo de preservar a arte, a história e a memória do povo potiguar. Parte significativa dos seus investimentos anuais é direcionada a essas áreas, seja por meio de iniciativas diretas ou através de leis de incentivo à cultura. Entre os projetos culturais apoiados estão a publicação do livro Memórias: Fatos de uma Vida, de Magno Vila; a websérie Dissonância; e o projeto Encãotro, entre outros.
Cerimônia realizada em 2017, no Vaticano, reconheceu os 30 mártires mortos durante massacres no RN, em 1645, durante a invasão holandesa
A canonização dos 30 mártires de Cunhaú e Uruaçu foi celebrada pelo papa Francisco no dia 15 de outubro de 2017, em cerimônia realizada na Praça São Pedro, no Vaticano. A solenidade reuniu aproximadamente 50 mil fiéis e foi marcada pela presença de 450 concelebrantes. Os mártires, mortos em dois massacres ocorridos no estado do Rio Grande do Norte durante a invasão holandesa ao Brasil em 1645, foram oficialmente reconhecidos como santos pela Igreja Católica.
A celebração no Vaticano foi conduzida pelo cardeal Angelo Amato, então prefeito da Congregação da Causa dos Santos. Durante a homilia, o papa Francisco declarou: “Que estes que agora são santos indiquem a todos nós o verdadeiro caminho do amor e da intercessão junto ao Senhor para um mundo mais justo”.
A Camerata de Vozes do Rio Grande do Norte, vinculada à Fundação José Augusto, participou da cerimônia, entoando cantos litúrgicos antes e após a proclamação dos novos santos. A regência ficou a cargo do monsenhor Pedro Ferreira.
Os mártires canonizados
Os 30 mártires canonizados incluem dois padres e 28 leigos, entre os quais estão:
Pe. André de Soveral
Pe. Ambrósio Francisco Ferro (português)
Mateus Moreira
Domingos de Carvalho
Antônio Vilela Cid (espanhol)
Antonio Vilela, o moço, e sua filha
Estevão Machado de Miranda e suas duas filhas
Manoel Rodrigues Moura e sua esposa
João Lostau Navarro (francês)
José do Porto
Francisco de Bastos
Diogo Pereira
Vicente de Souza Pereira
Francisco Mendes Pereira
João da Silveira
Simão Correia
Antonio Baracho
João Martins e seus sete companheiros
A filha de Francisco Dias
Beatificação em 2000
O processo de reconhecimento da santidade dos mártires começou com a beatificação, aprovada em 1989 e formalizada em 5 de março de 2000, também na Praça São Pedro, em cerimônia presidida pelo então papa João Paulo II. O decreto que reconheceu o martírio foi assinado em 21 de dezembro de 1998.
A partir de então, os fiéis passaram a ser conhecidos como os Protomártires do Brasil, sendo considerados os primeiros santos do país mortos em consequência da fé católica.
Massacres de Cunhaú e Uruaçu
O primeiro massacre ocorreu no Engenho de Cunhaú, no atual município de Canguaretama, em 16 de julho de 1645. Durante uma missa celebrada na Capela de Nossa Senhora das Candeias, comandada pelo padre André de Soveral, fiéis foram atacados após o momento da elevação do Corpo e Sangue de Cristo. Jacob Rabbi, um agente a serviço do governo holandês, liderou a ação com o apoio de tropas indígenas Tapuias.
Três meses depois, no dia 3 de outubro de 1645, aconteceu o segundo massacre, desta vez na comunidade de Uruaçu, localizada no atual município de São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. O ataque foi igualmente liderado por Jacob Rabbi. Entre as vítimas, destaca-se o camponês Mateus Moreira, que teria tido o coração arrancado enquanto ainda vivo, exclamando: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.
Os relatos históricos apontam que os fiéis foram impedidos de orar, tiveram membros decepados e muitos foram degolados. As mortes foram motivadas por perseguição religiosa durante o domínio calvinista dos holandeses no Nordeste do Brasil.
Celebrações e memória
O Dia dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu é feriado estadual no Rio Grande do Norte desde 2006, celebrado no dia 3 de outubro, conforme a Lei Nº 8.913. Em memória aos acontecimentos, foi inaugurado, no dia 5 de dezembro de 2000, o Monumento aos Mártires, em São Gonçalo do Amarante. O espaço tem capacidade para acolher até 20 mil peregrinos e ocupa dois hectares de área, doados pela família Veríssimo. O projeto arquitetônico foi desenvolvido por Francisco Soares Junior.
O local se tornou ponto de peregrinação para fiéis e turistas religiosos, sendo também um símbolo da resistência católica durante o período colonial no Brasil.
Foto: Prefeitura de São Gonçalo do Amarante/Ilustração/Arquivo
Cerimônias seguem protocolo do Vaticano com adaptações definidas pelo próprio pontífice; velório público começa na quarta-feira (23)
O corpo do papa Francisco será velado nos próximos dias na Basílica de São Pedro, no Vaticano, conforme previsto pelos protocolos da Igreja Católica, com alterações determinadas pelo próprio pontífice. A morte de Francisco foi confirmada nesta segunda-feira (21.abr.2025) e a organização dos ritos segue diretrizes de simplicidade solicitadas em vida.
O primeiro rito fúnebre está programado para as 20h (horário local, 15h em Brasília) desta segunda-feira, na Capela da Domus Sanctae Marthae, local onde o papa residia. A cerimônia inicial será conduzida pelo cardeal Kevin Joseph Farrell, camerlengo do Vaticano, autoridade responsável por confirmar a morte do papa e iniciar os protocolos do período de luto. Esse momento será restrito a familiares e autoridades do Vaticano.
O velório público do pontífice começará na quarta-feira (23), com o traslado do corpo para a Basílica de São Pedro. A exposição permitirá que fiéis prestem suas últimas homenagens ao líder da Igreja Católica durante três dias. O sepultamento deverá ocorrer entre o 4º e o 6º dia após a morte, conforme tradição do Vaticano.
Mudanças no rito funerário
Diferente de papas anteriores, Francisco solicitou mudanças no formato do enterro. Tradicionalmente, papas são sepultados em três urnas — uma de cipreste, outra de chumbo e a terceira de madeira nobre — que simbolizam dignidade, proteção e solenidade. O papa argentino, no entanto, optou por ser sepultado em um único caixão de madeira simples, como reflexo dos princípios de sobriedade e austeridade que marcaram seu pontificado.
Outro elemento mantido será o rito do novendiale, período de nove dias consecutivos de celebrações litúrgicas dedicadas à memória do papa falecido. Essas missas e orações serão realizadas tanto no Vaticano quanto em dioceses ao redor do mundo, simbolizando a continuidade espiritual da Igreja.
Sepultamento em Santa Maria Maior
Francisco também escolheu ser sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, um local de forte significado espiritual e pessoal. O espaço é conhecido por abrigar a imagem da Virgem Maria diante da qual o pontífice frequentemente rezava antes e depois de viagens apostólicas.
A escolha do local representa mais uma demonstração do estilo de liderança adotado por Francisco, voltado para a proximidade com os fiéis e distanciado de cerimônias pomposas. O sepultamento em Santa Maria Maior difere do costume mais frequente de enterros papais nas criptas da Basílica de São Pedro.
Etapas do funeral
Segunda-feira (21): Rito fúnebre privado na Domus Sanctae Marthae
Quarta-feira (23): Início do velório público na Basílica de São Pedro
Até o 6º dia após a morte: Sepultamento na Basílica de Santa Maria Maior
Durante nove dias: Celebrações do novendiale no Vaticano e em dioceses pelo mundo
O Vaticano ainda divulgará os horários detalhados de acesso à Basílica de São Pedro durante o velório público e os momentos solenes das celebrações litúrgicas.
Missa na Catedral Metropolitana será presidida por Dom João Santos Cardoso; nota oficial destaca legado do papa e sua atenção aos mais pobres
A Arquidiocese de Natal manifestou publicamente, nesta segunda-feira (21.abr.2025), pesar pela morte do Papa Francisco, confirmada pelo Vaticano na manhã de hoje. O pontífice, nascido Jorge Mario Bergoglio, faleceu aos 88 anos após complicações de saúde. Em sua memória, uma missa será celebrada às 16h30 na Catedral Metropolitana de Natal, no bairro Tirol, presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom João Santos Cardoso.
A celebração integra as homenagens organizadas por arquidioceses e dioceses de todo o Brasil. Em Natal, a missa desta segunda-feira mantém o horário tradicional, mas foi dedicada de forma especial ao Papa Francisco, conforme informou a Arquidiocese.
Nota oficial da Arquidiocese
Em nota divulgada à imprensa e nas redes sociais, a Arquidiocese expressou consternação com a notícia da morte do papa e destacou sua atuação à frente da Igreja Católica. O texto assinado por Dom João Santos Cardoso ressaltou o papel de Francisco como líder espiritual comprometido com os valores do Evangelho e com atenção especial aos mais pobres e marginalizados.
“A Arquidiocese de Natal, na pessoa de seu Arcebispo Metropolitano, Dom João Santos Cardoso, em comunhão com o clero, os religiosos de vida consagrada e os fiéis leigos, recebeu, consternada, a notícia do falecimento do Papa Francisco, ocorrido na manhã deste dia 21 de abril, em sua residência, na Cidade do Vaticano, e associa-se a todos os cristãos do orbe católico em preces pelo descanso eterno de Sua Santidade.”
A nota ainda reconhece o cumprimento da missão do Papa como sucessor do Apóstolo Pedro, destacando seu testemunho de vida e fidelidade à missão de governar a Igreja de Cristo.
“O Santo Padre, sucessor do Apóstolo Pedro, cumpriu amorosa e fielmente a missão de governar a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, como incansável servidor do Evangelho e com amor universal, com especial atenção aos mais pobres e marginalizados.”
O arcebispo finalizou o comunicado encomendando a alma do pontífice à misericórdia divina.
“No ensejo da oitava da Páscoa, com sentimentos de profunda gratidão por seu testemunho de fiel discípulo de Nosso Senhor Jesus Cristo, encomendamos a alma do Papa Francisco à infinita e amorosa misericórdia de Deus.”
Trajetória de aproximação com o Papa
Dom João Santos Cardoso esteve pessoalmente com o Papa Francisco em junho de 2023, quando recebeu das mãos do pontífice o pálio arquiepiscopal, símbolo do vínculo entre os arcebispos e a Sé Apostólica. A cerimônia aconteceu na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e reuniu arcebispos nomeados recentemente ao redor do mundo.
Na ocasião, o Papa abençoou os pálios que seriam entregues aos novos arcebispos como sinal de unidade e comunhão com o papa. O gesto representou também a responsabilidade pastoral sobre suas arquidioceses.
Morte do pontífice e legado
A morte de Jorge Mario Bergoglio foi anunciada pelo Vaticano no início da manhã desta segunda-feira. Segundo comunicado oficial, o papa faleceu às 7h35 (horário local). O texto divulgado pela Santa Sé relembrou sua dedicação ao serviço da Igreja e dos mais necessitados, além do compromisso com os valores evangélicos.
Francisco foi eleito papa em 13 de março de 2013, após a renúncia de Bento XVI. Foi o primeiro pontífice da América Latina e o primeiro da Companhia de Jesus (jesuíta) a assumir o comando da Igreja Católica. Durante seus 12 anos de pontificado, priorizou questões sociais, ambientais e de renovação pastoral.
Até o momento, o Vaticano não divulgou os detalhes sobre o funeral ou o cronograma para o conclave que elegerá o novo papa.
Confira a nota da Arquidiocese de Natal na íntegra:
A Arquidiocese de Natal, na pessoa de seu Arcebispo Metropolitano, Dom João Santos Cardoso, em comunhão com o clero, os religiosos de vida consagrada e os fiéis leigos, recebeu, consternada, a notícia do falecimento do Papa Francisco, ocorrido na manhã deste dia 21 de abril, em sua residência, na Cidade do Vaticano, e associa-se a todos os cristãos do orbe católico em preces pelo descanso eterno de Sua Santidade.
O Santo Padre, sucessor do Apóstolo Pedro, cumpriu amorosa e fielmente a missão de governar a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, como incansável servidor do Evangelho e com amor universal, com especial atenção aos mais pobres e marginalizados.
No ensejo da oitava da Páscoa, com sentimentos de profunda gratidão por seu testemunho de fiel discípulo de Nosso Senhor Jesus Cristo, encomendamos a alma do Papa Francisco à infinita e amorosa misericórdia de Deus.
Natal, 21 de abril de 2025.
Dom João Santos Cardoso Arcebispo Metropolitano de Natal
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração / Tomaz Silva/Agência Brasil/Arquivo/Ilustração
Igreja Católica vive fase de transição após a morte do pontífice; escolha do novo papa será feita por cardeais reunidos em conclave no Vaticano
A morte do Papa Francisco, ocorrida na madrugada desta segunda-feira (21.abr.2025), deu início a um dos momentos mais solenes e reservados da Igreja Católica: a preparação para a escolha de um novo pontífice. Com o falecimento, o Vaticano entra oficialmente no período conhecido como Sé Vacante, caracterizado pela vacância da cadeira de São Pedro.
Durante a Sé Vacante, o governo da Igreja Católica é exercido de forma provisória pelo camerlengo, função atualmente ocupada pelo cardeal irlandês Kevin Joseph Farrell. Cabe a ele a certificação oficial da morte do papa, além de coordenar todos os ritos e processos subsequentes, como a organização do funeral e dos novendiales – os nove dias de luto e missas celebradas em homenagem ao pontífice falecido.
Enquanto isso, a Igreja se prepara para o conclave, o encontro fechado em que os cardeais com menos de 80 anos se reúnem para eleger o novo papa. A Constituição Apostólica da Igreja determina que o conclave deve ser convocado em até 20 dias após a morte do pontífice. Todo o processo acontece dentro do Vaticano, sob absoluto sigilo.
Durante o conclave, os cardeais eleitores ficam completamente isolados, sem acesso a telefone, internet ou qualquer meio de comunicação externa. O juramento de confidencialidade é obrigatório. As sessões de votação são realizadas duas vezes por dia, na Capela Sistina. Para a escolha de um novo papa, é necessário que um candidato receba pelo menos dois terços dos votos.
Caso não haja consenso após várias votações, é permitido um intervalo para orações e reflexões. Se o impasse persistir após 34 votações, o regulamento prevê que apenas os dois cardeais mais votados passem a ser elegíveis, embora a exigência de dois terços dos votos se mantenha.
Quando um cardeal é eleito e aceita a missão, ele escolhe o nome papal que irá adotar. Em seguida, veste os trajes litúrgicos na chamada Sala das Lágrimas e é apresentado à multidão da Praça São Pedro, no Vaticano, com a tradicional frase em latim: Habemus Papam – “Temos um papa”.
Até que esse momento ocorra, a Igreja permanece em estado de luto e expectativa. O novo pontífice assumirá o desafio de liderar mais de um bilhão de fiéis católicos no mundo todo. A escolha tem implicações não apenas espirituais, mas também políticas e diplomáticas, considerando o papel do papa em questões internacionais e sociais.
A tradição do conclave remonta ao século XIII e segue sendo um dos rituais mais marcantes da Igreja Católica, marcado por simbolismos, ritos e a preservação da unidade da fé. O mundo agora acompanha com atenção o desenrolar desse processo, que definirá o próximo sucessor de São Pedro.
Jorge Mario Bergoglio se tornou o primeiro papa sul-americano da história após décadas de atuação religiosa na Argentina e envolvimento com causas sociais e diplomáticas
Jorge Mario Bergoglio nasceu em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, na Argentina. Filho de uma família de origem italiana, foi o mais velho entre cinco irmãos e cresceu no bairro de Flores. Seus avôs falavam piemontês, dialeto do norte da Itália, e esse foi o primeiro idioma com o qual teve contato.
Durante a infância, frequentava a Basílica de San José de Flores com sua avó Rosa. Aos domingos, era comum ir ao estádio com a família torcer pelo San Lorenzo de Almagro, clube no qual seu pai jogou basquete. Aos 12 anos, enquanto estudava em um internato salesiano, sentiu pela primeira vez o chamado à vida religiosa, embora esse desejo tenha permanecido latente até a juventude.
Antes de ingressar no seminário, Bergoglio formou-se como técnico em química e chegou a estagiar em um laboratório. Segundo relato autobiográfico publicado no livro “Vida – Minha História Através da História”, lançado em 2024, uma confissão feita em 1953 mudou o rumo de sua vida. Ao entrar na Basílica de Flores, sentiu-se tocado por uma experiência espiritual profunda que definiu sua vocação.
A decisão de seguir o sacerdócio foi inicialmente mantida em segredo. Bergoglio temia a reação da mãe e chegou a dizer que pretendia estudar Medicina. Mais tarde, ao ser confrontado por ela, que descobriu livros de teologia entre seus pertences, enfrentou resistência. Mesmo assim, ingressou no seminário arquidiocesano de Buenos Aires aos 19 anos.
Durante sua juventude, Bergoglio relata ter tido uma namorada e, já no seminário, vivido uma paixão passageira. Os episódios, narrados em sua autobiografia, são apresentados como parte da construção de sua vocação, reafirmada com o tempo.
Atuação durante a ditadura argentina
A atuação de Bergoglio durante o regime militar argentino (1976–1983) gerou controvérsias. Enquanto era provincial dos jesuítas na Argentina, foi acusado de omissão no caso dos padres Orlando Yorio e Francisco Jalics, que foram presos e torturados pelo regime.
Em sua autobiografia, Bergoglio afirma que as acusações são falsas. Diz ter intercedido junto a figuras do governo militar, como Jorge Rafael Videla e Emilio Massera, pela libertação dos religiosos. Segundo ele, também ajudou outros perseguidos políticos, incluindo um catequista que escapou disfarçado de padre utilizando seus documentos.
Ascensão na hierarquia eclesiástica
Em 1992, o Papa João Paulo II nomeou Jorge Mario Bergoglio como bispo auxiliar de Buenos Aires. Nove anos depois, foi elevado ao cargo de cardeal. Nessa fase, intensificou sua atuação com populações pobres e se destacou pela vida simples: usava transporte público e recusava luxos.
Durante a nomeação como cardeal, convenceu seus compatriotas a não viajarem ao Vaticano e pediu que o dinheiro fosse doado aos necessitados. Presidiu a Conferência Episcopal Argentina entre 2005 e 2011, período em que adotou uma postura firme contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Chamou a proposta de “projeto do diabo” em uma carta enviada a freiras carmelitas.
Eleição como papa
Após a renúncia de Bento XVI, em fevereiro de 2013, o conclave escolheu Jorge Mario Bergoglio como novo pontífice em 13 de março daquele ano. Tornou-se o primeiro papa sul-americano da história e o primeiro não europeu em mais de 1.200 anos.
O nome “Francisco” foi escolhido em homenagem a São Francisco de Assis, após um conselho do cardeal brasileiro Dom Cláudio Hummes: “Nunca se esqueça dos pobres”, teria dito ao recém-eleito papa.
Postura pública e ações como pontífice
Ao longo de seu papado, Francisco adotou hábitos discretos e uma comunicação direta com os fiéis. Evitava aparições midiáticas, recusava banquetes e manteve estilo de vida modesto. Em 2015, surpreendeu ao lançar um disco de rock progressivo com o grupo italiano Le Orme, intitulado Wake Up!.
Também participou de eventos inter-religiosos, como o encontro com Ahmed Al-Tayeb, Grande Imã de Al-Azhar, nos Emirados Árabes Unidos, em 2019. Juntos, assinaram o Documento sobre a Fraternidade Humana, com apelos à paz e ao diálogo.
No campo moral, manteve posição contrária à legalização do aborto e da eutanásia, defendendo a proteção à vida. Trabalhou para recuperar a credibilidade da Igreja, abalada por escândalos de abuso sexual. Em 2014, pediu perdão às vítimas de pedofilia cometida por clérigos católicos.
Nos últimos anos, passou a usar cadeira de rodas em razão de problemas no joelho, o que reduziu sua agenda internacional. Mesmo assim, seguiu ativo em questões geopolíticas.
Diplomacia e conflitos internacionais
O Papa Francisco também se destacou na diplomacia global. Teve papel central na reaproximação entre Estados Unidos e Cuba e fez constantes apelos em defesa dos migrantes e refugiados.
Foi um crítico persistente da guerra na Ucrânia, chegando a se emocionar publicamente ao falar sobre as vítimas civis. Mesmo hospitalizado, manteve contato com representantes católicos na Faixa de Gaza para acompanhar a situação da população afetada pelos bombardeios.
Sua liderança combinou atuação pastoral com influência diplomática, além de manter proximidade com os mais pobres, característica que marcou sua trajetória desde Buenos Aires até o Vaticano.
Vaticano confirma morte de Jorge Mario Bergoglio; pontífice argentino foi o primeiro papa jesuíta e da América Latina
O Vaticano confirmou na manhã desta segunda-feira (21.abr.2025) a morte de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, aos 88 anos. O religioso ocupava o posto de chefe da Igreja Católica desde março de 2013 e foi o 266º papa da história.
De acordo com o comunicado oficial, o falecimento ocorreu às 7h35 (horário local). A nota do Vaticano destacou o legado do pontífice, enfatizando sua dedicação ao serviço religioso e às causas sociais.
“Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados”, diz o texto.
Francisco foi o primeiro papa latino-americano e o primeiro da ordem dos jesuítas a ser eleito para o cargo mais alto da Igreja Católica. Também foi o primeiro pontífice moderno a assumir o papado após a renúncia de seu antecessor, Bento XVI, em 2013.
Histórico de saúde e internações recentes
Antes do falecimento, o papa Francisco enfrentava um quadro de saúde debilitado. No início de fevereiro deste ano, foi internado após apresentar dificuldades respiratórias durante eventos religiosos no Vaticano. Segundo relatos, o pontífice chegou a pedir que um auxiliar fizesse a leitura de sermões devido à fraqueza.
No dia 14 de fevereiro, o papa foi internado no hospital Agostino Gemelli, em Roma, onde passou por exames e iniciou tratamento para bronquite. Apesar do quadro clínico, ele seguiu participando, mesmo que de forma limitada, de atividades religiosas, inclusive pedindo desculpas por não comparecer à tradicional oração dominical na Praça de São Pedro.
Poucos dias depois, no dia 17, o Vaticano informou que Bergoglio estava com uma infecção polimicrobiana — caracterizada pela presença de mais de um microrganismo no organismo, como vírus, bactérias ou fungos. A condição foi classificada como “complexa”.
No dia seguinte, os médicos diagnosticaram o pontífice com pneumonia bilateral, um tipo mais grave da infecção, que compromete os dois pulmões e pode afetar severamente a capacidade respiratória. Após cerca de 40 dias internado, o papa recebeu alta hospitalar.
Pontificado e trajetória
Nascido em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, na Argentina, Jorge Mario Bergoglio ingressou na Companhia de Jesus ainda jovem. Ao longo de sua vida religiosa, ocupou diversos cargos de liderança até ser nomeado arcebispo de Buenos Aires. Com a renúncia de Bento XVI, foi eleito papa no dia 13 de março de 2013, durante o segundo dia do conclave, mesmo após ter declarado que não desejava assumir o cargo.
Durante os quase 12 anos de pontificado, Francisco ficou conhecido por adotar um estilo pastoral mais próximo dos fiéis e voltado a temas sociais. Ele abordou questões como pobreza, imigração, mudanças climáticas e corrupção, além de ter promovido reformas internas na Cúria Romana.
Processo de sucessão
Até o momento, o Vaticano não divulgou informações detalhadas sobre o funeral de Francisco. De acordo com o protocolo da Santa Sé, a Igreja Católica deve iniciar nas próximas semanas as reuniões para definir a convocação do conclave, que elegerá o novo líder religioso.
O processo inclui o chamado de cardeais de todo o mundo para o Vaticano, onde ocorrerá a votação em segredo até que se alcance consenso em torno de um novo nome.
Corte nega crise de confiança apontada pela revista britânica e afirma que decisões seguiram o devido processo legal e foram ratificadas pelos ministros
O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nota oficial neste sábado (19.abr.2025) em resposta a críticas publicadas pela revista britânica The Economist, que apontou supostos “poderes excessivos” do ministro Alexandre de Moraes e questionou a credibilidade da Corte junto à população brasileira.
Assinada pelo presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, a nota rebate a análise da publicação e afirma que o Brasil vive uma democracia com funcionamento pleno das instituições e respeito aos direitos fundamentais. O documento ainda afirma que o conteúdo da revista se alinha à narrativa de grupos que tentaram um golpe de Estado no país.
A reportagem da The Economist avaliou que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Primeira Turma do STF, e não pelo plenário, poderia agravar uma suposta crise de confiança no Judiciário. Também foram citadas críticas aos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e ao próprio Barroso.
Respostas do STF
O STF reiterou que o julgamento de ações penais contra autoridades segue o rito previsto no Código de Processo Penal, o qual determina que os casos sejam analisados pelas turmas, e não pelo plenário. “Mudar isso é que seria excepcional”, destacou a Corte.
Sobre a sugestão de afastar Alexandre de Moraes do julgamento de Bolsonaro, Barroso afirmou que o ex-presidente atacou diversos ministros da Corte e que “se a suposta animosidade pudesse ser critério de suspeição, bastaria o réu atacar o tribunal para não ser julgado”.
O presidente do STF também refutou a ideia de que Moraes age de forma isolada. Segundo ele, as decisões monocráticas do ministro foram posteriormente validadas pelo plenário, incluindo a suspensão do X (antigo Twitter), motivada pela ausência de representante legal da empresa no Brasil.
Dados de confiança
Para sustentar que não há crise institucional, o STF citou uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada em março de 2024. Segundo o levantamento, 21% dos entrevistados disseram confiar muito no STF, 44% confiam um pouco e 30% não confiam. Para Barroso, esses dados demonstram que a maioria da população mantém algum nível de confiança na instituição.
A nota também relembrou episódios recentes de ameaças à democracia brasileira, como os ataques de 8 de janeiro de 2023 aos Três Poderes, planos de atentado contra autoridades e tentativas de explosão de bomba no STF.
Presidente usou legislação para deportar 238 venezuelanos
A Suprema Corte dos Estados Unidos proibiu, neste sábado (19), o presidente Donald Trump de usar a Lei de Inimigos Estrangeiros para deportar venezuelanos para prisão de El Salvador. A decisão é temporária e vale enquanto o tribunal não analisa o caso de forma definitiva.
“O governo é instruído a não remover nenhum membro da suposta classe de detentos dos Estados Unidos até nova ordem deste tribunal”, diz a decisão, que teve voto contrário de dois dos nove magistrados da Corte máxima do país.
Até então usada apenas em tempos de guerra, a lei de 1798 foi evocada por Trump em meados de março para deportar 238 imigrantes da Venezuela sem direito à apelação para prisão de El Salvador sob acusação de integrarem a organização criminosa Trem de Aragua.
Familiares dos imigrantes deportados sob essa lei negam as acusações e o governo da Venezuela recorreu ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) contra as deportações.
No dia 7 de abril, a Suprema Corte dos EUA autorizou o uso da lei desde que os imigrantes tivessem o direito de contestar a deportação. Porém, organizações de direitos humanos recorreram aos tribunais alegando que o governo Trump não estava respeitando a decisão.
A União Americana pelas Liberdades Civis (Aclu) representou um grupo de imigrantes nos tribunais denunciando que novas deportações ilegais eram iminentes.
“A decisão [do governo] também não prevê nenhum processo para que indivíduos contestem que são membros da Trem de Aragua e, portanto, não se enquadram nos termos da Proclamação [da Suprema Corte]”, apelou a organização.
A Aclu lembra que, pelo menos, 137 venezuelanos foram removidos para El Salvador sem o devido processo legal “possivelmente pelo resto de suas vidas”.
“Resta saber se a maioria (ou talvez todos) dos homens não têm vínculos com o Trem de Aragua, pois o governo secretamente os expulsou do país e não forneceu informações sobre eles”.
A organização sustenta que as evidências têm mostrado que “muitos indivíduos removidos para El Salvador sob a Lei de Inimigos Estrangeiros não eram membros do Trem de Aragua”.
Trump
Na sexta-feira (18), o presidente Donald Trump postou um vídeo com supostos criminosos sendo deportados para El Salvador. Em seguida, publicou entrevista para a Fox News para defender as deportações para o país centro-americano.
“Nós não precisamos de legislação, precisamos de um presidente”, escreveu na postagem o presidente dos EUA, com tradução em espanhol para atingir o público latino-americano no país.
El Salvador
O governo de El Salvador, que há três anos governa por meio de decretos de Estado de Exceção, tem recebido prisioneiros enviados pelos EUA em troca de ajuda financeira e de “inteligência” do governo Trump.
O Centro de Confinamento de Terroristas (Cecot) de El Salvador, conhecida como maior prisão da América Latina, construída pelo presidente Nayib Bukele, é alvo de denúncias de violações de direitos humanos com prática sistemática de tortura, incluindo contra crianças, e por não conceder aos suspeitos direitos à defesa e julgamento justo, com condenações em massa.
“Aqueles que foram removidos para El Salvador enfrentam danos e condições prisionais ameaçadoras no Cecot, incluindo choques elétricos, espancamentos, afogamento simulado e instrumentos de tortura nos dedos dos detentos para tentar forçar confissões de filiação a gangues”, acrescentou a Aclu na ação judicial.
A entidade de defesa dos direitos dos imigrantes afirma ainda que o governo dos EUA tem usado critérios duvidosos para classificar os imigrantes como integrantes da organização criminosa da Venezuela.
“Incluindo atributos físicos como ‘tatuagens que denotam filiação/lealdade à Trem de Aragua’ e gestos com as mãos, símbolos, logotipos, grafites ou vestimenta. Especialistas que estudam a TdA explicaram como nenhum desses atributos físicos é uma forma confiável de identificar membros de gangues”, completou.
Foto: @TheWhiteHouse/Fotos Públicas / Daniel Torok/White House / Abe McNatt
Ibovespa sobe 1,04% e petróleo tem alta após sinalização de retomada nas negociações comerciais
O dólar comercial encerrou a sessão desta quinta-feira (17.abr.2025) em queda, sendo vendido a R$ 5,804, após declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando possibilidade de acordo comercial com a China. A moeda norte-americana registrou desvalorização de 1,03%, o menor patamar em duas semanas.
Durante a manhã, o dólar chegou a ser cotado a R$ 5,89 nos primeiros minutos de negociação, mas recuou ao longo do dia com a repercussão das falas de Trump. A moeda acumula alta de 1,75% em abril, mas apresenta queda de 6,08% no acumulado de 2025.
Dólar
O movimento também impactou positivamente o mercado de ações. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, registrou alta de 1,04%, encerrando o pregão aos 129.650 pontos. Esse é o maior nível desde 3 de abril. O desempenho reverte perdas observadas nos dias anteriores.
As declarações de Trump influenciaram diretamente o mercado de commodities. O barril de petróleo tipo Brent, referência internacional, subiu 2,51% e foi cotado a US$ 66,68. A valorização é atribuída à expectativa de aumento nas exportações da China, principal compradora global de produtos agrícolas e minerais.
O possível avanço nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China trouxe alívio momentâneo aos mercados emergentes, impactando positivamente moedas, bolsas de valores e ativos ligados a exportações.
A expectativa agora é sobre a continuidade das sinalizações diplomáticas e a repercussão nos próximos pregões, especialmente diante do cenário de incertezas geopolíticas e econômicas que envolvem as duas maiores economias do mundo.
Parlamentar brasileira afirma que teve sexo masculino atribuído no visto, mesmo com documentos oficiais que reconhecem seu gênero feminino
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) denunciou nesta quarta-feira (16.abr.2025) que teve sua identidade de gênero negada pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília durante o processo de emissão de um visto diplomático. A parlamentar participaria como palestrante oficial da conferência acadêmica Brazil Conference at Harvard & MIT 2025, nos Estados Unidos, em missão autorizada pela Câmara dos Deputados.
Segundo Hilton, a embaixada americana emitiu o visto com o sexo masculino, ignorando a documentação brasileira que reconhece seu gênero feminino, incluindo certidão de nascimento retificada e passaporte oficial. A deputada classificou o caso como um episódio de transfobia institucional e uma violação à soberania do Brasil.
“É muito grave o que os Estados Unidos têm feito com as pessoas trans que vivem naquele país e com quem lá ingressa. É uma política higienista e desumana que, além de atingir as pessoas trans, também desrespeita a soberania do governo brasileiro em emitir documentos que devem ser respeitados pela comunidade internacional”, afirmou a deputada.
Repercussão diplomática e medidas legais
Erika Hilton enviou um ofício ao Ministério das Relações Exteriores solicitando uma reunião com o ministro Mauro Vieira. O Itamaraty informou que avalia a possibilidade do encontro. A deputada também declarou que articula uma ação jurídica internacional contra o governo dos Estados Unidos.
“Quando a transfobia de Estado é praticada dentro dos Estados Unidos, ela pede uma resposta do judiciário americano. Mas quando ultrapassa fronteiras e atinge uma parlamentar brasileira em missão oficial, ela exige também uma resposta diplomática do governo brasileiro”, destacou a deputada.
Passaporte brasileiro.
Diante da negativa em reconhecer sua identidade de gênero, Erika Hilton optou por cancelar a participação na conferência, que ocorreria no dia 12 de abril, no painel “Diversidade e Democracia”, ao lado de outras autoridades brasileiras.
Nova diretriz americana proíbe reconhecimento de identidade de gênero
A embaixada americana respondeu à denúncia por meio de nota, na qual declarou que os registros de visto são confidenciais e que, conforme a Ordem Executiva 14168, o governo dos Estados Unidos reconhece apenas dois sexos — masculino e feminino — considerados imutáveis desde o nascimento.
“A embaixada dos Estados Unidos informa que os registros de visto são confidenciais conforme a lei americana e, por política, não comentamos casos individuais. Ressaltamos também que, de acordo com a Ordem Executiva 14168, é política dos EUA reconhecer dois sexos, masculino e feminino, considerados imutáveis desde o nascimento”, diz o texto oficial.
A Ordem Executiva 14168 foi emitida pelo presidente Donald Trump em 20 de janeiro de 2025 e determina que todos os departamentos federais americanos devem utilizar exclusivamente os marcadores binários masculino e feminino em documentos oficiais, como passaportes e registros consulares. A diretriz também proíbe o reconhecimento de identidades de gênero autoatribuídas.
Caso marca mudança em relação anterior da embaixada
A deputada afirmou que, em 2023, a mesma embaixada havia emitido um visto respeitando sua identidade de gênero. Segundo a equipe da parlamentar, a mudança de postura ocorreu após a publicação do novo decreto presidencial americano.
“É absurdo que o ódio que Donald Trump nutre e estimula contra as pessoas trans tenha esbarrado em uma parlamentar brasileira indo fazer uma missão oficial em nome da Câmara dos Deputados”, declarou Hilton, que é a primeira mulher negra e trans a ocupar uma cadeira na Câmara Federal.
Foto: Antonio Araújo/Câmara dos Deputados / Bruno Spada/Câmara dos Deputados / Marcelo Camargo/Agência Brasil/
União Europeia envia representante a Washington para discutir tarifas impostas pelo governo dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou a intenção de fechar 90 acordos comerciais em um prazo de 90 dias. A meta foi anunciada em meio às crescentes tensões comerciais entre o país norte-americano e seus principais parceiros econômicos. No entanto, especialistas avaliam que os desafios para resolver as disputas atuais no comércio global são complexos e poderão exigir negociações prolongadas.
Uma das primeiras movimentações em resposta ao plano do governo americano será a chegada de Maros Sefcovic, vice-presidente da Comissão Europeia responsável por assuntos de comércio, a Washington. A visita está marcada para a próxima segunda-feira (14) e tem como objetivo discutir as tarifas anunciadas pela administração Trump no início de abril.
União Europeia busca resposta rápida para tarifas
O bloco europeu é um dos maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos. Em 2024, o comércio bilateral entre a União Europeia e os EUA totalizou aproximadamente US$ 1 trilhão. A decisão de enviar uma autoridade de alto escalão ao território americano sinaliza a importância da relação econômica entre os dois blocos e a urgência em tratar os impactos das novas tarifas.
As medidas tarifárias determinadas por Trump têm gerado preocupações em diversos setores da economia global, com receios de que uma escalada da guerra comercial possa prejudicar cadeias produtivas integradas e provocar reflexos negativos sobre exportações e investimentos.
Especialistas apontam dificuldades no cumprimento da meta
A meta de 90 acordos em 90 dias foi considerada ambiciosa por especialistas em comércio internacional. O contexto atual inclui impasses com diversas nações, como China, Canadá, México e países da União Europeia, que têm manifestado resistência às tarifas americanas e, em alguns casos, adotado medidas de retaliação.
Analistas alertam que a natureza técnica e diplomática dos acordos comerciais exige tempo para formulação, revisão jurídica, aprovação interna e negociações bilaterais ou multilaterais. Além disso, muitos países exigem aprovação legislativa para ratificação de novos tratados, o que pode tornar o processo ainda mais demorado.
Guerra comercial pode afetar setores estratégicos
A intensificação da guerra comercial, impulsionada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, tem potencial para atingir setores estratégicos, como a indústria automobilística, a produção agrícola, a tecnologia e a siderurgia. Empresas com operações globais monitoram de perto os desdobramentos, temendo prejuízos à competitividade e à previsibilidade dos mercados.
No caso da União Europeia, o impacto das medidas tarifárias pode atingir diretamente países com forte presença industrial e exportadora, como Alemanha e França. A resposta do bloco às tarifas americanas será observada como um indicativo do rumo que as negociações comerciais deverão seguir nos próximos meses.
EUA buscam reconfigurar política comercial
Desde o início de seu mandato, o presidente Donald Trump tem buscado reformular a política comercial dos Estados Unidos, retirando o país de acordos multilaterais como o Tratado Transpacífico (TPP) e renegociando termos de acordos vigentes, como o NAFTA, substituído pelo Acordo EUA-México-Canadá (USMCA).
A atual ofensiva comercial com países parceiros é parte da estratégia de “América Primeiro”, defendida por Trump, com foco em proteger a indústria americana, reduzir o déficit comercial e estimular a produção doméstica. No entanto, o efeito prático dessas medidas ainda é alvo de debate entre economistas e autoridades comerciais internacionais.
União Europeia e EUA devem manter negociações em andamento A reunião entre Maros Sefcovic e autoridades americanas será o primeiro passo formal para discutir as tarifas aplicadas. A expectativa é que, a partir desse encontro, novas rodadas de diálogo sejam estabelecidas entre os dois blocos.
A agenda das negociações deverá incluir temas como barreiras comerciais, subsídios, propriedade intelectual, padrões regulatórios e acesso a mercados. A União Europeia tem reiterado seu interesse em manter uma relação equilibrada com os Estados Unidos, mas sem abrir mão de mecanismos de defesa comercial.
O governo americano, por sua vez, buscará incluir demandas específicas no novo modelo de acordos, como maior acesso a setores estratégicos dos países parceiros e revisão de práticas comerciais consideradas desvantajosas para os EUA.
Medida retroativa alivia grandes empresas de tecnologia, como Apple e Dell, mas mantém pressão sobre importações chinesas
O governo dos Estados Unidos anunciou a isenção de tarifas para smartphones, computadores e outros produtos eletrônicos importados, principalmente da China. A decisão evita que esses itens sejam taxados em até 125%, conforme determinado anteriormente pelo ex-presidente Donald Trump. A medida, retroativa a 5 de abril, beneficia gigantes da tecnologia, mas mantém barreiras para outras categorias de importação chinesa.
Detalhes da isenção tarifária
A Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) publicou uma lista com 20 categorias de produtos isentos das altas tarifas. Entre os códigos liberados está o 8.471, que abrange computadores, laptops, unidades de disco e processadores automáticos de dados. Também foram incluídos semicondutores, chips de memória e monitores de tela plana.
A decisão não foi explicada oficialmente, mas analistas apontam que o alívio tarifário visa reduzir pressões inflacionárias sobre produtos essenciais para consumidores e empresas. A Apple, a Dell Technologies e outras importadoras estão entre as principais beneficiadas.
Impacto nas tarifas existentes
A isenção se aplica apenas às tarifas adicionais de 125% impostas por Trump, não afetando a taxa base de 10% sobre importações da China. Produtos fabricados em outros países, como semicondutores de Taiwan e iPhones produzidos na Índia, terão custos reduzidos.
No entanto, as tarifas de 20% sobre todas as importações chinesas – justificadas pela Casa Branca como resposta à crise do fentanil – permanecem válidas. Além disso, uma nova investigação sobre semicondutores pode resultar em futuras taxações.
Reação da Casa Branca
Em comunicado, a porta-voz Karoline Leavitt reforçou que os EUA não podem depender da China para tecnologias críticas, como chips e smartphones. No entanto, destacou que empresas estão acelerando a relocalização de produção para território norte-americano, seguindo orientações de Trump.
Pressão inflacionária
Analistas projetavam que um iPhone de alto custo saltaria de US$ 1.599 PARA US$ 2.300 com tarifas de 54%. A isenção sinaliza preocupação do governo com o impacto nos preços, tema central na campanha de Trump em 2024.
Foto: Molly Roberts/White House / Daniel Torok/White House
Texto autoriza governo a adotar medidas contra tarifas comerciais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (11) o projeto de lei que cria a Lei da Reciprocidade Comercial, autorizando o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras unilaterais aos produtos do Brasil no mercado global. A informação foi confirmada pelo Palácio do Planalto.
O texto, que será publicado no Diário Oficial da União (DOU) da próxima segunda-feira (14), foi aprovado pelo Congresso Nacional há cerca de 10 dias e aguardava a sanção presidencial para entrar em vigor. Não houve vetos.
A nova lei é uma resposta à escalada da guerra comercial desencadeada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a maioria dos países do mundo, mas que se intensificou nos últimos dias de forma mais específica contra a China.
No caso do Brasil, a tarifa imposta pelos EUA foi de 10% sobre todos os produtos exportados para o mercado norte-americano. A exceção nessa margem de tarifas são o aço e o alumínio, cuja sobretaxa imposta pelos norte-americanos foi de 25%, afetando de forma significativa empresas brasileiras, que constituem os terceiros maiores exportadores desses metais para os EUA.
Em discurso durante a 9ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), em Honduras, na última quarta-feira (9), Lula voltou a criticar a adoção de tarifas comerciais. No mesmo dia, ele também disse que usará todas as formas de negociação possíveis, incluindo abertura de processo na Organização Mundial do Comércio (OMC), para tentar reverter as tarifas, antes de adotar ações comerciais retaliatórias.
Nova Lei
A Lei da Reciprocidade Comercial estabelece critérios para respostas a ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que “impactem negativamente a competitividade internacional brasileira”. A norma valerá para países ou blocos que “interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”.
No Artigo 3º do texto da lei, por exemplo, fica autorizado o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Executivo, a “adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços”, prevendo ainda medidas de negociação entre as partes antes de qualquer decisão.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil / Ricardo Stuckert/Presidência da República
O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (9) que vai elevar a taxação das importações da China para 125%, com efeito imediato. Até então, a taxação adicional da China estava em 104%.
“Com base na falta de respeito que a China demonstrou aos mercados mundiais, estou aumentando a tarifa cobrada da China pelos EUA para 125%. Em algum momento, esperançosamente em um futuro próximo, a China perceberá que os dias de exploração dos EUA e de outros países não são mais sustentáveis ou aceitáveis”, informou Trump em uma rede social.
Por outro lado, Trump disse que vai reduzir a taxação de 75 países para 10% por 90 dias, enquanto negocia com os chefes de Estado e governo desses países.
“Com base no fato de que mais de 75 países convocaram representantes dos EUA para negociar uma solução para os assuntos em discussão, e que esses países não retaliaram de forma alguma os EUA, por minha forte sugestão, autorizei uma PAUSA de 90 dias e uma Tarifa Recíproca substancialmente reduzida durante esse período, de 10%, também com efeito imediato”, completou o presidente estadunidense.
Guerra comercial
O atual governo dos Estados Unidos iniciou neste ano uma guerra de tarifas que se intensificou no último dia 2 de abril, quando Washington promoveu um tarifaço contra quase todos os parceiros comerciais.
A China retaliou e elevou as tarifas para produtos dos EUA para 84%. Ao mesmo tempo, argumenta que tem capacidade para transformar o tarifaço em oportunidade.
“A decisão dos EUA de aumentar as tarifas sobre a China é um erro atrás do outro. Ela infringe seriamente os direitos e interesses legítimos da China, prejudica seriamente o sistema de comércio multilateral baseado em regras e tem um impacto severo na estabilidade da ordem econômica global. É um exemplo típico de unilateralismo, protecionismo e intimidação econômica”, afirmou, em nota, o Ministério de Finanças chinês.
Para analistas consultados pela Agência Brasil, a guerra comercial busca reverter a perda de competitividade da economia estadunidenses nas últimas décadas, em especial, para países asiáticos.
Para analistas, tarifaço de Trump tenta reverter a desindustrialização
O Ministério das Finanças da China anunciou, nesta quarta-feira (9), o aumento das tarifas de importação de produtos dos Estados Unidos (EUA) de 34% para 84%, intensificando a guerra comercial iniciada por Washington. A nova taxa passa a valer a partir desta quinta-feira (10).
A medida foi tomada depois que o presidente Donald Trump elevou para 104% as tarifas de importação de produtos chineses após a China retaliar a tarifa dos EUA de 34% imposta no último dia 2 de abril.
Erros em série
“A decisão dos EUA de aumentar as tarifas sobre a China é um erro atrás do outro. Ela infringe seriamente os direitos e interesses legítimos da China, prejudica seriamente o sistema de comércio multilateral baseado em regras e tem um impacto severo na estabilidade da ordem econômica global. É um exemplo típico de unilateralismo, protecionismo e intimidação econômica”, afirmou, em nota, o Ministério de Finanças chinês.
Notas de Dolar para arquivo
Pequim pede que os EUA retirem as tarifas impostas contra o país asiático. “A China pede que os EUA corrijam imediatamente suas práticas erradas, cancelem todas as medidas tarifárias unilaterais contra a China e resolvam adequadamente as diferenças com a China por meio de um diálogo igualitário com base no respeito mútuo”, completou o governo chinês.
Guerra de tarifas
Enquanto a maior parte das bolsas de valores do mundo segue operando em baixa em razão da guerra de tarifas iniciada por Trump, as bolsas chinesas operaram em alta nesta quarta-feira (9).
Para analistas consultados pela Agência Brasil, o tarifaço de Trump é uma tentativa de reverter a desindustrialização dos EUA, que viu sua economia perder competitividade para os mercados da Ásia nas últimas décadas. Porém, diversos economistas são céticos de que as medidas de Washington possam ter o efeito esperado e esperam o aumento da inflação dentro dos EUA.
Medida é retaliação após China impor tarifas recíprocas a Washington
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou nesta terça-feira (8) que os Estados Unidos vão cobrar tarifas de 104% sobre os produtos chineses a partir de quarta-feira (9). A medida é mais um episódio da guerra comercial entre os países.
Na coletiva de imprensa transmitida pelas redes sociais da Casa Branca nesta tarde, a secretária foi questionada por um repórter se o presidente Donald Trump manteria a decisão de adicionar 50% em taxas sobre os produtos da China.
“Elas [as novas taxas] entrarão em vigor à meia-noite de hoje. Então, efetivamente amanhã”, respondeu Karoline Leavitt.
Minutos antes, a secretária havia criticado o governo chinês por não recuar e aceitar uma negociação com os Estados Unidos.
“Países como a China, que escolhem retaliar e tentam redobrar os maus-tratos aos trabalhadores americanos, estão cometendo um erro. O presidente Trump tem uma espinha dorsal de aço e não vai quebrar. A América não vai quebrar sob sua liderança. Ele é guiado por uma firme convicção de que a América deve ser capaz de produzir bens essenciais para o nosso próprio povo e exportá-los para o mundo”, disse Leavitt.
Na segunda-feira, Donald Trump havia ameaçado impor tarifas adicionais sobre todas as importações da China caso Pequim não recuasse da decisão de impor tarifas recíprocas contra Washington.
“Se a China não retirar seu aumento de 34% acima de seus abusos comerciais de longo prazo até amanhã, 8 de abril de 2025, os Estados Unidos imporão tarifas adicionais à China de 50%, com efeito em 9 de abril”, disse o americano em rede social.
Histórico de taxação
Em março, Washington impôs taxas específicas de 20% à China, em um dos primeiros movimentos de Trump para pressionar o país asiático. No último dia 2 abril, os EUA iniciaram uma guerra de tarifas contra todos os parceiros comerciais, com taxação adicional de 34% sobre todos os produtos chineses que entram no país norte-americano. Com a promessa de uma terceira taxação de 50%, o total iria para 104%.
Além de retaliar com tarifas de 34% sobre os produtos estadunidenses, Pequim também estabeleceu restrições para exportação de minerais raros, chamados terras raras, e proibir o comércio com 16 empresas dos EUA.
WWW.ALEXFERRO.COM.BR
Em editorial publicado no domingo (6), o jornal porta-voz do Partido Comunista Chinês (PCCh) – o Diário do Povo – disse que a China está preparada para a guerra de tarifas de Donald Trump e que o “céu não cairá” por causa das novas barreiras comerciais.
“Devemos transformar pressão em motivação e encarar a resposta ao impacto dos EUA como uma oportunidade estratégica para acelerar a construção de um novo padrão de desenvolvimento”, afirmou o editorial do principal jornal do PCCh.
Presidente disse ainda que economia deve crescer em 2025
O Brasil tem reservas internacionais suficientes para enfrentar as decisões do governo Donald Trump, disse nesta segunda-feira (7) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante anúncio de investimentos do setor de logística em Cajamar (SP), Lula reiterou que a economia voltará a crescer mais que o previsto em 2025.
“Nós pagamos a dívida externa brasileira. Nós, pela primeira vez, fizemos uma reserva [internacional] de US$ 370 bilhões, o que segura este país contra qualquer crise. Mesmo o presidente Trump falando o que ele quer falar, o Brasil está seguro porque temos um colchão de US$ 350 bilhões, que dá ao Brasil e ao ministro da [Fazenda] Fernando Haddad uma certa tranquilidade”, disse Lula, em evento promovido pela empresa de comércio eletrônico Mercado Livre.
Segundo os dados mais recentes do Banco Central (BC), as reservas internacionais estavam em US$ 338,6 bilhões na última sexta-feira (7). No entanto, se contar os cerca de US$ 17 bilhões leiloados pelo BC desde o ano passado com compromisso de serem recomprados ao longo deste ano, o total sobe para US$ 355,6 bilhões.
Crescimento da economia
Durante o evento, o Mercado Livre anunciou investimentos de R$ 34 bilhões no Brasil apenas neste ano. Para o presidente, as apostas da empresa no país são justificadas porque a economia brasileira continuará a crescer acima do previsto neste ano, por causa de medidas recentes do governo para estimular o crédito e o consumo.
“Agora, as pessoas dizem: ‘A economia vai desacelerar, ela vai crescer menos’. E eu quero dizer para vocês, na frente dos trabalhadores do Mercado Livre, que a economia brasileira vai surpreender. Porque essa gente que fica discutindo o chamado mercado, essa gente que fica discutindo a economia não conhece o microcrédito funcionando, e o dinheiro chegando na mão de milhares e milhões de pessoas”, declarou Lula.
Segundo o presidente, a melhoria na economia já vem sendo percebida nos últimos anos, ao citar, como exemplo, que categorias profissionais tiveram reajuste salarial acima da inflação. “O salário mínimo já aumentou acima da inflação por dois anos consecutivos. O emprego voltou a crescer todo o ano. E o crédito está acontecendo com muita força nesse país, muita força”, destacou.
Desde que Donald Trump anunciou a aplicação de tarifas a produtos de outros países, chamado tarifaço, bolsas de valores de diversos país tiveram quedas. Para o presidente, o crescimento no Brasil não vai depender de outros países.
“Não depende de ninguém, não depende dos Estados Unidos, não depende da China, não depende da África, só depende de nós brasileiros”, disse.
“É isso que nós queremos: não queremos nada demais. Nós só queremos ser tratados com respeito, com dignidade, porque nós temos esse direito porque quem produz a riqueza desse país são vocês”, afirmou
Mercado Livre
Ao visitar o Centro de Logística do Mercado Livre, Lula abraçou funcionários da empresa e até colocou um pacote na esteira para ser encaminhado para entrega.
Ele esteve acompanhado de Fernando Yunes, vice-presidente sênior do Mercado Livre no Brasil, que explicou como será utilizado o aporte de R$ 34 bilhões neste ano. “É um aporte para conseguirmos avançar na nossa logística. Esse valor vai ser aportado tanto no Mercado Livre quanto no Mercado Pago e no marketing”, disse Yunes durante o evento.
Yunes também anunciou que a empresa vai contratar neste ano mais 14 mil pessoas, somando 50 mil funcionários no Brasil até o final deste ano.
Estavam na comitiva os ministros da Fazenda, Fernando Haddad; do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho; e do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil, Márcio França, além do prefeito de Cajamar, Kauãn Berto.
Fundado em 1999, o Mercado Livre é a companhia líder em e-commerce e serviços financeiros na América Latina, com operações em 18 países e mais de 84 mil funcionários diretos. A operação no Brasil representa 54% do total do negócio da empresa.
Produtos chineses enviados aos EUA poderão ter taxa de 84%
O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ameaçou a China nesta segunda-feira (7) com tarifas adicionais de 50% sobre todas as importações do país caso Pequim não recue da decisão de impor tarifas recíprocas contra Washington.
“Se a China não retirar seu aumento de 34% acima de seus abusos comerciais de longo prazo até amanhã, 8 de abril de 2025, os Estados Unidos imporão Tarifas ADICIONAIS à China de 50%, com efeito em 9 de abril”, anunciou o presidente estadunidense em uma rede social.
Caso cumpra o prometido, os EUA terão elevado em 84% o valor de todos os produtos chineses que entram no país norte-americano em uma semana. Trump acrescentou que todas as negociações com a China estão encerradas. “As negociações com outros países, que também solicitaram reuniões, começarão a ocorrer imediatamente”, completou Trump.
No último dia 2 abril, os EUA iniciaram uma guerra de tarifas contra todos os parceiros comerciais, com taxação adicional de 34% sobre todos os produtos chineses que entram no país norte-americano.
Em resposta, a China decidiu retaliar com tarifas de 34% sobre todos os produtos estadunidenses que entram no país asiático, além de estabelecer restrições para exportação de minerais raros, chamados terras raras, e proibir o comércio com 16 empresas dos EUA.
WWW.ALEXFERRO.COM.BR
A guerra de tarifas tem derrubado as bolsas em todo o mundo e elevado as incertezas sobre o futuro do comércio mundial enquanto Trump promete manter sua nova política comercial.
O céu não cairá
O jornal que serve de porta-voz do Partido Comunista Chinês (PCC) – o Diário do Povo – publicou nesse domingo (6) longo editorial pedindo calma e argumentando que o “céu não cairá” com as tarifas de Donald Trump.
“Diante do impacto da intimidação tarifária dos EUA, temos grande capacidade de suportar a pressão. Nos últimos anos, construímos ativamente um mercado diversificado e nossa dependência do mercado dos EUA vem diminuindo. As exportações da China para os Estados Unidos como parcela do total de exportações caíram de 19,2% em 2018 para 14,7% em 2024”, afirmou o diário chinês.
Pontífice participou da Missa do Jubileu dos Enfermos no Vaticano e compartilhou reflexões sobre fragilidade humana
O Papa Francisco apareceu publicamente neste domingo (6.abr.2025) pela primeira vez desde que foi hospitalizado por uma grave pneumonia, há 38 dias. O pontífice saudou fiéis presentes na Missa do Jubileu dos Enfermos, realizada na Praça São Pedro, no Vaticano.
De cadeira de rodas e com uma cânula de oxigênio sob o nariz, Francisco fez uma aparição surpresa ao final da celebração, acenando brevemente para os cerca de 20 mil peregrinos reunidos no local. A missa foi presidida pelo arcebispo Rino Fisichella, que leu uma homilia preparada pelo papa.
Participação por televisão e mensagem de consolo
Segundo Fisichella, Francisco acompanhou a cerimônia pela televisão. Em sua homilia, o papa reforçou que Deus não abandona os fiéis em momentos de doença.
“Na doença, Deus não nos deixa sozinhos e, se nos abandonarmos a Ele, precisamente onde as nossas forças falham, podemos experimentar a consolação da sua presença”, escreveu o pontífice.
O religioso também compartilhou sua própria experiência de fragilidade durante o período de internação. “Convosco, queridos irmãos e irmãs doentes, neste momento da minha vida, estou a partilhar muito: a experiência da enfermidade, de me sentir frágil, de depender dos outros em tantas coisas, de precisar de apoio”, relatou.
Reflexões sobre a enfermidade e gratidão
Francisco destacou que a doença pode ser uma “escola” para aprender sobre amor e humildade. “Nem sempre é fácil, mas é uma escola na qual aprendemos todos os dias a amar e a deixarmo-nos amar, sem exigir nem recusar, sem lamentar nem desesperar”, afirmou.
Ao final da missa, uma mensagem de agradecimento do papa foi lida aos fiéis. Francisco expressou gratidão “do fundo do coração” pelas orações recebidas durante sua recuperação.
Brasil enfrenta tarifa de 10% e pode recorrer à OMC contra decisão de Donald Trump
Os Estados Unidos anunciaram, nesta quarta-feira (2.abr.2025), a imposição de tarifas recíprocas sobre diversos países, incluindo o Brasil. O presidente Donald Trump divulgou a medida no Salão Oval da Casa Branca, destacando que as taxas entram em vigor a partir da meia-noite (horário local). A iniciativa faz parte do que ele chamou de “Dia da Libertação”, argumentando que a política comercial visa fortalecer a economia norte-americana.
Impacto das tarifas nos países afetados
A tarifa recíproca aplicada ao Brasil é de 10%, enquanto outros países foram taxados com valores distintos: China (34%), União Europeia (20%), Reino Unido (10%), Vietnã (46%), Cambodja (49%) e África do Sul (30%). Trump declarou que a decisão busca corrigir o que considera um histórico de práticas comerciais injustas contra os EUA, responsabilizando governos anteriores pela falta de medidas semelhantes.
Além das tarifas recíprocas, foi anunciada a imposição de uma taxa de 25% sobre automóveis importados de países europeus e asiáticos. O governo norte-americano argumenta que a medida irá beneficiar a indústria local, gerar novos empregos e reduzir o déficit comercial, que chegou a quase US$ 1 trilhão (R$ 5,7 trilhões) em 2024.
Reflexos globais da medida
A decisão gerou apreensão no cenário internacional. Especialistas alertam que a medida pode desacelerar o crescimento econômico global e afetar países com forte dependência do mercado norte-americano, como México e Canadá. No Brasil, setores como o de aço e alumínio devem ser impactados diretamente. Em março, o governo dos EUA já havia imposto uma tarifa de 25% sobre esses produtos brasileiros, comprometendo as exportações nacionais.
Outro ponto de discussão é o etanol brasileiro. Atualmente, os Estados Unidos aplicam uma tarifa de 2,5% sobre o produto importado, enquanto o Brasil cobra 18% sobre o etanol norte-americano. A diferença de alíquotas foi citada como um exemplo de “comércio desigual” por Trump.
Reação do governo brasileiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão e anunciou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar a validade das tarifas. Caso a contestação não surta efeito, o governo avalia a possibilidade de impor tarifas sobre produtos norte-americanos como medida de retaliação.
Paralelamente, a Câmara dos Deputados aprovou, também nesta quarta-feira (2), a tramitação em regime de urgência do “PL da Reciprocidade”. O projeto estabelece critérios para que o Brasil possa responder a medidas unilaterais de outros países ou blocos econômicos que prejudiquem sua competitividade internacional. O requerimento foi aprovado com 361 votos favoráveis, 10 contrários e duas abstenções.
Unidade política diante da crise
Durante a discussão do projeto no Senado, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a situação deve servir de aprendizado para o Congresso Nacional. “Nas horas mais importantes, não existe um Brasil de esquerda ou de direita, existe apenas o povo brasileiro”, declarou.
Perspectivas futuras
Com as tarifas entrando em vigor, analistas econômicos avaliam que os desdobramentos das medidas de Trump dependerão das reações dos países afetados. O Brasil e outras nações podem buscar negociações diretas com os Estados Unidos ou intensificar acordos comerciais alternativos para minimizar os impactos da nova política tarifária.
Aprovação ocorre após Trump anunciar taxação para produtos brasileiros
A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (2), o Projeto de Lei 2.088/2023, que cria a Lei da Reciprocidade Comercial, autorizando o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras aos produtos do Brasil no mercado global. Agora, o texto segue para sanção presidencial.
O texto do PL já havia sido aprovado nesta terça-feira (1) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e no plenário do Senado, por unanimidade.
O tema se tornou prioridade no Congresso após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar “tarifas recíprocas” contra parceiros comerciais. O anúncio do novo tarifaço, realizado mais cedo pelo líder norte-americano, incluiu uma nova sobretaxa de 10% sobre produtos brasileiros.
Durante toda a tarde, enquanto a matéria estava sendo debatida, o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentou requerimentos de obstrução das votações para pressionar pelo Projeto de Lei da Anistia.
Porém, um acordo entre todas as bancadas, do governo à oposição, resultou na retirada de todos os destaques para atrasar a matéria, que acabou sendo aprovada por unanimidade, em votação simbólica. Em troca, a ordem do dia da Câmara foi suspensa, e projetos que estavam na pauta de votação do plenário serão analisados nas próximas sessões.
“Nas horas mais importantes não existe um Brasil de esquerda ou um Brasil de direita. Existe apenas o povo brasileiro. E nós, representantes do povo, temos de ter a capacidade de defender o povo acima de nossas diferenças”, declarou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que presidiu toda a votação.
Reciprocidade
O Artigo 1º do Projeto de Lei da Reciprocidade comercial estabelece critérios para respostas a ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que “impactem negativamente a competitividade internacional brasileira”.
A lei valerá para países ou blocos que “interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”.
No Artigo 3º, fica autorizado o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Executivo, a “adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços”, prevendo ainda medidas de negociação entre as partes antes de qualquer decisão.
O prazo para que seja sancionada pelo presidente da República e entre definitivamente em vigor são 15 dias úteis após a aprovação.
A Câmara dos Deputados pode votar ainda nesta semana o Projeto de Lei 2.088/2023, Lei de Reciprocidade Comercial, que autoriza o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras aos produtos do Brasil no mercado global.
O texto do PL foi aprovado nesta terça-feira (1) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e no plenário do Senado, por unanimidade.
O tema se tornou prioridade no Congresso após o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, anunciar que vai impor “tarifas recíprocas” contra parceiros comerciais. O anúncio do novo tarifaço está previsto para as 17h (horário dos EUA) desta quarta-feira.
O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos/PB), informou que vai trabalhar junto ao Colégio de Líderes para pautar o tema ainda esta semana.
“Como esse é um tema excepcional, e nós temos uma data já precificada de uma possível movimentação dos Estados Unidos com relação aos produtos brasileiros, nós já estamos conversando com o Colégio de Líderes, para que, se possível, excepcionalmente, possamos trazer a matéria ao plenário ainda esta semana”, anunciou o presidente da Casa.
Para Motta, o episódio entre EUA e Brasil deve superar as diferenças políticas dentro do Parlamento.
“Nas horas mais importantes não existe um Brasil de esquerda ou um Brasil de direita. Existe apenas o povo brasileiro. E nós, representantes do povo, temos de ter a capacidade de defender o povo acima de nossas diferenças”, disse.
O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, promete obstruir todas as votações para pressionar pelo Projeto de Lei da Anistia. O líder do partido na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), informou à Agência Brasil que a legenda vai obstruir tudo. “Obstruir e tornar o processo legislativo lento”, garantiu.
A votação da Lei de Reciprocidade Comercial esta semana tem o apoio do presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP/PR).
“Nossos concorrentes mundiais, os grandes players mundiais do comércio internacional, têm uma lei para defender os seus interesses e o Brasil não tem. Nós precisamos disso, e é importante essa celeridade”, defendeu.
O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), argumentou que não há como o projeto da anistia avançar e defendeu que a Casa aprecie logo o PL da Reciprocidade Comercial.
“Diziam que iam pautar a anistia esta semana. Não vai ter anistia esta semana por um motivo bem claro, esta Casa, o presidente [da Câmara] Hugo Motta, a maioria dos partidos, pensaram no Poder Legislativo. Não faz sentido paralisar uma pauta, votações importantes, em cima de um projeto de anistia que, além de tudo, é inconstitucional”, destacou.
Reciprocidade
O Artigo 1º do projeto de lei da reciprocidade comercial estabelece critérios para respostas a ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que “impactem negativamente a competitividade internacional brasileira”.
Se aprovada, a lei valerá para países ou blocos que “interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”.
No Artigo 3º, fica autorizado o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Executivo, a “adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços”, prevendo ainda medidas de negociação entre as partes antes de qualquer decisão.
À véspera do anúncio do novo tarifaço de Donald Trump, um escritório ligado ao governo dos EUA divulgou relatório com críticas ao modelo de tarifas que o Brasil impõe às importações em setores como etanol, audiovisual, bebidas alcoólicas, produtos de telecomunicações, máquinas e equipamentos e carne suína, além de reclamar da preferência dada pela legislação e normas do Brasil aos produtores nacionais.
Foto: Pedro França/Agência Senado / Jonas Pereira/Agência Senado
Equipes de resgate continuam buscas em meio a destruição; ONU mobiliza ajuda humanitária para vítimas do desastre
Um terremoto de magnitude 7,7 atingiu Myanmar na última sexta-feira (28.mar.2025), deixando um rastro de destruição e mais de 2,7 mil mortos, segundo autoridades locais. Nesta terça-feira (1º), uma sobrevivente foi resgatada com vida após 91 horas sob os escombros de um edifício na capital Naypyidaw.
De acordo com a Associated Press (AP), o general Min Aung Hlaing, chefe da Junta Militar, confirmou que o balanço atual é de 2.719 mortos, 4.521 feridos e 441 desaparecidos. As equipes de resgate seguem em operação, mas especialistas alertam que as chances de encontrar sobreviventes diminuem drasticamente após 72 horas.
A mulher resgatada, de 63 anos, foi localizada sob os destroços de um prédio que desabou durante o tremor. Bombeiros relataram que o resgate foi realizado contra o tempo, já que muitas áreas afetadas ainda não foram alcançadas pelas equipes de socorro.
Destruição e impacto regional
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que mais de 10 mil edifícios desmoronaram ou ficaram severamente danificados nas regiões central e noroeste de Myanmar. O terremoto também afetou a vizinha Tailândia, onde um prédio em construção desabou, soterrando dezenas de trabalhadores.
Em Bangcoc, o saldo atual é de 21 mortos e 34 feridos, a maioria no local da construção. Dois corpos foram retirados na segunda-feira (30), e outro foi encontrado nesta terça, mas ainda há desaparecidos.
ONU mobiliza ajuda humanitária
A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que está conseguindo enviar ajuda vital sem interferência dos grupos envolvidos na guerra civil do país, iniciada após o golpe militar de 2021.
Marcoluigi Corsi, coordenador humanitário da ONU em Myanmar, declarou em teleconferência que os recursos disponíveis no país estão sendo direcionados para as vítimas do terremoto. No entanto, ele destacou a necessidade de reabastecer os estoques, originalmente destinados a afetados pelo conflito armado.
Sobre o risco de desvio de ajuda, Corsi afirmou que há um sistema de monitoramento em vigor para garantir que os suprimentos cheguem aos necessitados. Até o momento, não foram registrados problemas.
Milhões de pessoas afetadas
Autoridades locais estimam que mais de 8,5 milhões de pessoas foram diretamente impactadas pelo terremoto. Com áreas remotas ainda inacessíveis, o número de vítimas pode aumentar nas próximas horas.
Aumento entra em vigor nesta terça-feira em dez estados
A alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado no recebimento de compras internacionais subirá de 17% para 20% a partir desta terça-feira (1º), em dez estados.
O aumento foi aprovado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em dezembro do ano passado. Cada estado ficou de decidir se aprova, ou não, o aumento.
A alíquota será aumentada nos estados do Acre, de Alagoas, da Bahia, do Ceará, de Minas Gerais, da Paraíba, do Piauí, do Rio Grande do Norte, de Roraima e de Sergipe. Na prática, a medida deve impactar compras feitas em sites internacionais.
Ao decidir pelo aumento, o Comsefaz argumentou que a nova alíquota também busca alinhar o tratamento tributário aplicado às importações ao praticado para os bens comercializados no mercado interno, “criando condições mais equilibradas para a produção e o comércio local”.
De acordo com o comitê, a decisão levou em conta as alíquotas modais já praticadas pelos estados.
“O objetivo é garantir a isonomia competitiva entre produtos importados e nacionais, promovendo o consumo de bens produzidos no Brasil. Com isso, os estados pretendem estimular o fortalecimento do setor produtivo interno e ampliar a geração de empregos, em um contexto de concorrência crescente com plataformas de comércio eletrônico transfronteiriço”, disse o comitê.
Segundo os participantes da Missão, a grande maioria dos casos eram relacionados a patologias tropicais típicas do subdesenvolvimento local
A 2ª Missão África, projeto da Inspirali, principal ecossistema de educação médica do país, que visa levar a medicina humanizada como atividade prática e de extensão universitária ao currículo dos futuros médicos, passou por cinco diferentes vilarejos das cidades de Adjarra e Ganvie e atendeu mais de 5 mil pessoas em estado vulnerável. Uma estudante do curso de Medicina da Universidade Potiguar (UnP), participou da expedição.
Além de visitas domiciliares para a população incapacitada de deslocamento, um hospital – Centre de Santé de Adjarra – serviu como base para atendimento e realização de procedimentos cirúrgicos. Os missionários atuaram também em um Centro de tratamento para pacientes com problemas de Saúde Mental.
Segundo os participantes da Missão, a grande maioria dos casos eram relacionados a patologias tropicais típicas do subdesenvolvimento local. Em Benin, a mortalidade infantil chega próximo dos 50% no primeiro ano de vida e a expectativa de vida é em média 58 anos, então as doenças são bastante prevalentes e graves e por falta de tratamento eles acabam sucumbindo. “É muito provável que este será o único atendimento que estas pessoas vão ter ao longo da sua vida porque eles não têm acesso a medicina gratuita”, conta Rodrigo Dias Nunes, diretor de Extensão Curricular, Extracurricular e Travessia Humanitária da Inspirali. Rodrigo declara, ainda, que por lá as pessoas nascem e morrem sem nenhum tipo de registro. “Muitas enfermidades poderiam ser solucionadas com uma boa alimentação ou o simples ato de beber água, mas lá eles não possuem estes recursos básicos”, complementa.
Participaram da missão 28 alunos, 5 egressos e 8 professores das escolas UniBH, Unisul, Universidade São Judas Tadeu, Universidade Anhembi Morumbi, UniFacs, Faseh, UnP e AGES. A ação é uma atividade prática e de extensão universitária ao currículo da Inspirali em que participam estudantes que já possuem histórico em ações voluntárias, já participaram e se destacaram em alguma das edições anteriores da Missão Amazônia e estão nos dois últimos anos da graduação. Cada aluno tinha em mãos um sistema de Prontlife® desenvolvido especialmente para a Missão. Trata-se de um tablet com prontuário eletrônico, cujas informações colhidas servirão para compor um banco de dados dos pacientes que será, posteriormente, apresentado como modelo para o governo para fortalecer a estratégia de implementação de um Programa de Medicina de Família e Comunidade.
“A missão África é um privilégio humano de ser vivenciado. Mais do que uma oportunidade de crescer profissionalmente, trata-se de uma evolução humana. Lá pudemos vivenciar sacrifícios de pessoas e famílias por razões meramente banais: a escassez. Escassez de recurso financeiro, de recurso alimentício e hídrico, de local de moradia, de dignidade. Essa realidade se contrapõe com a alegria, com a generosidade e as cores que cercam as pessoas. A missão África permite aumentarmos nosso nível de resiliência, de compaixão e de respeito ao ser humano e nos inspira uma medicina mais humana, mais empática e mais acolhedora. Uma medicina que sonhamos para os nossos alunos e nossa sociedade”, declara Dr Alexandre Cortez do Amaral, médico da Família e Comunidade e professor da FASEH/Inspirali
Sobre a Universidade Potiguar – UnP
Com 44 anos de inovação e tradição, a UnP é a única universidade privada do Estado do Rio Grande do Norte a integrar o maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima. A universidade possui milhares de alunos entre os campi em Natal, Mossoró e Caicó, oferecendo cursos de graduação, pós-graduação lato sensu, Mestrados e Doutorados. Também contribui para democratização do ensino superior ao disponibilizar uma oferta de cursos digitais com diversos polos dentro e fora do Rio Grande do Norte. Como formadora de profissionais, a instituição tem compromisso com a cidadania, sempre pautada nos valores éticos, sociais, culturais e profissionais. Este propósito direciona o desenvolvimento e a prática de seu projeto institucional e dos projetos pedagógicos dos cursos que oferece para a comunidade. Além disso, os alunos de Medicina da UnP contam com a Inspirali, um dos principais players de educação continuada na área médica. Para mais informações: www.unp.br.
Sobre a Inspirali
Criada em 2019, a Inspirali atua na gestão de escolas médicas do Ecossistema Ânima. É uma das principais empresas de ensino superior de Medicina no Brasil, com mais de 13 mil alunos (graduação, pós-graduação e extensão) e 14 instituições – localizadas em capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Florianópolis e Natal e em importantes centros de desenvolvimento do país, como Piracicaba (SP), São José dos Campos (SP), Cubatão (SP), Tubarão (SC), Vespasiano (MG) e Jacobina (BA).
As graduações em Medicina seguem modelo acadêmico reconhecido entre os mais inovadores do mundo e pensado para formar profissionais de alta performance com uma visão integral do ser humano. O portfólio da Inspirali contempla também cursos livres e especializações focados na medicina integrativa e aborda temas relevantes no cenário global, a exemplo da pós-graduação em cannabis medicinal, primeiro curso na área certificado pelo Ministério da Educação (MEC). A aprendizagem digital ativa oferece recursos tecnológicos (robôs de alta fidelidade e realidade virtual e aumentada MedRoom) e apoio socioemocional, assim como as atividades práticas e o acompanhamento personalizado.
Tremores ocorreram perto do Arquipélago São Pedro e São Paulo, mas não representam risco de tsunami
Dois terremotos de magnitude superior a 6 na escala Richter foram detectados no Oceano Atlântico, a menos de 1.000 km do litoral potiguar, nos dias 27 e 28 de junho. Os dados foram registrados pelo Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os abalos ocorreram na dorsal meso-oceânica, uma região de separação entre placas tectônicas, e não oferecem risco de tsunamis ou ondas elevadas no litoral brasileiro.
Detalhes dos tremores
O primeiro tremor, com magnitude 6.1, ocorreu às 21h34 da quinta-feira (27), a aproximadamente 42 km do arquipélago de São Pedro e São Paulo e a 952 km de Natal. O segundo abalo sísmico, de intensidade similar, foi registrado na sexta-feira (28), por volta das 14h17, a menos de 3 km do epicentro do primeiro evento.
Devido à distância do continente, os tremores não foram percebidos no litoral potiguar, mas é possível que tenham sido sentidos no arquipélago.
Causa dos abalos sísmicos
Os terremotos ocorreram em uma zona de afastamento entre as placas tectônicas sul-americana e africana, onde o movimento natural gera tensão e libera energia na forma de abalos. Esse tipo de atividade sísmica é comum na região e não provoca tsunamis, já que o deslocamento das placas é predominantemente horizontal.
Evento simultâneo na Ásia
No mesmo dia do primeiro tremor no Atlântico, um terremoto de magnitude 7.7 atingiu Mianmar, na Ásia, causando mais de 2 mil mortes. Os dois fenômenos, no entanto, não estão relacionados, pois ocorrem em sistemas tectônicos distintos.
Monitoramento e riscos para o Brasil
Apesar da ocorrência de tremores no Oceano Atlântico, especialistas afirmam que a região Nordeste do Brasil não corre perigo imediato. A atividade sísmica na área é monitorada constantemente, e eventos de grande magnitude próximos ao litoral brasileiro são considerados pouco prováveis.
País enfrenta desastre natural em meio a guerra civil e crise humanitária
Mianmar enfrenta uma das piores tragédias naturais de sua história recente após um terremoto de magnitude 7,7 atingir o país na sexta-feira (28.mar.2025). O abalo sísmico resultou na morte de pelo menos 1.002 pessoas, segundo o governo militar, e causou destruição em larga escala, afetando aeroportos, pontes e rodovias. O desastre ocorre em um momento de intensa instabilidade política e econômica, agravado pela guerra civil que assola o país desde o golpe militar de 2021.
A junta militar de Mianmar autorizou, neste sábado (29.mar), a entrada de centenas de equipes de resgate estrangeiras para auxiliar nos esforços de busca e salvamento. Estima-se que o número de mortos possa ultrapassar dez mil, conforme projeções do Serviço Geológico dos Estados Unidos, e que os prejuízos financeiros superem a produção econômica anual do país.
Impactos e operações de resgate
O terremoto afetou diversas regiões do país, incluindo Mandalay, a segunda maior cidade, onde sobreviventes tentaram resgatar vítimas soterradas sem a ajuda de maquinário pesado. A ausência de uma resposta imediata das autoridades dificultou ainda mais as operações de resgate.
Na Tailândia, país vizinho, o tremor também causou danos significativos, derrubando um arranha-céu em construção na capital, Bangcoc. Pelo menos nove pessoas morreram, e as buscas por desaparecidos continuam.
Neste sábado, as equipes de resgate seguem trabalhando nos escombros de uma torre de 33 andares em Bangcoc, onde 47 pessoas estão desaparecidas ou presas, incluindo trabalhadores de Mianmar.
Aeroportos fechados e infraestrutura comprometida
O terremoto provocou danos significativos na infraestrutura do país. O governo de unidade nacional, grupo de oposição à junta militar, informou que 2.900 edifícios, 30 rodovias e sete pontes foram destruídos.
Os aeroportos internacionais de Naypyitaw e Mandalay foram temporariamente fechados devido aos estragos. A torre de controle do aeroporto de Naypyitaw desabou, tornando a capital praticamente isolada para transporte aéreo. As operações no local foram suspensas por tempo indeterminado.
Ajuda humanitária e mobilização internacional
Equipes de resgate da China, Índia, Rússia, Malásia e Cingapura estão enviando socorristas e suprimentos para Mianmar. Um avião militar indiano pousou em Yangon, capital comercial do país, transportando 40 toneladas de ajuda humanitária. Além disso, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) anunciou suporte aos esforços de recuperação e assistência às vítimas.
A Coreia do Sul confirmou um auxílio emergencial de US$ 2 milhões para Mianmar por meio de organizações internacionais. Os Estados Unidos, apesar da relação tensa com o governo militar birmanês, também afirmaram que prestarão algum tipo de apoio humanitário.
O governo chinês anunciou um pacote de ajuda avaliado em US$ 13,77 milhões, incluindo tendas, cobertores e kits médicos de emergência.
Dificuldades no resgate
O terremoto atingiu amplas áreas de Mianmar, desde as planícies centrais até a região montanhosa de Shan. Muitas dessas áreas não estão sob controle total da junta militar, o que dificulta a chegada da assistência.
A tragédia continua a se desenrolar, enquanto equipes de resgate enfrentam desafios logísticos e políticos para prestar assistência aos sobreviventes.
Presidente reforça disposição para negociações bilaterais, mas alerta sobre riscos de medidas unilaterais dos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (29.mar.2025) que não vê obstáculos em conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para buscar um acordo que evite a imposição de tarifas comerciais entre os dois países. A declaração ocorre dias antes da entrada em vigor de novas taxas norte-americanas, previstas para 2 de abril.
Disposição para o diálogo
“Se eu sentir necessidade de conversar com o presidente Trump, não terei problema em ligar para ele”, disse Lula a jornalistas em Hanói, durante viagem oficial ao Vietnã. “E se ele achar que tem interesse em falar comigo, espero que também não hesite. Divergências ideológicas não impedem que dois presidentes dialoguem”, acrescentou.
O Brasil já sinalizou que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros, como aço e alumínio, que desde 12 de março sofrem taxa de 25%. Além disso, o governo avalia medidas de reciprocidade.
Negociações em andamento
Lula destacou que o país está em negociações com os EUA para evitar conflitos comerciais. “Antes de partirmos para disputas na OMC ou retaliações, queremos esgotar todas as possibilidades de diálogo para garantir um livre comércio justo”, afirmou.
O presidente citou reuniões recentes do chanceler Mauro Vieira e do vice-presidente Geraldo Alckmin com representantes do comércio norte-americano, indicando esforços diplomáticos para amenizar tensões.
Novas tarifas em vista
Trump já anunciou a aplicação de uma taxa de 25% sobre veículos fabricados fora dos EUA, válida a partir de 2 de abril. Especialistas alertam que mais medidas protecionistas podem ser implementadas.
“Os EUA precisam entender que não estão sozinhos no planeta. Se tomarem medidas unilaterais, isso pode não ser benéfico nem para eles”, ressaltou Lula.
Resultados da viagem ao Vietnã
Lula retorna ao Brasil neste domingo (30.mar) após viagem oficial ao Vietnã, que resultou em avanços comerciais, como a abertura do mercado vietnamita para a carne brasileira. O ministro Mauro Vieira reforçou a meta de alcançar um fluxo bilateral de US$ 15 bilhões até 2030, após trocas superiores a US$ 7 bilhões em 2024.
Oportunidades para Embraer e JBS
O presidente mencionou negociações para a venda de aeronaves da Embraer ao Vietnã, com perspectiva de comercializar até 50 aviões. Fontes indicam que a Vietnam Airlines avalia a compra de 10 jatos E190.
Além disso, Lula confirmou um acordo da JBS para investir US$ 100 milhões em uma fábrica de processamento de carne no Vietnã, marcando a primeira unidade da empresa na Ásia.
Ex-jogador brasileiro estava condenado a 4 anos e 6 meses de prisão, mas juízes identificaram inconsistências no caso
Um tribunal de apelações da Espanha decidiu anular a condenação do ex-jogador brasileiro Daniel Alves por agressão sexual. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (28.mar.2025) pelo Tribunal Superior de Justiça da Catalunha (TSJCat). O atleta havia sido sentenciado a 4 anos e 6 meses de prisão, mas estava em liberdade condicional desde março de 2023.
Em comunicado oficial, o TSJCat informou que os juízes decidiram, por unanimidade, anular a sentença condenatória. O tribunal apontou “lacunas, imprecisões, inconsistências e contradições sobre os fatos” ocorridos em uma casa noturna de Barcelona em 31 de dezembro de 2022.
Falta de provas consistentes
A decisão destacou que, com base nas provas apresentadas, não foi possível confirmar que o padrão exigido pela presunção de inocência tenha sido superado. O texto ainda ressaltou que sentenças condenatórias exigem um “padrão reforçado de motivação”, o que não foi atendido no caso.
Contexto do caso
Daniel Alves foi acusado de agredir sexualmente uma mulher em uma boate de Barcelona na virada do ano de 2022 para 2023. O ex-lateral, que já defendeu grandes clubes como Barcelona, Paris Saint-Germain e Juventus, foi preso em janeiro de 2023 e posteriormente condenado em primeira instância.
Liberdade condicional
Desde março do ano passado, o brasileiro estava em liberdade condicional após pagar uma fiança de 1 milhão de euros. A defesa sempre manteve a inocência do atleta, alegando que o contato sexual teria sido consensual.
Próximos passos
Com a anulação da condenação, o caso deve ser reavaliado. A defesa de Daniel Alves comemorou a decisão, enquanto a promotoria ainda não se pronunciou sobre possíveis recursos.
Estado de emergência é declarado em Myanmar após colapso de prédios; Tailândia registra vítimas e resgates em Bangcoc
Um terremoto de magnitude 7,7 atingiu o Sudeste Asiático nesta sexta-feira (28), causando mortes, destruição e pânico em Myanmar e Tailândia. O tremor, registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), ocorreu próximo a Mandalay, segunda maior cidade de Myanmar, e foi seguido por um forte abalo secundário.
Mortes e destruição em Myanmar
Pelo menos três pessoas morreram em Taungoo, Myanmar, após o desabamento parcial de uma mesquita durante as orações. Na cidade de Aung Ban, um hotel desmoronou, deixando duas vítimas fatais e 20 feridos, segundo a mídia local.
O governo militar de Myanmar declarou estado de emergência em várias regiões e prometeu ações rápidas de resgate e ajuda humanitária. Em Mandalay, imagens mostram prédios destruídos, incluindo uma torre de relógio e parte do Palácio Real.
Testemunhas relataram cenas de caos. “Vi um prédio de cinco andares desabar diante de meus olhos. Todos estão na rua, com medo de voltar para casa”, disse um morador.
Caos em Bangcoc, Tailândia
Na Tailândia, o terremoto derrubou um arranha-céu em construção na capital, Bangcoc, matando uma pessoa e deixando dezenas de trabalhadores presos nos escombros. As autoridades declararam a cidade como área de desastre para priorizar resgates e avaliações estruturais.
Hóspedes de hotéis fugiram para as ruas em pânico, alguns ainda com roupões de banho. Um edifício comercial balançou por minutos, levando centenas de funcionários a descerem pelas escadas de emergência.
Tremores sentidos na China
O abalo foi sentido na província chinesa de Yunnan, fronteiriça com Myanmar, mas não houve relatos de vítimas. Em Yangon, maior cidade de Myanmar, moradores evacuaram prédios em meio aos tremores.
Presidente criticou novas medidas protecionistas de Donald Trump
Ao encerrar uma visita de Estado ao Japão, na noite desta quarta-feira (26), manhã de quinta-feira (27) no país asiático, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista a jornalistas e foi questionado sobre o anúncio, mais cedo, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma nova sobretaxa de 25%, desta vez sobre os carros importados que chegam ao país norte-americano. A medida é a mais nova tarifa imposta pelo novo governo dos EUA no comércio internacional.
“O que o presidente Trump precisa é medir as consequências dessas decisões. Se ele está pensando que tomando essa decisão de taxar tudo aquilo que os Estados Unidos importam [vai ajudar], eu acho que vai ser prejudicial aos Estados Unidos. Isso vai elevar o preço das coisas, e pode levar a uma inflação que ele ainda não está percebendo”, disse Lula.
“Os EUA importam muito carro japonês e tem muitas empresas japonesas produzindo carro lá. Eu, sinceramente, não vejo o benefício de aumentar em 25% os carros comprados do Japão. A única coisa que eu sei é que vai ficar mais caro para o povo americano comprar. E esse mais caro pode resultar no aumento da inflação, e esse aumento da inflação pode significar aumento de juros, e aumento de juros pode significar contenção da economia”, acrescentou.
OMC e retaliações
O presidente brasileiro confirmou que seu governo vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para tentar reverter uma outra tarifa imposta pelos EUA, a mais prejudicial ao Brasil até agora, que é a de 25% sobre a importação de aço e alumínio.
“Da parte do Brasil, ele [Trump] taxou o aço brasileiro do Brasil em 25%. Temos duas decisões a fazer. Uma é recorrer na Organização Mundial do Comércio, e nós vamos recorrer. A outra é a gente sobretaxar os produtos americanos que nós importamos, colocar em prática a lei da reciprocidade”, disse o presidente.
Segundo Lula, essa medida só será colocada em prática caso a queixa na OMC não seja eficaz para provocar uma negociação entre os dois países. O presidente voltou a lembrar que o fluxo comercial entre Brasil e EUA é ligeiramente favorável aos norte-americanos, e defendeu que as condições para o livre-comércio mundial prevaleçam.
“Estou muito preocupado com o comportamento do governo americano com essa taxação de todos os produtos, de todos os países. No fundo, o livre comércio é o que está sendo prejudicado. Estou preocupado porque o multilateralismo está sendo derrotado e estou preocupado porque o presidente americano não é xerife do mundo, ele é apenas presidente dos Estados Unidos”, criticou.
Exportação de carne ao Japão
Na entrevista, Lula também comentou sobre as tratativas com o Japão para acelerar a abertura do mercado para a carne bovina brasileira, uma demanda histórica do setor. Mais cedo, o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, informou sobre o envio de uma missão oficial para dar prosseguimento aos protocolos de liberação sanitária.
“Temos que respeitar a decisão japonesa, cada país tem um critério. O que eu ouvi do primeiro-ministro é que ele vai, o mais rápido possível, mandar os especialistas dele para analisar o rebanho brasileiro. E, depois, vamos ver a decisão. O dado concreto é nós vendemos uma carne de muita qualidade e a carne mais barata entre todos os países. Eu acredito que, ainda este ano, a gente vai ter uma solução da questão da carne”, prevê Lula.
O presidente também se comprometeu a investir, ao longo deste ano, no avanço de um acordo comercial entre os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) com o Japão. “Eu vou assumir a presidência do Mercosul no segundo semestre. E, se depender de mim, nós vamos trabalhar para que haja o acordo do Mercosul com o Japão. É bom para os países do Mercosul e para o Japão. Quanto mais facilitação para a negociação, melhor.
Agenda
Lula chegou ao Japão na última segunda-feira (24) e, na terça-feira (25) de manhã, participou da cerimônia de boas-vindas, com honras militares, no Palácio Imperial, na capital japonesa. Após reunião reservada com o casal imperial e almoço privado, o presidente se encontrou com empresários brasileiros ligados à Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) para debater a abertura do mercado japonês ao setor.
Lula participou ainda de jantar oferecido a ele e à primeira-dama Janja Lula da Silva pelo imperador do Japão, Naruhito, e a imperatriz Masako. Na ocasião, pediu o “firme engajamento” do Japão na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que será realizada em novembro, em Belém, no Pará.
Nessa quarta-feira (26), o presidente teve o dia mais cheio da visita ao Japão, que está 12 horas à frente do horário oficial de Brasília. A agenda começou com representantes de sindicatos japoneses. Em postagem nas redes sociais, Lula afirmou que o objetivo foi falar de questões trabalhistas e de como melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores no Brasil e no Japão.
O presidente também falou no Fórum Empresarial Brasil-Japão. Pelo lado brasileiro, estiveram presentes empresários dos setores de alimentos, agronegócio, aeroespacial, bebidas, energia, logística e siderurgia. No evento, Lula convocou os japoneses a investirem no Brasil e criticou o crescimento do negacionismo climático e do protecionismo comercial. Foi anunciado acordo da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) com a ANA, maior companhia aérea japonesa, para a compra de 20 jatos E-190.
Após outras reuniões bilaterais, Lula se encontrou com o primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, no Palácio Akasaka, para firmar os compromissos entre os dois países. Foram dez acordos de cooperação em áreas como comércio, indústria e meio ambiente, além de 80 instrumentos entre entidades subnacionais como empresas, bancos, universidades e institutos de pesquisas. Os dois países também anunciaram um plano de ação para revitalizar a Parceria Estratégica Global, um nível mais elevado nas relações diplomáticas estabelecidas desde 2014. Na sequência, foi oferecido um jantar a Lula e à comitiva.
A comitiva brasileira em Tóquio é composta pelo presidente, a primeira-dama Janja, ministros, parlamentares, empresários e sindicalistas. Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também compõem a delegação com Lula.
A viagem internacional prossegue nesta quinta, quando o presidente parte para Hanói, no Vietnã, segunda parte da viagem à Ásia.
Seleção brasileira joga muito mal no estádio Monumental de Nuñez
Faltando pouco mais de um ano para o início da próxima edição da Copa do Mundo, a seleção brasileira jogou muito mal diante da Argentina, na noite desta terça-feira (25) no estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, e foi goleada por 4 a 1 pela 14ª rodada das Eliminatórias Sul-Americanas.
Com o revés na partida, que teve transmissão ao vivo da Rádio Nacional, o Brasil (4º colocado da classificação com 21 pontos) ainda não confirmou a participação no próximo Mundial. Já a Argentina, que já entrou em campo classificada para a Copa após o empate sem gols entre Bolívia e Equador, permanece na ponta da classificação, agora com 31 pontos.
Domínio Hermano
O primeiro tempo da partida mostrou que a seleção brasileira ainda tem um longo caminho a trilhar para se tornar um real candidato ao título da próxima Copa do Mundo. Diante dos atuais campeões mundiais, o Brasil mostrou muito pouco, em especial pela pouca combatividade no setor do meio-campo e a falta de jogadas trabalhadas no ataque.
Desde o apito inicial, a equipe argentina dominou com sobras as ações, e precisou de apenas três minutos para abrir o marcador. Thiago Almada lançou Julián Álvarez, que venceu Murillo e Arana dentro da área para bater na saída do goleiro Bento. A equipe de Lionel Scaloni continuou empilhando oportunidades e ampliou aos 12 minutos, quando Molina cruzou para Enzo Fernández, que só teve o trabalho de escorar para o fundo das redes.
Do outro lado do gramado o Brasil não conseguia criar. Mas, aos 26 minutos, descontou ao aproveitar falha de Cristian Romero. O zagueiro errou na saída de bola e permitiu que o atacante Matheus Cunha ganhasse a posse da bola e batesse da entrada da área para superar Emiliano Martínez.
Mas qualquer esperança de reação foi por terra dez minutos depois. O meio-campista Enzo Fernández levantou a bola na área e Mac Allister chegou em velocidade para bater na saída do goleiro Bento.
No intervalo o técnico Dorival Júnior fez muitas alterações, mas o panorama da partida não mudou. E a Argentina chegou ao quarto gol aos 25 minutos. Após Tagliafico cruzar a bola na área, a defesa brasileira ficou parada e deu liberdade para o atacante Simeone chegar em velocidade para bater cruzado e dar números finais ao marcador.
Pontífice retorna para casa após 40 dias internados e seguirá com repouso e fisioterapia
O papa Francisco fez sua primeira aparição pública após quase 40 dias internado no hospital Gemelli, em Roma, para tratar problemas respiratórios. O pontífice, de 88 anos, acenou para os fiéis da sacada do quarto do hospital antes de receber alta. A internação ocorreu no dia 14 de fevereiro, e, desde então, Francisco passou por tratamentos intensivos para recuperar sua saúde.
Após voltar para casa, o papa terá que manter cuidados específicos, incluindo repouso por dois meses. Ele também será submetido a sessões de fisioterapia respiratória e exercícios de fala, já que sua voz foi afetada pelo uso prolongado de oxigênio de alto fluxo. A equipe médica espera que ele recupere a voz gradualmente, mas não estimou um prazo exato para isso.
Foto: Tomaz Silva/ABr/Ilustração/Arquivo
Sergio Alfieri, médico-chefe da equipe que cuidou de Francisco e diretor do hospital Gemelli, afirmou que o pontífice poderá retomar suas atividades de forma gradual, mas com um “estilo de vida mais calmo”. Ele destacou que o papa está completamente curado da pneumonia dupla, mas ainda há vestígios de vírus em seus pulmões. Por isso, a equipe desaconselhou encontros frequentes com grandes grupos para evitar novos contágios.
Durante a internação, Francisco manteve o bom humor, segundo os médicos, exceto em momentos em que seu quadro de saúde se agravou. Ele demonstrou alegria ao receber a notícia da alta e chegou a perguntar, dias antes, quando poderia retornar para casa. A equipe médica elogiou o comportamento do pontífice, descrevendo-o como um “paciente exemplar” que seguiu todas as recomendações.
A recuperação do papa é acompanhada de perto por fiéis ao redor do mundo, que aguardam seu retorno às atividades normais. A equipe médica reforçou a importância de evitar esforços excessivos e seguir as orientações para garantir uma recuperação completa.
Medida enfrenta resistência de procuradores democratas e pode resultar em demissões em massa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (20.mar.2025) um decreto que reduz drasticamente as atribuições do Departamento de Educação, cumprindo uma promessa de campanha. A medida já está sendo contestada por um grupo de procuradores-gerais estaduais democratas, que entraram com uma ação na semana passada para impedir o desmonte do departamento e suspender a demissão de quase metade da equipe.
O decreto determina que a Secretária de Educação, Linda McMahon, “tome todas as medidas necessárias para facilitar o fechamento do Departamento de Educação e devolva a autoridade educacional aos Estados”. A ordem também estabelece que programas financiados pelo departamento não devem “promover o DEI [diversidade, equidade e inclusão] ou a ideologia de gênero”, conforme informativo da Casa Branca.
Trump já havia defendido a eliminação do departamento em seu primeiro mandato, chamando-o de “um grande golpe” e alegando que investimentos na pasta são “desperdício de dinheiro”. No entanto, a proposta foi barrada pelo Congresso na época.
Demissões e reações
O decreto presidencial gerou reações imediatas, incluindo um post do bilionário Elon Musk, à frente do Departamento de Eficiência Governamental (Doge), que compartilhou uma imagem simbólica do “enterro” do Departamento de Educação. O governo Trump planeja reduzir ainda mais as agências federais, o que pode resultar em uma nova onda de demissões de milhares de funcionários públicos nas próximas semanas.
Até o momento, o Doge já supervisionou cortes de mais de 100 mil empregos na força de trabalho civil federal. No entanto, a eficiência dessas medidas tem sido questionada. Dezenas de ações judiciais contestam as demissões em massa, especialmente de trabalhadores em estágio probatório, além do fechamento abrupto de agências federais e o acesso a sistemas de computador confidenciais.
Críticas e impactos
Sindicatos, políticos democratas e especialistas em governança afirmam que a abordagem direta de Musk tem causado caos, levando à demissão e, em seguida, à recontratação de funcionários, sem demonstrar que o esforço de redução de custos está gerando economias significativas. Críticos também argumentam que o processo é uma estratégia para desmantelar agências e programas que há muito tempo são alvo de desconfiança do Partido Republicano.
A medida de Trump reflete uma longa tentativa dos republicanos de reduzir o financiamento e a influência do Departamento de Educação. Enquanto isso, a disputa judicial promete prolongar o debate sobre o futuro da educação nos Estados Unidos.
Ex-presidente discursa em evento judaico e fala sobre licença do filho, que permanece nos Estados Unidos para pressionar governo Trump
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) utilizou um evento judaico realizado nesta terça-feira (18.mar.2025), para destacar que seu filho, Eduardo Bolsonaro, decidiu permanecer nos Estados Unidos, licenciado do mandato de deputado federal, com o objetivo de “combater o nazifascismo que avança sobre o nosso País”. A declaração foi feita durante a cerimônia de abertura de uma exposição sobre o holocausto, no Espaço Senador Ivandro Cunha Lima, em Brasília.
Eduardo Bolsonaro anunciou mais cedo sua decisão de se licenciar temporariamente do Congresso Nacional e continuar nos Estados Unidos, onde está há 20 dias. O deputado federal alega perseguição por parte de autoridades brasileiras e afirma que sua permanência no exterior tem como objetivo pressionar o governo de Donald Trump em relação ao Brasil.
Durante o evento, que contou com a presença de autoridades, ativistas e representantes de entidades judaicas, Bolsonaro fez um discurso emocionado. “Hoje está sendo um dia marcante para mim. (Com) o afastamento de um filho, que se afasta mais do que por um momento de patriotismo. (Ele) se afasta para combater algo parecido com o nazifascismo que cada vez mais avança sobre o nosso País”, declarou o ex-presidente.
Bolsonaro também fez referências ao seu eleitorado evangélico, afirmando que o “exemplo de Israel está vivo em nossos corações” e que “sempre esteve ao lado de Deus”. Ele enviou um abraço ao primeiro-ministro de Israel por meio do embaixador israelense no Brasil, Daniel Zohar Zonshine, e relembrou o momento em que Donald Trump cumprimentou Eduardo Bolsonaro durante uma conferência de extrema direita nos Estados Unidos.
A exposição sobre o holocausto, que teve início nesta terça-feira, busca preservar a memória do povo judeu e destacar a importância de combater ideologias extremistas. O evento reuniu personalidades engajadas na luta contra o antissemitismo e na promoção dos direitos humanos.
A decisão de Eduardo Bolsonaro de se licenciar do mandato e permanecer nos Estados Unidos tem gerado debates políticos no Brasil. Enquanto alguns apoiadores defendem sua atitude como uma forma de proteger o país de influências extremistas, críticos questionam os reais motivos por trás da medida e sua eficácia em relação aos desafios enfrentados pelo Brasil.
A presença de Bolsonaro no evento judaico reforça sua proximidade com causas relacionadas à comunidade judaica e ao Estado de Israel, temas que frequentemente aparecem em seus discursos e ações políticas. O ex-presidente também destacou a importância de manter viva a memória do holocausto como forma de evitar a repetição de tragédias históricas.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados / Isac Nóbrega/PR / Marcos Corrêa/PR
Pontífice defende desarmamento e reflexão sobre conflitos em carta escrita no hospital
O papa Francisco, internado no Hospital Gemelli desde 14 de fevereiro devido a uma pneumonia bilateral, continua a se recuperar e a se manter atento aos acontecimentos globais. De acordo com os médicos, o pontífice, de 88 anos, apresenta pequenas melhoras com fisioterapia respiratória e motora, e seu estado de saúde é considerado estável.
Em uma carta enviada ao jornal Corriere della Sera, Francisco fez um apelo pelo fim dos conflitos no mundo, destacando a necessidade de “desarmamento das palavras, das mentes e da Terra”. Ele ressaltou que, em meio à sua fragilidade física, a guerra parece ainda mais absurda. “A fragilidade humana tem o poder de nos tornar mais lúcidos sobre o que dura e o que passa, o que nos mantém vivos e o que nos mata”, escreveu.
O papa também destacou o papel crucial da comunicação na construção de um mundo mais unido. “Nunca são apenas palavras: são ações que constroem ambientes humanos. Elas podem conectar ou dividir, servir à verdade ou fazer uso dela”, afirmou. Francisco pediu que jornalistas e comunicadores usem suas habilidades para promover a união e a reflexão, enfatizando a importância de “desmantelar palavras, desmantelar mentes e desmantelar a Terra”.
Além disso, o pontífice criticou a ineficácia da guerra como solução para conflitos, destacando que ela só traz devastação para comunidades e o meio ambiente. Ele defendeu a revitalização da diplomacia e das organizações internacionais, que, segundo ele, precisam recuperar credibilidade. Francisco também destacou o papel das religiões na promoção da paz, afirmando que elas podem reacender o desejo de fraternidade e justiça.
A carta do papa reflete sua visão de que a paz exige compromisso, trabalho, silêncio e palavras. Enquanto se recupera no hospital, Francisco continua a inspirar milhões ao redor do mundo com suas mensagens de esperança e união.
Ebrahim Rasool criticou o discurso de Trump de vitimização dos brancos
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou nessa sexta-feira (14) que Ebrahim Rasool, embaixador da África do Sul nos país, é persona non grata, chamando o enviado de “político que faz ataques raciais” e que odeia os Estados Unidos e o presidente Donald Trump.
“O embaixador da África do Sul nos Estados Unidos não é mais bem-vindo em nosso grande país”, disse Rubio em uma publicação na plataforma de mídia social X. “Não temos nada a discutir com ele e, portanto, ele é considerado PERSONA NON GRATA”, disse Rubio.
Rasool havia participado de um evento online no qual criticou a administração Trump, acusando o presidente norte-americano de adotar discursos próprios do supremacismo branco e criar uma narrativa onde os brancos são as vítimas em seu país.
Em nota, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, classificou como “lamentável” a decisão do governo norte-americano e afirmou que continuará trabalhando por uma boa relação entre os dois países.
“A Presidência insta todas as partes interessadas relevantes e impactadas a manterem o decoro diplomático estabelecido em seu envolvimento com o assunto. A África do Sul continua comprometida em construir um relacionamento mutuamente benéfico com os Estados Unidos da América”.
Distanciamento
Os laços entre os Estados Unidos e a África do Sul se deterioraram desde que Trump cortou a ajuda financeira dos EUA ao país, citando a desaprovação de sua política fundiária e a denúncia de genocídio apresentada pelo país africano contra Israel na Corte Internacional de Justiça. Israel é um aliado do governo norte-americano.
Trump disse, sem citar provas, que “a África do Sul está confiscando terras” e que “certas classes de pessoas” estão sendo tratadas “muito mal”. O bilionário Elon Musk, nascido na África do Sul e integrante do governo Trump, disse que os sul-africanos brancos têm sido vítimas de “leis racistas de propriedade”.
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, sancionou um projeto de lei em janeiro com o objetivo de possibilitar a expropriação de terras pelo Estado, sob argumento de interesse público; em alguns casos sem compensar o proprietário.
O objetivo da medida seria corrigir a política de desapropriação de terras da população negra ocorrida ainda na época do apartheid, regime de segregação racial ocorrido entre 1948 e 1994. Mais de 30 anos após o fim desse regime, a maioria das terras do país ainda pertence a uma minoria branca.
Ramaphosa defendeu a política e disse que o governo não havia confiscado nenhuma terra. Segundo ele, a política tinha como objetivo nivelar as disparidades raciais na propriedade de terras na nação de maioria negra.
Foto: Aaron Kittredge/Pexels / Element5 Digital/Pexels / Embaixada da África do Sul em Washington
Pontífice amplia sínodo dos bispos e discute inclusão de mulheres e LGBTQ+ na igreja
O Vaticano anunciou neste sábado que o Papa Francisco aprovou um novo processo de três anos para considerar reformas na Igreja Católica global. A decisão foi tomada enquanto o pontífice de 88 anos está internado no hospital Gemelli, em Roma, onde se recupera de uma pneumonia dupla. A medida indica que Francisco planeja continuar como papa, apesar de sua saúde frágil.
O Sínodo dos Bispos, uma iniciativa central do papado de Francisco, será ampliado para incluir consultas com católicos de todo o mundo nos próximos três anos. O objetivo é discutir reformas significativas, como a possibilidade de mulheres servirem como diaconisas e uma melhor inclusão de pessoas LGBTQ+ na Igreja. Uma nova cúpula está prevista para 2028.
Francisco aprovou o novo processo na terça-feira, enquanto ainda estava hospitalizado. Ele está internado há mais de um mês, e sua prolongada ausência pública gerou especulações sobre uma possível renúncia, seguindo os passos de seu antecessor, Bento XVI. No entanto, amigos e biógrafos do papa insistem que ele não tem planos de renunciar.
O cardeal Mario Grech, líder do processo de reforma, afirmou ao canal de mídia do Vaticano que o papa está ajudando a impulsionar a renovação da Igreja. “Este é realmente um sinal de esperança”, disse Grech.
Desde que assumiu o papado em 2013, Francisco tem sido visto como um líder que busca modernizar a Igreja Católica. No entanto, sua agenda de reformas tem causado controvérsia entre alguns setores mais conservadores da Igreja, incluindo cardeais seniores. Eles criticam o papa por diluir os ensinamentos da Igreja em questões como casamento entre pessoas do mesmo sexo, divórcio e novo casamento.
Massimo Faggioli, acadêmico norte-americano especializado no papado, destacou que o novo processo de reforma é uma forma de Francisco reafirmar sua liderança sobre os 1,4 bilhão de católicos do mundo. “O pontificado de Francisco não acabou, e esta decisão que ele tomou sobre o que acontecerá entre agora e 2028 terá um efeito no resto dele”, afirmou Faggioli, professor da Universidade Villanova.
A cúpula do Vaticano realizada em outubro do ano passado não resultou em ações concretas sobre as reformas propostas, o que levantou dúvidas sobre a força do papado de Francisco. Na época, autoridades do Vaticano disseram que o papa ainda estava considerando mudanças futuras e aguardava relatórios detalhados sobre possíveis reformas, que devem ser entregues em junho.
Os últimos boletins médicos do Vaticano indicam que o estado de saúde do papa está melhorando, e ele não corre mais risco imediato de morte. No entanto, ainda não há previsão para sua alta hospitalar.
Decisão judicial impede deportação de imigrantes venezuelanos por 14 dias após ação de grupos de direitos civis
Um juiz federal dos Estados Unidos bloqueou temporariamente, neste sábado (15.mar.2025), a deportação de venezuelanos sem documentos após uma ação judicial movida por dois grupos sem fins lucrativos. A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e o Democracy Forward argumentaram que o governo poderia invocar a Lei de Inimigos Estrangeiros de 1798, uma legislação de guerra, para acelerar a remoção de imigrantes.
A decisão do juiz James Boasberg, do tribunal federal do Distrito de Columbia, impediu a deportação de cinco venezuelanos por 14 dias. Os grupos alegam que os venezuelanos estão buscando asilo nos EUA e que o uso da lei de guerra seria ilegal, já que ela só foi aplicada em conflitos bélicos, como a Guerra de 1812 e as duas Guerras Mundiais.
A ACLU e o Democracy Forward afirmaram que a lei de guerra não pode ser usada em tempos de paz e que sua aplicação atual seria inconstitucional. O governo dos EUA já recorreu da decisão, e novas audiências estão marcadas para este sábado e segunda-feira.
Os grupos também pedirão que a ordem de restrição temporária seja estendida a todos os imigrantes que possam ser afetados pela lei. Durante a Segunda Guerra Mundial, a legislação foi usada para justificar a detenção forçada de nipo-americanos em campos de concentração, um episódio pelo qual o governo se desculpou formalmente em 1988.
A Casa Branca não se manifestou sobre o caso. A decisão judicial ocorre em meio a tensões sobre a política migratória dos EUA, que tem sido alvo de críticas de organizações de direitos humanos.