Sem Senado, oito governadores ficam nos cargos e mudam o jogo eleitoral
Editorial POR DENTRO DO RN

A decisão de ao menos oito governadores brasileiros de permanecerem em seus cargos até o fim do mandato, abrindo mão de disputar eleições em 2026, representa uma mudança significativa no comportamento político recente do país. Ao contrário do movimento tradicional — sobretudo a busca por uma vaga no Senado — esses líderes optaram por priorizar o controle da sucessão estadual, em uma estratégia que combina cautela, pragmatismo e leitura apurada do cenário político.
Historicamente, deixar o cargo antes do término do mandato sempre foi uma escolha recorrente entre governadores. O Senado aparecia como destino natural para lideranças que buscavam manter protagonismo político e influência nacional. No entanto, o atual contexto revela um ambiente mais complexo, marcado por disputas locais, rearranjos partidários e, especialmente, tensões com vices.
Nomes como Ratinho Junior e Eduardo Leite ilustram bem esse novo momento. Ambos chegaram a ser cogitados em cenários nacionais, inclusive com possibilidades de protagonismo em disputas maiores, mas optaram por permanecer à frente de seus estados, priorizando a condução da sucessão.
Relação com vices pesa na decisão
Um dos fatores determinantes para essa mudança de estratégia é a relação entre governadores e seus vices. Ao longo dos mandatos, divergências políticas e interesses eleitorais distintos transformaram alianças institucionais em disputas abertas em diversos estados.
Diante desse cenário, muitos governadores evitaram renunciar para não transferir o comando do Executivo a vices que, em alguns casos, passaram a atuar como adversários políticos. A permanência no cargo, portanto, surge como uma forma de preservar o controle da máquina pública e evitar riscos em um momento decisivo.
O caso do Rio Grande do Norte
No Rio Grande do Norte, a situação é emblemática. A governadora Fátima Bezerra decidiu permanecer no cargo após o rompimento com o vice Walter Alves. A escolha impede não apenas a transferência direta do governo, mas também evita um cenário de instabilidade institucional, como a possibilidade de uma eleição indireta para um mandato-tampão.
A decisão também rompe com a tradição política local. Historicamente, governadores do RN deixaram o cargo para disputar o Senado, com resultados distintos. Garibaldi Alves Filho conseguiu êxito ao trilhar esse caminho, enquanto Wilma de Faria não obteve sucesso ao tentar a mesma estratégia.
Permanência amplia influência política
Ao optar por permanecer no cargo, governadores mantêm forte capacidade de articulação política. Isso inclui a formação de alianças, a montagem de palanques eleitorais e a condução direta do processo sucessório em seus estados.
No caso de Fátima Bezerra, a estratégia também dialoga com o cenário nacional, ao fortalecer a base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado. A permanência no governo permite uma atuação mais direta na construção de um palanque competitivo no Nordeste, região-chave nas disputas presidenciais.
Sucessão no centro do jogo
A escolha desses governadores evidencia uma mudança de foco: a sucessão estadual tornou-se prioridade absoluta. No Rio Grande do Norte, esse movimento se traduz na construção de um nome capaz de dar continuidade ao atual projeto político.
Nesse contexto, surge com força o nome de Cadu Xavier, apontado como possível candidato ao governo com apoio da atual gestão. A viabilidade dessa candidatura, no entanto, dependerá da capacidade de articulação e da construção de consensos dentro da base aliada.
Os desafios que estão por vir
A permanência no cargo, mais do que uma decisão individual, reflete uma transformação na lógica política brasileira. Em vez de buscar novos mandatos, governadores passam a priorizar o controle do processo sucessório, entendendo que a influência local pode ser mais determinante do que um novo cargo eletivo.
No Rio Grande do Norte, a decisão de Fátima Bezerra simboliza esse novo momento. Ao abrir mão de uma candidatura ao Senado, a governadora assume o desafio de construir uma sucessão viável e manter a unidade de seu grupo político em um cenário naturalmente fragmentado.
A consolidação desse projeto passa, inevitavelmente, pela capacidade de unir diferentes forças em torno de um objetivo comum. Em um ambiente político marcado por disputas e reconfigurações, o sucesso dessa estratégia poderá definir não apenas o futuro do estado, mas também influenciar o comportamento político em outras regiões do país.
Foto: Elisa Elsie/Governo do RN
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