Seleção volta a entrar em ação na próxima terça contra o Japão
A seleção brasileira goleou a Coreia do Sul por 5 a 0 em partida amistosa, e mostrou que começa a evoluir sob o comando do técnico italiano Carlo Ancelotti quando falta pouco menos de um ano para o início da próxima Copa do Mundo. A principal virtude do Brasil, na partida disputada nesta sexta-feira (10) no Estádio da Copa do Mundo de Seul, em Seul, foi o bom entendimento do quarteto ofensivo formado por Estêvão, Matheus Cunha, Vinicius Júnior e Rodrygo.
No aspecto individual as boas notícias são o bom futebol apresentado por Rodrygo, que no Real Madrid (Espanha) vive um momento de incerteza desde a chegada do técnico espanhol Xabi Alonso, e o maior protagonismo de Estêvão, que coroou sua boa atuação com dois gols. Atitude da seleção
Mesmo sob chuva fina e baixas temperaturas, o Brasil mostrou desde os primeiros minutos de bola rolando a atitude que o técnico Carlo Ancelotti falou, em entrevista coletiva, que seria necessária para compensar a falta de treinos para alcançar as vitórias.
Assim, a seleção brasileira abriu o placar logo aos 12 minutos do primeiro tempo. Após boa trama coletiva, Bruno Guimarães deu passe de qualidade para Estêvão, que precisou de apenas um toque para superar o goleiro Jo Hyeon-Woo. Com o bom futebol apresentado o Brasil conseguiu ampliar antes do intervalo. Aos 40 minutos, Vinicius Júnior deu passe para o meio da área, onde Rodrygo fez corta-luz e Casemiro dominou e tocou para o camisa 10, que se livrou da marcação com um drible antes de bater colocado para marcar.
Mesmo com a boa vantagem construída no primeiro tempo, a equipe canarinho manteve o controle das ações após o intervalo. E o Brasil precisou de apenas um minuto para chegar ao terceiro gol. E o lance nasceu do comprometimento de Estêvão, que roubou a bola na entrada da área e bateu cruzado para marcar pela segunda vez na partida.
A seleção brasileira precisou de apenas mais dois minutos para ampliar sua vantagem graças a uma nova falha da defesa adversária. Casemiro aproveitou o vacilo e encontrou Vinicius Júnior, que serviu Rodrygo, que não perdoou. Mas ainda faltava o gol de Vini. E o jogador do Real Madrid deu números finais ao marcador aos 32 minutos, quando, em jogada de contra-ataque, Matheus Cunha lançou em profundidade para camisa sete do Brasil, que, com grande liberdade, partiu em velocidade para bater na saída do goleiro adversário.
Após medir forças com os sul-coreanos, o Brasil encarará o Japão, na próxima terça-feira (14) a partir das 7h30 no Estádio Ajinomoto, em Tóquio.
Presidente dos EUA afirma que diálogo com Lula abordou economia e comércio e antecipa futuras reuniões bilaterais
Trump diz ter gostado de conversa com Lula e prevê novos encontros entre EUA e Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (6) que teve uma conversa considerada positiva com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi feita por meio das redes sociais do chefe do Executivo norte-americano.
Segundo Trump, o diálogo entre os dois líderes teve como foco principal temas relacionados à economia e ao comércio bilateral. O presidente norte-americano indicou que a conversa foi produtiva e que há expectativa de continuidade nas tratativas entre os dois países.
De acordo com a publicação, Trump mencionou que novos encontros entre os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil devem ocorrer em breve. Ele destacou que essas reuniões podem acontecer tanto em território brasileiro quanto em solo norte-americano, sinalizando a intenção de estreitar os laços diplomáticos e comerciais entre as duas nações.
A manifestação de Trump ocorre em um momento de reaproximação entre os governos dos dois países, após períodos de distanciamento em gestões anteriores. A sinalização de futuras reuniões pode indicar uma tentativa de fortalecer a cooperação bilateral em áreas estratégicas, como comércio exterior, investimentos, meio ambiente e segurança.
Trump
O comércio entre Brasil e Estados Unidos tem se mantido como uma das principais relações econômicas internacionais do país sul-americano. Os Estados Unidos figuram entre os maiores parceiros comerciais do Brasil, tanto em exportações quanto em importações. Produtos como petróleo, minério de ferro, aviões, máquinas e produtos agrícolas estão entre os principais itens comercializados entre as duas nações.
Além do comércio, a cooperação em temas como meio ambiente, segurança regional, ciência e tecnologia também tem sido pauta recorrente em encontros diplomáticos anteriores. A retomada de um diálogo mais frequente entre os presidentes pode abrir espaço para novos acordos e parcerias estratégicas.
A publicação de Trump nas redes sociais não detalhou a data exata da conversa com Lula, tampouco os canais utilizados para o contato. Também não foram divulgadas informações adicionais sobre os temas específicos abordados ou eventuais acordos firmados durante o diálogo.
A Presidência da República do Brasil ainda não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo da conversa ou sobre a possibilidade de encontros futuros. No entanto, fontes do governo brasileiro indicam que há interesse em manter uma agenda de cooperação com os Estados Unidos, especialmente em áreas como transição energética, investimentos em infraestrutura e ampliação de mercados para produtos brasileiros.
A sinalização de Trump sobre um possível encontro presencial com Lula reforça a importância da diplomacia presidencial na condução das relações exteriores. Reuniões entre chefes de Estado costumam ser estratégicas para a definição de políticas bilaterais e para a construção de consensos em fóruns multilaterais.
A expectativa é que, nos próximos meses, haja avanços nas tratativas para a realização de um encontro oficial entre os presidentes. A depender da agenda internacional e dos compromissos internos de ambos os líderes, a reunião poderá ocorrer ainda este ano.
Foto: Joyce N. Boghosian/Mark Garten/Fotos Públicas
Vice-presidente citou nova exclusão de produtos de tarifaço
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que é também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, afirmou neste sábado (4), em Brasília, que houve novos avanços na redução de tarifas do governo dos Estados Unidos (EUA) sobre produtos brasileiros. Isso ocorreu, observou, após o rápido encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente norte-americano, Donald Trump, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, no fim de setembro.
“Depois da conversa do presidente Lula com o presidente Trump, esta semana, segunda-feira (29), alguns produtos, como madeira macia e serrada, [que] estavam em 50%, passaram para 10%. Armário, móveis, sofá, tem ali o detalhamento dos produtos, estava em 50%, passaram para 25%. E o que é a Seção 232 [da Lei de Comércio dos EUA]? Nós e o mundo estamos iguais. Então, quando você fala armário, móvel, é 25% para o Brasil e para o mundo todo, você não perde competitividade”, afirmou Alckmin durante visita a uma concessionária de automóveis na capital federal. Segundo ele, a retirada desses produtos do tarifaço de 50% significa exclusão de US$ 370 milhões em produtos brasileiros exportados.
A Seção 232 da Lei de Expansão Comercial norte-americana, mencionada por Alckmin, é usada pelo país para taxar todos os países de forma simultânea.
“Eu acho que o encontro do presidente Lula com o presidente Trump em Nova York foi importante, foi um primeiro passo e temos muita convicção de que teremos próximos passos aí. Não há razão para manter essa tarifa, já que os Estados Unidos são superavitários na relação comercial conosco. Eles vendem mais pra gente do que nós para eles”, acrescentou Alckmin.
O vice-presidente tem sido o principal interlocutor brasileiro junto ao governo dos EUA e vem mantendo diálogo direto com o secretário de Comércio do país norte-americano, Howard Lutcnick, com quem conversou esta semana. Carro sustentável
Ao visitar uma loja de automóveis em Brasília, Alckmin citou números da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) para comemorar o aumento expressivo na venda de carros novos desde o lançamento do programa Carro Sustentável, que zera impostos e concede estímulos para a comercialização de veículos de entrada fabricados no Brasil e que obedecem a critérios de sustentabilidade.
“Do dia 11 de julho, quando foi lançado o Carro Sustentável, até 30 de setembro, as vendas aumentaram 28,2%. O carro sustentável tem importância ambiental, ele polui menos, não pode passar de 83 gramas de CO2 por quilômetro rodado, é flex, fabricado no Brasil e com 80% de reciclabilidade. Tem importância social porque é o carro de entrada, o carro mais barato, reduzindo ainda mais o preço”, destacou Alckmin.
Lula e Trump ainda devem ter um encontro virtual ou presencial, em data a ser anunciada. Foi o que ambos combinaram após o encontro em Nova York, há duas semanas.
Foto: Mark Garten via Fotos Públicas / Cadu Gomes/VPR
Grupo palestino sinaliza disposição para libertar reféns e negociar plano proposto pelos Estados Unidos; Israel ainda não comentou oficialmente
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (4) que Israel precisa parar imediatamente os bombardeios em Gaza. A declaração foi feita após o Hamas indicar que aceitou a proposta de paz apresentada por Washington e se mostrou disposto a iniciar negociações mediadas para discutir os detalhes do acordo.
Em publicação na plataforma Truth Social, Trump disse acreditar que o Hamas está “pronto para uma paz duradoura”. O presidente norte-americano escreveu que “Israel precisa parar imediatamente o bombardeio de Gaza, para que possamos retirar os reféns com segurança e rapidez”.
Trump afirmou ainda que “já estão sendo discutidos os detalhes a serem resolvidos” e que o objetivo vai além da Faixa de Gaza, tratando-se de uma “paz há muito buscada no Oriente Médio”.
Hamas aceita proposta e diz estar pronto para negociações
De acordo com uma cópia da resposta do Hamas, obtida pela agência Reuters, o grupo afirmou que está disposto a libertar todos os reféns israelenses, vivos ou mortos, conforme os termos da proposta de Trump. A carta também expressa “apreciação pelos esforços árabes, islâmicos e internacionais” em busca do fim da guerra na Faixa de Gaza.
O Hamas destacou que está “pronto para entregar a administração da Faixa de Gaza a um corpo palestino de independentes (tecnocratas) baseado no consenso nacional palestino e apoiado por países árabes e islâmicos”. O grupo reafirmou disposição para iniciar imediatamente as negociações por meio dos mediadores.
Entretanto, o texto não menciona se o Hamas aceita se desarmar ou desmilitarizar Gaza, condições exigidas por Israel e pelos Estados Unidos, mas já rejeitadas anteriormente pelo grupo.
Reações e movimentações após o anúncio
Trump publicou uma cópia da carta do Hamas em sua página na Truth Social. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, compartilhou uma imagem no X mostrando o presidente gravando uma resposta à “aceitação do Hamas de seu Plano de Paz”.
Até o momento, Israel não comentou oficialmente sobre a posição do Hamas. Testemunhas em Gaza relataram que, após a declaração do grupo, aviões israelenses intensificaram bombardeios na Cidade de Gaza, atingindo casas no bairro de Remal e locais em Khan Younis, sem relatos de vítimas.
Uma autoridade sênior do Hamas declarou à emissora Al Jazeera que o grupo não se desarmará antes do fim da ocupação israelense do enclave, reforçando divergências em relação às exigências de Israel.
O Catar informou que iniciou coordenação com o Egito e os Estados Unidos para continuar as conversas sobre a proposta norte-americana, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em publicação no X.
Detalhes do plano proposto pelos Estados Unidos
O plano de paz apresentado por Trump prevê cessar-fogo imediato, troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos, retirada israelense de Gaza, desarmamento do Hamas e criação de um governo de transição liderado por um órgão internacional.
O Hamas declarou apoio à libertação de todos os prisioneiros israelenses “de acordo com a fórmula de troca contida na proposta”, com as “condições de campo necessárias para implementar a troca”.
A proposta também inclui a entrada imediata de ajuda humanitária e o fim das hostilidades na região.
Trump impõe prazo e alerta para consequências
Mais cedo, Trump havia estabelecido um prazo até domingo (5), às 19h (horário de Brasília), para que o Hamas aceitasse o acordo. O presidente alertou que “todo o inferno” se instalaria em Gaza caso o grupo não concordasse com os termos.
“Um acordo precisa ser alcançado até domingo. Todos os países assinaram! Se esse acordo de última chance não for alcançado, todo o inferno, como nunca visto antes, se desencadeará contra o Hamas”, escreveu Trump no Truth Social.
Após apresentar a proposta a países árabes e muçulmanos, Trump recebeu o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca, que endossou o documento, afirmando que ele atendia aos objetivos de guerra de Israel.
O Hamas não participou das negociações que resultaram na formulação da proposta norte-americana.
Itamaraty exige acesso consular; 12 brasileiros tiveram prisão confirmada, enquanto outros dois seguem desaparecidos após ação em águas internacionais
O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota nesta quinta-feira (2) exigindo a libertação imediata dos brasileiros detidos por forças israelenses após a interceptação da Global Sumud Flotilha, que navegava rumo à Faixa de Gaza. O governo também cobrou acesso consular e responsabilizou Israel por atos cometidos contra os ativistas.
Segundo a organização da flotilha, composta por cerca de 50 embarcações e 443 voluntários de 47 países, a interceptação ocorreu em águas internacionais na noite de quarta-feira (1º). Entre os detidos estão 12 brasileiros, incluindo parlamentares e lideranças políticas e sociais.
Posição do governo brasileiro
Na nota, o Itamaraty afirmou ter notificado a chancelaria israelense e destacou que a ação viola o direito internacional de liberdade de navegação, previsto por convenções da ONU. O texto também reforçou que operações de caráter humanitário não podem ser impedidas e pediu o fim do bloqueio à Faixa de Gaza.
“O Brasil exorta o governo israelense a liberar imediatamente os cidadãos brasileiros e demais defensores de direitos humanos detidos”, informou o comunicado. O governo brasileiro também exigiu visitas da Embaixada do Brasil em Tel Aviv aos ativistas.
Brasileiros detidos e incomunicáveis
Passadas 24 horas da interceptação, os brasileiros permanecem sem contato com autoridades diplomáticas. Segundo Lara Souza, coordenadora da delegação brasileira, os ativistas estariam sendo interrogados em Ashdod, Israel, mas não tiveram acesso à embaixada do Brasil.
A Embaixada brasileira foi impedida de acompanhar os procedimentos, sob a justificativa do feriado de Yom Kippur. A informação oficial é de que o atendimento consular só será retomado a partir desta sexta-feira (3).
Os 12 brasileiros que tiveram a prisão confirmada são: Thiago Ávila; Bruno Gilga; Lisiane Proença; Magno Costa; a vereadora Mariana Conti (PSOL-SP); Ariadne Telles; Mansur Peixoto; Gabriele Tolotti; Mohamad El Kadri; Lucas Gusmão; a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE); além de Nicolas Calabrese, argentino com residência no Brasil.
Desaparecidos e familiares em busca de informações
Dois brasileiros seguem sem confirmação de paradeiro: João Aguiar, que estava no barco Mikeno, e Miguel Viveiros de Castro, a bordo do Catalina. Ambos perderam contato com os organizadores da flotilha desde a interceptação.
Os organizadores exigem que Israel informe oficialmente a localização dos dois. “Exigimos que sejam confirmados, de forma nominal, os cidadãos brasileiros sequestrados pelas forças israelenses, e que seja imediatamente informado o paradeiro de João Aguiar e Miguel de Castro”, diz a nota da Global Sumud Flotilha.
Familiares também se manifestaram. Luiz Rodolfo Viveiros de Castro relatou que não tem notícias do enteado Miguel e pediu a confirmação das autoridades sobre sua situação.
No caso de Mohamad El Kadri, de 62 anos, que teve a prisão confirmada, a família divulgou vídeo protocolar gravado antes da viagem, no qual ele afirma que só seria publicado em caso de prisão.
Condenação internacional e resposta de Israel
A interceptação recebeu críticas de diferentes setores internacionais. O Ministério das Relações Exteriores de Israel, em nota, informou que todos os passageiros estão em boas condições de saúde e que seriam deportados para a Europa após procedimentos em território israelense.
Até o final da manhã desta quinta-feira, 12 brasileiros tiveram a detenção confirmada e dois permanecem desaparecidos. Segundo os organizadores da flotilha, cerca de 500 pessoas foram capturadas no total.
Presidente do Supremo aguarda fim do julgamento da trama golpista para avaliar medidas
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou nesta sexta-feira (26) que a Corte não descarta reagir às sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos contra integrantes do tribunal. Segundo ele, qualquer medida só será analisada após a conclusão do julgamento dos envolvidos na trama golpista atribuída ao governo de Jair Bolsonaro.
Barroso foi questionado sobre como os ministros receberam as sanções aplicadas pela administração norte-americana. Ele explicou que aguarda o fim do processo para avaliar o caso. “A ideia é esperar acabar o julgamento para pensar em qualquer eventual medida, seja política ou judicial”, declarou.
Sanções contra ministros
Até o momento, pelo menos seis ministros do Supremo foram alvo das medidas anunciadas pelo governo do presidente Donald Trump. Entre as ações estão a suspensão de vistos de viagem aos Estados Unidos e a aplicação da Lei Magnitsky, legislação que prevê punições a pessoas acusadas de envolvimento em corrupção ou violações de direitos humanos.
Foram atingidos pelas sanções, além do presidente do STF, os ministros Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. O ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos da trama golpista, também foi incluído, assim como sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Os ministros Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux não foram citados entre os alvos das medidas.
Julgamento da trama golpista
O julgamento no Supremo foi dividido em quatro núcleos. O primeiro, que incluiu o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados, já foi concluído, com condenações. Os demais núcleos, 2, 3 e 4, devem ser apreciados até o fim deste ano.
Barroso destacou que a Corte aguarda o desfecho desses julgamentos antes de avaliar uma reação institucional. Segundo ele, medidas políticas ou judiciais só serão consideradas após a conclusão das análises dos casos.
Discurso sobre pacificação
Durante sua fala, Barroso também comentou a situação política no país e defendeu a necessidade de pacificação. “Quem teme ser preso [pela trama golpista] está querendo briga, e não pacificação. A minha única frustração foi não ter conseguido fazer a pacificação”, disse.
Transição na presidência do STF
Na próxima segunda-feira (29), haverá a posse dos novos dirigentes da Corte. O ministro Edson Fachin assumirá o cargo de presidente, enquanto Alexandre de Moraes ocupará a vice-presidência. Barroso encerrará, assim, seu mandato de dois anos à frente do Supremo Tribunal Federal.
Foto: Antonio Augusto/STF / Antonio Augusto/STF / Luiz Silveira/STF
Medida entra em vigor em 1º de outubro e exclui empresas que constroem fábricas nos Estados Unidos
Trump anuncia tarifa de 100% sobre produtos farmacêuticos importados
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que será aplicada uma tarifa de 100% sobre a importação de produtos farmacêuticos de marca ou patenteados a partir de 1º de outubro. A medida exclui empresas que estejam construindo fábricas de produção farmacêutica em território americano.
Segundo o anúncio, não haverá cobrança da tarifa para empresas que já iniciaram obras de construção de unidades fabris nos Estados Unidos. A decisão faz parte de uma política comercial voltada à proteção da indústria nacional e à redução da dependência de medicamentos importados.
A nova tarifa deve impactar diretamente medicamentos vindos da Europa, Índia e outros países que exportam para os Estados Unidos. Produtos como vacinas, hormônios, culturas biológicas e medicamentos embalados estão entre os itens sujeitos à nova taxação.
A medida não se aplica a medicamentos genéricos, que representam uma parcela significativa das importações de alguns países. A exclusão de empresas com fábricas em construção visa incentivar a produção local e atrair investimentos para o setor farmacêutico norte-americano.
Trump anuncia tarifa
Representantes da indústria farmacêutica manifestaram preocupação com os efeitos da tarifa sobre os custos dos medicamentos e o acesso da população aos tratamentos. A possibilidade de aumento nos preços e de escassez de produtos essenciais está entre os pontos levantados por especialistas do setor.
Além dos produtos farmacêuticos, o governo anunciou tarifas adicionais sobre outros segmentos. Caminhões pesados serão taxados em 25%, enquanto móveis e itens de cozinha e banheiro poderão ter tarifas de até 50%. As medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla de reindustrialização e fortalecimento da produção interna.
Empresas farmacêuticas internacionais já começaram a avaliar os impactos da nova política comercial. A expectativa é de que algumas delas acelerem projetos de construção nos Estados Unidos para evitar a aplicação das tarifas.
A nova política tarifária entra em vigor em 1º de outubro e deve provocar mudanças significativas na dinâmica do mercado farmacêutico norte-americano, com reflexos na cadeia global de produção e distribuição de medicamentos.
Presidente brasileiro destaca importância do diálogo com Donald Trump após encontro na ONU
Lula diz que reunião Brasil-EUA vai acabar com o mal-estar
Lula diz que reunião Brasil-EUA vai acabar com o mal-estar entre os países. A declaração foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na terça-feira (23), em Nova York, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
O presidente brasileiro celebrou o encontro com Trump e afirmou que o diálogo entre os dois líderes pode contribuir para uma pauta positiva entre as duas maiores economias do continente. Lula destacou que há interesses comuns nas áreas industrial, tecnológica e digital, e que o Brasil está aberto ao debate com os Estados Unidos.
Durante coletiva de imprensa na quarta-feira (24), Lula afirmou que respeita o presidente norte-americano independentemente de afinidades pessoais. Segundo ele, o respeito institucional deve prevalecer nas relações diplomáticas. O presidente também declarou que não há vetos sobre os temas que podem ser discutidos com Trump, mas reforçou que a soberania brasileira não está em negociação.
O encontro entre os dois líderes ocorreu após o discurso de Trump na ONU, no qual o presidente norte-americano mencionou Lula de forma amistosa, apesar de ter feito críticas ao Brasil. Ambos acertaram uma nova conversa para os próximos dias. Lula afirmou que está otimista com a possibilidade de marcar esse encontro o mais rápido possível.
reunião Brasil-EUA
Segundo o presidente brasileiro, o objetivo é superar o mal-estar que se formou entre os dois países nos últimos anos. Lula disse que ficou satisfeito com a “química” entre ele e Trump durante o encontro e que vê espaço para avançar em temas de interesse mútuo.
O Palácio do Planalto informou que Lula deixa os Estados Unidos ainda na quarta-feira (24) e deve desembarcar em Brasília na manhã de quinta-feira (25). A agenda oficial do presidente incluiu participação na Assembleia Geral da ONU e reuniões bilaterais com líderes internacionais.
Durante o discurso na ONU, Trump anunciou que convidou Lula para um novo encontro na semana seguinte. A iniciativa foi vista como um gesto de aproximação entre os governos, que têm mantido relações diplomáticas formais, mas com divergências em temas como meio ambiente, comércio e política externa.
A reunião entre Lula e Trump marca um novo capítulo nas relações Brasil-EUA. A expectativa é que os próximos encontros possam consolidar uma agenda de cooperação em áreas estratégicas, respeitando os interesses e a soberania de cada país.
Vice-presidente pode participar de reunião virtual entre Lula e Trump para tratar de tarifas comerciais
Lula deve incluir Alckmin em conversa com Trump sobre tarifaço
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve incluir o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) em uma reunião virtual com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa está prevista para ocorrer por telefone ou videoconferência na próxima semana, segundo informações do chanceler Mauro Vieira.
Além de Lula e Alckmin, também devem participar da reunião o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o assessor especial da Presidência, Celso Amorim. A presença de Alckmin é considerada estratégica, já que ele tem liderado as negociações com o governo norte-americano sobre o chamado tarifaço — conjunto de medidas tarifárias que afetam produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.
O vice-presidente já manifestou disposição para viajar aos Estados Unidos, caso haja abertura para negociações presenciais. No entanto, a reunião com Trump será realizada de forma remota, mantendo o foco nas tratativas comerciais.
Lula deve incluir Alckmin
O governo brasileiro não espera que o encontro resulte na revogação imediata das tarifas impostas pelos Estados Unidos. A expectativa é que Lula utilize a reunião para reafirmar que o Palácio do Planalto não interfere em decisões judiciais, especialmente no caso envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A intenção é destacar que o sistema judicial brasileiro é independente e que Bolsonaro teve acesso ao devido processo legal.
Durante a conversa, o governo brasileiro deve reiterar pedidos do setor produtivo para a isenção de tarifas sobre produtos como café e carne bovina. Esses itens têm enfrentado barreiras comerciais que impactam diretamente a competitividade dos exportadores brasileiros.
Por outro lado, há expectativa de que os Estados Unidos reforcem a defesa da redução da tarifa sobre o etanol americano. O tema tem sido tratado como prioritário nas negociações bilaterais, especialmente por envolver interesses econômicos de ambos os países.
A reunião também será uma oportunidade para alinhar posições diplomáticas e comerciais entre os dois governos. Embora não haja previsão de acordos concretos, o encontro é visto como um passo importante para manter o diálogo aberto e fortalecer a cooperação entre Brasil e Estados Unidos.
A participação de Alckmin na reunião reforça o papel do vice-presidente nas articulações internacionais do governo Lula. Desde o início do mandato, Alckmin tem atuado em frentes econômicas e comerciais, buscando ampliar o acesso de produtos brasileiros a mercados internacionais.
O chanceler Mauro Vieira e o assessor Celso Amorim devem contribuir com informações técnicas e diplomáticas durante a conversa, garantindo que os principais pontos de interesse do Brasil sejam apresentados de forma clara e objetiva.
A reunião entre Lula e Trump ocorre em um contexto de tensões comerciais e políticas, mas também representa uma oportunidade para reafirmar compromissos bilaterais e buscar soluções negociadas para questões tarifárias que afetam diretamente o setor produtivo brasileiro.
Fotos: Ricardo Stuckert/PR/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Presidentes dos EUA e do Brasil se encontraram brevemente na ONU e devem se reunir na próxima semana
Trump combina encontro com Lula e diz que tiveram “química excelente”
Durante a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York, os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil tiveram um breve encontro nos bastidores do evento. O chefe de Estado norte-americano afirmou que houve uma boa interação entre ambos e que está previsto um novo encontro na semana seguinte.
O contato ocorreu após discursos oficiais de ambos os líderes. O presidente brasileiro abordou temas relacionados à soberania nacional e à democracia, enquanto o presidente norte-americano respondeu com declarações sobre tarifas comerciais e relações bilaterais.
O encontro informal foi marcado por gestos de cordialidade e pela sinalização de abertura para diálogo. A reunião futura, ainda não confirmada oficialmente, poderá tratar de temas como comércio exterior, sanções aplicadas a autoridades brasileiras e cooperação internacional.
Durante o evento, o presidente dos Estados Unidos mencionou medidas de retaliação comercial contra o Brasil, justificadas por práticas consideradas desfavoráveis aos interesses norte-americanos. Também foram feitas declarações sobre a importância da soberania nacional e da defesa dos direitos dos cidadãos.
Trump combina encontro com Lula
A aproximação entre os dois governos ocorre em meio a tensões diplomáticas, com sanções aplicadas a exportações brasileiras e a membros do governo. A expectativa é que o encontro previsto contribua para a reavaliação das relações bilaterais e para o avanço de negociações em áreas estratégicas.
Foto: Molly Riley/Joyce N. Boghosian/Fotos Públicas
Viviane Barci de Moraes e instituto jurídico têm bens bloqueados e restrições financeiras nos Estados Unidos
EUA sancionam esposa de Alexandre de Moraes com Lei Magnitsky
O governo dos Estados Unidos sancionou Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky. A decisão foi publicada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro norte-americano.
Com a sanção, todos os bens que Viviane possa possuir em território americano foram bloqueados. A medida também impede que ela realize transações financeiras com cidadãos e empresas dos Estados Unidos, incluindo o uso de cartões de crédito com bandeira americana.
Além de Viviane, o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa sediada em São Paulo da qual ela é sócia, também foi incluído na lista de sanções. A organização atua no setor de treinamento jurídico e desenvolvimento profissional.
A sanção amplia o escopo das medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras envolvidas em decisões judiciais relacionadas à tentativa de golpe de Estado. Alexandre de Moraes já havia sido alvo de sanções semelhantes anteriormente.
EUA sancionam esposa de Alexandre de Moraes
A inclusão de Viviane Barci na lista foi justificada pela ligação direta com o ministro. Não foram apresentadas acusações específicas contra ela. A medida também atinge qualquer empresa com participação ou vínculo com a advogada.
A Lei Magnitsky permite ao governo dos Estados Unidos aplicar sanções econômicas contra indivíduos estrangeiros acusados de corrupção ou de graves violações de direitos humanos. As punições incluem bloqueio de bens, restrições financeiras e proibição de entrada no país.
A decisão ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, intensificadas após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. O governo norte-americano já havia revogado vistos de ministros do STF e seus familiares.
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Presidente brasileiro participa da Assembleia Geral da ONU em meio a tensões diplomáticas com os Estados Unidos
Lula discursa na ONU e pode encontrar Trump pela primeira vez
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Nova York para participar da 78ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O discurso de abertura está previsto para terça-feira (23), seguindo a tradição de que o Brasil é o primeiro país a falar na tribuna do evento. Em seguida, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Esta será a primeira vez que Lula e Trump estarão no mesmo ambiente desde o retorno do republicano à presidência dos Estados Unidos. A possibilidade de um encontro entre os dois líderes existe, embora não haja confirmação oficial de reunião bilateral. A expectativa é que possam se cruzar nos bastidores entre os discursos.
A viagem ocorre em meio a uma crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano impôs tarifas de 50% sobre parte das exportações brasileiras e sinalizou novas sanções após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
Durante o discurso na ONU, Lula deve abordar temas como soberania nacional, defesa da democracia e multilateralismo. Também está prevista a defesa do reconhecimento do Estado da Palestina e a reafirmação da posição brasileira em favor de uma solução pacífica para o conflito na Ucrânia.
A comitiva presidencial que acompanha Lula é enxuta. Entre os ministros presentes estão Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Camilo Santana (Educação), Márcia Lopes (Mulheres) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas). O governador do Ceará, Elmano de Freitas, e o embaixador Celso Amorim também integram a delegação.
Alguns ministros inicialmente previstos para a viagem cancelaram a participação. Fernando Haddad (Fazenda) permaneceu no Brasil para tratar de pautas econômicas no Congresso. Alexandre Padilha (Saúde) não viajou devido a restrições de circulação impostas pelo governo norte-americano. Outros nomes, como Sidônio Palmeira (Secom), Esther Dweck (Gestão) e Jader Filho (Cidades), também alteraram seus planos.
Lula discursa na ONU
A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, chegou antes a Nova York e participou de atividades oficiais. O casal presidencial está hospedado na residência oficial do Brasil na cidade, onde vive o representante permanente do país junto à ONU.
Além do discurso na Assembleia Geral, Lula deve participar de encontros sobre meio ambiente, democracia e a situação da Palestina. Há também interesse do governo brasileiro em realizar uma reunião bilateral com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. A definição depende de questões logísticas e de segurança, já que a agenda de Zelensky é mantida sob sigilo.
O Brasil recebeu cerca de 30 pedidos de reuniões bilaterais durante o evento. A equipe presidencial avalia os compromissos com base na relevância diplomática e na disponibilidade de agenda.
Presidente dos EUA afirma que odeia seus oponentes e critica radicais de esquerda durante cerimônia em Glendale, Arizona
Trump acusa esquerda por violência política em funeral de Charlie Kirk
Durante cerimônia realizada em Glendale, Arizona, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou do funeral do ativista conservador Charlie Kirk. O evento reuniu milhares de pessoas e contou com a presença de autoridades e apoiadores do movimento conservador.
Charlie Kirk, fundador da organização Turning Point USA, foi assassinado enquanto discursava em uma universidade em Utah. O caso gerou comoção nacional e mobilizou lideranças políticas e sociais.
No discurso oficial, Trump fez críticas à esquerda radical, atribuindo a ela a responsabilidade por atos de violência política registrados no país. O presidente também mencionou investigações conduzidas pelo Departamento de Justiça sobre grupos organizados que estariam envolvidos em ações violentas com motivação política.
Trump acusa esquerda
Durante a cerimônia, Trump destacou a trajetória de Kirk no ativismo conservador, desde sua juventude até a fundação da organização que ganhou projeção nacional. O presidente ressaltou o papel do ativista na mobilização de jovens, na defesa da liberdade de expressão e na oposição à censura em ambientes acadêmicos e digitais.
O funeral foi marcado por forte presença popular e segurança reforçada. O estádio onde ocorreu o evento recebeu milhares de pessoas, com transmissão externa para o público que não conseguiu acesso ao interior do local.
Trump também se posicionou sobre o autor do assassinato, defendendo que o responsável seja punido com rigor pelas autoridades competentes. O caso segue sob investigação.
A cerimônia reforçou o posicionamento político do presidente em relação à polarização ideológica nos Estados Unidos, com críticas direcionadas à esquerda e à atuação de grupos considerados radicais.
Foto: Daniel Torok/Joyce N. Boghosian/Fotos públicas
Pontífice apresenta reflexões no livro “Leão XIV: Cidadão do Mundo, Missionário do Século XXI” e fala sobre casamento, família e inclusão na Igreja
O papa Leão XIV lançou nesta semana uma nova biografia na qual reafirma posições sobre temas internos da Igreja Católica. O pontífice declarou que não pretende ordenar mulheres, mas se mostrou disposto a ouvir opiniões sobre o assunto. Ele também afirmou que quer evitar “políticas partidárias” e destacou que pretende acolher “todos, todos, todos”, incluindo católicos LGBT, embora sem modificar a doutrina oficial da Igreja em relação à homossexualidade.
“O casamento é para um homem e uma mulher”, afirmou Leão XIV, acrescentando que a definição de família é “pai, mãe e filhos”.
Publicação da biografia
A obra, intitulada “Leão XIV: Cidadão do Mundo, Missionário do Século XXI”, foi publicada em espanhol e deverá ganhar versão em inglês no próximo ano. O livro reúne reflexões consideradas as mais extensas do papa desde sua eleição ao comando da Igreja Católica, em maio.
A autora é a jornalista norte-americana Elise Ann Allen, correspondente do Vaticano pelo portal Crux. A obra traz trechos de três horas de entrevistas realizadas em julho com Leão XIV, nas quais ele aborda sua visão de Igreja e seus desafios diante de 1,4 bilhão de fiéis espalhados pelo mundo.
Ordenação de mulheres
Entre os temas tratados, o pontífice reiterou que não pretende ordenar mulheres ao sacerdócio. No entanto, disse estar aberto ao diálogo com diferentes setores da Igreja e disposto a escutar as diversas opiniões sobre a questão. A declaração mantém a posição já adotada por papas anteriores, que reafirmaram a tradição de ordenar apenas homens.
União homoafetiva e inclusão
Sobre a relação da Igreja Católica com pessoas LGBT, Leão XIV reforçou que pretende acolher todos os fiéis. No entanto, deixou claro que não haverá mudanças na doutrina oficial, que considera o matrimônio apenas entre um homem e uma mulher.
“O casamento é para um homem e uma mulher”, declarou. Para o pontífice, a família deve ser compreendida como a união de pai, mãe e filhos.
Apesar de manter a posição doutrinal, Leão XIV afirmou que a Igreja precisa estar aberta para acolher pessoas de diferentes trajetórias de vida, sem transformar o debate em um campo de disputa política.
Aniversário e liderança
O papa completou 70 anos no último domingo. Em sua biografia, ele aborda também o desafio de conduzir uma Igreja global, marcada por divisões internas e por debates sobre modernização e tradição.
Desde sua eleição, Leão XIV tem enfatizado a necessidade de unidade, afirmando que a Igreja deve ser um espaço de encontro para todos os fiéis, independentemente de suas posições pessoais.
Repercussão do livro
O lançamento da biografia marca a primeira obra extensa sobre o pontífice desde o início de seu papado. O conteúdo oferece uma visão detalhada sobre suas ideias e prioridades para o futuro da Igreja Católica.
A autora, Elise Ann Allen, ressaltou que as entrevistas realizadas com Leão XIV permitiram registrar de forma fiel suas reflexões pessoais e pastorais. O livro deve servir como referência para estudiosos, religiosos e fiéis interessados em compreender melhor a visão do atual líder da Igreja.
Quase um terço dos pedidos foram para pequenos e médios negócios
Em dois dias após a abertura para pedidos, o plano Brasil Soberano aprovou R$ 1,2 bilhão em financiamento para empresas afetadas pelo tarifaço americano.
O plano de socorro a empresas exportadoras prevê um total de R$ 40 bilhões em crédito para negócios afetados pela barreira comercial que aplica taxas de até 50% às exportações brasileiras.
O balanço de pedido e aprovação foi divulgado na noite de sexta-feira (19) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), banco de fomento do governo federal.
No período, o total de pedidos de 533 empresas chegou a R$ 3,1 bilhão. Ou seja, 1,9 bilhão anda estão em análise.
O total de R$ 40 bilhões do Brasil Soberano inclui R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões de recursos do próprio BNDES.
Os recursos são emprestados a juros subsidiados, ou seja, mais baixo do que cobram os demais bancos. Uma das contrapartidas das empresas que se habilitam a receber os empréstimos é não realizar demissões.
Os financiamentos são para linhas de capital de giro (contas do dia a dia, como salário e pagamento de fornecedores), investimentos em adaptação da atividade produtiva, compra de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados. Quem pediu empréstimo
Enrte quinta (18) e sexta-feira (19), foram feitas 75 operações de crédito, todas na linha destinada a capital de giro.
Nos primeiros dias de aprovação, 84,1% dos pedidos aprovados foram empresas da indústria de transformação (seguimento que transforma matéria-prima em um produto final ou intermediário, que vai ser novamente modificado por outra indústria).
Em seguida aparecem agropecuária (6,1%), comércio e serviços (5,7%) e indústria extrativa (4,2%).
Quase um terço do valor total aprovado (30%) foi solicitado por pequenas e médias empresas.
Ao total, 2.236 empresas acessaram o sistema do BNDES para fazer consultas no Brasil Soberano, sendo 533 elegíveis, isto é, com pelo menos 5% do faturamento bruto total, no período de julho de 2024 a julho de 2025, composto por produto na lista de tarifação.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, aponta agilidade na aprovação de recursos e atribui isso ao compromisso do banco e 50 instituições financeiras parceiras.
“Nosso objetivo é proteger os empregos e fortalecer as empresas e a economia, inclusive estimulando a participação em novos mercados”, diz.
Dos valores ainda em análise, R$ 1,7 bilhão são referentes à linha destinada à busca de novos mercados. Como acessar
O primeiro passo para acessar os recursos é consultar se a empresa é elegível para o plano de socorro. A consulta pode ser feita no site do BNDES.
Os interessados precisarão se autenticar utilizando a plataforma GOV.BR, exclusivamente por meio do certificado digital da empresa.
Caso o sistema indique que a empresa é apta ao crédito, a recomendação é entrar em contato com o banco com o qual já tem relacionamento. Grandes empresas podem procurar diretamente o BNDES. Efeitos do tarifaço
Um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), entidade sem fins lucrativos que representa empresas que atuam no comércio entre os dois países, estima que as exportações de produtos afetados pelo tarifaço americano caíram 22,4% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2024.
Os Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil, perdendo apenas para a China.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o tarifaço de 50% incide em cerca de um terço (35,9%) das exportações brasileiras para os Estados Unidos.
O governo de Donald Trump assinou uma ordem executiva que estipulou a cobrança de taxas de até 50% a partir de 6 de agosto, mas deixou cerca de 700 produtos em uma lista de exceções. Entre eles estão suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, incluindo motores, peças e componentes. Também ficaram de fora produtos como polpa de madeira, celulose, metais preciosos, energia e produtos energéticos.
Trump alega que os americanos têm déficit comercial (compram mais do que vendem) com o Brasil – o que é desmentido por números oficiais de ambos os países.
O presidente americano usou como justificativa o tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que considera ser perseguido. Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, em julgamento que terminou na semana passada.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil / José Paulo Lacerda/CNI/Ilustração
José de Arimatéia foi recrutado na Rússia sob promessa de trabalho com tecnologia e não faz contato com a família desde 4 de agosto
Potiguar está desaparecido há 45 dias após ser enviado à guerra na Ucrânia
O potiguar José de Arimatéia do Nascimento de Melo, conhecido como Maicon, está desaparecido há 45 dias. Natural de Natal e residente em Bento Fernandes, no interior do Rio Grande do Norte, ele foi para a Rússia em março de 2025 após receber uma proposta de trabalho na área de tecnologia, com foco em drones e computação.
A proposta foi apresentada como uma oportunidade de emprego com bom salário, sem menção à participação em atividades militares. No entanto, ao chegar à Rússia, José de Arimatéia foi direcionado para atuar na linha de frente da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Antes disso, ele havia se mudado para Portugal em julho de 2024, onde trabalhou na área industrial. A mudança para a Rússia ocorreu em março de 2025, motivada pela promessa de trabalho na área tecnológica.
Desde o dia 4 de agosto, não há qualquer comunicação entre José de Arimatéia e seus familiares. A irmã dele, Maria Vanessa, divulgou o caso nas redes sociais e buscou apoio de órgãos públicos brasileiros, incluindo a embaixada, mas não obteve retorno.
Potiguar está desaparecido
O Ministério das Relações Exteriores foi procurado pela imprensa. Em nota, o órgão informou que não divulga dados pessoais de cidadãos que solicitam serviços consulares. O ministério também destacou que publicou um alerta sobre o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras.
O alerta, divulgado em 30 de julho, recomenda que propostas de trabalho com fins militares sejam recusadas. O comunicado aponta aumento no número de brasileiros que enfrentaram dificuldades ou perderam a vida após se envolverem em conflitos armados fora do país.
Uma imagem enviada por José de Arimatéia à família mostra uma declaração em russo, assinada por ele, indicando que prestou juramento militar em junho. O documento foi emitido em 12 de julho, em Moscou.
A família conseguiu contato com um amigo de José de Arimatéia, que relatou que ele teria sido capturado por tropas ucranianas. No entanto, essa informação não foi confirmada oficialmente.
Segundo relatos anteriores feitos por José de Arimatéia à família, as condições enfrentadas pelas tropas russas eram precárias. Ele mencionava casos de recrutados mortos em combate que não tinham direito a sepultamento.
A ausência de informações oficiais e a falta de resposta das autoridades brasileiras têm gerado preocupação entre os familiares. A irmã relata que a família é composta apenas por ela e o irmão, e que a situação tem causado sofrimento constante.
O caso segue sem desfecho. A família continua buscando apoio para localizar o potiguar desaparecido.
Banco do Brasil e importações da Rússia estão entre os alvos; tarifa de 50% será debatida em audiência nos EUA
Governo Trump prepara medidas contra o Brasil
O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, prepara novas medidas contra o Brasil. Entre os principais alvos estão o Banco do Brasil e as importações de produtos russos. As ações incluem sanções econômicas e contestação dos argumentos brasileiros sobre a tarifa de 50% aplicada a determinados produtos .
A situação é considerada instável e depende diretamente das decisões do presidente Trump. A sanção mais iminente, segundo fontes em Washington, é contra o Banco do Brasil, no contexto do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Governo Trump
Em 30 de julho, o Departamento do Tesouro dos EUA aplicou a Lei Magnitsky, que permite sanções econômicas a instituições que prestem serviços a indivíduos sancionados. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, é um dos nomes envolvidos. Em 21 de agosto, uma instituição financeira cancelou o cartão Mastercard do ministro, e o Banco do Brasil teria oferecido um cartão da bandeira Elo, o que motivou a possível sanção ao banco estatal .
O Banco do Brasil declarou que atua em conformidade com a legislação brasileira e internacional, e está preparado para lidar com regulamentações globais. No Brasil, o ministro Flavio Dino afirmou que decisões de outros países não têm validade sem homologação judicial ou aprovação conforme a Constituição brasileira .
Casos anteriores de sanções incluem o banco francês BNP Paribas, multado em US$ 9 bilhões por transações com entidades sancionadas, e o britânico Standard Chartered, multado em três ocasiões por negócios com países como Irã, Sudão e Mianmar .
Tarifa de 50% e comércio internacional
A tarifa de 50% aplicada aos produtos brasileiros será debatida em audiência no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). Empresas americanas dos setores de celulose, pecuária, madeira e soja alegam que o Brasil obtém vantagens competitivas por meio de desmatamento ilegal e trabalho forçado. Essas empresas pedem a manutenção da tarifa e sugerem acordos com a China para favorecer produtos americanos .
No setor digital, associações americanas criticam a regulação brasileira sobre inteligência artificial, data centers, plataformas de streaming e a tributação mínima de 15% para serviços digitais. Instituições financeiras dos EUA também acusam o Banco Central brasileiro de atuar como competidor, citando o Pix como rival de sistemas de transferência americanos .
Importações da Rússia
Outra frente de medidas envolve as importações brasileiras de óleo diesel da Rússia. O governo Trump avalia aplicar ao Brasil a mesma tarifa de 50% já imposta à Índia. Em 2024, o Brasil importou cerca de US$ 12,5 bilhões em produtos russos, principalmente diesel e fertilizantes. A sanção pode ser anunciada em até dez dias, segundo fontes em Washington.
Entidade defende diálogo e envia comitiva com empresários a Washington
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu nesta sexta-feira (29) prudência diante do início do processo para aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, autorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (28) e detalhado nesta sexta (29) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Segundo a entidade, ainda é hora de insistir no diálogo para tentar reverter as tarifas de 50% impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a indústria brasileira “continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência” e que “não é o momento” de acionar de fato a lei.
“Precisamos de todas as formas buscar manter a firme e propositiva relação de mais de 200 anos entre Brasil e Estados Unidos”, declarou Alban. O executivo destacou ainda que o objetivo é encontrar uma negociação que leve à reversão da tarifa ou à ampliação das exceções para produtos brasileiros. Missão empresarial
Na próxima semana, uma comitiva organizada pela CNI, com mais de 100 líderes empresariais e representantes de associações do setor, desembarca em Washington.
A agenda prevê encontros com autoridades e empresários norte-americanos, além de preparativos para a audiência pública marcada para 3 de setembro, nos Estados Unidos, sobre a investigação aberta em julho nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. No último dia 18, o governo brasileiro enviou a resposta aos Estados Unidos.
Defesa de diálogo
Apesar de ter autorizado a abertura do processo pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lula afirmou nesta sexta que não tem pressa em aplicar a lei contra os EUA.
“Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Tomei a medida porque eu tenho que andar o processo”, disse o presidente em entrevista à Rádio Itatiaia.
O governo brasileiro também abriu consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e contratou um escritório de advocacia nos Estados Unidos para reforçar a defesa dos interesses nacionais.
Lula ressaltou, no entanto, que o Brasil segue aberto ao entendimento. “Se os norte-americanos estiverem dispostos a negociar, nós estaremos dispostos a negociar 24 horas por dia. Até agora nós não conseguimos falar com ninguém. Então eles não estão dispostos a negociar”, declarou o presidente.
Foto: Gustavo Alcântara/CNI / José Paulo Lacerda/CNI
Governo brasileiro aciona Camex para avaliar medidas de retaliação comercial
Lei de Reciprocidade: Lula autoriza processo contra os EUA
A Lei de Reciprocidade será acionada pelo governo brasileiro após autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida tem como objetivo avaliar possíveis contramedidas comerciais contra os Estados Unidos, em resposta às sanções impostas pelo governo de Donald Trump.
O Ministério das Relações Exteriores, comandado por Mauro Vieira, acionou a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que terá 30 dias para analisar os argumentos jurídicos e técnicos sobre a legalidade da aplicação da Lei de Reciprocidade.
Lei de Reciprocidade
A iniciativa foi articulada pela equipe do ministro Fernando Haddad (Fazenda), com apoio de outras pastas, e ocorre diante da ausência de recuo por parte do governo norte-americano. O processo também é considerado estratégico às vésperas do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo integrantes do governo, o avanço do debate sobre regulação das big techs no Congresso Nacional pode intensificar a tensão entre os dois países. O governo brasileiro pretende comunicar oficialmente os Estados Unidos sobre o acionamento da Lei de Reciprocidade, permitindo que a equipe de Trump decida se deseja realizar consultas bilaterais sobre o caso.
Caso a Camex aprove o procedimento, será formado um grupo interministerial para discutir as contramedidas possíveis. A Lei de Reciprocidade prevê que essas medidas podem ser provisórias, decididas por pastas como Casa Civil, Fazenda, Relações Exteriores e Indústria e Comércio, ou ordinárias, com duração mais longa, sob responsabilidade do Grupo Executivo da Camex (Gecex).
Todos os ministérios envolvidos deverão ser ouvidos antes da decisão final. O Gecex será responsável por avaliar a admissibilidade do pedido e definir, ao final do processo, quais medidas serão aplicadas. Até o momento, não há definição sobre quais ações serão adotadas.
O processo de acionamento da Lei de Reciprocidade ocorrerá paralelamente a outras reações do Brasil ao tarifaço imposto por Trump. O governo também responde às investigações abertas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apura supostas práticas comerciais abusivas por parte do Brasil.
A discussão sobre contramedidas mantém aberto o espaço para negociações diplomáticas com os Estados Unidos. A estratégia do governo brasileiro é manter a possibilidade de diálogo ao longo do processo, sem descartar medidas de retaliação.
A Lei de Reciprocidade Econômica permite ao Brasil aplicar sanções equivalentes às impostas por outros países, com base em princípios de equilíbrio comercial. A Camex, como órgão responsável pela política de comércio exterior, tem papel central na análise e condução do processo.
A decisão de Lula marca um movimento político e econômico relevante nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. A resposta brasileira às sanções norte-americanas será construída com base em pareceres técnicos, jurídicos e políticos, respeitando os trâmites previstos na legislação vigente.
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Antonio Cruz/Agência Brasil
Justiça italiana conclui que estado de saúde da deputada permite detenção e traslado aéreo ao Brasil
Laudo médico aponta que Zambelli pode seguir presa e ser extraditada
A Justiça italiana concluiu, por meio de laudo médico oficial, que a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) pode permanecer presa no Instituto Penitenciário de Rebibbia, em Roma, e ser extraditada ao Brasil. A análise foi realizada pela especialista Edy Febi, médica italiana em medicina legal e forense, a pedido da Corte de Apelação de Roma.
O documento, com 19 páginas, avalia o estado físico e psicológico da parlamentar e afirma que não há incompatibilidade entre suas condições de saúde e o regime prisional. A perícia também conclui que Zambelli está apta a ser transportada por avião, desde que sejam observadas medidas médicas adequadas durante o traslado.
Zambelli pode seguir presa
Entre os diagnósticos considerados estão distúrbios depressivos, distúrbios do sono e a Síndrome de Ehlers-Danlos, uma condição rara que afeta músculos e articulações. A médica afirma que, apesar dessas condições, não há risco imediato de morte e que os tratamentos necessários podem ser realizados dentro da penitenciária.
O laudo foi solicitado após audiência realizada em 13 de agosto, quando Zambelli apresentou mal-estar no tribunal. A avaliação médica foi feita em 18 de agosto, dentro da unidade prisional, com acompanhamento de consultores técnicos indicados pela defesa e especialistas da Embaixada do Brasil em Roma.
A deputada está presa desde 29 de julho, após ter sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), junto ao hacker Walter Delgatti. A extradição está em análise pela Justiça italiana, e uma nova audiência foi realizada nesta quarta-feira (27), sem decisão final sobre o futuro da parlamentar.
A defesa de Zambelli contesta o laudo oficial e apresentou um parecer médico paralelo, elaborado por especialistas brasileiros, que aponta a existência de mais de dez doenças, incluindo fibromialgia, condição cardíaca e depressão grave. O grupo médico responsável pelo documento defende a conversão da pena em prisão domiciliar, alegando que a parlamentar necessita de suporte multidisciplinar contínuo.
O parecer paralelo foi produzido pela equipe da Vida Mental Perícias, liderada pelo psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro. A avaliação foi feita de forma indireta, com base no histórico clínico da deputada, já que ela permanece sob custódia na Itália. A defesa também providenciou tradução juramentada do documento para o italiano, com o objetivo de apresentá-lo às autoridades locais.
A decisão sobre a extradição e a manutenção da prisão será tomada pela Corte de Apelação de Roma, que deve comunicar o resultado à defesa de forma reservada. A parlamentar continua detida em Rebibbia, onde tem acesso aos medicamentos prescritos.
Decisão ocorre após o governo brasileiro não aprovar nomeação de Gali Dagan como novo embaixador
Israel rebaixa relações diplomáticas com Brasil após impasse sobre embaixador
Israel anunciou o rebaixamento das relações diplomáticas com o Brasil após o governo brasileiro não aprovar a nomeação de Gali Dagan como novo embaixador israelense em Brasília. A decisão foi oficializada em 25 de agosto, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores de Israel.
A medida ocorre após meses de silêncio por parte do governo brasileiro em relação ao pedido de agrément — procedimento diplomático necessário para a aprovação de um novo embaixador. O pedido foi retirado por Israel, e as relações entre os dois países passam a ser conduzidas em um nível diplomático inferior.
Desde 12 de agosto, a embaixada de Israel no Brasil está sem representante oficial. O cargo ficou vago após a aposentadoria de Daniel Zonshine, que ocupava o posto desde 2021.
Israel rebaixa relações com Brasil
Indicação de novo embaixador
Em janeiro de 2025, o governo israelense indicou Gali Dagan, ex-embaixador de Israel na Colômbia, para assumir a chefia da missão diplomática em Brasília. A indicação não foi aprovada pelo governo brasileiro, em meio ao distanciamento diplomático entre os dois países.
O contexto inclui críticas públicas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à atuação de Israel na Faixa de Gaza, especialmente em relação à população palestina. Essas declarações contribuíram para o esfriamento das relações bilaterais.
Impacto da decisão: Israel rebaixa relações com Brasil
Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) não se pronunciou oficialmente sobre a decisão israelense. A ausência de resposta ao pedido de agrément é considerada incomum no protocolo diplomático.
A retirada do pedido por parte de Israel implica que, por ora, não haverá novo embaixador israelense em Brasília. As atividades diplomáticas serão conduzidas por representantes de nível inferior, o que representa uma mudança significativa na relação entre os dois países.
Histórico recente
A relação entre Brasil e Israel tem enfrentado tensões desde o início do atual governo brasileiro. Declarações políticas e posicionamentos sobre o conflito no Oriente Médio têm influenciado diretamente o diálogo diplomático.
A decisão de Israel de rebaixar as relações diplomáticas marca um novo capítulo nesse cenário, com possíveis impactos em acordos bilaterais, cooperação internacional e presença diplomática.
Brasil lidera ranking latino-americano com mais de 60 milhões de pessoas sob controle de facções
Governança criminal no Brasil afeta mais de 60 milhões de pessoas
Um estudo publicado pela Cambridge University Press revela que o Brasil é o país da América Latina com maior percentual de população vivendo sob governança criminal. Segundo os dados, entre 50,6 e 61,6 milhões de brasileiros — cerca de 26% da população — estão submetidos a regras impostas por facções criminosas que controlam territórios urbanos e periféricos.
A pesquisa foi conduzida por quatro pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, com base na edição de 2020 do Latinobarómetro, levantamento anual realizado em 18 países latino-americanos. A estimativa regional aponta que entre 77 e 101 milhões de pessoas vivem sob esse tipo de controle, representando 14% da população da América Latina.
Facções influenciam diversos aspectos da vida comunitária
A chamada governança criminal refere-se ao conjunto de normas impostas por organizações criminosas que dominam determinadas áreas. Essas regras afetam desde o comportamento cotidiano dos moradores até processos eleitorais e o acesso a serviços públicos.
O Brasil aparece com o maior índice da região, seguido por Costa Rica (13%), Honduras (11%), Equador (11%), Colômbia (9%), El Salvador (9%), Panamá (9%) e México (9%).
Presença de facções pode alterar índices de violência
Os pesquisadores destacam que a atuação das facções pode ter efeitos variados sobre os índices de criminalidade. Em alguns casos, há redução de homicídios, como observado em São Paulo nos anos 2000, período associado à ascensão do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em outros países, acordos entre grupos criminosos e o Estado também resultaram em diminuição da violência, como os maras em El Salvador e os combos em Medellín, Colômbia.
Governança criminal não depende da ausência do Estado
O estudo contesta a ideia de que facções se estabelecem apenas em locais onde o Estado está ausente. Os dados indicam que a presença estatal pode coexistir com o domínio de facções. O exemplo citado é o surgimento do PCC em São Paulo, estado com forte estrutura governamental e maior riqueza do país.
A repressão estatal, como encarceramento em massa e operações policiais, pode ser um fator que impulsiona a governança criminal. A ameaça constante de intervenção policial estimula as facções a exercerem controle sobre os territórios, criando sistemas próprios de ordem e punição.
Limitações da pesquisa
Os autores do estudo reconhecem limitações metodológicas. A pesquisa Latinobarómetro aborda apenas aspectos centrais da governança criminal e enfrenta dificuldades de acesso a áreas dominadas por facções, o que pode levar à subestimação dos dados.
Brasil possui 64 facções criminosas
Levantamento realizado por fontes das secretarias de Segurança Pública, Administração Penitenciária e Ministérios Públicos aponta que o Brasil abriga 64 facções criminosas distribuídas pelas 27 unidades federativas. Dentre elas, 12 atuam em mais de um estado e 52 são locais.
O PCC está presente em 25 estados, enquanto o Comando Vermelho (CV) atua em 26. Apenas o Rio Grande do Sul não possui atuação desses dois grupos. Nesse estado, surgiram facções próprias como Bala na Cara (BNC) e Os Manos.
Bahia (17), Pernambuco (12) e Mato Grosso do Sul (10) concentram o maior número de facções. O estado sul-mato-grossense destaca-se como principal destino de grupos de outros estados, devido à rota do narcotráfico que passa pelas fronteiras com Paraguai e Bolívia.
Presença internacional e exportação de facções
Apesar da atuação internacional do PCC, facções estrangeiras têm pouca presença no Brasil. A exceção é o grupo venezuelano Tren de Aragua, com membros em Roraima. O Rio de Janeiro é o principal estado exportador de facções, com o CV, o Terceiro Comando Puro (TCP) e os Amigos dos Amigos (ADA) atuando em outras regiões.
A ausência de critérios oficiais para diferenciar facções de gangues locais dificulta a mensuração precisa do crescimento ou redução desses grupos no país.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Reprodução/Redes Sociais
Ministro do STF é afetado por medidas da Lei Magnitsky e enfrenta restrições no sistema financeiro
Mastercard bloqueia cartão de Alexandre de Moraes por sanções dos EUA
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, teve seu cartão de crédito da bandeira Mastercard bloqueado em razão das sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky. A medida foi adotada após o nome do magistrado ser incluído em uma lista de pessoas sancionadas, o que impede o uso de serviços financeiros vinculados a empresas norte-americanas .
O bloqueio foi confirmado por instituições financeiras brasileiras, que decidiram seguir uma orientação preliminar após consultarem escritórios especializados em sanções internacionais. A avaliação é que operações realizadas em reais dentro do Brasil estão liberadas, enquanto transações em dólar ou com bandeiras internacionais estão proibidas.
Mastercard bloqueia cartão
Alternativa nacional e restrições adicionais
Como alternativa, o Banco do Brasil ofereceu ao ministro um cartão da bandeira Elo, que é nacional. No entanto, o uso internacional do cartão Elo também enfrenta restrições. A bandeira possui parceria com a operadora americana Discover, o que impede o uso do cartão fora do Brasil, já que a Discover está sujeita às mesmas sanções impostas pelo governo dos EUA .
Além disso, o regulamento da Elo proíbe a emissão de cartões para pessoas que estejam sob sanções econômicas ou financeiras impostas por órgãos como o Departamento de Estado dos EUA e o Office of Foreign Assets Control (OFAC). O contrato da Elo estabelece que os bancos participantes do sistema não podem manter relacionamento com clientes sancionados por esses órgãos .
Repercussões no sistema financeiro
A situação gerou dúvidas entre bancos brasileiros sobre como proceder diante das sanções. A decisão do ministro Flávio Dino, que permite a Moraes recorrer ao próprio STF contra as punições, provocou incertezas no setor financeiro. Representantes de instituições como Itaú, Bradesco e BTG manifestaram preocupação com possíveis implicações comerciais e contratuais .
O Banco do Brasil, por exemplo, possui operações nos Estados Unidos e pode ser acionado pelo OFAC para encerrar contas de clientes sancionados. A primeira resposta prática foi o bloqueio do cartão de bandeira americana vinculado à conta de Moraes .
Regulamentos e implicações legais
O regulamento da Elo, com mais de 300 páginas, detalha que é vedado aos participantes do sistema estabelecer ou manter relação com clientes sancionados por governos estrangeiros. A cláusula inclui sanções impostas pelo Tesouro dos EUA, ONU, União Europeia e Reino Unido. A sanção aplicada a Moraes cumpre os critérios estabelecidos no contrato da bandeira brasileira .
A Elo, embora opere com liquidação de pagamentos no Brasil, mantém parcerias com empresas estrangeiras, como a holandesa Adyen, que também está sujeita às sanções americanas. Isso amplia o alcance das restrições, mesmo em operações realizadas em território nacional ;
Fotos: Fernando Frazão/Agência Brasil/Marcelo Camargo/Agência Brasília
Epicentro foi registrado a 10 km de profundidade; autoridades descartam risco de tsunami
Terremoto de magnitude 7,1 atinge Passagem de Drake entre América do Sul e Antártica
Um terremoto de magnitude 7,1 foi registrado na Passagem de Drake, região localizada entre o extremo sul da América do Sul e a Antártica, nesta quinta-feira (21). A informação foi divulgada pelo Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ).
A Passagem de Drake é um corpo de água que separa o Cabo Horn, no Chile, da Península Antártica. Reconhecida por suas condições marítimas extremas, a área é considerada uma das mais perigosas do planeta. O local também é o ponto mais ao norte da Península Antártica, sendo uma rota comum para expedições científicas e navegação comercial.
terremoto
Detalhes do tremor
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o epicentro do terremoto foi registrado a uma profundidade de 10 quilômetros. A magnitude inicial foi estimada em 7,5, mas posteriormente ajustada para 7,1.
O USGS informou que não há risco de tsunami decorrente do tremor. A ausência de alerta se deve à localização e à profundidade do epicentro, além das características geológicas da região.
Monitoramento internacional
O evento sísmico foi monitorado por diversas instituições internacionais especializadas em geociências e sismologia. O GFZ e o USGS mantêm sistemas de detecção e análise em tempo real, que permitem a rápida divulgação de informações sobre terremotos em qualquer parte do mundo.
A Passagem de Drake está situada em uma zona de convergência tectônica, onde placas continentais e oceânicas interagem com frequência. Essa condição geológica favorece a ocorrência de tremores de terra, embora nem todos sejam perceptíveis ou causem danos.
Impacto e localização
Até o momento, não há registros de danos materiais ou vítimas, uma vez que o epicentro está localizado em uma área remota e de baixa densidade populacional. A região é pouco habitada, com presença limitada de bases científicas e embarcações em trânsito.
O terremoto foi sentido em áreas próximas ao sul do Chile, mas sem relatos de impactos significativos. As autoridades locais seguem monitorando a situação, embora não tenham emitido alertas adicionais.
Histórico sísmico da região
A Passagem de Drake já foi palco de outros eventos sísmicos ao longo dos anos, devido à sua posição geológica estratégica. A interação entre as placas tectônicas da América do Sul e da Antártica contribui para a instabilidade sísmica da área.
Eventos como o registrado nesta quinta-feira são analisados por especialistas para entender melhor o comportamento das placas e aprimorar os sistemas de alerta e prevenção.
Prisões ocorreram em Ciudad del Este e envolvem também um terceiro suspeito de intermediar o crime; Marcelo Oliveira e o pai, Sandi Oliveira, foram mortos em agosto de 2024 durante a campanha eleitoral
A ex-vice-prefeita de João Dias, Damária Jácome, foi presa nesta quinta-feira (21) em Ciudad del Este, no Paraguai, suspeita de envolvimento no assassinato do então prefeito da cidade, Marcelo Oliveira (União Brasil), ocorrido em agosto de 2024. A irmã dela, Leidiane Jácome, ex-vereadora, também foi detida.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte confirmou as prisões, que também alcançaram Weverton Claudino Batista, apontado como intermediador da contratação dos executores e responsável por papel central no planejamento do crime.
Disputa política e familiar
Segundo a Polícia Civil, o crime foi motivado por uma disputa política e familiar em João Dias, município com pouco mais de 2 mil habitantes. Damária Jácome havia sido vice-prefeita na chapa de Marcelo Oliveira em 2020, mas em 2024 se tornou adversária política dele.
Durante as investigações, a polícia identificou que a rivalidade entre as famílias Oliveira e Jácome se intensificou após o retorno de Marcelo ao cargo de prefeito em 2022, decisão determinada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. A partir disso, o conflito político e pessoal se agravou.
Prisões anteriores
Em dezembro de 2024, um pastor evangélico foi preso apontado como um dos mentores do assassinato. Ele teria ajudado na logística e no planejamento do crime, inclusive sugerindo locais onde o atentado poderia ser cometido, como uma igreja durante culto frequentado por Marcelo.
Além dele, outras cinco pessoas já haviam sido presas suspeitas de participação direta na execução. Segundo o Ministério Público, o grupo também cogitou assassinar a viúva de Marcelo, Fatinha de Marcelo, que assumiu a candidatura após a morte do marido e venceu as eleições municipais.
Como foi o crime
O prefeito Marcelo Oliveira, cujo nome de registro era Francisco Damião de Oliveira, de 38 anos, foi morto junto ao pai, Sandi Alves de Oliveira, de 58 anos, em 27 de agosto de 2024.
Na ocasião, ambos visitavam apoiadores no conjunto São Geraldo, em João Dias, quando foram surpreendidos por criminosos em dois veículos. Marcelo foi atingido por 11 disparos, chegou a ser socorrido em Catolé do Rocha (PB), mas não resistiu. O pai dele morreu no local. Um segurança também foi baleado.
Envolvidos e indiciamentos
Desde o dia do crime, forças de segurança realizaram operações que resultaram na prisão de diversos suspeitos. O inquérito policial apontou oito executores e cinco mentores intelectuais do duplo homicídio, além de outros indiciados por formação de milícia.
Entre os cinco suspeitos de mandantes, apenas o pastor preso em 2024 permanecia detido até então. Agora, com a prisão de Damária e Leidiane Jácome no Paraguai, o caso registra avanço significativo nas investigações.
Histórico das vítimas
Marcelo Oliveira iniciou a carreira política como vereador de João Dias, eleito em 2008 e 2012. Em 2016, disputou a prefeitura, mas só venceu em 2020. Seu pai, Sandi Oliveira, também já havia sido vereador e era considerado uma das principais lideranças políticas do município.
Deputada aguarda decisão sobre extradição para o Brasil após condenação pelo STF por invasão ao sistema do CNJ
A Justiça da Itália decidiu manter a prisão da deputada Carla Zambelli (PL-SP), informou a Advocacia-Geral da União (AGU) nesta terça-feira (19). Em audiência realizada na última quinta-feira (13), o Tribunal de Apelações de Roma negou o pedido da defesa para que a parlamentar pudesse cumprir prisão domiciliar enquanto aguarda a análise do processo de extradição solicitado pelo Brasil.
Carla Zambelli foi presa em julho na capital italiana, onde buscava escapar do cumprimento de mandado de prisão expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Condenação no Brasil
Em maio, a deputada deixou o Brasil utilizando sua dupla cidadania, após condenação a dez anos de prisão pelo STF pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrida em 2023. Além da pena, Zambelli foi condenada ao pagamento de R$ 2 milhões a título de danos coletivos.
De acordo com as investigações, a parlamentar foi considerada a autora intelectual do hackeamento, que resultou na emissão fraudulenta de um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. O ataque foi executado por Walter Delgatti, também condenado, que declarou ter atuado a mando da deputada.
Pedido de extradição
Após a fuga para a Itália, o governo brasileiro oficializou o pedido de extradição em 11 de junho, assinado por Moraes e encaminhado pelo Itamaraty às autoridades italianas. A solicitação segue em análise pela Justiça do país europeu.
Enquanto isso, Zambelli permanece detida em Roma, aguardando os próximos desdobramentos judiciais.
Outros processos e mandato parlamentar
Além da condenação pelo caso do CNJ, Zambelli foi julgada recentemente em outro processo, no qual a maioria da Corte votou por sua condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.
Na Câmara dos Deputados, a parlamentar recebeu autorização para tirar 127 dias de licença não remunerada a partir de junho. Caso não retorne após o prazo, poderá perder o mandato por faltas.
Zambelli também responde a um processo de cassação em andamento na Casa. Ainda não houve deliberação sobre a decretação da perda de mandato em razão da condenação pelo STF.
Ministro Flávio Dino barra efeitos automáticos de normas internacionais no Brasil após sanções dos EUA a Alexandre de Moraes
Trump sanciona Moraes com base na Lei Magnitsky, e o Supremo Tribunal Federal (STF) respondeu com uma decisão que limita os efeitos de normas estrangeiras no Brasil. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de abusos de direitos humanos e censura a cidadãos e empresas norte-americanas.
As sanções incluem o bloqueio de bens nos EUA, proibição de transações com cidadãos e empresas americanas e inclusão de Moraes na lista de pessoas sancionadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). A medida foi tomada com base na ordem executiva 13818, que implementa a Lei Global Magnitsky.
Em resposta, o ministro Flávio Dino, do STF, decidiu que leis, decisões judiciais e ordens executivas estrangeiras não podem produzir efeitos automáticos no Brasil. Segundo a decisão, qualquer norma internacional só terá validade após análise e homologação por autoridade judicial brasileira competente.
Trump sanciona Moraes e STF reage com decisão sobre leis estrangeiras
A decisão foi tomada no âmbito de uma ação do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que questionava a atuação de municípios brasileiros em processos judiciais no Reino Unido. Dino afirmou que a aplicação direta de normas estrangeiras sem chancela nacional viola a soberania, a ordem pública e os bons costumes.
O ministro também determinou que transações, bloqueios de ativos, cancelamentos de contratos e transferências internacionais por ordem de Estado estrangeiro devem ser autorizadas pelo STF. A decisão foi comunicada ao Banco Central, Febraban, CNF e CNseg .
Enquanto Trump sanciona Moraes, o ministro do STF concedeu entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, na qual afirmou que não recuará em suas decisões. Moraes declarou que continuará conduzindo os processos conforme a legislação brasileira e que as sanções não influenciarão o julgamento de casos como o do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O julgamento do núcleo central da suposta trama golpista envolvendo Bolsonaro está marcado para ocorrer entre os dias 2 e 12 de setembro. Moraes é o relator do caso no STF.
A decisão de Dino e a entrevista de Moraes ocorrem em meio a um aumento nas tensões diplomáticas entre os dois países. O governo Trump também impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e revogou os vistos de Moraes e seus familiares.
Encontro no Alasca abordou cessar-fogo e incluiu proposta russa sobre acordo nuclear
Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, fizeram um pronunciamento conjunto nesta sexta-feira (15) no qual afirmaram buscar um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia. O anúncio ocorreu após uma reunião realizada no Alasca, mas os líderes não detalharam os termos da negociação.
Trump afirmou que houve progressos nas conversas, embora ainda não exista um acordo fechado. “Quando houver, vou ligar para a Otan e também para o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky”, declarou.
Encontro e negociações
O encontro ocorreu em uma base da Força Aérea da época da Guerra Fria. Segundo os dois presidentes, foram discutidos pontos sobre um possível cessar-fogo no conflito ucraniano. Putin incluiu, ainda, uma proposta de negociação sobre um acordo nuclear.
Trump disse que os líderes concordaram em diversos pontos, mas admitiu que algumas questões ainda não foram resolvidas. “Houve muitos pontos com os quais concordamos, a maioria deles, eu diria, mas alguns grandes ainda não chegamos lá”, afirmou.
Putin destacou que espera que os entendimentos iniciais estabeleçam um marco para novas relações comerciais e políticas entre Rússia e Estados Unidos.
Declarações de Putin
Segundo o presidente russo, um acordo entre os dois países pode acelerar o fim da guerra na Ucrânia. “Espero que os acordos de hoje se tornem um ponto de referência, não apenas para resolver o problema ucraniano, mas também para o restabelecimento de relações pragmáticas e comerciais entre Rússia e Estados Unidos”, declarou.
Putin também afirmou que existe potencial para parcerias em setores como energia, tecnologia e exploração espacial. “Tenho todos os motivos para acreditar que, seguindo esse caminho, podemos chegar ao fim do conflito na Ucrânia o mais rápido possível”, disse.
Ausência da Ucrânia
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky não participou das negociações. A ausência foi notada, uma vez que o encontro tratou diretamente do conflito iniciado pela invasão russa ao território ucraniano em fevereiro de 2022.
Segundo a agência Reuters, Putin não especificou os pontos em que houve concordância entre Estados Unidos e Rússia durante o diálogo.
Departamento de Estado dos EUA revoga vistos por alegações de envolvimento em esquema de trabalho forçado com médicos cubanos
O governo dos Estados Unidos cancelou os vistos da esposa e da filha de 10 anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta sexta-feira (15). O próprio ministro está com o visto vencido desde 2024, o que impossibilita sua revogação.
A medida faz parte de uma ação do Departamento de Estado norte-americano que, nesta semana, também revogou os vistos de outros servidores públicos brasileiros. Entre os afetados estão Mozart Julio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais da pasta e atual coordenador-geral da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), prevista para ocorrer em 2025.
Segundo comunicado oficial do Departamento de Estado, os servidores teriam contribuído para um suposto “esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano” por meio do programa Mais Médicos. A justificativa apresentada está relacionada à participação de médicos cubanos no programa, que foi criado em 2013, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, com Padilha à frente do Ministério da Saúde.
O programa Mais Médicos foi desenvolvido para atender regiões brasileiras com escassez de profissionais da saúde. Entre 2013 e 2018, médicos cubanos atuaram no Brasil por meio de um acordo de cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A iniciativa visava suprir a demanda por atendimento médico em áreas remotas e vulneráveis.
A exportação de médicos é uma das principais estratégias do governo cubano para obtenção de recursos financeiros, especialmente diante do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas. Desde a Revolução de 1959, Cuba enfrenta restrições comerciais e financeiras que impactam diretamente sua economia. A atuação internacional dos médicos cubanos começou na década de 1960 e, segundo dados do Ministério da Saúde de Cuba, mais de 605 mil profissionais já prestaram serviços em 165 países, incluindo Portugal, Ucrânia, Rússia, Espanha, Argélia e Chile.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, o programa foi reformulado e passou a se chamar Médicos pelo Brasil. O acordo com a Opas foi encerrado, e a participação de médicos estrangeiros foi reduzida. Em 2023, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva retomou o nome original do programa e ampliou sua abrangência, priorizando profissionais brasileiros e incluindo outras categorias da saúde, como dentistas, enfermeiros e assistentes sociais.
A decisão dos Estados Unidos de cancelar os vistos de servidores brasileiros e familiares de Padilha ocorre em meio a uma política de pressão sobre países que mantêm acordos com Cuba para recebimento de profissionais da saúde. Desde o segundo mandato do ex-presidente Donald Trump, Washington tem adotado medidas para constranger governos que participam de programas de cooperação com Havana.
O Ministério da Saúde brasileiro não se manifestou oficialmente sobre os cancelamentos, mas o ministro Alexandre Padilha defendeu publicamente o programa Mais Médicos, afirmando que ele continuará operando independentemente de críticas externas.
Órgão aponta possível uso indevido de recursos públicos e solicita apuração do Ministério Público Federal
O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou que a Câmara dos Deputados investigue se o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) utilizou, direta ou indiretamente, recursos públicos durante estadia nos Estados Unidos.
Segundo o TCU, há indícios de irregularidades na viagem, e o órgão solicitou que a Câmara envie o resultado da apuração e as providências adotadas. A decisão foi tomada em resposta a uma representação apresentada pelo deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP).
O plenário do TCU decidiu, por unanimidade, que não possui competência para julgar eventuais irregularidades no caso, a fim de preservar o devido processo legal e a separação dos Poderes. No entanto, encaminhou a denúncia à Câmara e destacou a necessidade de investigação pelo Ministério Público Federal (MPF).
A deliberação foi aprovada na semana passada e divulgada nesta sexta-feira (8.ago.2025).
Representação e acusações
Na representação, Boulos acusou Eduardo Bolsonaro de promover articulações políticas contrárias à soberania nacional. O parlamentar do PSOL argumenta que negociações com governos ou grupos estrangeiros para incentivar atos hostis contra o Brasil podem configurar crime de atentado à soberania, previsto no Código Penal, com pena de três a oito anos de prisão.
Faltas não justificadas
O parecer do TCU aponta que Eduardo Bolsonaro justificou apenas uma das cinco ausências em sessões da Câmara no mês de março. O deputado estava nos Estados Unidos, mas não havia solicitado licença parlamentar de 122 dias.
A Corte destacou que a ausência de desconto nos salários referentes a quatro faltas não justificadas não atingiu o valor mínimo de R$ 120 mil necessário para abertura de investigação pelo TCU. Por isso, recomendou que a apuração seja feita pela Câmara.
Boulos também havia solicitado ao TCU a investigação da responsabilidade penal de Eduardo Bolsonaro, mas o órgão negou, alegando falta de competência para determinar se houve crime.
Outras investigações
Caso a Câmara confirme a abertura de apuração, será a segunda investigação em andamento contra o deputado. Em julho, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou um inquérito que apura se a viagem de Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos teve o objetivo de articular ações contra autoridades brasileiras.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados / Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados / Vinicius de Melo/SMDF
Pelas redes sociais, embaixada disse que monitora “aliados de Moraes”
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) convocou o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos (EUA), Gabriel Escobar, para dar explicações sobre as ameaças do governo de Donald Trump contra “aliados de [Alexandre de] Moraes no Judiciário”.
O secretário interino da Europa e América do Norte do Itamaraty, o embaixador Flavio Celio Goldman, recebeu o representante do governo Trump no Brasil para manifestar indignação do governo brasileiro com o tom e o conteúdo das postagens recentes do Departamento de Estado e da embaixada nas redes sociais.
O governo entende que as manifestações dos órgãos do Estado do país norte-americano representam clara ingerência em assuntos internos e são ameaças inaceitáveis à autoridades brasileiras.
O Departamento de Estado dos EUA, órgão similar a um ministério das relações exteriores, tem usado as redes sociais para atacar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Alexandre de Moraes relativas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.
Ontem (7), a Embaixada dos EUA no Brasil traduziu comentário do secretário de diplomacia pública Darren Beattie, ameaçando autoridades do Judiciário brasileiro que contribuam com Moraes. “Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes. Estamos monitorando a situação de perto”, disse o comunicado do diplomata, acusando o ministro de “censura” e “perseguição” contra Bolsonaro.
No último dia 30 de julho, os EUA aplicaram sanções econômicas contra Alexandre de Moraes, previstas na chamada Lei Magnitsky, como punição pelo julgamento da trama golpista, que apura tentativa de golpe de Estado no Brasil após as eleições de 2022, o que incluiria planos para prender e assassinar autoridades públicas.
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Bolsonaro pressionou comandantes militares para suspender o resultado da eleição presidencial de outubro de 2022, quando perdeu para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele nega as acusações.
O ex-presidente ainda é investigado em ação que apura a ação de Bolsonaro e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), junto aos EUA para impor sanções contra o Brasil. Entre as razões elencadas pelo governo Trump para tarifar o Brasil, está o processo contra o ex-presidente.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Brett Sayles/Pexels / Jess Loiterton/Pexels
Deputada federal licenciada está detida em Roma e permanecerá sob custódia até decisão do Tribunal
A Justiça da Itália decidiu, nesta sexta-feira (1º.ago.2025), que a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) continuará presa na penitenciária de Rebibbia, em Roma, enquanto aguarda o andamento do processo de extradição. A decisão foi tomada pela Quarta Seção do Tribunal de Roma, durante audiência de custódia.
Brasília (DF) 23/04/2024 Deputada Carla Zambelli durante coletiva na Câmara dos Deputados. Foto Lula Marques/ Agência Brasil
Zambelli foi detida na última terça-feira (29.jul.2025), após ser localizada em um endereço na capital italiana, onde estava escondida desde que foi considerada foragida pela Justiça brasileira. A Corte italiana deverá avaliar o pedido de liberdade da deputada em meados de agosto.
Despacho do STF
Na quinta-feira (31.jul), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) adote todas as providências cabíveis para viabilizar a extradição da parlamentar. “Oficie-se à AGU para que acompanhe e adote as providências cabíveis e necessárias relacionadas ao processo de extradição da ré”, afirmou Moraes no despacho.
Brasília (DF) 02/08/2023 Deputada Carla Zambelli durente coletiva no salão verde da Câmara dos Deputados. Foto Lula Marques/EBC
Zambelli foi alvo de mandado de prisão por descumprimento de medidas judiciais relacionadas a investigações em andamento no STF. Sua prisão foi comunicada formalmente às autoridades brasileiras após a confirmação da custódia na Itália.
A Penitenciária de Rebibbia, onde Zambelli está detida, é uma das principais unidades prisionais de Roma e abriga mulheres em regime fechado.
Governo norte-americano acusa ministro do STF de violar direitos humanos; instituições brasileiras reagem e defendem soberania nacional e atuação do Judiciário
Às vésperas do aumento generalizado de preços no Brasil, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), vinculado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, anunciou sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A medida foi adotada com base na Lei Magnitsky, usada pelo governo norte-americano para punir pessoas acusadas de violar direitos humanos.
Segundo o órgão dos EUA, Moraes seria responsável por decisões que violam a liberdade de expressão e promovem prisões arbitrárias. O documento menciona, entre outros pontos, as ações do ministro durante o julgamento da tentativa de golpe de Estado no Brasil e medidas direcionadas a empresas de mídia social estadunidenses.
Brasília (DF) 14/08/2024 O ministro do STF, Alexandre de Moraes, participa do seminário “A necessidade de regulamentar as redes sociais e o papel das plataformas na economia digital” Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou: “Moraes é responsável por uma campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias que violam os direitos humanos e processos politizados – inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação de hoje deixa claro que o Tesouro continuará a responsabilizar aqueles que ameaçam os interesses dos EUA e as liberdades de nossos cidadãos”.
As sanções incluem o bloqueio de bens e empresas ligadas ao ministro nos Estados Unidos, caso haja participação igual ou superior a 50%. Também ficam proibidas transações entre empresas norte-americanas e pessoas sancionadas, além do impedimento de entrada no território norte-americano.
O OFAC ainda citou decisões de Moraes envolvendo redes sociais como Rumble, vinculada à Trump Media & Technology Group, e a plataforma X, ambas sediadas nos Estados Unidos. A Rumble foi suspensa no Brasil por não possuir representante legal, o que contraria a legislação nacional. Em agosto de 2024, Moraes determinou a suspensão da plataforma X pelos mesmos motivos.
Brasília (DF), 10/06/2025 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes começa a ouvir os réus do núcleo 1 na ação da trama golpista, os interrogatórios ocorrerão presencialmente na sala de julgamentos da primeira turma da corte
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O documento acusa o ministro de minar a liberdade de expressão tanto de brasileiros quanto de cidadãos norte-americanos. A OFAC menciona ordens para bloquear perfis e prender usuários de redes sociais, mas não apresenta detalhes sobre os casos citados.
A resposta institucional brasileira foi imediata. O Supremo Tribunal Federal divulgou uma nota à imprensa na qual manifesta solidariedade a Alexandre de Moraes. A Corte ressaltou que as decisões atribuídas ao ministro foram todas validadas em votações colegiadas e que os processos judiciais referentes à tentativa de golpe contêm indícios graves de crimes, inclusive de um plano que envolvia o assassinato de autoridades públicas.
“O Supremo Tribunal Federal não se desviará do seu papel de cumprir a Constituição e as leis do país, que asseguram a todos os envolvidos o devido processo legal e um julgamento justo”, declarou a instituição em nota.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou oficialmente, classificando com “assombro” a aplicação de sanções a um magistrado brasileiro por um país estrangeiro. “A PGR manifesta solidariedade ao ministro, ao Supremo Tribunal Federal e ao Judiciário brasileiro. Renova o reconhecimento da exatidão técnica das deliberações do Supremo Tribunal Federal e dos seus integrantes”, afirmou o órgão.
Brasília (DF), 22/08/2024 – O ministro do STF, Alexandre de Moraes, e o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, durante a solenidade comemorativa ao Dia do Soldado, no Quartel-General do Exército, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em publicação nas redes sociais, reforçou a soberania do país. Sem citar diretamente os Estados Unidos ou Alexandre de Moraes, Motta afirmou que o Brasil não pode apoiar sanções externas contra membros de qualquer Poder constituído da República.
“Como país soberano não podemos apoiar nenhum tipo de sanção por parte de nações estrangeiras dirigida a membros de qualquer Poder constituído da República. Isso vale para todos os parlamentares, membros do executivo e ministros dos Tribunais Superiores”, destacou.
Hugo Motta também reafirmou o papel da Câmara como espaço de diálogo e equilíbrio na defesa da institucionalidade e da democracia brasileira, especialmente em contextos considerados desafiadores.
Especialistas ouvidos por agências internacionais afirmam que setores da extrema-direita, no Brasil e nos Estados Unidos, vêm utilizando narrativas incompletas para sustentar a ideia de perseguição e censura. Pesquisadores apontam que o ordenamento jurídico brasileiro prevê limites à liberdade de expressão e que o Judiciário atua com respaldo legal e independência.
A professora de Direito Constitucional da Universidade Estadual de Pernambuco (UPE), Flávia Santiago, explicou que todas as democracias impõem limites à liberdade de expressão. “A democracia brasileira tem limites e um deles é não pôr em dúvida as próprias instituições democráticas. Isso faz parte da nossa proposta de democracia que está na Constituição de 1988”, observou.
São Paulo (SP), 28/03/2025 – Ministro do STF Alexandre de Moraes participa do evento Democracia, Justiça, Política e o Futuro do Ministério Público na Perspectiva Feminina. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Já Fábio de Sá e Silva, pesquisador associado do Washington Brazil Office (WBO), afirmou que o bloqueio de perfis ou postagens está previsto em lei, principalmente quando envolvem crimes como incentivo ao golpe de Estado, pedofilia ou apologia ao nazismo — práticas consideradas ilegais no Brasil.
Até o momento, o impacto prático das sanções aplicadas a Moraes é considerado limitado, já que o ministro não possui bens nem contas nos Estados Unidos e tampouco tem o hábito de viajar ao país. A sanção desta semana é a segunda contra Moraes no ano. Em julho, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou a revogação dos vistos do ministro, seus familiares e aliados no STF, após a abertura de um inquérito contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
O parlamentar, que ficou licenciado do mandato entre março e julho de 2025, residiu nos Estados Unidos nesse período sob a alegação de perseguição política. Ele é investigado por articulações junto ao governo norte-americano para influenciar decisões contra o Judiciário brasileiro e impedir o avanço das investigações sobre os atos golpistas.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil / Valter Campanato/Agência Brasil / Paulo Pinto/Agência Brasil / Marcelo Camargo/Agência Brasil / Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Zambelli estava foragida após sentença de 10 anos de prisão por invasão a sistemas do CNJ; extradição pode ser solicitada
A deputada federal Carla Zambelli foi presa pela polícia italiana na tarde desta terça-feira (29.jul.2025), na Itália. A informação foi confirmada por fontes da Polícia Federal brasileira. Zambelli estava foragida desde que foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão, em maio, por invasão aos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Segundo a investigação, o crime foi cometido em 2023 e a invasão foi executada pelo hacker Walter Delgatti, que afirmou ter agido sob orientação da parlamentar. Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil e passou a integrar a lista de procurados pela Interpol.
Brasília (DF) 23/04/2024 Deputada Carla Zambelli durante coletiva na Câmara dos Deputados. Foto Lula Marques/ Agência Brasil
A localização da deputada em território italiano foi divulgada pelo deputado italiano Angelo Bonelli, que publicou em sua conta oficial na rede X (antigo Twitter) que havia repassado à polícia um endereço em Roma onde Zambelli estaria hospedada.
“Carla Zambelli está em um apartamento em Roma. Dei o endereço à polícia, e a polícia já está identificando Zambelli”, escreveu Bonelli.
O parlamentar italiano já havia se manifestado sobre o caso anteriormente. Em junho, Bonelli solicitou ao governo da Itália urgência na extradição da deputada brasileira. Segundo ele, a cidadania italiana não deveria ser usada como forma de escapar de uma condenação judicial no Brasil.
Carla Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por sua participação no episódio de invasão ao sistema do CNJ. A decisão do Supremo Tribunal Federal foi fundamentada em provas obtidas durante a investigação da ação criminosa, que envolveu acesso não autorizado a dados judiciais e adulterações em documentos eletrônicos.
De acordo com os autos do processo, Delgatti admitiu que realizou os acessos e alterações no sistema mediante instruções da deputada, com o objetivo de descredibilizar instituições públicas.
Brasília (DF) 23/04/2024 Deputada Carla Zambelli durante coletiva na Câmara dos Deputados. Foto Lula Marques/ Agência Brasil
Além do caso envolvendo o CNJ, Carla Zambelli responde a outro processo no STF, relativo ao episódio em que sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.
O episódio ocorreu em São Paulo, no bairro dos Jardins, durante um ato político. A perseguição foi registrada em vídeo e gerou repercussão nacional. A Procuradoria-Geral da República denunciou a parlamentar, que virou ré em agosto de 2023.
Até o momento, o julgamento deste segundo processo registra placar de 6 votos a 0 pela condenação de Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto. No entanto, a conclusão foi adiada após um pedido de vista apresentado pelo ministro Nunes Marques.
A prisão de Zambelli na Itália pode dar início ao processo formal de extradição, que será conduzido por meio de cooperação entre os governos do Brasil e da Itália. Ainda não há informações oficiais sobre os próximos passos legais ou se a deputada será imediatamente deportada ao Brasil.
Deputado intensifica disputas com aliados ao criticar Nikolas por live com perfil anônimo e questionar silêncio de Ratinho Júnior sobre Bolsonaro
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a protagonizar confrontos dentro do campo político da direita brasileira. Desta vez, os alvos das críticas foram o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). Os episódios ocorreram entre o fim de semana e a segunda-feira (29), e envolveram postagens nas redes sociais e manifestações públicas.
Na noite de domingo (28), Eduardo Bolsonaro usou o X (antigo Twitter) para criticar Nikolas Ferreira. O motivo foi a participação do colega mineiro em uma live com o perfil anônimo “Baianinha Intergalática”, que teria feito críticas a Jair Bolsonaro. Eduardo afirmou:
“Ela [Baianinha Intergalática] é uma pessoa abjeta, que defende a minha prisão e de minha família. É triste ver a que ponto o Nikolas chegou.”
O conflito entre os parlamentares não se restringiu à publicação. Apoiadores de Eduardo também se manifestaram nas redes sociais contra a presença de Nikolas em um evento promovido pelo empresário Pablo Marçal, ex-candidato à prefeitura de São Paulo. A crítica gira em torno da aproximação do deputado mineiro com figuras que, segundo aliados de Eduardo, não estariam alinhadas com a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além de Nikolas, Eduardo Bolsonaro direcionou críticas ao governador do Paraná, Ratinho Júnior, também no domingo. O motivo foi a postura do chefe do Executivo estadual ao comentar a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Para Eduardo, o governador não mencionou, nas suas falas, o que o deputado considera perseguição política contra Bolsonaro e seus apoiadores.
Na rede social, Eduardo publicou:
“Trump postou diversas vezes citando Bolsonaro, fez uma carta onde falou de Bolsonaro, fez declarações para a imprensa defendendo nominalmente o fim da perseguição a Bolsonaro e seus apoiadores. Desculpe-me governador Ratinho Jr, mas ignorar estes fatos não vai solucionar o problema, vai apenas prolongá-lo ao custo do sofrimento de vários brasileiros.”
Na mesma sequência de postagens, Eduardo questionou a leitura americana sobre a fala de Ratinho Júnior:
“Imagino os americanos olhando para este tipo de reação e pensando: o que mais podemos fazer para estas pessoas entenderem que é sobre ‘Jair Bolsonaro, seus familiares e apoiadores’, como expresso na carta, posts e entrevistas de Trump?”
As críticas reforçam o distanciamento entre o deputado e lideranças políticas que, apesar de integrarem o mesmo espectro ideológico, não se alinham integralmente ao discurso adotado pelo núcleo mais próximo de Jair Bolsonaro.
A postura de Eduardo Bolsonaro, nos dois episódios, tem gerado repercussão entre aliados e eleitores da direita, evidenciando disputas internas no campo político que apoiou o ex-presidente.
Até o momento, nem Nikolas Ferreira nem Ratinho Júnior comentaram publicamente as declarações feitas por Eduardo Bolsonaro.
Vice-presidente afirmou que plano de socorro está em elaboração
A quatro dias da entrada em vigor da tarifa de 50% para produtos brasileiros nos Estados Unidos, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil está conversando “com reservas” com o governo estadunidense. Ele reafirmou que o plano de contingência está em elaboração, mas disse que o foco nesta semana está nas negociações comerciais.
“Nós estamos permanentemente no diálogo e quero dizer a vocês que nós estamos dialogando neste momento pelos canais institucionais e com reserva”, disse Alckmin, em entrevista após o lançamento do Programa Acredita Exportação.
O vice-presidente não deu detalhes sobre as conversas com os Estados Unidos nem sobre o plano de contingência em elaboração para ajudar os setores afetados pela taxação.
“O plano de contingência está sendo elaborado, bastante completo, bem feito”, afirmou o vice-presidente.
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o plano de socorro seria levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana. Entre as medidas em estudo, estão linhas de crédito para os setores exportadores.
Programa Acredita Exportação
Em relação ao Acredita Exportação, cujo projeto de lei e decreto de regulamentação foram assinados nesta segunda-feira (28) pelo presidente Lula, Alckmin disse que o programa impulsionará o crescimento de micro e pequenas empresas que vendem para o exterior. Segundo ele, o projeto está alinhado com valores do governo, como a promoção do multilateralismo.
“O projeto vem em boa hora, reafirmando valores que o Brasil defende, como multilateralismo”, afirmou Alckmin, durante a solenidade de sanção do decreto.
Pelo programa, a partir de 1º de agosto, mesma data de entrada em vigor da tarifa de 50% para produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, as micro e pequenas empresas poderão receber de volta o equivalente a 3% de suas receitas com vendas externas.
O ressarcimento poderá ocorrer de forma direta ou por meio de compensação de tributos federais (desconto de tributos pagos a mais em etapas anteriores da cadeia produtiva).
Durante a estadia, o cofundador do Coletivo CIDA vai trabalhar na criação do espetáculo “Vigil Torporosa – As danças que não dancei para minha mãe”
Entre os dias 31 de julho e 13 de agosto de 2025, o artista mineiro René Loui, radicado no Rio Grande do Norte e cofundador do Coletivo CIDA, participa de uma residência artística em Paris, onde inicia o processo de criação do espetáculo “Vigil Torporosa – As danças que não dancei para minha mãe”. A ação integra o Programa Funarte Brasil Conexões Internacionais e faz parte das atividades do Ano Cultural Brasil-França 2025, com apoio da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura do Brasil.
O espetáculo parte de uma experiência pessoal do artista: o luto pela morte de sua mãe, vivenciado este ano. Mais do que representar o luto, o espetáculo busca habitá-lo como gesto artístico onde René investiga, por meio da dança e de outras linguagens cênicas, o limiar entre presença e ausência. O nome da obra vem de um termo médico encontrado no prontuário da mãe — “vigil torporosa” — que se refere a um estado entre a vigília e a inconsciência. A partir disso, o espetáculo propõe uma reflexão sensível, ética e política sobre o luto.
Dez anos após “Etéreo”, seu primeiro solo coreográfico, também criado durante uma residência artística internacional, René retorna ao tema do luto com novas camadas de complexidade e maturidade. Se antes o luto era uma forma de resistência estética, agora ele surge como um território íntimo e coletivo, onde exaustão, permanência e transformação se entrelaçam.
“Vigil Torporosa” é uma obra em construção que propõe uma linguagem híbrida, reunindo dança, performance autobiográfica, teatro documental e acessibilidade como parte da dramaturgia. Ao invés de utilizar recursos como LIBRAS, legendas e audiodescrição apenas como ferramentas técnicas, o espetáculo os incorpora como elementos poéticos e políticos, ampliando o alcance da obra e tornando o luto uma experiência partilhada e sensível.
Durante a residência em Paris, René estará acompanhado de Arthur Moura, produtor artístico e executivo do Coletivo CIDA. A dupla já realizou outra residência artística na França em 2023, na Maison de la Culture (MC2), em Grenoble. Agora, a nova experiência se desenvolve nas ruas de Paris, especialmente em espaços do circuito underground, como galerias alternativas, praças, estações e becos. A cidade é tratada não apenas como cenário, mas como um corpo sensível que dialoga com a criação.
A residência conta ainda com a colaboração crítica do artista visual e performer franco-brasileiro Daniel Nicolaevsky Maria, parceiro artístico de René desde 2021. Daniel contribui para a construção da dramaturgia e da visualidade do espetáculo, explorando temas como precariedade, suspensão e escuta.
Outro parceiro de longa data que participa do processo é o artista sonoro mexicano Fabian Aviila Elizalde, responsável pela trilha do espetáculo. René e Fabian trabalham juntos desde 2018, desenvolvendo uma linguagem cênica que une som, corpo e paisagem como elementos dramatúrgicos. Em Paris, eles irão captar os sons da cidade para compor a ambientação sonora da obra.
Ao final da residência, será realizada uma mostra de processo em Paris, em formato intimista e relacional, ativando o espaço urbano como parte da dramaturgia. No retorno ao Brasil, novas partilhas serão realizadas em Natal, com destaque para encontros no Departamento de Artes da UFRN, onde René Loui é professor, e na sede do Coletivo CIDA, a Casa Tomada, em formato de leitura pública e troca com a comunidade artística e acadêmica.
A estreia de “Vigil Torporosa – As danças que não dancei para minha mãe” está prevista para novembro de 2025, em Natal. A circulação nacional deve ocorrer no primeiro semestre de 2026.
Para mais informações: Site René Loui – reneloui.com.br Site Coletivo CIDA – coletivocida.com.br
Parlamentar embarcou para Miami usando passaporte diplomático, mesmo após decisão do STF que determinava apreensão do documento e proibição da viagem
O senador Marcos do Val (Podemos-ES) deixou o Brasil e viajou para os Estados Unidos, apesar de estar com os passaportes bloqueados por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A viagem foi confirmada nesta quinta-feira (24.jul.2025), por meio de nota divulgada pela assessoria do parlamentar.
De acordo com o comunicado, a viagem ocorreu utilizando um passaporte diplomático que não foi apreendido pela Polícia Federal (PF), embora a apreensão tenha sido determinada pelo ministro Alexandre de Moraes em agosto de 2023. O documento, segundo a assessoria, está válido até 31 de julho de 2027, e o visto americano (B1/B2) foi renovado pela embaixada dos Estados Unidos no Brasil em 22 de julho de 2025, com validade até 16 de julho de 2035.
A Polícia Federal chegou a realizar buscas em endereços ligados ao senador, mas o passaporte diplomático não foi localizado. Em fevereiro deste ano, a Primeira Turma do STF confirmou, por unanimidade, a ordem de apreensão do passaporte, além do bloqueio das redes sociais do parlamentar, que também foi proibido de se manifestar por essas plataformas. A investigação apura suposta tentativa do senador de constranger e intimidar investigadores da PF.
No dia 15 de julho, Marcos do Val protocolou um pedido ao STF solicitando autorização para viajar de férias aos Estados Unidos com a família. O pedido foi negado por Alexandre de Moraes. Segundo informações publicadas pelo portal UOL, o senador embarcou para Miami na terça-feira (23.jul.2025), antes de seus advogados serem notificados formalmente da negativa, o que ocorreu na quinta-feira (25.jul).
Em nota oficial, o senador afirmou que comunicou previamente sua viagem ao Senado Federal, ao STF, à Polícia Federal e ao Ministério das Relações Exteriores. No entanto, não mencionou o fato de que não obteve autorização para a saída do país. Durante uma transmissão ao vivo realizada na quinta-feira (24), já nos Estados Unidos, Do Val afirmou: “Minha filha nasceu aqui, é norte-americana. Eu estou na Disney, vim passar férias”.
Poucas horas antes da live, a assessoria do senador havia divulgado posicionamento no qual defendia que não havia nenhuma decisão judicial que impedisse sua liberdade de locomoção. “Apesar de estar sofrendo graves violações das minhas prerrogativas parlamentares, até o momento, não há qualquer decisão judicial válida que restrinja a minha liberdade de locomoção”, dizia a nota. Ainda segundo o comunicado, o parlamentar seguiria exercendo seu mandato normalmente e mantendo agendas institucionais.
Nesta sexta-feira (25.jul), após a confirmação da viagem e diante do descumprimento das medidas cautelares impostas, o ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio das contas bancárias do senador e das chaves Pix vinculadas ao seu nome. A decisão foi publicada após a constatação de que o parlamentar teria burlado as medidas impostas pelo Supremo.
Marcos do Val é investigado por obstrução de Justiça, após ter publicado dados pessoais do delegado da Polícia Federal Fábio Schor, responsável por investigações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos atos antidemocráticos de dezembro de 2022. A ordem de apreensão do passaporte do senador foi mantida em março deste ano pelos ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, que compõem a Primeira Turma do STF.
Até o momento, não está claro de que forma o senador conseguiu sair do país, considerando que o passaporte diplomático deveria ter sido apreendido e que o pedido de viagem havia sido oficialmente negado pelo Supremo Tribunal Federal.
Presidente disse ainda que Trump foi induzido a acreditar em mentiras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (25), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi induzido a acreditar “em uma mentira”, de que o ex-presidente Jair Bolsonaro está sofrendo perseguição no Brasil. “O Bolsonaro não é um problema meu, é um problema da Justiça brasileira”, disse Lula durante evento em Osasco (SP).
“O Bolsonaro não está sendo perseguido, ele está sendo julgado com todo o direito de defesa. Ele tentou dar um golpe nesse país, ele não queria que eu e o [vice-presidente, Geraldo] Alckmin tomássemos posse e chegou a montar uma equipe para matar o Lula, o Alckmin e para matar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o Alexandre Moraes. Isso já está provado por delação deles mesmos”, disse o presidente.
Lula se colocou à disposição para negociar a taxação de 50% que os EUA querem impor às exportações brasileiras. “Se o presidente Trump tivesse ligado para mim, eu certamente explicaria para ele o que está acontecendo com o ex-presidente”, afirmou.
Para o presidente, o filho de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), se licenciou do mandato na Câmara e foi para os Estados Unidos pedir intervenção no Brasil, “numa total falta de patriotismo”. “Vocês na Câmara tem que tomar uma atitude”, disse Lula aos deputados presentes na cerimônia.
No último dia 9 de julho, o presidente Trump enviou uma carta a Lula anunciando a imposição da tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir do dia 1º de agosto. No documento, Trump justifica a medida citando o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no STF por tentativa de golpe de Estado; ele pede a anistia a Bolsonaro.
Diálogo
Lula, então, acionou o vice-presidente Alckmin, que também é ministro da Indústria, Comércio e Serviço, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para negociarem uma solução diplomática com o país norte-americano. O governo também criou um comitê para discutir as taxações com o setor produtivo brasileiro.
“Trump, o dia que você quiser conversar, o Brasil estará pronto e preparado para discutir, para tentar mostrar o quanto você foi enganado com as informações que te deram e você vai saber a verdade sobre o Brasil. E quando você souber da verdade, você vai falar: ‘Lula, eu não vou mais taxar o Brasil, vamos ficar assim do jeito que está’. É isso. Mas é preciso conversar. E está aqui o meu conversador número 1”, disse Lula, citando o vice-presidente.
“Ninguém pode dizer que o Alckmin não quer conversar. Todo dia ele liga para alguém e ninguém quer conversar com ele. Este país é o país de um povo generoso. Então, eu quero que o Trump nos trate com a delicadeza e o respeito que eu trato os Estados Unidos e o povo americano”, acrescentou Lula.
O presidente dos Estados Unidos também justifica as taxações citando “ataques contínuos do Brasil às atividades comerciais digitais de empresas americanas” e suposta “censura” contra plataformas de redes sociais dos Estados Unidos, “ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro”. A pressão dessas empresas contra a regulação do setor no Brasil teria influenciado a decisão do presidente Trump de aplicar as tarifas.
Hoje, Lula reafirmou que vai promover a regulação das chamadas big techs – as gigantes que controlam as plataformas digitais. “Nós vamos fazer regulação porque eles têm que respeitar a legislação brasileira. Não pode ficar promovendo ódio entre os adolescentes, contando mentira, tentando destruir a democracia e o Estado de direito e democrático. Esse país tem lei e mais do que lei, esse país tem um povo que tem vergonha na cara, caráter e coragem para saber se defender”, afirmou.
Outro argumento de Donald Trump para a taxação seria o prejuízo na relação comercial com o Brasil. “A terceira coisa que também o presidente americano foi mal informado”, disse Lula. “Se você pegar serviços e comércio, os Estados Unidos tem um superávit, em 15 anos, de US$ 410 bilhões. Então, quem deveria estar reclamando éramos nós. E nós não estamos reclamando, estamos querendo negociar”, acrescentou.
Por fim, Lula afirmou que está tranquilo, mas que o Brasil vai tomar as suas posições. O governo estuda responder ao tarifaço com a Lei de Reciprocidade Econômica, mas não sem antes esgotar as vias de diálogo.
“Eu não só estou negociando, como estou colocando o meu companheiro, o vice-presidente da República, que é um homem calejado, para ser um negociador. E ele, obviamente, que não fala rouco como eu, não parece bravo como eu, ele é todo gentil. Mas ele sabe que o Brasil tem razão”, disse o presidente em Osasco.
Empresas afetadas pelas tarifas adicionais devem revisar contratos, planejamento tributário e estratégias de precificação, segundo diretor da Rui Cadete
A recente decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas adicionais sobre produtos brasileiros acendeu um alerta para empresas que atuam no comércio exterior. A medida, anunciada sob justificativas de proteção à indústria americana e prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto, deve impactar a margem de lucro de exportadoras brasileiras e acirrar ainda mais o cenário de competitividade internacional.
Diante desse novo contexto, especialistas recomendam atenção redobrada das empresas quanto aos aspectos fiscais, contratuais e estratégicos das operações. Para o contador e diretor da Rui Cadete, Daniel Carvalho, a atuação contábil é fundamental na identificação de riscos, mitigação de perdas e busca por alternativas que preservem a saúde financeira dos negócios.
“Mudanças como essa afetam diretamente o planejamento financeiro e operacional das empresas exportadoras. Além da revisão de contratos internacionais, é fundamental reavaliar custos, margens de lucro e benefícios fiscais disponíveis, como o Reintegra e o regime de drawback, que podem ajudar a compensar parte das perdas e manter a viabilidade das operações”, orienta.
Segundo Daniel Carvalho, o papel do contador “vai muito além” do cumprimento das obrigações acessórias. Em um cenário de incertezas e mudanças no comércio internacional, a contabilidade ganha uma dimensão estratégica ao oferecer às empresas análises precisas, simulações financeiras e suporte técnico para decisões que impactam diretamente a continuidade e a rentabilidade das operações.
“Empresas que atuam no mercado internacional precisam de um acompanhamento técnico permanente, que possibilite respostas rápidas e assertivas diante de alterações no cenário global, como novas taxações, variações cambiais ou mudanças em acordos comerciais. Nesse contexto, a contabilidade construtiva atua na busca por soluções que assegurem a sustentabilidade e a competitividade do negócio”, completa o diretor da Rui Cadete.
Entre as recomendações para empresas impactadas pelas tarifas estão a revisão do planejamento tributário, a renegociação de preços e prazos com compradores externos, o reforço no compliance fiscal e a análise de oportunidades em outros mercados internacionais. A medida deve entrar em vigor no dia 1º de agosto, mas entidades setoriais e o governo brasileiro buscam diálogo com os EUA para reverter ou mitigar os efeitos da sobretaxa.
Ailton Soares, de 38 anos, estava internado desde junho em estado grave e não resistiu aos ferimentos
O potiguar Ailton Soares de Oliveira, de 38 anos, morreu na madrugada deste domingo (20.jul.2025), após não resistir aos ferimentos causados por um incêndio ocorrido no apartamento onde ele morava em Dublin, na Irlanda.
O incêndio teve início no dia 24 de junho, quando a bateria de uma bicicleta elétrica que estava sendo carregada no imóvel explodiu. Ailton, que trabalhava como entregador no país, estava sozinho no apartamento no momento do incidente.
Gravemente ferido, ele foi socorrido por equipes do Corpo de Bombeiros da cidade e levado a um hospital local. Desde então, passou por procedimentos cirúrgicos e ficou internado em coma induzido. De acordo com relatos de familiares, Ailton apresentou sinais de melhora em alguns momentos durante a internação, mas o quadro de saúde se agravou nos últimos dias, levando ao óbito.
A família, que reside em Natal, foi informada da morte no domingo. Desde o acidente, amigos e parentes organizavam uma campanha de arrecadação de fundos para custear o tratamento médico de Ailton. Com o falecimento, os esforços foram redirecionados para a realização do translado do corpo ao Brasil e a cobertura de despesas com documentação, velório e sepultamento.
“Após dias de luta intensa, ele não resistiu aos ferimentos causados pelo grave acidente. Ailton partiu longe de casa, mas cercado por nossas orações, amor e esperança”, diz um comunicado publicado por familiares nas redes sociais.
Em nota divulgada online, a família agradeceu todas as contribuições recebidas até o momento e reforçou o pedido por novas doações para garantir o retorno do corpo ao país de origem. “Agradecemos imensamente a todos que ajudaram até aqui — com doações, mensagens e compartilhamentos. Agora precisamos da sua ajuda para trazer o corpo ao Brasil”, diz o texto.
A campanha continua ativa nas plataformas digitais, com o objetivo de arrecadar os valores necessários para viabilizar o procedimento internacional de repatriação do corpo, além dos trâmites legais e funerários.
Até o momento, não há informações divulgadas pelas autoridades locais sobre investigações em relação à causa da explosão da bateria da bicicleta elétrica. Familiares aguardam os próximos passos para realizar o sepultamento em Natal.
Deputado afirma que está sendo alvo de perseguição e volta a criticar ministros do STF; licença de Eduardo chegou ao fim neste domingo
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou neste domingo (20.jul.2025) que não pretende renunciar ao mandato. A afirmação foi feita durante uma live transmitida em seu canal no YouTube. “De cara, adianto para vocês: não vou fazer nenhum tipo de renúncia. Se eu quiser, consigo levar o meu mandato pelo menos pelos próximos três meses”, afirmou.
Durante o vídeo, Eduardo Bolsonaro, que estava licenciado do cargo até este domingo, voltou a alegar que é alvo de perseguição. Ele criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e também mencionou os ministros Flávio Dino e Luís Roberto Barroso.
“O sistema está me perseguindo por conta do meu trabalho. Se você um dia tiver dúvida: ‘Poxa, de quem é essa criança bonita aí que está cancelando visto de ministro da Suprema Corte?’ É do Eduardo Bolsonaro. Por isso estão com raiva vindo atrás de mim”, disse o deputado, fazendo referência à revogação de vistos de ministros do STF pelos Estados Unidos.
No sábado (19), Alexandre de Moraes afirmou que Eduardo teria intensificado condutas ilícitas após medidas restritivas aplicadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de uso de redes sociais e de contato com outros investigados. Em resposta, Eduardo classificou as medidas como “humilhação” e pediu uma “resposta” do governo norte-americano.
Licença de Eduardo Bolsonaro chegou ao fim
A licença de Eduardo Bolsonaro encerrou oficialmente neste domingo (20). Com isso, ele deve ser reconduzido automaticamente ao cargo de deputado federal. No entanto, como segue nos Estados Unidos, sua ausência nas sessões parlamentares pode gerar consequências, incluindo a perda do mandato.
Em entrevista à Coluna do Estadão no último dia 14, Eduardo disse que pretende continuar fora do Brasil. “Por ora eu não volto [para o Brasil]. A minha data para voltar é quando Alexandre de Moraes não tiver mais força para me prender. Estou falando com alguns assessores. Se for o caso de perder o mandato, vou perder o mandato e continuar aqui. O trabalho que estou fazendo aqui é mais importante do que o trabalho que eu poderia fazer no Brasil”, afirmou.
O deputado federal solicitou licença do cargo no dia 18 de março de 2025, por um total de 122 dias — sendo dois dias por motivos de saúde e 120 dias por razões particulares. À época, declarou que a licença seria sem remuneração e que se dedicaria a buscar sanções contra supostos violadores de direitos humanos.
Durante a licença, sua vaga foi ocupada pelo suplente José Olímpio (PL-SP).
De acordo com o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, no Art. 235, os parlamentares podem solicitar licença sem remuneração para tratar de interesses particulares, desde que o afastamento não ultrapasse 120 dias por sessão legislativa.
Ainda segundo o Art. 240, a perda do mandato pode ocorrer em três situações: morte, renúncia ou ausência injustificada a um terço das sessões ordinárias durante o ano legislativo, salvo em casos de licença ou missão oficial autorizada.
Críticas ao ministro Barroso com base em informação incorreta
Durante a live, Eduardo Bolsonaro também se dirigiu ao ministro Luís Roberto Barroso. Ele citou um suposto caso envolvendo a filha do ministro, Luna van Brussel Barroso, que, segundo Eduardo, teria sido deportada dos Estados Unidos devido à revogação de vistos — o que não corresponde à realidade.
Luna concluiu pós-graduação na Universidade de Yale, em New Haven (Connecticut), e voltou ao Brasil em 2023. Atualmente, ela cursa doutorado em Direito Constitucional na USP e trabalha como advogada em um escritório fundado por antigos sócios de Barroso.
“Eu queria perguntar ao ministro Barroso se ele acha justo que a filha dele tenha que trancar os estudos nos Estados Unidos e voltar ao Brasil. Porque a minha situação é muito pior, ministro Barroso, e o senhor, absolutamente, não fez nada para impedir essa perseguição. Quando não, contribuiu. Precisava chegar nesse ponto?”, questionou Eduardo, ainda se referindo à sua situação nos Estados Unidos.
Segundo ele, não pode voltar ao Brasil, enquanto seu pai está sem passaporte. Eduardo comparou sua condição à do ministro, afirmando que Barroso poderia ao menos encontrar a filha em outro país, como a Europa, se quisesse.
A declaração sobre a filha do ministro foi feita com base em informações falsas. Luna não está sendo deportada nem reside atualmente nos Estados Unidos.
Cantora enfrentava um câncer desde 2023 e faleceu em Nova York; artistas, políticos e fãs lamentam a perda
A cantora, apresentadora e empresária Preta Gil morreu neste domingo (20.jul.2025), aos 50 anos, em sua residência em Nova York, nos Estados Unidos. Ela enfrentava um câncer colorretal desde janeiro de 2023. A morte foi confirmada por sua assessoria de imprensa e repercutiu em todo o país, gerando comoção entre familiares, artistas, autoridades e fãs.
Filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, sobrinha de Caetano Veloso e afilhada de Gal Costa, Preta nasceu no Rio de Janeiro, em 8 de agosto de 1974. Desde cedo envolvida com o meio artístico, construiu uma carreira diversificada, que incluiu seis álbuns, programas de televisão, projetos empresariais como a agência Mynd e o tradicional “Bloco da Preta” no Carnaval do Rio de Janeiro.
Em nota divulgada nas redes sociais, Gilberto Gil e Flora Gil informaram que a família está providenciando a repatriação do corpo. “Estamos neste momento cuidando dos procedimentos para sua repatriação ao Brasil. Pedimos a compreensão de tantos queridos amigos, fãs e profissionais da imprensa enquanto atravessamos esse momento difícil em família. Assim que possível, divulgaremos informações sobre as despedidas”, informou a família.
A última aparição pública de Preta Gil ocorreu no dia 26 de abril, em São Paulo, quando ela subiu ao palco ao lado do pai, durante a turnê “Tempo Rei”, que marca a despedida de Gilberto Gil dos palcos.
Desde o diagnóstico, Preta compartilhou abertamente os desafios do tratamento, passando por cirurgias, quimioterapia e períodos de remissão e recidiva. Em agosto de 2023, ela celebrou a retirada do tumor, mas a doença retornou em 2024, levando a novos ciclos de tratamento, inclusive nos Estados Unidos, onde veio a falecer após agravamento no quadro clínico.
A cantora deixa o pai, a mãe, irmãos, o filho Francisco Gil — fruto de seu relacionamento com o ator Otávio Müller — e a neta Sol de Maria. Francisco acompanhou os últimos dias da mãe nos Estados Unidos, junto a amigos próximos.
Homenagens de artistas, autoridades e instituições
Logo após a confirmação da morte, personalidades de diferentes áreas manifestaram pesar pela perda de Preta Gil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Preta “seguia espalhando a alegria de viver mesmo nos momentos mais difíceis” e ligou para Gilberto Gil e Flora para oferecer apoio.
A chef e apresentadora Bela Gil, irmã de Preta, descreveu a perda como sua “maior grande perda” e “eterna inspiração”. Diversos artistas também homenagearam a cantora. Ivete Sangalo escreveu: “Não consigo entender essas notícias sobre sua partida. A sua luz tão forte nos fortalece.” Angélica afirmou que Preta foi “amiga no sentido mais profundo da palavra”.
Luciano Huck relembrou a amizade de mais de 25 anos: “Ela esteve presente nos momentos mais marcantes e felizes da minha vida.” Taís Araújo declarou que seguirá firme nas “aulas” que teve com Preta. O cantor Thiaguinho escreveu: “Um pedaço de mim que se vai… um pedaço da minha história.”
Outras manifestações vieram da atriz Fernanda Torres, da atriz e cantora Zezé Motta, do ator Bruno Gagliasso e do vice-presidente Geraldo Alckmin. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a autenticidade da artista. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou que Preta “foi e sempre será potência”. A primeira-dama Janja Silva escreveu que “o Brasil inteiro se mobilizou em amor e orações pela sua recuperação”.
Entidades também se pronunciaram. A escola de samba Estação Primeira de Mangueira lembrou da participação de Preta como Rainha de Bateria em 2007. O Clube de Regatas do Flamengo, do qual Preta era torcedora, prestou condolências e destacou sua luta por justiça.
Legado artístico e social
Além de sua carreira musical e na televisão, Preta Gil foi conhecida por seu posicionamento firme em pautas sociais. Atuou contra o racismo, a gordofobia e o preconceito de gênero. Também usou sua visibilidade para defender o diagnóstico precoce do câncer, tema que ganhou força após seu diagnóstico.
Mesmo em tratamento, continuou participando de eventos e mobilizando seguidores com mensagens sobre autoestima e aceitação. O “Bloco da Preta” se tornou uma das atrações mais conhecidas do Carnaval do Rio, reunindo milhares de foliões e promovendo diversidade e inclusão.
A morte de Preta Gil encerra uma trajetória de mais de duas décadas de atuação artística e ativismo social. Informações sobre velório e sepultamento devem ser divulgadas pela família nos próximos dias.
Ministro determinou que PF junte postagens e entrevistas do deputado licenciado ao inquérito sobre tentativa de obstrução de Justiça
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste sábado (19.jul.2025) que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) intensificou a prática de condutas consideradas ilícitas após a imposição de medidas cautelares contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre essas medidas, está a instalação de uma tornozeleira eletrônica.
Moraes determinou que a Polícia Federal (PF) inclua no inquérito as postagens e entrevistas concedidas por Eduardo Bolsonaro logo após a revelação das medidas contra o ex-presidente. Segundo o ministro, o parlamentar passou a fazer diversos ataques ao STF nas redes sociais após a decisão judicial.
“Após a adoção de medidas investigativas de busca e apreensão domiciliar e pessoal, bem como a imposição de medidas cautelares em face de Jair Messias Bolsonaro, o investigado Eduardo Nantes Bolsonaro intensificou as condutas ilícitas objeto desta investigação, por meio de diversas postagens e ataques ao Supremo Tribunal Federal nas redes sociais”, afirmou Moraes no despacho.
Esta foi a primeira manifestação pública do ministro sobre o caso desde que o governo dos Estados Unidos anunciou o cancelamento de vistos de entrada no país para Moraes, outros ministros do STF e seus familiares.
Neste sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se contra a revogação dos vistos e declarou solidariedade aos ministros da Corte.
Medidas contra o ex-presidente
Na sexta-feira (18.jul), Jair Bolsonaro passou a usar tornozeleira eletrônica, por determinação de Moraes. A medida foi referendada pela maioria da Primeira Turma do STF. Entre as determinações impostas, o ex-presidente está proibido de sair de casa à noite, entre 19h e 6h, e nos fins de semana. Ele também não pode manter contato com o filho Eduardo Bolsonaro nem com embaixadores, além de estar impedido de se aproximar de embaixadas ou consulados.
Além disso, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Bolsonaro e em seu escritório político, localizado na sede do Partido Liberal (PL), em Brasília. Durante a operação, foram apreendidos um pen drive escondido em um banheiro da residência, além de US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie.
As ações fazem parte de um inquérito instaurado a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar supostos crimes de coação no curso do processo, obstrução de Justiça e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Suposta atuação de Eduardo nos EUA
Na decisão de sexta-feira, Moraes citou risco de fuga de Bolsonaro e a necessidade de interromper ações que visariam intimidar o STF a arquivar a ação penal em que o ex-presidente é réu por tentativa de golpe de Estado.
O ministro também mencionou que o próprio Bolsonaro admitiu ter enviado cerca de R$ 2 milhões para manter Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado está no país desde março, após se licenciar do mandato.
Segundo a PGR e a PF, Eduardo Bolsonaro tem atuado junto ao governo norte-americano com o objetivo de buscar sanções contra autoridades brasileiras, como forma de pressionar o Judiciário a arquivar as ações contra o ex-presidente.
Entre as evidências reunidas, há registros de publicações e entrevistas em que Eduardo defende a imposição de sanções ao Brasil. Em algumas dessas declarações, ele relata reuniões com representantes do governo dos EUA.
Contexto internacional
O caso ganhou repercussão internacional após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a taxação de 50% sobre produtos brasileiros. A medida teria sido motivada, entre outros fatores, pela alegação de que Bolsonaro estaria sofrendo perseguição política no Brasil.
Defesa
Logo após instalar a tornozeleira eletrônica na Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, Jair Bolsonaro declarou à imprensa que a medida representa uma “suprema humilhação”. Ele negou intenção de deixar o país para escapar de eventual condenação.
Em nota, a defesa do ex-presidente afirmou que recebeu com “surpresa e indignação” a imposição das medidas cautelares e ressaltou que Bolsonaro sempre cumpriu as determinações do Poder Judiciário.
Medida foi anunciada após operação da PF contra Bolsonaro; STF ainda não se manifestou
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou nesta sexta-feira (18.jul.2025) a revogação dos vistos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de seus familiares e de aliados na Corte. A medida foi divulgada por meio de comunicado, mas sem detalhar quais outros ministros do STF seriam afetados.
A revogação ocorre no mesmo dia em que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo de operação da Polícia Federal (PF), que incluiu mandado de busca e apreensão, imposição de uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno, das 19h às 6h.
No anúncio, Rubio afirmou que Moraes estaria promovendo ações que violam direitos, ao perseguir o ex-presidente Bolsonaro e impor medidas que ele classificou como censura.
“A política de caça às bruxas de Alexandre de Moraes contra Jair Bolsonaro criou um complexo de perseguição e censura que viola os direitos dos brasileiros e também atinge os americanos. Ordenei a revogação dos vistos de Moraes, seus aliados na corte e seus familiares, de forma imediata”, declarou o secretário.
Até o momento da publicação, o Supremo Tribunal Federal não se manifestou oficialmente sobre a medida anunciada pelo governo dos Estados Unidos.
Operação da PF
As medidas cautelares impostas ao ex-presidente Bolsonaro fazem parte de um inquérito que investiga a suposta tentativa de interferência internacional para pressionar autoridades brasileiras e influenciar decisões judiciais. O foco da apuração é a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente.
O inquérito apura articulações com membros do governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para promover retaliações contra o governo brasileiro e membros do Supremo Tribunal Federal. A investigação também busca esclarecer ações para impedir o avanço da ação penal relacionada à suposta trama golpista.
Em março deste ano, Eduardo Bolsonaro solicitou licença do mandato parlamentar na Câmara dos Deputados e passou a residir nos Estados Unidos. Ele alegou perseguição política como justificativa para o afastamento temporário do cargo. A licença parlamentar concedida termina no próximo domingo (20).
Repercussão
A decisão de revogar os vistos de Moraes, familiares e aliados gera repercussões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, ainda sem manifestação oficial do Itamaraty ou da Suprema Corte brasileira. A ação ocorre em meio a tensões políticas relacionadas às investigações em curso sobre tentativa de ruptura institucional no país.
O governo brasileiro ainda não informou se adotará medidas diplomáticas em resposta ao anúncio feito por Marco Rubio.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil / Molly Riley
Inquérito do governo Trump questiona práticas brasileiras envolvendo Pix, etanol, comércio digital e propriedade intelectual
O governo dos Estados Unidos, por meio do Escritório do Representante Comercial (USTR), iniciou uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (15.jul.2025) e representa um aprofundamento das medidas de retaliação comercial já iniciadas anteriormente, como o aumento de tarifas de importação para produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
Pix é o pagamento instantâneo brasileiro. O meio de pagamento criado pelo Banco Central (BC) em que os recursos são transferidos entre contas em poucos segundos, a qualquer hora ou dia. É prático, rápido e seguro.
A investigação tem como objetivo apurar se políticas e práticas brasileiras são consideradas irracionais, discriminatórias ou restritivas ao comércio com os Estados Unidos. Entre os temas mencionados pelo USTR estão propriedade intelectual, tarifas preferenciais, etanol, desmatamento ilegal, comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, como o Pix.
Serviços de pagamento eletrônico e Pix
O relatório divulgado pelo governo americano aponta práticas desleais no setor de pagamentos eletrônicos, sugerindo favorecimento a sistemas desenvolvidos pelo próprio governo brasileiro. O documento menciona “vantagens para os serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, sem citar diretamente o Pix, mas com referência clara à sua atuação no mercado.
Comércio digital e transferência de dados
Outra preocupação do USTR está relacionada à legislação brasileira sobre transferência internacional de dados. O órgão afirma que o Brasil impõe restrições amplas à saída de dados pessoais do país, o que pode afetar rotinas comerciais e operações de empresas americanas que utilizam servidores nos Estados Unidos.
Propriedade intelectual
O relatório também traz críticas à política de propriedade intelectual adotada no Brasil. O USTR aponta a existência de comércio generalizado de produtos falsificados, consoles modificados e dispositivos de streaming ilícitos. Como exemplo, cita a Rua 25 de Março, em São Paulo, como um dos maiores mercados de produtos falsificados do país.
A lentidão na concessão de patentes também é mencionada como um problema. De acordo com o órgão americano, o tempo médio de espera para concessão de patentes biofarmacêuticas é de cerca de 7 anos, chegando a 9,5 anos no caso de patentes farmacêuticas concedidas entre 2020 e 2024.
Etanol e tarifas comerciais
O documento também trata da disputa em torno do etanol. O USTR afirma que os produtores americanos enfrentam tarifas elevadas para exportar ao Brasil, o que contrasta com o tratamento recíproco anteriormente adotado entre os dois países. Em 2024, os Estados Unidos produziram aproximadamente 16,1 bilhões de galões de etanol, enquanto o Brasil produziu cerca de 8,8 bilhões — juntos, os dois países representam 80% da produção mundial.
Foto: Joyce N. Boghosian
De acordo com o USTR, a revogação do tratamento recíproco pelo Brasil comprometeu o equilíbrio comercial entre os dois países e afetou negativamente os produtores americanos.
A investigação pode resultar em novas sanções ou medidas comerciais, a depender da conclusão do processo conduzido pelo USTR. Não há prazo oficial divulgado para o encerramento da investigação.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil / Paulo Pinto/Agência Brasil
Alckmin, Alcolumbre e Hugo Motta defendem união entre Executivo e Legislativo para enfrentar retaliação americana
Representantes do governo federal e do Congresso Nacional divulgaram nesta quarta-feira (16.jul.2025) um vídeo conjunto em que afirmam trabalhar em articulação para responder às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada pelo presidente americano Donald Trump e entra em vigor a partir de 1º de agosto.
Participam do vídeo o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin; o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP); e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Declarações de apoio do Legislativo
Davi Alcolumbre afirmou que o Parlamento está unido na defesa dos interesses do Brasil. Segundo ele, a condução da resposta às tarifas será liderada pelo Poder Executivo, com o Congresso atuando na retaguarda para garantir agilidade às decisões políticas e legislativas.
“Quero registrar ao presidente Geraldo Alckmin e também ao presidente Lula que o Parlamento brasileiro está unido em torno da defesa dos interesses nacionais”, disse Alcolumbre.
Hugo Motta reforçou o compromisso do Legislativo em colaborar com rapidez. “Estamos prontos para estar na retaguarda do Poder Executivo para que, nas decisões necessárias à ação do Parlamento, nós possamos agir com rapidez, com agilidade, para que o Brasil possa sair mais forte desta crise.”
Ambos classificaram a medida americana como uma interferência externa e mencionaram a soberania nacional como ponto central da reação.
Posição do Executivo
Durante o vídeo, o ministro Geraldo Alckmin classificou as tarifas como inadequadas e disse que os Estados Unidos têm balança comercial superavitária com o Brasil. Segundo ele, dos dez principais produtos exportados pelos EUA ao Brasil, oito não pagam tarifas de importação.
“É um equívoco do governo americano, porque eles têm superavit na balança comercial com o Brasil. Dos dez produtos que eles mais exportam, oito não pagam nada de imposto. É totalmente inadequado, injusto, e vamos trabalhar juntos para reverter essa situação”, declarou o ministro.
Reunião com líderes políticos
A gravação do vídeo ocorreu após reunião realizada na Residência Oficial do Senado. Participaram do encontro a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann; os senadores Jaques Wagner (PT-BA), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Rogério Carvalho (PT-SE), Weverton Rocha (PDT-MA), Fernando Farias (MDB-AL) e Nelsinho Trad (PSD-MS).
O senador Nelsinho Trad é autor de um requerimento aprovado na terça-feira (15) que autoriza o envio de uma comitiva de senadores a Washington. A missão tem como objetivo discutir diretamente com autoridades americanas a decisão sobre as tarifas. A viagem está prevista para a última semana de julho.
A mobilização ocorre em meio a preocupações de setores industriais e agropecuários que estimam prejuízos com a nova política tarifária dos Estados Unidos. O governo brasileiro já iniciou tratativas diplomáticas e comerciais para reverter a decisão.
Reunião discutiu estratégias para mitigar efeitos do aumento tarifário em produtos potiguares
O Governo do Rio Grande do Norte está elaborando uma carta conjunta com representantes dos setores produtivos para apresentar estratégias que busquem atenuar os impactos do aumento das tarifas anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos potiguares.
O tema foi o principal ponto da reunião realizada na terça-feira (15.jul.2025), que contou com a participação dos secretários de Desenvolvimento Econômico, Alan Silveira; da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier; e de Agricultura e Pesca, Guilherme Saldanha. Também estiveram presentes representantes da Federação das Indústrias do RN (Fiern), da Fecomércio, da Faern, do Sebrae, da Codern e de outras entidades de segmentos atingidos pela elevação tarifária.
Segundo Alan Silveira, secretário de Desenvolvimento Econômico, a carta em elaboração será direcionada ao governo federal, com propostas para incluir as especificidades do Rio Grande do Norte nas negociações. Ele informou que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) está monitorando os possíveis impactos no estado e estudando medidas que possam reduzir prejuízos aos setores exportadores.
Silveira mencionou ainda a intenção de, caso não seja possível reverter o aumento tarifário de forma imediata, negociar um prazo de 90 dias junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) para permitir tratativas mais amplas.
O secretário da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, destacou a importância do diálogo com os setores produtivos para definir os pontos principais do documento. Ele afirmou que a reunião teve a participação de representantes dos setores mais impactados, buscando discutir medidas que serão consolidadas na carta a ser enviada ao governo federal.
Carlos Eduardo Xavier também explicou que o objetivo inicial é tentar reverter as medidas de aumento das tarifas. Caso isso não ocorra, será buscado um prazo maior para negociação, de modo a evitar impactos negativos para o emprego e a renda no estado.
Durante o encontro, o secretário de Desenvolvimento Econômico apresentou um estudo técnico que detalha os possíveis efeitos do aumento tarifário sobre a economia potiguar. Entre os principais produtos exportados do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos em 2025 estão albacora-bandolim, caramelos e confeitos, sal marinho, atuns, granitos, açúcares de cana, peixes congelados e castanha de caju.
O presidente da Fiern, Roberto Serquiz, afirmou que a reunião foi uma oportunidade para dialogar sobre o problema e buscar soluções técnicas. Ele ressaltou que o aumento das tarifas pode prejudicar setores como o sal, a pesca e os doces e caramelos.
Entre as sugestões apresentadas pelo governo estadual durante a reunião está o estímulo a acordos comerciais e protocolos fitossanitários bilaterais, por meio de articulação federativa.
Participaram também o secretário de Agricultura e Pesca, Guilherme Saldanha; o secretário adjunto de Desenvolvimento, Hugo Fonseca; e o diretor-presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), Paulo Henrique de Macedo.
Entre os representantes das entidades dos setores produtivos estavam o superintendente do Sebrae-RN, José Ferreira de Melo; o presidente do Sindicato da Indústria de Extração de Sal do RN (SIESAL-RN), Airton Torres; o presidente do Sindicato da Indústria de Doces e Conservas Alimentícias do RN (SINDAL-RN), Ednaldo Barreto; o presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do RN (SINDIPESCA-RN), Arimar França Filho; o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), Ricardo Henrique; o diretor executivo da Federação do Comércio, Laumir Barreto; e o assessor técnico da Federação da Agricultura, Cleudo Juventino.
A elaboração da carta com propostas será baseada nas demandas apresentadas pelos setores produtivos e nos dados técnicos sobre o impacto das tarifas. O documento deve reunir as estratégias sugeridas para reduzir prejuízos econômicos ao Rio Grande do Norte.
Vice-presidente lidera reuniões com setores industrial e agropecuário sobre impacto das tarifas de 50%
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, liderou nesta terça-feira (15.jul.2025) duas reuniões com representantes dos setores industrial e agropecuário para discutir os impactos da decisão dos Estados Unidos de aumentar para 50% as tarifas de importação de produtos brasileiros.
Durante os encontros, realizados em Brasília, Alckmin ouviu relatos de prejuízos já observados em diferentes cadeias produtivas. Os empresários defenderam que o Brasil evite adotar medidas de retaliação e sugeriram que o governo federal solicite o adiamento da vigência das tarifas, prevista para 1º de agosto.
De acordo com o vice-presidente, o objetivo é negociar com os EUA até o fim do prazo para tentar reverter ou atenuar os efeitos das tarifas. “Ouvimos todos os setores com maior fluxo de comércio com os Estados Unidos — desde aviação, aço, alumínio, máquinas, têxteis, calçados, papel e celulose. O que vimos foi um alinhamento em torno da negociação. Eu trouxe a mensagem do presidente Lula de empenho para rever esta situação”, declarou.
Segundo dados citados por Alckmin, as exportações do Brasil para os Estados Unidos cresceram 4,37% entre janeiro e junho deste ano, enquanto as importações americanas para o Brasil aumentaram 11,48% no mesmo período. O vice-presidente afirmou que esse desequilíbrio reforça a importância da negociação.
Ainda segundo Alckmin, o setor produtivo brasileiro se comprometeu a dialogar com seus parceiros nos Estados Unidos — incluindo compradores, fornecedores e empresas — para buscar soluções que evitem prejuízos bilaterais.
Participação do Ministério da Agricultura
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, também participou da reunião com representantes do setor agropecuário. Ele destacou que o governo Lula tem atuado desde o início do mandato para ampliar os mercados de exportação da agropecuária brasileira.
Fávaro informou que 393 novos mercados foram abertos desde o início de 2023. Segundo ele, o setor pecuário projetava dobrar as exportações de carne em 2025, antes do anúncio das tarifas. “O diálogo está aberto na parte brasileira, mas com respeito à soberania e muita altivez”, afirmou.
Novas estratégias
Os representantes empresariais presentes nas reuniões sinalizaram apoio às tratativas conduzidas pelo governo federal. Entre as estratégias discutidas estão a intensificação do diálogo diplomático e a busca por novos acordos comerciais com outros mercados.
Alckmin destacou que a imposição das tarifas pode ter repercussões também nos Estados Unidos, encarecendo produtos e impactando a economia local. Segundo ele, esse cenário pode ser utilizado como argumento para reabrir negociações bilaterais.
As reuniões integram os esforços do governo federal para enfrentar os impactos da medida adotada pelo governo americano e estabelecer alternativas que minimizem os efeitos sobre a produção nacional.
Deputado licenciado reage a postura de Tarcísio de Freitas sobre negociação com EUA para reduzir tarifa de 50%
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por sua postura em relação ao tarifaço anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A crítica foi publicada por Eduardo em sua conta na rede social X (antigo Twitter), onde ele afirmou que para Tarcísio “subserviência servil às elites é sinônimo de defender os interesses nacionais”.
A manifestação de Eduardo Bolsonaro ocorreu após o governador paulista se reunir com empresários do setor industrial para tratar da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Eduardo Bolsonaro havia declarado que a iniciativa de Tarcísio em buscar negociação com o governo norte-americano era um desrespeito pessoal. O deputado licenciado defende que uma anistia aos réus do 8 de janeiro seria a solução para que Trump reconsiderasse a imposição da tarifa.
No mesmo posicionamento publicado em rede social, Eduardo Bolsonaro afirmou que o governador deveria focar em combater o que chama de “regime de exceção”, o qual, segundo ele, prejudicaria a economia brasileira e as liberdades individuais.
A reunião de Tarcísio de Freitas com empresários ocorreu nesta terça-feira (15), no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. O encontro teve como objetivo discutir os impactos da tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos e buscar estratégias para reduzir os prejuízos para a indústria paulista.
O tarifaço anunciado por Donald Trump deve entrar em vigor a partir de 1º de agosto, com alíquota única de 50% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
Além das reuniões com o setor industrial, o governo federal também iniciou encontros com representantes do agronegócio e empresas com relação comercial com os Estados Unidos para discutir os efeitos da nova tarifa e articular eventuais respostas.
A posição de Eduardo Bolsonaro gerou repercussão por ocorrer em meio às negociações entre o governo estadual, o setor produtivo e autoridades federais para encontrar alternativas diante da sobretaxa.
O deputado licenciado está nos Estados Unidos desde março, quando pediu licença do mandato na Câmara Federal alegando risco de prisão no Brasil. Ele tem defendido publicamente que as dificuldades diplomáticas e comerciais atuais estão vinculadas ao cenário político interno.
A crítica ao governador Tarcísio de Freitas se soma a um contexto em que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentam diferentes estratégias e discursos para tentar influenciar a política comercial e diplomática com os Estados Unidos, especialmente diante das decisões do governo de Donald Trump.
As discussões sobre o tarifaço seguem envolvendo o governo federal, lideranças estaduais e representantes do setor produtivo brasileiro, que tentam avaliar os impactos econômicos e buscar soluções diplomáticas ou comerciais para amenizar os efeitos da medida.
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados / Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Reuniões com empresários buscam estratégias para responder à tarifa anunciada por Donald Trump
O governo federal iniciou nesta terça-feira (15.jul.2025) reuniões com representantes dos setores industrial e do agronegócio para discutir a resposta à taxação de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos. As conversas fazem parte da estratégia para definir medidas diante da elevação tarifária que deverá entrar em vigor a partir de 1º de agosto.
As reuniões ocorrem em dois turnos: pela manhã, com empresários do setor industrial, e à tarde, com representantes do agronegócio.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, abriu o encontro da manhã ressaltando que o governo brasileiro busca negociar com os Estados Unidos de forma tranquila, sem interferir em outros poderes da República.
Alckmin classificou a medida norte-americana como inadequada e destacou a importância da participação dos empresários no processo de construção de uma estratégia conjunta.
Segundo o vice-presidente, existe uma relação de reciprocidade comercial entre os dois países, especialmente em setores como o siderúrgico. Alckmin reforçou que a nova taxação encarece o comércio bilateral e impacta negativamente a economia dos dois lados.
O governo federal também planeja dialogar com empresas norte-americanas que compram e vendem para o Brasil, buscando sensibilizá-las sobre os efeitos da tarifa.
As reuniões fazem parte das atividades do recém-criado Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais. Este comitê reúne os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Fazenda, Relações Exteriores e Casa Civil, além de outras pastas convidadas para os debates.
Na segunda-feira (14.jul), Alckmin destacou que o governo brasileiro já vinha mantendo diálogo com representantes dos Estados Unidos antes mesmo do anúncio das novas tarifas. Em 16 de maio, foi enviada uma proposta de negociação em caráter confidencial, que não recebeu resposta formal.
Até o momento do anúncio oficial da tarifa por parte de Donald Trump, representantes dos dois países ainda realizavam reuniões técnicas para tratar do tema.
A medida anunciada pelos Estados Unidos estabelece uma tarifa única de 50% para todas as exportações brasileiras, representando um impacto direto para diversos setores produtivos.
O governo brasileiro avalia alternativas caso a tarifa seja mantida. Uma das estratégias envolve o uso da Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada neste ano pelo Congresso Nacional. A regulamentação dessa lei foi publicada nesta terça-feira (15), criando mecanismos para a adoção de contramedidas comerciais em caso de barreiras unilaterais.
A expectativa do governo é coletar sugestões e estudos do setor privado para embasar decisões futuras. As conversas com empresários devem ajudar a mapear os principais impactos econômicos e definir eventuais respostas diplomáticas ou comerciais que possam ser adotadas para minimizar os efeitos do tarifaço.
Deputado afirma que só voltará ao Brasil quando Alexandre de Moraes não tiver “força para prendê-lo”
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que poderá abrir mão do mandato e confirmou que seguirá nos Estados Unidos “por ora”. Segundo ele, sua volta ao Brasil depende de mudanças no cenário jurídico.
“A minha data para voltar é quando [o ministro do Supremo Tribunal Federal] Alexandre de Moraes não tiver mais força para me prender”, declarou Eduardo ao jornal.
O deputado disse que avalia as alternativas com sua equipe, mas admitiu que “muito provavelmente” deixará o cargo. “Ainda tenho assessor meu dando inputs. Não consigo bater martelo se houver alternativa. O prazo acabará no fim de julho. Mas, se for necessário, eu não volto ao Brasil.”
Opções sobre o mandato
Eduardo Bolsonaro afirmou que só precisa se pronunciar de forma definitiva sobre o mandato após o recesso parlamentar, em 4 de agosto. “Eu tenho a opção de não renunciar, deixar o tempo correr e perder o mandato por falta”, afirmou.
Sobre sua decisão de permanecer fora do país, disse: “Por ora eu não volto. A minha data para voltar é quando Alexandre de Moraes não tiver mais força para me prender… Eu tô me sacrificando, sacrificando o meu mandato para levar adiante a esperança de liberdade.”
O deputado mencionou ainda uma possível alteração no regimento da Câmara dos Deputados, que poderia permitir o exercício do mandato à distância em casos considerados “excepcionalíssimos”.
Situação nos Estados Unidos
Eduardo declarou que está sem receber salário desde que saiu do Brasil. “O que tem ocorrido é o pagamento de minha assessoria, que segue me assessorando e também está à disposição do meu suplente, deputado federal Missionário Olímpio (PL-SP)”, afirmou.
Questionado se já comunicou ao ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a decisão, respondeu: “Não comuniquei não. Não é que não volta mais. Não volto enquanto persistir esse cenário.”
Ele disse ainda que considera dois caminhos: “Seguir nos Estados Unidos trabalhando na nossa causa ou retornar para ser preso. Acho que ninguém duvida que eu seria preso se eu retornar para o Brasil.”
Sobre a possibilidade de ser visto como “fujão”, declarou: “Não, nenhum. Eu tenho total segurança naquilo que estou fazendo. E, cada vez mais, você vê que tenho tido apoio. Acabo de passar de 6,4 milhões de seguidores no Instagram. Estou ganhando seguidor a todo momento.”
Agenda e encontros
Eduardo Bolsonaro relatou ter feito um evento com pastores brasileiros na Califórnia e que está organizando outro em Miami para o dia 26 de julho.
Licença do mandato e investigações
Em março, Eduardo anunciou que havia pedido licença do mandato para permanecer nos Estados Unidos. Na época, disse que temia ser preso por ordem de Alexandre de Moraes, embora não houvesse uma ordem formal nesse sentido.
Dois meses depois, o ministro do STF atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e abriu inquérito para investigar a atuação do deputado.
Segundo a PGR, Eduardo teria atuado junto a empresários, parlamentares norte-americanos e integrantes da Casa Branca para pressionar por sanções contra membros do Supremo Tribunal Federal, especialmente Alexandre de Moraes, além de autoridades da Polícia Federal e da própria Procuradoria.
Para o Ministério Público, Eduardo Bolsonaro pode estar cometendo os crimes de coação, embaraço à investigação criminal e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Nos Estados Unidos, ele tem participado de encontros com autoridades para discutir o tema, incluindo reuniões na Casa Branca, no Departamento de Estado e com aliados do ex-presidente norte-americano Donald Trump.
Na semana passada, Alexandre de Moraes prorrogou o inquérito por mais 60 dias. O pedido foi feito pela Polícia Federal para dar continuidade às investigações e diligências em andamento.
Reuniões nesta terça (15) buscam estratégias para enfrentar sobretaxa anunciada por Donald Trump
O comitê interministerial criado pelo Palácio do Planalto para analisar a tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros inicia nesta terça-feira (15.jul.2025) uma série de reuniões com representantes dos setores produtivos.
Na mesma data, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também realizará um encontro com empresários da indústria para discutir os efeitos da medida.
A reunião do governo paulista está prevista para as 9h30, no Palácio dos Bandeirantes, com a presença de cerca de 15 representantes da indústria e do encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar.
Atuação do governo de SP
Essa será a segunda ação do governo de São Paulo para tratar da crise causada pela tarifa. Na última sexta-feira (11.jul), Tarcísio declarou ter ido a Brasília para discutir o impacto da sobretaxa sobre a indústria e o agronegócio brasileiros.
Na ocasião, o governador atribuiu a situação ao governo federal. Em publicação na rede X (antigo Twitter), Tarcísio escreveu: “Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado?”.
Estratégia federal
Em Brasília, o governo federal também reunirá representantes dos setores produtivos para ouvir estudos e impressões sobre a tarifa imposta pelos Estados Unidos. O objetivo é embasar a estratégia de negociação com o governo norte-americano.
Fontes ouvidas pela reportagem indicaram que o Planalto não trabalha, neste momento, com pedidos de prorrogação do prazo para negociação nem com a ideia de redução imediata da tarifa de 50% para 30%. O foco das reuniões é o trabalho do comitê interministerial e a escuta dos diferentes setores da economia.
O vice-presidente Geraldo Alckmin será o responsável por liderar as reuniões do comitê. A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está garantida em todos os encontros, mas não foi descartada.
Decreto de reciprocidade econômica
A Casa Civil prepara o decreto que regulamentará a lei da reciprocidade econômica. A expectativa é de que o texto seja publicado no Diário Oficial da União até esta terça-feira (15), com possibilidade de divulgação em edição extra.
Debate sobre o IOF
O governo também enfrentará nesta terça-feira (15.jul) uma audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
O ministro Alexandre de Moraes convocou o encontro para tentar resolver o impasse entre o Executivo e o Congresso Nacional sobre a validade do decreto que elevou a alíquota.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, declarou que o governo não apresentará um texto alternativo ao decreto do IOF. Segundo ele, o Executivo defende o conteúdo original e aguarda manifestação do STF.
“O governo pediu que o STF se manifeste. Então, não tem proposta alternativa”, afirmou Costa.
Expectativa no Congresso
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), disse que o governo está confiante na constitucionalidade do decreto. Segundo ele, a lei 8.894, que trata do IOF, prevê o uso do imposto como instrumento de política fiscal e monetária.
Ainda segundo o deputado, há possibilidade de ajustes pontuais para facilitar o entendimento com o Congresso. Em caso de acordo, o texto final do decreto refletirá o consenso entre os Poderes.
Foto: Ricardo Stuckert/PR / Pablo Jacob/Governo do Estado de SP
Norma permite ao Brasil adotar contramedidas contra barreiras unilaterais de outros países
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira (14.jul.2025) o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Comercial. A informação foi confirmada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, em declaração à imprensa após evento no Palácio do Planalto.
O texto do decreto será publicado em edição regular do Diário Oficial da União (DOU). A norma autoriza o governo federal a adotar medidas comerciais contra países que imponham barreiras unilaterais aos produtos brasileiros no mercado internacional.
Segundo Rui Costa, o decreto não cita países específicos, mas estabelece os mecanismos para execução da lei. “A denominação ‘reciprocidade’ pode responder de um formato também rápido, se outro país fizer medidas semelhantes a essa que foi anunciada pelos Estados Unidos”, explicou o ministro.
Contexto da tarifa dos EUA
A medida foi anunciada dias após o governo norte-americano divulgar a intenção de impor tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos a partir de 1º de agosto. O anúncio foi feito pelo presidente Donald Trump na semana passada.
A Lei da Reciprocidade Comercial, aprovada em março pelo Congresso Nacional e sancionada em abril, foi formulada como resposta à escalada de barreiras comerciais promovida por Trump contra diversos países.
No caso brasileiro, as tarifas dos EUA começaram em 10% sobre todos os produtos exportados, com exceção de aço e alumínio, que têm sobretaxa de 25%. Esses setores são relevantes, já que o Brasil figura entre os três maiores exportadores desses metais para os Estados Unidos.
Detalhes da nova lei
A lei estabelece parâmetros para respostas do Brasil a medidas, políticas ou práticas unilaterais de outros países ou blocos econômicos que afetem a competitividade internacional brasileira.
A norma se aplica a barreiras comerciais que interfiram nas escolhas soberanas do país.
No Artigo 3º do texto, o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex) está autorizado a “adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços”, prevendo também a tentativa de negociação entre as partes antes de qualquer ação.
Comitê de emergência
Para discutir como o Brasil responderá à tarifa de 50% dos EUA, o governo federal criou um comitê interministerial com a participação de representantes dos setores empresariais da indústria e do agronegócio.
As primeiras reuniões do comitê ocorrerão nesta terça-feira (15) e serão coordenadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
A instalação do grupo tem como objetivo articular a posição brasileira frente às barreiras comerciais e ouvir sugestões do setor produtivo para embasar a tomada de decisões do governo.
A expectativa é que o comitê formule estratégias de negociação e eventuais contramedidas dentro do que a nova lei e o decreto assinado permitem.
EUA fornecerão mísseis pagos por países da Otan e alertam sobre sanções caso Moscou não negocie
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, anunciaram nesta segunda-feira (14.jul.2025) um plano para fornecer armas, incluindo mísseis, à Ucrânia, como parte de uma estratégia para apoiar o país em sua defesa contra as forças russas.
O anúncio ocorreu após semanas de impasse nas negociações entre Trump e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que não apresentaram avanços para encerrar o conflito. A iniciativa surge em meio a apelos frequentes do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para que os Estados Unidos e a Otan enviem mais armamentos.
Segundo Trump, os Estados Unidos fornecerão as armas, mas os custos serão pagos pelos países membros da Otan. O acordo prevê que uma primeira leva de equipamentos será enviada em breve, com um grande número de mísseis incluído nesse pacote inicial.
Entre os itens citados, Trump mencionou especificamente um sistema de mísseis Patriot, que, de acordo com ele, será entregue em breve à Ucrânia. O objetivo é fortalecer as capacidades defensivas ucranianas diante da continuidade dos ataques russos.
Durante o anúncio conjunto, Mark Rutte, secretário-geral da Otan, reforçou que a aliança está comprometida em apoiar a Ucrânia com armamentos e que essa remessa faz parte de um esforço mais amplo de assistência militar.
Em resposta à postura do governo russo, Trump também anunciou que pretende impor “tarifas muito severas” à Rússia caso não haja um acordo para encerrar a guerra no prazo de 50 dias.
Trump afirmou que o governo norte-americano e o Congresso dos Estados Unidos estão discutindo um pacote de sanções adicionais para pressionar Moscou a negociar um cessar-fogo. A iniciativa busca aumentar a pressão econômica sobre o governo russo, que até o momento não sinalizou disposição para encerrar o conflito.
Mark Rutte alertou que Moscou deve considerar cuidadosamente a proposta de negociação. “Se eu fosse Vladimir Putin hoje, e você estivesse falando sobre o que está planejando fazer em 50 dias… Eu reconsideraria se não deveria levar as negociações sobre a Ucrânia mais a sério”, afirmou.
A decisão de intensificar o envio de armas para a Ucrânia ocorre após relatos de insatisfação de Trump com a postura de Putin. Segundo interlocutores, o presidente norte-americano teria ficado desapontado após um telefonema recente com o líder russo, no qual percebeu que não havia disposição para interromper os ataques.
Nos últimos meses, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem feito reiterados pedidos à Otan e aos Estados Unidos para receber mais armamentos. Os pedidos incluem sistemas de defesa aérea, munições, blindados e mísseis de médio e longo alcance, com o objetivo de manter a capacidade de defesa do território ucraniano.
Os detalhes sobre o cronograma de entrega dos equipamentos e o valor total dos armamentos que serão financiados pelos aliados da Otan não foram divulgados. Trump indicou apenas que os equipamentos serão enviados “muito em breve” como parte de uma primeira onda de auxílio militar.
Enquanto isso, parlamentares norte-americanos trabalham em propostas de sanções adicionais para a Rússia. As medidas incluem aumento de tarifas de importação e restrições a setores estratégicos da economia russa, com o objetivo de reduzir a capacidade de financiamento da guerra.
A Otan, por sua vez, reforçou que continuará monitorando a situação no leste europeu e trabalhando em conjunto com aliados para coordenar novos pacotes de ajuda militar à Ucrânia.
Foto: Daniel Torok/White House / RS/via Fotos Publicas
Anúncio de taxação de 50% pode inviabilizar atividade, que depende majoritariamente do mercado norte-americano
O setor pesqueiro do Rio Grande do Norte demonstra preocupação com o anúncio de taxação de 50% sobre os produtos brasileiros comercializados com os Estados Unidos. Caso a medida seja efetivada, produtores afirmam que a continuidade da pesca de atum se tornará economicamente inviável, com possibilidade de paralisação total da frota.
Os Estados Unidos são o principal destino do atum fresco pescado pelos barcos potiguares, absorvendo cerca de 80% da produção local. Esse comércio representa aproximadamente US$ 50 milhões por ano, equivalentes a cerca de 4 mil toneladas do pescado, o que corresponde a mais de R$ 278 milhões na cotação atual. O setor não possui um “plano B” para escoar a produção em caso de confirmação da tarifa adicional.
A possível taxação eleva os custos de exportação a um patamar que, segundo os produtores, inviabiliza a operação comercial. Diante do cenário, representantes do setor pretendem discutir estratégias e alternativas em reuniões com entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Atualmente, os barcos pesqueiros potiguares já se encontram no mar para a produção deste mês. Como o início da cobrança está previsto apenas para agosto, a safra atual não deve sofrer impacto imediato da nova tarifa. No entanto, a preocupação se concentra nas remessas futuras e na manutenção da atividade pesqueira a partir do segundo semestre.
A dificuldade se soma a outro obstáculo enfrentado desde 2018: a barreira sanitária imposta pela União Europeia, que impede a exportação de pescado e produtos da aquicultura brasileira para o mercado europeu. Com essa restrição, o setor pesqueiro do Rio Grande do Norte se tornou ainda mais dependente das vendas para os Estados Unidos.
Sem acesso ao mercado europeu, não há alternativas consolidadas para escoar a produção em larga escala, aumentando a vulnerabilidade econômica dos produtores potiguares. Em caso de confirmação da nova tarifa, há risco de paralisação das atividades, o que pode afetar empregos diretos e indiretos gerados pela pesca de atum no estado.
O setor pressiona o Governo Federal para que atue diplomaticamente visando reverter a decisão dos Estados Unidos. A expectativa é que haja negociações bilaterais que evitem a implementação da tarifa ou, ao menos, mitiguem seus efeitos sobre a economia local.
Além disso, os produtores defendem que o governo brasileiro também negocie o fim da restrição europeia. A reabertura do mercado europeu seria uma alternativa para reduzir a dependência das exportações para os Estados Unidos e diversificar os destinos do pescado potiguar.
O comércio internacional de atum fresco é considerado estratégico para a economia do Rio Grande do Norte, movimentando milhões de dólares e empregando trabalhadores em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a pesca em alto-mar até o processamento e a logística para exportação.
Diante desse contexto, o setor aguarda definições sobre as negociações diplomáticas e a evolução do cenário internacional. Enquanto isso, mantém a programação para concluir a produção e as vendas referentes a julho, antes do prazo previsto para o início da cobrança da tarifa adicional.
Foto: Allan Phablo (SECOM/PMM) / Wilson Moreno (Secom/PMM) / Raul Pereira / Secom/PMM
Ministro nega perseguição política e apresenta histórico de ameaças à democracia
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, divulgou na noite de domingo (13.jul.2025) uma carta em resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de tarifa de 50% ao Brasil. Barroso classificou o fundamento da medida como resultado de uma “compreensão imprecisa dos fatos” e negou que haja perseguição política no país.
A tarifa foi anunciada por Trump em correspondência enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana anterior. Na justificativa, Trump citou o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado, e mencionou decisões da Corte brasileira contra apoiadores de Bolsonaro que vivem nos Estados Unidos, incluindo medidas que atingem empresas de tecnologia norte-americanas.
Na carta publicada neste domingo, Barroso afirmou ser seu dever apresentar “uma descrição factual e objetiva da realidade” brasileira. O ministro listou episódios recentes que, segundo ele, representaram tentativas de abalar a ordem democrática desde 2019.
Entre os eventos citados estão a tentativa de atentado com bomba no aeroporto de Brasília, a invasão à sede da Polícia Federal, a tentativa de explosão de bomba no Supremo Tribunal Federal, além de acusações de fraude eleitoral feitas sem provas durante a eleição presidencial.
O presidente do STF também mencionou mudanças em relatórios das Forças Armadas que inicialmente haviam concluído pela ausência de fraude nas urnas eletrônicas. Também destacou ameaças à integridade física e à vida de ministros da Corte, inclusive com pedidos de impeachment, e a realização de acampamentos em frente a quartéis pedindo a deposição do presidente eleito.
Na carta, Barroso também se referiu à denúncia apresentada pelo Procurador-Geral da República, que aponta a existência de um plano na nova tentativa de golpe que teria sido liderada por Bolsonaro. Esse plano incluiria, segundo a denúncia, o assassinato do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, integrante do próprio Supremo Tribunal Federal.
O ministro ressaltou que foi necessário um tribunal independente e atuante para evitar o colapso das instituições. Ele afirmou que as ações penais em curso por crimes contra o Estado democrático de direito seguem o devido processo legal, com todas as fases de julgamento públicas e transmitidas pela televisão. Segundo ele, os réus têm direito à defesa técnica e acompanhamento por advogados, imprensa e sociedade.
Barroso negou que exista censura no Brasil, afirmando que as decisões do Supremo buscam garantir a liberdade de expressão. Ele mencionou decisão recente sobre a responsabilização de redes sociais por conteúdos ilegais postados por usuários, sustentando que a Corte produziu uma solução considerada menos rigorosa que a regulação europeia.
O texto divulgado destaca que a decisão do STF busca equilibrar a liberdade de expressão com a preservação de valores constitucionais, a liberdade de imprensa e a liberdade de empresa.
A carta foi divulgada em meio à repercussão internacional gerada pela nova tarifa anunciada pelo governo dos Estados Unidos, que afeta produtos brasileiros com um aumento de 50% na taxação de importação.
O governo brasileiro, por sua vez, aguarda novas etapas de diálogo diplomático com as autoridades norte-americanas para tratar do tema.
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Equipe inglesa supera time francês na final disputada nos Estados Unidos com dois gols de Palmer e um de João Pedro
O Chelsea venceu o Paris Saint-Germain por 3 a 0 neste domingo (13.jul.2025) e conquistou o título da nova versão do Mundial de Clubes da FIFA. A final foi disputada no MetLife Stadium, em New Jersey, nos Estados Unidos, diante de mais de 81 mil torcedores. A equipe inglesa abriu vantagem ainda no primeiro tempo, com dois gols de Cole Palmer e um do brasileiro João Pedro.
Com a vitória, o Chelsea se tornou o primeiro campeão da edição reformulada do torneio internacional organizado pela FIFA. A competição reuniu clubes campeões de diversas confederações e foi realizada em território norte-americano.
O time inglês, comandado pelo técnico Enzo Maresca, dominou o primeiro tempo da partida. O primeiro gol saiu aos 21 minutos, com Cole Palmer finalizando de perna esquerda, no canto direito do goleiro Donnarumma. O segundo veio aos 29 minutos, novamente com Palmer, em jogada similar à primeira.
O terceiro gol foi marcado aos 42 minutos, em outro contra-ataque. João Pedro recebeu lançamento de Palmer, avançou pela esquerda e finalizou com um toque por cobertura, superando Donnarumma.
O PSG, comandado por Luis Enrique, tentou reagir no segundo tempo, mas encontrou dificuldades diante da marcação da equipe inglesa. A pressão ofensiva francesa não resultou em gols, e a situação se complicou ainda mais com a expulsão de João Neves, que puxou os cabelos do adversário Marc Cucurella e recebeu cartão vermelho direto.
A campanha do Chelsea incluiu vitórias sobre Benfica, Palmeiras e Fluminense. A única derrota da equipe inglesa no torneio foi para o Flamengo. O PSG, por sua vez, havia chegado à final com apenas um gol sofrido em seis partidas anteriores.
A partida marcou também o segundo título da temporada para o Chelsea, que já havia vencido a Conference League. O desempenho ofensivo e a organização tática foram os diferenciais da equipe na decisão.
Segundo dados da organização, o público total foi de 81.118 torcedores. A arbitragem ficou a cargo de Alireza Faghani, da Austrália. O PSG encerra a temporada com os títulos da Supercopa da França, Campeonato Francês, Copa da França e Champions League.
Alckmin afirma que Brasil recorrerá à OMC contra taxa de 50% anunciada pelos Estados Unidos
O governo federal anunciou que vai atuar para tentar reverter a imposição de tarifas comerciais de 50% sobre produtos exportados do Brasil para os Estados Unidos. A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump na última quarta-feira (9.jul.2025) e comunicada formalmente por meio de carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As novas tarifas estão previstas para entrar em vigor em 1º de agosto.
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou neste domingo (13.jul) que o governo recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar a medida. Alckmin destacou que a decisão dos Estados Unidos prejudica tanto os exportadores brasileiros quanto os consumidores norte-americanos.
O governo também estuda a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril. Essa lei estabelece critérios para a suspensão de concessões comerciais, investimentos e obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira. Segundo Alckmin, a aplicação dessa legislação está sendo avaliada para definir eventuais contramedidas.
Em declarações, Alckmin mencionou que o Brasil possui uma balança comercial superavitária com os Estados Unidos tanto no comércio de bens quanto de serviços. Ressaltou ainda que os dois países possuem uma relação histórica de mais de 200 anos e defendeu previsibilidade e estabilidade no comércio internacional.
No documento enviado a Lula, Trump justificou a nova tarifa de 50% com críticas ao governo brasileiro. O presidente dos EUA mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado, e citou ordens judiciais brasileiras contra apoiadores do ex-presidente que residem nos Estados Unidos. Trump também alegou supostos ataques do Brasil contra eleições livres e restrições à liberdade de expressão.
Trump classificou como “caça às bruxas” o processo contra Bolsonaro no STF e escreveu que a forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente é, segundo ele, injustificável. As declarações foram incluídas na carta diplomática enviada ao governo brasileiro para formalizar a decisão sobre as tarifas.
Além do tema das tarifas, Alckmin comentou no mesmo evento sobre o decreto que zera o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros sustentáveis. O decreto foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (10.jul) e integra o Programa Nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover), lançado no ano passado.
A medida prevê que veículos compactos fabricados no Brasil com alta eficiência ambiental terão alíquota zero de IPI. Para ter direito ao benefício, o veículo precisa emitir menos de 83 gramas de dióxido de carbono por quilômetro rodado, conter mais de 80% de materiais recicláveis, ser produzido no Brasil (incluindo etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem) e se enquadrar na categoria de carro compacto.
Segundo Alckmin, a política do IPI zero pode reduzir o preço final dos veículos de entrada em até R$ 12 mil. O objetivo é tornar os veículos mais acessíveis para a população, além de estimular a produção nacional de modelos com menor impacto ambiental.
Cobrança adicional chamada Visa Integrity Fee foi aprovada pelo Congresso americano e afeta turistas, estudantes e trabalhadores temporários
Brasileiros que planejarem solicitar o visto americano de não imigrante nos próximos meses deverão se preparar para pagar uma nova taxa extra de até US$ 250, além das tarifas já em vigor. Chamada de Visa Integrity Fee, essa cobrança foi aprovada no Congresso dos Estados Unidos dentro do pacote fiscal apelidado de “One Big Beautiful Bill”, proposto pelo ex-presidente Donald Trump.
A nova taxa incidirá sobre os vistos de não imigrantes, que são concedidos para viagens temporárias como turismo, trabalho temporário, estudos e intercâmbio. O valor será cobrado no momento da emissão do visto, somando-se aos custos já existentes.
Atualmente, a tarifa para solicitação de visto de não imigrante é de US$ 185. A lei também prevê a cobrança de mais US$ 24 para o processamento do formulário de registro do visto. Esses valores não serão substituídos ou reduzidos com a nova taxa, mas sim acrescidos ao total a ser pago pelos solicitantes.
Ainda não há uma data definitiva para o início da cobrança da Visa Integrity Fee, mas estima-se que ela entre em vigor no ano fiscal de 2026 dos Estados Unidos, que começa em 1º de outubro de 2025. A lei aprovada autoriza o Departamento de Segurança Interna dos EUA a definir o valor exato, que poderá inclusive ser superior a US$ 250 se for regulamentado posteriormente.
A legislação prevê também reajustes anuais no valor da taxa, vinculados ao índice oficial de inflação americana para cada ano fiscal. Dessa forma, o custo para os solicitantes pode aumentar com o passar dos anos, dependendo da evolução inflacionária.
Além do pagamento, há uma previsão de reembolso do valor da Visa Integrity Fee. Para ter direito a esse ressarcimento, o visitante precisa cumprir regras específicas durante sua estadia em território americano, como não trabalhar sem autorização e retornar ao país de origem dentro do prazo estipulado no visto, com uma tolerância de até cinco dias. Caso essas condições sejam cumpridas, o valor pode ser restituído ao viajante.
Os valores que não forem solicitados para reembolso ou que não se enquadrarem nos critérios estabelecidos serão destinados diretamente ao Tesouro dos Estados Unidos. A expectativa é que a nova taxa funcione como uma forma de reforçar o controle migratório e custear as despesas do sistema de vistos.
A mudança atinge milhões de estrangeiros que todos os anos solicitam o visto de não imigrante para entrar nos EUA em caráter temporário, incluindo turistas brasileiros, estudantes e profissionais com vistos de trabalho de curta duração.
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Medida anunciada por Donald Trump provoca resposta do governo Lula e críticas do governo chinês ao protecionismo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta semana a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras ao mercado norte-americano, com previsão de início em 1º de agosto. A medida foi formalizada em uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual Trump mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) em processo por tentativa de golpe de Estado.
A decisão repercutiu no Brasil. O presidente Lula declarou que o país vai acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a elevação unilateral das tarifas. O governo federal pretende apresentar uma reclamação formal ao órgão internacional para tentar reverter a medida. Lula também afirmou que o Brasil responderá com base na Lei de Reciprocidade Econômica.
O Ministério das Relações Exteriores da China criticou a decisão norte-americana. Em declaração oficial, o governo chinês defendeu os princípios de igualdade soberana e de não interferência em assuntos internos, previstos na Carta das Nações Unidas e considerados normas fundamentais nas relações internacionais. A China afirmou que tarifas comerciais não devem ser usadas como instrumento de coerção ou intimidação.
Em pronunciamento, a chancelaria chinesa também reiterou posição já manifestada no início da semana, quando os Estados Unidos começaram a enviar cartas aos parceiros comerciais com as ameaças de aumento de tarifas. Para o governo chinês, não há vencedores em guerras comerciais ou tarifárias, e o protecionismo prejudica todos os envolvidos.
Durante entrevista na Casa Branca, Donald Trump declarou que poderia conversar com o presidente Lula sobre o tema, mas não imediatamente. Ele também comentou a relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando-o como alguém duro em negociações, e questionou a forma como o Brasil conduz o processo contra Bolsonaro no STF.
Na mesma ocasião, Trump abordou tensões comerciais com o Canadá. Ele afirmou que as tarifas de 35% aplicadas ao país vizinho foram “razoavelmente bem recebidas” e relatou ter recebido uma ligação de autoridades canadenses após o anúncio. Trump indicou ainda que avalia eventuais exceções tarifárias para parceiros, sem detalhar critérios ou países específicos, e orientou outros governos a “continuarem trabalhando duro” para chegar a acordos comerciais com os Estados Unidos.
O anúncio das tarifas sobre produtos brasileiros foi acompanhado de justificativas que incluem referências à situação política interna do Brasil e às investigações sobre a tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente Bolsonaro. A carta enviada por Trump ao governo brasileiro incluiu críticas ao Supremo Tribunal Federal.
No plano interno norte-americano, o presidente dos Estados Unidos voltou a criticar o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Trump afirmou que as taxas de juros deveriam ser três pontos percentuais menores do que as praticadas atualmente. Questionado sobre a possibilidade de demitir Powell, Trump respondeu que não pretende fazê-lo.
O governo brasileiro, por sua vez, enfatizou que a decisão norte-americana de elevar tarifas unilateralmente será tratada por canais diplomáticos e jurídicos. A expectativa é que a disputa tenha desdobramentos nas próximas reuniões da OMC, onde o Brasil pretende apresentar sua reclamação formal.
As reações internacionais também indicam potencial impacto para o comércio exterior brasileiro, em especial para setores dependentes das exportações ao mercado norte-americano. Ao mesmo tempo, a China, principal parceiro comercial do Brasil, reforçou suas críticas ao protecionismo norte-americano, reiterando que tais práticas impactam negativamente o comércio global.
Medida deve entrar em vigor em agosto e busca pressionar parceiros a produzirem nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (12.jul.2025) a imposição de tarifas de 30% sobre as importações do México e da União Europeia, com início previsto para 1º de agosto. A decisão foi comunicada em cartas enviadas às autoridades dos respectivos parceiros comerciais.
As tarifas anunciadas serão aplicadas de forma separada de outras tarifas setoriais já existentes. De acordo com Trump, qualquer produto que for redirecionado para evitar a tarifa maior também estará sujeito à tarifa mais elevada. O objetivo da medida, segundo o governo norte-americano, é conter práticas que considera desleais no comércio internacional.
Na carta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Trump afirmou que a relação comercial entre os Estados Unidos e o bloco europeu não é recíproca e resulta em déficit comercial para o lado norte-americano. O presidente dos Estados Unidos indicou que a imposição da tarifa de 30% poderá ser evitada caso a União Europeia ou empresas sediadas em seus países-membros decidam construir fábricas ou produzir seus bens em território norte-americano.
Trump afirmou ainda que, para viabilizar essa mudança, se comprometeria a trabalhar para garantir todas as aprovações necessárias em um prazo de semanas. No entanto, advertiu que, caso o bloco europeu adote medidas de retaliação com o aumento de tarifas sobre produtos norte-americanos, os Estados Unidos irão somar esse valor escolhido pela União Europeia aos 30% originalmente previstos.
Na comunicação dirigida à presidente do México, Claudia Sheinbaum, Trump condicionou eventuais ajustes na tarifa ao combate aos cartéis e ao fluxo de fentanil para os Estados Unidos. Ele declarou que o México ainda não conseguiu conter a ação dos cartéis e o tráfico de fentanil, substância considerada um problema grave de saúde pública em território norte-americano.
De acordo com o comunicado, caso o governo mexicano obtenha êxito no combate a essas organizações criminosas e na redução do envio de fentanil aos Estados Unidos, haverá a possibilidade de revisão da tarifa anunciada. Trump indicou que essas tarifas poderão ser modificadas tanto para cima quanto para baixo, dependendo do resultado dessas ações.
As novas tarifas representam mais uma etapa na estratégia do governo norte-americano de pressionar parceiros comerciais a revisarem práticas comerciais e a instalarem fábricas em solo norte-americano. Trump já havia anunciado tarifas de 50% sobre exportações brasileiras em comunicado anterior, além de tarifas setoriais de 35% direcionadas ao Canadá, buscando rever déficits comerciais e aumentar a produção industrial interna.
Com o anúncio das tarifas de 30% para México e União Europeia, os Estados Unidos buscam desestimular a importação de produtos considerados concorrência para a indústria local e incentivar a instalação de unidades produtivas no país. O governo norte-americano tem defendido a estratégia como forma de gerar empregos e reduzir dependência de cadeias produtivas internacionais.
As cartas enviadas às autoridades mexicana e europeia contêm propostas de negociação, indicando que as tarifas podem ser revistas mediante mudanças nas condições comerciais ou ações específicas dos governos parceiros. Trump declarou que pretende continuar dialogando para chegar a acordos, mas destacou que espera contrapartidas concretas para qualquer flexibilização das tarifas anunciadas.
A medida deve impactar setores industriais e agrícolas que exportam para os Estados Unidos a partir do México e da União Europeia. A reação oficial dos governos europeu e mexicano ainda não havia sido divulgada até o momento do anúncio feito pela Casa Branca.
Foto: Casa Branca por Andrea Hanks / Daniel Torok/White House
Governo federal avalia Lei de Reciprocidade e busca articulação internacional após anúncio de tarifa de 50% para exportações brasileiras
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (10.jul.2025) medidas para responder à decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A reação envolve recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC), articulação com outros países afetados e a possibilidade de aplicar a Lei de Reciprocidade Comercial.
Em entrevista à Record TV, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo fará uma reclamação formal à OMC para tentar reverter a tarifa. Caso as negociações não avancem, o Brasil pretende adotar retaliações proporcionais.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
“Não tenha dúvida que, primeiro, nós vamos tentar negociar. Mas, se não tiver negociação, a Lei da Reciprocidade será colocada em prática. Se ele vai cobrar 50% de nós, nós vamos cobrar 50% dele”, declarou Lula.
O presidente também informou que pretende articular com outros países que foram alvo das novas tarifas dos Estados Unidos para fortalecer o pleito na OMC. A lei brasileira citada por Lula, sancionada em abril, permite suspender concessões comerciais, investimentos e obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade internacional brasileira.
Para analisar o impacto no comércio e definir estratégias, o governo federal criará um comitê com empresários que exportam para os Estados Unidos. Segundo Lula, o objetivo é apoiar o setor e buscar novos mercados para os produtos brasileiros.
“Vamos ter que proteger o setor produtivo e procurar outros parceiros para comprar nossos produtos. O comércio do Brasil com os EUA representa 1,7% do PIB. Obviamente queremos vender, mas precisamos ter alternativas”, disse o presidente.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Na entrevista, Lula criticou o ex-presidente Donald Trump pela forma como comunicou a decisão, afirmando que o Brasil preza pelo diálogo direto em suas relações diplomáticas. Segundo Lula, o comunicado de Trump chegou de forma não oficial, publicado em site antes mesmo de ser encaminhado formalmente.
“O Brasil é um país que não tem contencioso de ninguém. Aqui, tudo se resolve numa conversa”, afirmou, destacando os 201 anos de relações diplomáticas com os EUA.
Lula também rebateu a acusação de desequilíbrio comercial, dizendo que os EUA têm superávits comerciais com o Brasil há mais de 15 anos. Ele afirmou que o Judiciário brasileiro é autônomo e não acatará exigências externas, em referência à demanda de Trump para que o ex-presidente Jair Bolsonaro não seja julgado por tentativa de golpe de Estado.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O presidente também responsabilizou Bolsonaro pela situação, ao afirmar que o ex-presidente estaria apoiando a medida de Trump. Lula citou o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho de Jair Bolsonaro, que está morando nos Estados Unidos.
Em pronunciamento no Palácio do Planalto, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, classificou a imposição da tarifa como um erro de avaliação por parte de Donald Trump.
Segundo Alckmin, os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil. Em 2023, o saldo positivo para os americanos foi de US$ 7 bilhões em bens e de US$ 18 bilhões em serviços. Ele também destacou que, dos dez produtos mais exportados pelos EUA para o Brasil, oito têm tarifa de importação zerada.
“Segundo os próprios dados estadunidenses, são US$ 7 bilhões de superávit em bens e US$ 18 bilhões em serviços. E dos 10 produtos que eles mais exportam para o Brasil, oito são ex-tarifário, ou seja, o imposto é zero”, afirmou Alckmin.
O vice-presidente também mencionou que vinha mantendo diálogo direto com o governo norte-americano, por meio de conversas com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick.
Alckmin criticou o que chamou de atuação da família Bolsonaro nos bastidores para influenciar a decisão americana. Ele citou episódios anteriores, como a condução da pandemia e os ataques ao meio ambiente, além da tentativa de golpe em janeiro de 2023.
“Agora a gente vê que esse clã, mesmo fora do governo, continua trabalhando contra o interesse brasileiro e contra o povo brasileiro”, declarou Alckmin.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil / Tomaz Silva/Agência Brasil
Donald Trump justifica medida citando STF e Bolsonaro; Planalto convoca reunião de emergência e estuda sobretaxar produtos americanos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (9.jul.2025) que aplicará uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil. A nova alíquota passa a valer a partir de 1º de agosto. A medida foi comunicada em uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), publicada na rede social Truth Social.
Na mensagem, Trump atribuiu a decisão a uma relação comercial considerada “injusta” e criticou a postura do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo Trump, a forma como o Brasil tem tratado Bolsonaro seria uma “desgraça internacional” e uma “caça às bruxas” que deveria acabar “imediatamente”.
Além das críticas à política interna brasileira, Trump relacionou a tarifa à atuação do STF sobre plataformas digitais americanas. Em um trecho, acusou o Supremo de emitir “centenas de ordens de censura secretas e ilegais” contra redes sociais dos EUA, ameaçando-as com multas e expulsão do mercado brasileiro. Ele afirmou que tais ações configurariam ataques contra eleições livres e a liberdade de expressão dos americanos.
Em justificativa adicional, Trump mencionou desequilíbrios comerciais e classificou a relação entre os países como “muito injusta”, apontando barreiras tarifárias e não tarifárias por parte do Brasil. Ele indicou que a tarifa de 50% ainda seria “muito menor do que o necessário” para garantir condições de concorrência equitativas, sugerindo que os EUA deveriam até mesmo se afastar de sua relação comercial de longa data com o Brasil.
Trump também informou ter determinado ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, a abertura de uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Essa seção permite aos EUA investigar práticas comerciais consideradas desleais, funcionando como instrumento de pressão internacional para defesa de interesses comerciais americanos.
Na carta, Trump também advertiu que, caso o Brasil busque retaliar com elevação de tarifas de importação, os EUA elevariam suas tarifas em igual magnitude. Ainda indicou que poderia ajustar para cima ou para baixo a alíquota de 50%, dependendo de eventuais mudanças na relação comercial entre os dois países.
Reação do governo Lula
Em resposta ao anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (9.jul). Participaram o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O governo brasileiro estuda aplicar o princípio da reciprocidade para reagir à medida. A ideia é anunciar uma elevação tarifária equivalente sobre produtos americanos exportados ao Brasil, embora o percentual ainda esteja em discussão no Palácio do Planalto.
Lula também se manifestou nas redes sociais na noite desta quarta-feira (9). Ele afirmou que o Brasil dará uma resposta por meio da Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada neste ano pelo Congresso Nacional. Segundo o presidente, “o Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”.
Na mesma postagem, Lula rebateu informações sobre um suposto déficit comercial norte-americano na relação com o Brasil, citando dados do próprio governo dos EUA que indicariam um superávit de aproximadamente US$ 410 bilhões ao longo dos últimos 15 anos.
A Lei de Reciprocidade Econômica prevê medidas de retaliação a ações unilaterais que prejudiquem a competitividade internacional brasileira. Entre as ações previstas estão a suspensão de acordos comerciais, de investimentos e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual.
Avaliações internas no governo brasileiro
Fontes do governo federal classificaram a medida anunciada por Trump como resultado de uma “politização” das tarifas comerciais. Diplomatas brasileiros notaram que trechos da carta enviada a Lula pareciam ter sido copiados de comunicados destinados a outros países, especialmente nas partes que mencionam déficits comerciais inexistentes na balança entre Brasil e EUA.
O governo brasileiro indicou ainda que não havia expectativa de tarifas adicionais, uma vez que diplomatas do Itamaraty e técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços vinham mantendo conversas com autoridades americanas. A reunião mais recente ocorreu virtualmente na sexta-feira anterior ao anúncio.
Segundo integrantes do Planalto, Trump teria abandonado o processo de negociação técnica ao adotar um viés político explícito em sua comunicação. A carta de Trump faz menção também a ações judiciais no Brasil contra Jair Bolsonaro e contra plataformas digitais por disseminação de desinformação.
Em reação política interna, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, vinculou o aumento tarifário à relação de Trump com Bolsonaro. Em sua conta na rede social X, ele escreveu: “O inelegível Jair Bolsonaro pediu e Donald Trump atendeu: 50% de tarifas para os produtos brasileiros entrarem nos EUA”.
Impacto no comércio e no câmbio
A tarifa de 50% anunciada por Trump é a mais alta entre uma série de tarifas adicionais que o governo norte-americano divulgou nesta semana para diversos parceiros comerciais. Países como Argélia, Brunei, Iraque, Líbia, Moldávia, Sri Lanka e Filipinas foram alvos de tarifas de até 30%.
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por significativo intercâmbio de bens industrializados. Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 40 bilhões para os EUA e comprou valor ligeiramente superior em bens americanos, gerando uma corrente de comércio de aproximadamente US$ 81 bilhões no ano passado.
Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), cerca de 70% das exportações brasileiras para os EUA envolvem 51 itens industriais, como aviões, máquinas e produtos químicos. Em contraste, a pauta exportadora brasileira para outros parceiros como China ou União Europeia é menos diversificada.
O anúncio da tarifa provocou impacto imediato no mercado cambial. O dólar futuro para agosto subiu mais de 1,7%, sendo negociado por volta de R$ 5,542 às 17h45 de quarta-feira (9). Na máxima do dia, chegou a R$ 5,604. O pregão encerrou com alta de 1,05%, cotado a R$ 5,503 antes da divulgação oficial da carta de Trump a Lula.
Foto: Daniel Torok/White House / Fernando Frazão/Agência Brasil
Secretaria de Desenvolvimento, Secretaria da Fazenda e FIERN analisam impactos na economia potiguar e articulam estratégias diante da medida anunciada por Donald Trump
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil a partir de 1º de agosto gerou reação imediata no Rio Grande do Norte. O governo estadual, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e da Secretaria da Fazenda, e a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) avaliaram os impactos da medida e anunciaram estratégias para mitigar os riscos à economia potiguar.
A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico do RN informou que monitora desde março as implicações dos aumentos tarifários já anunciados anteriormente e que, com a nova alíquota de 50% confirmada para o próximo mês, reforçou o acompanhamento das negociações. Em nota oficial, a Sedec afirmou que o momento exige articulação com o Governo Federal e os setores produtivos para preservar a competitividade das exportações potiguares.
De acordo com a Sedec, somente nos seis primeiros meses de 2025 o volume exportado para os Estados Unidos já se iguala ao montante exportado ao país durante todo o ano de 2024. Em 2024, o estado exportou US$ 67,1 milhões para os EUA. A pauta de exportação é diversificada, incluindo produtos de origem animal impróprios para alimentação humana, caramelos e confeitos, albacoras-bandolim frescos, outros açúcares de cana, sal marinho a granel, querosenes de aviação, granitos, atuns frescos, mangas frescas e castanha de caju fresca ou seca.
As importações potiguares dos Estados Unidos em 2024 totalizaram US$ 76,2 milhões, com destaque para óleo diesel, outras gasolinas, coque de petróleo, copolímeros, trigo, medicamentos, caldeiras e polímeros. Entre janeiro e março de 2025, o Rio Grande do Norte já havia exportado US$ 26,2 milhões para os EUA e importado US$ 9,8 milhões, gerando um superávit de US$ 16,4 milhões na balança comercial bilateral.
A Sedec listou uma série de ações para enfrentar o cenário: mapear barreiras tarifárias e não tarifárias nos EUA; investir em capacitação técnica dos exportadores sobre exigências sanitárias e padrões internacionais; fomentar acordos comerciais e protocolos fitossanitários bilaterais; incentivar o reposicionamento de produtos nas cadeias globais com foco em diferenciação e sustentabilidade; e apoiar a busca por novos mercados-alvo, especialmente na Ásia e América Latina.
Em nota, a Secretaria destacou que “há firme convicção de que as iniciativas adotadas pela Presidência da República em defesa da soberania brasileira e preservação da competitividade dos produtos nacionais no mercado externo — com assessoramento e respaldo dos Ministérios da Fazenda; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; e das Relações Exteriores — assegurarão a continuidade do crescimento e da prosperidade”.
Secretaria da Fazenda alerta para impacto nos setores-chave
O secretário da Fazenda do Rio Grande do Norte, Carlos Eduardo Xavier, também se posicionou sobre o anúncio de Donald Trump, classificando a proposta como uma ameaça direta para a economia potiguar. Segundo ele, a tarifação pode impactar até 70% da produção destinada ao mercado externo, com efeitos diretos sobre setores como frutas, granito, pescado e, principalmente, sal marinho.
“A proposta pode ter um impacto devastador em setores-chave do estado, como o de frutas, granito, pescado e, principalmente, o de sal marinho, ameaçando milhares de empregos e a estabilidade de importantes cadeias produtivas”, declarou Xavier. Ele ressaltou a dependência crítica de alguns segmentos do mercado norte-americano e alertou que a tarifa tornaria os produtos potiguares menos competitivos, podendo levar à paralisação de contratos.
Diante do cenário, o secretário fez um apelo à união da classe política do estado e defendeu mobilização da bancada federal para proteger empregos e a economia local. “Essa medida precisa ser combatida com firmeza pelo estado brasileiro, defendendo a soberania nacional”, afirmou.
O alerta foi feito em um contexto de bom desempenho das exportações potiguares. Entre janeiro e maio de 2025, o Rio Grande do Norte exportou US$ 67,138 milhões, valor superior ao registrado durante todo o ano de 2024. Desse total, os derivados de petróleo representaram US$ 23,9 milhões. Outros produtos de destaque na pauta de exportações incluem sal, frutas como melões e melancias, além de óleos combustíveis. No mesmo período, as importações potiguares dos Estados Unidos somaram US$ 26,7 milhões.
FIERN aponta risco para competitividade e empregos
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) também se manifestou por meio do presidente Roberto Serquiz, que avaliou o impacto do chamado “tarifaço de Trump” na economia potiguar. Segundo ele, a tarifa de 50% compromete severamente a competitividade da produção industrial do estado.
“O Rio Grande do Norte depende fortemente dos seus ativos naturais. Petróleo, fruticultura, mineração, pesca e sal são setores que serão diretamente impactados por essa nova tarifa”, destacou Serquiz. Ele lembrou que grande parte das exportações potiguares tem como destino os Estados Unidos, e produtos como atum, peixes costeiros e sal poderão perder competitividade frente a concorrentes de outros países, que negociaram tarifas de apenas 10%.
Dados divulgados pela FIERN mostram que, de janeiro a junho de 2025, o estado exportou US$ 67 milhões, um crescimento de 123% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram exportados US$ 30 milhões. Para o presidente da FIERN, o impacto pode ser especialmente forte no setor salineiro, que depende quase exclusivamente do mercado norte-americano.
“O sal, por exemplo, é praticamente 100% viabilizado pelas exportações para os EUA. Se tivermos uma tarifa de 50%, enquanto os concorrentes operam com 10%, ficamos fora do jogo”, explicou Serquiz. Segundo ele, 95% da produção nacional de sal está concentrada no RN, com exportações médias mensais entre um e dois navios. A medida, segundo o dirigente, pode comprometer a presença do Brasil e do Rio Grande do Norte no mercado internacional.
Além de prejudicar a competitividade, a tarifa pode desencadear um efeito em cadeia sobre o setor produtivo local. Serquiz destacou que um ambiente de vulnerabilidade como esse afeta diretamente a empregabilidade e o preço final dos produtos, podendo levar produtores a reduzir atividades por precaução e impactar a arrecadação estadual.
Outro ponto de atenção é o calendário da fruticultura. A principal safra tem início em agosto, coincidentemente o mês em que a tarifa entra em vigor. Serquiz alertou que a perda de competitividade poderá forçar produtores a reduzir plantio ou colheita, afetando todo o ciclo econômico do setor.
Articulação nacional
Para enfrentar os desafios, a FIERN informou que iniciou articulação com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras federações estaduais para discutir estratégias e pressionar por uma solução diplomática. Reuniões já começaram para buscar alinhamento entre lideranças industriais. “Precisamos de uma atuação técnica e racional para buscar uma reversão dessa tarifa antes de sua aplicação”, afirmou Serquiz.
A FIERN também sinalizou que manterá o governo estadual informado sobre os riscos para a economia potiguar. A federação espera sensibilizar tanto o governo brasileiro quanto o norte-americano para reconsiderar a medida. Serquiz observou que, apesar da urgência, ainda é cedo para estimar o impacto exato, dado que a tarifa está em fase de anúncio e existem possibilidades de negociação até a sua entrada em vigor.
Foto: Sandro Menezes/Governo do RN/Ilustração / Canindé Soares via Governo do RN
Atacante revelado pelo Tricolor é destaque na vitória do Chelsea
Com direito a lei do ex, o Fluminense foi derrotado por 2 a 0 (ambos gols do atacante brasileiro João Pedro, uma revelação do Tricolor das Laranjeiras) pelo Chelsea (Inglaterra), na tarde desta terça-feira (8) no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e foi eliminado da Copa do Mundo de Clubes.
Desta forma, o Brasil vê cair o seu último representante na competição organizada pela Fifa (após as eliminações de Flamengo, Botafogo e Palmeiras). Já a equipe inglesa aguarda a outra semifinal da competição, que será disputada na próxima quarta-feira (9) por PSG (França) e Real Madrid (Espanha), para conhecer o seu adversário na grande decisão.
Lei do ex
A equipe comandada pelo técnico Renato Gaúcho encontrou muitas dificuldades no primeiro tempo diante de uma equipe inglesa que sabia o que fazer com a bola no pé. Sem contar com o volante Martinelli, suspenso por acúmulo de cartões amarelos, o Tricolor das Laranjeiras perdeu a maioria das disputas no meio de campo, onde o equatoriano Moisés Caicedo e o argentino Enzo Fernández ditavam o ritmo do Chelsea.
Outra arma do time comandado pelo técnico italiano Enzo Maresca era o português Pedro Neto, que realizava grandes jogadas pela ponta esquerda. E foi desta forma que o Chelsea abriu o placar. Aos 17 minutos, Cano vacilou e João Pedro ficou com o domínio para lançar Pedro Neto, que avançou em velocidade antes de levantar a bola na área. Thiago Silva cortou parcialmente e a bola sobrou para o brasileiro João Pedro, que bateu, da entrada da área, para marcar um golaço.
Diante de uma equipe superior tecnicamente, o Fluminense tinha muitas dificuldades de criar algo, e encontrou sua melhor oportunidade de marcar aos 25 minutos. Hércules tabelou com Cano e bateu na saída do goleiro Robert Sánchez, mas o lateral espanhol Cucurella chegou antes para cortar.
Aos 34 o torcedor tricolor teve um sopro de esperança, quando o juiz assinalou pênalti em favor do time das Laranjeiras após a bola tocar no braço de Chalobah. Porém, o francês François Letexier foi chamado pelo VAR (árbitro de vídeo) e anulou sua marcação inicial.
Após o intervalo, o time das Laranjeiras viveu seu pior momento no confronto, apresentando muitas dificuldades de manter a posse de bola e vendo o Chelsea dominar as ações. Desta forma a equipe inglesa não demorou a ampliar sua vantagem. Aos 10 minutos o uruguaio Bernal perdeu o domínio da bola e Palmer tocou para Enzo Fernández, que lançou João Pedro na ponta esquerda. O brasileiro avançou, se livrou da marcação e bateu com violência a bola, que morreu no ângulo do gol defendido por Fábio.
A partir daí o técnico Renato Gaúcho passou a substituir jogadores de defesa por de ataque e bagunçou de vez a equipe tricolor, que pouco conseguiu fazer diante de um Chelsea muito organizado, que mostrou qualidade para segurar a vantagem, e a classificação, até o apito final.
Equipe brasileira busca vaga inédita na final contra o vencedor de PSG e Real Madrid
O Fluminense disputa nesta terça-feira (8.jul.2025) a semifinal do Mundial de Clubes da FIFA, realizado nos Estados Unidos. Único representante brasileiro restante no torneio, o time enfrenta o Chelsea, da Inglaterra, em busca de uma vaga inédita na decisão. A partida acontece no MetLife Stadium, em Nova Jersey, com início marcado para as 16h (horário de Brasília) e capacidade para 82,5 mil torcedores.
Comandado por Renato Gaúcho, o Fluminense terá ao menos duas mudanças em relação ao time que venceu o Al-Hilal por 2 a 1 na última sexta-feira (4.jul). O lateral-esquerdo Freytes e o volante Martinelli cumprem suspensão automática após receberem o segundo cartão amarelo no jogo anterior. Para as vagas, o técnico deve escalar o lateral Renê na esquerda e o volante Hércules no meio-campo.
Hércules marcou gols decisivos saindo do banco contra Internazionale e Al-Hilal e pode iniciar como titular. Outra dúvida é o lateral-direito Samuel Xavier, que deixou o campo com dores musculares na partida anterior. Guga é uma das opções cotadas para substituí-lo.
A comissão técnica estuda a estratégia para enfrentar o Chelsea. Há expectativa de ajustes táticos devido ao calor previsto para o horário do jogo e ao estilo de jogo do adversário. A equipe inglesa utiliza um sistema de marcação e posse de bola que requer atenção na transição defensiva.
Do lado do Chelsea, o técnico Enzo Maresca também lida com desfalques. O centroavante Liam Delap e o zagueiro Levi Colwill estão suspensos após acumularem cartões amarelos no confronto com o Palmeiras. O meia-atacante Romeo Lavia segue fora por lesão.
Para a vaga no ataque, o brasileiro João Pedro, recém-contratado, deve iniciar como titular. No meio-campo, o equatoriano Moisés Caicedo retorna de suspensão e está confirmado entre os titulares.
O Fluminense é o último dos quatro clubes brasileiros que iniciou a competição. Botafogo, Flamengo e Palmeiras foram eliminados nas fases anteriores. Em caso de vitória contra o Chelsea, o time carioca garante lugar na final do próximo domingo (13.jul), onde enfrentará o vencedor da outra semifinal, que reúne Paris Saint-Germain e Real Madrid na quarta-feira (9).
O regulamento prevê prorrogação em caso de empate nos 90 minutos. Persistindo a igualdade, a vaga na final será definida nos pênaltis.
Para a partida desta terça, a comissão técnica do Fluminense também considera fatores climáticos. O calor intenso nos Estados Unidos neste período do ano pode influenciar o rendimento físico das equipes, exigindo estratégias para controlar o ritmo do jogo e manter a posse de bola.
A torcida brasileira aguarda o desempenho do Tricolor em busca de um feito inédito. Até hoje, o Fluminense não alcançou a final do Mundial de Clubes. A preparação para o duelo incluiu trabalhos físicos, ajustes táticos e estudo detalhado do adversário.
O MetLife Stadium, palco do confronto, é um dos estádios mais modernos dos Estados Unidos e já sediou diversos eventos esportivos internacionais. A expectativa de público é alta, com torcedores brasileiros e estrangeiros acompanhando a semifinal.
A FIFA organiza a competição nos Estados Unidos como parte do calendário internacional. A edição deste ano reúne clubes campeões de diferentes regiões, com os jogos decisivos marcados para o início de julho.
O Chelsea chega à semifinal com vitória sobre o Palmeiras em partida anterior, garantindo classificação e superando desfalques. A equipe inglesa busca o título para ampliar sua galeria de troféus internacionais.
As duas equipes realizaram treinamentos fechados na véspera do confronto, evitando divulgar detalhes das estratégias. O jogo atrai atenção pela rivalidade entre o futebol sul-americano e europeu e pelo peso dos clubes envolvidos na disputa.
A partida terá transmissão para o Brasil em canais esportivos, permitindo ao público acompanhar todos os lances em tempo real. O vencedor avançará para a final, marcada para o domingo, e disputará o troféu contra o ganhador da semifinal entre PSG e Real Madrid.
Foto: Rener Pinheiro/Fluminense FC / Marcelo Gonçalves/Fluminense FC / Lucas Merçon/Fluminense FC
Presidente afirma que bloco não discutiu proposta de taxação anunciada em rede social
A ameaça feita pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 10% a países que se alinharem ao Brics não foi tema de debate durante a reunião de cúpula do bloco realizada no Rio de Janeiro. A afirmação foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira (7.jul.2025), após o encerramento do encontro.
O evento reuniu líderes dos 11 países-membros do Brics e representantes de dez nações parceiras. Segundo Lula, a questão não foi discutida oficialmente durante as reuniões realizadas no Rio.
O presidente brasileiro declarou que o encontro ocorreu sem menção ao tema e que o assunto não gerou discussões entre os participantes. Ele afirmou que os países participantes do Brics mantêm posição de respeito à soberania nacional e que cada governo tem o direito de tomar decisões de forma independente.
Sobre a possibilidade de imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos, Lula disse que existe a chamada lei da reciprocidade, que permitiria aos outros países adotar medidas equivalentes. O presidente ressaltou que considera importante o respeito mútuo entre as nações e defendeu que cada país preserve sua autonomia para decidir sobre alinhamentos e acordos internacionais.
A reunião de cúpula do Brics contou com a presença de chefes de Estado e representantes dos países-membros. Além do Brasil, o grupo é formado por África do Sul, China, Rússia, Índia, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Argentina. Durante o encontro, também participaram delegações de nações convidadas, que discutiram pautas de cooperação econômica e política internacional.
Lula destacou ainda o significado do conceito de soberania para os participantes do bloco, reforçando que cada país é responsável por suas decisões e políticas internas. O presidente brasileiro ressaltou que os países do Brics buscam cooperação com base no respeito mútuo, sem interferências externas.
O presidente também comentou declarações de Donald Trump sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em uma postagem em rede social, Trump sugeriu que Bolsonaro estaria sofrendo perseguição política e deveria ser deixado em paz. Lula respondeu dizendo que o Brasil tem suas próprias leis, regras e soberania para lidar com questões internas.
O encontro no Rio de Janeiro marcou a reunião de líderes dos países do Brics e buscou fortalecer alianças estratégicas entre os membros do bloco. As discussões incluíram temas como comércio internacional, investimento em infraestrutura, ampliação de mercados e mecanismos de financiamento conjunto.
O governo brasileiro buscou posicionar o país como articulador de diálogos entre os membros e parceiros do bloco, com o objetivo de estimular maior integração econômica e política entre países em desenvolvimento. A cúpula também discutiu estratégias para ampliar a influência do Brics em fóruns internacionais e em negociações multilaterais.
As conversas entre líderes ocorreram em sessões fechadas e eventos paralelos durante o encontro no Rio de Janeiro. A organização da cúpula mobilizou equipes diplomáticas e técnicas dos países participantes para alinhar propostas de cooperação.
Segundo o governo brasileiro, a agenda de encontros diplomáticos continuará nos próximos meses, com o objetivo de consolidar projetos e iniciativas acordados durante a cúpula do Brics no Rio.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil / Ricardo Stuckert/PR
Ex-presidente dos EUA fez a declaração em rede social e não detalhou políticas consideradas antiamericanas
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (6.jul.2025) que pretende impor uma tarifa adicional de 10% a qualquer país que se alinhe às “políticas antiamericanas” do Brics. A declaração foi publicada na rede social Truth Social.
Na publicação, Trump escreveu:
“Qualquer país que se alinhar às políticas antiamericanas dos BRICS pagará uma tarifa ADICIONAL de 10%. Não haverá exceções a esta política. Obrigado pela atenção!”
Trump não explicou quais seriam as “políticas antiamericanas” citadas nem detalhou como o governo americano definiria o alinhamento de outros países com o Brics em caso de eventual retorno dele ao poder.
A declaração ocorre no momento em que o Brics realiza sua cúpula anual no Brasil. O evento começou neste domingo (6) no Rio de Janeiro, com o Brasil na presidência do grupo.
Sobre o Brics
O Brics é um grupo de países que mantém cooperação financeira e institucional, atualmente com onze membros oficiais e outras nações parceiras. O bloco teve origem em 2009, inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC). A sigla ganhou o “S” em 2011, com a entrada oficial da África do Sul (South Africa).
Em agosto de 2023, durante a Declaração de Johanesburgo, foi acordada uma nova expansão do grupo. Entre 2024 e 2025, seis novos países foram admitidos como membros.
Membros oficiais atuais do Brics:
Brasil
Rússia
Índia
China
África do Sul
Arábia Saudita
Egito
Emirados Árabes Unidos
Etiópia
Indonésia
Irã
A Declaração de Johanesburgo também contemplava um convite à Argentina, que recusou a adesão.
Dados sobre o Brics
De acordo com dados do Banco Mundial, os países membros do Brics somam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 24,7 trilhões. Em relação ao comércio internacional, o bloco responde por cerca de 24% das trocas mundiais, conforme estatísticas da COMEVIX (Balança Comercial e Estatísticas de Comércio Exterior).
Em dimensão territorial e populacional, o Brics reúne 48,5% da população mundial, incluindo os dois países mais populosos do planeta: Índia e China.
O nome “BRIC” foi cunhado em 2001 pelo economista Jim O’Neill, à época economista-chefe do Goldman Sachs. Em relatório intitulado “Building Better Global Economic BRICs”, ele identificou Brasil, Rússia, Índia e China como países emergentes com potencial para alto crescimento econômico.
Desde então, o grupo ampliou seus membros e consolidou fóruns de cooperação econômica, comercial e diplomática. As reuniões anuais buscam discutir estratégias conjuntas, investimentos e alternativas para o sistema financeiro internacional.
O evento deste ano no Rio de Janeiro marca o início de uma nova rodada de negociações entre os países membros e parceiros, no contexto das recentes ampliações e da busca por fortalecer alianças no comércio global.
Bilionário anunciou criação de partido próprio nos EUA; presidente americano criticou a ideia e relembrou divergências recentes
O bilionário Elon Musk anunciou no sábado (5.jul.2025) a criação de seu próprio movimento político nos Estados Unidos, batizado de Partido da América. O anúncio ocorre em meio a desentendimentos com o governo americano, especialmente relacionados à aprovação da lei orçamentária da semana passada, que ele considera responsável por elevar a dívida nacional.
Em declaração divulgada por agências internacionais, Musk afirmou que está decepcionado com o atual sistema político dos Estados Unidos. “Quando se trata de arruinar nosso país por meio do desperdício e da corrupção, vivemos em um sistema de partido único, não em uma democracia”, disse o empresário, justificando a decisão de fundar uma legenda independente.
A criação de um terceiro partido político nos Estados Unidos representa um desafio ao tradicional bipartidarismo do país, sustentado há décadas por republicanos e democratas. Uma terceira força eleitoral poderia dividir votos e influenciar a dinâmica das eleições presidenciais e legislativas.
O Partido da América surge, segundo Musk, como resposta à insatisfação com o modelo vigente e à aprovação de leis que ele considera contrárias ao interesse público. Apesar de não ter detalhado o funcionamento interno, lideranças ou agenda específica, o empresário indicou que o partido buscará combater o que chamou de corrupção e desperdício de recursos.
A iniciativa do bilionário ocorre após uma mudança de posicionamento em relação ao governo do presidente Donald Trump, de quem Musk foi aliado em períodos anteriores. Nas últimas semanas, Musk criticou publicamente medidas defendidas por Trump e expressou insatisfação com o cenário político americano.
No domingo (6.jul), Trump reagiu ao anúncio do bilionário em sua rede social, a Truth Social. O presidente americano afirmou estar “triste” ao ver Musk “sair completamente dos trilhos” e criticou a ideia de fundar um terceiro partido.
“Estou triste ao ver Elon Musk sair completamente ‘dos trilhos’, basicamente se tornando um desastre total nas últimas cinco semanas. Ele até quer fundar um Terceiro Partido Político, apesar do fato de que eles nunca tiveram sucesso nos Estados Unidos — o sistema parece não ser feito para eles”, escreveu Trump.
Trump argumentou que a criação de um terceiro partido costuma provocar “disrupção e caos”, o que, segundo ele, já seria gerado pelos democratas. Na publicação, aproveitou para criticar a oposição e exaltar o funcionamento do Partido Republicano, classificando-o como uma “máquina de funcionamento eficiente”.
O presidente também comentou sobre o recente projeto de lei aprovado na sexta-feira (4), que retirou a obrigatoriedade do chamado “Mandato de EV (Veículos Elétricos)”. A medida do governo Biden previa que metade dos veículos vendidos nos Estados Unidos até 2030 teria motor elétrico. Trump celebrou o fim do mandato, afirmando que consumidores agora poderão escolher entre carros a gasolina, híbridos ou tecnologias futuras.
Trump mencionou ainda conversas com Musk durante a campanha presidencial de 2024. Segundo ele, Musk teria concordado com o fim da obrigatoriedade dos veículos elétricos na época, o que lhe causou surpresa posteriormente.
Na mesma publicação, Trump relembrou o episódio em que Musk sugeriu um nome para chefiar a NASA. O presidente relatou que, embora considerasse o indicado competente, surpreendeu-se ao descobrir que ele era democrata. Trump questionou a conveniência de nomear alguém ligado ao setor espacial para comandar uma agência estratégica para os interesses corporativos de Musk.
O embate público entre Trump e Musk marca uma nova etapa na relação entre os dois, que já haviam demonstrado alinhamento em outros momentos. O anúncio do Partido da América e a reação presidencial ocorrem em um contexto de tensões políticas nos Estados Unidos e podem influenciar o cenário das eleições de 2024.
Ministros e presidentes de Bancos Centrais discutem interoperabilidade de sistemas e inclusão de novas moedas no ARC
Os ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais dos países do Brics divulgaram comunicado informando avanços nas discussões para criar um sistema próprio de pagamento que dispense a conversão para o dólar. O documento oficial destaca progresso na identificação de possíveis caminhos para a “interoperabilidade” entre os sistemas de pagamentos dos membros do grupo.
De acordo com o comunicado, houve avanços no reconhecimento de formas de estimular transações em moedas locais e de reduzir custos operacionais. Apesar disso, não foram detalhados os resultados alcançados. As negociações terão continuidade no segundo semestre, antes da transição da presidência do Brics para a Índia, marcada para 1º de janeiro de 2026.
“Seguindo a instrução de nossos líderes na Declaração de Kazan para continuar a discussão sobre a Iniciativa de Pagamentos Transfronteiriços do Brics, reconhecemos o progresso alcançado pela Força-Tarefa de Pagamentos na identificação de possíveis caminhos para apoiar a continuidade das discussões sobre um maior potencial de interoperabilidade dos sistemas de pagamentos do Brics”, diz o comunicado.
O documento também cita o relatório “Sistema de Pagamentos Transfronteiriços do Brics”, elaborado pelo Banco Central do Brasil. O material lista preferências dos países do bloco para viabilizar pagamentos rápidos, de baixo custo, acessíveis, eficientes, transparentes e seguros. Segundo o comunicado, um sistema alternativo de pagamentos pode “sustentar maiores fluxos de comércio e investimento” entre os membros do Brics.
Revisão do Acordo de Reservas Contingentes
Outro ponto abordado na reunião foi a revisão do Acordo de Reservas Contingentes (ARC), criado em 2014 para oferecer ajuda financeira mútua entre os países membros em caso de dificuldades no balanço de pagamentos. O objetivo é incluir novas moedas no mecanismo.
As novas regras do ARC ainda serão debatidas internamente por cada país do Brics. Além disso, está prevista uma reunião no segundo semestre para tratar da adesão dos novos membros ao acordo.
“Aguardamos essas alterações como base para discussões que visem aumentar a flexibilidade e a eficácia do mecanismo do ARC, por meio da incorporação de moedas de pagamento elegíveis e da melhoria da gestão de riscos”, destacou o comunicado.
Linha de garantia multilateral
Em relação à transição ecológica, o comunicado informou que os países do Brics iniciaram discussões para desenvolver uma linha de garantia multilateral. Esses ativos cobrem eventuais inadimplências, reduzem riscos das operações e melhoram o crédito de países do Sul Global.
A linha de garantia será desenvolvida pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), conhecido como Banco dos Brics, sem necessidade de aportes adicionais de capital dos países membros. Está prevista uma iniciativa piloto para 2025, com o objetivo de relatar o progresso na Cúpula do Brics em 2026, na Índia.
Na agenda climática, o grupo ressaltou que um financiamento previsível, equitativo, acessível e economicamente viável é essencial para garantir transições justas. Os representantes defenderam maior envolvimento do setor privado e solicitaram que instituições financeiras internacionais ampliem o apoio à adaptação climática.
“Apelamos às instituições financeiras internacionais para que ampliem o apoio à adaptação e criem um ambiente propício que incentive uma maior participação do setor privado nos esforços de mitigação”, afirmaram os ministros e presidentes de Bancos Centrais.
Participação do Brics na economia global
O Brics é formado por 11 membros permanentes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Também participam como parceiros Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria, Vietnã e Uzbequistão.
Juntos, os 11 países do Brics representam 39% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, 48,5% da população global e 23% do comércio internacional. Em 2024, os países do Brics responderam por 36% das exportações brasileiras e por 34% das importações do Brasil.
Sob a presidência do Brasil, a 17ª Reunião de Cúpula do Brics será realizada no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho.
Time brasileiro enfrenta o Chelsea na próxima fase após vitória por 2 a 1 em Orlando
O Fluminense está classificado para a semifinal da Copa do Mundo de Clubes após vencer o Al-Hilal, da Arábia Saudita, por 2 a 1 nesta sexta-feira (4.jul.2025), no Camping World Stadium, em Orlando, Estados Unidos. O resultado garantiu o time brasileiro na próxima fase, onde enfrentará o Chelsea, da Inglaterra.
A equipe inglesa também avançou nesta sexta-feira ao vencer o Palmeiras por 2 a 1 em partida realizada na Filadélfia. Com isso, não haverá um confronto brasileiro na semifinal do torneio.
Primeiro tempo
O jogo entre Fluminense e Al-Hilal começou equilibrado, com poucas oportunidades claras. A primeira chegada do time brasileiro ocorreu aos 18 minutos. Nonato desarmou Kanno e iniciou o contra-ataque. Após receber a devolução de Arias, tentou finalizar, mas a bola subiu demais.
O Al-Hilal respondeu aos 26 minutos em cobrança de escanteio. Koulibaly tentou cabecear, mas Ignácio afastou para a lateral. O gol tricolor saiu aos 39 minutos. Após cruzamento de Samuel Xavier que João Cancelo não conseguiu afastar bem, Fuentes ficou com a bola e tocou para Martinelli. O camisa 12 girou sobre Milinkovic-Savic e chutou no ângulo esquerdo de Bono.
Aos 45 minutos, o Al-Hilal quase empatou. Rúben Neves cobrou falta e Koulibaly cabeceou no canto esquerdo, exigindo grande defesa de Fábio. Na sequência, houve um pênalti inicialmente marcado em Marcos Leonardo após toque de Samuel Xavier, mas o árbitro Danny Makkelie voltou atrás após revisão no VAR.
Na etapa inicial, o árbitro aplicou dois cartões amarelos para cada equipe. No Fluminense, Freytes e Martinelli foram advertidos e desfalcarão o time na semifinal por suspensão.
Segundo tempo
Na volta do intervalo, o Al-Hilal começou pressionando. Aos 5 minutos, Rúben Neves cobrou escanteio e Koulibaly ajeitou de cabeça para Marcos Leonardo empatar a partida com finalização rasteira.
Pouco depois, Germán Cano teve chance clara de recolocar o Fluminense em vantagem. Após erro de Renan Lordi no recuo, o atacante argentino ficou cara a cara com Bono, mas ao tentar driblar o goleiro, perdeu o controle da jogada.
O segundo gol do Fluminense foi marcado por Hércules, que entrou no lugar de Martinelli no intervalo. Aos 24 minutos, ele desarmou Marcos Leonardo na intermediária e tentou o chute, que desviou em Rúben Neves. Na sobra, Samuel Xavier ajeitou de cabeça para Hércules, que finalizou cruzado para marcar.
Aos 33 minutos, Arias avançou pela esquerda e cruzou para Samuel Xavier, que finalizou de primeira. Bono defendeu e mandou para escanteio.
Nos minutos finais, o Al-Hilal levantou diversas bolas na área tricolor e teve sequências de escanteios. Já nos acréscimos, Koulibaly caiu na área, mas o árbitro considerou simulação e aplicou cartão amarelo ao defensor.
Campanha do Fluminense
O Fluminense avançou às quartas de final após disputar três partidas na fase de grupos. Na estreia, empatou por 0 a 0 com o Borussia Dortmund, em Nova Jersey. No segundo jogo, venceu o Ulsan Hyundai por 4 a 2. Arias abriu o placar, mas Jin-Hyun e Won-Sang viraram para os sul-coreanos. Nonato, Freytes e Keno marcaram para garantir a vitória brasileira.
Na terceira partida do grupo, contra o Mamelodi Sundowns em Miami, o Fluminense precisava apenas de um empate para se classificar às oitavas. O jogo terminou sem gols, garantindo a vaga em segundo lugar do Grupo F.
Nas oitavas de final, o time enfrentou a Inter de Milão, vice-campeã da Champions League, e venceu por 2 a 0 com gols de Germán Cano e Hércules, avançando às quartas de final para enfrentar o Al-Hilal.
O próximo compromisso do Fluminense será contra o Chelsea, valendo vaga na decisão da Copa do Mundo de Clubes.
Fotos: Lucas Merçon/Fluminense FC / Maílson Santana/Fluminense FC
Equipes se enfrentam na próxima terça-feira, em Nova Jersey, após vitória inglesa sobre o time brasileiro nos Estados Unidos
O Chelsea, da Inglaterra, venceu o Palmeiras por 2 a 1 na noite desta sexta-feira (4.jul.2025), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, Estados Unidos, garantindo vaga nas semifinais da Copa do Mundo de Clubes da Fifa. Com o resultado, a equipe inglesa enfrenta o Fluminense na próxima terça-feira (8.jul), em Nova Jersey.
Mais cedo, o Fluminense havia derrotado o Al-Hilal, da Arábia Saudita, também por 2 a 1, no Camping World Stadium, em Orlando. A semifinal entre Chelsea e Fluminense está marcada para as 16h (horário de Brasília), no MetLife Stadium.
Resumo da partida
O Palmeiras começou a partida com dificuldades na marcação e pouca criação ofensiva. Apesar de contar com o atacante Estêvão, que realizou sua última partida pelo clube antes de se transferir para o Chelsea após a competição, o time brasileiro criou poucas oportunidades na primeira etapa.
O Chelsea abriu o placar logo aos 15 minutos do primeiro tempo. Cole Palmer recebeu passe na entrada da área, mesmo marcado, avançou e finalizou colocado para vencer o goleiro Weverton. Após o gol, o Palmeiras não conseguiu criar chances claras e terminou a primeira metade do jogo atrás no marcador.
Segundo tempo
A equipe brasileira retornou mais ofensiva no segundo tempo. As jogadas pelo lado direito, com Estêvão, ganharam força. Aos 7 minutos, o jovem atacante recebeu passe de Allan, driblou Colwill e finalizou mesmo sem ângulo para marcar o gol de empate.
O empate trouxe mais equilíbrio momentâneo, mas o Chelsea manteve o controle da posse de bola e buscou o ataque para recuperar a vantagem. Aos 37 minutos, Gusto recebeu a bola na ponta esquerda e chutou em direção ao gol. A bola desviou em Giay e enganou o goleiro Weverton, resultando no segundo gol da equipe inglesa.
Após sofrer o segundo gol, o Palmeiras, que atuou com vários defensores reservas, não conseguiu reagir. O time comandado por Abel Ferreira não criou novas chances claras e o Chelsea garantiu a classificação para a semifinal.
Próximo jogo
Com a vitória, o Chelsea enfrentará o Fluminense na semifinal do Mundial de Clubes. A partida acontece na próxima terça-feira (8), às 16h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, Estados Unidos.
Escalações e detalhes do jogo
Local: Lincoln Financial Field, Filadélfia (EUA) Data: sexta-feira, 4 de julho Placar: Chelsea 2 x 1 Palmeiras Gols: Cole Palmer (15′ 1T), Estêvão (7′ 2T), Gusto (37′ 2T, com desvio em Giay) Arbitragem: não divulgada na atualização mais recente
Destaques individuais
Estêvão marcou o gol do Palmeiras e foi uma das principais opções ofensivas na segunda etapa. Cole Palmer abriu o placar para o Chelsea com finalização de fora da área. Gusto participou do lance que definiu o resultado com chute desviado para o gol.
Contexto do Mundial de Clubes
A edição atual da Copa do Mundo de Clubes da Fifa reúne campeões de diferentes continentes em confrontos eliminatórios. O vencedor do duelo entre Chelsea e Fluminense avança para a grande final, que decidirá o campeão mundial de clubes desta temporada.
Partida marcada para este sábado (6) em Natal foi suspensa por problemas logísticos e descumprimento contratual
O amistoso entre o Vasco da Gama e o Montevideo Wanderers, do Uruguai, que seria realizado neste sábado (6.jul.2025) na Arena das Dunas, em Natal, foi cancelado. A informação foi confirmada na tarde desta sexta-feira (5.jul) por meio de notas oficiais do estádio e do clube carioca.
A Casa de Apostas Arena das Dunas, local previsto para a realização da partida válida pela Vitória Cup, divulgou que o jogo foi cancelado por “motivos de logística internacional”. De acordo com a organização, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não autorizou o pouso do voo fretado pelo Montevideo Wanderers em Natal, o que inviabilizou a presença da equipe uruguaia na capital potiguar.
Além dos problemas logísticos, o Vasco informou que houve descumprimento contratual por parte das empresas responsáveis pela organização do evento. Segundo o clube, os organizadores não apresentaram as garantias previstas no contrato firmado anteriormente.
“Diante desse cenário e da ausência de comprovação do atendimento às condições previamente estabelecidas, o Vasco foi obrigado a suspender a viagem da delegação para Natal”, declarou o clube em nota oficial.
Público e reembolso
A expectativa era de que o amistoso reunisse mais de 20 mil pessoas, com torcedores vindos de diversas cidades do interior do Rio Grande do Norte e também de estados vizinhos. Com o cancelamento, os torcedores que compraram ingressos terão direito ao reembolso.
Segundo a Arena das Dunas, os valores pagos via cartão de crédito, débito ou Pix (tanto online quanto nos pontos físicos) serão devolvidos automaticamente no prazo de até 72 horas úteis. Já os ingressos adquiridos em dinheiro serão reembolsados presencialmente, entre os dias 7 e 11 de julho, das 10h às 17h, na Bilheteria 1 do estádio.
“Informamos que o amistoso entre Vasco da Gama e Montevideo Wanderers, válido pela Vitória Cup e previsto para o próximo sábado (06/07), foi cancelado por motivos de logística internacional. Os ingressos adquiridos serão reembolsados automaticamente no prazo de até 72 horas úteis. Reforçamos nosso compromisso em continuar recebendo grandes jogos e eventos.”
Vasco da Gama:
“A partida amistosa contra o Montevideo Wanderers, marcada para este sábado (06/07), está cancelada. A decisão foi tomada diante do descumprimento contratual por parte das empresas responsáveis pela organização do evento. O Vasco lamenta o ocorrido e adotará as medidas legais cabíveis.”
O clube também destacou que a decisão foi tomada visando preservar a operação logística e respeitar a torcida que aguardava o jogo.
Encontro ocorrerá em meio à Cúpula do Mercosul, em Buenos Aires
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará nesta quinta-feira (3.jul.2025) a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em Buenos Aires. A visita ocorrerá durante a participação de Lula na Cúpula do Mercosul, na qual o Brasil assumirá a presidência temporária do bloco.
Cristina Kirchner está em prisão domiciliar após condenação por corrupção confirmada pela Suprema Corte da Argentina em 10 de junho. A sentença é de seis anos de prisão e impede que ela exerça cargos públicos de forma vitalícia. A ex-presidente nega as acusações e afirma ser alvo de perseguição política.
O encontro entre Lula e Kirchner foi autorizado pela Justiça argentina. O juiz Jorge Gorini destacou que devem ser respeitadas normas que garantam a tranquilidade dos moradores do local.
Em junho, Lula telefonou para a ex-presidente para prestar solidariedade. Na ocasião, Kirchner havia anunciado intenção de disputar uma vaga no Congresso argentino nas eleições legislativas de setembro.
Cristina Kirchner governou a Argentina entre 2007 e 2015 e foi vice-presidente de 2019 a 2023. Ela foi condenada no caso conhecido como “Vialidad”, que investigou concessões de obras públicas na Patagônia ao empresário Lázaro Báez.
Essa é a primeira visita oficial de Lula à Argentina desde a posse do presidente Javier Milei, em dezembro de 2023. A Cúpula do Mercosul reúne representantes dos países membros do bloco para discutir temas econômicos e diplomáticos.
Em 2019, o então candidato à presidência argentina Alberto Fernández visitou Lula na prisão em Curitiba. Posteriormente, governou o país de 2019 a 2023 com Kirchner como vice-presidente.
Nova arrecadação busca doações globais para cobrir déficit anual; vídeo e site incentivam contribuições ao Pence de Pedro
Neste domingo (29.jun.2025), o Papa Leão XIV lançou oficialmente a nova campanha do Vaticano para arrecadação de doações destinadas ao fundo Pence de Pedro. O objetivo é reduzir o déficit anual da Santa Sé, estimado entre 50 e 60 milhões de euros, equivalente a aproximadamente R$ 320 a R$ 350 milhões.
A campanha foi aberta durante as celebrações da festa de São Pedro e São Paulo, data tradicionalmente usada pela Igreja Católica para esse tipo de arrecadação. Na Basílica de São Pedro, o papa celebrou missa e, durante a oração do Angelus ao meio-dia (horário de Roma), agradeceu aos fiéis que já contribuíram, descrevendo o apoio financeiro como um “sinal de união” com seu pontificado.
Leão XIV também abordou temas como a unidade cristã e o testemunho do martírio de Pedro e Paulo, afirmando que esses elementos unem a Igreja em “comunhão profunda”. Ele destacou que o Pence de Pedro é um “sinal de comunhão com o papa e participação em seu Ministério Apostólico”, agradecendo especialmente aos que apoiam seus “primeiros passos como sucessor de São Pedro”.
Estrutura da campanha
A arrecadação deste ano utiliza estratégias atualizadas, com vídeo promocional, pôster, QR Code e um site específico que permite doações por cartão de crédito, PayPal, transferência bancária ou envio postal. A comunicação adota formato considerado próximo ao estilo de campanhas norte-americanas.
O vídeo oficial reúne imagens dos primeiros momentos do pontificado de Leão XIV, incluindo sua entrada na loggia da Basílica de São Pedro após a eleição e o recebimento do anel do pescador. A peça inclui mensagem traduzida em vários idiomas, convidando à doação.
A mensagem exibida afirma: “Com sua doação ao Pence de Pedro, você apoia os passos do Santo Padre. Ajude-o a proclamar o evangelho ao mundo e a estender a mão aos nossos irmãos e irmãs necessitados. Apoie os passos do Papa Leão XIV. Faça uma doação.”
Uso dos recursos
O Pence de Pedro é um fundo tradicionalmente usado para sustentar as operações do governo central da Igreja Católica e financiar atos pessoais de caridade do papa. Nas igrejas do mundo inteiro, missas realizadas em 29 de junho incluem uma coleta especial para o fundo.
Segundo o Vaticano, a meta da nova campanha é modernizar a arrecadação e ampliar a confiança dos doadores para cobrir déficits estruturais, mantendo a burocracia da Santa Sé em funcionamento. As autoridades acreditam que, sob Leão XIV, com novos controles financeiros e um matemático americano na administração da Santa Sé, será possível demonstrar uso adequado dos recursos.
Os Estados Unidos têm historicamente sido o maior doador para o Pence de Pedro, respondendo por cerca de 25% do total arrecadado anualmente.
Histórico recente e escândalos
O Pence de Pedro foi alvo de escândalos nos últimos anos. Investigações revelaram má administração de recursos por meio de investimentos malsucedidos e gastos considerados inadequados. Um julgamento recente confirmou que parte substancial das doações foi utilizada para cobrir déficits orçamentários da Santa Sé, e não exclusivamente em iniciativas de caridade papal.
Em 2022, em meio a impactos da pandemia que reduziram a frequência nas missas e afetaram a coleta tradicional, as doações caíram para 43,5 milhões de euros, menor nível desde 1986. Apesar disso, outras receitas de investimento compensaram parcialmente a queda no ano.
Em 2023, o fundo arrecadou 48,4 milhões de euros. No ano passado, o montante subiu para 54,3 milhões de euros. Contudo, segundo o relatório anual do Pence de Pedro divulgado na última semana, o fundo teve despesas de 75,4 milhões de euros em 2024, mantendo o quadro de déficit.
Além do déficit anual, o Vaticano enfrenta um déficit estimado em 1 bilhão de euros em seu fundo de pensão. Antes de sua morte, o Papa Francisco alertou que o fundo poderia se tornar incapaz de cumprir suas obrigações de médio prazo.
A Santa Sé não emite títulos nem cobra imposto de renda de seus residentes. Suas receitas dependem de doações, investimentos e vendas nos Museus do Vaticano, além de selos, moedas e publicações.
Equipe rubro-negra comete erros defensivos e se despede nas oitavas de final em Miami
O Flamengo foi derrotado pelo Bayern de Munique por 4 a 2 neste domingo (29.jun.2025), no Hard Rock Stadium, em Miami, e se despediu do Mundial de Clubes 2025 nas oitavas de final. A equipe alemã se classificou para enfrentar o Paris Saint-Germain na próxima fase.
Jogo marcado por falhas na saída de bola
O Bayern aproveitou erros do Flamengo nos primeiros minutos. Logo aos 6 minutos do primeiro tempo, após cobrança de escanteio de Kimmich, Pulgar desviou contra o próprio gol.
Aos 9 minutos, em nova falha na saída de bola, Harry Kane arriscou de fora da área e marcou o segundo gol para os alemães. O Flamengo tentou responder aumentando o volume de jogo após a pausa técnica para hidratação, criando jogadas pelo lado esquerdo.
Reação e gol de Gerson
Aos 33 minutos, Luiz Araújo cruzou, Arrascaeta desviou e Gerson finalizou para descontar, marcando o primeiro gol rubro-negro. O Bayern respondeu antes do intervalo. Aos 41 minutos, após erro na saída de bola do Flamengo, Goretzka dominou no peito e chutou de fora da área para fazer o terceiro gol alemão.
Ainda no primeiro tempo, Pulgar deixou o campo com suspeita de fratura no pé direito e foi encaminhado para exames.
Segundo tempo e pênalti convertido por Jorginho
Na segunda etapa, o Flamengo voltou buscando diminuir o placar. Aos 9 minutos, após cruzamento de Arrascaeta, a bola tocou na mão de Olise dentro da área. O árbitro marcou pênalti. Jorginho converteu a cobrança, anotando seu primeiro gol pelo clube e reduzindo para 3 a 2.
Bayern amplia com segundo gol de Kane
O Bayern voltou a pressionar para evitar riscos. Aos 27 minutos do segundo tempo, após nova falha na saída de bola do Flamengo, Luiz Araújo perdeu a posse, e Harry Kane marcou o quarto gol dos alemães.
O time alemão administrou o resultado até o apito final, controlando o ritmo do jogo.
Próximos compromissos
Com a classificação, o Bayern enfrentará o Paris Saint-Germain no sábado, às 13h (horário de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, pela fase de quartas de final do Mundial de Clubes 2025.
O Flamengo retorna ao Brasil para se preparar para as próximas competições: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. A próxima partida prevista será no fim de semana do dia 13 de julho, contra o São Paulo.
Ficha técnica da partida
FLAMENGO 2 x 4 BAYERN DE MUNIQUE Local: Hard Rock Stadium, Miami Público: 60.914
Gols:
1ºT: Pulgar (contra), aos 6; Kane, aos 9; Gerson, aos 33; Goretzka, aos 41. 2ºT: Jorginho (pênalti), aos 9; Kane, aos 27.
Arbitragem: Michael Oliver (Inglaterra) Cartões Amarelos: Wesley, Pulgar, Allan, Plata (Flamengo); Laimer, Musiala, Kane, Kimmich, Tah (Bayern).
Escalações
Flamengo: Rossi; Wesley, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro (Ayrton Lucas); Pulgar (Allan), Gerson (Wallace Yan) e Jorginho (De la Cruz); Luiz Araújo, Gonzalo Plata e Arrascaeta (Bruno Henrique). Técnico: Filipe Luís.
Bayern de Munique: Neuer; Laimer (Boey), Upamecano, Tah e Stanisic; Kimmich e Goretzka (Pavlovic); Olise, Gnabry (Musiala) e Coman (Sané); Harry Kane (Müller). Técnico: Vincent Kompany.
Paulinho decide na prorrogação e Verdão aguarda vencedor de Benfica x Chelsea
O Palmeiras derrotou o Botafogo por 1 a 0 neste sábado (28.jun.2025), na Filadélfia, e garantiu vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa. O gol da vitória foi marcado por Paulinho, no primeiro tempo da prorrogação. Com o resultado, o Verdão aguarda o vencedor do confronto entre Benfica e Chelsea, que se enfrentam ainda neste sábado, para conhecer seu adversário nas quartas, marcadas para sexta-feira (4.jul), também na Filadélfia.
Escalações e proposta de jogo
O técnico do Botafogo, Renato Paiva, optou por uma formação com três volantes, priorizando a marcação. Já Abel Ferreira, do Palmeiras, escalou uma linha ofensiva com os jovens Estêvão, Allan e Vitor Roque. O Palmeiras assumiu a posse de bola desde o início, rondando o gol de John.
No primeiro tempo, a equipe paulista teve uma finalização perigosa nos acréscimos, quando Richard Rios arriscou de fora da área, mas a bola desviou na zaga e passou por cima do gol. O Botafogo pouco ameaçou a meta defendida por Weverton.
Segundo tempo sem mudanças
Na segunda etapa, o cenário continuou o mesmo. O Palmeiras manteve a posse e buscou jogadas ofensivas. Estêvão chutou de fora da área, obrigando John a defender para escanteio. Em outra oportunidade, Mauricio cabeceou à queima-roupa e o goleiro botafoguense conseguiu evitar o gol com uma defesa difícil.
Apesar das tentativas do Palmeiras, o tempo regulamentar terminou sem gols e a decisão foi para a prorrogação.
Gol decisivo na prorrogação
As duas equipes já haviam esgotado as cinco substituições logo no início da prorrogação. O Palmeiras continuou pressionando e exigindo boas defesas de John. Aos 10 minutos, Paulinho marcou o gol da classificação.
O atacante, que entrou no segundo tempo no lugar de Vitor Roque, recebeu pela direita, passou pela marcação de Marlon Freitas e finalizou de perna esquerda. A bola ainda desviou levemente no zagueiro Alexander Barboza antes de entrar no canto direito do goleiro John. Paulinho deixou o jogo pouco depois do gol, atuando cerca de 40 minutos, em razão de dores decorrentes de recuperação de cirurgia na canela.
Pressão do Botafogo no fim
Na segunda etapa da prorrogação, o Botafogo avançou para o ataque em busca do empate. Joaquin Correa fez jogada individual, driblou defensores e cruzou rasteiro, mas não encontrou companheiros para finalizar. Vitinho chegou a chutar para a rede pelo lado de fora após bola levantada na área. Artur também levou perigo em chute de longa distância.
O Palmeiras teve o zagueiro Gustavo Gómez expulso após receber o segundo cartão amarelo. Com um jogador a menos, a equipe paulista recuou ainda mais e enfrentou pressão com cruzamentos e escanteios. Em uma dessas jogadas, Igor Jesus finalizou sem força e Weverton segurou a bola.
Classificação e próximo jogo
Após mais de 20 minutos de segundo tempo da prorrogação, o árbitro encerrou a partida com vitória do Palmeiras por 1 a 0. Com o triunfo, o time paulista se tornou o primeiro brasileiro classificado às quartas de final da primeira edição da Copa do Mundo de Clubes da Fifa.
O próximo compromisso do Palmeiras será na sexta-feira (4), novamente na Filadélfia, contra o vencedor do duelo entre Benfica e Chelsea.
Decreto de 2017 não autoriza pagamento pelo transporte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (26), em São Paulo, que irá revogar decreto que impede o governo federal de custear traslados de corpos de brasileiros do exterior para o Brasil. Lula anunciou a medida após a morte da jovem Juliana Marins, que caiu da borda da cratera de um vulcão na Indonésia.
Desde 2017, uma norma não autoriza o Ministério das Relações Exteriores a pagar pelo traslado de corpos de brasileiros. Lula disse ainda que irá editar um novo decreto, mas não detalhou como serão as regras.
“Quando chegar em Brasília agora, eu vou revogar esse decreto. Vou fazer um outro decreto para que o governo brasileiro assuma a responsabilidade de custear as despesas da vinda dessa jovem ao Brasil”, afirmou.
“Vamos cuidar de todos os brasileiros, estejam eles onde estiverem”, acrescentou.
Mais cedo, Lula anunciou, em rede social, ter conversado, por telefone, com o pai de Juliana Marins, Manoel Marins. O presidente informou ter determinado ao Ministério das Relações Exteriores que prestasse “todo o apoio” à família, “o que inclui o translado do corpo até o Brasil.”
Manoel Marins está na Indonésia para tratar dos trâmites de repatriação da filha. A jovem caiu no último sábado (21). O resgate só conseguiu alcançá-la na terça-feira (24), quando já estava morta. A família critica a demora no resgate e que houve negligência da equipe local. O serviço responsável por buscas e resgate da Indonésia afirma que a demora no salvamento foi porque as equipes só foram avisadas depois que um integrante do grupo de Juliana conseguiu descer até um posto distante da queda após horas de caminhada. Eles argumentam que as condições climáticas adversas dificultaram o trabalho.
O corpo de Juliana foi levado para Bali nesta quinta-feira (26), onde vai passar por autópsia. O procedimento deve esclarecer detalhes da morte.
Juliana Marins caiu em cratera do vulcão no sábado (21) e só foi alcançada por socorrista na terça-feira (24); corpo foi resgatado nesta quarta (25)
O corpo da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, foi resgatado na manhã desta quarta-feira (25.jun.2025) pelas equipes da Agência Nacional de Busca e Resgate da Indonésia (Basarnas), após permanecer por cerca de quatro dias em uma cratera do Monte Rinjani, na ilha de Lombok.
Juliana caiu durante uma trilha no sábado (21), ao escorregar na borda do vulcão e deslizar por centenas de metros. A turista realizava um mochilão pela Ásia e fazia o percurso acompanhada por outros viajantes, em atividade organizada por uma empresa local.
O resgate foi prejudicado por condições meteorológicas desfavoráveis, terreno acidentado e problemas logísticos, segundo as autoridades indonésias. Um socorrista só conseguiu alcançar Juliana na terça-feira (24), quando ela já se encontrava sem vida.
Família aponta negligência no socorro
Após o resgate, a família de Juliana Marins publicou uma nota nas redes sociais em que acusa a equipe de resgate de negligência. Segundo os familiares, se o atendimento tivesse ocorrido em até sete horas após o acidente, Juliana poderia ter sobrevivido.
“Juliana sofreu uma grande negligência por parte da equipe de resgate. Se a equipe tivesse chegado até ela dentro do prazo estimado de 7h, Juliana ainda estaria viva. Juliana merecia muito mais! Agora nós vamos atrás de justiça por ela, porque é o que ela merece! Não desistam de Juliana!”, diz a nota divulgada pela família.
A publicação ganhou repercussão nas redes sociais e intensificou o debate sobre a atuação das equipes de resgate locais.
Defesa da equipe de resgate
A Basarnas respondeu à repercussão do caso também pelas redes sociais, divulgando imagens do resgate e compartilhando mensagens de apoio ao trabalho dos socorristas.
Em uma das postagens, um usuário afirma:
“O caso da alpinista brasileira Juliana Marins, que caiu no barranco do Monte Rinjani, virou fofoca global com uma narrativa enganosa, como se nossa Basarnas fosse incompetente. Muitos até dizem que Juliana foi abandonada por 72 horas sem qualquer ajuda.”
Outro comentário, também compartilhado pela Basarnas, destaca as dificuldades enfrentadas pelas equipes:
“Neste terreno, enevoado e às vezes chuvoso, com barrancos, a mente e a energia estão no máximo. Mais ainda há pessoas que os criticam por ser lentos.”
Operação de resgate e retirada do corpo
A operação de resgate envolveu o deslocamento de socorristas por áreas de difícil acesso. O corpo de Juliana foi içado nesta quarta-feira (25), no horário local, e transportado de maca até o posto de Sembalun. De lá, foi levado de helicóptero ao Hospital Bayangkara, para os trâmites legais.
O resgate mobilizou equipes que acamparam em diferentes pontos do terreno, com alguns profissionais posicionados a cerca de 400 a 600 metros de profundidade. A estimativa inicial era de que Juliana estivesse a aproximadamente 950 metros da superfície, mas a profundidade confirmada foi inferior.
Homenagem do pai
O pai de Juliana, Manoel Marins, publicou uma homenagem à filha nas redes sociais. No texto, ele lembrou o desejo da jovem de realizar o mochilão por conta própria:
“No início deste ano [ela] nos disse que faria esse mochilão agora enquanto era jovem e nós a apoiamos. Quando lhe perguntei se queria que lhe déssemos algum dinheiro para ajudar na viagem, você nos disse: jamais. E assim você viajou com seus próprios recursos que ganhou como fruto do seu trabalho. E como você estava feliz realizando esse sonho.”
Juliana Marins era natural do Brasil e estava na Indonésia a turismo.
Partida será no dia 5 de julho, em Natal, com ingressos já à venda para todos os setores do estádio
O Vasco da Gama tem compromisso confirmado para o sábado, dia 5 de julho, na Casa de Apostas Arena das Dunas, em Natal. A equipe carioca disputará um amistoso internacional contra o Montevideo Wanderers, time da primeira divisão do Campeonato Uruguaio. A partida está marcada para as 17h.
O confronto serve como preparação do clube brasileiro para a retomada do Campeonato Brasileiro, que se encontra paralisado devido à realização do Mundial de Clubes da Fifa. O Vasco entrará em campo com seu elenco principal, enfrentando o atual terceiro colocado do Grupo A do Campeonato Uruguaio, que está atrás apenas de Peñarol e Defensor Sporting.
Ingressos à venda
Os ingressos para o amistoso já estão sendo comercializados. As vendas ocorrem no site oficial da Arena das Dunas (www.casadeapostasarenadunas.com.br) e, a partir das 14h do dia 25 de junho, também em pontos físicos:
Loja Gigante da Colina (próximo ao Nordestão Cidade Jardim)
Gol Mania Store Lagoa Nova
Gol Mania Store Zona Norte (Partage Norte Shopping)
Os preços variam de acordo com o setor do estádio:
Arquibancada Sul: R$ 50,00 (meia ou ingresso social) e R$ 100,00 (inteira)
Primeiro Anel Leste: R$ 75,00 (meia ou ingresso social) e R$ 150,00 (inteira)
Cadeiras Premium (Hospitalidade): R$ 150,00 (meia ou ingresso social) e R$ 300,00 (inteira)
Camarotes e Rooftop
Além das arquibancadas, estão disponíveis os ingressos para os espaços diferenciados:
Rooftop Dunas: com serviços de Open Bar e Open Food. As vendas são realizadas exclusivamente no site www.rooftopdunas.com.br, onde também estão disponíveis mais informações sobre preços e acesso.
Camarotes Privativos: com capacidade para 20 pessoas, os camarotes incluem ambiente climatizado, banheiro exclusivo, serviço de garçom, 5 vouchers de estacionamento e 20 ingressos. As reservas podem ser feitas pelo telefone ou WhatsApp (84) 3673-6811.
Ingressos sociais e gratuidades
A modalidade de ingresso social exige a doação de 1 kg de alimento não perecível, que deverá ser entregue na portaria de acesso ao setor correspondente no momento da entrada.
Crianças com até dois anos de idade têm entrada gratuita.
A expectativa é de grande público para o amistoso, dada a presença de um dos principais clubes brasileiros e o interesse do torcedor local em acompanhar uma partida internacional em Natal.
Jovem de 27 anos estava desaparecida desde o sábado (21), ao escalar o Monte Rinjani, em Lombok
A brasileira Juliana Marins, de 27 anos, teve sua morte confirmada na manhã desta terça-feira (24.jun.2025), após ser localizada por equipes de resgate na Ilha de Lombok, na Indonésia. A informação foi divulgada no perfil oficial da campanha de buscas no Instagram (@resgatejulianamarins), administrado por familiares da jovem.
“Hoje, a equipe de resgate conseguiu chegar até o local onde Juliana Marins estava. Com imensa tristeza, informamos que ela não resistiu”, comunicou a família, que agradeceu o apoio e as mensagens recebidas durante os dias de procura.
Juliana caiu em uma área de difícil acesso durante uma trilha rumo ao cume do Monte Rinjani, por volta das 4h da madrugada do sábado (21), horário local. Considerando o fuso brasileiro, a queda ocorreu ainda na noite de sexta-feira (20). A trilha é conhecida por apresentar desafios naturais e exigir preparo físico dos escaladores.
Na segunda-feira (23), o Escritório de Busca e Salvamento de Mataram confirmou que a jovem havia sido localizada. De acordo com Muhamad Hariyadi, chefe do órgão, Juliana foi encontrada pela manhã, a cerca de 500 metros do ponto onde sofreu a queda.
Desde a madrugada do sábado, ela aguardava resgate. No entanto, as condições climáticas dificultaram a operação e obrigaram a equipe a suspender os trabalhos em alguns momentos. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou, em nota divulgada no domingo (22), que as autoridades locais estavam em contato com a embaixada brasileira para acompanhar a situação.
Durante o período de buscas, amigos e familiares relataram divergências nas informações repassadas sobre o estado de Juliana. Em determinado momento, chegou a circular que ela estaria recebendo alimentos e água, mas esses dados não foram confirmados oficialmente.
Na manhã desta terça-feira (24), o pai de Juliana comunicou nas redes sociais que estava a caminho da Indonésia. “Graças a Deus, estamos embarcando agora para Bali. São aproximadamente 10 horas de voo”, disse. Na publicação, ele ainda expressava esperança de trazer a filha de volta com vida.
Trajetória e viagem pela Ásia
Juliana Marins era formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), curso concluído em dezembro de 2021. No setor de comunicação, atuou na produção de conteúdo para os canais Off e Multishow, conforme registrado em seu perfil no LinkedIn.
Ela acumulava elogios profissionais por sua atuação na área. Flávia Alvarenga, ex-supervisora da jovem, escreveu em seu perfil: “Tive a oportunidade de trabalhar com Juliana Marins, (que) se destacou por sua proatividade e criatividade excepcionais”.
Além da carreira profissional, Juliana era praticante de pole dance, nadadora e entusiasta de viagens e aventuras. No fim de fevereiro deste ano, iniciou um mochilão solo pela Ásia, passando por Filipinas, Vietnã, Tailândia e Indonésia. O estilo de viagem adotado por ela não seguia roteiros guiados, priorizando a autonomia de horários e escolhas pessoais.
Durante o percurso, Juliana compartilhou registros em fotos e vídeos no Instagram, onde reunia mais de 84 mil seguidores. Sua última postagem foi feita em 10 de junho, com imagens na Indonésia. Em uma publicação anterior, de 29 de maio, escreveu sobre os sentimentos experimentados durante o trajeto e os desafios emocionais enfrentados na viagem.
O corpo da jovem será submetido a procedimentos legais antes do translado ao Brasil, com apoio da embaixada brasileira. Até o momento, as autoridades indonésias não divulgaram detalhes sobre as causas da morte.
Trégua mediada pelos EUA durou menos de três horas; Teerã também acusa Israel de romper o acordo
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta terça-feira (24.jun.2025) que o Irã violou o cessar-fogo firmado no início desta semana, ao lançar mísseis contra o território israelense poucas horas após a entrada em vigor da trégua. A informação foi divulgada por meio de comunicado oficial.
Katz declarou que ordenou às Forças Armadas israelenses a retomada de operações militares contra alvos do regime iraniano. Segundo ele, os ataques devem atingir estruturas governamentais e paramilitares no Irã.
Mísseis e sirenes
As Forças de Defesa de Israel informaram que detectaram mísseis lançados do território iraniano rumo ao espaço aéreo israelense menos de três horas após o início da trégua. O alerta de ataques foi acionado no norte do país, indicando a ativação das sirenes antiaéreas.
O cessar-fogo havia sido firmado após 12 dias de confronto entre os dois países e foi mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou o acordo na noite de segunda-feira (23) em uma rede social. Na manhã desta terça, Trump reafirmou que o cessar-fogo estava vigente e pediu que as partes respeitassem os termos do acordo.
Resposta iraniana
As Forças Armadas do Irã também acusaram Israel de descumprir o cessar-fogo. Em comunicado divulgado pela agência de notícias iraniana Tasnim, Teerã afirmou que o Exército israelense teria violado o acordo em pelo menos três ocasiões, com bombardeios a diferentes locais dentro do território iraniano.
O comunicado iraniano não mencionou se houve vítimas ou detalhou os danos causados pelos supostos ataques israelenses. As autoridades do país alertaram que Israel “pagará um preço elevado” pelas ações e prometeram responder.
Contradições
Ambos os países se acusam mutuamente de romper o cessar-fogo. Israel afirma que os primeiros mísseis foram lançados por Teerã às 7h (horário local), enquanto o Irã nega a autoria dos ataques e responsabiliza Israel por agir primeiro.
Diante da escalada, o ministro Israel Katz reiterou que o lançamento de mísseis pelo Irã representa uma quebra clara do cessar-fogo e afirmou que os ataques de retaliação já foram autorizados. Segundo ele, os alvos são “infraestruturas do regime iraniano e locais associados a grupos considerados terroristas por Israel”.
O governo israelense não especificou quais locais foram atingidos ou qual será o escopo da nova ofensiva.
Acordo mediado pelos EUA
O cessar-fogo havia sido proposto pelo presidente Donald Trump com o objetivo de pôr fim à escalada de confrontos iniciada há quase duas semanas. A proposta foi aceita por ambos os governos na segunda-feira (23), mas a trégua durou apenas algumas horas.
Alvinegro sofre revés de 1 a 0 para o Atlético de Madrid
O Botafogo está nas oitavas de final da Copa do Mundo de Clubes. A classificação veio mesmo com a derrota por 1 a 0 para o Atlético de Madrid (Espanha), na tarde desta segunda-feira (23) no Rose Bowl, na Califórnia. Após este revés, e a vitória de 2 a 0 do PSG (França) sobre o Seattle Sounders (EUA), o Alvinegro de General Severiano avançou como segundo colocado do Grupo B.
Tendo a possibilidade de garantir a presença nas oitavas de final da competição mesmo perdendo para os espanhóis por uma diferença de dois gols, o Botafogo apostou nas transições rápidas da defesa para o ataque para tentar sair com a vitória. E foi desta forma que o Alvinegro quase abriu o marcador logo aos 9 minutos do primeiro tempo: Gregore tocou para Igor Jesus, que lançou Savarino em profundidade. Com extrema liberdade, o venezuelano bateu colocado, mas o goleiro Oblak se esticou para defender.
A partir daí as oportunidades foram aparecendo de lado a lado. Porém, a igualdade perdurou até o intervalo. Precisando de gols para continuar vivo na competição, o técnico do Atlético, o argentino Diego Simeone, começou a colocar jogadores de ataque na partida, primeiro o francês Griezmann e depois o argentino Ángel Correa.
E foi Griezmann que marcou o gol da vitória do time espanhol. Aos 41 minutos a defesa do Botafogo se enrolou na saída de bola e a bola acabou sobrando com o argentino Julián Álvarez, que cruzou rasteiro para Griezmann, livre, bater de primeira para superar o brasileiro John. A partir daí, os espanhóis continuaram pressionando em busca de mais gols para buscar a classificação, mas o Alvinegro conseguiu segurar o resultado, e a vaga, até o apito final.
Com este resultado, o Botafogo terminou a primeira fase da competição como segundo colocado do Grupo B com seis pontos conquistados (mesma pontuação do primeiro colocado PSG e do terceiro colocado Atlético de Madrid). Desta forma, o time de General Severiano pega nas oitavas de final o primeiro colocado do Grupo A (chave que conta com a participação do Palmeiras).
Ex-presidente dos EUA divulgou cronograma para o fim do conflito direto entre os países; acordo prevê encerramento da chamada “Guerra dos 12 Dias” em 24 horas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (23.jun.2025), por meio de sua conta oficial na rede social X (antigo Twitter), um acordo de cessar-fogo entre Israel e Irã. A declaração foi publicada no início da noite e detalha um cronograma para a interrupção total das hostilidades entre os dois países.
De acordo com Trump, o cessar-fogo começará oficialmente dentro de aproximadamente seis horas após o anúncio, o que corresponderia à 1h da manhã no horário de Brasília. O plano prevê que o Irã iniciará o cessar-fogo, e que Israel fará o mesmo 12 horas depois.
Ainda segundo a publicação, após o período de 24 horas desde o início do processo, o conflito será considerado encerrado, marcando o fim da chamada “Guerra dos 12 Dias”, como vem sendo referida nas comunicações feitas por Trump.
“Parabéns a todos! Esta foi uma guerra que poderia durar anos e destruir todo o Oriente Médio, mas não vai. Deus abençoe Israel, o Irã, o Oriente Médio, os Estados Unidos e o mundo”, escreveu o presidente dos EUA.
A postagem não apresenta detalhes sobre quais foram os termos do acordo, nem indica se houve participação oficial de representantes diplomáticos dos países envolvidos ou de outros atores internacionais. Também não há informações confirmadas pelas autoridades de Israel ou do Irã até o momento do anúncio feito por Trump.
A chamada “Guerra dos 12 Dias” teve início no contexto de uma escalada de tensões entre Israel e Irã, com episódios de ataques diretos, movimentações militares e alertas internacionais. O conflito provocou preocupação global devido ao risco de expansão para outras regiões do Oriente Médio.
O anúncio ainda aguarda confirmação de autoridades diplomáticas e militares dos países citados, bem como de organismos internacionais que atuam na mediação de conflitos.
Explosões foram registradas em Doha; base de Al-Udeid entrou em alerta máximo após ataque com pelo menos 10 mísseis
O Irã lançou nesta segunda-feira (23.jun.2025) uma série de mísseis contra a Base Aérea de Al-Udeid, no Catar, a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. A ação ocorre em meio ao aumento das tensões entre Irã e Israel e mobilizou a segurança regional.
Segundo autoridades israelenses, ao menos 10 mísseis foram disparados em direção ao território catariano. Outro projétil teria sido lançado em direção ao Iraque, onde também há presença militar norte-americana.
Explosões em Doha
Testemunhas relataram explosões na capital Doha durante a manhã. Até o momento, não há informações oficiais sobre vítimas ou danos estruturais. A situação levou à intensificação de medidas de segurança na região.
Alerta máximo em bases norte-americanas
Após os ataques, a Base Aérea de Al-Udeid entrou em estado de alerta máximo. Segundo fontes militares, parte do pessoal e aeronaves já havia sido evacuada nos últimos dias, como parte de um protocolo preventivo diante do aumento das tensões na região.
A Casa Branca confirmou que está acompanhando a situação em tempo real. Um funcionário do governo dos Estados Unidos declarou ao site Axios que o Departamento de Defesa está monitorando potenciais ameaças à base militar no Catar.
Espaço aéreo do Catar é fechado
Como medida de segurança, o governo do Catar anunciou o fechamento temporário de seu espaço aéreo. Em comunicado divulgado nas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores do Catar informou que a medida tem como objetivo garantir a segurança da população e dos visitantes.
A decisão foi tomada logo após os ataques e está em vigor por tempo indeterminado, de acordo com as autoridades locais.
Conflito regional e presença militar
O ataque ocorre em um momento de crescimento das tensões entre Irã e Israel, com impactos em outros países do Oriente Médio onde há presença militar dos Estados Unidos. A base de Al-Udeid é estratégica para operações militares norte-americanas na região e abriga milhares de militares.
Nos últimos dias, a presença militar norte-americana no Iraque também foi reforçada, diante da escalada de conflitos e do aumento de alertas de segurança emitidos por diversos países.
Monitoramento contínuo
As autoridades internacionais seguem monitorando a situação, e novos desdobramentos são aguardados. Até o momento, nenhum grupo assumiu a autoria formal dos lançamentos de mísseis.
Juliana foi localizada com a ajuda de um drone com sensor térmico
A turista brasileira Juliana Marins, que se acidentou na cratera de um vulcão na Indonésia, foi encontrada nesta segunda-feira (23), segundo informações divulgadas pelas autoridades daquele país. A Agência Nacional de Busca e Salvamento da Indonésia (Basarnas) informou que ela foi localizada, com a ajuda de um drone com sensor térmico, às 7h05 desta segunda-feira, no horário local (20h05 de domingo, na hora de Brasília).
Juliana caiu em um penhasco enquanto caminhava por uma trilha que margeia a cratera do monte Rinjani, um vulcão ativo, no sábado (21). De acordo com a Basarnas, ela está a cerca de 500 metros do ponto onde ela caiu, na área de Cemara Nunggal.
O terceiro dia de busca e resgate foi encerrado na noite desta segunda-feira (23), no horário local (madrugada desta segunda-feira no horário de Brasília), devido a condições meteorológicas adversas.
A Basarnas informou ainda que enviará um helicóptero na manhã de terça-feira (24), no horário local, com membros de seu grupo especial, para resgatar a turista brasileira.
“A gente segue na esperança de que a Juliana seja resgatada e volte bem para casa”, afirmou sua irmã, Mariana Marins, em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Mariana tem criticado as autoridades indonésias por prestar informações desencontradas, por falhas no planejamento do resgate e pela demora em trazer sua irmã de volta.
“Eles seguem muito lentos. No primeiro dia de resgate, eles demoraram 17 horas para chegar ao local, dez horas a mais que o tempo que eles deveriam levar. Para a gente, está sendo um absurdo essa parte do resgate, afirmou. “A Juliana está lá sozinha mais uma noite [indonésia], sem comida. Ela não recebeu comida nenhuma, água nenhuma, agasalho nenhum.”
A família está com esperanças de que um alpinista independente, que é experiente neste tipo de situação e que conhece a região, consiga chegar até Juliana ainda na noite desta segunda-feira (no horário local).
“Ele já chegou no parque [Monte Rinjani] e está indo até o ponto onde a Juliana caiu, para ele poder descer e conseguir o resgate de Juliana junto com a equipe. E ele está com um companheiro de alpinismo também”, disse Mariana.
Mariana também criticou a forma como o guia que liderava o grupo de turistas lidou com a situação, deixando que sua irmã ficasse para trás. “No segundo dia [da trilha], ela ficou cansada, falou que não sabia se conseguiria subir. Vi entrevistas com montanhistas que dizem que isso acontece com frequência, porque é uma altitude de mais ou menos 3 mil metros, com poeira de vulcão. E uma fatalidade aconteceu”
Segundo ela, Juliana, que está viajando, como mochileira desde fevereiro, tinha bom preparo físico mas não era especialista em montanhismo. “Ela estava ali como qualquer turista, para conhecer o local, pela vista. No grupo dela, ninguém era especialista em nada de montanhismo, porque esse é um passeio que é vendido como um passeio para turistas, que vão com um guia para conhecer o local”.
Mariana pede ainda que o governo brasileiro pressione a Indonésia para agilizar o resgate da irmã.
“A gente precisa de agilidade. Tudo o que a Juliana precisa é de velocidade. Tudo o que ela não tem agora é tempo”.
Pelo estreito passam 20% da produção de petróleo e gás
O Parlamento iraniano aprovou neste domingo (22) o fechamento do Estreito de Ormuz como retaliação aos ataques norte-americanos às usinas nucleares do país.
A decisão ainda precisa ser validada pelo conselho nacional de segurança iraniano e pelo próprio líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. A medida envolveria o uso de força militar para impedir o tráfego marítimo na região.
Apenas a possibilidade de que isso ocorra já causou grande preocupação mundial, uma vez que 20% da produção de petróleo e gás passam pelo estreito. O transporte de outros produtos também depende de Ormuz.
Entre eles, plásticos, fertilizantes, produtos químicos, automóveis, maquinários e eletrônico. Caso a decisão do parlamento iraniano se mantenha, a tendência é de aumento generalizado de preços desses produtos.
A China seria um dos países mais impactados. Por isso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, se manifestou em defesa da estabilidade na região.
“O Golfo Pérsico e as águas circundantes são canais vitais para o comércio internacional e o transporte de energia. Manter a segurança e a estabilidade na região atende aos interesses comuns da comunidade internacional”, disse Jiakun, de acordo com informações da Reuters.
“A China apela a todas as partes para que intensifiquem os esforços para aliviar as tensões e evitar que a instabilidade regional afete ainda mais o desenvolvimento econômico global.”
A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, também se pronunciou sobre os riscos de fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.
“As preocupações com retaliações e com a escalada desta guerra são enormes, especialmente o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que seria algo extremamente perigoso e não seria bom para ninguém”, afirmou Kallas, segundo a Reuters.
Norte-americanos no exterior são aconselhados a ter “cautela”
O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu alerta de segurança mundial aconselhando cidadãos norte-americanos no exterior a terem mais cautela.
O alerta é motivado pelo conflito entre Israel e o Irã, que resultou em interrupções nas viagens e no fechamento temporário do espaço aéreo em todo o Oriente Médio. Além de estar no site do Departamento de Estado, o alerta pode ser lido nos sites das embaixadas dos EUA em todo o mundo.
“Há potencial para manifestações contra cidadãos e interesses americanos no exterior. O Departamento de Estado recomenda que cidadãos norte-americanos em todo o mundo tenham mais cautela”, diz o alerta de segurança mundial.
O comunicado oficial do governo dos EUA não faz referência aos ataques aéreos dos Estados Unidos a três instalações nucleares do país persa: Fordow, Natanz e Esfahan, no último sábado (21).
Aviso de Viagem
O texto recomenda ainda a leitura atenta do Aviso de Viagem.
Entre outras informações, o documento traz:
· a lista de sites de embaixadas, consulados, missões diplomáticas e escritórios dos EUA que prestam serviços consulares; · dicas para a escolha de acomodações seguras e acessíveis para se hospedar na próxima viagem e para estadia; · orientações de saúde no exterior sobre como obter ajuda para uma emergência médica, verificação da cobertura do seguro de saúde e sobre a necessidade de levar medicamentos prescritos;
O texto ainda explica o que Departamento de Estado pode e não pode fazer durante uma crise em outro país para garantir a segurança dos cidadãos norte-americanos no exterior.
Relembre
A ofensiva contra o Irã foi iniciada por Israel com bombardeiros a instalações militares, no último dia 13, por discordar do programa nuclear iraniano.
Na noite do último sábado (21), o conflito assumiu novas proporções e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou os bombardeios.
Nesta segunda-feira (23), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) das Nações Unidas realiza reunião de emergência após ataque dos EUA ao Irã, convocada nesse domingo (22).
Durante a terceira reunião do Conselho de Segurança da ONU após o início do conflito Israel-Irã – convocada com urgência nesse domingo – o secretário-geral da entidade, António Guterres, disse que o bombardeio às instalações nucleares iranianas por parte dos Estados Unidos é uma mudança perigosa em uma região que já está em crise.
Foto: Joyce N. Boghosian / Gabriel Kotico / Daniel Torok
Governo vê com grave preocupação escalada militar no Oriente Médio
O governo brasileiro vê com grave preocupação a escalada militar no Oriente Médio e condena “com veemência” ataques militares de Israel e, mais recentemente, dos Estados Unidos, contra instalações nucleares, “em violação da soberania do Irã e do direito internacional”, informou, em nota, o Ministério das Relações Exteriores na tarde deste domingo (22).
“Qualquer ataque armado a instalações nucleares representa flagrante transgressão da Carta das Nações Unidas e de normas da Agência Internacional de Energia Atômica. Ações armadas contra instalações nucleares representam uma grave ameaça à vida e à saúde de populações civis, ao expô-las ao risco de contaminação radioativa e a desastres ambientais de larga escala”, diz comunicado do Itamaraty.
Ainda segundo a nota, o governo brasileiro reitera sua posição histórica em favor do uso exclusivo da energia nuclear para fins pacíficos e rejeita “com firmeza” qualquer forma de proliferação nuclear, especialmente em regiões marcadas por instabilidade geopolítica, como o Oriente Médio.
O Itamaraty acrescenta que o Brasil também repudia ataques recíprocos contra áreas densamente povoadas, que têm provocado crescente número de vítimas e danos a infraestrutura civis, incluindo instalações hospitalares, que são especialmente protegidas pelo direito internacional humanitário.
“Ao reiterar sua exortação ao exercício de máxima contenção por todas as partes envolvidas no conflito, o Brasil ressalta a urgente necessidade de solução diplomática que interrompa esse ciclo de violência e abra uma oportunidade para negociações de paz. As consequências negativas da atual escalada militar podem gerar danos irreversíveis para a paz e a estabilidade na região e no mundo e para o regime de não proliferação e desarmamento nuclear”, completa o MRE.
Conflito
Acusando o Irã de estar próximo de desenvolver uma arma nuclear, Israel lançou um ataque surpresa contra o país no último dia 13, expandindo a guerra no Oriente Médio.
Neste sábado (21), os Estados Unidos atacaram três usinas nucleares iranianas: Fordow, Natanz e Esfahan.
O Irã afirma que seu programa nuclear é apenas para fins pacíficos e que estava no meio de uma negociação com os Estados Unidos para estabelecer acordos que garantissem o cumprimento do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, do qual é signatário.
No entanto, a AIEA vinha acusando o Irã de não cumprir todas suas obrigações, apesar de reconhecer que não tem provas de que o país estaria construindo uma bomba atômica. O Irã acusa a agência de agir “politicamente motivada” e dirigida pelas potências ocidentais, como EUA, França e Grã-Bretanha, que têm apoiado Israel na guerra contra Teerã.
Em março, o setor de Inteligência dos Estados Unidos afirmou que o Irã não estava construindo armas nucleares, informação que agora é questionada pelo próprio presidente Donald Trump.
Apesar de Israel não aceitar que Teerã tenha armas nucleares, diversas fontes ao longo da história indicaram que o país mantém um amplo programa nuclear secreto desde a década de 1950. Tal projeto teria desenvolvido pelo menos 90 ogivas atômicas.
Em Dubai, a agenda incluiu três visitas técnicas cruciais, focadas em sustentabilidade e inovação
A Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER), por meio de sua comitiva, participou da Missão Sebrae SNEC 2025, um evento estratégico que levou a delegação a Xangai, na China, de 9 a 14 de junho, para a maior feira global do setor de energias renováveis. A jornada de conhecimento e inovação se estendeu posteriormente a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde a equipe teve a oportunidade de visitar a maior usina solar do mundo.
A comitiva da APER foi composta pelo presidente Williman Oliveira, o vice-presidente Kaio César Medeiros, e o diretor de Relações Institucionais, Cássio Maia. A missão também contou com a presença do superintendente do Sebrae/RN, Zeca Melo, da consultora Lorena Roosevelt, e de Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).
Em Dubai, a agenda incluiu três visitas técnicas cruciais, focadas em sustentabilidade e inovação. “Visitamos uma grande usina solar, o museu do futuro e uma grande estrutura sustentável de um dos maiores shoppings do mundo que fica em Dubai”, revelou Williman Oliveira, presidente da APER.
Detalhando as visitas, Oliveira destacou: “Primeiro, visitamos um dos maiores shoppings do mundo, o Dubai Mall, onde pudemos entender como são aplicadas as práticas de sustentabilidade, como o aproveitamento da água e a eficiência energética. Todo o consumo e geração de energia do shopping é monitorado em tempo real por uma sala de controle altamente tecnológica, gerenciada pela ENOVA, empresa responsável por toda a plataforma energética do local.”
Em seguida, a comitiva explorou o Museu do Amanhã. “Fomos ao incrível Museu do Amanhã — uma obra futurista, ambiciosa e simplesmente fantástica. Nada que os árabes sonhem parece estar fora do alcance. Eles realmente acreditam e fazem isso! O museu é uma verdadeira viagem ao futuro, onde a imaginação e a inovação caminharam juntas de forma espetacular”, comentou o presidente da APER, impressionado com a visão de futuro de Dubai.
Para encerrar a missão, o ponto alto foi a visita ao Centro de Inovação da DEWA, localizado no maior parque solar do mundo. “E para fechar com chave de ouro, visitamos o Centro de Inovação da DEWA, localizado no maior parque solar do mundo, com impressionantes 3,2 gigawatts de potência instalada”, enfatizou Williman Oliveira. Ele ainda ressaltou a importância do empreendimento: “Esse parque já é responsável por 23% da energia consumida em Dubai, e a meta é que, até 2025, toda a cidade seja abastecida por fontes renováveis. Uma experiência única e inspiradora!”
A participação da APER nesta missão reforça o compromisso da associação em buscar as melhores práticas e inovações globais para o desenvolvimento do setor de energias renováveis no Rio Grande do Norte.
Teerã acusa Washington de violar tratados internacionais; mísseis foram lançados contra Israel em retaliação
O governo do Irã solicitou neste domingo (22.jun.2025) uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), após os Estados Unidos realizarem ataques contra três instalações nucleares iranianas no sábado (21.jun). O pedido foi feito por meio de uma carta assinada pelo embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, em que acusa os Estados Unidos de uma “grave ameaça à paz e à segurança regional e internacional”.
Segundo Iravani, a ação militar norte-americana constitui uma violação à Carta da ONU e ao Tratado de Não Proliferação Nuclear. O embaixador afirma ainda que o uso da força foi ilegal e solicita que o Conselho condene o ataque “nos termos mais veementes possíveis”, tomando as medidas necessárias para responsabilizar os autores da ofensiva.
Instalações nucleares atacadas
Os bombardeios dos Estados Unidos tiveram como alvos as instalações de Natanz, Isfahan e Fordow. Esta última é considerada a mais estratégica das três, por estar localizada dentro de uma montanha na região central do Irã, o que oferece maior proteção contra ataques aéreos.
Fordow foi construída no início dos anos 2000 e é uma das principais bases do programa nuclear iraniano. O governo norte-americano ainda não se pronunciou oficialmente sobre os motivos e a extensão dos danos provocados pelos ataques.
Mísseis lançados contra Israel
Em resposta à ofensiva norte-americana, o Irã lançou mísseis em direção ao território israelense. As Forças de Defesa de Israel (FDI) confirmaram os lançamentos e ativaram os sistemas de defesa aérea para interceptação dos projéteis. A população foi orientada a buscar locais protegidos até novo aviso.
Pouco tempo depois, as FDI autorizaram a liberação dos abrigos e informaram que equipes de busca e resgate estavam sendo mobilizadas para áreas onde houve relatos de queda de projéteis.
Diplomacia em risco
Ainda neste domingo (22.jun), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou em coletiva de imprensa realizada em Istambul, na Turquia, que os ataques dos Estados Unidos representam o cruzamento de uma “linha vermelha muito grande”.
Araghchi questionou a continuidade das vias diplomáticas diante da ofensiva militar. “Não sei quanto espaço resta para a diplomacia. Temos que responder com base em nosso legítimo direito à autodefesa”, afirmou o ministro.
De acordo com Araghchi, ele manteve contato com diversos chanceleres da região nas últimas horas. Segundo o ministro iraniano, “quase todos estão muito preocupados” com a escalada do conflito e demonstraram interesse em agir para conter a “agressão israelense”.
Tensão regional
A solicitação do Irã para a reunião do Conselho de Segurança da ONU eleva a tensão internacional, ao mesmo tempo em que evidencia os riscos de um novo ciclo de confrontos no Oriente Médio. O país pede que os membros do Conselho atuem para responsabilizar os Estados Unidos e restaurar a estabilidade na região.
Até o momento, não há informações sobre novas reuniões ou pronunciamentos oficiais por parte dos Estados Unidos, Israel ou do Conselho de Segurança da ONU em resposta às declarações iranianas.
Foto: jorono por Pixabay / Mohammad Shahhosseini por Pixabay
Presidente dos EUA diz que ofensiva teve sucesso e que alvos adicionais estão mapeados; Israel reforça campanha militar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou na noite deste sábado (21.jun.2025) os ataques contra três instalações nucleares no Irã. Em pronunciamento oficial, ele afirmou que a ação teve como objetivo destruir a capacidade de enriquecimento de urânio do país persa, apontado por Washington como uma ameaça à segurança internacional.
De acordo com Trump, os alvos foram totalmente destruídos. “As principais instalações de enriquecimento nuclear do Irã foram completamente e totalmente destruídas”, declarou. Os locais atacados foram Natanz, Isfahan e Fordow, esta última construída no interior de uma montanha no centro do Irã.
O presidente dos EUA afirmou que a operação teve sucesso e classificou o Irã como uma ameaça persistente. “O Irã, o valentão do Oriente Médio, agora deve escolher a paz. Se não o fizer, ataques futuros serão muito maiores e muito mais fáceis de executar”, disse.
Discurso e ameaças
No pronunciamento, Trump justificou os ataques dizendo que o Irã tem sido responsável por mortes de soldados norte-americanos e instabilidade no Oriente Médio. “Por 40 anos, o Irã vem gritando morte à América, morte a Israel. Eles vêm matando nossos soldados, explodindo suas pernas e braços com bombas caseiras – essa era a especialidade deles”, afirmou. O presidente também acusou Teerã de ter causado milhares de mortes diretas e indiretas com suas ações na região.
Trump ressaltou que o ataque realizado neste sábado foi contra o alvo mais difícil até o momento, mas advertiu que há outros locais já identificados. “Se a paz não chegar rapidamente, iremos atrás dos outros alvos com precisão, velocidade e habilidade”, disse.
Apoio de Israel
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também se pronunciou sobre os ataques. Ele agradeceu publicamente o apoio dos Estados Unidos e afirmou que a operação era necessária diante do avanço do programa nuclear iraniano, embora negado por Teerã.
“Os ataques continuarão pelo tempo necessário para concluir a tarefa de afastar de nós a ameaça de aniquilação”, declarou Netanyahu. Israel já havia realizado ofensivas anteriores contra instalações militares e nucleares iranianas, intensificando a campanha militar na região.
Acusações e contexto nuclear
A tensão entre os países aumentou desde o dia 13, quando Israel lançou um ataque surpresa contra o Irã, acusando o país de estar próximo de desenvolver uma arma nuclear. O Irã afirma que seu programa tem fins exclusivamente pacíficos e que estava em negociações com os EUA para garantir o cumprimento do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).
Apesar disso, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) vinha acusando o Irã de não cumprir totalmente suas obrigações. A agência reconheceu que não há provas de que o país esteja fabricando uma bomba atômica, mas manifestou preocupação com a transparência do programa nuclear iraniano.
O Irã, por sua vez, acusa a AIEA de agir com motivações políticas e sob influência de potências ocidentais, como Estados Unidos, França e Reino Unido, que apoiam Israel na ofensiva contra Teerã.
Em março, um relatório da inteligência dos EUA afirmou que o Irã não estava construindo armas nucleares. No entanto, essa informação agora é contradita pelas ações e declarações da Casa Branca.
Histórico de Israel
Israel não reconhece publicamente possuir armamento nuclear, mas diversas fontes ao longo das décadas indicam que o país desenvolveu um programa nuclear desde a década de 1950. Estimativas sugerem que o arsenal israelense inclui cerca de 90 ogivas nucleares.
Tricolor supera sul-coreanos por 4 a 2 e lidera o Grupo F pelo saldo de gols
O Fluminense venceu o Ulsan HD, da Coreia do Sul, por 4 a 2, na tarde deste sábado (21.jun.2025), no Metlife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, pela segunda rodada da Copa do Mundo de Clubes da Fifa. O resultado manteve o Brasil com 100% de aproveitamento no torneio, após vitórias anteriores de Palmeiras, Botafogo e Flamengo.
Com o triunfo, o Tricolor chegou aos quatro pontos e assumiu a liderança do Grupo F, superando o Borussia Dortmund no saldo de gols (2 contra 1). O clube alemão também soma quatro pontos, enquanto o Ulsan, derrotado também na estreia pelo Mamelodi Sundowns (1 a 0), não tem mais chances de classificação.
Próximo jogo e cenário do grupo
A última rodada da fase de grupos será disputada na quarta-feira (25), às 16h (horário de Brasília). O Fluminense enfrenta o Mamelodi Sundowns no Hard Rock Stadium, em Miami. Um empate garante a vaga nas oitavas de final. Para avançar como líder, o time brasileiro depende de um tropeço do Borussia Dortmund diante do Ulsan, no TQL Stadium, em Cincinnati, ou precisa superar os alemães no saldo de gols, caso ambos vençam.
Escalação e desempenho no primeiro tempo
O técnico Renato Gaúcho fez cinco mudanças na equipe titular em relação ao jogo anterior. Guga, Gabriel Fuentes, Paulo Henrique Ganso, Kevin Serna e Germán Cano (recuperado de lesão) entraram nas vagas de Samuel Xavier, Renê, Nonato, Agustín Canobbio e Everaldo.
Com maior posse de bola (61%) e 14 finalizações na etapa inicial, o Fluminense teve controle das ações ofensivas. Aos 26 minutos, Jhon Arias cobrou falta com precisão no ângulo e abriu o placar. O time carioca criou mais chances com Fuentes e Serna, mas parou no goleiro Jo Hyeon-Woo.
O Ulsan, por sua vez, foi eficiente nas duas chances que teve no primeiro tempo. Aos 36 minutos, após erro de passe de Ganso e contra-ataque iniciado por Darijan Bojanic, Lee Jin-Hyun finalizou livre e empatou a partida. Aos 47, nova falha na saída de bola resultou em cruzamento de Jin-Hyun para gol de cabeça de Um Won-Sang, virando o placar para os sul-coreanos.
Reação e virada no segundo tempo
Renato Gaúcho promoveu alterações no intervalo, colocando Everaldo no lugar de Ganso e formando linha ofensiva com dois centroavantes. A nova configuração deixou o time mais exposto, e o Ulsan quase ampliou aos 10 minutos, com chute de Won-Sang.
O empate veio aos 20 minutos. Após jogada de Nonato, que substituíra Martinelli, e participação de Cano e Keno, a bola sobrou novamente para Nonato finalizar e marcar o segundo gol do Fluminense. O Tricolor manteve a pressão e virou o jogo aos 37 minutos. Após escanteio cobrado por Fuentes, Cano não pegou bem na bola, mas o desvio serviu como assistência para Juan Freytes empurrar para o fundo da rede.
Nos acréscimos, aos 46 minutos, o Fluminense fechou o placar. Keno completou de cabeça o cruzamento de Arias e garantiu a vitória por 4 a 2, sob aplausos da torcida presente em Nova Jersey.
Invencibilidade brasileira mantida
Com o resultado, os clubes brasileiros seguem com 100% de aproveitamento na atual edição da Copa do Mundo de Clubes. Além do Fluminense, Palmeiras, Botafogo e Flamengo também venceram seus compromissos até aqui.
Proposta foi apresentada por Samir Xaud a Gianni Infantino durante evento da Fifa em Miami
O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, apresentou oficialmente à Federação Internacional de Futebol (Fifa) o interesse do Brasil em sediar a Copa do Mundo de Clubes de 2029. A proposta foi feita durante a Cúpula Executiva de Futebol da Fifa, encerrada neste sábado (21.jun.2025), em Miami, nos Estados Unidos.
A informação foi confirmada pelo site oficial da CBF. Segundo Xaud, a proposta foi feita diretamente ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, em uma reunião bilateral. “Falei dos meus objetivos à frente da CBF e disse que queremos estar mais próximos da Fifa. Elogiei o evento e o nível dos clubes brasileiros e, por fim, coloquei o país à disposição para receber a próxima Copa do Mundo de Clubes. O presidente Gianni Infantino ficou muito feliz, disse que é totalmente possível. Agora vamos trabalhar para que dê certo”, afirmou.
O dirigente brasileiro esteve acompanhado do vice-presidente da entidade, Gustavo Dias. A cúpula promovida pela Fifa reuniu representantes das 211 federações nacionais afiliadas e teve início na última quinta-feira (19).
Histórico do Brasil em Mundiais de Clubes
O Brasil foi sede da primeira edição da Copa do Mundo de Clubes organizada pela Fifa, realizada no ano 2000. As partidas ocorreram nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Na final disputada no Maracanã, o Corinthians superou o Vasco da Gama nos pênaltis e conquistou o título do torneio.
Desde então, a competição passou a ser disputada anualmente em diferentes países. A partir de 2025, o torneio passará a contar com um novo formato, com 32 clubes participantes, similar ao modelo utilizado na Copa do Mundo de Seleções.
Copa do Mundo Feminina em 2027
Além da intenção de sediar o Mundial de Clubes em 2029, o Brasil já está confirmado como país-sede da Copa do Mundo Feminina da Fifa em 2027. O evento contará com jogos em várias cidades brasileiras e terá seleções de todo o mundo disputando o título da principal competição da categoria.
Com esses movimentos, a CBF busca ampliar o protagonismo do país em eventos internacionais organizados pela Fifa, fortalecendo a imagem do futebol brasileiro no cenário global e a infraestrutura esportiva local.
Operação dos EUA atingiu três locais nucleares iranianos; ação ocorre após ofensiva mútua entre Irã e Israel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (21.jun.2025) que o país realizou um ataque contra três instalações nucleares no Irã. Segundo Trump, a ação foi conduzida com sucesso e teve como alvos as localidades de Fordow, Natanz e Esfahan, conhecidas por abrigar centros estratégicos do programa nuclear iraniano. O governo iraniano confirmou que sua principal instalação nuclear foi atingida.
A ofensiva ocorre após uma semana marcada por intensos combates aéreos entre Israel e Irã. Militares israelenses já haviam declarado publicamente a intenção de atingir instalações nucleares iranianas, o que levou Teerã a retaliar com lançamentos de mísseis contra cidades como Tel Aviv, Haifa e Jerusalém.
Em sua rede social, Trump afirmou: “Concluímos com muito sucesso nosso ataque aos três locais nucleares no Irã, incluindo Fordow, Natanz e Esfahan”. Ele destacou ainda que uma carga completa de bombas foi lançada sobre Fordow, indicando a destruição da instalação. “Fordow se foi”, escreveu.
Segundo informações da agência Reuters, os Estados Unidos utilizaram aviões B-2 Spirit, equipados para transportar bombas de grande porte, específicas para ataques a instalações subterrâneas, como as que existem em Fordow. Ainda de acordo com Trump, todas as aeronaves deixaram o espaço aéreo iraniano e estavam retornando em segurança no momento do anúncio.
O presidente norte-americano informou que fará um pronunciamento oficial sobre a operação às 23h (horário local). Em sua publicação, ele afirmou que “esse é um momento histórico para os Estados Unidos, Israel e o mundo” e completou: “O Irã agora deve concordar em acabar com esta guerra”.
Trump já havia sinalizado anteriormente que os Estados Unidos poderiam se envolver diretamente no conflito entre Israel e Irã. Em fevereiro, ele retomou a política de “pressão máxima” contra o Irã, com o objetivo de levar Teerã a negociar um novo acordo que impeça o desenvolvimento de armas nucleares.
Na última terça-feira (17.jun), Trump publicou uma mensagem em que indicava já ter “o controle do céu do Irã”, sugerindo que operações aéreas dos EUA já estavam em andamento ou em preparação. Ele também mencionou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, dizendo saber onde ele estaria escondido, e acrescentou que não ordenaria sua morte “por enquanto”.
Dois dias depois, na quinta-feira (19), o presidente norte-americano declarou que ainda levaria até duas semanas para decidir sobre a entrada formal dos EUA no conflito entre Irã e Israel. A decisão pela operação foi tomada dias depois da declaração, diante do agravamento da tensão na região.
Especialistas consultados pela imprensa internacional afirmaram que os Estados Unidos são, atualmente, o único país com capacidade técnica e militar para atingir o programa nuclear iraniano de forma significativa. De acordo com a doutora em Direito Internacional Priscila Caneparo, o poder de artilharia dos EUA supera o de Israel, o que faz com que sua entrada no conflito represente uma nova etapa no embate.
A ação dos Estados Unidos altera o cenário da crise no Oriente Médio, que já vinha se intensificando com as trocas de ataques entre Israel e Irã. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre os danos causados pelas operações ou eventuais vítimas nos locais atingidos.
O governo do Irã confirmou o ataque à sua principal instalação nuclear, mas ainda não divulgou uma resposta oficial à ofensiva norte-americana. Também não houve, até agora, reações formais por parte de outros países envolvidos na região ou do Conselho de Segurança da ONU.
Trump finalizou sua mensagem afirmando que “agora é a hora de paz”, mas não indicou se outras ações militares estão previstas nos próximos dias.
Foto: @TheWhiteHouse/Fotos Públicas / Daniel Torok/White House
Time brasileiro supera equipe inglesa na segunda rodada e fica próximo da classificação às quartas de final
Menos de 24 horas após a vitória do Botafogo sobre o Paris Saint-Germain, o Flamengo também superou uma equipe europeia na Copa do Mundo de Clubes da Fifa. Na noite desta sexta-feira (20.jun.2025), o clube carioca venceu o Chelsea por 3 a 1 no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, e assumiu a liderança do Grupo D.
Com o resultado, o Flamengo chegou a seis pontos, três a mais que o Chelsea, que permanece com três. Ainda nesta sexta-feira, Los Angeles FC (Estados Unidos) e Espérance (Tunísia) se enfrentam no Geodis Park, em Nashville, para completar a segunda rodada da chave. Um empate no confronto garante ao time brasileiro a classificação antecipada às quartas de final e a primeira posição do grupo.
Escalação e desempenho
O técnico Filipe Luís fez três alterações na equipe em relação à vitória por 2 a 0 sobre o Espérance na estreia. Na defesa, Wesley e Danilo entraram nas vagas de Guillermo Varela e Léo Ortiz. No ataque, Gonzalo Plata substituiu Bruno Henrique.
Durante o primeiro tempo, o Flamengo teve 63% de posse de bola e cinco escanteios, mas encontrou dificuldades para finalizar. O Chelsea finalizou o mesmo número de vezes e foi mais eficiente. Em falha na saída de bola entre Erick Pulgar e Wesley, Pedro Neto aproveitou e abriu o placar para a equipe inglesa.
A principal chance do Flamengo na etapa inicial veio aos 42 minutos, em cobrança de falta de Arrascaeta para Gerson, que finalizou livre. Cowell salvou em cima da linha.
Virada e controle no segundo tempo
O Flamengo manteve a intensidade na volta do intervalo. Aos 8 minutos, Gerson quase empatou após jogada individual, mas o rebote sobrou para Plata, que não conseguiu concluir.
Aos 10 minutos, Filipe Luís promoveu a entrada de Bruno Henrique no lugar de Arrascaeta. Seis minutos depois, o atacante empatou o jogo após cruzamento de Gerson e desvio de Plata.
A virada veio aos 19 minutos: Bruno Henrique ajeitou de cabeça após escanteio cobrado por Pulgar, e Danilo completou para o gol.
A situação do Chelsea se agravou aos 22 minutos, com a expulsão de Nicolas Jackson, que havia entrado há apenas quatro minutos, por falta em Ayrton Lucas. Com um jogador a mais, o Flamengo dominou a partida e ampliou aos 37 minutos. Wallace Yan e Plata tabelaram, e a bola sobrou para o jovem atacante de 20 anos marcar o terceiro gol da equipe brasileira.
Próximos jogos
Flamengo e Chelsea voltam a campo na terça-feira (22), às 22h (horário de Brasília). O time brasileiro enfrentará o Los Angeles FC no Camping World Stadium, em Orlando. Já o clube inglês jogará contra o Espérance novamente no Lincoln Financial Field.
O Flamengo depende apenas de um empate para garantir a liderança do Grupo D, enquanto o Chelsea precisa vencer e torcer por combinação de resultados para avançar.
O destaque apresentado na competição foi o Rover, um carro robótico idealizado pela dupla com foco na realidade do semiárido potiguar
Uma ideia nascida no sertão do Rio Grande do Norte ganhou o mundo. Ana Luísa e Anne Louise, alunas da Escola Estadual de Tempo Integral Dr. José Fernandes de Melo, em Pau dos Ferros (RN), foram selecionadas entre mais de 1.500 jovens para representar o Brasil em uma das mais importantes competições internacionais de ciência e robótica, a Genius Olympiad (Olimpíada dos Gênios, em tradução livre), realizada nos Estados Unidos. Elas foram as únicas representantes do Estado entre os participantes da edição deste ano e chegaram até lá com o projeto Redescobrindo a Caatinga, uma iniciativa com forte protagonismo juvenil, em especial feminino, que transforma os desafios do território em soluções tecnológicas e sustentáveis.
O destaque apresentado na competição foi o Rover, um carro robótico idealizado pela dupla com foco na realidade do semiárido potiguar: seu diferencial é ter a capacidade de transitar em terrenos pouco acessíveis a carros comuns, sendo, assim, uma opção viável para o deslocamento e a exploração da região da caatinga, área com muitos terrenos irregulares.
Construído em colaboração com colegas e com suporte técnico da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), o projeto inova ao aplicar robótica a um contexto local. Além do desenvolvimento do protótipo, as estudantes produziram um artigo científico em inglês, apresentado durante o evento, no último dia 11 de junho de 2025.
Durante a visita aos Estados Unidos, as estudantes também foram recebidas no Massachusetts Institute of Technology (MIT), considerada a melhor universidade do mundo segundo o QS Award, University of Rankings. A visita ao MIT representou um marco simbólico e inspirador para as jovens pesquisadoras, consolidando o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido na escola pública brasileira.
“Esse projeto mostra que nossos alunos têm potencial para criar tecnologia de ponta a partir da realidade em que vivem. Mesmo com poucos recursos, eles provam que a ciência pode nascer no sertão e chegar ao mundo. Ver duas meninas do interior do Rio Grande do Norte apresentando uma solução tecnológica no MIT é a confirmação de que investir em educação pública de qualidade transforma vidas”, afirma a professora Jacicleuma de Oliveira Lima, coordenadora dos projetos na escola.
Do nordeste para os EUA: uma jornada que conecta saberes e culturas
A seleção de Ana Luísa e Anne Louise para representar o Rio Grande do Norte na competição foi resultado de um processo criterioso, com prova objetiva, desafios técnicos e entrevistas. Em janeiro, elas participaram de uma imersão preparatória com estudantes norte-americanos, onde compartilharam experiências e aprofundaram o trabalho em equipe.
“Nunca imaginei que um projeto da nossa escola pudesse chegar tão longe. Estar entre tantos estudantes de outros países é assustador e incrível ao mesmo tempo. Ficamos com o coração cheio de orgulho”, diz Ana Luísa.
Anne reforça o sentimento: “É incrível pensar que tudo começou aqui em Pau dos Ferros, com uma ideia nossa. A gente quer mostrar que tem muita gente inteligente e criativa no interior também.”
Para a professora Jacicleuma, ver as alunas nos EUA foi emocionante, mas também resultado de um trabalho coletivo e contínuo. “A gente sabe das dificuldades, mas também acompanha de perto o quanto eles são capazes. Esse projeto mostra que, quando o estudante é escutado e levado a sério, ele voa. E ver duas meninas do Alto Oeste levando uma ideia para fora do país… é de arrepiar.”
Educação integral como plataforma de futuro
Mais do que uma conquista individual, o projeto das estudantes é um exemplo de como a ciência pode nascer da escuta atenta aos problemas do território. O Rover não é apenas um protótipo: é uma resposta concreta aos desafios da região da caatinga, criada por quem vive essa realidade. Ao levarem essa proposta para um dos maiores centros de inovação do mundo, Ana e Anne reafirmam que o sertão também é lugar de conhecimento, criação e futuro.
A trajetória das alunas mostra como a escola pública, quando apoia a criatividade dos estudantes, pode mudar realidades. Em uma rede que aposta no Ensino Médio Integral, com expediente escolar de 7 a 9 horas, os estudantes, além de terem tempo, são estimulados a desenvolver projetos que articulam teoria e prática. Ao incentivá-los a pensar propostas para as demandas do próprio território, aliam conhecimento a propósito e pertencimento.
Iniciativas como essa mostram aos adolescentes que eles podem transformar a realidade da sua comunidade. Por isso, também rompem barreiras simbólicas, permitindo que meninas do interior do Rio Grande do Norte se reconheçam como autoras, cientistas e agentes de mudança.
Sobre o Ensino Médio Integral
O Ensino Médio Integral é uma proposta pedagógica de educação interdimensional, moderna, nacional, pública e gratuita. A partir de uma modalidade de ensino que se conecta à realidade dos jovens e ao desenvolvimento de suas competências cognitivas e socioemocionais, propõe a formação integral dos estudantes. Trabalha pilares como projeto de vida, aprendizado na prática, tutoria estudantil, protagonismo juvenil, acolhimento, orientação de estudos e eletivas, que promovem a formação completa do estudante, junto aos componentes curriculares já previstos na BNCC. Está presente em cerca de 6 mil escolas em todo o país, beneficiando mais de 1 milhão de estudantes.
Parceria estratégica fortalece posição da Embraer na Europa
Por Danilo Bezerra – dnlbzrr@gmail.com Interface
A Embraer anunciou, nesta segunda-feira (17), durante o Paris Air Show 2025, a venda de um sexto cargueiro KC-390 para a Força Aérea Portuguesa (FAP). A nova unidade complementa o contrato anterior de cinco aeronaves, avaliado em cerca de 830 milhões de euros (R$ 5,2 bilhões).
O novo acordo inclui ainda um pedido firme para a produção de dez aviões KC-390 destinados a países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Os nomes dos compradores ainda não foram divulgados, mas a encomenda tem como objetivo garantir posições na linha de produção da Embraer e reforçar a logística e a interoperabilidade entre os aliados europeus.
A entrega do sexto KC-390 à FAP está prevista para 2029. Segundo a empresa, o pedido reforça a parceria estratégica com Portugal e amplia a presença da fabricante brasileira no mercado europeu de defesa.
OGMA e centro de treinamento em destaque A Embraer detém 65% do controle da OGMA, empresa de manutenção e engenharia aeronáutica localizada em Alverca, Portugal, que desempenha papel fundamental no programa do KC-390.
O ministro da Defesa de Portugal, Nuno Melo, destacou que o novo acordo impulsiona a Base Tecnológica e Industrial de Defesa portuguesa, com especial atenção ao fortalecimento do Centro de Treino KC-390 em Alverca.
“A Força Aérea se constitui como um parceiro de excelência na operação e no treino para os países aliados”, afirmou Melo.
O ministro também ressaltou que a compra do sexto cargueiro reforça a imagem de Portugal como operador de referência do KC-390 na Europa.
Confiança na performance operacional Para Bosco da Costa Júnior, presidente da Embraer Defesa & Segurança, a nova aquisição representa a primeira compra adicional de um operador do KC-390, sinalizando confiança no desempenho da aeronave.
“A aquisição do sexto KC-390 pela Força Aérea Portuguesa, que opera a aeronave desde 2023, demonstra o reconhecimento da qualidade e do resultado operacional que o avião tem alcançado”, disse o executivo.
Segundo ele, a adição de novas opções de compra também sinaliza que mais países ocidentais podem se tornar operadores do modelo, aproveitando as sinergias econômicas ao longo de seu ciclo de vida.
Versatilidade e capacidades do KC-390 O KC-390 é um cargueiro tático multimissão projetado para atender a diversas necessidades das forças armadas. Entre suas principais capacidades, destacam-se:
Transporte e lançamento de cargas e tropas
Evacuação aeromédica
Busca e salvamento
Apoio a missões humanitárias
Combate a incêndios
Vigilância marítima
Reabastecimento em voo
A aeronave é projetada para operar em pistas curtas e não preparadas, tornando-se ideal para cenários desafiadores em ambientes civis e militares.
Embraer expande presença na América do Norte com jatos E175 A subsidiária Envoy Air, da American Airlines, anunciou a compra de 33 jatos Embraer E175-E1, ampliando sua frota para 214 aeronaves — sendo 171 do modelo E175 e 43 do E170.
Com capacidade para até 88 passageiros, os jatos serão entregues entre 2026 e 2027. A compra faz parte da estratégia de crescimento sustentável da empresa.
“À medida que mantemos o foco nos nossos princípios fundamentais de segurança, qualidade e controle de custos, a Envoy continua crescendo de forma estratégica”, declarou Pedro Fábregas, CEO da Envoy.
Reconhecidos pela eficiência e conforto em rotas regionais, os E175 operam principalmente em rotas domésticas dos EUA e conexões com o Caribe e o Pacífico, consolidando a presença da Embraer no mercado norte-americano.
Sobre Danilo Bezerra, colunista do Por Dentro do RN
Interface é a coluna onde tecnologia, aviação, sociedade e educação se cruzam. Um espaço para refletir sobre como a inteligência artificial transforma nossas rotas, como as inovações decolam (ou colapsam) no setor público e privado, e como tudo isso impacta a forma como aprendemos, nos movemos e nos conectamos. Aqui, análise crítica e informação qualificada ganham altitude.
Khamenei afirma que envolvimento militar dos EUA no conflito com Israel trará danos irreparáveis
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, ameaçou os Estados Unidos após declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que exigiu a rendição incondicional do governo iraniano no contexto da guerra entre Irã e Israel.
Em mensagem transmitida pela televisão estatal nesta quarta-feira (18.jun.2025), Khamenei afirmou que qualquer envolvimento militar dos EUA no conflito será prejudicial para os norte-americanos. Segundo ele, os danos seriam irreparáveis.
“A entrada dos EUA nesta questão [guerra] é 100% em seu próprio prejuízo. O dano que os EUA sofrerão será definitivamente irreparável se eles entrarem militarmente neste conflito”, afirmou o líder iraniano.
Declarações de Trump
Trump fez as declarações na terça-feira (17.jun), por meio de uma rede social. Ele escreveu a frase “Rendição Incondicional”, e, em seguida, afirmou que Khamenei “é um alvo fácil”, embora tenha dito que, por enquanto, não pretende matá-lo.
“Não queremos mísseis disparados contra civis ou soldados americanos. Nossa paciência está se esgotando”, disse Trump na publicação.
Resposta iraniana
Khamenei respondeu às ameaças dizendo que não é sensato esperar que o povo iraniano se renda. Ele declarou que os prejuízos causados aos EUA seriam maiores do que os que o país persa sofreria em caso de confronto direto.
“O presidente dos EUA nos ameaça. Com sua retórica absurda, ele exige que o povo iraniano se renda a ele. Eles deveriam fazer ameaças contra aqueles que têm medo de serem ameaçados. A nação iraniana não se assusta com ameaças.”
Khamenei também disse que as evidências de envolvimento dos EUA nos ataques de Israel aumentam a cada dia.
“A nação iraniana também se opõe firmemente a qualquer paz imposta. A nação iraniana não capitulará diante da coerção de ninguém”, completou.
Conflito com Israel
As declarações ocorrem em meio ao agravamento do conflito entre Irã e Israel, iniciado na sexta-feira (13). O episódio coincide com negociações entre Teerã e Washington sobre o programa nuclear iraniano.
As manifestações do governo Trump intensificaram as especulações sobre uma possível intervenção direta dos Estados Unidos no confronto. A posição do ex-presidente norte-americano tem sido acompanhada com atenção por observadores internacionais, diante da instabilidade gerada pela escalada de tensões.
Foto: Hasan Shirvani/Irna Image via Fotos Publicas / Asghar Khamseh/IRNA IMAGE via Fotos Publicas / IRNA via Fotos Publicas