A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (1º), uma nova fase da Operação Exfil, que apura o vazamento de dados fiscais sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. A ação foi autorizada pela Corte.
Nesta etapa, foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Investigação apura acesso indevido a sistemas da Receita Federal
De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam para um possível esquema de obtenção ilícita de declarações fiscais protegidas por sigilo. O acesso teria ocorrido por meio de entradas não autorizadas nos sistemas da Receita Federal.
A apuração busca identificar os responsáveis pelo acesso e eventual compartilhamento das informações sigilosas.
Primeira fase ocorreu em fevereiro com alvos na Receita Federal
A primeira fase da Operação Exfil foi realizada em 17 de fevereiro. Na ocasião, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Segundo as informações, os alvos da operação trabalhavam na Receita Federal. A investigação está inserida no âmbito do inquérito das fake news.
Inquérito foi instaurado pelo STF em 2019
O inquérito das fake news foi instaurado em 2019 pelo ministro Dias Toffoli, à época presidente do Supremo Tribunal Federal. A investigação foi aberta sem provocação da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República.
O ministro Alexandre de Moraes foi designado como relator do caso e autorizou as medidas relacionadas à operação.
Operação Mederi e outras apurações envolvem ex-prefeito em denúncias relacionadas à saúde, contratos e eleições
O ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), passou a ser alvo de investigações após renunciar ao cargo para disputar o Governo do Rio Grande do Norte nas eleições deste ano. Sem o mandato, ele deixa de ter foro privilegiado e passa a responder diretamente às apurações conduzidas por órgãos de controle e pela Justiça Federal.
Um dos principais focos das investigações é a Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). A ação ocorreu no dia 27 de janeiro e cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do ex-prefeito. Durante a operação, foram recolhidos celulares, computadores, HDs e outros materiais considerados relevantes para a investigação.
A operação apura suspeitas de corrupção envolvendo recursos da saúde pública em Mossoró e região. Segundo as investigações, há indícios de fraude em licitações e desvio de recursos públicos. De acordo com trechos de decisões judiciais, Allyson Bezerra é citado como integrante da suposta estrutura investigada.
Interceptações telefônicas analisadas no processo indicariam a existência de um esquema de pagamento de propina vinculado a contratos da Prefeitura com a empresa DisMed Distribuidora de Medicamentos. Conforme os registros, haveria previsão de repasses de até 15% sobre os valores pagos em contratos administrativos.
Em uma das transcrições citadas na investigação, empresários mencionam um contrato com ordem de compra de R$ 400 mil. Segundo o conteúdo, parte dos produtos não seria entregue, e valores seriam direcionados para pagamentos indevidos. A divisão mencionada inclui percentuais atribuídos a diferentes envolvidos, incluindo o ex-prefeito.
Decisão judicial assinada pelo desembargador federal Rogério Fialho Moreira aponta que os elementos analisados indicam a existência de um esquema estruturado para recebimento de valores indevidos. Allyson Bezerra e o ex-vice-prefeito Marcos Antônio Bezerra de Medeiros são citados nos autos. Ambos negam as acusações.
Outro trecho da investigação menciona falas de um dos investigados sobre a condução do suposto esquema. As declarações constam nos registros da apuração conduzida pelas autoridades federais.
Investigações sobre licitação na saúde
Além da Operação Mederi, outra apuração envolve contratos da área da saúde em Mossoró. No dia 10 de março, foi protocolada uma denúncia no Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN) questionando o Pregão Eletrônico nº 07/2025, realizado pela Secretaria Municipal de Saúde.
A representação foi apresentada pela empresa TM Soluções Integradas EIRELI. O documento aponta possíveis irregularidades no processo licitatório voltado à contratação de serviços de engenharia clínica e manutenção de equipamentos médico-hospitalares.
Segundo a denunciante, empresas concorrentes teriam sido desclassificadas com base em exigências não previstas no edital. A alegação é de que houve restrição à competitividade no certame.
Apuração eleitoral após eleições de 2024
Após as eleições municipais de 2024, o Ministério Público Eleitoral abriu investigação sobre possível abuso de poder político, econômico e midiático. O procedimento foi instaurado após a reeleição de Allyson Bezerra para a Prefeitura de Mossoró.
O caso chegou a ser analisado em primeira instância e foi arquivado, mas houve recurso da decisão. O Ministério Público Eleitoral opinou pela quebra de sigilo fiscal de agências de publicidade relacionadas à campanha.
Também foi solicitada a realização de perícia técnica em conteúdos publicitários. A investigação foi dividida em três eixos: análise contábil-financeira, conteúdo publicitário e engajamento digital.
As apurações consideram hipóteses relacionadas ao uso de recursos públicos, contratação de influenciadores e possíveis despesas não declaradas em campanha eleitoral. O processo tramita na 33ª Zona Eleitoral de Mossoró.
Denúncias sobre contratos de obras
Denúncias anônimas também passaram a ser apuradas pelo Ministério Público Estadual em março de 2024, com acompanhamento do Ministério Público Federal. As investigações envolvem possíveis irregularidades em contratos de obras da Prefeitura de Mossoró.
De acordo com as apurações, há suspeitas de cobrança de valores indevidos vinculados a contratos administrativos. Percentuais mencionados nas denúncias indicam a existência de repasses relacionados a obras públicas.
Análise de contas e possível improbidade
O Ministério Público de Contas do Rio Grande do Norte recomendou a desaprovação das contas referentes ao exercício de 2023 da Prefeitura de Mossoró, período em que Allyson Bezerra era o gestor.
O parecer foi encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado e aponta indícios de irregularidades na execução orçamentária. Entre os pontos citados estão inconsistências em demonstrativos contábeis e abertura de créditos suplementares acima do limite autorizado pela Câmara Municipal.
Perda de foro e efeitos nas investigações
Com a renúncia ao cargo de prefeito, Allyson Bezerra deixa de ter foro privilegiado. Com isso, processos relacionados às investigações podem tramitar na Justiça Federal de primeira instância no Rio Grande do Norte, em vez de instâncias superiores.
A mudança de foro pode impactar o andamento das apurações, conforme avaliação de especialistas citados nos bastidores políticos.
Mesmo diante do cenário, Allyson Bezerra afirmou que mantém a pré-candidatura ao Governo do Estado. Ele também informou que iniciará agenda de viagens pelo Rio Grande do Norte.
O ex-prefeito conta com apoio da federação União Progressistas, formada por União Brasil e Partido Progressista, além de partidos como Partido Social Democrático (PSD), Solidariedade e Movimento Democrático Brasileiro (MDB). O vice-governador Walter Alves indicou o deputado estadual Hermano Morais como pré-candidato a vice.
Defesa nega acusações
Allyson Bezerra nega as acusações relacionadas às investigações. O ex-prefeito afirma que sua gestão colaborou com órgãos de controle e destaca medidas administrativas adotadas durante o mandato.
Entre as ações citadas está a implantação do Sistema Hórus, voltado ao controle de medicamentos, oficializado por decreto em 2023.
Ministro do STF rejeita pedidos de revogação de prisão e devolução de veículos do Careca do INSS
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça negou o pedido do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, para desbloquear R$ 156,8 mil destinados ao pagamento de acordos trabalhistas com ex-funcionários. A informação foi divulgada pelo colunista Tácio Lorran, do portal Metrópoles.
Na decisão, o magistrado entendeu que a liberação de valores bloqueados é uma medida excepcional e só pode ocorrer quando não há qualquer relação com os fatos investigados. Segundo Mendonça, esse não é o caso do lobista, pois há indícios de que os recursos possam ter origem em atividades ilícitas ou estejam vinculados ao esquema sob apuração.
Pedidos de devolução de veículos e revogação de prisão são rejeitados
O lobista também solicitou a devolução de dois veículos Jeep Renegade, alegando que pertencem à esposa e aos filhos, além da revogação da prisão preventiva. Todos os pedidos foram rejeitados pelo ministro do STF.
Investigado é apontado como operador de fraudes no INSS
Preso desde setembro do ano passado, o Careca do INSS é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema de fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). No âmbito da investigação, ele foi alvo de bloqueio patrimonial que pode chegar a R$ 53 milhões.
Na decisão, Mendonça reforçou que o objetivo das medidas é evitar a dissipação de bens e garantir eventual ressarcimento ao erário. O ministro considerou que mesmo argumentos de caráter humanitário, como a necessidade de pagamento de verbas trabalhistas ou uso de veículos pela família, não são suficientes para flexibilizar as restrições no atual estágio da investigação.
Ex-banqueiro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para superintendência da PF, onde terá condições mais flexíveis para tratar do acordo
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF) e sua defesa, em mais um desdobramento da investigação sobre a fraude envolvendo o Banco Master. A assinatura representa a primeira etapa formal para o início das negociações de um possível acordo de colaboração premiada.
Também nesta quinta-feira (19), Vorcaro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde deverá discutir os termos do eventual acordo com mais liberdade de acesso à defesa.
Transferência ocorreu com protocolos especiais de segurança
A transferência ocorreu de helicóptero e, segundo informações do caso, seguiu protocolos especiais para garantir a segurança de Vorcaro e evitar risco de fuga. A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que apura irregularidades relacionadas à instituição financeira.
Na penitenciária federal, Vorcaro estava submetido ao regime mais rígido do sistema prisional brasileiro. O contato com os advogados ocorria de forma restrita, em parlatório com divisão de vidro e gravação. Após a chegada dele à unidade, a defesa pediu ao ministro relator autorização para conversas reservadas, sem gravação, o que foi aceito.
Na sede da PF, as condições de custódia são mais flexíveis. O termo de confidencialidade assinado por Vorcaro também garante que, caso as tratativas não avancem para um acordo formal, nenhuma informação prestada durante as negociações poderá ser usada contra ele.
Etapas da negociação de colaboração premiada
A partir desta fase, o ex-banqueiro deverá se reunir inicialmente apenas com seus advogados para discutir os fatos sob investigação. Em um segundo momento, quando a defesa considerar que há elementos suficientes, o material será apresentado às autoridades responsáveis pelo caso.
Depois disso, investigadores e integrantes do Ministério Público passam a analisar a consistência das informações, verificando se os relatos fazem sentido, se há provas que sustentem a narrativa e se o conteúdo é suficiente para embasar um eventual acordo. Somente após essa etapa de validação é que os depoimentos formais podem ser colhidos.
Mudança de custódia foi solicitada pela defesa
A mudança de local de custódia foi solicitada pela defesa de Vorcaro. Em nota, a Polícia Federal informou que, “em cumprimento à decisão judicial proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, no âmbito da PET 15.711, realizou, nesta quinta-feira (19/3), a transferência do custodiado Daniel Bueno Vorcaro do Sistema Penitenciário Federal para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal”.
Histórico das prisões e investigação
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior no Aeroporto de Guarulhos. A PF suspeitou de tentativa de fuga, enquanto o empresário alegou que viajaria para se reunir com investidores interessados na compra do Banco Master. Ele foi solto dez dias depois, mas voltou a ser preso em 4 de março, durante a operação Compliance Zero, que também atingiu servidores do Banco Central.
Na semana passada, Vorcaro anunciou mudança em sua equipe de defesa e substabeleceu procuração ao advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca. O criminalista se reuniu com André Mendonça na noite de terça-feira (17) e é conhecido por atuar em delações premiadas de grande repercussão, como a do ex-presidente da OAS Leo Pinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato.
Inquérito foi prorrogado por mais 60 dias
Na quarta-feira (18), André Mendonça também atendeu a um pedido da Polícia Federal e prorrogou por mais 60 dias o inquérito que apura suspeitas de fraudes relacionadas à tentativa de compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília). Na decisão, o ministro afirmou que a ampliação do prazo é necessária para a “realização de diligências reputadas imprescindíveis para o esclarecimento dos fatos”.
A justificativa da PF é de que ainda há grande volume de material para análise, incluindo documentos apreendidos em buscas e informações obtidas por meio de quebras de sigilo. Segundo apuração de investigadores, a tendência é que o prazo da investigação seja mantido até a conclusão completa dos trabalhos.
Prejuízos do Banco Master
Liquidado pela autoridade monetária em novembro, o Banco Master já teria causado perdas superiores a R$ 50 bilhões a diferentes entidades, entre elas o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e fundos de pensão.
Segundo informações publicadas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Vorcaro não pretende citar ministros do STF em eventual acordo relacionado ao Banco Master, a menos que isso se torne inevitável no curso das negociações.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) obteve, com o apoio da Interpol, a prisão de um cidadão espanhol foragido da Justiça brasileira. O homem, que é réu em um processo criminal na 15ª Vara Criminal de Natal, responde pelo crime de exploração sexual de adolescente, conforme tipificado na legislação penal do Brasil. A prisão foi efetuada na Espanha no último dia 12 de março.
De acordo com a denúncia do MPRN, os fatos ocorreram em fevereiro de 2014, no bairro de Ponta Negra, em Natal. O acusado teria abordado um adolescente de 16 anos em um shopping center e oferecido um trabalho temporário em sua residência. Uma vez no local, ele teria induzido a vítima à prática de atos libidinosos, oferecendo pagamento em dinheiro em troca.
Após o ocorrido, o investigado deixou o Brasil com destino a Portugal. Registros oficiais apontam que a saída do país ocorreu em 12 de fevereiro de 2014, e ele não retornou desde então. A denúncia formal contra o espanhol só foi apresentada em 2017, depois que a vítima relatou o abuso a um familiar.
Atuação do Gaeco leva à Difusão Vermelha da Interpol
A investigação conduzida pelo MPRN contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que realizou diligências para confirmar a identidade do acusado e localizar seu paradeiro no exterior. Com as informações colhidas, o Ministério Público solicitou à Justiça a expedição de um mandado de prisão preventiva.
Em outubro de 2025, a Justiça potiguar autorizou a inclusão do nome do réu na Difusão Vermelha (Red Notice) da Interpol, um mecanismo de cooperação policial internacional que permite a localização e prisão de foragidos em qualquer um dos países membros. O alerta internacional foi publicado oficialmente em fevereiro de 2026.
Acusado aguarda extradição para o Brasil na Espanha
A prisão foi efetuada por autoridades espanholas no dia 12 de março de 2026. A Polícia Federal brasileira comunicou oficialmente a captura à 15ª Vara Criminal de Natal no dia seguinte, 13 de março.
Atualmente, o acusado permanece detido na Espanha, onde aguarda os trâmites do processo de extradição para o Brasil. Com a confirmação da prisão, a Justiça potiguar determinou a adoção das medidas cabíveis junto ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, órgão do Ministério da Justiça responsável por auxiliar na formalização do pedido de extradição por vias diplomáticas.
O processo criminal, que estava suspenso devido à ausência do réu, deverá ser retomado assim que a extradição for concluída. A medida visa evitar a prescrição do crime e garantir que o acusado seja julgado conforme a legislação brasileira, assegurando sua responsabilização penal. O MPRN segue acompanhando o caso de perto.
A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) está entre os alvos da operação
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (17), a Operação Indébito, um desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As investigações, conduzidas em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), apontam que os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões no período entre 2019 e 2024.
Deputada Gorete Pereira é alvo e passa a usar tornozeleira eletrônica
A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) está entre os alvos da operação. Segundo informações obtidas pela TV Globo, a parlamentar passou a ser monitorada com tornozeleira eletrônica.
As investigações indicam que a deputada teria ligação com o esquema envolvendo a Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen), presidida por uma das investigadas, para a realização de descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas.
De acordo com as apurações, a parlamentar teria participado ativamente das fraudes e recebido recursos originados nos desvios. Ela também é investigada por ter aberto empresas em nomes de laranjas para facilitar o esquema.
PF cumpre mandados no Ceará e no Distrito Federal
Policiais federais e auditores da CGU cumprem 19 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão e outras medidas cautelares no Ceará e no Distrito Federal. Os mandados judiciais foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça.
O objetivo da operação é aprofundar as investigações da Operação Sem Desconto para esclarecer a prática de crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.
Empresário e ex-presidente de associações são presos
A PF cumpriu dois mandados de prisão nesta terça-feira. Foram presos o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB).
Segundo relatório da PF divulgado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o empresário Natjo de Lima Pinheiro teria sido beneficiário de aproximadamente R$ 400 mil em múltiplas operações advindas das empresas de Cecilia Rodrigues Mota, apontada como uma das operadoras do esquema fraudulento.
Diretor da Dataprev é afastado do cargo
Durante a operação, a PF também cumpriu mandados contra Alan Santos, diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev. Ele foi afastado do cargo. Outros três servidores do INSS também foram afastados das funções no órgão, mas os nomes não foram divulgados.
Investigada prestou depoimento à CPMI do INSS em 2025
Cecília Rodrigues Mota prestou depoimento à CPMI do INSS em novembro de 2025. Na ocasião, ela admitiu conhecer parte das pessoas citadas nas investigações da Operação Sem Desconto.
A advogada reconheceu ser proprietária de várias empresas suspeitas de lavagem de dinheiro e confirmou ter movimentado milhões de reais, mas negou que esses recursos tenham origem ilícita.
Defesa de empresário preso considera prisão desnecessária
A defesa do empresário Natjo Pinheiro afirmou, por meio de nota, que considera a prisão preventiva decretada uma medida desnecessária e desproporcional. O advogado Bruno Queiroz destacou que o investigado já havia sido alvo de busca e apreensão e bloqueio judicial de bens em abril de 2025, medidas consideradas satisfatórias pela defesa.
A defesa informou que os descontos investigados estão paralisados e que não há risco de continuidade das atividades ou de fuga. O advogado afirmou que ingressará com os instrumentos jurídicos cabíveis para revogação da prisão preventiva.
Procuradas pela TV Globo, as defesas da deputada Gorete Pereira e de Cecília Rodrigues Mota não se manifestaram até a publicação desta matéria.
Fotos: Divulgação/PF / Cleia Viana/Câmara dos Deputados / Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, Lulinha pretende colaborar com as investigações por meio de um depoimento espontâneo
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, procurou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na semana passada para tratar do inquérito que investiga a chamada “Farra do INSS”. O encontro ocorreu na noite do dia 11 de março, no gabinete do ministro, em Brasília.
Na conversa, o advogado Marco Aurélio de Carvalho reiterou a confiança no ministro e colocou Lulinha à disposição para prestar depoimento pessoalmente no âmbito das investigações. A iniciativa ocorre em meio ao avanço das apurações sobre o esquema de desvios em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Defesa afirma que Lulinha quer prestar depoimento voluntário
Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, Lulinha pretende colaborar com as investigações por meio de um depoimento espontâneo. A defesa sustenta que a intenção é contribuir para esclarecer eventuais dúvidas sobre qualquer envolvimento, direto ou indireto, com possíveis irregularidades apuradas no inquérito.
“Ele está disposto a prestar depoimento pessoalmente. Ele pretende fazer uma colaboração espontânea, voluntária e efetiva para esclarecer qualquer dúvida que porventura possa surgir a respeito do seu envolvimento direto ou indireto com qualquer tipo de irregularidade”, afirmou o advogado, confirmando a conversa com o ministro André Mendonça.
Advogado admite viagem de Lulinha a Portugal com Careca do INSS
Na segunda-feira (16), o advogado concedeu entrevista à GloboNews e reconheceu que Lulinha viajou a Portugal em 2024 acompanhado do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A informação sobre a viagem havia sido divulgada anteriormente pelo portal Metrópoles, em dezembro de 2025.
A entrevista marcou a primeira vez que a defesa admitiu publicamente o deslocamento e a relação entre Lulinha e o lobista. Antônio Carlos Camilo Antunes está preso sob suspeita de liderar um esquema de desvios em benefícios de aposentados.
Defesa nega negócios ou conhecimento de esquema fraudulento
O advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori, afirmou que o empresário não fechou qualquer negócio nem recebeu dinheiro de Antônio Carlos Camilo Antunes. Segundo a defesa, Lulinha negou que tinha conhecimento dos esquemas de fraudes no INSS.
De acordo com os advogados, Lulinha teria se interessado quando o lobista lhe relatou um projeto de produção de canabidiol medicinal, já que tem uma sobrinha que faz tratamento médico com o medicamento.
PF chegou a temer fuga de Lulinha do país
A Polícia Federal (PF) chegou a temer que o empresário Fábio Luís Lula da Silva fugisse do Brasil, conforme informações antecipadas pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmadas pela CNN. O receio foi compartilhado, no ano passado, com o STF, em um documento sigiloso.
Em dezembro, foi solicitada também a quebra do sigilo fiscal do empresário à Suprema Corte. A defesa de Lulinha nega motivação de fuga e admite que ele viajou a Portugal com as despesas pagas pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes.
Estratégia da defesa busca evitar medidas cautelares
Ao admitir a viagem e colocar o investigado à disposição para prestar depoimento, a estratégia da defesa busca demonstrar colaboração com as autoridades. Com essa postura, os advogados tentam evitar que o ministro André Mendonça determine medidas cautelares contra o filho do presidente da República.
Nos bastidores, a avaliação é que a postura colaborativa tenta evitar medidas como prisão preventiva ou outras restrições, enquanto as investigações seguem avançando sob relatoria do ministro no STF.
Lula pediu esclarecimentos ao filho para evitar desgaste ao governo
No início deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a pedir a Lulinha, seu filho, que prestasse os devidos esclarecimentos, para evitar que a suspeita prejudicasse a imagem do governo federal.
O discurso nos meios políticos é que, diferentemente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula não passou a mão na cabeça de eventuais irregularidades do filho. A atitude do presidente deve ser explorada na campanha à reeleição caso o tema seja usado para tentar prejudicar o petista.
Inquérito da Farra do INSS tramita no STF sob relatoria de André Mendonça
O caso integra as apurações relacionadas à chamada “Farra do INSS” e segue em tramitação no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça. Os próximos desdobramentos dependerão das decisões do Supremo e das análises feitas no âmbito da investigação.
A PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) investigam um esquema nacional de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS, que pode ter desviado bilhões de reais entre 2019 e 2024.
Relator André Mendonça reiterou fundamentos da decisão que determinou a detenção preventiva no início de março; defesa e PGR haviam pedido revogação da medida
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (13) para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, investigado por suspeita de envolvimento em crimes financeiros e tentativa de interferência em investigações.
O julgamento ocorre na Segunda Turma do STF, composta pelos ministros Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça. O ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito e não participa da análise.
Voto do relator
O relator do caso, ministro André Mendonça, votou pela manutenção da prisão e reiterou os fundamentos da decisão que determinou a detenção de Vorcaro no início de março. No voto, o ministro afirmou que os elementos reunidos nas investigações apontam risco concreto às apurações.
Entre os pontos citados, Mendonça destacou mensagens encontradas no celular do investigado, que incluiriam ameaças de morte e menções a uma suposta estrutura de monitoramento de autoridades e jornalistas. Para o relator, os novos elementos reforçam a necessidade da prisão preventiva.
O ministro também rebateu argumentos apresentados pela defesa do ex-banqueiro e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que havia sustentado que parte das mensagens analisadas seria antiga e não representaria risco imediato às investigações. Mendonça afirmou que, no caso de crimes de organização criminosa, a conduta tem natureza permanente, podendo justificar medidas cautelares enquanto houver indícios de atuação do grupo.
Decisão atinge outros investigados
A decisão também mantém a prisão de outros investigados na mesma operação, entre eles Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro do grupo, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado.
A medida deixou de valer para Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu após a prisão.
Investigações da Polícia Federal
Segundo as investigações da Polícia Federal, os envolvidos teriam formado um grupo para acessar informações sigilosas e intimidar jornalistas e adversários. A apuração aponta indícios de acesso indevido a sistemas restritos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como a Interpol.
O inquérito busca esclarecer a extensão das atividades do grupo e possíveis conexões com outros casos sob investigação.
Corporação destaca que compartilhamento com CPI ocorreu por decisão do STF; Conversas íntimas do banqueiro com namorada vieram a público nos últimos dias
A Polícia Federal divulgou nota nesta sexta-feira (6) afirmando que nunca incluiu informações da vida privada do banqueiro Daniel Vorcaro nos relatórios produzidos dentro da investigação sobre irregularidades do Banco Master. A corporação também anunciou que vai abrir inquérito para apurar o vazamento desses dados, que foram enviados à CPI do INSS.
Na nota, a PF destacou que informações extraídas do celular de Vorcaro foram compartilhadas com a CPI por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A corporação citou que não caberia a ela “editar conversas, selecionar ou manipular dados extraídos de equipamentos apreendidos, sob pena, inclusive, de violação ao direito ao contraditório e à ampla defesa, constitucionalmente assegurados”.
PF reafirma padrões de segurança em investigações
“A Polícia Federal reafirma que atua em todas as suas investigações seguindo rigorosos padrões de segurança no tratamento de informações e na preservação e garantia dos direitos fundamentais, incluindo o respeito à privacidade e à intimidade”, diz a nota.
O texto acrescenta: “Nenhum relatório, informação de polícia judiciária ou representação apresentada pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, conteve dados que não fossem relevantes para a instrução das investigações. Não foram incluídas, portanto, informações relacionadas à intimidade ou à vida privada dos investigados”.
Conversas íntimas vieram a público
Diálogos de Vorcaro com sua namorada, Martha Graeff, vieram a público nos últimos dias. Essas conversas citavam encontros dele com o ministro do STF Alexandre de Moraes e com parlamentares. Além disso, havia conversas íntimas entre os dois.
Por causa disso, a defesa de Vorcaro pediu ao STF que abrisse uma investigação sobre o vazamento desses dados. O pedido foi acolhido pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, que determinou a abertura de apuração.
Mendonça determina investigação sobre origem do vazamento
“O procedimento apuratório deve ter como hipótese investigativa a eventual identificação daqueles que teriam o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram, e não daqueles que, no legítimo exercício da fundamental profissão jornalística, obtiveram o acesso indireto às informações que, pela sua natureza íntima, não deveriam ter sido publicizadas”, anotou o ministro em sua decisão.
A determinação de Mendonça atende ao pedido da defesa de Vorcaro, que busca identificar os responsáveis pelo vazamento dos dados sigilosos extraídos do celular do banqueiro. As informações estavam sob a custódia da Polícia Federal e foram compartilhadas com a CPI do INSS, de onde chegaram à imprensa.
Conversas citam jantar com Luciano Huck; Defesa de Vorcaro pede investigação sobre vazamento de informações
A investigação que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. Informações extraídas de seu celular apontam troca de mensagens com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia em que foi preso. Paralelamente, o ministro André Mendonça autorizou sua transferência para a Penitenciária Federal de Brasília, enquanto a defesa do empresário solicita investigação sobre vazamentos de dados sigilosos.
Mensagens com ministro Alexandre de Moraes marcaram dia da prisão
O banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes trocaram mensagens pelo WhatsApp durante todo o dia 17 de novembro de 2025, data em que o dono do Banco Master foi preso pela Polícia Federal. A informação foi divulgada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, com base em dados extraídos do celular do executivo.
As conversas ocorreram entre 7h19 e 20h48, pouco antes da abordagem policial no Aeroporto de Guarulhos. Para manter o sigilo, tanto Vorcaro quanto Moraes escreviam textos em seus blocos de notas, capturavam a tela e enviavam as imagens com o recurso de visualização única. Por essa razão, as respostas do ministro não estão disponíveis, mas as notas de Vorcaro permaneceram acessíveis no histórico do aparelho.
Nas mensagens, o banqueiro relata ter antecipado negócio com o grupo Fictor para tentar salvar a instituição financeira e menciona que um possível vazamento de informações seria péssimo, mas poderia servir de gancho para entrar no circuito do processo. Vorcaro questionou o magistrado por duas vezes se havia alguma novidade e chegou a perguntar diretamente: “Conseguiu bloquear?”.
Cronologia aponta monitoramento de investigações
A cronologia dos fatos indica que, enquanto falava com o ministro, o banqueiro monitorava o avanço das investigações. Segundo a PF, Vorcaro teria obtido informações sigilosas através de acesso ilegal aos sistemas da corporação e tentado peticionar na 10ª Vara Federal de Brasília apenas dezoito minutos após a decretação de sua prisão, em tentativa de barrar medidas cautelares.
Na última comunicação registrada, às 20h48, Vorcaro respondeu a uma possível dúvida sobre os negócios e afirmou que a movimentação poderia inibir algo não detalhado. Antes de encerrar, avisou que estava indo assinar com investidores estrangeiros, momento em que Moraes reagiu apenas com um emoji de polegar levantado. O executivo acabou preso antes de decolar rumo a Malta.
Em nota, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que não recebeu as mensagens e classificou as informações como ilação mentirosa destinada a atacar o STF. A defesa de Daniel Vorcaro preferiu não se manifestar.
Entenda o modus operandi das conversas sigilosas
O banqueiro tinha o hábito de travar conversas sensíveis escrevendo no bloco de anotações e enviando um print do texto ao interlocutor como foto de visualização única. Esse mecanismo impede a criação de um histórico de conversas em aplicativos de mensagens como o WhatsApp.
Os arquivos disponibilizados pela PF à CPI do INSS têm sete desses prints registrados no dia 17 de novembro de 2025. Um desses prints é do rascunho do texto que foi publicado por um site acusado de receber para divulgar informações do interesse de Vorcaro.
Em prints enviados horas antes da prisão, o banqueiro escreveu: “Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”. Em outro momento, questionou: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
Dias antes, em 30 de outubro de 2025, Vorcaro havia escrito mensagem elogiosa a um interlocutor: “Tudo de importante no final fica no seu colo. Impressionante. Mas seu legado pro Brasil será eterno. Temos só que bloquear essas sacanagem”.
Ministro André Mendonça autoriza transferência para presídio federal
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília. A decisão atendeu a pedido da Polícia Federal, que apontou a necessidade de retirar o investigado da unidade prisional onde estava detido, em São Paulo.
Segundo a PF, a mudança tem como objetivo garantir a integridade física do empresário. A corporação argumentou que a legislação permite a inclusão de presos em estabelecimentos federais de segurança máxima quando a medida é necessária para preservar a segurança pública ou do próprio detento.
A Polícia Federal destacou que a penitenciária federal na capital oferece melhores condições institucionais para o acompanhamento da custódia. A localização próxima aos órgãos responsáveis pela investigação e à supervisão judicial do caso foi apontada como fator que facilita o monitoramento das medidas determinadas pelo STF.
Outro ponto citado pela PF foi a capacidade de influência institucional atribuída a Vorcaro, já evidenciada durante as apurações. Diante disso, a corporação considerou que a unidade federal em Brasília possui estrutura de segurança mais adequada à complexidade das investigações.
Preso preventivamente na quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, o dono do Banco Master é investigado por suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. A operação também determinou o afastamento de cargos públicos e o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões.
Conversas citam jantar com Luciano Huck
O banqueiro Daniel Vorcaro citou um jantar com o apresentador Luciano Huck em conversas trocadas com sua então noiva, Martha Graeff. As mensagens fazem parte do material analisado nas investigações relacionadas ao Banco Master.
O diálogo ocorreu em 28 de outubro de 2024, período em que a instituição financeira já enfrentava sinais de problemas de liquidez. Em mensagem enviada às 20h23, Vorcaro avisou que estava deixando o banco para encontrar o apresentador. “To saindo banco e jndo pra jantar com Luciano Huck, e vc”, escreveu ele. Martha respondeu que ainda estava trabalhando, e o banqueiro perguntou se ela seguia em gravação para alguma marca.
O nome de Huck aparece nas conversas em meio a outros contatos citados pelo empresário em diálogos pessoais. As mensagens foram obtidas a partir da quebra de sigilo telemático realizada durante as apurações.
O apresentador já teve relação comercial com o banco. Huck foi garoto-propaganda do Will Bank, que era controlado pelo Banco Master, e chegou a apresentar um quadro em seu programa dominical patrocinado pela empresa. Além disso, o comunicador avaliou, ao lado de grupo de investidores, a possibilidade de compra do Will Bank. A venda da instituição era vista por Vorcaro como alternativa para tentar resolver os problemas de liquidez enfrentados pelo Banco Master.
Defesa de Vorcaro pede investigação sobre vazamento de informações
A defesa de Daniel Vorcaro informou nesta sexta-feira (6) que pediu ao STF que investigue a origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos.
Segundo nota divulgada pelos advogados, o espelhamento dos dados dos aparelhos apreendidos foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março de 2026. O HD foi imediatamente lacrado na presença da autoridade policial, dos advogados e de tabelião, para preservar o sigilo das informações.
Apesar disso, diversas mensagens supostamente extraídas desses aparelhos passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material. Conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades, têm sido divulgadas para órgãos de comunicação.
Diante da gravidade da situação, a defesa requereu que seja instaurado inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.
Fotos: Márcio Gustavo Vasconcelos/Reprodução / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Ação visa desarticular organização criminosa interestadual envolvida no comércio ilegal de armas, munições e acessórios; mandados são cumpridos no RN, PE e RS
A Polícia Federal no Rio Grande do Norte apresentou, nesta quinta-feira (6), o balanço da segunda fase da Operação Bate Lata, deflagrada na última terça-feira (4) para desarticular uma organização criminosa interestadual especializada no comércio ilegal de armas de fogo, acessórios e munições.
Nesta etapa, a Justiça expediu 21 mandados de busca e apreensão e 19 mandados de prisão preventiva, além de duas medidas de monitoramento eletrônico. As ordens judiciais foram cumpridas nos estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio Grande do Sul. A Justiça também autorizou o bloqueio de valores vinculados aos investigados.
Até o momento, 15 mandados de prisão foram cumpridos. Durante as diligências, as equipes apreenderam três pistolas, um revólver, munições de diversos calibres e aproximadamente 1,9 kg de substância entorpecente. Três pessoas foram presas em flagrante durante o cumprimento dos mandados.
Foragido da lista do SUSP é preso
Entre os presos na operação, um dos indivíduos constava na Lista de Procurados do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), do Ministério da Justiça. A lista reúne alvos considerados prioritários para as forças de segurança de todo o país.
As investigações indicam que o grupo criminoso possui ramificações em diferentes estados e atua na aquisição, intermediação e distribuição ilegal de armamentos. A organização abastecia criminosos em diversas regiões, alimentando a violência local e interestadual.
Primeira fase da operação
A primeira fase da Operação Bate Lata foi deflagrada em julho de 2025, quando a PF cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão nos estados do Rio Grande do Norte e Pernambuco. Na ocasião, houve prisões em flagrante e a apreensão de armas de fogo, munições, acessórios e veículos.
Como desdobramento das investigações iniciais, as forças de segurança também localizaram e apreenderam fuzis, pistolas, carregadores e grande quantidade de munições que estavam em posse da organização criminosa.
Atuação integrada
A operação é coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Rio Grande do Norte (FICCO/RN), composta por integrantes da Polícia Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal do Rio Grande do Norte.
A FICCO atua de forma permanente e integrada no enfrentamento ao crime organizado. Para o cumprimento dos mandados desta segunda fase, as equipes também contaram com o apoio de forças de segurança dos demais estados onde as ordens judiciais foram cumpridas.
Nova fase da Compliance Zero prende Daniel Vorcaro sob suspeita de atrapalhar investigações
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso na manhã desta quarta-feira (4) pela Polícia Federal (PF) em São Paulo. A prisão ocorreu durante a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de irregularidades na gestão da instituição financeira. Esta é a primeira grande ação no caso desde que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), assumiu a relatoria no lugar de Dias Toffoli.
Agentes da PF cumpriram o mandado de prisão preventiva na residência de Vorcaro, na capital paulista. Ele foi imediatamente encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde permanece à disposição da Justiça. A operação desta quarta-feira não se limitou à prisão do banqueiro; há outros três mandados de prisão e quinze mandados de busca e apreensão sendo cumpridos em endereços ligados ao grupo nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
As acusações e a tentativa de obstruir a justiça
A nova fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada a partir de indícios de que Daniel Vorcaro estaria utilizando sua influência e recursos para atrapalhar o andamento das investigações. De acordo com apuração da CNN, a motivação para o novo pedido de prisão, acatado pelo ministro André Mendonça, veio após a suspeita de que o empresário teria iniciado uma ofensiva contra envolvidos e testemunhas que prestaram depoimento no âmbito do caso que apura supostas fraudes no Banco Master.
Brasília (DF), 22/02/2024, Movimentação de Policiais Federais, em frente ao Prédio da Polícia Federal em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A decisão judicial também determinou o afastamento de cargos públicos de pessoas ligadas ao grupo e o sequestro e bloqueio de bens. O montante bloqueado pode chegar a R$ 22 bilhões. Segundo a PF, a medida visa “interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas”. As investigações contam com o apoio técnico e operacional do Banco Central do Brasil.
Monitoramento de jornalistas e planos de agressão
Documentos do inquérito obtidos pela imprensa revelam um nível de sofisticação e agressividade nas ações atribuídas a Vorcaro para proteger seus interesses e silenciar críticas. Segundo relatório da Polícia Federal enviado ao STF, o dono do Banco Master mantinha uma estrutura para monitorar jornalistas e adversários, além de ter cogitado agressões físicas contra rivais.
De acordo com mensagens extraídas de aparelhos celulares em fases anteriores da operação e analisadas pelos investigadores, Vorcaro ordenava a integrantes de seu núcleo próximo que coletassem dados pessoais, acompanhassem a rotina e intimidassem pessoas que, de alguma forma, contrariavam seus interesses empresariais ou pessoais.
A ameaça contra o jornalista Lauro Jardim
Um dos diálogos que mais chamou a atenção dos investigadores envolve uma conversa entre Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes, apontado pela PF como um dos responsáveis por executar o monitoramento e levantar as informações. Na troca de mensagens, Vorcaro faz referência direta ao jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.
“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, escreveu Vorcaro. Na sequência, o interlocutor responde: “Estamos em cima de todos os links negativos. Vamos derrubar todos e vamos soltar positivas”.
Brasília (DF), 22/02/2024, Fachada do Prédio da Polícia Federal em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Insistindo na ideia, Vorcaro envia nova mensagem: “Quero dar um pau nele”. O colaborador, então, questiona: “Pode? Vou olhar isso…”. O empresário responde afirmativamente: “sim”.
Para a Polícia Federal, o teor da conversa deixa explícito que Vorcaro não apenas autorizou, mas determinou a seu subordinado que forjasse um assalto com o objetivo de intimidar fisicamente o jornalista, configurando uma grave tentativa de coagir a liberdade de imprensa e de interferir na cobertura jornalística sobre o caso.
O papel do STF e os próximos passos
A prisão de Daniel Vorcaro marca o início da atuação do ministro André Mendonça como novo relator do caso no STF. A investigação corre em sigilo, mas a deflagração desta terceira fase da Operação Compliance Zero sinaliza um aprofundamento das apurações sobre a gestão do Banco Master e as tentativas de seus controladores de influenciar testemunhas e a imprensa.
A Polícia Federal e o Banco Central continuam analisando o material apreendido nas buscas desta quarta-feira. O montante de R$ 22 bilhões bloqueado pela Justiça visa garantir que, confirmadas as irregularidades, haja recursos para reparar os danos causados. O banqueiro permanece preso em São Paulo, aguardando os desdobramentos legais do caso.
Fotos: Márcio Gustavo Vasconcelos/Reprodução / Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Cruzamento de dados financeiros revela saques em espécie suspeitos; Percentual de 27% em saques coincide com diálogos de escuta ambiental
A Polícia Federal (PF) concluiu, em investigação que integra a Operação Mederi, que o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e uma mulher identificada como Fátima foram os destinatários de aproximadamente R$ 833 mil em propinas pagas pela empresa Dismed. O valor foi calculado com base em cruzamento de dados financeiros e transferências bancárias da empresa, suspeita de fraudar contratos na área da saúde. As informações foram obtidas pelo jornalista Dinarte Assunção, do Blog do Dina.
De acordo com os documentos da Polícia Federal, a Dismed recebeu um total de R$ 8.152.668,82 de prefeituras, por meio de 213 transferências bancárias identificadas. No mesmo período, os sócios da empresa realizaram 70 saques eletrônicos, totalizando R$ 2.210.000,00 em espécie. Esse montante sacado representa 27% do total creditado, um percentual que chamou a atenção dos investigadores.
HEn
O relatório da PF aponta que esse índice de 27% coincide com diálogos obtidos por meio de escuta ambiental. Na gravação, há menção a repasses de 25% do valor dos contratos para agentes públicos, sendo 15% destinados ao prefeito e 10% à mulher identificada como Fátima. Para a polícia, o padrão dos saques é compatível com o pagamento de vantagens indevidas.
Cálculo da propina vinculada a Mossoró
No caso específico de Mossoró, a investigação detalha que o Fundo Municipal de Saúde, em conjunto com o Município, transferiu R$ 3.332.710,27 à Dismed. Aplicando-se o percentual de 25% mencionado nas conversas interceptadas, os investigadores chegaram ao montante teórico de R$ 833.177,57 que teria sido pago como propina ao prefeito Allyson Bezerra e à interlocutora.
A PF sustenta ainda que, por analogia, o restante dos R$ 2,21 milhões sacados em espécie pode ter sido destinado a repasses proporcionais envolvendo outras administrações municipais que também realizaram pagamentos à empresa.
Outras prefeituras na mira da Operação Mederi
Documentos analisados indicam que pelo menos duas dezenas de municípios realizaram repasses à Dismed e devem ser alvo de aprofundamento nas investigações. Em alguns casos, a menção a prefeitos, vice-prefeitos ou parentes em tratativas consideradas suspeitas já motivou a solicitação de abertura de procedimentos específicos.
A apuração aponta que Mossoró apresentou um modelo próprio de desvio, segundo os investigadores. Nas compras de medicamentos analisadas, pelo menos metade dos recursos poderia ter sido desviada para custear corrupção, envolvendo operadores financeiros, fiscais e empresários. A Operação Mederi não contemplou todos os municípios citados nos documentos, mas a PF avalia novas providências com base nos indícios reunidos.
Defesa do prefeito Allyson Bezerra
O prefeito Allyson Bezerra nega as acusações e afirma confiar na Justiça. Em nota, a defesa informou que o gestor tem colaborado com as autoridades e manifestou interesse na elucidação dos fatos. Allyson Bezerra sustenta que provará sua inocência ao longo do processo.
Ele também declarou ter implementado mecanismos de transparência para evitar fraudes nas compras de medicamentos no município e argumenta que os investimentos realizados em Mossoró são públicos e verificáveis. A defesa informou ainda que solicitou ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região o levantamento do sigilo do inquérito policial, pedido que também teria sido apoiado pela Polícia Federal, com o objetivo de permitir que o conteúdo dos autos seja amplamente conhecido.
Fotos: Wilson Moreno (Secom/PMM) / Allan Phablo (SECOM/PMM)
Novo deslizamento em Juiz de Fora atinge três casas e deixa uma pessoa desaparecida; Rio de Janeiro: alertas extremos, deslizamentos e 80 ocorrências em todo o estado
As fortes chuvas que atingem as regiões Sudeste desde o início da semana provocaram uma tragédia em Minas Gerais e colocaram o Rio de Janeiro em estado de alerta máximo. Os temporais já causaram 64 mortes na Zona da Mata Mineira, deixaram milhares de desabrigados e levaram o governo federal a liberar recursos emergenciais para os municípios afetados. No Rio de Janeiro, deslizamentos, alagamentos e o acionamento de sirenes em áreas de risco mobilizam as equipes de defesa civil e bombeiros.
Tragédia em Minas Gerais: 64 mortos e 4,2 mil desabrigados na Zona da Mata
Os deslizamentos e enchentes causados pelas fortes chuvas que atingem a Zona da Mata Mineira desde segunda-feira (23) deixaram 64 mortos, dos quais 58 em Juiz de Fora e seis em Ubá, informou o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMG) na manhã desta sexta-feira (27). Ainda existem três desaparecidos em Juiz de Fora e dois em Ubá.
Em Juiz de Fora, os bombeiros estão mobilizados em três frentes de trabalho: bairros Paineiras, JK (Comunidade Parque Burnier) e Linhares. Nesta quinta-feira (26), houve um novo deslizamento, que atingiu três casas no Bairro Bom Clima, em Juiz de Fora, com o registro de uma vítima desaparecida.
Segundo a prefeitura de Juiz de Fora, há cerca de 4,2 mil desabrigados e desalojados e foram registradas 1.696 ocorrências pela Defesa Civil desde a última segunda-feira.
O governador Romeu Zema esteve na região e confirmou, em coletiva na terça-feira (24), as primeiras 24 mortes, número que cresceu drasticamente nos dias seguintes . “Em poucas horas, choveu quase o equivalente a um mês inteiro. Isso provocou deslizamentos severos”, afirmou o governador.
Alertas do Inmet para Minas Gerais
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém o alerta de perigo para chuvas intensas até às 23h59 desta sexta-feira na Zona da Mata, com chuva entre 30 e 60 milímetros por hora ou 50 e 100 mm/dia e ventos intensos (60-100 km/h) . Permanece o risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.
Rio de Janeiro: alertas extremos, deslizamentos e ocorrências em todo o estado
Cerca de 30 alertas extremos de chuva, com risco de inundações e deslizamentos, foram enviados para os municípios mais afetados no estado do Rio de Janeiro . Angra dos Reis, Paraty, Mangaratiba e Rio das Ostras receberam os avisos na tarde dessa quinta-feira (26).
O Corpo de Bombeiros do Rio foi acionado para mais de 80 ocorrências relacionadas às chuvas desde quinta-feira (26), sendo 33 apenas na madrugada e início da manhã desta sexta-feira (27) – a maioria de inundações, alagamentos e deslizamentos .
Em Angra dos Reis, um homem de 55 anos morreu após um deslizamento de terra no bairro Belém. A região foi uma das mais afetadas pelo temporal que atinge diferentes municípios do estado desde a tarde de quinta-feira . Em Cabo Frio, na Região dos Lagos, duas vítimas ficaram feridas após um desabamento em um restaurante na manhã desta sexta-feira (27).
O município de Angra dos Reis registrou 138 milímetros de chuva nas últimas 24 horas e 236 milímetros nas últimas 96 horas . Diante dos acumulados expressivos, a prefeitura iniciou a mobilização para evacuação preventiva em áreas inseridas no sistema de monitoramento, como medida diante da saturação do solo e do risco potencial de deslizamentos.
Sirenes acionadas e áreas de risco no Rio
Nesse período, 65 estações de sirenes foram acionadas para aviso de chuva e 30 para mobilização de comunidades em Angra dos Reis, Mangaratiba, Bom Jardim, Barra Mansa, Magé, Barra do Piraí, Teresópolis e Duque de Caxias.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, alertou nas redes sociais que será mais “um dia com muita chuva” e que os principais problemas, na capital, foram registrados no bairro de Santa Cruz na madrugada . “Hoje é dia de evitar deslocamentos que não sejam essenciais. Em caso de chuva forte abriguem-se em locais seguros. Peço atenção especial a moradores em áreas de risco em encostas. A chuva contínua encharca o solo e aumenta o risco de deslizamentos”, disse Paes.
Riscos hidrológicos e geológicos no estado do Rio
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) informa que, neste momento, é muito alto o risco hidrológico em Macaé, Rio das Ostras, Paraty, Mangaratiba, Angra dos Reis, Santo Antônio de Pádua e Bom Jardim, e alto em Barra Mansa, Cachoeiras de Macacu, Silva Jardim, Cabo Frio, Armação dos Búzios, Porciúncula, Sumidouro, Sapucaia, São Sebastião do Alto e Campos dos Goytacazes.
Também é muito alto o risco geológico em Angra dos Reis e Mangaratiba e alto em Paraty, Nova Friburgo, Bom Jardim, Resende, Três Rios, Comendador Levy Gasparian e Macaé.
Governo federal libera R$ 6 milhões para ações de resposta em três estados
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, autorizou nesta sexta-feira (27) o repasse de R$ 6,196 milhões para ações de resposta em sete municípios atingidos por desastres naturais em Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul. As portarias com a liberação dos recursos foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU).
Em Minas Gerais, os municípios de Ubá e Matias Barbosa, afetados pelas fortes chuvas desta semana, estão entre os contemplados. Também receberá recursos a cidade de Pescador. No Piauí, o repasse foi destinado a Vera Mendes. Já no Rio Grande do Sul, os valores serão direcionados a Vespasiano Corrêa, Passa Sete e Maquiné.
Ao todo, Vera Mendes (PI) receberá R$ 277.793,49; Vespasiano Corrêa (RS), R$ 122.350,00; Passa Sete (RS), R$ 3.221.700,00; Maquiné (RS), R$ 430.000,00; Pescador (MG), R$ 88.697,60; Ubá (MG), R$ 752.842,40; e Matias Barbosa (MG), R$ 1.057.100,00 e R$ 245.967,56, conforme as portarias publicadas.
Segundo o MIDR, os recursos foram autorizados com base em critérios técnicos, que consideram a magnitude dos desastres, o número de desabrigados e desalojados e as demandas apresentadas nos planos de trabalho encaminhados pelas prefeituras.
Como funciona o repasse para emergências
Municípios com reconhecimento federal de situação de emergência ou de estado de calamidade pública podem solicitar apoio financeiro ao MIDR para ações de defesa civil. Os pedidos devem ser feitos por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres.
A partir do envio dos planos de trabalho, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e os valores propostos. Após a aprovação, a liberação dos recursos é formalizada por portaria publicada no Diário Oficial da União. A Defesa Civil Nacional também disponibiliza cursos a distância voltados à capacitação de agentes municipais e estaduais para o uso do sistema.
Previsão do tempo: chuvas continuam no Sudeste
O Sistema Alerta Rio informou que nesta sexta-feira, o tempo na capital fluminense segue instável devido à influência de um sistema de baixa pressão no litoral do estado. A previsão é de céu nublado a encoberto ao longo do dia, com chuva moderada em alguns pontos neste início de manhã e acumulados pontualmente significativos nas últimas 12h e 24h . A partir da tarde, a chuva variará entre fraca e moderada, com ventos moderados, ocasionalmente fortes. As temperaturas estarão em declínio, com máxima prevista de 29°C.
Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Civil do Rio de Janeiro, para as próximas horas, ainda são esperadas chuvas moderadas nas regiões da Baixada Fluminense, Baixada Litorânea, Serrana e Metropolitana. Para as demais regiões há previsão de chuvas fracas a moderadas.
Em Minas Gerais, o Inmet mantém o alerta de perigo para chuvas intensas até o fim do dia, com risco de novos acumulados significativos na Zona da Mata.
As equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros permanecem mobilizadas nos dois estados, com monitoramento contínuo das áreas de risco e prontas para atender novas ocorrências.
Magistrado é alvo de investigação após voto que absolveu acusado de estupro de vulnerável; Cinco supostas vítimas do desembargador já foram ouvidas pela Corregedoria Nacional
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou nesta sexta-feira (27) o afastamento do desembargador Magid Nauef Láuar, integrante da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O magistrado também foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF).
A decisão do CNJ ocorre após o desembargador se tornar alvo de pedidos de investigação por ter proferido voto que resultou na absolvição de um homem acusado de estupro de vulnerável contra uma adolescente de 12 anos e da mãe da menina, que teria sido conivente com o crime. O caso ganhou repercussão nacional e motivou a abertura de apurações sobre a conduta do magistrado.
CNJ apura denúncias de delitos sexuais em comarcas de Ouro Preto e Betim
Em nota oficial, o CNJ informou que, após a repercussão do caso de absolvição, passou a receber denúncias de que o magistrado teria praticado delitos sexuais durante o período em que atuou como juiz nas comarcas de Ouro Preto e Betim, ambas em Minas Gerais.
Segundo o conselho, cinco supostas vítimas do desembargador já foram ouvidas pela Corregedoria Nacional de Justiça. Ao identificar que há fatos recentes, que ainda não prescreveram, o CNJ determinou o prosseguimento da apuração das denúncias. Diante das acusações, Magid Nauef Láuar ficará afastado do cargo para evitar interferências na investigação.
A medida cautelar de afastamento visa garantir a regularidade das apurações e impedir que o magistrado possa, de alguma forma, influenciar nos depoimentos ou na coleta de provas. O caso segue sob análise da Corregedoria Nacional de Justiça.
Desembargador recuou de decisão dias antes do afastamento
Antes de ser afastado pelo CNJ, o desembargador proferiu, na quarta-feira (25), uma decisão individual que restabeleceu a sentença de primeira instância no caso que motivou as investigações. Na nova decisão, Magid Nauef Láuar reverteu seu próprio voto anterior e determinou a condenação do homem acusado de estupro de vulnerável e da mãe da adolescente, além de decretar a prisão dos acusados.
A mudança de posição ocorreu após a forte repercussão negativa do voto original, que havia absolvido os réus. O caso envolvia uma adolescente de 12 anos, vítima de estupro, e sua mãe, acusada de conivência com o crime.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais foi procurado para comentar o afastamento do desembargador e informou que Magid Nauef Láuar não vai se pronunciar sobre as acusações ou sobre a decisão do CNJ. O TJMG também não detalhou como ficará a distribuição dos processos que estavam sob relatoria do magistrado afastado.
Repercussão do caso e atuação da Polícia Federal
Além do afastamento determinado pelo CNJ, o desembargador também foi alvo de uma operação da Polícia Federal, cujos detalhes não foram divulgados oficialmente até o momento. A corporação não informou se a operação está relacionada às denúncias de delitos sexuais ou ao voto polêmico no caso de estupro de vulnerável.
O caso reacendeu o debate sobre a atuação de magistrados em processos que envolvem crimes sexuais e sobre os mecanismos de controle disciplinar do Judiciário. O CNJ é o órgão responsável por fiscalizar a conduta de juízes e desembargadores em todo o país, podendo determinar afastamentos, abertura de processos administrativos e até aposentadorias compulsórias.
As investigações contra Magid Nauef Láuar seguem em andamento tanto na esfera administrativa, no âmbito do CNJ, quanto na esfera criminal, com o envolvimento da Polícia Federal. As supostas vítimas ouvidas pela Corregedoria Nacional de Justiça tiveram seus depoimentos registrados e devem ser chamadas novamente caso novas diligências sejam necessárias.
Fiscalização realizada na terça-feira (24) apurou que a empresa responsável pela segurança do evento não possuía autorização da Polícia Federal para atuar. Vítima de 29 anos ainda sente dores das agressões sofridas no dia 15 de fevereiro
A Polícia Federal realizou fiscalização na cidade de Apodi, na região Oeste do Rio Grande do Norte, para apurar a atuação da empresa de segurança privada contratada pela prefeitura municipal para atuar nos eventos do Carnaval 2026. A diligência, ocorrida na terça-feira (24), foi motivada por denúncias e por imagens amplamente veiculadas na imprensa e nas redes sociais que registraram a agressão a um jovem com deficiência auditiva por indivíduos contratados para atuar na segurança do evento.
Durante a inspeção, os agentes federais constataram que a empresa operava de forma clandestina, sem a devida autorização da Polícia Federal para exercer atividades de segurança privada, o que configura irregularidade administrativa e criminal.
Foi lavrado auto de encerramento das atividades irregulares, e a Prefeitura de Apodi foi formalmente notificada acerca da contratação da empresa clandestina, com o objetivo de prevenir novas ocorrências dessa natureza. A empresa poderá responder pelas irregularidades relacionadas à prestação clandestina de serviço de segurança privada.
Jovem surdo foi agredido por seguranças no dia 15 de fevereiro
O episódio de violência ocorreu no domingo (15), durante as festividades de Carnaval em Apodi, mas as imagens passaram a circular nas redes sociais apenas na noite da quarta-feira (18), após publicação do influenciador potiguar Ivan Baron, que atua em pautas anticapacitistas.
No vídeo, é possível visualizar que a vítima é cercada por três agentes de segurança privada. De acordo com as informações divulgadas por Ivan Baron, o jovem é surdo e estaria tentando utilizar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para explicar que não compreendia as ordens verbais dos seguranças. Apesar da tentativa de comunicação, ele acaba sendo empurrado, derrubado e golpeado com cassetetes pelos profissionais contratados.
“Um jovem surdo que não entendeu um sinal verbal foi covardemente espancado por uma equipe de segurança. Até quando pessoas com a responsabilidade de proteger e cuidar do bem estar serão usadas para violentar? Capacitismo é crime!”, escreveu o influenciador ao divulgar o vídeo.
Vítima de 29 anos ainda sente dores e passa por exames
A vítima das agressões foi identificada como Isaac Torres, 29 anos. Quatro dias após o espancamento, ele ainda convive com dores decorrentes dos golpes sofridos. Uma familiar do rapaz, que preferiu não se identificar, relatou à imprensa que ele vai passar por exame de raio-x para saber se houve alguma fratura.
A família informou que Isaac apresentou hematomas na cabeça, marcas de cassetetes nos ombros e na costela, além de corte no cotovelo esquerdo e dores na região das nádegas. Após as agressões, o rapaz foi socorrido por conhecidos da família, que o levaram ao hospital.
“Ficamos em choque. O pai e a mãe dele são idosos e moram com ele. Ele está bem, mas sente dores ainda das pancadas”, afirmou a familiar.
Um Boletim de Ocorrência sobre o caso foi registrado na segunda-feira (16), um dia após as agressões. O exame de corpo de delito foi realizado no dia seguinte (17).
Polícia Civil trata caso com prioridade
A delegada-geral da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, Ana Claudia Saraiva, afirmou que o caso está sendo tratado com prioridade e que já foram iniciados os encaminhamentos para a investigação. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (19), na sede da Governaria, durante apresentação dos dados da Operação Carnaval 2026.
De acordo com a delegada, a ação foi um crime “covarde” praticado contra uma pessoa em situação de vulnerabilidade. Ela determinou ao delegado do município de Apodi todas as providências necessárias para apurar o ocorrido.
“Determinei ao delegado do município todas as providências, inclusive de procurar a família [da vítima], para que todos os exames periciais [sejam realizados], a fim de dar prioridade ao caso. Afinal de contas é um crime covarde contra uma pessoa em situação de vulnerabilidade. Daremos toda a atenção e prioridade necessária”, destacou Ana Claudia Saraiva.
Posicionamento da Prefeitura de Apodi
A Prefeitura Municipal de Apodi divulgou nota na manhã da quinta-feira (19) afirmando que tomou conhecimento do episódio e determinou imediata apuração dos fatos junto à empresa responsável pela segurança do evento. O município afirmou que medidas cabíveis serão adotadas.
A família do jovem agredido informou que tem recebido o apoio necessário por parte da administração municipal. Irregularidades na contratação e possíveis responsabilizações
Com a constatação da Polícia Federal de que a empresa de segurança atuava de forma clandestina, sem a devida autorização do órgão federal, novas implicações legais podem recair tanto sobre a empresa quanto sobre o município de Apodi, que realizou a contratação.
A prestação de serviços de segurança privada sem autorização constitui irregularidade grave, sujeitando a empresa a responsabilização administrativa e criminal. A notificação formal enviada à Prefeitura de Apodi tem como objetivo prevenir a repetição de contratações dessa natureza em eventos futuros.
As investigações seguem em andamento tanto pela Polícia Civil, para apurar as agressões sofridas por Isaac Torres, quanto pela Polícia Federal, no âmbito da fiscalização das atividades de segurança privada no município.
Operação da Polícia Federal contra abuso sexual infantil cumpre mandado em Natal
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20), a 27ª fase da Operação Uiraçu no Rio Grande do Norte. O objetivo da ação é reprimir crimes de armazenamento e compartilhamento de materiais relacionados ao abuso sexual de crianças e adolescentes na internet. Durante os trabalhos, um mandado de busca e apreensão foi cumprido em Natal, resultando na prisão em flagrante de um homem de 26 anos.
Prisão em flagrante e apreensão de equipamentos durante operação da PF em Natal
No endereço alvo da ordem judicial, os agentes federais apreenderam um celular, um tablet e um computador que estavam em posse do investigado. Todo o material digital passará por perícia técnica. O exame dos dispositivos é fundamental para subsidiar as investigações em andamento, auxiliar na identificação de possíveis vítimas e de outros indivíduos envolvidos na rede criminosa.
O homem preso poderá responder pelos crimes previstos na legislação brasileira relacionados ao abuso sexual de crianças e adolescentes praticados por meio da internet, como o armazenamento e a compartilhamento de arquivos ilegais.
Operação Uiraçu: combate à violência sexual infantojuvenil no RN
A Operação Uiraçu é uma iniciativa contínua da Polícia Federal para combater a propagação de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil na web. Esta 27ª fase reforça o trabalho de inteligência e investigação digital que a PF realiza em todo o país para identificar e prender criminosos que utilizam a internet para práticas ilícitas contra crianças e adolescentes.
PF alerta pais e responsáveis sobre segurança de crianças e adolescentes na internet
A Polícia Federal também aproveitou a operação para reforçar um alerta importante à sociedade sobre a terminologia e as medidas de prevenção. Embora o termo “pornografia infantil” ainda conste no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a comunidade internacional orienta o uso das expressões “abuso sexual de crianças e adolescentes” ou “violência sexual de crianças e adolescentes”. A mudança visa refletir com mais precisão a gravidade da violência sofrida pelas vítimas, evitando uma expressão que pode amenizar o crime.
Como proteger crianças e adolescentes no ambiente virtual e físico
Em comunicado, a PF destacou a importância do papel de pais e responsáveis na proteção de crianças e adolescentes, tanto no mundo físico quanto no digital. A orientação é que os responsáveis mantenham um diálogo aberto sobre os riscos da internet, explicando de forma clara como usar redes sociais, jogos e aplicativos com segurança.
O monitoramento das atividades online é uma medida fundamental de proteção. Os responsáveis devem estar atentos a mudanças repentinas de comportamento, como:
Isolamento social excessivo.
Sigilo ou irritação ao ser questionado sobre o uso de dispositivos eletrônicos.
Uso constante e escondido de celulares, tablets ou computadores.
A prevenção é a ferramenta mais eficaz. É essencial que crianças e adolescentes saibam como agir diante de qualquer contato inadequado ou situação suspeita e, principalmente, que se sintam seguros e acolhidos para procurar a ajuda de um adulto de confiança. A informação e a vigilância responsável são as principais aliadas no combate a esses crimes.
Investigação aponta encontros entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro e revela repasses de R$ 35 milhões a empresa ligada ao ministro; nova fase da operação analisa celulares e documentos
A Polícia Federal retomou o controle da perícia dos celulares e documentos apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero, após autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A decisão representa uma mudança significativa na condução das investigações que envolvem o Banco Master e seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro, além do ministro Dias Toffoli, que deixou a relatoria do caso após a divulgação de relatório da PF apontando vínculos com o investigado.
A retomada da perícia pela PF ocorre em meio a um cenário de desdobramentos simultâneos: encontros entre Toffoli e Vorcaro são detalhados em relatório, repasses financeiros a empresa ligada ao ministro são investigados e o Congresso Nacional se prepara para ouvir o banqueiro em duas comissões na próxima semana.
PF volta a comandar perícia após indicação de nova relatoria
A decisão do ministro André Mendonça foi tomada depois de uma reunião entre delegados responsáveis pela investigação e o novo relator do inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. Com isso, a PF volta a definir quem atuará internamente na análise do material, atribuição considerada natural da investigação policial.
O inquérito estava sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que deixou o caso após a PF encaminhar relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, apontando menções a pagamentos ao ministro em dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. A mudança na relatoria ocorreu por meio de sorteio, e Mendonça passou a comandar as investigações a partir de então.
Fontes ligadas à investigação afirmam que a perícia anteriormente indicada não tinha qualificação técnica adequada para análise financeira. Entre decisões agora revertidas está a que determinava que provas da segunda fase ficassem sob custódia da Procuradoria-Geral da República.
Com a nova definição, a PF iniciou a extração e análise de dados de ao menos quatro celulares de Vorcaro, além de documentos e computadores apreendidos na operação. O material é considerado crucial para o avanço das investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master.
Relatório da PF aponta encontros entre Toffoli e Vorcaro
A Polícia Federal registrou pelo menos dez encontros presenciais entre o ministro do STF Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master. O relatório analisado pela investigação aponta que as reuniões ocorreram principalmente em eventos sociais em Brasília.
Segundo a apuração, mensagens e outros indícios corroboram os encontros, que teriam acontecido em jantares e festas na capital federal entre 2023 e 2024. O conteúdo do relatório vazado provocou repercussão e abriu uma crise interna no Supremo Tribunal Federal.
Ainda de acordo com a PF, os encontros indicam uma relação de amizade além do que mostra a conversa entre os dois no WhatsApp, na qual o ministro chamou Vorcaro para sua festa de aniversário. O teor das mensagens e a frequência dos contatos são analisados pelos investigadores como indícios de proximidade entre as partes.
Após a divulgação das informações, os inquéritos relacionados ao Banco Master no STF foram redistribuídos por sorteio ao ministro André Mendonça. A mudança na relatoria ocorreu em meio a questionamentos sobre a condução anterior do caso e a imparcialidade do então relator.
Repasses de R$ 35 milhões a empresa de Toffoli são investigados
O relatório da PF aponta ainda repasses de R$ 35 milhões do fundo Arleen, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, a uma empresa em que o ministro Dias Toffoli é sócio com seus familiares, a Maridt. Os valores chamaram a atenção dos investigadores pelo fato de os repasses ocorrerem muito depois da venda da fatia do resort Tayayá pela Maridt ao fundo Arleen.
A venda do empreendimento ocorreu em 27 de setembro de 2021, enquanto os pagamentos foram realizados entre 2024 e 2025, período muito posterior à transação comercial. O descompasso temporal entre a venda e os repasses é um dos pontos centrais da investigação, que busca esclarecer a natureza e a motivação desses pagamentos.
O fundo Arleen é controlado por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. A relação entre os envolvidos e a cronologia das transações financeiras são elementos que a PF pretende detalhar com a retomada da perícia dos materiais apreendidos.
Toffoli nega amizade íntima e repasses indevidos
Em nota divulgada após a revelação do relatório da PF, o ministro Dias Toffoli afirmou que “desconhece o gestor do Fundo Arleen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”. O ministro também declarou que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.
A defesa do ministro sustenta que os repasses à Maridt referem-se a valores remanescentes da venda do resort Tayayá, ocorrida em 2021, e que não há qualquer irregularidade nas transações. A versão será confrontada com os elementos colhidos pela perícia nos celulares e documentos apreendidos.
Os ministros do STF rejeitaram a arguição de suspeição contra Toffoli, instrumento usado para questionar a imparcialidade de um ministro em determinado processo, e consideraram legítimos todos os atos conduzidos por ele até o momento da redistribuição do caso.
Banqueiro vai depor no Senado em duas comissões na próxima semana
Paralelamente aos desdobramentos no âmbito judicial, o banqueiro Daniel Vorcaro terá dois compromissos no Senado Federal na próxima semana. O presidente do Banco Master comunicou a aliados que está disposto a prestar esclarecimentos aos parlamentares nas duas ocasiões em que comparecerá à Casa.
Há algumas semanas, a defesa do executivo ainda avaliava a possibilidade de ingressar com habeas corpus para desobrigar sua presença na CPMI do INSS, que apura fraudes envolvendo benefícios previdenciários. No entanto, a estratégia mudou e Vorcaro decidiu colaborar com as investigações legislativas.
Nesta quarta-feira (18), o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou a antecipação do depoimento de Vorcaro, inicialmente marcado para quinta-feira (26), para a próxima segunda-feira (23). Com a mudança no calendário, o banqueiro falará primeiro à CPMI.
CPMI quer esclarecer contratos de consignado com INSS
Parlamentares querem esclarecimentos sobre o papel do Banco Master em contratos ligados a aposentadorias e pensões do INSS. Na CPMI, a expectativa é que os questionamentos se concentrem nos contratos de crédito consignado firmados com beneficiários da Previdência Social.
Investigações preliminares apontam possíveis irregularidades na concessão desses empréstimos, incluindo suspeitas de cobranças indevidas e descontos não autorizados em folhas de pagamento de aposentados e pensionistas. O Banco Master é uma das instituições financeiras que operam nessa modalidade de crédito.
CAE também ouvirá banqueiro sobre relações políticas
No dia seguinte ao depoimento na CPMI, terça-feira (24), Vorcaro será ouvido pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Na comissão econômica, o debate deve ser mais amplo, com foco também nas relações do controlador do Master com figuras influentes da política nacional.
Até agora, integrantes da comissão econômica realizaram reuniões reservadas com representantes do Banco Central, do Tribunal de Contas da União, da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal, em busca de subsídios técnicos para orientar os trabalhos e a oitiva do banqueiro.
A expectativa dos parlamentares é que Vorcaro esclareça não apenas os negócios do Banco Master com o setor público, mas também suas relações pessoais e políticas com autoridades dos três Poderes, tema que ganhou relevância após as revelações sobre os encontros com o ministro Dias Toffoli.
Próximos passos da investigação
Com a retomada da perícia pela Polícia Federal, a expectativa é que novos elementos surjam nos próximos dias a partir da análise dos celulares de Daniel Vorcaro e dos documentos apreendidos na Operação Compliance Zero. A extração de dados de ao menos quatro aparelhos deve fornecer à investigação um panorama mais detalhado das comunicações do banqueiro e de suas relações com autoridades e empresários.
No âmbito do Senado, os depoimentos de segunda e terça-feira devem oferecer aos parlamentares a oportunidade de questionar Vorcaro diretamente sobre os pontos levantados pela PF e pelas investigações em curso. A combinação entre os trabalhos da Polícia Federal e do Congresso deve determinar os próximos capítulos do caso Banco Master.
Fotos: Rovena Rosa/Agência Brasil / Paulo Pinto/Agência Brasil
Documento descreve mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro sobre visitas do ministro à sua residência
A Polícia Federal finaliza um novo relatório sobre mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que fazem menção ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento será encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, e segue o mesmo formato do relatório entregue no início da semana com referências ao ministro Dias Toffoli.
A existência do novo relatório foi revelada por Malu Gaspar, em O Globo, e confirmada por fontes ligadas à investigação. Classificado como “informação de Polícia Judiciária”, o texto apenas descreve os achados da PF, sem pedir afastamento ou declaração de suspeição.
As mensagens que citam Alexandre de Moraes
As mensagens analisadas citam ao menos duas visitas de Alexandre de Moraes à residência de Vorcaro, no Lago Sul, em Brasília. Em uma delas, o ministro teria conversado rapidamente com Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília (BRB). À época, Moraes negou ter participado de reunião com o dirigente.
O episódio ocorreu no período em que Vorcaro buscava viabilizar a venda do Banco Master ao BRB. Paralelamente, a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato de consultoria com o Banco Master no valor de R$ 129 milhões.
Lula teria sugerido saída de Toffoli para conter crise
Nos bastidores de Brasília, aliados relatam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria dito que o ministro Dias Toffoli deveria deixar o Supremo Tribunal Federal para evitar que a crise envolvendo o caso Banco Master contaminasse o governo. A declaração, segundo interlocutores, foi interpretada por opositores como sinal de desconforto do Planalto diante do desgaste institucional provocado pela investigação.
A fala gerou reação de críticos do governo, que passaram a apontar uma suposta interferência do Executivo sobre o Judiciário. Parlamentares da oposição alegam que o presidente trata o Supremo Tribunal Federal como um braço político do governo, citando encontros frequentes entre integrantes dos Poderes fora das agendas oficiais. O Planalto, porém, não confirmou o teor da frase nem comentou oficialmente o assunto.
Nos bastidores, aliados do presidente afirmam que o objetivo seria evitar que o episódio envolvendo o STF e o Banco Master ampliasse o desgaste político em um momento sensível do cenário pré-eleitoral. A avaliação é que qualquer crise institucional prolongada pode afetar a agenda do governo e gerar ruídos na articulação política.
PT avalia postura de André Mendonça, mas teme impacto eleitoral
Dirigentes do Partido dos Trabalhadores avaliam que o ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal após a saída de Dias Toffoli, tem adotado postura técnica e discreta no tribunal. Apesar disso, integrantes da sigla demonstram preocupação com o impacto político das investigações em ano eleitoral, especialmente pelo fato de Mendonça ter sido indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Brasília (DF) 07/06/2023 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça durante julgamento do marco temporal de terras indígenas. O caso põe em lados opostos ruralistas e povos originários, e está parado na Corte desde 2021. O tema tem relevância porque será com este processo que os ministros vão definir se a tese do marco temporal tem validade ou não. O que for decidido valerá para todos os casos de demarcação de terras indígenas que estejam sendo discutidos na Justiça. Foto: José Cruz/Agência Brasil
A informação é do colunista Paulo Cappeli, do Metrópoles. Nos bastidores, petistas afirmam temer que eventuais desdobramentos do inquérito possam atingir nomes relevantes do cenário político e que o novo relator adote uma linha mais cautelosa em relação a figuras ligadas à direita. A leitura dentro do partido é de que o caso pode envolver lideranças do Centrão, como Ciro Nogueira, além de outros dirigentes partidários com influência no Congresso.
A expectativa no PT é que o andamento das investigações avance nos próximos meses. O processo é considerado sensível dentro do ambiente político, já que envolve suspeitas de irregularidades financeiras e possíveis conexões com agentes públicos.
André Mendonça se reúne com PF para alinhar investigações
Na sexta-feira (13), André Mendonça e integrantes de seu gabinete se reuniram, de forma remota, com membros da Polícia Federal para discutir os próximos passos do inquérito. A reunião teve como objetivo alinhar procedimentos e atualizar o novo relator sobre o estágio atual das apurações, que seguem sob sigilo.
O encontro, que durou cerca de duas horas e meia, contou com integrantes do gabinete do ministro e da equipe policial responsável pelo inquérito. Segundo o Supremo, a conversa teve caráter técnico e buscou dar continuidade ao andamento do processo, agora sob nova condução.
Interlocutores do ministro afirmam que a postura adotada neste primeiro momento será de cautela. A orientação interna é atuar com “serenidade e responsabilidade”, evitando declarações públicas e decisões precipitadas. A expectativa é que, após analisar o material solicitado à PF, Mendonça avalie se o processo deve continuar no STF ou ser remetido à primeira instância, dependendo do alcance das investigações e da presença — ou não — de autoridades com foro privilegiado.
O caso Banco Master e a relação com a Lei Magnitsky
As investigações envolvendo o Banco Master ganharam contornos mais complexos após a revelação de que Daniel Vorcaro teria atuado para influenciar decisões do governo brasileiro relacionadas à Lei Magnitsky, que permite sanções a autoridades russas. Mensagens obtidas pela PF indicam que Vorcaro buscava acesso a integrantes do governo para tratar do tema.
As tratativas ocorreram em um contexto de aproximação do empresário com agentes públicos e magistrados. O caso segue em análise no Supremo, agora sob relatoria de André Mendonça, e novos desdobramentos devem surgir à medida que a Polícia Federal avança na análise do material apreendido.
Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE / Paulo Pinto/Agência Brasil / Bruno Peres/Agência Brasil
Em reunião de três horas, ministros decidem por unanimidade validar decisões de Toffoli, mas aceitam seu pedido para deixar o caso após relatório da Polícia Federal apontar menções em conversas de Daniel Vorcaro
O ministro Dias Toffoli não é mais o relator do inquérito que investiga as fraudes no Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Após uma reunião de aproximadamente três horas convocada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, Toffoli formalizou o pedido de saída do caso na noite desta quinta-feira (12). O ministro André Mendonça foi sorteado como o novo relator e comandará os próximos passos da investigação a partir de agora.
Brasília (DF), 07.08.2024 – Ministro do STF Dias Toffoli durante evento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) da 18ª edição da Jornada Lei Maria da Penha. Foto: José Cruz/Agência Brasil
A decisão ocorre um dia após a Polícia Federal entregar a Fachin um relatório com menções ao nome de Toffoli encontradas em mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O conteúdo do documento está sob segredo de Justiça.
Em nota oficial conjunta, os dez ministros do STF afirmaram que não há motivos para suspeição ou impedimento de Toffoli e reconheceram a “plena validade dos atos praticados” por ele até o momento na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos vinculados ao caso Master. O texto ressalta que a saída ocorreu “a pedido do Ministro Dias Toffoli”.
Reunião tensa no STF termina com saída negociada
A reunião que selou a mudança na relatoria foi marcada por momentos de tensão, segundo relatos de ministros ouvidos pela imprensa. Fachin iniciou o encontro lendo trechos do relatório da Polícia Federal. Em seguida, Toffoli fez uma defesa ponto a ponto, apresentou documentos e buscou rebater as informações que ampliaram a pressão sobre sua permanência no comando do processo.
Brasília (DF), 05/12/2024 – O ministro Dias Toffoli durante sessão do STF. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Inicialmente, o ministro sinalizou que não queria abrir mão do caso. No entanto, ao perceber resistência entre os colegas e a avaliação predominante de que as pressões internas e externas não cessariam, Toffoli aceitou a saída como a melhor solução institucional para conter o desgaste. O gesto foi interpretado como um “alívio geral” e permitiu a construção de um meio-termo, no qual os ministros redigiram conjuntamente a nota que oficializou a decisão, negando a suspeição mas acolhendo o pedido de afastamento .
Ao deixar a reunião, Toffoli afirmou aos jornalistas que o clima foi “excelente” e que a decisão foi “tudo unânime”
André Mendonça assume relatoria em sorteio eletrônico
Com a vaga aberta, a Presidência do STF promoveu a redistribuição do caso por meio de sorteio eletrônico ainda na noite de quinta-feira. O ministro André Mendonça foi o escolhido para ser o novo relator do inquérito que apura as supostas fraudes no Banco Master.
Brasília (DF) 07/06/2023 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça durante julgamento do marco temporal de terras indígenas. O caso põe em lados opostos ruralistas e povos originários, e está parado na Corte desde 2021.
O tema tem relevância porque será com este processo que os ministros vão definir se a tese do marco temporal tem validade ou não. O que for decidido valerá para todos os casos de demarcação de terras indígenas que estejam sendo discutidos na Justiça.
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Mendonça, que já é relator de outro inquérito no STF sobre descontos indevidos em benefícios do INSS, terá agora a responsabilidade de conduzir os próximos desdobramentos da investigação. Caberá a ele decidir, entre outros pontos, sobre a permanência do caso no STF e a revisão de decisões anteriores de Toffoli que foram alvo de críticas.
O relatório da PF: indícios de crimes e fundamentação jurídica
O documento enviado pela Polícia Federal ao presidente do STF teve um papel central na crise. De acordo com apurações da imprensa, o relatório apontou a possível existência de indícios de crimes nos fatos envolvendo o ministro e também citou a necessidade de análise sobre sua suspeição para permanecer como relator.
A PF fundamentou seu envio com base no artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura (Loman). O dispositivo determina que, “quando, no curso de investigação, houver indício da prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial […] remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o julgamento, a fim de que prossiga na investigação” . A corporação também se apoiou em artigo do regimento interno do STF que trata dos procedimentos para declarar suspeição de ministros.
O relatório não fez um pedido direto de suspeição, mas apontou a existência de elementos para que a medida fosse considerada. Fachin, ao receber o documento, tratou-o como um pedido de suspeição e abriu um processo interno (AS 244), dando vista a Toffoli para defesa e, posteriormente, à Procuradoria-Geral da República . A reunião dos ministros foi a etapa seguinte para deliberar sobre o tema.
Conexões com resort e mensagens apreendidas
O conteúdo do relatório da PF refere-se a mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante buscas da Operação Compliance Zero. As conversas, que estão sob sigilo, incluem diálogos entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, discutindo pagamentos para a empresa Maridt Participações, da qual Dias Toffoli é sócio.
A Maridt foi uma das proprietárias do resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR). Em setembro de 2021, a empresa vendeu sua participação no empreendimento para o fundo Arllen, que, segundo investigações, pertencia a Fabiano Zettel. O negócio teria gerado pagamentos à Maridt, e há menções a repasses que ocorreram até 2025, ano em que a transação foi concluída.
Em nota divulgada mais cedo na quinta-feira, Toffoli confirmou ser sócio da Maridt, classificou a empresa como familiar e administrada por parentes. O ministro afirmou que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel” e que “desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”.
Decisões de Toffoli no caso Master podem ser revistas
A atuação de Toffoli à frente do inquérito desde novembro de 2025 gerou uma série de controvérsias e questionamentos. Uma das decisões mais criticadas ocorreu em janeiro de 2026, quando ele determinou que todo o material apreendido pela Polícia Federal na segunda fase da operação fosse lacrado e armazenado no STF, sob o argumento de evitar riscos às provas.
Após vaivéns, o ministro autorizou que as provas ficassem sob a guarda da Procuradoria-Geral da República, mas investigadores manifestaram preocupação com o acesso e a possível contaminação ou nulidade do material . Toffoli também foi criticado por ter puxado a investigação para o STF, acatando pedido da defesa de um diretor do Master com base na citação de um deputado federal sem relação direta com o núcleo principal da apuração.
São Paulo (SP), 19/11/2025 – Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Outro episódio que gerou desgaste foi a viagem de Toffoli a Lima, no Peru, em um jatinho do empresário Luiz Pastore para assistir à final da Libertadores, em novembro de 2025. No voo, estava também Augusto Arruda Botelho, advogado de um dos diretores do Master. O ministro confirmou a viagem, mas afirmou a interlocutores que não discutiu o processo.
Agora, com André Mendonça na relatoria, ele terá o poder de revisar essas decisões. O novo relator pode, por exemplo, determinar a devolução das investigações à primeira instância, rever o sigilo imposto ao processo e decidir sobre o acesso da PF e da PGR às provas apreendidas.
Defesa de Vorcaro critica vazamentos
A defesa de Daniel Vorcaro também se manifestou sobre o caso. Em nota, os advogados do banqueiro expressaram “preocupação com o vazamento seletivo de informações, que acaba por gerar constrangimentos indevidos, favorecer ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa”.
O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. As investigações da Polícia Federal apuram um suposto esquema de fraudes que pode chegar a R$ 17 bilhões, envolvendo a concessão de créditos falsos e a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).
Fotos: José Cruz/Agência Brasil / Bruno Peres/Agência Brasil / Rovena Rosa/Agência Brasil
Documentos da PF listam mais itens apreendidos do que os citados pelo prefeito; Relatório registra recusa na entrega de senhas dos aparelhos
Enquanto agentes da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF) concluíam diligências de busca e apreensão da Operação Mederi, que teve como alvos prefeitos e agentes públicos de cinco municípios, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, divulgou um vídeo em seu perfil no Instagram relatando os itens apreendidos em sua residência.
Segundo o prefeito, teria sido recolhido apenas um telefone celular, além de um notebook e dois HDs pessoais. Documentos obtidos pelo Blog do Dina, no entanto, apontam divergências entre a versão apresentada publicamente e o que consta nos autos da Polícia Federal.
O que Allyson Bezerra afirmou em vídeo nas redes sociais
Na gravação publicada em seu perfil no Instagram, Allyson Bezerra informou que, durante a diligência realizada em sua residência em Mossoró, foram apreendidos um telefone celular, um notebook e dois HDs pessoais. No vídeo, o prefeito afirmou que não teria nada a esconder e que estaria à disposição das autoridades.
A manifestação foi publicada enquanto as equipes da PF e da CGU ainda realizavam diligências relacionadas à Operação Mederi.
Auto da PF aponta apreensão de mais dispositivos eletrônicos
De acordo com o auto de apreensão obtido pelo Blog do Dina, o material recolhido na residência do prefeito de Mossoró inclui oito itens, entre aparelhos eletrônicos e dispositivos de armazenamento, número superior ao relatado no vídeo divulgado pelo gestor municipal.
O documento aponta a apreensão de três aparelhos telefônicos, além de equipamentos de informática e mídias de armazenamento digital, parte deles encontrados no interior de uma mochila de uso pessoal.
Lista de itens apreendidos na residência do prefeito de Mossoró
Conforme o auto da Polícia Federal, os itens apreendidos foram:
Item 1: iPhone, cor grafite, acompanhado de chip da operadora TIM;
Item 2: iPhone Pro Max, cor azul, descrito no auto como “iPhone17ProMax”, identificado como provável erro de digitação;
Item 3: MacBook Air, marca Apple, com capa da marca “Sonix”;
Itens 4 e 5: Dois HDs externos, sendo um WD Elements e um Seagate;
Item 6: Pen drive na cor preta;
Item 7: Telefone celular da marca Positivo, modelo simples, encontrado no escritório da residência;
Item 8: Cartão de memória MicroSD Kingston, com capacidade de 16 GB.
Os equipamentos listados não aparecem integralmente na versão divulgada pelo prefeito nas redes sociais.
Prefeito afirmou interesse em colaborar com investigações
Em outro trecho do vídeo, Allyson Bezerra afirmou que teria interesse em colaborar com as investigações e que forneceria todas as informações solicitadas pelas autoridades responsáveis pela Operação Mederi.
A declaração foi feita no mesmo conteúdo publicado no Instagram, no qual o prefeito comentou sobre as apreensões realizadas em sua residência.
Auto registra recusa na entrega de senhas de aparelhos
Apesar da manifestação pública sobre colaboração, o auto de apreensão da Polícia Federal registra que foi solicitada ao prefeito a entrega das senhas dos dois iPhones e do MacBook, pedido que teria sido recusado por Allyson Bezerra no momento da diligência.
De acordo com o documento, as identificações seriais dos aparelhos foram suprimidas do relatório para evitar a exposição de dados que pudessem comprometer o andamento da investigação.
PF também cumpriu mandado em apartamento na zona Sul de Natal
A Polícia Federal cumpriu ainda mandado de busca e apreensão em um apartamento localizado na Rua da Lagosta, nº 466, Edifício Corais de Ponta Negra, Bloco D, apartamento 2803, na zona Sul de Natal. A diligência foi realizada pela Equipe 17 da PF.
Segundo o auto, os agentes chegaram ao local por volta das 6h da manhã. Como não houve resposta aos chamados, a equipe aguardou até as 8h, quando foi acionado um chaveiro para abertura da unidade, procedimento classificado como “arrombamento técnico”, autorizado judicialmente e acompanhado por duas testemunhas.
Apartamento apresentava indícios de uso pelo prefeito e família
No interior do imóvel, não havia moradores no momento da diligência. Ainda assim, os agentes relataram sinais de presença recente e localizaram objetos pessoais que, segundo o relatório, indicam o uso do apartamento por Allyson Bezerra e sua família.
Entre os itens registrados no relatório fotográfico estavam um caderno com o nome “Allyson” na capa, contendo anotações manuscritas de cunho religioso, incluindo a citação do Salmo 37:23-24, com assinatura atribuída a “Allyson e Família”.
Também foram identificadas roupas de criança e bebê dispostas sobre a cama, além de uma etiqueta de bagagem em couro com as iniciais “AB” e um cartão de visita preenchido com o nome Allyson Bezerra e endereço em Mossoró.
Diligência em Natal não registrou apreensão de materiais
Diferentemente da busca realizada na residência em Mossoró, o auto circunstanciado referente ao endereço em Natal não registra apreensão de materiais. A tabela de bens apreendidos aparece riscada no documento, o que, segundo o padrão utilizado, indica ausência de apreensões no local.
A diligência teve como principal resultado a confirmação do vínculo do investigado com o imóvel, a partir de objetos pessoais, registros manuscritos e indícios de uso recente pela família, conforme descrito no relatório da Polícia Federal.
Daniel Vorcaro se recusou a fornecer a senha do aparelho; PF apura suspeitas financeiras e possível pressão sobre autoridades
A Polícia Federal (PF) conseguiu acessar o conteúdo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, após utilizar uma ferramenta especializada para quebra de criptografia. O aparelho possuía uma camada adicional de segurança, o que dificultou o acesso inicial aos dados.
O material extraído está sendo compilado e deverá ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Banqueiro se recusou a fornecer senha do aparelho
Segundo relatos, Daniel Vorcaro se recusou a fornecer a senha do dispositivo, um modelo recente da linha iPhone, durante as diligências conduzidas pela Polícia Federal.
São Paulo (SP), 19/11/2025 – Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Diante da recusa, os investigadores recorreram a softwares adquiridos recentemente, capazes de acessar sistemas protegidos e recuperar dados, inclusive arquivos apagados.
Dados podem reforçar investigações em andamento
A expectativa da Polícia Federal é que as informações extraídas do aparelho reforcem as apurações já em curso envolvendo o banqueiro e o Banco Master.
O conteúdo será analisado antes de eventual compartilhamento com outros órgãos de controle e investigação.
STF decidirá sobre envio de dados à CPMI do INSS
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, deverá decidir sobre o compartilhamento dos dados com a CPMI do INSS, que investiga possíveis irregularidades envolvendo o banco.
São Paulo (SP), 19/11/2025 – Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Daniel Vorcaro está convocado para prestar depoimento à comissão no dia 19, após o período de carnaval. A defesa do banqueiro tenta restringir o alcance das perguntas durante a oitiva.
PF também apura possível pressão sobre autoridades
Além das suspeitas financeiras, a Polícia Federal investiga se houve pressão sobre autoridades para evitar a liquidação da instituição bancária.
O avanço tecnológico utilizado nas perícias digitais amplia o volume de informações disponíveis para análise no caso.
Prefeito de Mossoró anuncia intenção eleitoral enquanto caso judicial ganha repercussão nacional
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), confirmou neste sábado (7) que será pré-candidato ao governo do Rio Grande do Norte. O anúncio foi feito durante o evento político “RN do Futuro”, realizado em Mossoró, que reuniu lideranças políticas e aliados.
A confirmação marca o início oficial da participação de Bezerra na disputa eleitoral estadual de 2026. Durante o encontro, o prefeito afirmou que pretende ampliar sua base política em todo o estado e apresentar propostas voltadas ao desenvolvimento econômico, à infraestrutura e ao fortalecimento da gestão pública.
Evento “RN do Futuro” reúne aliados e lideranças em Mossoró
O evento serviu como espaço de articulação política e consolidação do nome de Allyson Bezerra como pré-candidato. Lideranças regionais e apoiadores participaram da programação, que teve foco na discussão de projetos e diretrizes para o Rio Grande do Norte.
Bezerra governa Mossoró, a segunda maior cidade do estado, e tem ampliado sua presença no debate político estadual. A pré-candidatura é vinculada ao União Brasil, partido que busca ampliar sua atuação no cenário potiguar.
Trajetória política e consolidação no cenário estadual
Allyson Bezerra iniciou sua trajetória na política municipal e construiu sua base eleitoral em Mossoró e região. O desempenho em eleições anteriores e a atuação à frente da prefeitura contribuíram para o aumento de sua visibilidade no estado.
Com o anúncio da pré-candidatura, o prefeito passa a integrar formalmente o cenário da disputa pelo governo do RN em 2026, abrindo espaço para articulações políticas e diálogos com outras lideranças partidárias.
Defesa de Allyson Bezerra acionou TRF5 após publicações em blogs
Paralelamente ao anúncio político, a defesa do prefeito de Mossoró protocolou um pedido em caráter emergencial junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) após a divulgação, em blogs, de informações sobre a possibilidade de imposição de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
O pedido foi direcionado ao desembargador Rogério Fialho Moreira, conforme informações divulgadas em veículos de comunicação locais.
Pedido solicitava certidão e manifestação prévia da defesa
No requerimento, a defesa alegou ter sido surpreendida pelas publicações e solicitou que o Tribunal expedisse uma certidão informando se existia pedido da Polícia Federal relacionado ao monitoramento eletrônico do prefeito.
Além disso, a defesa solicitou que fosse ouvida antes de qualquer eventual decisão relacionada à adoção de medidas cautelares.
Desembargador nega pedido e cita limites legais do Tribunal
Em decisão datada de 30 de janeiro de 2026, o desembargador Rogério Fialho Moreira indeferiu o pedido. No despacho, o magistrado afirmou que o Tribunal não tem a função de verificar a veracidade de informações publicadas em blogs.
O desembargador também registrou que o Código de Processo Penal não assegura ao investigado o direito de ser informado previamente sobre a eventual decretação de medidas cautelares.
Contexto político ocorre às vésperas da disputa eleitoral de 2026
Os episódios ocorrem no momento em que Allyson Bezerra inicia oficialmente sua movimentação política com vistas às eleições estaduais. A confirmação da pré-candidatura e a decisão judicial foram registradas em um intervalo próximo de tempo e passaram a integrar o noticiário político do Rio Grande do Norte.
Foto: Wilson Moreno (Secom/PMM) / Allan Phablo (SECOM/PMM)
Investigação da Polícia Federal identifica núcleo de lavagem de dinheiro ligado a fraudes com falsos investimentos em energia solar e atinge grupo com atuação em três estados
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (5), a Operação Pleonexia II, com o objetivo de desarticular um grupo especializado na ocultação e dissimulação de bens e valores provenientes de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A ação é um desdobramento direto da primeira fase da operação, deflagrada em fevereiro de 2025, que resultou na identificação de novos integrantes da organização criminosa.
As medidas foram autorizadas pela 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte e cumpridas nas cidades de Natal (RN), São Paulo (SP) e São Leopoldo (RS).
Mandados, prisões e bloqueio de R$ 244 milhões marcam nova fase da investigação
Nesta segunda fase, a Polícia Federal cumpriu 4 mandados de prisão preventiva, 17 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de bens e valores que somam até R$ 244 milhões. A medida judicial tem como finalidade assegurar o ressarcimento das vítimas do esquema investigado.
Durante a operação, foram apreendidos cerca de 50 veículos, além de dinheiro em espécie, celulares, dispositivos eletrônicos, documentos e anotações, que serão submetidos à perícia técnica e análise detalhada.
Advogado e empresário são presos durante a Operação Pleonexia II
Entre os alvos da operação estão um advogado, preso em Natal, e um empresário, preso em São Paulo. Ambos são apontados como integrantes do núcleo responsável pela lavagem de dinheiro da organização criminosa.
Mandados também foram cumpridos em São Leopoldo (RS), onde a Polícia Federal identificou ramificações do esquema investigado.
Fraudes envolviam falsos investimentos em energia solar
De acordo com a investigação, o grupo operava por meio de uma empresa sediada em Natal, que oferecia investimentos na área de energia solar, com promessa de retorno fixo de 5% ao mês. A proposta apresentada aos investidores previa a aquisição de cotas de painéis solares que seriam administrados pela empresa.
As apurações, no entanto, apontaram que a empresa não atuava efetivamente no setor de energia solar e não possuía autorização dos órgãos reguladores para operar nesse mercado.
Esquema movimentou mais de R$ 160 milhões e atingiu milhares de vítimas
Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 160 milhões em contas bancárias ao longo do período investigado. A estimativa é de que cerca de 6.300 pessoas tenham sido lesadas em todo o país.
Na primeira fase da operação, realizada em fevereiro de 2025, já haviam sido apreendidos diversos bens e bloqueados pouco mais de R$ 80 milhões.
Como funcionava a ocultação e a dissimulação dos bens
A análise do material apreendido na primeira fase permitiu à Polícia Federal identificar que a lavagem de dinheiro ocorria principalmente no estado de São Paulo, por meio de uma revenda de veículos de luxo.
Segundo o delegado Joaquim Ciríaco, responsável pela investigação, essa revenda recebia recursos por intermédio de um operador financeiro e realizava movimentações com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos valores e blindar o patrimônio do líder da organização criminosa, que está preso desde o início do ano passado.
Natal foi usada como base estratégica do esquema financeiro
Ainda de acordo com a Polícia Federal, embora os líderes da organização não sejam naturais de Natal, a capital potiguar foi escolhida como base operacional do esquema. A principal empresa utilizada na fraude foi constituída na cidade e registrada em nomes de laranjas.
A investigação aponta que o grupo utilizava o argumento da alta incidência solar no Rio Grande do Norte para atrair investidores, enquanto a captação de recursos alcançava vítimas em diversas regiões do país.
PF apura atuação jurídica e blindagem patrimonial do grupo
Há indícios de que o advogado preso na operação atuava na orientação jurídica e na blindagem patrimonial do líder da organização criminosa. As diligências seguem em andamento, assim como a análise do material apreendido, com o objetivo de identificar outros beneficiários do esquema e aprofundar as investigações.
Advogados afirmam que ex-presidente apresentou vômitos e crises de soluço enquanto aguarda perícia médica no processo
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que houve piora no estado de saúde do réu nos últimos dias. A manifestação foi apresentada em petição no processo de execução penal em que Bolsonaro é parte.
Segundo os advogados, Bolsonaro passou a apresentar episódios eméticos, caracterizados por vômitos, além de crises de soluço acentuadas. Diante do quadro relatado, a defesa cobra a entrega do laudo da perícia médica realizada pela Polícia Federal para avaliar a necessidade de concessão de prisão domiciliar.
Bolsonaro está detido no 19º Batalhão da PM do DF
Jair Bolsonaro está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, desde o dia 15 de janeiro. No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, determinou a realização de uma nova avaliação médica por uma junta da Polícia Federal.
Brasília (DF) 14/09/2025 O ex-presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de seu filho, Jair Renan, deixa hospital sob forte esquema de segurança, após passar pro procedimentos. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A decisão fixou o prazo de 10 dias para que o laudo pericial fosse apresentado nos autos do processo. Antes da transferência para o batalhão da PM, Bolsonaro estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Perícia médica foi realizada por três profissionais da PF
De acordo com a defesa, a perícia foi realizada no dia 20 de janeiro por uma equipe da Diretoria Técnico-Científica da Polícia Federal. A junta médica foi composta por três médicos, que visitaram Bolsonaro no local de detenção para avaliação clínica.
A análise teve como objetivo subsidiar a decisão judicial sobre a eventual necessidade de substituição da prisão por regime domiciliar, conforme determinado pelo relator do processo.
Defesa aponta atraso na juntada do laudo aos autos
Na petição encaminhada ao STF, os advogados afirmam que, mesmo após o transcurso de mais de 10 dias desde a realização da perícia, o laudo médico ainda não foi anexado ao processo.
Brasília (DF) 14/09/2025 O ex-presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de seu filho, Jair Renan, deixa hospital sob forte esquema de segurança, após passar pro procedimentos. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
“Ocorre que, transcorridos mais de 10 dias da realização da perícia, verifica-se que, até o presente momento, não foi juntado aos autos o laudo elaborado pela referida junta médica”, afirma a defesa no documento.
Diante disso, os advogados solicitam que o ministro Alexandre de Moraes determine a intimação da Superintendência da Polícia Federal para que o laudo seja apresentado “com a máxima urgência”.
Suplente de deputado é suspenso pelo PT após acusação de importunação sexual em aeroporto
O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu suspender a filiação do suplente de deputado estadual Pedro Lobo após ele ser acusado de importunação sexual no aeroporto de Juazeiro do Norte, no Ceará. A decisão foi tomada em reunião emergencial da legenda e tem caráter provisório enquanto o caso segue sob apuração pelas autoridades competentes.
A informação foi divulgada pela colunista Milena Teixeira, do portal Metrópoles. O suplente foi detido na segunda-feira (2) após uma mulher denunciar o suposto crime ainda dentro do terminal aeroportuário. Segundo o registro da ocorrência, o episódio teria ocorrido durante o desembarque de um voo.
Denúncia foi registrada pela Polícia Federal
De acordo com as informações repassadas, a vítima, de 33 anos, acionou agentes de segurança no próprio aeroporto e formalizou a denúncia. A ocorrência foi registrada pela Polícia Federal, que é responsável pela atuação policial em áreas aeroportuárias.
Após o acionamento da polícia, o suplente e a denunciante foram conduzidos à sede da Polícia Federal para prestar depoimento. O caso foi formalizado e permanece em investigação.
Partido abre sindicância ética interna
Em nota oficial, o PT do Ceará informou que a suspensão da filiação de Pedro Lobo é uma medida cautelar. Segundo a legenda, também foi instaurada uma sindicância ética interna para apurar os fatos relatados na denúncia.
O partido destacou que a abertura do procedimento interno não representa julgamento antecipado, mas tem o objetivo de apurar a ocorrência de acordo com as normas partidárias, garantindo o direito à apuração e à transparência do processo.
Caso segue sob investigação
A Polícia Federal segue responsável pela investigação do caso. Novas diligências devem ser realizadas para esclarecer os fatos e definir os desdobramentos tanto na esfera policial quanto no âmbito interno do partido.
Até o momento, não há divulgação de conclusão da apuração nem decisão definitiva sobre o caso.
Og Fernandes determina retomada de investigação sobre respiradores do Consórcio Nordeste
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Og Fernandes determinou o envio à Polícia Federal do inquérito que investiga possíveis desvios na compra de respiradores pelo Consórcio Nordeste. A apuração envolve o ex-governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa.
A Polícia Federal terá prazo de 90 dias para retomar as diligências e informar ao tribunal o andamento das investigações. A decisão acolhe manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou indícios de crimes e solicitou a continuidade da apuração.
Caso retorna ao STJ após decisão do STF
O processo estava sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) em razão do foro do atual ministro da Casa Civil. No entanto, o relator, ministro Flávio Dino, entendeu que os fatos investigados se referem ao período em que Rui Costa exercia o cargo de governador da Bahia.
Com isso, o inquérito foi devolvido ao STJ, instância responsável pela análise de casos envolvendo ex-governadores. Após o retorno, Og Fernandes solicitou parecer da PGR sobre a continuidade das investigações.
PGR defendeu retomada das diligências
No parecer encaminhado ao STJ, o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, manifestou-se favoravelmente ao envio do inquérito à Polícia Federal para retomada das diligências investigativas.
O entendimento foi acolhido pelo ministro Og Fernandes, que determinou formalmente a remessa dos autos à PF para continuidade da apuração.
Investigação apura prejuízo milionário na pandemia
O inquérito apura um possível prejuízo de R$ 48 milhões na compra de respiradores realizada em 2020, no início da pandemia de Covid-19. À época, Rui Costa presidia o Consórcio Nordeste.
Segundo as informações constantes na investigação, foi firmado contrato com pagamento antecipado integral a uma empresa que não possuía capacidade técnica para fornecer os equipamentos. Os respiradores contratados não foram entregues.
A Procuradoria-Geral da República apontou que o contrato foi firmado sem garantias ao poder público e que o inquérito analisa a possível participação de agentes públicos no caso.
Manifestação de Rui Costa
Procurado, Rui Costa afirmou, por meio de sua assessoria, que deseja que “os criminosos respondam por seus crimes” e reiterou que não há fatos que o vinculem a irregularidades investigadas no inquérito.
Foto: Divulgação/Carmem Felix/Governo do RN/Ilustração / Wagner Lopes | CC / Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Pedido da CEI investiga aplicação de recursos na saúde entre 2022 e 2025 e cita Operação Mederi da Polícia Federal
Vereadores de oposição na Câmara Municipal de Mossoró devem protocolar entre esta segunda-feira (2) e terça-feira (3) o pedido de instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a destinação de recursos públicos utilizados na compra de medicamentos pela Prefeitura de Mossoró entre os anos de 2022 e 2025, durante a gestão do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil).
Até o momento, o requerimento conta com cinco assinaturas, sendo elas das vereadoras Plúvia Oliveira e Marleide Cunha (PT), além dos vereadores Jailson Nogueira e Cabo Deyvison (MDB) e Wiginkis do Gás (União Brasil). Para que a comissão seja instalada, são necessárias sete assinaturas, conforme prevê o regimento interno da Casa Legislativa.
O vereador Cabo Deyvison, líder da oposição, informou que o vereador Mazinho do Gás (PL) já declarou que irá assinar o pedido, mas ainda não o fez em razão de questões de saúde. Segundo Deyvison, a expectativa é alcançar o número mínimo de assinaturas, inclusive com apoio de parlamentares da base governista.
Pedido de CEI tem como base Operação Mederi
A peça inicial para abertura da comissão foi elaborada pela vereadora Plúvia Oliveira. O documento fundamenta o pedido nos fatos investigados pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) no âmbito da Operação Mederi, deflagrada em 27 de janeiro de 2026.
A operação investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios relacionados ao fornecimento de medicamentos e insumos para a rede pública de saúde, envolvendo empresas sediadas no Rio Grande do Norte.
A oposição solicita que a comissão funcione pelo prazo regimental de 90 dias, conforme o Art. 121, §3º do Regimento Interno da Câmara, sugerindo que o colegiado seja oficialmente denominado “CEI da Matemática de Mossoró”, para facilitar sua identificação pública e institucional.
Contratos e valores sob análise
Segundo o requerimento, as investigações federais apontam indícios de irregularidades em contratos públicos, com registros de falhas na execução, não entrega de materiais, fornecimento inadequado e possível sobrepreço.
O documento cita que a empresa Dismed – Distribuidora de Medicamentos Ltda, apontada como um dos focos da investigação, teria recebido aproximadamente R$ 14,8 milhões da Prefeitura de Mossoró entre 2022 e 2025, com crescimento progressivo dos pagamentos ao longo dos anos.
Em 2022, os repasses teriam sido de R$ 1,26 milhão, passando para R$ 2,89 milhões em 2023, um aumento de 129%. Em 2024, os pagamentos teriam alcançado R$ 4,71 milhões, e em 2025, R$ 6 milhões, conforme descrito no requerimento da CEI.
De acordo com o texto, a magnitude dos valores recomenda a análise detalhada de processos administrativos, notas fiscais, atestos de recebimento, liquidações e pagamentos relacionados às aquisições realizadas no período investigado.
“Matemática de Mossoró” aparece em investigação federal
O requerimento menciona ainda que um dos principais elementos considerados para a instauração da CEI é a identificação de uma metodologia citada nas investigações como “Matemática de Mossoró”, termo captado em interceptações ambientais autorizadas judicialmente.
Segundo o documento, a expressão se refere a uma fórmula utilizada para a distribuição de valores oriundos de contratos da saúde. Em uma das transcrições constantes em decisão judicial, empresários investigados mencionam um contrato com ordem de compra de R$ 400 mil, dos quais apenas R$ 200 mil em produtos seriam efetivamente entregues, conforme consta nos autos.
Operação Mederi cumpriu mandados no RN
Na terça-feira (27), a Polícia Federal cumpriu 35 mandados judiciais no Rio Grande do Norte durante a Operação Mederi. Foram apreendidos 33 aparelhos celulares, 34 dispositivos eletrônicos, quatro veículos, além de 117 documentos. Também foram recolhidos R$ 251 mil em espécie em sete endereços.
Segundo a PF e a CGU, pelo menos cinco municípios estão sob investigação, sendo Mossoró a cidade com maior volume financeiro apurado, totalizando R$ 9,58 milhões, o equivalente a 71,8% dos valores pagos às empresas investigadas.
Divergências partidárias e abaixo-assinado
O vereador Cabo Deyvison afirmou que avalia deixar o MDB em razão do apoio do presidente estadual do partido, Walter Alves, à pré-candidatura do prefeito Allyson Bezerra ao Governo do Estado. Segundo o parlamentar, não houve diálogo interno sobre a decisão partidária.
Paralelamente, a bancada de oposição lançou um abaixo-assinado online intitulado “CEI da Matemática de Mossoró”, com o objetivo de reunir 10 mil assinaturas em apoio à abertura da comissão na Câmara Municipal.
De acordo com o site, a iniciativa busca pressionar os vereadores a aderirem ao pedido de investigação, conforme previsto no regimento interno da Câmara.
Fotos: Cláudio Júnior/Câmara de Mossoró/Reprodução / Wilson Moreno (Secom/PMM) / Allan Phablo (SECOM/PMM)
PF aponta prejuízo de R$ 13,3 milhões na saúde do RN; TRF-5 autoriza bloqueios e impõe medidas cautelares
A Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), identificou um prejuízo mínimo estimado em R$ 13.339.021,31 em contratos de fornecimento de medicamentos firmados por cinco prefeituras do Rio Grande do Norte entre os anos de 2024 e 2025. O valor embasou decisão judicial que determinou o bloqueio e o sequestro de bens de pessoas físicas e jurídicas investigadas, com o objetivo de assegurar eventual ressarcimento ao erário.
Segundo a decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), o montante representa o dano mínimo já identificado até esta fase da investigação, podendo ser ampliado caso novas irregularidades sejam comprovadas no decorrer do inquérito. As medidas possuem caráter cautelar e não configuram antecipação de culpa.
Mossoró concentra maior volume financeiro sob apuração
Entre os municípios investigados, Mossoró concentrou a maior parcela dos recursos públicos sob análise, com R$ 9,58 milhões, o equivalente a 71,8% do total apurado. Os pagamentos foram destinados às empresas Dismed Distribuidora de Medicamentos Ltda. e Drogaria Mais Saúde.
Outros municípios também mantiveram contratos com as mesmas empresas no período investigado. Em Serra do Mel, os repasses somaram R$ 1,68 milhão. O município de Paraú efetuou pagamentos no valor de R$ 577,76 mil. Em São Miguel, os contratos com a Dismed alcançaram R$ 420,28 mil. Já em José da Penha, os pagamentos chegaram a R$ 1,07 milhão.
Indícios apontados pela PF e CGU
De acordo com o desembargador federal Rogério Fialho Moreira, os elementos reunidos pela Polícia Federal e pela CGU indicam possíveis entregas parciais de medicamentos, superfaturamento e pagamento integral de notas fiscais, mesmo sem a comprovação da execução completa dos contratos.
A soma dos contratos investigados resultou no valor considerado suficiente, neste momento, para garantir a reparação de eventuais danos aos cofres públicos.
Bloqueio de bens e uso de sistemas judiciais
Para evitar a dilapidação patrimonial, a Justiça autorizou o bloqueio de contas bancárias, imóveis, veículos, aplicações financeiras e criptoativos, utilizando sistemas como Sisbajud, Renajud, Criptojud e o Cadastro Nacional de Indisponibilidade de Bens.
Além disso, foi determinada a utilização de tornozeleira eletrônica por sete investigados, entre eles o prefeito de Paraú, João Evaristo Peixoto. Segundo a decisão, a medida visa fiscalizar o cumprimento das restrições impostas, sem afastamento dos cargos eletivos neste momento.
Valores bloqueados por empresa e município
Dismed Distribuidora de Medicamentos Ltda.
2025
Mossoró: R$ 2.920.640,16 Paraú: R$ 123.551,72 São Miguel: R$ 28.751,95 José da Penha: R$ 343.891,59
2024
Serra do Mel: R$ 235.634,74 Mossoró: R$ 5.864.704,79 Paraú: R$ 223.315,68 São Miguel: R$ 391.532,81 José da Penha: R$ 730.695,75 Subtotal Dismed: R$ 10.862.719,19
Em nota assinada pelo advogado Rodrigo de Oliveira Carvalho, a defesa da Dismed e de seu proprietário, Oséas Monthalggan Fernandes Costa, afirmou que não houve apreensão de valores milionários, informando que o montante encontrado foi de aproximadamente R$ 52 mil, com origem declarada como atividade comercial lícita.
A defesa declarou que a empresa atua há 18 anos no comércio atacadista de medicamentos, sem histórico de irregularidades, e afirmou aguardar acesso integral aos autos para análise técnica de diálogos e documentos citados na investigação.
Prefeito de Mossoró nega envolvimento
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, declarou em entrevista que nunca recebeu ou solicitou qualquer vantagem ilícita, afirmando não manter diálogos envolvendo contratos ou benefícios pessoais. Na residência do gestor, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, conforme confirmado pela investigação.
A prefeitura e a defesa do prefeito afirmaram que não houve imposição de medidas cautelares pessoais contra o gestor.
Investigação aponta movimentações em José da Penha e Paraú
Em José da Penha, a decisão judicial menciona a atuação de Ana Jarvis de Souza Mafaldo Gomes, chefe de gabinete e irmã do prefeito, como responsável por assumir contatos diretos com a empresa fornecedora, conforme áudios e documentos analisados pela PF.
Em Paraú, registros audiovisuais apontam encontro entre o prefeito João Evaristo Peixoto e o empresário Oséas Monthalggan, no qual teriam sido discutidos valores de notas fiscais, descontos e percentuais, segundo a investigação.
Câmara de Mossoró protocola pedido de CEI
A bancada de oposição da Câmara Municipal de Mossoró protocolou pedido de abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar contratos de medicamentos na saúde. A iniciativa é liderada pela vereadora Plúvia Oliveira (PT).
Partidos divulgam nota de apoio ao prefeito de Mossoró
Os partidos União Brasil, Progressistas (PP), PSD e MDB divulgaram nota conjunta manifestando apoio ao prefeito Allyson Bezerra, defendendo o respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à presunção de inocência.
Operação Mederi investiga desvios de recursos públicos e fraudes em licitações da saúde em municípios do RN
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), a Operação Mederi, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em municípios do Rio Grande do Norte, incluindo Mossoró. A ação é realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e investiga suspeitas de desvios de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios relacionados à área da saúde.
Entre os alvos da operação está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil). A PF esteve na residência do gestor municipal, onde foram apreendidos um aparelho celular, um notebook e dois HDs de uso pessoal. Após a ação, o prefeito se manifestou por meio de redes sociais.
Segundo Allyson Bezerra, os equipamentos foram recolhidos durante o cumprimento do mandado judicial. O prefeito afirmou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e fornecer documentos que venham a ser solicitados no decorrer das investigações.
Investigação teve início em 2023
De acordo com o próprio prefeito, a investigação não envolve fatos recentes. Segundo ele, o procedimento foi instaurado em 2023 e trata de questões relacionadas ao fornecimento de medicamentos na rede municipal de saúde.
Ainda conforme a manifestação do gestor, no mesmo ano foi editado um decreto municipal determinando que todos os medicamentos distribuídos pela Prefeitura de Mossoró passassem obrigatoriamente por um sistema federal de controle e transparência, utilizado para o registro e o rastreamento da entrega de insumos à população.
O prefeito também declarou que encara a situação com tranquilidade e que confia na atuação da Justiça.
Dinheiro em espécie apreendido em residência de investigado
Durante a Operação Mederi, a Polícia Federal apreendeu uma grande quantidade de dinheiro em espécie na residência de um dos sócios de uma empresa investigada. Os valores estavam armazenados dentro de caixas de isopor e cooler.
A PF não informou oficialmente o montante apreendido até a última atualização. No entanto, informações recebidas indicam que o valor pode chegar a aproximadamente R$ 1 milhão.
Além do dinheiro, também foram apreendidos medicamentos durante o cumprimento dos mandados judiciais.
Auditorias da CGU apontaram falhas contratuais
A operação tem como base auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU), que identificaram falhas na execução de contratos firmados com o poder público. Entre os indícios apontados estão a compra de materiais que não teriam sido entregues, fornecimento inadequado de insumos e possível sobrepreço de produtos adquiridos para a área da saúde.
Os investigados poderão responder por crimes relacionados a desvios de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas, conforme o avanço das apurações.
Justiça impõe medidas cautelares
Por determinação judicial, foram aplicadas medidas cautelares contra empresários, sócios e funcionários das empresas investigadas. Entre as medidas impostas estão o pagamento de fiança e o uso de tornozeleira eletrônica.
Uma das empresas citadas durante as diligências é a Dismed – Distribuidora de Medicamentos Ltda., que possui sócios entre os alvos da operação.
Outros agentes públicos atingidos pela operação
Além do prefeito de Mossoró, a Operação Mederi também cumpriu mandados de busca contra outras autoridades e agentes públicos do Rio Grande do Norte.
Entre os alvos estão o vice-prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros, que à época ocupava o cargo de secretário-adjunto de Saúde. Também foram atingidos o prefeito de São Miguel, Leandro do Rego Lima (União Brasil); o prefeito de Paraú, Júnior Evaristo; e a chefe de gabinete do município de José da Penha, que é irmã do prefeito da cidade.
A residência do irmão do prefeito de São Miguel também foi alvo das diligências realizadas pela Polícia Federal.
Manifestação do prefeito de Mossoró
Após a operação, Allyson Bezerra publicou um vídeo em suas redes sociais no qual comentou a ação da Polícia Federal. Na gravação, ele afirmou que teve bens apreendidos, declarou confiança na Justiça e disse que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
A Polícia Federal segue com a análise do material apreendido e com a oitiva de investigados no âmbito da Operação Mederi.
Fotos: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração / Wilson Moreno (Secom/PMM) / Divulgação/PF
Operação da PF em Mossoró cumpre 35 mandados e defesa do prefeito se manifesta
A defesa do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), informou, por meio de nota divulgada nesta terça-feira (27), que o gestor foi alvo de mandado judicial de busca e apreensão, mas não possui envolvimento pessoal nas investigações que motivaram a deflagração de uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU).
A operação tem como foco a apuração de suspeitas de desvio de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios relacionados à área da saúde, envolvendo contratos de fornecimento de insumos para a rede pública.
Defesa afirma que prefeito não é investigado pessoalmente
Segundo a nota divulgada pela defesa, os fatos apurados pelas autoridades federais envolvem diferentes entes municipais e não se confundem com a atuação pessoal do chefe do Executivo mossoroense. O posicionamento destaca que, até o momento, não há elementos que vinculem diretamente o prefeito às supostas irregularidades investigadas.
“Pelo que já se teve acesso, não há qualquer fato que vincule pessoalmente o prefeito Allyson Bezerra, tendo a medida sido deferida com base em diálogos envolvendo terceiras pessoas”, afirma o texto.
A defesa também ressalta que o cumprimento do mandado ocorreu por decisão judicial em fase investigativa, sem juízo de culpa, e que o prefeito não foi afastado do cargo nem sofreu qualquer medida restritiva de caráter pessoal.
Colaboração durante a diligência e continuidade da gestão
De acordo com a defesa, o prefeito colaborou desde o início com o cumprimento da diligência, autorizando o acesso às informações solicitadas pelas autoridades. A nota sustenta que a apuração técnica e imparcial deverá esclarecer os fatos relacionados à investigação.
Ainda conforme o posicionamento, Allyson Bezerra segue exercendo normalmente suas funções à frente da Prefeitura de Mossoró, mantendo o foco na gestão pública e na transparência administrativa.
Decreto municipal sobre controle de medicamentos é citado na nota
A defesa também menciona que, em dezembro de 2023, o prefeito editou o Decreto nº 6.994/2023, que tornou obrigatória a utilização do Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica – Hórus como sistema oficial de controle de estoque e dispensação de medicamentos no âmbito da Prefeitura de Mossoró.
O decreto atribui à Controladoria Geral do Município a responsabilidade pela fiscalização e acompanhamento da correta utilização do sistema no município.
Operação da PF e CGU cumpre mandados em oito cidades do RN
A operação deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União cumpriu 35 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte, além da adoção de medidas cautelares e patrimoniais. As diligências ocorreram nos municípios de Mossoró, Natal, Parau, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha.
Segundo informações oficiais da PF, a Prefeitura do Natal não faz parte da investigação. Até o momento, não há confirmações formais sobre o envolvimento das demais administrações municipais onde os mandados foram cumpridos.
Investigação apura contratos da saúde e atuação de empresas
As investigações apontam indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde. As apurações envolvem empresas sediadas no Rio Grande do Norte que mantinham contratos com administrações municipais de diferentes estados do país.
Auditorias realizadas no curso da investigação identificaram falhas na execução contratual, incluindo indícios de não entrega de materiais, fornecimento inadequado e prática de sobrepreço nos contratos analisados.
Possíveis crimes investigados pela Polícia Federal
De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder por crimes relacionados ao desvio de recursos públicos e por fraudes em contratações administrativas. Até a última atualização, a PF e a CGU não divulgaram detalhes sobre os valores envolvidos nem informaram a quantidade de investigados.
As investigações seguem em andamento sob sigilo judicial, e novas informações poderão ser divulgadas pelas autoridades conforme o avanço das apurações.
Caso Banco Master envolve reunião no Planalto e análise sobre competência no STF
O caso envolvendo o Banco Master passou a incluir a revelação de uma reunião realizada no Palácio do Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. O encontro ocorreu em dezembro de 2024, no gabinete presidencial, teve duração aproximada de uma hora e meia e não constou na agenda oficial da Presidência da República.
A reunião foi intermediada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que, à época, atuava como consultor do Banco Master. O vínculo contratual previa prestação de serviços de consultoria ao banco entre julho e novembro de 2025, período em que foram pagos honorários milionários.
Contexto da reunião e interesses do banco
No momento do encontro no Planalto, o Banco Master enfrentava questionamentos relacionados à tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). A operação dependia de aval do Banco Central e era acompanhada por órgãos de fiscalização.
São Paulo (SP), 19/11/2025 – Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A consultoria de Guido Mantega ocorreu em um contexto no qual o ex-ministro buscava interlocução com o governo federal e com autoridades ligadas ao sistema financeiro, incluindo integrantes da equipe econômica.
Participantes do encontro no Planalto
Além do presidente da República e de Daniel Vorcaro, participaram da reunião ministros de Estado e autoridades indicadas para cargos estratégicos, além de executivos ligados ao Banco Master. O encontro reuniu integrantes do núcleo político e econômico do governo federal.
Durante o período, o governo federal mantinha embates públicos com o comando do Banco Central em torno da política monetária e da atuação dos bancos privados no país.
Atuação do Banco Central e liquidação do Master
Posteriormente, sob nova gestão no Banco Central, técnicos da autarquia se posicionaram contra a operação de venda do Banco Master ao BRB. O desfecho foi a decretação da liquidação da instituição financeira, com base na identificação de fraude bilionária no sistema financeiro.
Após a liquidação do banco, Guido Mantega deixou a função de consultor.
Investigação chega ao Supremo Tribunal Federal
As investigações sobre o Banco Master chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) em razão da menção ao nome de um parlamentar com prerrogativa de foro. O processo foi distribuído ao ministro Dias Toffoli, que decidiu concentrar a apuração na Corte.
São Paulo (SP), 19/11/2025 – Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A Polícia Federal e o Ministério Público identificaram indícios de crimes financeiros, incluindo gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento de investidores em erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de capitais.
Possibilidade de envio do caso à primeira instância
O ministro Dias Toffoli avalia a possibilidade de remeter o caso à primeira instância, caso não se confirme a participação de autoridade com foro privilegiado. A análise ocorre durante a fase de instrução do inquérito, que inclui a oitiva de investigados.
Até a definição sobre a competência, os demais andamentos em outras instâncias permanecem suspensos por determinação do STF.
Contratos de consultoria jurídica com escritório ligado a ex-ministro
O caso também envolve contratos de consultoria jurídica firmados entre o Banco Master e o escritório de advocacia da família do ex-ministro Ricardo Lewandowski. O contrato foi mantido por quase dois anos após a nomeação de Lewandowski para o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Durante esse período, os pagamentos ao escritório continuaram, mesmo após a formalização da saída do ex-ministro da sociedade, que passou a ser representada por seus herdeiros.
As apurações seguem em andamento no âmbito do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos de investigação.
Defesa de Bolsonaro apresenta quesitos para perícia médica determinada por Moraes
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou nesta sexta-feira (16) uma lista de questionamentos técnicos que deverão orientar a perícia médica judicial determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O objetivo da perícia é avaliar o estado de saúde do ex-presidente e verificar a necessidade de eventual transferência para um hospital penitenciário.
No documento encaminhado ao Supremo, os advogados afirmam reiteradamente que Bolsonaro corre risco de morte súbita em razão de diferentes condições clínicas e da inadequação do ambiente prisional para o acompanhamento médico necessário. A defesa solicita que seja avaliado se a ausência de cuidados contínuos pode resultar em eventos fatais repentinos.
Segundo os advogados, o risco de morte não deve ser tratado como uma possibilidade remota, mas como um risco concreto e previsível, caso Bolsonaro não tenha acesso a uma estrutura de saúde considerada complexa e contínua.
Brasília (DF) 14/09/2025 O ex-presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de seu filho, Jair Renan, deixa hospital sob forte esquema de segurança, após passar pro procedimentos. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Entre os pontos levantados, a defesa questiona a associação entre doenças cardiovasculares e respiratórias e se essa combinação aumenta o risco de arritmias potencialmente fatais, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.
O documento também menciona que Bolsonaro apresenta quadro de apneia obstrutiva do sono classificada como severa, com cerca de 50 eventos por hora. A defesa questiona se a interrupção, irregularidade ou uso inadequado do aparelho CPAP eleva significativamente o risco de morte súbita, além de acidente vascular cerebral e deterioração cognitiva.
A perícia médica foi determinada por Alexandre de Moraes e deverá ser realizada pela Polícia Federal. O prazo estabelecido é de dez dias para a entrega do laudo médico ao Supremo Tribunal Federal.
No despacho, o ministro determinou que o perito responda se, à luz da boa prática médica, a permanência de Jair Bolsonaro no sistema prisional representa risco concreto e previsível à sua vida e à sua saúde.
Também deverá ser avaliado se o quadro clínico se enquadra como “grave enfermidade”, conforme previsto no artigo 117 da Lei de Execução Penal, hipótese que pode autorizar o cumprimento da pena em regime domiciliar.
Brasília (DF) 14/09/2025 O ex-presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de seu filho, Jair Renan, deixa hospital sob forte esquema de segurança, após passar pro procedimentos. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A defesa questiona ainda se o ambiente prisional comum possui estrutura suficiente para garantir cuidados considerados essenciais, como o uso contínuo e adequado do CPAP, prevenção efetiva de quedas, dieta rigorosamente fracionada, vigilância clínica permanente, atendimento imediato em situações de urgência e administração regular de medicamentos.
No documento, os advogados afirmam que Bolsonaro apresenta múltiplas doenças crônicas e comorbidades, envolvendo os sistemas cardiovascular, respiratório, gastrointestinal, renal, nutricional e psiquiátrico.
Entre as condições citadas estão apneia obstrutiva do sono grave, doença aterosclerótica, hipertensão arterial, insuficiência renal limítrofe, pneumonia aspirativa recorrente, esofagite erosiva, anemia, sarcopenia e sequelas de múltiplas cirurgias abdominais.
A defesa sustenta que o ex-presidente depende de acompanhamento médico contínuo e multidisciplinar, além de controle rigoroso da pressão arterial, hidratação constante, acesso frequente a exames e atendimento emergencial.
O texto também aponta risco elevado de quedas, confusão mental, traumatismo craniano, insuficiência respiratória, acidente vascular cerebral, infarto e morte súbita, especialmente na ausência de vigilância permanente.
Por fim, a defesa questiona de forma direta se o ambiente prisional comum é capaz de assegurar essas condições mínimas de cuidado e indica que, na avaliação apresentada no documento, a resposta é negativa.
Liquidação do Banco Master provoca cobranças a órgãos de controle, decisões judiciais controversas e reação de senador contra ministros do STF
Dois meses após a liquidação do Banco Master, a atuação de órgãos responsáveis pela fiscalização e investigação do caso passou a ser alvo de críticas públicas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU). Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Banco Central foram formalmente acionados para prestar esclarecimentos sobre sua conduta no episódio. A Polícia Federal também entrou no centro do debate institucional.
São Paulo (SP), 19/11/2025 – Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
As cobranças surgiram em meio ao avanço das apurações que envolvem executivos do banco, empresários e pessoas próximas à direção da instituição financeira. Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido cerca de R$ 12 bilhões em títulos considerados falsos, o que levou à deflagração de operações, prisões e cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Toffoli aponta inércia da Polícia Federal e determinações são revistas
No âmbito do STF, o ministro Dias Toffoli criticou a atuação da Polícia Federal ao apontar “falta de empenho” e “inércia” na condução das investigações. As declarações ocorreram no contexto da autorização da prisão de Fabiano Zettel, cunhado do controlador do banco, Daniel Vorcaro, além da realização de buscas contra o empresário Nelson Tanure.
Inicialmente, Toffoli determinou que todo o material apreendido ficasse sob custódia do Supremo Tribunal Federal. A decisão provocou reação de juristas e integrantes do meio jurídico, que questionaram a medida. Horas depois, o ministro recuou e autorizou a transferência das provas diretamente para a Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável pela condução das investigações criminais.
Questionamento no TCU sobre liquidação do banco gera impasse institucional
No Tribunal de Contas da União, o ministro Jhonatan de Jesus tentou revisar a decisão do Banco Central que determinou a liquidação do Banco Master. O argumento apresentado foi o de possível precipitação por parte da autoridade monetária. A iniciativa, no entanto, extrapolou as atribuições do TCU, que não possui competência para rever atos regulatórios do Banco Central.
Após reunião entre o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ficou definido que a inspeção do tribunal será limitada. O acordo prevê que não haverá acesso a informações protegidas por sigilo bancário ou fiscal, restringindo o escopo da análise do órgão de controle externo.
Contratos, investimentos e abertura de inquérito sigiloso
Durante as investigações conduzidas pela Polícia Federal, foi localizado no celular de Daniel Vorcaro um contrato no valor de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes. Além disso, veio a público que um fundo ligado ao Banco Master realizou investimentos em um resort que já pertenceu a familiares do ministro Dias Toffoli.
Após a divulgação dessas informações, Alexandre de Moraes determinou a abertura de uma investigação sigilosa para apurar possível quebra irregular de sigilo fiscal e bancário. O inquérito tem como foco a atuação da Receita Federal e do Coaf, diante da suspeita de acessos indevidos a dados protegidos por lei.
Senador acusa ministros do STF de abuso de poder
A reação política ao caso ganhou destaque com declarações do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes estariam praticando um “abuso de poder escancarado” ao, segundo ele, tentar constranger e intimidar a Polícia Federal e a Receita Federal.
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Vieira criticou diretamente a decisão de Moraes de instaurar inquérito para apurar um suposto vazamento de dados sigilosos envolvendo ministros do STF. De acordo com o senador, as investigações miram acessos a informações fiscais e bancárias relacionadas ao próprio Moraes e a Toffoli, incluindo dados sobre o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e negócios de familiares de Toffoli ligados ao Banco Master.
Críticas à abertura de inquérito e atuação da PF
Na avaliação do senador, a abertura do inquérito seria uma reação às revelações que causaram constrangimento institucional. Vieira afirmou que, diante da impossibilidade de explicar relações com investigados e transações financeiras de alto valor, os ministros estariam buscando deslocar o foco das apurações para a origem do vazamento das informações.
No mesmo contexto, Dias Toffoli voltou a criticar publicamente a Polícia Federal pela demora na deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master. O ministro chegou a responsabilizar a corporação por eventuais prejuízos à apuração. Inicialmente, também determinou que os materiais apreendidos permanecessem lacrados sob guarda do STF, decisão que foi revertida posteriormente, com autorização para envio direto à Procuradoria-Geral da República.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil / Pedro França/Agência Senado
Exames médicos de Jair Bolsonaro foram autorizados pelo STF após queda na cela da Polícia Federal
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (7) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja levado a um hospital em Brasília para a realização de exames médicos, após sofrer uma queda dentro da cela onde está custodiado na Superintendência da Polícia Federal (PF), no Distrito Federal.
A autorização foi concedida após novo pedido da defesa e o envio de informações médicas complementares solicitadas pelo ministro. Os exames serão realizados no hospital DF Star, ainda nesta quarta-feira, sem previsão de internação. Após os procedimentos, Bolsonaro deverá retornar à Superintendência da PF.
Brasília (DF), 24/12/2025 – Um apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro faz oração na frente do Hospital DF Star, onde será realizado uma cirurgia de hérnia inguinal e tratar de um soluço persistente. Hoje (24), Bolsonaro fará exames pré-operatórios. O procedimento cirúrgico será realizado amanhã (25). A internação deve durar de cinco a sete dias, segundo os advogados do ex-presidente.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na decisão, Alexandre de Moraes determinou que o transporte e a segurança do custodiado sejam realizados pela Polícia Federal de forma discreta. O desembarque no hospital deverá ocorrer pelas garagens da unidade de saúde. O ministro também estabeleceu que a PF deverá manter vigilância integral durante a realização dos exames e no retorno do ex-presidente ao local de custódia.
A queda ocorreu na madrugada de terça-feira (6), quando Bolsonaro caiu da cama dentro da cela e bateu a cabeça em um móvel. Inicialmente, a Polícia Federal informou que o ex-presidente apresentava apenas ferimentos leves, sem indicação de encaminhamento hospitalar imediato, conforme avaliação médica realizada no local.
Com base nesse primeiro relatório, Alexandre de Moraes afirmou, ainda na terça-feira, que não havia urgência para a ida ao hospital. No entanto, solicitou à defesa e à PF detalhamento dos exames pretendidos e o envio do laudo médico completo elaborado após o atendimento inicial.
Após o recebimento dessas informações, o ministro reconsiderou a decisão e autorizou a realização dos exames hospitalares. Segundo a defesa, o pedido médico descreveu um quadro clínico compatível com traumatismo craniano, além de síncope noturna associada à queda, crise convulsiva a esclarecer, oscilação transitória de memória e lesão cortante na região temporal direita.
Brasília (DF), 22/11/2025 – Movimentação na Polícia Federal após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
De acordo com as informações médicas apresentadas, os profissionais responsáveis recomendaram de forma expressa a realização de três exames: tomografia computadorizada do crânio, ressonância magnética do crânio e eletroencefalograma.
A tomografia computadorizada é utilizada para obter imagens internas detalhadas da cabeça por meio de raios X. A ressonância magnética do crânio emprega campos magnéticos para avaliação das estruturas cerebrais. Já o eletroencefalograma registra a atividade elétrica do cérebro e pode indicar alterações neurológicas.
Ainda segundo a Polícia Federal e o médico pessoal de Bolsonaro, após a queda foram observados ferimentos na cabeça, além de sintomas como apatia, tontura e queda da pálpebra esquerda. Apesar disso, o relatório médico inicial da PF apontou que o ex-presidente estava consciente, orientado e sem sinais de déficit neurológico na manhã de terça-feira.
A queda foi mencionada publicamente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em suas redes sociais, onde informou que o ex-presidente não estava bem após o episódio ocorrido durante a madrugada.
Também nesta terça-feira (6), Michelle Bolsonaro criticou a condução do caso por parte do ministro Alexandre de Moraes, após a negativa inicial do pedido de encaminhamento hospitalar. Segundo ela, a defesa havia solicitado novamente a realização dos exames e aguardava no hospital quando foi informada de que o pedido havia sido encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Brasília (DF) 14/09/2025 O ex-presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de seu filho, Jair Renan, deixa hospital sob forte esquema de segurança, após passar pro procedimentos. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Após a negativa inicial, Moraes determinou a intimação da PGR para que se manifestasse sobre o novo pedido apresentado pela defesa. Com o envio das informações médicas complementares, a autorização foi concedida na manhã desta quarta-feira.
Michelle Bolsonaro também informou que solicitou à Polícia Federal a elaboração de um relatório detalhado sobre o momento em que a cela foi aberta após a queda, além do registro de todos os procedimentos adotados a partir desse horário.
A autorização judicial estabelece que, concluídos os exames médicos no hospital, Jair Bolsonaro deverá retornar à Superintendência da Polícia Federal, permanecendo sob custódia.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil / Marcelo Camargo/Agência Brasil / Valter Campanato/Agência Brasil
Polícia Federal determina retorno imediato de Eduardo Bolsonaro ao cargo de escrivão após perda de mandato
A Polícia Federal determinou o retorno imediato de Eduardo Bolsonaro (PL) ao cargo de escrivão da corporação após a declaração de perda de mandato parlamentar. A decisão foi formalizada por meio de ato declaratório publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (2).
No documento, a Polícia Federal estabelece que o retorno tem caráter “exclusivamente declaratório e de regularização da situação formal” e alerta para a adoção de “providências administrativas e disciplinares cabíveis” em caso de ausência injustificada do servidor.
Eduardo Bolsonaro estava afastado da PF durante mandato
Eduardo Bolsonaro ingressou na Polícia Federal em 2010, exercendo o cargo de escrivão. Durante o período em que ocupou mandato como deputado federal, ele permaneceu afastado das funções na corporação, conforme prevê a legislação para servidores públicos eleitos.
O ato administrativo determina que o retorno ocorra de forma imediata, ainda que inicialmente para fins formais, considerando a nova condição funcional após o encerramento do mandato parlamentar.
Decisão foi publicada no Diário Oficial da União
O ato declaratório da Polícia Federal foi publicado no DOU desta sexta-feira e estabelece que a ausência sem justificativa poderá resultar em medidas administrativas e disciplinares previstas nos regulamentos internos da corporação.
O documento não detalha prazos para apresentação presencial nem informa se haverá designação imediata de lotação ou função operacional.
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde março do ano passado, quando solicitou licença do mandato na Câmara dos Deputados. Desde então, ele não retornou ao exercício das atividades parlamentares presenciais no Brasil.
Em dezembro, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarou a perda do mandato do parlamentar. A decisão foi fundamentada no número de ausências não justificadas, que ultrapassou o limite permitido pelo regimento interno da Casa Legislativa.
Perda de mandato resultou em retorno ao cargo efetivo
Com a declaração da perda de mandato, Eduardo Bolsonaro deixou de ter vínculo parlamentar ativo, o que resultou na necessidade de regularização de sua situação funcional junto à Polícia Federal.
A corporação informou, por meio do ato publicado, que o retorno imediato tem como finalidade formalizar o restabelecimento do vínculo funcional como servidor público federal, encerrado o período de afastamento autorizado durante o mandato eletivo.
Prisão de Filipe Martins foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes e cumprida pela Polícia Federal no Paraná
O ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Filipe Martins, foi preso na manhã desta sexta-feira (2) pela Polícia Federal, em sua residência, localizada no município de Ponta Grossa, no estado do Paraná. A prisão ocorreu em cumprimento a um mandado expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com as informações divulgadas, a ordem de prisão foi determinada no âmbito de um processo que tramita no Supremo. A decisão ocorre após medidas cautelares anteriormente impostas ao ex-assessor presidencial.
No dia 26 de dezembro, o ministro Alexandre de Moraes havia determinado a prisão domiciliar de Filipe Martins e de outros nove réus envolvidos no mesmo processo. Na ocasião, o magistrado justificou a decisão com base na avaliação de que existia risco de fuga por parte dos investigados.
Mesmo com a imposição da prisão domiciliar e de outras medidas cautelares, novos fatos foram analisados pelo relator do caso no STF. Três dias após a decisão, Alexandre de Moraes solicitou esclarecimentos à defesa de Filipe Martins sobre uma possível violação das medidas impostas.
Segundo a justificativa apresentada pelo ministro, Filipe Martins teria acessado sua conta na rede social profissional LinkedIn no mesmo dia em que a prisão domiciliar foi determinada. Conforme descrito na decisão, o acesso teria ocorrido com o objetivo de buscar perfis de terceiros, o que motivou o pedido de explicações à defesa.
O uso de redes sociais e a realização de atividades online estavam entre os pontos analisados no contexto das medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal. A possível violação dessas determinações foi considerada relevante no andamento do processo.
Filipe Martins já havia sido condenado pelo STF a 21 anos e seis meses de prisão. No entanto, até o momento da prisão realizada nesta sexta-feira (2), a condenação ainda não havia transitado em julgado, o que permitia que ele respondesse ao processo em liberdade, respeitadas as medidas judiciais impostas.
Com a nova decisão, o mandado de prisão preventiva foi cumprido por agentes da Polícia Federal no endereço residencial do ex-assessor, em Ponta Grossa. A operação ocorreu no período da manhã, sem divulgação de detalhes adicionais sobre o deslocamento do preso após o cumprimento da ordem judicial.
Filipe Martins atuou como assessor especial para assuntos internacionais durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Seu nome passou a figurar entre os investigados e réus em processos analisados pelo Supremo Tribunal Federal relacionados aos atos e eventos sob apuração pela Corte.
O processo que resultou na condenação do ex-assessor ainda segue os trâmites legais previstos, uma vez que a sentença não havia alcançado a fase final de execução penal definitiva. A atuação do ministro Alexandre de Moraes ocorre na condição de relator do caso no STF.
Até a última atualização das informações, não houve divulgação de posicionamento público da defesa de Filipe Martins após o cumprimento do mandado de prisão. Também não foram informados detalhes adicionais sobre eventuais novos desdobramentos processuais decorrentes da decisão.
A Polícia Federal informou apenas o cumprimento da ordem judicial expedida pelo Supremo Tribunal Federal, conforme os procedimentos legais aplicáveis ao caso.
Senador critica Alexandre de Moraes após negativa de prisão domiciliar a Jair Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu nesta quinta-feira (1º) à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a manutenção do ex-presidente Jair Bolsonaro sob custódia na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília (DF). A manifestação ocorreu após a negativa do pedido de prisão domiciliar humanitária apresentado pela defesa do ex-chefe do Executivo.
Em publicação feita em seu perfil na rede social X, Flávio Bolsonaro afirmou que seu pai necessita de cuidados médicos que, segundo ele, não poderiam ser assegurados em ambiente prisional. O senador declarou que o ex-presidente apresenta riscos à saúde em razão de complicações médicas.
Na postagem, Flávio Bolsonaro mencionou a possibilidade de o ex-presidente sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), alegando que o risco estaria relacionado ao atual estado de saúde de Jair Bolsonaro. As declarações foram feitas no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes proferiu a decisão sobre o pedido da defesa.
Mais cedo, o ministro do STF negou a solicitação de prisão domiciliar humanitária apresentada pelos advogados de Jair Bolsonaro. No despacho, Moraes determinou que, após receber alta médica do Hospital DF Star, onde o ex-presidente estava internado, ele fosse encaminhado diretamente à sede da Polícia Federal em Brasília, para dar continuidade ao cumprimento da pena imposta.
Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão, conforme decisão já proferida no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Com a negativa da prisão domiciliar, o ministro estabeleceu que a custódia deve ocorrer nas dependências da Polícia Federal, assim que houver liberação médica hospitalar.
No despacho, Alexandre de Moraes afirmou que, “diferente do que alegou a defesa”, o quadro clínico do ex-presidente apresentou melhora, conforme informações constantes nos autos. A avaliação do ministro foi baseada nos documentos médicos analisados durante a apreciação do pedido.
Após a divulgação da decisão, Flávio Bolsonaro voltou a se manifestar publicamente. Em nova publicação, o senador afirmou que a decisão do ministro estaria “cheia de sarcasmo”. Em outro trecho, escreveu: “Até quando Moraes terá procuração para praticar tortura”. Na mesma sequência de mensagens, Flávio Bolsonaro também escreveu: “Leia o laudo, ser abjeto”, em referência ao ministro do STF.
O parlamentar sustentou ainda que o laudo médico apresentado pela defesa indicaria que Jair Bolsonaro “precisa de cuidados permanentes que não podem ser garantidos em uma prisão”. Segundo Flávio Bolsonaro, as informações médicas seriam claras quanto à necessidade de acompanhamento contínuo.
Além das declarações sobre a saúde do ex-presidente, Flávio Bolsonaro também destacou sua posição política atual. O senador anunciou recentemente sua pré-candidatura à Presidência da República para o próximo ano, informação mencionada no mesmo contexto das manifestações públicas.
A decisão do STF mantém Jair Bolsonaro sob responsabilidade da Polícia Federal, conforme estabelecido pelo relator do caso. O processo segue sob análise da Corte, e as medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes permanecem em vigor até nova deliberação judicial.
Até a última atualização das informações, não houve novo posicionamento oficial da defesa de Jair Bolsonaro além das manifestações já apresentadas nos autos. Também não foram divulgadas novas informações sobre a data exata da alta hospitalar ou o momento do encaminhamento do ex-presidente à sede da Polícia Federal.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil / Sophia Santos/STF
Ministro do STF afirma que não há fatos novos e que tratamento pode ser realizado na Polícia Federal
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (1º) um novo pedido de prisão domiciliar humanitária apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na decisão, o magistrado determinou que Bolsonaro retorne à sede da Polícia Federal, em Brasília, para dar continuidade ao cumprimento da pena, após a alta médica da internação no Hospital DF Star, prevista para ocorrer ainda hoje.
O novo requerimento foi protocolado pelos advogados do ex-presidente na quarta-feira (31), às 17h09, e solicitava que Bolsonaro fosse encaminhado diretamente para sua residência logo após a liberação hospitalar. Ao analisar o pedido, Alexandre de Moraes concluiu que não foram apresentados fatos supervenientes capazes de justificar a substituição do regime fechado por prisão domiciliar.
Segundo o ministro, as razões que fundamentaram decisões anteriores continuam válidas. Na avaliação do magistrado, os argumentos apresentados pela defesa não afastam os motivos que levaram à manutenção da prisão em regime fechado, conforme já decidido em ocasiões anteriores no âmbito do processo.
Na decisão, Moraes também se manifestou sobre as condições de saúde do ex-presidente, ponto central do pedido apresentado pela defesa. O ministro afirmou que, ao contrário do que foi alegado, não houve agravamento do quadro clínico de Jair Bolsonaro durante a internação hospitalar.
De acordo com o despacho, o que se verificou foi um quadro clínico de melhora, após a realização de procedimentos cirúrgicos eletivos. O ex-presidente passou por intervenções recentes com foco no nervo frênico, indicadas para tentar reduzir crises recorrentes de soluços, conforme informações médicas anexadas ao processo.
O ministro destacou que os registros médicos apontam evolução positiva do estado de saúde após os procedimentos realizados, não sendo constatada situação que inviabilize o retorno ao cumprimento da pena no local determinado pela Justiça.
Outro ponto abordado por Alexandre de Moraes diz respeito às prescrições médicas indicadas para o acompanhamento do ex-presidente. Segundo o ministro, todas as recomendações médicas podem ser integralmente cumpridas nas dependências da Polícia Federal, sem prejuízo à saúde de Jair Bolsonaro.
Na decisão, Moraes frisou que a estrutura disponível é suficiente para assegurar a continuidade do tratamento, incluindo cuidados relacionados às condições relatadas pelos médicos, não havendo impedimento técnico ou médico para que o ex-presidente permaneça sob custódia da PF após a alta hospitalar.
Ainda conforme o despacho, não há definição de horário para a alta médica, o que dependerá da avaliação final da equipe responsável pelo acompanhamento hospitalar. Assim que liberado, Bolsonaro deverá ser conduzido de volta à sede da Polícia Federal em Brasília, onde se encontra preso.
O pedido analisado nesta quinta-feira representa mais uma tentativa da defesa de obter a prisão domiciliar, argumento já examinado e rejeitado anteriormente pelo Supremo Tribunal Federal. Nas decisões anteriores, o ministro Alexandre de Moraes já havia apontado que Bolsonaro possui acesso a atendimento médico adequado enquanto cumpre pena, além de não estarem configurados os requisitos legais para a substituição do regime de prisão.
A decisão foi proferida no contexto do acompanhamento da execução penal do ex-presidente, que permanece sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal. O despacho reafirma o entendimento do relator quanto à inexistência de novos elementos que justifiquem alteração do regime prisional estabelecido.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil / Tânia Rêgo/Agência Brasil / Valter Campanato/Agência Brasil
Ex-diretor da PRF foi detido em aeroporto de Assunção ao tentar embarcar para El Salvador e teve prisão preventiva decretada pelo STF
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, encontra-se sob custódia da Polícia Federal após ser preso no Paraguai, na noite desta sexta-feira (26). Ele foi detido no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, ao tentar embarcar para El Salvador utilizando um documento falso, segundo informações confirmadas por autoridades paraguaias e pela Polícia Federal brasileira.
Após a prisão, Silvinei Vasques foi escoltado por um comboio de viaturas até a fronteira entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu, no Paraná. A entrega às autoridades brasileiras ocorreu na Ponte da Amizade, onde agentes da Polícia Federal assumiram a custódia do ex-diretor da PRF. Ele cruzou a fronteira encapuzado e deverá ser transferido para Brasília nas horas seguintes.
Fuga do Brasil e rompimento da tornozeleira eletrônica
Silvinei Vasques cumpria prisão domiciliar, determinada no âmbito da ação penal do Núcleo 2 da investigação sobre tentativa de golpe de Estado, na qual foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão. Apesar da condenação, ainda cabia recurso, motivo pelo qual ele aguardava o andamento do processo fora do sistema prisional.
Na madrugada do dia de Natal, Vasques rompeu a tornozeleira eletrônica que utilizava por determinação judicial e deixou o apartamento onde residia, em São José, na Grande Florianópolis, em Santa Catarina. De acordo com a Polícia Federal, o equipamento parou de emitir sinal de GPS por volta das 3h da madrugada de quinta-feira (25).
Após a interrupção do sinal, agentes da Polícia Penal de Santa Catarina e da Polícia Federal foram até o imóvel e constataram que o ex-diretor não se encontrava no local. A análise das imagens do sistema de câmeras do prédio indicou que ele esteve no apartamento até as 19h22 da quarta-feira (24), véspera de Natal.
As gravações mostram Silvinei Vasques colocando bolsas no porta-malas de um carro. Ele vestia calça de moletom preta, camiseta cinza e boné preto. Durante a saída, ele também levou um cachorro da raça pitbull, além de ração e tapetes higiênicos.
Prisão preventiva decretada pelo STF
Após ser informado sobre a fuga, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva de Silvinei Vasques. A decisão foi baseada nos indícios de evasão do ex-diretor da PRF para o exterior, com o objetivo de evitar o cumprimento da pena imposta no processo criminal.
Segundo a apuração das autoridades, Silvinei deixou Santa Catarina de carro e seguiu até o Paraguai, onde permaneceu até ser localizado no aeroporto da capital paraguaia.
Tentativa de embarque e uso de identidade falsa
De acordo com informações do Comando Tripartite — órgão de cooperação policial entre Brasil, Argentina e Paraguai —, Silvinei Vasques tentou embarcar em um voo da Copa Airlines com destino a El Salvador, com escala no Panamá. No momento da abordagem, ele apresentou um documento pertencente a um cidadão paraguaio que havia registrado extravio da identidade.
As autoridades paraguaias confirmaram que o documento apresentado não correspondia à identidade verdadeira do ex-diretor da PRF. O caso segue sob apuração.
Declaração médica apresentada às autoridades
No momento da prisão, Silvinei Vasques também apresentou uma declaração médica redigida em espanhol. No documento, ele afirma ser portador de glioblastoma multiforme grau IV, um tipo de câncer cerebral, e declara não conseguir falar nem ouvir. O texto solicita que qualquer comunicação com autoridades fosse feita por escrito.
A declaração médica informa que o ex-diretor teria realizado sessões de radioterapia e quimioterapia em dezembro de 2025, em Foz do Iguaçu, e que estaria autorizado a viajar para realizar um procedimento de radiocirurgia em El Salvador. Segundo o documento, o objetivo da viagem seria exclusivamente médico, sem data definida para retorno ao Brasil.
O texto afirma ainda que, apesar das limitações alegadas, Silvinei Vasques estaria lúcido e em condições clínicas para viajar. O atestado médico apresentado às autoridades paraguaias está sob investigação.
Transferência ao Brasil
Após a entrega às autoridades brasileiras, Silvinei Vasques deverá ser encaminhado inicialmente para Foz do Iguaçu e, em seguida, transferido para Brasília, onde ficará à disposição do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal informou que os procedimentos de custódia seguem os protocolos legais vigentes.
Procurada, a defesa de Silvinei Vasques informou que ainda está reunindo informações sobre o caso e não se manifestou oficialmente até o momento.
Ex-diretor da PRF rompeu tornozeleira eletrônica, deixou Santa Catarina na véspera de Natal e foi detido ao tentar embarcar para El Salvador
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na tarde desta sexta-feira (26) a prisão preventiva de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o governo de Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada após o ex-diretor romper a tornozeleira eletrônica que monitorava sua prisão domiciliar e fugir do Brasil.
Silvinei Vasques cumpria prisão domiciliar em São José, na Grande Florianópolis, após ter recebido autorização para deixar o sistema prisional mediante o cumprimento de medidas cautelares impostas pelo STF. Entre essas medidas estavam o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de deixar o país, com cancelamento do passaporte.
Brasília (DF) 20/06/2023 CPMI do 8 de Janeiro ouve ex-diretor-geral da PRF Silvinei Vasques. Foto Lula Marques/ Agência Brasil.
Segundo informações encaminhadas pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal, o equipamento de monitoramento eletrônico parou de emitir sinal de GPS por volta das 3h da madrugada de quinta-feira (25), durante a noite de Natal. Após a interrupção do sinal, agentes da Polícia Federal se deslocaram até o endereço de Silvinei Vasques, onde constataram que ele não se encontrava na residência.
Ainda de acordo com a Polícia Federal, a análise do sistema de câmeras do prédio onde o ex-diretor da PRF residia indicou que ele permaneceu no local até as 19h22 da quarta-feira (24), véspera de Natal. As imagens mostram Silvinei Vasques colocando bolsas no porta-malas de um carro, além de outros itens, antes de deixar o imóvel.
A investigação apontou que a fuga ocorreu com o uso de um carro alugado. Registros do circuito interno de TV também mostram o ex-diretor transportando objetos pessoais, ração para animais, tapetes higiênicos e conduzindo um cachorro durante a saída do prédio.
Segundo relato encaminhado pela Polícia Federal ao STF, por volta das 19h14min, Silvinei Vasques colocou sacos de ração e tapetes higiênicos no banco traseiro do veículo. Minutos depois, ele retornou carregando potes comedouros e conduzindo um cachorro, aparentando ser da raça pitbull, antes de deixar o local definitivamente.
A Polícia Federal informou que Silvinei Vasques levou o animal consigo durante a fuga para o Paraguai. Até o momento, não há informações oficiais sobre o estado do cachorro ou se ele permaneceu com o ex-diretor após a prisão.
O Diretor-Geral da Polícia Rodoviária Federal,Silvinei Vasques,
é entrevistada no programa A Voz do Brasil.
Na manhã desta sexta-feira (26), a Polícia Federal confirmou que Silvinei Vasques foi detido pelas autoridades paraguaias no Aeroporto Internacional Silvio Pettiross, em Assunção. Ele tentava embarcar em um voo com destino a El Salvador utilizando um passaporte falso.
As informações sobre a prisão foram repassadas ao ministro Alexandre de Moraes, que decidiu converter as medidas cautelares em prisão preventiva. Na decisão, o ministro afirmou que a violação das condições impostas anteriormente e a fuga do país justificam a medida mais gravosa.
“A fuga do réu, caracterizada pela violação das medidas cautelares impostas sem qualquer justificativa, autoriza a conversão das medidas cautelares em prisão preventiva”, registrou Alexandre de Moraes na decisão.
Silvinei Vasques foi condenado a 24 anos e 6 meses de prisão no âmbito da ação penal do Núcleo 2 da chamada trama golpista, que investigou ações para tentar manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após o resultado das eleições de 2022.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal, o ex-diretor da PRF teria determinado a realização de blitzes em rodovias federais localizadas em regiões onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva registrava maior intenção de votos. Segundo a acusação, as ações teriam como objetivo dificultar o deslocamento de eleitores até os locais de votação no segundo turno das eleições.
Silvinei Vasques foi preso preventivamente em agosto de 2023 e permaneceu detido por cerca de um ano. Posteriormente, teve a prisão convertida em domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, desde que cumprisse rigorosamente as medidas cautelares estabelecidas pelo STF.
Após a prisão no Paraguai, a Polícia Federal informou que o ex-diretor da PRF deverá ser reconduzido ao Brasil para o cumprimento da decisão judicial, conforme os trâmites de cooperação internacional entre os dois países.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Valter Campanato/Agência Brasil / Lula Marques/ Agência Brasil
Mandados foram cumpridos em Parnamirim durante operação policial; Investigado é apontado como gestor financeiro de facção criminosa
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Rio Grande do Norte (FICCO/RN) cumpriu, na última terça-feira (23), mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva contra um integrante de organização criminosa com atuação interestadual. O investigado é apontado como responsável por ações violentas da facção e pela gestão financeira do grupo criminoso.
Durante a operação, as equipes apreenderam R$ 16 mil em espécie, entorpecentes, aparelhos celulares e um veículo. As ações fazem parte das investigações conduzidas pela FICCO no enfrentamento ao crime organizado no estado.
Segundo informações da força-tarefa, as investigações identificaram elementos que indicam a participação direta do investigado em pelo menos seis homicídios, todos registrados ao longo do ano de 2025. Esses dados subsidiaram os pedidos judiciais de prisão preventiva e de cumprimento de medidas cautelares.
O mandado de prisão preventiva foi expedido pela Unidade Judiciária de Delitos de Organizações Criminosas, no âmbito da Operação Treme Tudo, deflagrada pela FICCO no último dia 10 de dezembro. Na ocasião da deflagração da operação, o investigado não foi localizado.
Diante disso, as equipes da FICCO mantiveram diligências contínuas com o objetivo de identificar o paradeiro do alvo. Após levantamento de informações, os agentes localizaram o investigado em uma residência situada no bairro Boa Esperança, no município de Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal.
Além do mandado expedido no contexto da Operação Treme Tudo, o investigado também estava foragido da Justiça em razão de outro mandado de prisão preventiva. Esse segundo mandado foi expedido no âmbito de uma ação penal distinta, relacionada igualmente ao crime de organização criminosa.
A FICCO/RN atua de forma integrada no combate ao crime organizado no Rio Grande do Norte. A força-tarefa é composta pela Polícia Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), Polícia Civil do Rio Grande do Norte, Polícia Militar do Rio Grande do Norte e Polícia Penal do Rio Grande do Norte.
As instituições atuam de maneira conjunta na realização de investigações, cumprimento de mandados judiciais e ações estratégicas voltadas à repressão de organizações criminosas com atuação local e interestadual no estado.
Ex-presidente será escoltado pela PF para procedimento autorizado pelo STF
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve deixar a prisão pela primeira vez nesta quarta-feira (24), quando será escoltado da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para ser internado no Hospital DF Star. Preso desde o dia 22 de novembro, Bolsonaro cumpre pena em sala de Estado-Maior e passará por um procedimento cirúrgico para correção de duas hérnias inguinais.
A saída da unidade da Polícia Federal ocorrerá sob esquema de segurança, com escolta realizada por agentes da própria PF até o hospital localizado na capital federal. A internação está prevista para ocorrer ainda na véspera de Natal, com a cirurgia programada para o dia 25 de dezembro.
Brasília (DF), 24/12/2025 – Comboio saído da polícia federal com o ex-presidente Jair Bolsonaro com destino ao Hospital DF Star, onde será realizado uma cirurgia de hérnia inguinal e tratar de um soluço persistente. Hoje (24), Bolsonaro fará exames pré-operatórios. O procedimento cirúrgico será realizado amanhã (25). A internação deve durar de cinco a sete dias, segundo os advogados do ex-presidente.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Durante o período de internação hospitalar, a segurança do ex-presidente será mantida sob responsabilidade da Polícia Federal. Conforme as determinações estabelecidas, dois policiais permanecerão posicionados na porta do quarto onde Bolsonaro ficará internado, além de reforço na vigilância da entrada do hospital. A esposa do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, foi autorizada a acompanhá-lo durante a internação.
A autorização para a realização do procedimento cirúrgico foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), que analisou o pedido apresentado pela defesa do ex-presidente.
Segundo informações constantes na decisão, o aval do STF teve como base um laudo pericial elaborado pela Polícia Federal. O documento técnico apontou a necessidade de intervenção cirúrgica, ainda que classificada como eletiva, em razão do risco de agravamento do quadro clínico caso o procedimento não fosse realizado.
Brasília (DF), 24/12/2025 – Um apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro faz oração na frente do Hospital DF Star, onde será realizado uma cirurgia de hérnia inguinal e tratar de um soluço persistente. Hoje (24), Bolsonaro fará exames pré-operatórios. O procedimento cirúrgico será realizado amanhã (25). A internação deve durar de cinco a sete dias, segundo os advogados do ex-presidente.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
De acordo com o laudo da Polícia Federal, Jair Bolsonaro apresenta hérnia inguinal bilateral. A condição, conforme descrito pelos peritos, provoca dor e desconforto, além de poder gerar complicações médicas se não houver tratamento cirúrgico adequado. O relatório recomenda que a cirurgia seja realizada o mais breve possível, embora não caracterize situação de emergência imediata.
A avaliação médica foi anexada aos autos do processo e analisada pelo Supremo Tribunal Federal antes da autorização para a saída temporária da unidade prisional. O parecer da PGR considerou os elementos técnicos apresentados e se manifestou favoravelmente à realização do procedimento hospitalar fora da unidade da Polícia Federal.
Bolsonaro está preso desde que teve a prisão preventiva convertida em execução de pena. A decisão ocorreu após o descumprimento de medidas cautelares impostas anteriormente, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, que teria sido violada. A conversão resultou no início do cumprimento da pena imposta ao ex-presidente.
Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, conforme decisão judicial. Ele permanece detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, em sala de Estado-Maior, condição prevista em razão do cargo anteriormente ocupado.
Após a realização da cirurgia e a alta médica, a determinação judicial estabelece que o ex-presidente retorne diretamente para a Superintendência da Polícia Federal. Não está prevista qualquer alteração no regime de cumprimento da pena em decorrência do procedimento médico.
A logística de transporte entre a unidade prisional e o hospital, bem como o retorno após a alta, seguirá os protocolos de segurança definidos pela Polícia Federal e autorizados pelo Supremo Tribunal Federal. O acompanhamento médico será realizado conforme as orientações da equipe responsável pelo procedimento cirúrgico.
O caso segue sob acompanhamento das autoridades judiciais e policiais, com a execução da pena mantida nos termos da decisão em vigor.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil / Marcelo Camargo/Agência Brasil
Deputado é alvo de operação que apura repasses a locadora de veículos
A Polícia Federal (PF) apreendeu R$ 430 mil em dinheiro vivo na residência do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) durante uma operação realizada nesta sexta-feira (19). A ação faz parte de uma investigação que apura suspeitas de desvios de recursos da cota parlamentar no âmbito da Câmara dos Deputados.
Sóstenes Cavalcante é líder do Partido Liberal (PL) na Câmara. Segundo a investigação, há suspeita de que o parlamentar tenha realizado repasses financeiros a uma locadora de veículos com o objetivo de desviar recursos públicos provenientes da cota parlamentar. Até a última atualização, o deputado não havia se manifestado sobre o caso.
A apreensão ocorreu no endereço onde o parlamentar reside em Brasília, localizado em um flat. De acordo com informações da Polícia Federal, os investigadores encontraram o dinheiro dentro de um armário, armazenado em uma sacola preta, contendo notas de R$ 100. O valor foi contabilizado no local e apreendido sob suspeita de ter origem em desvio de recursos públicos.
A operação desta sexta-feira incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos no curso das investigações. A Polícia Federal não detalhou, até o momento, o total de endereços alvo da ação nem informou se houve outras apreensões além do dinheiro encontrado na residência de Sóstenes Cavalcante.
As apurações indicam que os valores investigados estariam relacionados a pagamentos feitos a uma empresa de locação de veículos, que teria sido utilizada para viabilizar o desvio de recursos da cota parlamentar. A investigação busca esclarecer se os contratos firmados com a empresa tinham lastro em serviços efetivamente prestados ou se foram utilizados para justificar despesas irregulares.
Além de Sóstenes Cavalcante, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da mesma operação. No endereço de Jordy, no entanto, não foi encontrado dinheiro em espécie, segundo informações divulgadas após o cumprimento da ordem judicial.
Em manifestação publicada em uma rede social, Carlos Jordy afirmou que realizou pagamentos à empresa investigada desde o início de seu mandato, com a finalidade de aluguel de veículos. O parlamentar declarou ainda que considera a operação uma “pesca probatória”, expressão utilizada para criticar investigações que, segundo essa avaliação, buscariam provas sem indícios concretos prévios.
A Polícia Federal não divulgou detalhes sobre o volume total de recursos movimentados nos contratos sob investigação nem especificou o período em que os supostos desvios teriam ocorrido. A corporação também não informou se outros parlamentares ou assessores estão formalmente investigados no mesmo inquérito.
A cota parlamentar é um recurso disponibilizado aos deputados federais para custear despesas relacionadas ao exercício do mandato, como transporte, hospedagem, alimentação, divulgação da atividade parlamentar e locação de veículos. O uso desses recursos está sujeito a regras estabelecidas pela Câmara dos Deputados e à fiscalização dos órgãos de controle.
A investigação segue em andamento e está sob responsabilidade da Polícia Federal, com acompanhamento do Ministério Público, que deverá avaliar o material apreendido, incluindo o dinheiro recolhido na residência de Sóstenes Cavalcante, documentos e eventuais registros financeiros vinculados aos contratos analisados.
Solicitação cita recomendação médica para sessões diárias respiratórias e motoras
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou, nesta quarta-feira, 17, autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ex-chefe do Executivo receba atendimento fisioterapêutico nas dependências da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O pedido foi encaminhado aos autos do processo em tramitação na Corte.
Segundo os advogados, a solicitação atende à recomendação do médico particular de Jair Bolsonaro, que indicou a necessidade de sessões diárias de fisioterapia respiratória e motora. De acordo com a defesa, o objetivo do tratamento é a manutenção do condicionamento físico e a readequação postural do ex-presidente.
No pedido apresentado ao STF, os advogados indicam que o atendimento fisioterapêutico seja realizado uma vez por dia, em dias úteis, durante o horário padrão de funcionamento da Superintendência da Polícia Federal. A defesa argumenta que a definição do formato do atendimento busca atender às normas internas da unidade e garantir organização administrativa, previsibilidade e continuidade do tratamento médico recomendado.
A solicitação foi protocolada no mesmo dia em que Jair Bolsonaro passou por uma perícia médica. O procedimento foi determinado por despacho do ministro Alexandre de Moraes, publicado na segunda-feira, 15. A perícia teve como finalidade avaliar o estado de saúde do ex-presidente.
Na decisão que determinou a realização da perícia, o ministro Alexandre de Moraes registrou que, no exame médico realizado no momento do cumprimento do mandado de prisão, em 22 de novembro, não houve indicação de qualquer condição clínica que justificasse a necessidade de intervenção cirúrgica imediata.
Antes da definição da data da perícia médica, o ministro já havia autorizado a realização de exames nas dependências da Superintendência da Polícia Federal. A autorização permitiu que os procedimentos médicos fossem realizados no local onde Jair Bolsonaro se encontra.
Ainda na segunda-feira, Alexandre de Moraes determinou o envio de cópia de todos os exames e laudos médicos aos peritos responsáveis pela avaliação do quadro de saúde do ex-presidente. A medida teve como objetivo subsidiar a análise técnica a ser realizada no âmbito da perícia determinada pelo STF.
Além do pedido de autorização para fisioterapia, a defesa de Jair Bolsonaro apresentou, também na segunda-feira, uma solicitação ao Supremo Tribunal Federal para a realização de cirurgia e para a concessão de prisão domiciliar. O pedido foi fundamentado, segundo os advogados, no alegado agravamento do estado de saúde do ex-presidente.
De acordo com a defesa, exames médicos recentes indicariam a necessidade de uma intervenção cirúrgica. Os advogados sustentam que o tratamento necessário não poderia ser realizado em regime fechado, motivo pelo qual solicitaram a autorização para a cirurgia e a substituição da prisão por regime domiciliar.
O pedido de fisioterapia apresentado nesta quarta-feira integra o conjunto de solicitações feitas pela defesa ao STF relacionadas ao estado de saúde de Jair Bolsonaro. A análise dos requerimentos depende de decisão do Supremo Tribunal Federal, responsável pela condução do processo.
A defesa destacou no pedido que a realização do atendimento fisioterapêutico nas dependências da Superintendência da Polícia Federal observaria as normas internas da unidade e permitiria o acompanhamento contínuo do tratamento prescrito pelo médico particular do ex-presidente.
Até a última atualização das informações, não havia decisão do STF sobre o pedido de autorização para a realização das sessões de fisioterapia solicitadas pela defesa.
Documentos citam mensagens e repasses analisados na investigação da Farra do INSS
Documentos produzidos pela Polícia Federal indicam que o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, realizou transferências financeiras que somam R$ 1,14 milhão para a empresária Roberta Luchsinger. As informações constam em autos de investigação que integram o inquérito conhecido como Farra do INSS.
Roberta Luchsinger é apontada nos documentos como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Ela foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pela Justiça, no contexto das apurações conduzidas pela Polícia Federal.
De acordo com os autos, as transferências financeiras realizadas por Antonio Carlos Camilo Antunes para a empresária ocorreram em diferentes operações. A Polícia Federal analisou conversas, registros bancários e documentos que indicariam a origem e o destino dos valores movimentados no período investigado.
Segundo os documentos da investigação, em uma das conversas interceptadas e analisadas pelos investigadores, o lobista afirma que parte dos valores transferidos teria como destino o “filho do rapaz”. A referência aparece em mensagens trocadas durante a negociação de uma das parcelas de pagamento objeto da apuração.
Decisão judicial detalha repasses
Um trecho da decisão judicial assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça detalha a dinâmica de uma das transferências. Conforme descrito no documento, Antonio Carlos Camilo Antunes mencionou a necessidade de realizar um pagamento adicional no valor de R$ 300 mil.
Ainda segundo a decisão, ao ser questionado sobre quem seria o destinatário desse pagamento, o lobista respondeu com a expressão “o filho do rapaz”. A referência foi registrada nos autos e passou a integrar o conjunto de elementos analisados pela Polícia Federal.
Na sequência dos registros citados na decisão judicial, foi anexada uma mensagem que comprova a transferência do valor de R$ 300 mil para a empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., pertencente a Roberta Luchsinger. Conforme o contexto apresentado nos autos, o repasse estaria relacionado à mesma referência feita anteriormente ao “filho do rapaz”.
A Polícia Federal incluiu esse material no relatório encaminhado à Justiça como parte das evidências que fundamentaram o pedido de medidas judiciais. Os investigadores destacaram a correlação temporal entre as mensagens analisadas e a efetivação da transferência bancária.
Além dos repasses financeiros, a investigação também aponta que Roberta Luchsinger teria atuado em ações de lobby junto ao Ministério da Saúde. Segundo os autos, essa atuação ocorreu em parceria com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
A relação entre a empresária e o lobista foi mencionada pela Polícia Federal ao solicitar a expedição de mandados de busca e apreensão contra Roberta Luchsinger. Os investigadores indicam que a atuação conjunta em ações de lobby faz parte do contexto mais amplo das apurações em curso.
Os documentos analisados pela Polícia Federal não detalham o resultado das ações de lobby nem eventuais decisões administrativas decorrentes dessas iniciativas. A investigação se concentra na análise dos fluxos financeiros, das comunicações entre os investigados e da eventual relação desses elementos com os fatos apurados no âmbito da Farra do INSS.
O caso segue sob apuração da Polícia Federal. As informações reunidas até o momento integram procedimentos investigativos em andamento, que continuam sob análise das autoridades responsáveis.
Investigação apura descontos associativos sem autorização de aposentados e pensionistas
A Polícia Federal iniciou, nesta quinta-feira (18), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação apura a prática de descontos associativos indevidos aplicados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas, sem autorização dos titulares.
O Rio Grande do Norte está entre os estados onde estão sendo cumpridos mandados judiciais expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Polícia Federal, a operação ocorre de forma simultânea em diversas unidades da federação.
Ao todo, estão sendo cumpridos 52 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão preventiva. As medidas judiciais também incluem outras cautelares, determinadas no âmbito da investigação. Além do Rio Grande do Norte, a operação ocorre nos estados de São Paulo, Paraíba, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão, além do Distrito Federal.
No território potiguar, agentes da Polícia Federal realizaram diligências ao longo da manhã. A corporação confirmou a atuação no estado, mas não informou quantos mandados foram executados especificamente no Rio Grande do Norte nesta fase da operação.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações indicam que os suspeitos inseriam dados falsos em sistemas oficiais. A partir dessas informações, eram viabilizados descontos automáticos nos benefícios previdenciários, sem que os segurados tivessem autorizado qualquer vínculo associativo.
Os descontos atingiram diretamente aposentados e pensionistas, que tiveram valores subtraídos de seus benefícios mensais. A investigação aponta que os lançamentos indevidos ocorriam de forma sistemática, com base na manipulação dos dados cadastrais nos sistemas utilizados.
A Polícia Federal informou que o esquema investigado envolvia a utilização indevida de estruturas administrativas para a realização dos descontos, explorando fragilidades nos mecanismos de controle. A apuração segue concentrada na identificação dos responsáveis e na dinâmica de funcionamento do esquema.
As ordens judiciais cumpridas nesta etapa foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal, responsável pela supervisão das medidas adotadas. Além das prisões preventivas e das buscas, outras determinações judiciais fazem parte do conjunto de ações executadas.
A Polícia Federal confirmou que o Rio Grande do Norte integra o conjunto de estados considerados estratégicos para o avanço das investigações, que continuam em andamento no âmbito da Operação Sem Desconto.
Quinta fase da operação investiga descontos indevidos em aposentadorias
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira, 18, a quinta fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nesta etapa, estão sendo cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 52 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas determinadas pela Justiça.
Um dos principais alvos da operação é o senador Weverton Rocha (PDT-MA). De acordo com a Polícia Federal, ele é suspeito de ter realizado negócios com investigados por desvios relacionados ao esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Agentes da PF cumprem mandado de busca e apreensão na residência do parlamentar.
Segundo a Polícia Federal, não há cumprimento de mandados no Congresso Nacional. As diligências relacionadas ao senador se concentram em endereços fora das dependências legislativas.
A operação também resultou no cumprimento de mandado de prisão domiciliar e no afastamento do atual secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Portal, que ocupa o cargo de número dois da pasta. Jornalista de formação, Adroaldo Portal já atuou no gabinete do senador Weverton Rocha e exerceu funções em cargos do Congresso Nacional vinculados a políticos do Partido Democrático Trabalhista (PDT).
Outro alvo da quinta fase da Operação Sem Desconto é Romeu Carvalho Antunes, filho mais velho e sócio do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Romeu foi preso no âmbito da operação. Além da relação societária, ele possuía autorização para movimentar contas bancárias de uma das empresas vinculadas ao Careca do INSS, apontada como suspeita de envolvimento no esquema de fraudes em aposentadorias.
Antônio Camilo Antunes está preso desde setembro, em decorrência das investigações das fases anteriores da Operação Sem Desconto. A Polícia Federal aponta que as empresas ligadas ao empresário estariam envolvidas na operacionalização dos descontos indevidos aplicados em benefícios previdenciários.
Também foi alvo de mandados de busca e de prisão preventiva o advogado Éric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS André Fidelis, que havia sido preso na fase anterior da operação. A suspeita da Polícia Federal é que o escritório de advocacia de Éric Fidelis tenha intermediado o pagamento de propinas vinculadas ao esquema investigado.
Segundo dados obtidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, o escritório de advocacia de Éric Fidelis movimentou cerca de R$ 12 milhões. A Polícia Federal investiga a origem e o destino desses recursos no contexto das apurações sobre os desvios envolvendo aposentadorias.
As defesas dos envolvidos citados na operação não foram localizadas até a última atualização desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações e posicionamentos das partes.
A quinta fase da Operação Sem Desconto foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. As ordens judiciais estão sendo cumpridas no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão.
De acordo com a Polícia Federal, os crimes sob investigação nesta etapa incluem inserção de dados falsos em sistemas oficiais, organização criminosa, estelionato previdenciário e dilapidação patrimonial. As apurações seguem em andamento sob a coordenação da corporação.
A Operação Sem Desconto investiga a existência de um esquema de descontos indevidos aplicados em aposentadorias e pensões do INSS. Segundo a Polícia Federal, os descontos eram realizados por associações sem o consentimento dos aposentados e pensionistas, com valores direcionados às entidades e, posteriormente, a integrantes apontados como líderes do esquema e a outros investigados.
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado / Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
STF aguarda laudo oficial da Polícia Federal para decidir sobre intervenção cirúrgica e prisão domiciliar
O ex-presidente Jair Bolsonaro será submetido a uma perícia médica nesta quarta-feira (17), por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O despacho que ordena o procedimento foi publicado na segunda-feira (15) e estabelece que a avaliação será realizada por peritos da Polícia Federal no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília.
A decisão ocorre após pedido apresentado pela defesa do ex-presidente ao STF, solicitando autorização para a realização de uma cirurgia e a conversão do regime de cumprimento da pena em prisão domiciliar. Os advogados alegam agravamento do quadro clínico e sustentam que exames recentes apontariam a necessidade de intervenção cirúrgica, incompatível com o regime fechado.
Brasília (DF), 11/09/2025 – O ministro Alexandre de Moraes durante sessão na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que realiza o quinto dia de julgamento dos réus do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
No despacho, Alexandre de Moraes registra que, durante o exame médico realizado em 22 de novembro, no momento do cumprimento do mandado de prisão, não foi identificada qualquer condição clínica que justificasse a necessidade de cirurgia imediata. Segundo o ministro, a avaliação médica realizada naquela data não indicou urgência nem recomendação para intervenção cirúrgica.
Moraes também destacou que os exames apresentados posteriormente pela defesa não são atuais. De acordo com o despacho, mesmo à época em que esses exames foram realizados, não havia indicação médica formal de necessidade de cirurgia urgente. O ministro apontou que a ausência de laudos recentes e conclusivos impede a adoção imediata de medidas excepcionais.
Antes de definir a data da perícia oficial, Alexandre de Moraes já havia autorizado a realização de exames médicos nas dependências da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. Na decisão publicada na segunda-feira, o ministro determinou o encaminhamento de cópia integral de todos os exames e laudos médicos apresentados pela defesa aos peritos responsáveis pela avaliação.
A perícia médica será conduzida por profissionais da Polícia Federal e terá como objetivo avaliar o estado de saúde atual do ex-presidente. O laudo resultante da avaliação servirá de base para nova análise do relator sobre os pedidos apresentados pela defesa, incluindo a autorização para cirurgia e eventual mudança no regime de cumprimento da pena.
Brasília (DF) 14/09/2025 O ex-presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de seu filho, Jair Renan, deixa hospital sob forte esquema de segurança, após passar pro procedimentos. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
No despacho, Moraes afirma que o processo deverá retornar imediatamente à conclusão após a realização da perícia. A partir disso, o ministro tomará nova decisão com base nas informações técnicas fornecidas pelos peritos oficiais.
A defesa de Jair Bolsonaro protocolou o pedido de autorização para cirurgia e prisão domiciliar na segunda-feira (15). Os advogados argumentam que o quadro de saúde teria se agravado e que a realização do procedimento cirúrgico não poderia ocorrer em ambiente prisional. Sustentam ainda que a condição clínica exigiria acompanhamento médico específico.
O ministro, no entanto, ressalta que, até o momento, não há comprovação médica oficial que sustente a adoção de medidas excepcionais. Segundo Moraes, qualquer decisão sobre cirurgia ou alteração no regime de cumprimento da pena depende exclusivamente do resultado da perícia médica oficial determinada pelo STF.
A decisão reforça que o Judiciário utilizará apenas informações técnicas atualizadas e laudos produzidos por órgãos oficiais para fundamentar eventuais autorizações. O despacho não antecipa o teor da decisão futura e limita-se a estabelecer os critérios para análise dos pedidos apresentados.
A perícia será realizada no Instituto Nacional de Criminalística, órgão vinculado à Polícia Federal responsável por avaliações técnicas em processos judiciais. Após a conclusão do exame, os peritos deverão encaminhar o laudo ao Supremo Tribunal Federal para apreciação do relator.
Fotos: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil / Marcelo Camargo/Agência Brasil
Senador pede autorização imediata para procedimento médico e STF agenda perícia para avaliar estado de saúde do ex-presidente
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou, nesta terça-feira (16), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de colocar em risco a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro ao não autorizar de imediato a realização de uma cirurgia indicada pela equipe médica. A declaração foi dada após visita ao ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde Bolsonaro está custodiado.
“Peço que volte o bom senso ao relator desse processo, para que não fique transparecendo que quer matar o Bolsonaro. É um risco de saúde muito grave, e eu peço que ele pare de usar essa jurisprudência”, afirmou o senador. Segundo Flávio Bolsonaro, a demora na autorização do procedimento médico teria provocado agravamento do quadro clínico do ex-presidente.
Brasília (DF), 16/09//2025 – Senador, Flávio Bolsonaro durante entrevista. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Durante a entrevista, o senador afirmou que nunca presenciou situação em que a palavra de médicos fosse colocada em dúvida por um magistrado. “Há uma desconfiança até de médicos. Um juiz desconfiado da palavra de um médico, nunca vi isso na vida. Pede uma perícia para ser confirmado”, declarou.
De acordo com Flávio Bolsonaro, a ausência de autorização imediata para a cirurgia levou à identificação de um novo problema de saúde em Jair Bolsonaro. Segundo ele, foi diagnosticada uma segunda hérnia nas pernas, condição que, conforme relatado, pode provocar estrangulamento intestinal caso não seja tratada. O senador atribuiu essa descoberta à demora na análise do pedido feito pela defesa ao Supremo Tribunal Federal.
Flávio Bolsonaro relatou ainda que, durante a visita, o ex-presidente apresentava melhora em relação aos sintomas observados anteriormente. “Ele estava mais animado e sem soluços”, afirmou. As informações foram repassadas após o encontro realizado na sede da Polícia Federal.
Diante das alegações da defesa e das manifestações públicas do senador, o Supremo Tribunal Federal agendou para esta quarta-feira (17) a realização de uma perícia médica para avaliar o estado de saúde de Jair Bolsonaro. O exame será conduzido por peritos da Polícia Federal no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília. O laudo resultante da perícia deverá subsidiar nova análise do ministro Alexandre de Moraes sobre o pedido apresentado.
Na segunda-feira (15), a defesa do ex-presidente protocolou novo pedido junto ao STF solicitando autorização para a realização da cirurgia indicada pelos médicos, além da conversão da prisão em domiciliar. Os advogados alegaram agravamento do quadro clínico e reforçaram a necessidade de intervenção cirúrgica imediata.
Brasília (DF), 09/09//2025 – Senador Flávio Bolsonaro e Parlamentares da oposição durante coletiva a imprensa para falar sobre a condenação no STF. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Em despacho anterior, o ministro Alexandre de Moraes destacou que, até o momento, não havia laudo médico oficial que justificasse a adoção de medidas excepcionais, como a autorização da cirurgia ou a mudança do regime de custódia. O ministro ressaltou que qualquer decisão relacionada ao estado de saúde do ex-presidente estaria condicionada à realização de perícia médica oficial.
Segundo o STF, a perícia marcada tem como objetivo avaliar tecnicamente a condição de saúde de Jair Bolsonaro e verificar a necessidade do procedimento cirúrgico apontado pela defesa. A análise será feita com base nos exames e avaliações realizadas pelos peritos designados, e o resultado será encaminhado ao relator do processo.
A defesa de Bolsonaro sustenta que o quadro clínico envolve complicações decorrentes de cirurgias anteriores e de problemas intestinais recorrentes. O pedido apresentado ao Supremo inclui a argumentação de que a permanência do ex-presidente em ambiente de custódia sem o procedimento médico indicado pode representar risco à saúde.
Até a conclusão da perícia, o ministro Alexandre de Moraes mantém o entendimento de que não há elementos técnicos suficientes para autorizar a cirurgia ou a conversão da prisão em domiciliar. A decisão final ficará condicionada à análise do laudo que será produzido pela equipe da Polícia Federal.
Advogado informa diagnóstico de duas hérnias inguinais; exames foram autorizados pelo STF
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizou exames de ultrassonografia na manhã deste domingo (14) nas dependências da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde se encontra preso. De acordo com informações divulgadas pela defesa, os resultados dos exames indicaram a necessidade de um procedimento cirúrgico.
Segundo o advogado João Henrique Nascimento de Freitas, integrante da equipe jurídica que acompanha Bolsonaro, a ultrassonografia identificou a presença de duas hérnias inguinais. Esse tipo de condição ocorre quando há deslocamento de parte do intestino por falha na parede abdominal, geralmente na região da virilha.
A informação foi divulgada pelo advogado por meio das redes sociais. De acordo com ele, os médicos responsáveis pela avaliação indicaram que a cirurgia é o tratamento definitivo para o quadro clínico identificado nos exames realizados.
Brasília (DF) 14/09/2025 O ex-presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de seu filho, Jair Renan, deixa hospital sob forte esquema de segurança, após passar pro procedimentos. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A defesa do ex-presidente havia solicitado autorização para a realização dos exames na última quinta-feira (11). No pedido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados indicaram o médico Bruno Luís Barbosa Cherulli como responsável pelo procedimento. A solicitação apontava caráter de urgência e informava que o exame seria não invasivo, sem necessidade de sedação ou estrutura hospitalar.
Ainda conforme a defesa, Jair Bolsonaro vinha relatando dores e incômodos nos dias anteriores à realização do ultrassom. No sábado (13), o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, publicou nas redes sociais um vídeo em que Bolsonaro aparece soluçando enquanto dorme. A publicação foi utilizada pela família como argumento para reforçar a necessidade de avaliação médica.
A autorização para a realização dos exames foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O procedimento foi realizado dentro das instalações da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, local onde Bolsonaro cumpre pena.
Jair Bolsonaro está preso há quase um mês em uma cela especial nas dependências da Polícia Federal em Brasília. Inicialmente, ele foi encaminhado ao local para cumprimento de prisão preventiva, decretada após a constatação de violação das condições impostas pelo uso de tornozeleira eletrônica e diante de avaliação de risco de fuga.
Brasília (DF), 22/11/2025 – Movimentação na Polícia Federal após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Três dias após a decretação da prisão preventiva, foi encerrado o processo no qual Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Com o trânsito em julgado da decisão, ele passou a cumprir pena definitiva de 27 anos de prisão, em regime fechado.
A defesa informou que, diante do resultado dos exames, os próximos passos dependerão de avaliação médica complementar e de eventuais autorizações judiciais para a realização do procedimento cirúrgico indicado. Até o momento, não há informação oficial sobre data ou local para eventual cirurgia.
A Superintendência da Polícia Federal não divulgou nota específica sobre os exames realizados neste domingo. O Supremo Tribunal Federal também não se manifestou além da autorização previamente concedida para a realização do procedimento de diagnóstico.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil / Valter Campanato/Agência Brasil
Familiares alegam diferenças em visitas, estrutura da cela e acesso à saúde; inspeção autorizada pelo STF integra o contexto
Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a comparar publicamente o tratamento recebido pelo pai com as condições estabelecidas para Luiz Inácio Lula da Silva durante o período em que esteve detido em 2018. Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro utilizaram as redes sociais para afirmar que as medidas impostas pela Polícia Federal ao ex-mandatário seriam mais rígidas do que as determinadas ao atual presidente quando cumpriu ordem judicial da 13ª Vara Federal de Curitiba.
Em uma das publicações, Eduardo Bolsonaro mencionou que Lula tinha acesso ao hospital Albert Einstein enquanto, segundo ele, Jair Bolsonaro dependeria do atendimento do Samu. No mesmo texto, o deputado afirmou que haveria intenção de “humilhar e exterminar”, expressão utilizada por ele ao comentar a situação do pai. Carlos Bolsonaro também fez críticas às regras de visitação, afirmando que a família teria enfrentado dias sem informações sobre a condição de saúde do ex-presidente. Ele mencionou ainda que Lula recebeu mais de 500 visitas no período em que permaneceu sob custódia da Polícia Federal em Curitiba.
Brasília (DF), 26/03/2025 – Ex-presidente Jair Bolsonaro durante declaração a imprensa após virar Réu no STF. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Os filhos do ex-presidente também questionam supostas diferenças na estrutura da cela e defendem que Jair Bolsonaro tenha direito à prisão domiciliar. Apesar das alegações, tanto Lula quanto Bolsonaro foram detidos em unidades da Polícia Federal, condição vinculada ao cargo que exerceram e às circunstâncias dos respectivos processos. No caso de Lula, a custódia ocorreu em Curitiba porque o processo tramitava na Justiça Federal do Paraná. Jair Bolsonaro cumpre ordem do Supremo Tribunal Federal, sediado em Brasília, motivo pelo qual está detido na Superintendência da PF no Distrito Federal.
A corporação aplica normas internas previstas em portarias, que definem padrões para a estrutura das celas, regras de visitas e procedimentos gerais. Em ambos os casos, as limitações seguem protocolos institucionais da Polícia Federal. As divergências entre as situações estão relacionadas ao local de custódia e ao órgão responsável por conduzir cada processo judicial.
Brasília (DF), 10/06/2025 – O ex presidente Jair Bolsonaro chegando para depoimento na 1 turma do STF.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes começa a ouvir os réus do núcleo 1 na ação da trama golpista, os interrogatórios ocorrerão presencialmente na sala de julgamentos da primeira turma da corte
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
As comparações feitas pelos filhos do ex-presidente têm repercutido nas redes sociais e motivado manifestações de apoiadores e parlamentares. O tema também gerou pedidos formais de inspeção nas dependências onde Bolsonaro se encontra detido.
STF autoriza inspeção na cela de Jair Bolsonaro por integrante da Comissão de Segurança Pública
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o deputado Paulo Bilynskyj — ou outro integrante indicado por ele da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados — realize uma inspeção na cela onde Jair Bolsonaro está detido, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A autorização foi concedida após pedido formal do parlamentar, que preside a comissão. A visita foi marcada para a próxima quinta-feira (11), das 9h às 11h, em conformidade com as normas da Polícia Federal. Moraes determinou que é proibido portar celular, fotografar ou gravar vídeos durante a inspeção, estabelecendo que a entrada deve seguir exclusivamente os critérios operacionais da PF.
Essa será a primeira autorização concedida pelo ministro a um visitante que não integra o círculo familiar do ex-presidente. Até o momento, Bolsonaro recebeu apenas a esposa, Michelle Bolsonaro, e seus filhos.
As regras de visitação seguem a Portaria SR/PF/DF nº 1104, publicada em março de 2024. O documento define que Bolsonaro pode receber visitas às terças e quintas-feiras, entre 9h e 11h, com duração máxima de 30 minutos por visitante. São permitidos dois visitantes por data, que devem entrar separadamente.
Médicos e advogados cadastrados no processo mantêm acesso liberado, sem necessidade de autorização prévia do STF, desde que cumpram as diretrizes internas da Superintendência da Polícia Federal.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil / Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil / Valter Campanato/Agência Brasil
Material de violência sexual infantojuvenil foi localizado durante operação contra reincidência em contrabando; Criança envolvida foi encaminhada ao Conselho Tutelar para acompanhamento
A Polícia Federal prendeu em flagrante, na manhã desta quinta-feira (4), um homem investigado por contrabando em Natal. A prisão ocorreu durante o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça, em investigação que trata da reincidência do suspeito na prática do crime.
Durante as diligências, os agentes localizaram material classificado como violência sexual infantojuvenil. A Polícia Federal informou que o conteúdo foi encontrado no imóvel alvo da operação, o que levou à autuação em flagrante. Também foram apreendidos cigarros contrabandeados destinados à comercialização e uma quantia em dinheiro que não havia sido declarada.
A criança identificada nos materiais foi encaminhada ao Conselho Tutelar para avaliação e acompanhamento, diante da situação de risco apontada pelos investigadores.
Em nota, a Polícia Federal reforçou que, embora o Estatuto da Criança e do Adolescente ainda utilize o termo “pornografia” para definir situações que envolvam crianças ou adolescentes em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, a compreensão internacional recomenda a utilização das expressões “violência sexual” ou “abuso sexual” de crianças e adolescentes. Segundo a instituição, a nomenclatura contribui para expor a dimensão da violência sofrida pelas vítimas.
A PF também alertou pais e responsáveis sobre a necessidade de orientação e acompanhamento das atividades de crianças e adolescentes no ambiente virtual e físico. A corporação destacou a importância de dialogar sobre riscos, ensinar o uso seguro de redes sociais, jogos e aplicativos e observar mudanças de comportamento que possam indicar situações de vulnerabilidade. A instituição orientou ainda que crianças e adolescentes devem ser instruídos sobre como proceder diante de contatos inadequados em ambientes digitais.
A Polícia Federal segue com a investigação sobre o caso, tanto em relação ao crime de contrabando quanto aos materiais de violência sexual encontrados durante a operação.
Ministro mantém normas da PF que autorizam visitas apenas às terças e quintas; Pedido para visita no domingo, dia do aniversário do vereador, foi indeferido
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido apresentado pelo vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) para realizar uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro no próximo domingo (7). A data coincide com o aniversário do vereador, que alegou o motivo ao solicitar a mudança do dia de visita. A decisão mantém as regras de visitação definidas pela Superintendência da Polícia Federal.
De acordo com as normas vigentes, as visitas familiares ao ex-presidente estão autorizadas exclusivamente às terças e quintas-feiras, das 9h às 11h. Cada visita tem duração máxima de 30 minutos, limitada a dois visitantes por dia, que devem entrar separadamente. O pedido apresentado pelo vereador solicitava a transferência da visita regular, que estava agendada para 4 de dezembro, para o domingo.
Na decisão, Moraes destacou que as regras de visitação estabelecidas pela Polícia Federal são obrigatórias e seguem critérios de segurança determinados para o local de custódia. O ministro ressaltou ainda que não há possibilidade de escolha de dias ou horários por parte do custodiado, que cumpre pena privativa de liberdade após condenação definitiva.
Segundo o despacho, as normas adotadas seguem o padrão das unidades prisionais federais e estaduais, nas quais visitas fora do cronograma oficial não são autorizadas, salvo em situações excepcionais previstas nas regulamentações internas. O ministro declarou que o pedido não se enquadra nas hipóteses excepcionais e, por isso, não poderia ser atendido.
Carlos Bolsonaro, por meio das redes sociais, lamentou a negativa. Ele afirmou que solicitou a visita especificamente por ser seu aniversário e que pretendia utilizar apenas os 30 minutos previstos nas regras. Em publicação, escreveu: “Pedi para visitar meu pai, mesmo que fosse pelos 30 minutos estabelecidos, no dia do meu aniversário […], e o pedido foi indeferido por Alexandre de Moraes”.
A decisão mantém o mesmo padrão aplicado em outras solicitações feitas por familiares do ex-presidente desde o início do período de custódia. As regras estabelecidas pela Polícia Federal, segundo Moraes, têm como finalidade assegurar condições adequadas de controle e segurança, além de preservar a organização do fluxo de visitantes.
O indeferimento também reafirma que as visitas devem ocorrer de maneira individualizada, sem possibilidade de ampliação da lista de visitantes ou de alteração das datas previamente determinadas. Desde a definição do calendário, familiares precisam seguir o cronograma fixado e comparecer nos dias autorizados.
O ministro ainda observou que visitas aos domingos não são permitidas em nenhuma unidade administrada pela Polícia Federal e que o custodiado está sujeito às mesmas condições de outros presos, mesmo sendo ex-presidente da República. A decisão reforça que a concessão de visita em dias não autorizados configuraria exceção sem respaldo nas normas vigentes.
A defesa de Jair Bolsonaro ainda não se manifestou sobre a decisão. O vereador Carlos Bolsonaro segue autorizado a realizar a visita na data originalmente incluída no calendário estabelecido pela PF.
Visita ocorre após pedido da defesa; autorização prevê 30 minutos para cada filho
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) estiveram, na manhã desta terça-feira (25), na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília, para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ambos chegaram ao local às 9h18, após autorização concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo informações da defesa, o pedido para a visita foi apresentado no sábado (22.nov).
Esta é a primeira vez que os dois filhos visitam Jair Bolsonaro desde que ele foi preso preventivamente, também no sábado (22). De acordo com a autorização judicial, cada um dos filhos pode permanecer por 30 minutos com o ex-presidente, em encontros individuais. O período máximo de permanência autorizado na Superintendência da PF vai até às 11h.
Brasília (DF), 23/11/2025 – Pessoas em frente a sede da Polícia Federal após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
A autorização destaca que os encontros devem ocorrer separadamente, permitindo visita individual de Flávio e, em seguida, de Carlos Bolsonaro. A decisão atende ao pedido da defesa, que havia solicitado visitas de familiares após a prisão preventiva do ex-presidente. O documento de autorização estabelece as regras de acesso e o limite de tempo destinado a cada visitante.
A chegada dos dois ocorreu sem a presença de apoiadores ou críticos no local. Não houve registro de manifestações durante o deslocamento dos parlamentares até a Superintendência da PF. As informações apontam que a visita se concentrou exclusivamente na determinação judicial e nas condições previstas na autorização do ministro Alexandre de Moraes.
A defesa de Jair Bolsonaro havia solicitado que familiares pudessem realizar visitas regulares desde a detenção no sábado. O pedido foi analisado pelo Supremo Tribunal Federal, que estabeleceu as condições específicas para as visitas. O ministro Alexandre de Moraes definiu que somente os dois filhos estariam autorizados a ingressar no local nesta data, com tempo limitado e supervisão da Polícia Federal.
Brasília (DF), 22/11/2025 – Movimentação na Polícia Federal após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
A prisão preventiva de Jair Bolsonaro ocorreu após determinação judicial e foi cumprida na Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília. Desde então, o ex-presidente encontra-se sob custódia, com acesso restrito a visitantes. A visita dos dois filhos segue a primeira autorização concedida após a detenção.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes estabelece que, além do limite de tempo, as visitas devem seguir os protocolos internos da Polícia Federal. O procedimento inclui identificação formal dos visitantes e acompanhamento do deslocamento até o local reservado para o encontro individual com o ex-presidente.
Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro permanecem autorizados a permanecer na Superintendência da PF até o horário-limite de 11h. O procedimento segue as regras estabelecidas na decisão judicial e faz parte do conjunto de medidas determinadas após a detenção preventiva do ex-presidente.
A visita ocorre dentro das condições previstas no despacho do ministro, que detalha o controle de acesso, o tempo de permanência e as limitações impostas pela custódia preventiva. Não foram registradas ocorrências externas durante a chegada dos parlamentares ao prédio da Polícia Federal.
Boletim médico informa que Jair Bolsonaro permanece estável na sede da Polícia Federal em Brasília após episódio de confusão mental.
Bolsonaro está estável do ponto de vista clínico e passou a noite sem intercorrência dizem médicos do ex-presidente
Bolsonaro está estável do ponto de vista clínico e passou a noite sem intercorrência dizem médicos do ex-presidente, conforme boletim divulgado neste domingo (23). O documento foi assinado pelos médicos Cláudio Birolini, cirurgião-geral, e Leandro Echenique, que visitaram Bolsonaro na sede da Polícia Federal (PF) em Brasília.
Estado clínico
Segundo os profissionais, o ex-presidente permanece estável e não apresentou novos sintomas após ajustes na medicação. Bolsonaro está detido desde a manhã de sábado (22), após decisão judicial motivada por risco de fuga, violação da tornozeleira eletrônica e tentativa de usar aglomeração de apoiadores para dificultar fiscalização das medidas cautelares.
Episódio de confusão mental
O boletim informa que Bolsonaro relatou um episódio de confusão mental e alucinações na noite de sexta-feira (21). Os médicos apontaram que o quadro pode ter sido provocado pelo uso de pregabalina, medicamento prescrito por outro integrante da equipe médica.
De acordo com o documento, a pregabalina apresenta interação relevante com remédios que Bolsonaro já utiliza para crises de soluços, como clorpromazina e gabapentina. A combinação pode causar efeitos colaterais como desorientação, sedação, alterações de equilíbrio, alucinações e prejuízo cognitivo.
O medicamento foi suspenso imediatamente, e os médicos afirmaram que Bolsonaro não apresenta sintomas residuais no momento.
Bolsonaro está estável do ponto de vista clínico
Histórico de saúde
O boletim destaca que Bolsonaro é portador de múltiplas comorbidades e faz uso contínuo de diversos medicamentos devido a internações e cirurgias realizadas desde 2018. Entre os problemas recentes, está um quadro de pneumonia por broncoaspiração e episódios de soluços refratários.
Ajustes no tratamento
A equipe médica informou que realizou ajustes para restabelecer o tratamento anterior e continuará acompanhando o estado clínico do ex-presidente com avaliações periódicas.
Foto: Fernando Frazão/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Relatório aponta tentativa de danificação do equipamento que monitorava o ex-presidente.
Bolsonaro admite que usou ferro quente para abrir tornozeleira
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na manhã de sábado (22), admitiu ter utilizado um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira eletrônica que usava como medida cautelar determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A informação consta em relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (SEAPE-DF).
Relatório aponta tentativa de violação
O documento elaborado pela equipe policial indica que houve acionamento para verificar possível danificação do equipamento. A análise confirmou sinais de avaria, incluindo marcas de queimadura em toda a circunferência da tornozeleira, especialmente na região de fechamento do case.
A constatação levou à prisão preventiva do ex-presidente por risco de fuga. O relatório da Polícia Federal descreve que o equipamento apresentava “sinais claros e importantes de avaria”, reforçando a suspeita de tentativa deliberada de remoção.
Contexto da prisão
Bolsonaro estava submetido a medidas cautelares impostas pelo STF, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, após condenação por tentativa de golpe de Estado. A pena fixada é de 27 anos e três meses, mas ainda não transitou em julgado. A prisão preventiva foi decretada para evitar evasão e garantir cumprimento das determinações judiciais.
O episódio ocorre em meio à análise do Supremo sobre a manutenção da prisão preventiva. A Primeira Turma da Corte deve avaliar se a medida será mantida ou substituída por outra menos gravosa.
Bolsonaro admite que usou ferro quente para abrir tornozeleira
Próximos passos
Com a confirmação da tentativa de violação da tornozeleira, o caso pode influenciar decisões futuras sobre o regime de cumprimento da pena. A prisão preventiva tende a ser seguida pela execução da condenação em regime fechado, caso os recursos sejam esgotados.
Foto: Divulgação/SEAP/Gustavo Moreno/Agência Brasil
Ex-presidente passa por audiência após prisão preventiva determinada pelo STF.
Bolsonaro será submetido a audiência de custódia neste domingo (23)
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participa neste domingo (23) de audiência de custódia, um dia após ser preso preventivamente por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O procedimento ocorre na sede da Polícia Federal em Brasília.
Objetivo da audiência
A audiência de custódia é obrigatória em casos de prisão e tem como finalidade verificar a legalidade da detenção e garantir que não houve violação de direitos fundamentais. O juiz responsável avalia se a prisão respeitou as normas legais e se houve irregularidades na abordagem policial. O encontro não discute o mérito da acusação, mas apenas a forma como a prisão foi executada.
Motivos da prisão preventiva
Bolsonaro foi preso preventivamente após descumprimento de medidas cautelares impostas pelo STF. Entre os fatores apontados na decisão estão a convocação de uma vigília nas proximidades da residência do ex-presidente, considerada tentativa de obstruir a fiscalização, e a violação da tornozeleira eletrônica. Segundo informações do processo, Bolsonaro tentou danificar o equipamento, o que indicaria risco de fuga.
A prisão preventiva não tem prazo definido e foi decretada para garantir a ordem pública e evitar evasão. A decisão também levou em conta a proximidade do início da execução da pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, já que os recursos contra essa condenação estão em fase final de análise.
Bolsonaro será submetido a audiência de custódia
Próximos passos no STF
Após a audiência de custódia, a Primeira Turma do STF deve se reunir para analisar a decisão de Alexandre de Moraes. O colegiado poderá manter a prisão preventiva ou substituí-la por medida menos gravosa, como retorno à prisão domiciliar. Caso a decisão seja confirmada, Bolsonaro poderá permanecer preso até o trânsito em julgado da condenação, quando deverá iniciar o cumprimento da pena em regime fechado.
Condições da detenção
Bolsonaro está custodiado em uma sala especial na sede da Polícia Federal em Brasília, espaço reservado para autoridades. O local possui cama, banheiro privativo, mesa de trabalho, frigobar e ar-condicionado. A estrutura foi adaptada para longas detenções e conta com vigilância permanente e acompanhamento médico.
Decisão do STF cita risco de fuga e convocação de vigília; prisão ocorreu sem algemas e sem exposição à imprensa.
Bolsonaro é preso preventivamente a pedido da Polícia Federal
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso na manhã deste sábado (22) após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão preventiva foi solicitada pela Polícia Federal (PF) e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. A medida tem caráter cautelar e não está relacionada diretamente à condenação por tentativa de golpe de Estado.
Segundo a decisão, o risco elevado de fuga motivou a ordem judicial. O Centro de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou ao STF que houve violação da tornozeleira eletrônica às 0h08 deste sábado. Moraes também mencionou a convocação de uma vigília em frente ao condomínio do ex-presidente, feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como indício de tentativa de obstrução da fiscalização das medidas cautelares.
O ministro destacou que, durante as investigações que levaram à condenação de Bolsonaro, foi identificado um plano para solicitar asilo político na embaixada da Argentina. O condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar fica a cerca de 13 quilômetros do Setor de Embaixadas Sul, distância que pode ser percorrida em menos de 15 minutos de carro.
Na decisão, Moraes também citou os deputados Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro, que deixaram o país para evitar medidas judiciais, reforçando o risco de fuga do ex-presidente.
Bolsonaro foi detido por volta das 6h e levado à sede da Polícia Federal às 6h35. Após os trâmites iniciais, foi encaminhado para a Superintendência da PF no Distrito Federal, onde ficará em uma “Sala de Estado”, espaço reservado para autoridades. A Polícia Federal informou que cumpriu o mandado expedido pelo STF.
Bolsonaro é preso preventivamente
Prisão ocorreu sem algemas e sem exposição à imprensa
O ministro Alexandre de Moraes determinou que a prisão preventiva fosse realizada sem uso de algemas e sem exposição à imprensa. A ordem foi encaminhada à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, com orientação para que a ação respeitasse a dignidade do ex-presidente.
A decisão também autorizou que a equipe policial definisse o uso de uniforme e armamento conforme necessidade. A prisão preventiva não tem prazo determinado e foi justificada para garantir a ordem pública diante da convocação de apoiadores para vigília no condomínio.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe, mas a prisão atual não está vinculada à execução dessa pena. Os recursos ainda estão em andamento, e a defesa tenta evitar a transição para regime fechado, alegando problemas médicos e risco à vida no sistema prisional.
Michelle Bolsonaro publica mensagem bíblica após prisão
Logo após a prisão do ex-presidente, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou uma mensagem com referência bíblica em seu perfil no Instagram. A postagem, feita neste sábado (22), incluiu um versículo do Salmo 121: “Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro”. Michelle também escreveu: “Eu confio no Senhor”.
Polícia Militar e Polícia Federal prendem dois homens após abordagem da CIOPAR
Ação conjunta apreende 20 quilos de maconha na zona rural de Angicos
Uma ação realizada nesta quarta-feira (19) pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte, em conjunto com a Polícia Federal, resultou na apreensão de 20 quilos de maconha na zona rural de Angicos. Dois homens foram detidos durante a ocorrência.
A apreensão ocorreu após abordagem de rotina conduzida por uma equipe da Companhia Independente de Operações e Patrulhamento em Áreas Rurais (CIOPAR) da Polícia Militar. Durante a fiscalização, os policiais identificaram indícios de irregularidades no automóvel em que os suspeitos estavam. A verificação do interior do veículo levou à localização dos 20 quilos de maconha.
Segundo informações da Polícia Militar, a droga estava escondida no interior do automóvel, que circulava pela zona rural do município. A CIOPAR, responsável por patrulhamento em áreas de difícil acesso e fiscalização de rotas utilizadas para transporte de ilícitos, realizou a abordagem que culminou na apreensão.
Os dois homens foram presos em flagrante no local. Após a captura, os suspeitos e o material apreendido foram encaminhados para a sede da Polícia Federal, onde a ocorrência foi registrada. A carga de maconha será submetida à perícia oficial para análise e confirmação da substância.
A ação reforça a atuação conjunta entre as forças de segurança no estado, com integração entre Polícia Militar e Polícia Federal em operações voltadas ao combate ao tráfico de drogas. A região rural de Angicos tem recebido fiscalizações periódicas devido ao uso de rotas alternativas para transporte de entorpecentes.
Durante a abordagem, os policiais conduziram procedimentos padrão de revista e identificação. A droga foi encontrada em compartimentos internos do veículo, acondicionada em quantidade total de 20 quilos. O veículo utilizado pelos suspeitos também foi encaminhado para análise e registro da ocorrência.
Os suspeitos permanecerão à disposição da Justiça após os trâmites iniciais na Polícia Federal. A PF segue responsável pelos procedimentos legais e pela continuidade das investigações sobre a origem e o destino da droga apreendida.
As forças de segurança informam que operações integradas continuarão a ocorrer em áreas urbanas e rurais para identificar transportes ilícitos, cumprir mandados e intensificar ações de patrulhamento preventivo. A CIOPAR mantém equipes mobilizadas para monitoramento de regiões estratégicas e fiscalização de áreas rurais utilizadas como rotas de deslocamento de drogas.
Decisão ocorre após operação da Polícia Federal que investiga esquema de títulos falsos no Sistema Financeiro Nacional
Justiça Federal mantém prisão do dono do Banco Master após audiência de custódia
A Justiça Federal do Distrito Federal decidiu manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, após audiência de custódia realizada nesta terça-feira (18). Vorcaro havia sido detido pela Polícia Federal na noite de segunda-feira (17), no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando se preparava para embarcar em viagem internacional.
Além de Vorcaro, o sócio Augusto Lima e outros cinco investigados também permanecerão presos por determinação judicial. As detenções fazem parte da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um esquema de emissão de títulos de crédito falsos envolvendo instituições do Sistema Financeiro Nacional.
Detalhes da operação
A Polícia Federal cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, dois temporários e 25 ordens de busca e apreensão em diversos estados, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal. Os investigados são suspeitos de praticar crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
Segundo informações da investigação, o grupo teria fabricado carteiras de crédito sem lastro, que foram posteriormente comercializadas com outra instituição financeira. Após fiscalização do Banco Central, esses papéis foram substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada, o que levantou suspeitas e motivou a abertura do inquérito.
Justiça Federal mantém prisão do dono do Banco Master
Ação do Banco Central
Paralelamente às ações policiais, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master nesta terça-feira (18). A medida interrompeu qualquer possibilidade de venda da instituição, frustrando uma negociação com o Grupo Fictor, que havia demonstrado interesse na aquisição menos de 24 horas antes da operação da Polícia Federal.
Origem das investigações
As apurações começaram no ano passado, após provocação do Ministério Público Federal. A investigação apontou indícios de que os ativos comercializados pelo grupo não possuíam lastro real, caracterizando fraude no sistema financeiro. A operação busca responsabilizar os envolvidos e impedir novos prejuízos ao mercado.
Ação da Polícia Federal cumpre mandados em cinco estados após suspeita de fraude no sistema financeiro.
PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em operação Compliance Zero
A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira (18) o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, durante a operação denominada Compliance Zero. A ação ocorre após o Banco Central identificar possíveis irregularidades nas operações da instituição financeira.
Segundo informações divulgadas, a ofensiva cumpre sete mandados de prisão e 25 mandados de busca e apreensão em cinco estados: Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Minas Gerais. De acordo com a Polícia Federal, o objetivo é desarticular um esquema de emissão de títulos de crédito falsos por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.
As investigações tiveram início em 2024, a partir de uma requisição do Ministério Público Federal. A apuração indica que carteiras de crédito inexistentes teriam sido fabricadas e vendidas a outra instituição bancária. Após fiscalização do Banco Central, esses ativos foram substituídos por outros sem avaliação técnica adequada, o que configura indícios de fraude.
PF prende Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro e os demais investigados poderão responder por crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, entre outras infrações previstas na legislação financeira. A operação busca reunir provas que confirmem a prática dessas condutas e esclarecer a extensão do esquema.
A Polícia Federal informou que os mandados foram expedidos pela Justiça Federal e que as diligências incluem apreensão de documentos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis. O Banco Central acompanha as ações para avaliar os impactos sobre o sistema financeiro e garantir a estabilidade das operações.
A operação Compliance Zero reforça a atuação conjunta entre órgãos de fiscalização e investigação para combater práticas ilícitas no setor bancário. As autoridades não divulgaram detalhes sobre os valores envolvidos ou sobre possíveis prejuízos causados pelo esquema.
Até o momento, não há informações sobre medidas adicionais contra o Banco Master ou sobre eventual intervenção na instituição. O caso segue sob análise da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, que deverão apresentar novas informações após a conclusão das diligências.
Indiciamento ocorre após denúncias de assédio apresentadas à ONG Me Too
A Polícia Federal (PF) indiciou, nesta sexta-feira, 14, o ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula, Silvio Almeida, pelo crime de importunação sexual. O indiciamento foi realizado após análise do inquérito que apurava denúncias de assédio apresentadas contra o ex-ministro durante sua passagem pela pasta.
De acordo com o Código Penal, o crime de importunação sexual consiste em “praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”. A pena prevista é de reclusão de um a cinco anos, caso o ato não constitua crime mais grave. O indiciamento indica que a corporação avalia haver indícios suficientes para que o caso avance para a próxima etapa judicial.
O processo foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro André Mendonça atua como relator do inquérito. Cabe ao relator solicitar a manifestação do Ministério Público Federal (MPF), que decidirá se transforma o caso em denúncia formal. Caso o MPF apresente denúncia, o processo segue para análise do Judiciário.
Silvio Almeida foi exonerado do cargo em setembro do ano anterior, após denúncias de assédio sexual registradas na ONG Me Too e divulgadas pelo portal Metrópoles. Entre as mulheres que prestaram depoimento está a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que relatou supostos episódios envolvendo o ex-ministro.
O ministro André Mendonça prorrogou o prazo da investigação da PF em fevereiro, permitindo a continuidade das diligências relacionadas às denúncias. Desde o início do caso, Almeida negou as acusações, classificando-as como “mentiras e falsidades”.
Além da apuração conduzida pela PF, o ex-ministro foi alvo de processos na Comissão de Ética da Presidência (CEP). O colegiado iniciou investigação logo após a divulgação das denúncias. Em outubro de 2024, novas denúncias foram registradas na comissão, tendo o ex-ministro como alvo. As informações sobre os processos são sigilosas, mas, segundo o governo, não tinham relação com as denúncias apresentadas à ONG Me Too. Em novembro, um dos pedidos de investigação foi arquivado.
Em fevereiro deste ano, Almeida anunciou seu retorno ao mercado editorial e às atividades em seu canal no YouTube. Na ocasião, afirmou ser vítima de tentativa de apagamento e de racismo, além de acusar a ONG Me Too de pressionar o governo federal por “disputa política ou por ressentimento”.
O ex-ministro também declarou que retomaria sua atuação pública com novos projetos pessoais. Em manifestações anteriores, reiterou que as acusações não tinham fundamento e que responderia a todas as etapas da investigação.
Com o indiciamento formalizado, o caso aguarda análise do Ministério Público Federal, que terá a responsabilidade de decidir sobre o prosseguimento da ação. Enquanto isso, o processo permanece sob relatoria do ministro André Mendonça no STF.
Transferência de criminosos de alta periculosidade para presídio federal ocorre sob sigilo e escolta reforçada
Comando Vermelho no RN: líderes da facção chegam a Mossoró sob escolta blindada
Líderes do Comando Vermelho (CV) foram transferidos para o Presídio Federal de Mossoró (RN) em uma operação marcada pelo sigilo e reforço de segurança. Um jato da Polícia Federal pousou no Aeroporto de Aracati (CE) na tarde desta quinta-feira (13), trazendo os criminosos que seguiram sob escolta blindada até a unidade de segurança máxima.
A transferência evitou o Aeroporto Dix-sept Rosado, em Mossoró, que está em obras, e utilizou uma rota alternativa para reduzir riscos de interceptação. Por questões de segurança, o número exato de presos não foi divulgado. Todos os detentos saíram do Complexo Penitenciário de Bangu I, no Rio de Janeiro, e foram redistribuídos para presídios federais em diferentes estados.
Sigilo e segurança reforçada
Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), o sigilo é essencial para proteger equipes, escoltas e a população, já que se trata de criminosos de alta periculosidade. O transporte aéreo e terrestre contou com apoio de diversas forças de segurança, garantindo que a operação fosse concluída sem incidentes.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, anunciou a ação após autorização do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ao todo, sete líderes do Comando Vermelho foram levados para presídios federais de segurança máxima, incluindo Mossoró (RN) e Catanduvas (PR), como parte da estratégia para enfraquecer a comunicação e o comando das facções dentro das prisões estaduais.
Objetivo da transferência
A medida busca reduzir a influência das organizações criminosas sobre o sistema penitenciário estadual e impedir que líderes continuem ordenando crimes de dentro das unidades prisionais. Presídios federais são projetados para isolar detentos considerados de alta periculosidade, com protocolos rígidos de segurança e monitoramento.
Comando Vermelho no RN
Operações integradas
A transferência faz parte de um conjunto de ações coordenadas pelo Ministério da Justiça e pela Senappen para combater o crime organizado em todo o país. Essas operações incluem redistribuição de presos, reforço de inteligência e integração entre forças federais e estaduais.
Presídio Federal de Mossoró
Localizado no interior do Rio Grande do Norte, o Presídio Federal de Mossoró é uma das cinco unidades de segurança máxima do Brasil. A estrutura é destinada a presos de alta periculosidade, com regime disciplinar diferenciado e vigilância permanente. A unidade já recebeu líderes de facções em operações anteriores, mantendo protocolos para evitar fugas e comunicação externa.
Impacto na segurança pública
A transferência de líderes do Comando Vermelho ocorre em meio a esforços para conter a escalada da violência e reduzir o poder das facções no país. Autoridades afirmam que o isolamento desses criminosos em presídios federais é fundamental para desarticular redes de comando e impedir a continuidade de atividades ilícitas.
Defesa de Gabriel Negreiros afirma que operação da PF cumpriu apenas mandado de busca em sua residência
Polícia Federal cumpre mandado na casa de Gabriel Negreiros em nova fase da Operação Sem Desconto
A Polícia Federal (PF) cumpriu, na manhã desta quinta-feira (13), um mandado de busca e apreensão na residência de Gabriel Negreiros, tesoureiro da Confederação Brasileira de Pensionistas e Aposentados (CBPA), localizada em Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal. A ação integra a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em todo o país pela Polícia Federal, com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
A operação tem como objetivo apurar um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. Segundo as investigações, o grupo atuava em nível nacional, envolvendo entidades e associações de várias categorias profissionais.
De acordo com informações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Gabriel Negreiros teria sido citado em delações que apontam repasses milionários, supostamente ligados ao esquema. Ele é investigado por suposto recebimento de valores que podem chegar a R$ 5 milhões e por vínculos institucionais com o presidente da CBPA, Abraão Lincoln.
Ainda segundo a CPMI, os nomes de ambos apareceram após vir à tona que Gabriel é padrinho do neto de Abraão Lincoln, embora este tenha afirmado que mantém apenas uma “relação institucional” com o tesoureiro da confederação.
Operação investiga crimes previdenciários e lavagem de dinheiro
A Operação Sem Desconto é resultado de uma investigação da Polícia Federal que envolve entidades representativas e associações em 15 estados, além do Distrito Federal. No total, foram 63 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão preventiva, além de outras medidas cautelares.
Os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato previdenciário, corrupção, inserção de dados falsos em sistemas públicos, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro. As ações foram concentradas em diversos municípios e buscam desarticular um esquema de cobrança de contribuições não autorizadas de aposentados e pensionistas em folha de pagamento.
De acordo com a PF, os valores retidos indevidamente eram direcionados a contas de associações e sindicatos que teriam sido utilizados como fachada para movimentações financeiras ilícitas.
Defesa nega irregularidades e diz que busca foi apenas procedimento pontual
A defesa de Gabriel Negreiros divulgou nota oficial à imprensa após o cumprimento da medida, esclarecendo que a ação da Polícia Federal se restringiu à execução de um mandado de busca em sua residência e que nenhuma outra medida cautelar foi determinada contra o investigado.
Segundo os advogados, o procedimento ocorreu de forma pacífica e colaborativa, com duração inferior a 20 minutos, e está relacionado exclusivamente à atuação institucional de Negreiros na CBPA.
Confira a íntegra da nota divulgada pela defesa:
NOTA À IMPRENSA
Em razão das notícias veiculadas sobre a operação da Polícia Federal denominada “Sem Desconto”, deflagrada na data de hoje em diversos estados da federação, a defesa de Gabriel Negreiros vem a público prestar esclarecimentos.
Informamos que, nesta manhã, foi cumprido apenas um mandado de busca na residência de Gabriel Negreiros, diligência referente exclusivamente à sua atuação institucional junto à Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA).
Ressaltamos que a medida foi cumprida de forma totalmente pacífica e colaborativa, com duração inferior a 20 (vinte) minutos, e esclarecemos ainda que inexiste qualquer outra medida cautelar determinada em desfavor de Gabriel Negreiros.
Por fim, reiteramos que Gabriel Negreiros sempre se colocou à disposição para colaborar com toda a apuração investigativa. Essa postura permanece inalterada, ainda que a defesa, até o presente momento, não tenha tido acesso aos autos da investigação.
Flaviano Gama e Advogados
Operação nacional da PF e CGU
A Operação Sem Desconto tem alcance nacional e investiga fraudes em descontos não autorizados sobre benefícios previdenciários. As apurações indicam que dados de segurados do INSS eram utilizados para realizar débitos em folha sem consentimento, por meio de entidades que se apresentavam como associações ou sindicatos de servidores e aposentados.
As ações de busca e apreensão têm como objetivo coletar provas e documentos que possam comprovar a existência de um esquema de desvio de recursos e lavagem de dinheiro. A investigação segue em andamento sob sigilo judicial.
Polícia Federal investiga esquema de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas com prejuízo estimado em R$ 8 bilhões
Polícia Federal mira ex-presidentes do INSS em operação sobre descontos indevidos
Dois ex-presidentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foram alvo de operações da Polícia Federal (PF) realizadas na manhã desta quinta-feira (13). As medidas fazem parte da Operação Sem Desconto, que apura a existência de um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, com prejuízo estimado em R$ 8 bilhões, segundo auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU).
Um dos investigados é Alessandro Stefanutto, que foi preso nesta quinta-feira (13). Ele é suspeito de ter permitido irregularidades durante sua gestão à frente do INSS, cargo que assumiu em julho de 2023, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Stefanutto havia pedido demissão em abril deste ano, após determinação presidencial. Até o momento, a defesa do ex-presidente não se manifestou.
O outro investigado é José Carlos Oliveira, também ex-presidente do INSS e ex-ministro da Previdência durante o governo Jair Bolsonaro. Ele é apontado como responsável pela assinatura de acordos de cooperação técnica com entidades suspeitas de aplicar descontos ilegais em benefícios previdenciários.
Operação Sem Desconto investiga fraudes em benefícios do INSS
A Operação Sem Desconto é conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a CGU e investiga a existência de fraudes em cobranças associativas realizadas sem autorização de beneficiários. A apuração indica que dados de aposentados e pensionistas teriam sido utilizados para inserir débitos indevidos diretamente nas folhas de pagamento, com o envolvimento de associações e sindicatos em diferentes estados do país.
Segundo a PF, o esquema contava com apoio de servidores públicos e dirigentes de entidades representativas, que autorizavam ou validavam as transações sem o consentimento dos segurados. As investigações também apontam para a lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo recursos obtidos irregularmente.
Quem é Alessandro Stefanutto
Alessandro Stefanutto foi nomeado presidente do INSS em 11 de julho de 2023 pelo ministro da Previdência Social, Carlos Lupi. Antes disso, havia atuado como Diretor de Orçamento, Finanças e Logística da autarquia, cargo que ocupava desde março do mesmo ano.
Servidor de carreira do INSS desde 2000, Stefanutto exerceu diversas funções na estrutura administrativa, entre elas a Coordenação-Geral de Administração das Procuradorias, onde foi responsável pela gestão de 91 Procuradorias Seccionais e 5 Procuradorias Regionais. Entre 2011 e 2017, atuou como Procurador-Geral do INSS, responsável pela defesa judicial da Previdência Social.
Formado em Direito pela Universidade Mackenzie, com pós-graduação em gestão de projetos e especialização em mediação e arbitragem pela FGV, Stefanutto também possui dois mestrados: um em Gestão e Sistemas de Seguridade Social pela Universidade de Alcalá (Espanha) e outro em Direito Internacional pela Universidade de Lisboa, concluído em 2024.
Antes da carreira jurídica, cursou o Colégio Naval e a Escola Naval entre 1988 e 1992.
Quem é José Carlos Oliveira
José Carlos Oliveira, também conhecido como Ahmed Mohmad, foi presidente do INSS entre 2021 e 2022 e ministro do Trabalho e da Previdência durante o governo Jair Bolsonaro. Ele foi aposentado pelo próprio INSS em outubro de 2024.
Oliveira iniciou sua trajetória no órgão como técnico do seguro social e ocupou cargos de direção, como o de Diretor de Benefícios e superintendente regional. Também exerceu o mandato de vereador em São Paulo entre outubro e dezembro de 2012, após ser eleito suplente pelo DEM e migrar posteriormente para o PSD.
Durante sua gestão no INSS, José Carlos Oliveira celebrou três acordos de cooperação técnica (ACTs) com entidades sob investigação, que teriam arrecadado R$ 492 milhões em descontos ilegais aplicados a aposentados e pensionistas. Segundo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, os acordos foram firmados sem análise de risco e contra pareceres técnicos que recomendavam a não assinatura.
Em depoimento à CPI, Oliveira afirmou que os documentos eram assinados automaticamente, pois o INSS não tinha estrutura de fiscalização adequada. Ele também figurava como sócio de uma empresa de cobrança, o que configuraria conflito de interesse com os contratos firmados.
A CPI apurou ainda que Oliveira estava no comando do INSS quando o órgão celebrou acordo com a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) — uma das entidades investigadas na Operação Sem Desconto. A Ambec é ligada aos empresários Maurício Camisotti e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, ambos presos pela PF em setembro.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil / Valter Campanato/Agência Brasil / Alessandro Dantas / Washington Costa/ME / Geraldo Magela/Agência Senado
Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, é alvo de operação que apura suspeita de corrupção e fraudes em licitações na área da educação
A Polícia Federal realizou, na manhã de quarta-feira (12), uma operação que investiga supostas irregularidades no Ministério da Educação (MEC). Entre os alvos está Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela é apontada como uma das pessoas que teriam atuado para liberar recursos públicos a uma empresa suspeita de fraudes em contratos com prefeituras do interior de São Paulo.
A ação faz parte da Operação Coffee Break, que apura suspeitas de corrupção, fraudes em licitação e desvio de recursos destinados à compra de kits e livros escolares. Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal foi recebida por Marcos Cláudio Lula da Silva, ex-marido de Carla e filho adotivo do presidente Lula, no endereço da investigada, em Campinas (SP). Segundo o auto circunstanciado da diligência, a busca foi realizada de forma tranquila, sem resistência.
De acordo com a investigação, Carla Ariane Trindade teria atuado para favorecer a empresa Life Tecnologia Educacional, de propriedade do empresário André Mariano, que é suspeito de superfaturar contratos e desviar cerca de R$ 70 milhões em recursos públicos. Os investigadores afirmam que o empresário mantinha empresas de fachada para movimentar os valores desviados.
Na residência de Carla, a Polícia Federal apreendeu um passaporte, um celular, um computador e um caderno de anotações. O mandado de busca e apreensão foi autorizado pela 1ª Vara Federal de Campinas. Segundo a decisão judicial, os indícios coletados até o momento indicam que Carla “parece ter ou alega ter influência em decisões do governo federal”.
A apuração aponta ainda que Carla teria viajado a Brasília em janeiro e maio de 2024, com passagens custeadas por André Mariano. Em mensagens apreendidas nos aparelhos do empresário, constam registros de agendas e comunicações que sugerem intermediação de interesses privados junto a órgãos públicos, especialmente na busca por contratos e repasses do MEC e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Durante a quebra de sigilos autorizada pela Justiça, os investigadores localizaram o nome de Carla na agenda de contatos de Mariano, registrado como “nora” — em referência ao antigo vínculo familiar com Lula — e “amiga de Paulínia”. A PF também apura se o empresário Kalil Bittar teria participado do mesmo esquema.
A investigação é conduzida em conjunto com o Ministério Público Federal e busca determinar se houve favorecimento indevido na liberação de verbas públicas federais. O inquérito segue em andamento sob sigilo judicial.
Procurada, a defesa de Carla Ariane Trindade informou que já solicitou acesso aos autos e que só irá se manifestar após conhecer integralmente o conteúdo da investigação. “A defesa esclarece que a medida foi cumprida com tranquilidade e que Carla permanece à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento”, diz trecho da nota.
A Life Tecnologia Educacional e os demais citados na investigação não se manifestaram até o momento. O Ministério da Educação e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República também foram procurados, mas não enviaram resposta.
Carla Ariane foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva por cerca de 20 anos. O casal se separou oficialmente em 2010 e tem um filho. Marcos é filho da ex-primeira-dama Marisa Letícia, adotado por Lula ainda na infância.
Ação investiga esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões
PF e CGU deflagram nova fase da Operação Sem Desconto com ações no Rio Grande do Norte
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quinta-feira (13), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados aplicados em aposentadorias e pensões. A operação conta com ações em diversos estados brasileiros, incluindo o Rio Grande do Norte, onde equipes cumprem mandados judiciais.
De acordo com informações divulgadas pelas instituições, estão sendo cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares diversas da prisão. As ações ocorrem nos estados do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e no Distrito Federal.
A investigação tem como foco principal um esquema que operava em nível nacional, envolvendo a inserção indevida de informações em sistemas oficiais para aplicar descontos não autorizados em benefícios previdenciários. As vítimas seriam, em sua maioria, aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a Polícia Federal, as apurações apontam para a existência de uma organização criminosa estruturada que atuava em diferentes estados, movimentando valores expressivos. O grupo investigado é suspeito de praticar inserção de dados falsos em sistemas públicos, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de atos de ocultação e dilapidação patrimonial.
Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal e estão sendo cumpridos com apoio de auditores da CGU, que atuam na análise de contratos e movimentações financeiras relacionadas ao esquema. O objetivo é reunir provas e identificar a participação de servidores públicos, representantes de associações e intermediários financeiros.
No Rio Grande do Norte, as equipes da PF e da CGU cumprem ordens judiciais em endereços ligados a suspeitos de envolvimento nas irregularidades. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o número de mandados cumpridos no estado ou o valor dos prejuízos identificados localmente.
As autoridades informaram que a Operação Sem Desconto é um desdobramento de investigações iniciadas em fases anteriores, que já haviam identificado irregularidades semelhantes em outras regiões do país. Nesta nova etapa, as apurações se concentraram em empresas e entidades que, segundo os levantamentos, se beneficiavam diretamente dos descontos indevidos.
A PF reforçou que as investigações seguem em andamento, com análise de documentos, registros financeiros e comunicações eletrônicas apreendidos durante a operação. A expectativa é que os dados obtidos contribuam para o aprofundamento das apurações e o eventual indiciamento dos envolvidos.
A Operação Sem Desconto conta com a colaboração de diversas unidades regionais da Polícia Federal e da CGU, além do apoio de outros órgãos públicos. O caso segue sob sigilo judicial.
Relator altera proposta e mantém penas mais duras contra facções sem mudar lei antiterrorismo
Lei Antifacção: Derrite recua sobre terrorismo após pressão de governo e PF
Lei Antifacção: Derrite recua sobre terrorismo após pressão de governo e PF
O relator da Lei Antifacção, deputado Guilherme Derrite, retirou do projeto a proposta que equiparava facções criminosas ao terrorismo. A mudança ocorreu após críticas do governo federal, da Polícia Federal e do Ministério Público, que alertaram para riscos de interferência nas investigações e impactos sobre operações contra o crime organizado.
A proposta original previa alterar a Lei Antiterrorismo para enquadrar organizações criminosas como terroristas, endurecendo penas e ampliando mecanismos de combate. Após reação contrária, Derrite afirmou que a decisão não representa recuo, mas uma mudança de estratégia. Segundo o parlamentar, o novo texto mantém medidas rigorosas contra facções, com aumento de penas e regras mais duras, sem modificar a legislação antiterrorismo.
O governo Lula demonstrou preocupação com possíveis prejuízos às operações federais. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a declarar que o relatório poderia fortalecer o crime organizado e comprometer ações da Receita Federal, como a Operação Cadeia de Carbono, realizada no Rio de Janeiro. A Polícia Federal também alertou para perda de autonomia caso a proposta original fosse mantida.
Mesmo com a alteração, Derrite garante que o projeto será um marco legal no combate às facções. Nos bastidores, aliados avaliam que a mudança busca reduzir críticas sem abrir mão do tom rígido contra o crime organizado.
Críticas do governo e tensão política
A mudança no texto não evitou críticas. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou o relatório como uma tentativa de blindagem e acusou Derrite de proteger interesses do crime organizado. Boulos também afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, teria influenciado o relator para conduzir alterações polêmicas no projeto.
Outros integrantes do governo, como Gleisi Hoffmann e Ricardo Lewandowski, também manifestaram preocupação com os impactos da proposta. O projeto, de autoria do Executivo, tem como objetivo endurecer o combate às facções criminosas, mas as mudanças feitas pelo relator alteraram pontos-chave, como a forma de atuação conjunta entre a Polícia Federal e as polícias estaduais.
Lei Antifacção
Garantia de atuação da Polícia Federal
Após a polêmica, o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o papel da Polícia Federal no combate às facções é inegociável. Motta negou qualquer tentativa de enfraquecer a instituição e classificou como “fake news” as acusações de interferência política. Segundo ele, o texto busca consenso entre União e estados, sem transformar o projeto em instrumento eleitoral.
A nova versão do relatório autoriza a atuação da Polícia Federal sempre que houver relação com sua competência legal ou a pedido de autoridades estaduais e do Ministério Público. A Lei Antifacção é considerada prioridade pela Câmara e deve ser votada até esta quarta-feira (12). O objetivo é criar um marco legal para enfrentar facções criminosas, que já ultrapassaram fronteiras estaduais e desafiam a segurança pública nacional.
Ação conjunta ocorre no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba, com prisões, apreensões e bloqueio de bens
Operação Karkinos é deflagrada no RN para combater contrabando de cigarros e crime organizado
As Forças de Segurança do Rio Grande do Norte deflagraram, nesta quarta-feira (6), a Operação Karkinos, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa responsável pelo contrabando de cigarros em três estados do Nordeste. A ação é coordenada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com a Receita Federal do Brasil (RFB), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PC/RN), com apoio das forças policiais da Paraíba e de Pernambuco.
A operação cumpre nove mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de bens e sequestro de ativos financeiros. As diligências acontecem simultaneamente em cidades dos três estados e envolvem cerca de 100 agentes públicos.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado atuava na introdução clandestina, transporte, armazenamento e distribuição de cigarros contrabandeados, movimentando mais de R$ 60 milhões entre 2024 e 2025. A estrutura da organização incluía divisão de funções e rotas definidas para a circulação das cargas ilegais.
A Receita Federal acompanha a operação, monitorando o bloqueio de bens e a apreensão de mercadorias irregulares para identificar o impacto da sonegação de impostos decorrente das atividades do grupo. A Polícia Rodoviária Federal, por sua vez, reforçou o patrulhamento das rodovias federais utilizadas pelas quadrilhas para o transporte das cargas ilícitas.
O nome “Karkinos” faz referência a uma figura mitológica conhecida por sua multiplicação e resistência, representando o caráter persistente e ramificado da rede criminosa desmantelada.
A Polícia Civil do RN destacou que a integração entre os órgãos estaduais e federais tem sido fundamental no enfrentamento a organizações criminosas com atuação interestadual. As forças de segurança ressaltaram ainda que o trabalho conjunto permite maior eficiência na identificação de rotas, integrantes e fluxos financeiros ligados ao contrabando.
Os mandados judiciais foram expedidos pela Justiça Federal, com base em provas reunidas ao longo das investigações conduzidas pela Polícia Federal. As apurações apontam que os cigarros eram introduzidos no país por rotas clandestinas e distribuídos sem controle sanitário ou tributário, gerando prejuízos milionários aos cofres públicos.
Os bens bloqueados e valores apreendidos serão destinados ao ressarcimento do erário. A operação representa uma das maiores ações recentes de combate ao contrabando e à lavagem de dinheiro no estado.
As investigações seguem em andamento, e novas informações sobre os resultados da Operação Karkinos deverão ser divulgadas pelas autoridades conforme o avanço das diligências e da análise do material apreendido.
Presidente afirma que ação policial nos complexos da Penha e do Alemão foi uma “matança” e pede atuação da Polícia Federal
Lula defende investigação da PF sobre mortes em operação no Rio de Janeiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, na terça-feira (4), a atuação da Polícia Federal (PF) nas investigações sobre as 121 mortes registradas durante a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. A operação ocorreu na semana anterior e resultou na morte de 117 suspeitos e quatro policiais.
Durante encontro com jornalistas estrangeiros em Belém (PA), onde participa da COP30, Lula afirmou que a ação policial foi uma “matança” e destacou a necessidade de apuração rigorosa dos fatos. Segundo o presidente, há divergências nas versões apresentadas pelas autoridades estaduais e pela polícia, o que reforça a importância da participação da PF no processo investigativo.
Lula mencionou que o governo federal está buscando formas de incluir legistas da Polícia Federal na investigação das mortes ocorridas durante a operação. O objetivo é garantir que os procedimentos periciais sejam realizados por órgãos independentes, considerando que muitos corpos foram enterrados sem perícia externa.
Lula defende investigação da PF sobre mortes em operação
A operação foi autorizada judicialmente para o cumprimento de mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV), organização criminosa que atua no tráfico de drogas. Lula ressaltou que a decisão judicial não previa ações letais, e que é necessário esclarecer as circunstâncias em que as mortes ocorreram.
O presidente também criticou a condução da operação sob o ponto de vista da atuação estatal. Para ele, embora alguns possam considerar o número de mortes como um indicativo de sucesso, a operação foi desastrosa em termos de responsabilidade do Estado.
No dia 30 de outubro, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciou o envio de 20 peritos criminais da Polícia Federal ao Rio de Janeiro. Os profissionais atuarão na análise de locais de crime, balística, genética forense, medicina legal, exames de necrópsia e identificação de corpos. A medida visa reforçar os trabalhos de segurança pública e contribuir para a elucidação dos fatos.
Além da atuação nacional, o governo dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor dos Santos, colocando-se à disposição para colaborar no combate ao tráfico de drogas. O documento, assinado por James Sparks, do Departamento de Justiça dos EUA, elogiou a atuação das forças de segurança e lamentou a morte dos quatro policiais durante a operação.
Em resposta, o governo do estado do Rio de Janeiro, liderado por Cláudio Castro, solicitou formalmente à administração norte-americana que o Comando Vermelho seja classificado como organização terrorista e sancionado pela Casa Branca. A solicitação foi encaminhada ao governo de Donald Trump.
O governo federal, no entanto, posicionou-se contra a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. A justificativa apresentada é o desalinhamento com a legislação brasileira, que não prevê esse tipo de enquadramento para grupos ligados ao narcotráfico.
A operação nos complexos da Penha e do Alemão continua sendo alvo de debates entre autoridades federais e estaduais, com divergências sobre os métodos utilizados e os resultados obtidos. A participação da Polícia Federal nas investigações busca trazer maior transparência e rigor técnico à apuração dos fatos.
Esquema simulava pagamentos via Pix e causou prejuízo de R$ 3,7 milhões em Jundiá (RN)
PF deflagra operação que investiga fraude milionária em sistema de lotéricas
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (4) a Operação Fábrica de Pix, com o objetivo de investigar um esquema de fraude milionária envolvendo a simulação de pagamentos em sistemas de casas lotéricas. O prejuízo estimado é de R$ 3,7 milhões, e o caso teve origem na cidade de Jundiá, no Rio Grande do Norte.
As investigações começaram após a prisão em flagrante de um homem que havia obtido recentemente a concessão para atuar como empresário lotérico. No dia 17 de outubro, o investigado teria simulado centenas de pagamentos na Lotérica de Jundiá e fugido em seguida. Ele foi capturado ao desembarcar de um voo que partiu de Natal (RN) com destino a Curitiba (PR).
Segundo a Polícia Federal, os valores obtidos de forma fraudulenta foram pulverizados em diversas contas bancárias de terceiros, distribuídas entre diferentes instituições financeiras. A estratégia visava dificultar o rastreamento dos recursos e ocultar a origem ilícita dos valores.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em um endereço na cidade de Curitiba e na própria lotérica em Jundiá. O objetivo foi reunir provas sobre o planejamento e execução do crime, além de identificar todos os envolvidos na operação fraudulenta.
PF deflagra operação que investiga fraude milionária
A Justiça Federal, atendendo a pedido da Polícia Federal, determinou o afastamento do sigilo bancário dos investigados, o bloqueio e sequestro de valores nas contas dos beneficiários, bem como a indisponibilidade de veículos de luxo registrados em nome do principal suspeito.
A investigação aponta que o esquema pode ter contado com a colaboração de terceiros responsáveis pela geração de títulos de cobrança e pelo fornecimento de contas bancárias para movimentação dos valores desviados. A Polícia Federal segue atuando para identificar todos os envolvidos e recuperar os recursos públicos.
A Operação Fábrica de Pix revela vulnerabilidades nos sistemas de controle de casas lotéricas e levanta preocupações sobre a fiscalização de concessões e a segurança das transações financeiras realizadas nesses estabelecimentos. O caso também evidencia a sofisticação de esquemas de lavagem de dinheiro que utilizam meios digitais para ocultar rastros e dificultar a ação das autoridades.
A Polícia Federal reforça que denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio dos canais oficiais, e que a colaboração da sociedade é fundamental para o avanço das investigações e responsabilização dos envolvidos.
Droga foi detectada com apoio de cão farejador durante fiscalização de rotina antes de voo para a Europa
Polícia Federal apreende 2,4 kg de cocaína em bagagem de passageiro alemão
A Polícia Federal (PF) apreendeu, neste domingo (2), aproximadamente 2,4 kg de cocaína que estavam ocultos em um fundo falso de bagagem pertencente a um passageiro de nacionalidade alemã. O homem se preparava para embarcar em um voo com destino à Europa.
De acordo com informações da PF, a apreensão ocorreu durante uma ação de fiscalização de rotina realizada no aeroporto. O entorpecente foi identificado após o cão detector de drogas Ice sinalizar a presença de substâncias ilícitas em uma das malas vistoriadas pela equipe policial.
Ação de fiscalização e apreensão da droga
Durante o procedimento de inspeção, agentes federais utilizaram equipamentos de triagem e o apoio de cães farejadores para examinar as bagagens dos passageiros em voos internacionais. O cão Ice, treinado para identificar odores de drogas, indicou uma das malas como suspeita.
Após a abertura e análise do conteúdo, os policiais encontraram um fundo falso, onde estavam escondidos pedaços de cocaína prensada, totalizando cerca de 2,4 quilos da substância.
A droga foi apreendida e o passageiro, identificado apenas como cidadão alemão, foi preso em flagrante.
Prisão e encaminhamento à Polícia Federal
O suspeito foi levado à sede da Polícia Federal, onde foi autuado por tráfico internacional de drogas, crime previsto no artigo 33, combinado com o artigo 40, inciso I, da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas).
Após a formalização da prisão, ele passou por exames de corpo de delito e foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça Federal.
Segundo a PF, as investigações continuam para apurar possível envolvimento de outras pessoas na tentativa de envio da droga ao exterior.
Tráfico internacional e fiscalização em aeroportos
A Polícia Federal reforça que mantém ações permanentes de fiscalização e combate ao tráfico internacional de drogas nos aeroportos brasileiros. A atuação envolve monitoramento de passageiros, cargas e bagagens, com uso de tecnologia de detecção e cães farejadores.
Essas operações têm como objetivo impedir o envio de drogas ao exterior, especialmente para países europeus, rota frequentemente utilizada por organizações criminosas para o transporte de cocaína.
A PF destaca ainda que o transporte de drogas para fora do país configura crime de tráfico internacional, com penas que podem ultrapassar 15 anos de reclusão, além de multa.
Passageira oriunda da Europa é presa em flagrante com droga escondida em fundo falso de mala
Na última quinta-feira (30), a Polícia Federal realizou a apreensão de 6,45 kg de haxixe durante ação de fiscalização de rotina no Aeroporto Internacional de Natal, no Rio Grande do Norte. A operação contou com o auxílio de um cão farejador, que localizou a droga dentro de uma mala com fundo falso.
A passageira, oriunda da Europa, tinha como destino final o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. De acordo com a Polícia Federal, a droga estava escondida em compartimento oculto da bagagem, técnica utilizada com frequência em casos de tráfico internacional.
Após a detecção da substância, a mulher foi presa em flagrante e conduzida à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio Grande do Norte. No local, ela foi autuada por tráfico internacional de drogas, conforme previsto na legislação brasileira.
A Polícia Federal reforçou que operações de fiscalização em aeroportos buscam identificar e coibir a entrada e saída de drogas e outros ilícitos. O uso de cães farejadores é parte das estratégias de segurança para aumentar a eficiência na detecção de substâncias entorpecentes.
A ação no Aeroporto de Natal faz parte de rotinas de fiscalização que envolvem análise de bagagens, inspeções de passageiros e monitoramento de comportamentos suspeitos durante embarques e desembarques. A PF destacou que a detecção da droga antes do embarque impede que o entorpecente chegue a outros estados do país.
A mala utilizada pela passageira apresentava um fundo falso, método conhecido no tráfico internacional de drogas, que dificulta a localização da substância durante a inspeção. O cão farejador foi fundamental para identificar a presença do haxixe, garantindo a efetividade da operação.
Após o flagrante, a passageira foi registrada nos sistemas da Polícia Federal e encaminhada para procedimentos de autuação, com base no crime de tráfico internacional de drogas. As autoridades seguem monitorando possíveis conexões com redes de tráfico e investigando a origem e o destino do entorpecente.
Ação integrada cumpre mandados em seis cidades e investiga crimes dentro e fora de presídios
FICCO/MOS deflagra operação contra organização criminosa no Rio Grande do Norte
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mossoró (FICCO/MOS) deflagrou, nesta quinta-feira (30), a Operação Venari, com o objetivo de combater crimes praticados por integrantes de organização criminosa com atuação dentro e fora dos presídios do Rio Grande do Norte.
Durante a operação, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e 6 mandados de prisão preventiva nos municípios de Mossoró, Natal, Parnamirim, Caicó, Messias Targino (todos no RN) e Pontal do Araguaia (MT). Os mandados foram expedidos pelo Poder Judiciário do Rio Grande do Norte.
Além dos mandados judiciais, uma prisão em flagrante por tráfico de drogas foi efetuada durante as diligências.
Crimes investigados
A operação tem como foco a apuração de crimes como tráfico de drogas, organização criminosa e outros delitos correlatos identificados ao longo do inquérito policial. As investigações seguem em andamento para aprofundar o envolvimento dos suspeitos e mapear a estrutura da organização.
FICCO/MOS deflagra operação contra organização criminosa
Forças envolvidas
Cerca de 100 agentes participaram da operação, representando diversas instituições de segurança pública. Entre elas estão:
Polícia Federal
Polícia Penal Federal
Delegacias Regionais e Especializadas (Furtos e Roubos, Homicídios e Proteção à Pessoa, Narcóticos, Defesa da Propriedade de Veículos e Cargas)
Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE)
Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE)
Grupos Táticos Operacionais de Mossoró, Apodi e Caraúbas
A FICCO/MOS é composta por representantes da Polícia Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e Polícia Científica do RN. A atuação é integrada, com foco no enfrentamento ao crime organizado em diferentes regiões do estado.
Mais de 500 mil beneficiários do INSS podem aderir ao ressarcimento após nova fase do acordo
Governo ressarciu R$ 2,3 bilhões a aposentados e pensionistas por descontos irregulares
O governo federal já ressarciu R$ 2,3 bilhões a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que foram vítimas de descontos indevidos em seus benefícios. Os valores referem-se a mensalidades cobradas por associações, sindicatos, entidades de classe e organizações de aposentados, sem autorização dos beneficiários.
Segundo o balanço mais recente divulgado pelo INSS, os valores corrigidos pela inflação correspondem a aproximadamente 3.370 pagamentos já emitidos. Os repasses estão programados até o dia 27 de outubro.
Nesta nova fase do acordo firmado entre o governo e os beneficiários, mais de 500 mil pessoas que já haviam contestado os descontos e aguardavam resposta das entidades poderão aderir ao ressarcimento.
O INSS informou que identificou novas irregularidades durante a análise das contestações. Pelo menos seis entidades utilizaram softwares para falsificar assinaturas nas respostas enviadas aos aposentados e pensionistas. Além disso, algumas entidades encaminharam gravações de áudio como resposta, o que não é aceito como prova válida no processo.
Os descontos de mensalidades associativas diretamente nos benefícios previdenciários estão suspensos desde 23 de abril deste ano. A medida foi tomada após a deflagração da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que revelou a existência de um esquema nacional de fraudes contra aposentados e pensionistas.
governo ressarciu R$ 2,3 bilhões a aposentados e pensionistas
A operação identificou que milhões de beneficiários foram lesados por cobranças indevidas realizadas por diversas entidades. Em resposta, a CGU e o INSS instauraram 52 Processos Administrativos de Responsabilização (PAR) contra 50 associações e três empresas investigadas por envolvimento nas fraudes. As investigações também apontam o pagamento de propina a agentes públicos.
Após a identificação das irregularidades, o governo federal decidiu restituir os valores aos aposentados e pensionistas prejudicados. Para receber o ressarcimento, os beneficiários devem se comprometer a não ingressar com ações judiciais contra o governo. No entanto, essa condição não impede que os prejudicados acionem judicialmente as entidades responsáveis pelas cobranças indevidas.
O INSS reforçou que continua monitorando as práticas das entidades e que novas medidas poderão ser adotadas para garantir a proteção dos beneficiários. A restituição dos valores é considerada uma das maiores ações de reparação já realizadas pelo instituto em casos de descontos indevidos.
A Operação Sem Desconto segue em andamento, com novas fases previstas para aprofundar as investigações e responsabilizar os envolvidos. O governo também estuda medidas para aprimorar os mecanismos de controle e evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.
Foto: Reprodução/INSS/Joédson Alves/Agência Brasil
Polícia Federal enviou ofício ao Ministério da Justiça e ao Ministério do Planejamento alertando para risco de paralisação do serviço a partir de novembro
PF alerta para possível suspensão na emissão de passaportes por falta de recursos
A Polícia Federal (PF) informou que há risco de suspensão na emissão de passaportes a partir de novembro, caso não sejam liberados novos recursos orçamentários. O alerta foi feito por meio de um ofício enviado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), em que a corporação aponta a escassez de verba destinada à manutenção do serviço.
De acordo com o documento, o orçamento atual é insuficiente para garantir a continuidade da confecção e da entrega dos passaportes em todo o país, o que pode resultar em nova paralisação do atendimento à população.
Governo afirma buscar solução
Em nota oficial, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que está atuando “de forma ativa e coordenada” para assegurar a continuidade da emissão de passaportes pela Polícia Federal.
Passaporte brasileiro.
A pasta afirmou ainda que mantém diálogo permanente com o Ministério do Planejamento e Orçamento e com a área econômica do governo federal para viabilizar a liberação de recursos adicionais necessários à execução do serviço.
Segundo o MJSP, o serviço de emissão de passaportes é considerado essencial ao cidadão brasileiro, e todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas para evitar qualquer interrupção no atendimento.
Problemas orçamentários anteriores
Essa não é a primeira vez que a Polícia Federal alerta para o risco de interrupção na emissão de passaportes por falta de verba. Em abril de 2025, a corporação já havia sinalizado a possibilidade de paralisação após o Ministério do Planejamento anunciar um contingenciamento de aproximadamente R$ 133 milhões do orçamento destinado à PF.
Naquela ocasião, após negociações internas no governo, o impasse foi solucionado e o serviço foi mantido normalmente, sem afetar o atendimento ao público.
Suspensão em 2022
O problema, no entanto, já havia ocorrido de forma efetiva em 2022, quando a falta de recursos levou à suspensão temporária da emissão de passaportes em todo o país.
Passaporte brasileiro.
Naquele ano, a interrupção foi anunciada em novembro, e a Polícia Federal explicou que a verba destinada ao controle migratório e à confecção dos documentos de viagem havia se esgotado. O serviço só foi retomado após liberação emergencial de orçamento suplementar.
Demanda e orçamento
A emissão de passaportes é uma das principais atribuições da Polícia Federal, responsável por atender a demanda de milhares de cidadãos que buscam o documento para viagens internacionais. O custo do serviço é coberto parcialmente pela taxa de expedição paga pelos solicitantes, mas o processo de produção e entrega dos documentos depende de recursos orçamentários federais destinados ao contrato com a Casa da Moeda e ao funcionamento dos postos de atendimento.
De acordo com fontes da corporação, a crescente demanda por passaportes nos últimos anos e o aumento dos custos operacionais têm pressionado o orçamento da instituição, tornando necessário o reforço financeiro regular para manter o serviço sem interrupções.
Situação em acompanhamento
O governo federal acompanha a situação e avalia medidas para evitar impacto no atendimento. Até o momento, não há confirmação oficial de suspensão, mas a Polícia Federal informou que continua monitorando a disponibilidade de recursos para garantir a continuidade da emissão de passaportes até o fim do ano.
Enquanto isso, os atendimentos seguem normalmente nas unidades da PF em todo o país, com agendamentos disponíveis no site oficial da corporação: www.gov.br/pf
Ação da Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão em Santa Cruz/RN e apreende equipamentos eletrônicos para perícia
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (24), a 21ª fase da Operação Uiraçu, que tem como objetivo combater o armazenamento e o compartilhamento de mídias contendo cenas de abuso sexual infantil na internet. A ação foi realizada no estado do Rio Grande do Norte, com cumprimento de mandado judicial na cidade de Santa Cruz.
De acordo com informações divulgadas pela corporação, os agentes da Polícia Federal cumpriram um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça. Durante o cumprimento da ordem, foram apreendidos um aparelho celular e computadores, que serão encaminhados para perícia técnica. O material apreendido deve contribuir para o avanço das investigações em curso sobre crimes relacionados à produção, armazenamento e disseminação de conteúdo envolvendo crianças e adolescentes em situações de abuso sexual.
A Operação Uiraçu faz parte de um esforço contínuo da Polícia Federal no combate a crimes de violência sexual contra menores praticados por meio de redes virtuais. Segundo a PF, as investigações seguem em andamento e buscam identificar os responsáveis pela produção e divulgação das imagens.
Entendimento internacional sobre os crimes
Em comunicado oficial, a Polícia Federal destacou que, embora a legislação brasileira ainda utilize o termo “pornografia infantil” no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para descrever situações envolvendo atividades sexuais explícitas com menores de idade, a comunidade internacional prefere adotar a expressão “abuso sexual de crianças e adolescentes” ou “violência sexual de crianças e adolescentes”.
O órgão explica que a terminologia internacional é considerada mais adequada por enfatizar a gravidade dos crimes e a violência infligida às vítimas, evitando termos que possam sugerir qualquer tipo de conotação indevida.
Orientações da PF aos pais e responsáveis
A Polícia Federal também emitiu um alerta aos pais e responsáveis, reforçando a importância de monitorar e orientar crianças e adolescentes sobre o uso seguro da internet. O órgão ressalta que o acompanhamento próximo das atividades virtuais é uma medida essencial de prevenção contra abusos e situações de risco.
Entre as orientações da PF estão:
Conversar abertamente com os filhos sobre os perigos do mundo virtual; Ensinar o uso responsável de redes sociais, jogos e aplicativos; Observar mudanças de comportamento, como isolamento repentino ou sigilo sobre o uso de dispositivos eletrônicos; Orientar sobre como agir diante de contatos inadequados em plataformas digitais.
A corporação reforça que a prevenção e a informação são as principais ferramentas para proteger crianças e adolescentes de situações de abuso. O diálogo contínuo e o acompanhamento ativo podem ajudar a identificar e impedir casos de violência sexual praticada no ambiente virtual.
Operação Uiraçu
A Operação Uiraçu é uma ação de caráter nacional da Polícia Federal, voltada ao enfrentamento de crimes cibernéticos relacionados ao abuso sexual infantil. Desde sua primeira fase, tem resultado em prisões, apreensões de equipamentos e na retirada de conteúdos ilegais de circulação em diversas regiões do país.
No Rio Grande do Norte, as fases anteriores também já haviam identificado suspeitos de compartilhar materiais ilícitos em plataformas digitais. As ações fazem parte da estratégia permanente da PF de identificar e responsabilizar autores de crimes que envolvem exploração sexual de menores e de fortalecer a proteção infantojuvenil no ambiente online.
Operação Quina Potiguar apura movimentações ilícitas por meio de contratos públicos e lavagem de dinheiro
PF investiga desvios de recursos públicos em Mossoró e Lucrécia no RN
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (21), a Operação Quina Potiguar, com o objetivo de investigar desvios de recursos públicos federais e lavagem de dinheiro no estado do Rio Grande do Norte.
Durante as investigações, foram identificados indícios de que valores provenientes de contratos públicos teriam sido movimentados por meio de uma lotérica localizada na cidade de Lucrécia, em uma tentativa de ocultar a origem ilícita dos recursos. Os valores seriam oriundos de repasses realizados por diversos municípios da região a uma construtora investigada.
A empresa, registrada formalmente em nome de um servidor municipal, teria movimentado uma quantia expressiva entre os anos de 2020 e 2025, levantando suspeitas sobre a legalidade das operações financeiras.
Como parte da operação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de Mossoró e Lucrécia, com o objetivo de coletar novas provas que possam esclarecer o funcionamento do esquema e identificar todos os envolvidos.
PF investiga desvios de recursos públicos
Os investigados poderão responder por crimes de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, conforme previsto na legislação penal brasileira. A Polícia Federal segue com as diligências para aprofundar a apuração dos fatos e identificar possíveis conexões com outras cidades ou agentes públicos.
A operação reforça o compromisso das autoridades federais com o combate à corrupção e à má utilização de verbas públicas, especialmente em contratos que envolvem serviços essenciais e investimentos em infraestrutura.
Homem foi detido pela Polícia Federal após afirmar, durante o voo, que havia uma bomba na aeronave; aeroporto ficou fechado por duas horas
A Polícia Federal prendeu em flagrante, neste sábado (18), um passageiro que fez uma falsa ameaça de bomba durante um voo que havia decolado do Aeroporto Internacional Aluízio Alves, na Grande Natal. O homem afirmou, em meio à viagem, que iria “pegar uma bomba” dentro da aeronave, o que levou à adoção imediata de protocolos de segurança.
Em razão da declaração, o aeroporto precisou ser fechado por cerca de duas horas. Durante o período, pousos e decolagens foram suspensos, e alguns voos precisaram ser desviados para outros destinos. O fechamento temporário afetou a operação aérea e provocou atrasos na malha de voos.
A aeronave retornou ao aeroporto de origem, em São Gonçalo do Amarante, onde equipes de segurança e a Polícia Federal aguardavam a chegada para realizar as verificações necessárias. Após o pouso, todos os passageiros foram desembarcados e conduzidos a uma área segura enquanto os procedimentos de inspeção eram realizados na aeronave.
De acordo com a Polícia Federal, foram seguidos todos os protocolos estabelecidos para situações desse tipo, com inspeções minuciosas no interior do avião e na bagagem dos passageiros. Nenhum artefato explosivo foi encontrado após a conclusão das buscas.
Com a inspeção finalizada e descartada a hipótese de ameaça real, o voo foi liberado para retomar o trajeto originalmente programado. Os passageiros foram reconduzidos à aeronave, e a operação seguiu normalmente após a autorização das autoridades aeroportuárias.
O homem responsável pela declaração foi detido e conduzido à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio Grande do Norte, em Natal. Ele permaneceu sob custódia e à disposição da Justiça. A PF não divulgou a identidade do passageiro nem o destino final do voo.
A corporação destacou que a falsa comunicação de situação de perigo em voo constitui crime previsto na legislação brasileira. Além de responder criminalmente, o autor pode ser responsabilizado civilmente pelos prejuízos causados às companhias aéreas e aos demais passageiros.
O incidente provocou preocupação entre os ocupantes do avião e mobilizou equipes de segurança do aeroporto, agentes da PF e profissionais da companhia aérea. Apesar do transtorno e da paralisação temporária das operações, o episódio foi resolvido sem registros de feridos.
A Polícia Federal divulgou nota oficial sobre o caso, informando que “a aeronave precisou retornar ao aeroporto de origem, onde foram adotados todos os protocolos de segurança. Após o pouso, os passageiros foram evacuados e a Polícia Federal realizou os procedimentos de verificação. Nenhum artefato explosivo foi encontrado. Concluída a inspeção, o voo foi liberado para prosseguir viagem”.
O Aeroporto Internacional de Natal retomou as atividades logo após a liberação da área. As companhias aéreas reorganizaram os horários de voos e orientaram passageiros sobre os novos embarques e conexões.
O caso segue sob investigação da Polícia Federal, que deve ouvir testemunhas e analisar as circunstâncias em que a falsa ameaça foi feita.
Nota da PF na íntegra:
A Polícia Federal prendeu em flagrante, neste sábado (18/10), um passageiro que afirmou, durante voo que havia decolado de Natal, que iria “pegar uma bomba” dentro da aeronave.
Em razão do ocorrido, o aeroporto permaneceu fechado por cerca de duas horas, ocasionando o desvio de voos para outros destinos.
A aeronave precisou retornar ao aeroporto de origem, onde foram adotados todos os protocolos de segurança. Após o pouso, os passageiros foram evacuados e a Polícia Federal realizou os procedimentos de verificação. Nenhum artefato explosivo foi encontrado.
Concluída a inspeção, o voo foi liberado para prosseguir viagem.
O passageiro foi conduzido à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio Grande do Norte, onde permanecerá à disposição da Justiça.
Aeronave com destino a Recife precisou retornar após alerta de bomba; Polícia Federal e equipes de segurança acionaram protocolos de emergência
Voo da Azul retorna a Natal após suspeita de bomba; Aeroporto Aluízio Alves é fechado por mais de uma hora
Um voo da Azul Linhas Aéreas, que partiu de Natal (RN) com destino a Recife (PE), precisou retornar de emergência ao Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, na manhã deste sábado (18), após uma suspeita de bomba a bordo.
A aeronave, modelo ATR, foi imediatamente isolada na pista e submetida a uma inspeção detalhada por equipes de segurança e pela Polícia Federal (PF). Todos os protocolos de segurança aérea foram acionados assim que a suspeita foi comunicada à tripulação.
De acordo com informações da Zurich Airport Brasil, concessionária responsável pela administração do terminal, o aeroporto foi fechado por cerca de uma hora, sendo reaberto após a confirmação de que não havia explosivos no avião.
Passageiros desembarcaram em segurança e voos foram desviados
Durante o procedimento de emergência, os passageiros desembarcaram em segurança e permaneceram sob acompanhamento das equipes da companhia aérea e da administração do aeroporto.
O fechamento temporário do terminal provocou impacto nas operações aéreas. Segundo registros do painel de voos do aeroporto, três aeronaves foram desviadas para os aeroportos de João Pessoa (PB) e Recife (PE), enquanto outros voos sobrevoaram o espaço aéreo potiguar aguardando autorização para pousar.
Um voo procedente de Brasília teve de pousar em Recife por medida de segurança, conforme informado pela concessionária.
Polícia Federal investiga origem da ameaça
A Polícia Federal assumiu a investigação do caso, classificando o episódio como ocorrência de alto risco. Agentes federais e integrantes de outras forças de segurança estiveram no local durante toda a operação, acompanhando a revista da aeronave e a verificação das bagagens.
Em nota, a Zurich Airport Brasil afirmou que todos os procedimentos seguiram os protocolos previstos em situações de ameaça à segurança e que as operações foram retomadas com normalidade após a liberação da pista.
A concessionária orientou que informações complementares sobre a investigação devem ser obtidas junto à Polícia Federal, responsável por apurar a origem da ameaça e identificar possíveis responsáveis.
Operações retomadas e próximos voos confirmados
Com a liberação do terminal, os voos programados para o restante do dia foram confirmados e o Aeroporto Aluízio Alves voltou a operar normalmente.
A Azul Linhas Aéreas ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio até o momento.
O caso reacende a atenção sobre a segurança nos voos regionais e o cumprimento rigoroso dos protocolos de emergência previstos para situações de risco em aeronaves comerciais.
Fotos: Rayane Mainara/Governo do RN/Ilustração / Sandro Menezes/Governo do RN/Ilustração / Diegonvs/VisualHunt / louisconcorde/VisualHunt
Investigações apontam que o grupo comprou uma lotérica em Jundiá (RN) para realizar autenticações irregulares de boletos e transferir valores para contas pessoais
Suspeito de fraudes contra a Caixa é preso pela Polícia Federal após desembarcar em Curitiba
Um homem suspeito de integrar uma organização criminosa envolvida em fraudes eletrônicas contra a Caixa Econômica Federal foi preso pela Polícia Federal na noite desta sexta-feira (17), logo após desembarcar em Curitiba (PR). A prisão ocorreu durante uma operação conjunta entre a PF do Rio Grande do Norte, a PF do Paraná, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a central de segurança da Caixa.
De acordo com informações divulgadas pela Polícia Federal, as investigações indicam que o grupo criminoso teria adquirido uma casa lotérica no município de Jundiá, no interior do Rio Grande do Norte, onde foram realizadas centenas de autenticações irregulares de boletos bancários. Os valores dessas transações eram transferidos para contas pessoais e também para contas de outros integrantes da associação criminosa.
Após a prática das fraudes, o suspeito embarcou no aeroporto de Natal com destino a Curitiba, onde foi preso em flagrante por uma equipe da PF que já o monitorava. A corporação não divulgou a identidade do preso.
Três dias antes da prisão, segundo a PF, uma lotérica localizada em Suzano (SP) também havia sido alvo de golpe com características semelhantes, o que pode indicar a atuação do mesmo grupo criminoso em diferentes estados. A Polícia Federal apura a relação entre os casos e busca identificar outros envolvidos.
O homem preso foi encaminhado à Justiça e permanece sob custódia. As investigações continuam para o rastreamento dos valores desviados e a localização de outros suspeitos que possam integrar o esquema de fraudes.
A operação faz parte das ações da Polícia Federal de combate a crimes cibernéticos e financeiros, que têm se intensificado em razão do aumento de golpes envolvendo instituições bancárias e canais eletrônicos de pagamento.
A Caixa Econômica Federal informou que mantém cooperação permanente com os órgãos de segurança e que atua de forma preventiva para identificar e bloquear transações suspeitas realizadas em suas unidades e canais digitais.
Protocolo de emergência foi acionado e todos os voos para a capital potiguar foram desviados enquanto a polícia investiga o caso
Aeroporto de Natal é fechado após ameaça de bomba em aeronave
O Aeroporto Internacional de Natal está fechado desde a manhã deste sábado (18) após uma ameaça de bomba registrada em uma aeronave que estava no solo. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Gustavo Negreiros, todos os voos com destino à capital potiguar foram desviados para outros aeroportos da região.
De acordo com relatos, um voo que vinha de Brasília com destino a Natal precisou pousar em Recife, em Pernambuco, como medida de segurança. Passageiros que estavam em aeronaves na pista relataram movimentação intensa e apreensão durante a execução dos protocolos de emergência.
Equipes de segurança do aeroporto, juntamente com as forças policiais, foram mobilizadas para verificar a possível presença de explosivos e garantir a segurança de todos os passageiros e tripulantes. O protocolo de emergência foi acionado imediatamente após o relato da ameaça.
A Polícia Federal e demais órgãos de segurança atuam no local para investigar a ocorrência e determinar a origem da ameaça. Até que o risco seja totalmente descartado, o aeroporto permanece interditado, sem previsão para retomada das operações.
Autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a aeronave envolvida, a companhia aérea ou o número de passageiros afetados. As companhias aéreas orientam que os passageiros verifiquem o status de seus voos antes de se dirigirem ao terminal.
O Aeroporto de Natal, localizado em São Gonçalo do Amarante, é o principal ponto de chegada e partida de voos comerciais no Rio Grande do Norte e recebe diariamente conexões nacionais e internacionais.
A interdição temporária do terminal segue até que as autoridades concluam as análises e confirmem que não há risco de explosivos na área.
Fotos: Rayane Mainara/Governo do RN/Ilustração / Sandro Menezes/Governo do RN/Ilustração
Droga foi localizada em latas de cereal durante fiscalização no centro de triagem em Natal
Polícia Federal apreende cocaína enviada pelos Correios para o interior do RN
A Polícia Federal apreendeu aproximadamente 1 quilo de cocaína durante fiscalização no Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas (CTCE) dos Correios, localizado na Zona Oeste de Natal. A ação ocorreu na quarta-feira (15) e teve como destino final a cidade de Pau dos Ferros, no interior do Rio Grande do Norte.
Segundo informações da Polícia Federal, a droga estava escondida em duas latas de cereal em pó, envoltas em plástico e fita adesiva preta, acondicionadas dentro de uma caixa de papelão. A encomenda foi identificada durante inspeção de rotina com apoio da área de segurança dos Correios, da Tributação Estadual e do cão detector de drogas K9 Ice.
Polícia Federal apreende cocaína
As investigações iniciais apontam que a remessa foi postada na cidade de Guarulhos, em São Paulo, e tinha como destino o interior potiguar. A droga foi encaminhada à Superintendência da Polícia Federal no Rio Grande do Norte, onde passará por perícia.
A operação faz parte das ações de fiscalização de rotina realizadas em centros de triagem postal, com o objetivo de coibir o envio de substâncias ilícitas por meio do sistema de encomendas. O uso de cães farejadores tem sido uma das estratégias adotadas para reforçar a detecção de entorpecentes ocultos em embalagens.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam para identificar os responsáveis pelo envio e pelo recebimento da droga. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre prisões ou mandados relacionados ao caso.
PF investiga desvio recorde de aposentadorias e patrimônio milionário de lobista ligado ao esquema
Fraude no INSS envolve R$ 392 milhões e império de luxo do “Careca do INSS”
A Polícia Federal investiga um esquema de fraude previdenciária que envolve o desvio de R$ 392 milhões de aposentadorias e a construção de um império de luxo pelo lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. As informações constam em documentos enviados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e em decisões judiciais da nova fase da Operação Sem Desconto.
Segundo a Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF) de 2025, Antonio Antunes declarou à Receita Federal R$ 2,83 milhões em espécie, incluindo US$ 30 mil e R$ 28,5 mil. O montante foi registrado apenas a partir de 2024, coincidente com o auge das fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Antes disso, não havia registros de dinheiro vivo em suas declarações.
Durante o mesmo período, Antunes adquiriu mansões, 21 carros de luxo, realizou viagens internacionais e comprou um apartamento à beira-mar na Flórida por US$ 610 mil. Seu patrimônio cresceu de R$ 159 mil em 2021 para R$ 9,5 milhões em 2024 — um aumento de 5.884%. Entre os bens adquiridos está uma mansão no Lago Sul, em Brasília, cuja construção foi abandonada após bloqueio de bens pela Justiça.
Documentos da PF indicam que o lobista realizou 20 viagens internacionais entre 2023 e 2024. Ele estava em Lisboa quando a operação foi deflagrada, retornando ao Brasil dias depois. Apesar do patrimônio elevado, Antunes possui dívidas de R$ 1,5 milhão com a União, incluindo impostos, multas e ressarcimentos.
Paralelamente, a PF aponta o Sindinapi — sindicato dos aposentados que tem José Ferreira da Silva, irmão do presidente Lula (PT), como vice-presidente — como uma das entidades que mais desviou recursos de benefícios previdenciários. Embora o irmão do presidente não seja investigado, o sindicato está no centro das apurações.
Fraude no INSS envolve R$ 392 milhões
A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em 9 de outubro, teve como alvo o Sindinapi e membros da diretoria, como o presidente Milton Baptista de Souza. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou o sequestro judicial de R$ 389 milhões para ressarcir os prejuízos causados aos aposentados.
Segundo a PF, o sindicato utilizou uma rede de empresas e pessoas físicas ligadas à direção para movimentar e ocultar os recursos desviados. Em 2021, foram registrados 237 mil descontos de aposentados; em 2023, o número subiu para 366 mil. Os valores movimentados passaram de R$ 41 milhões para R$ 149 milhões. Entre 2023 e 2024, mais de 47 mil pedidos de exclusão de filiação foram registrados, indicando que muitos aposentados não se associaram voluntariamente à entidade.
Em nota, o Sindinapi afirmou desconhecer o teor da investigação e declarou que responde apenas por atos amparados em contabilidade verificável. A entidade atribui o aumento de associados aos serviços oferecidos, como assistência jurídica, descontos em farmácias e colônia de férias. O sindicato considera o bloqueio judicial abusivo e informou que recorrerá da decisão.
As investigações da PF revelam um esquema de fraudes previdenciárias com impacto financeiro recorde nos cofres públicos e prejuízos diretos aos aposentados. A combinação entre enriquecimento acelerado, ocultação de patrimônio e desvios sistemáticos coloca o caso como um dos maiores já registrados no sistema do INSS.
Fiscalização nacional autua estabelecimentos irregulares em Natal e Mossoró
Sete empresas clandestinas de segurança são fechadas no RN durante operação da PF
A Polícia Federal autuou sete empresas clandestinas de segurança privada no Rio Grande do Norte nesta quinta-feira (9), durante a Operação Segurança Legal IX. A ação foi realizada simultaneamente em todos os estados brasileiros, com fiscalização de 565 estabelecimentos em todo o país.
Em Natal, sete empresas foram fiscalizadas, resultando em seis autos de encerramento. Em Mossoró, uma empresa também foi autuada. A operação tem como objetivo coibir a atuação irregular no setor de segurança privada e garantir o cumprimento da legislação vigente.
A Polícia Federal considera a contratação de serviços clandestinos de segurança privada um risco à segurança pública. Segundo a corporação, esses serviços colocam em perigo a integridade física das pessoas e o patrimônio dos contratantes, uma vez que os profissionais não são submetidos ao controle da PF — responsável por verificar antecedentes criminais, formação profissional e aptidão física e psicológica dos vigilantes.
Empresas que atuam sem autorização da Polícia Federal não cumprem os requisitos legais mínimos para funcionamento e fiscalização. A legislação brasileira determina que apenas empresas autorizadas pela PF podem prestar serviços de segurança privada e contratar vigilantes.
A Operação Segurança Legal é realizada anualmente desde 2017. A edição atual reforça o compromisso da Polícia Federal com a fiscalização do setor e a proteção da sociedade contra práticas irregulares que comprometem a segurança coletiva.
Sete empresas clandestinas
A atuação clandestina no setor de segurança privada pode resultar em sanções administrativas e criminais. A Polícia Federal orienta que empresas e cidadãos verifiquem a regularidade dos prestadores de serviço antes de contratar vigilância privada.
A operação também tem caráter educativo, com o objetivo de informar a população sobre os riscos da contratação de serviços não autorizados. A PF reforça que a segurança privada deve ser exercida por profissionais capacitados e vinculados a empresas que atendam aos critérios legais estabelecidos.
No Rio Grande do Norte, a fiscalização foi concentrada em áreas urbanas com maior demanda por serviços de segurança, como Natal e Mossoró. A escolha dos locais seguiu critérios técnicos definidos pela corporação.
A Polícia Federal continuará monitorando o setor e realizando ações periódicas para garantir o cumprimento da legislação. A população pode colaborar com denúncias anônimas sobre empresas que atuam de forma irregular.
Ação investiga esquema nacional de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas e cumpre 66 mandados de busca e apreensão
A Polícia Federal, com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quinta-feira (9) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados aplicados sobre aposentadorias e pensões.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, estão sendo cumpridos 66 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ordens judiciais estão sendo executadas simultaneamente nos estados de São Paulo, Sergipe, Amazonas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e também no Distrito Federal.
A operação tem como objetivo aprofundar as apurações sobre o funcionamento de uma organização suspeita de praticar crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, formação de organização criminosa e ocultação ou dilapidação patrimonial.
De acordo com a PF, as investigações apontam que o esquema estaria voltado à inserção indevida de dados de aposentados e pensionistas em cadastros de associações, provocando descontos automáticos nos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sem que houvesse autorização dos titulares.
A nova etapa da Operação Sem Desconto busca reunir mais provas para identificar os responsáveis pela fraude e o destino dos valores obtidos. As investigações indicam que parte dos recursos arrecadados com os descontos irregulares teria sido transferida para contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados, com o objetivo de ocultar a origem ilícita do dinheiro.
A ação é resultado do trabalho conjunto entre a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União, que atua na análise dos dados financeiros e administrativos para rastrear indícios de irregularidades. O material apreendido nesta quinta-feira será encaminhado para perícia e análise, de modo a subsidiar as próximas etapas da investigação.
As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal em razão do possível envolvimento de pessoas com foro por prerrogativa de função. O nome dos investigados não foi divulgado.
A Operação Sem Desconto teve início a partir de denúncias sobre cobranças indevidas em benefícios previdenciários. Desde as primeiras fases, a Polícia Federal tem identificado indícios de fraudes envolvendo entidades associativas e empresas de gestão de consignados que teriam realizado a inclusão de descontos nos benefícios sem autorização dos beneficiários.
Com a deflagração da nova fase, a PF pretende detalhar a atuação do grupo, o fluxo financeiro das operações e a extensão dos prejuízos causados aos aposentados e pensionistas em diversas regiões do país.
Ação cumpre mandados em 16 estados; no RN, a PF atua em São Gonçalo do Amarante e Baía Formosa
Polícia Federal realiza Operação Proteção Integral III contra crimes sexuais infantis em todo o país
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (8), a Operação Nacional Proteção Integral III, em ação conjunta com as Polícias Civis de 16 estados brasileiros. O objetivo é identificar e prender suspeitos de envolvimento em crimes de abuso sexual de crianças e adolescentes, especialmente os praticados por meio da internet.
A operação prevê o cumprimento simultâneo, em todo o país, de 182 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão preventiva. Até o momento, foram registradas 47 prisões em flagrante, duas apreensões de menores e duas vítimas resgatadas, números que ainda estão em atualização.
Participaram da operação 617 policiais federais e 273 policiais civis de 16 estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Ações no Rio Grande do Norte
No Rio Grande do Norte, a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Natal. A medida integra as ações nacionais da Operação Proteção Integral III, voltadas à repressão de crimes de abuso e exploração sexual infantil na internet.
Além disso, a Superintendência da Polícia Federal no RN deflagrou nesta quarta-feira a 20ª fase da Operação Uiraçu, no município de Baía Formosa, também voltada à repressão dos mesmos tipos de crimes. A ação teve como objetivo o cumprimento de um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal.
As duas operações integram a estratégia nacional de combate aos crimes cibernéticos que violam a dignidade sexual de crianças e adolescentes. Segundo a Polícia Federal, as ações refletem o trabalho conjunto entre forças de segurança estaduais e federais, ampliando o alcance das investigações e o número de suspeitos identificados.
Operação nacional integrada
A Operação Proteção Integral III dá continuidade às duas fases anteriores, deflagradas em março e maio de 2025, e faz parte de uma série de ações coordenadas pela Polícia Federal para combater abusos cometidos no ambiente digital. O foco das investigações está na identificação de redes de compartilhamento e armazenamento de material contendo abuso sexual infantil.
Entre janeiro e setembro deste ano, a Polícia Federal já cumpriu mais de 1.630 mandados de prisão contra foragidos condenados por crimes sexuais, conforme dados divulgados pela instituição. As ações, segundo a PF, são resultado de um esforço permanente para localizar e responsabilizar autores de crimes dessa natureza.
Integração e prevenção
A Polícia Federal destacou que a integração entre forças policiais federais e estaduais é fundamental para o enfrentamento dos crimes cibernéticos de exploração sexual. A atuação conjunta permite que mandados sejam cumpridos simultaneamente em diferentes estados, ampliando o alcance e a eficácia das operações.
Em nota, a instituição também reforçou o alerta a pais e responsáveis sobre a importância de acompanhar o uso da internet por crianças e adolescentes. A orientação é que haja diálogo constante sobre os riscos do ambiente digital e sobre como agir diante de contatos suspeitos ou inadequados em plataformas virtuais.
Resumo da Operação Proteção Integral III
Mandados de busca e apreensão: 182
Mandados de prisão preventiva: 11
Prisões em flagrante: 47 (em atualização)
Apreensões de menores: 2
Vítimas resgatadas: 2
Policiais envolvidos: 617 federais e 273 civis
A Operação Proteção Integral III reforça o trabalho contínuo da Polícia Federal no combate à exploração sexual infantil e aos crimes praticados em ambiente virtual, com ações coordenadas em todo o território nacional.
Relatórios destacam transações suspeitas em regiões de fronteira, operações em espécie e repasses a empresas ligadas a dirigentes; CGU reforça auditorias que embasaram Operação Sem Desconto
A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) e o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi) movimentaram, juntos, cerca de R$ 3,2 bilhões nos últimos anos, segundo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS. Os documentos detalham operações consideradas suspeitas e incompatíveis com a realidade declarada pelas entidades.
Movimentações da Contag
De acordo com o relatório do Coaf, a Contag movimentou R$ 2 bilhões entre maio de 2024 e maio de 2025, sendo R$ 1,017 bilhão em receitas e R$ 1,015 bilhão em pagamentos. O documento classificou parte das operações como “suspeitas de irregularidades podendo caracterizar desvio com fraudes”.
Entre os pontos destacados estão transações em regiões de fronteira, como os municípios de Rodeio Bonito (RS), Cruzeiro do Sul (AC) e Tangará da Serra (MT). Embora não sejam vizinhos imediatos de outros países, estão situados em faixas consideradas fronteiriças e foram citados em razão de operações com “cheques viagens”.
O relatório ainda mencionou transferências para terceiros sem vínculo comercial identificado e movimentações expressivas em curto espaço de tempo, como os R$ 46,4 milhões depositados em abril de 2025. Outro aspecto levantado foi a aplicação de recursos em fundos de renda fixa de longo prazo, considerada incompatível com os rendimentos declarados.
Dados bancários apontam que o faturamento anual da Contag em 2023 foi de R$ 507 milhões. Entre 2016 e janeiro de 2025, a entidade arrecadou R$ 3,4 bilhões com descontos associativos, conforme levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU). A confederação é investigada na Operação Sem Desconto, deflagrada em abril deste ano pela Polícia Federal.
Movimentações do Sindnapi
O Sindnapi, ligado à Força Sindical, movimentou R$ 1,2 bilhão entre janeiro de 2019 e junho de 2025, segundo relatório de inteligência financeira do Coaf. Do total, R$ 586 milhões foram créditos e R$ 613 milhões débitos.
O documento chamou a atenção para operações em espécie realizadas pela entidade. Nos seis anos analisados, o sindicato realizou saques e depósitos que somaram R$ 6,5 milhões. Segundo o Coaf, esse tipo de movimentação dificulta o rastreamento da origem dos recursos e dos beneficiários finais.
Outro ponto destacado foi o repasse de R$ 8,2 milhões a empresas de familiares de dirigentes do sindicato. As companhias têm como sócios parentes do atual presidente, Milton Baptista de Souza Filho, conhecido como Milton Cavalo, e do ex-presidente João Batista Inocentini, falecido em 2023.
De acordo com o Portal da Transparência, os repasses do INSS ao Sindnapi aumentaram 564% entre 2020 e 2024. O valor passou de R$ 23,2 milhões para R$ 154,7 milhões. O sindicato também é apontado como uma das entidades que mais se beneficiaram dos descontos aplicados nos benefícios previdenciários.
Auditorias da CGU
Em depoimento à CPI do INSS, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, reafirmou que o órgão produziu auditorias que identificaram irregularidades nos descontos associativos realizados em benefícios previdenciários.
Segundo os relatórios, cerca de 97% desses descontos não tinham autorização dos beneficiários. As auditorias foram encaminhadas à Polícia Federal e embasaram a Operação Sem Desconto.
Os documentos também apontaram aumento expressivo no número de filiados em entidades sindicais, como o Sindnapi, que entre 2021 e 2023 passou de cerca de 170 mil para 420 mil associados. No mesmo período, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), o faturamento do sindicato cresceu de R$ 41 milhões para R$ 149 milhões.
Operação Sem Desconto
Deflagrada em abril de 2025, a Operação Sem Desconto investiga irregularidades em entidades que receberam recursos do INSS por meio de descontos associativos. A ação resultou na demissão do então presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, e do ex-ministro Carlos Lupi.
A Contag e o Sindnapi estão entre as principais entidades citadas nos relatórios enviados à CPI e são alvo de investigações em andamento.
Foto: Reprodução / Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Mandados são cumpridos em três estados e envolvem certames nacionais e estaduais
PF faz operação contra grupo suspeito de fraudar concursos públicos
A Polícia Federal deflagrou uma operação na manhã desta quinta-feira (2) para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes a concursos públicos. A ação envolve o cumprimento de mandados judiciais em três estados do Nordeste.
As investigações apontam que o grupo atuou em diversos certames, incluindo o Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), conhecido como “Enem dos Concursos”, além de concursos das Polícias Civis de Pernambuco e Alagoas, da Universidade Federal da Paraíba, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
Durante a operação, três pessoas foram presas preventivamente. Também foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como o afastamento de cargos públicos e o sequestro de bens dos investigados.
As ações judiciais estão sendo executadas nos estados da Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Os envolvidos foram excluídos dos processos seletivos e afastados das funções públicas que ocupavam.
PF faz operação
Os investigados podem responder por crimes como fraude em certame de interesse público, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação de documento público. As penas previstas variam conforme a gravidade e o envolvimento de cada acusado.
A operação contou com o apoio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, que acompanha os desdobramentos e atua na preservação da integridade dos concursos públicos federais.
As autoridades destacam que o objetivo da ação é garantir a lisura dos processos seletivos e proteger o acesso justo aos cargos públicos. A investigação continua em andamento, com análise de documentos, equipamentos apreendidos e movimentações financeiras dos suspeitos.
Operações interditam bares e apreendem mais de 100 garrafas; cinco mortes confirmadas e possível ligação com crime organizado
Polícia Civil e PF investigam intoxicação por metanol em bebidas adulteradas em São Paulo
A Polícia Civil e a Polícia Federal deflagraram operações em São Paulo para investigar casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas. As ações ocorreram nos dias 29 e 30 de setembro em diversos pontos da capital paulista, com apreensão de mais de 100 garrafas e interdição de estabelecimentos suspeitos.
Segundo a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, foram confirmadas cinco mortes por intoxicação por metanol. Uma delas já foi comprovadamente causada pelo consumo de bebida adulterada. Outras quatro seguem sob investigação. Ao todo, há 22 casos registrados, sendo 17 suspeitos e cinco confirmados.
As operações foram realizadas em bares localizados nos bairros Jardins (Zona Oeste), Mooca (Zona Leste), Planalto Paulista e Alameda Lorena. Em um dos locais, uma mulher de 43 anos perdeu a visão após consumir bebida alcoólica. Em outro, o advogado Marcelo Lombardi, de 45 anos, morreu em decorrência de parada cardiorrespiratória e falência de múltiplos órgãos. O atestado de óbito aponta o metanol como causa da intoxicação.
Durante as fiscalizações, foram apreendidas 117 garrafas de bebidas sem rótulo e sem comprovação de procedência. As amostras serão encaminhadas ao Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica para perícia. Dois estabelecimentos foram autuados por irregularidades sanitárias e interditados cautelarmente.
Polícia Civil e PF investigam intoxicação
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que todos os locais com suspeita de comercialização de bebidas adulteradas serão interditados preventivamente. A medida visa permitir a análise da documentação dos estabelecimentos e rastrear a origem dos produtos. Caso seja comprovada a boa-fé do comerciante, a interdição poderá ser limitada ao lote específico.
A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar a possível ligação dos casos com o crime organizado. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, há indícios de distribuição interestadual e conexão com investigações anteriores no Paraná e em São Paulo, envolvendo a cadeia de combustível e importação de metanol pelo Porto de Paranaguá.
A investigação será conduzida de forma integrada entre a Polícia Federal e a Polícia Civil de São Paulo, com foco na identificação dos responsáveis pela adulteração das bebidas e na origem do metanol utilizado.
A intoxicação por metanol é considerada uma emergência médica grave. A substância, ao ser metabolizada, gera compostos tóxicos como formaldeído e ácido fórmico, que podem causar cegueira, falência de órgãos e morte. Os principais sintomas incluem visão turva, náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese.
Em caso de suspeita de intoxicação, a recomendação é buscar atendimento médico imediato e acionar os seguintes canais:
Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001
Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733
CIATox local para orientação especializada
A população é orientada a adquirir bebidas apenas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal. Estabelecimentos devem redobrar a atenção quanto à procedência dos produtos oferecidos, evitando opções de origem duvidosa.
As investigações seguem em andamento, com novas diligências previstas para os próximos dias. A Polícia Civil e a Polícia Federal reforçam que denúncias podem ser feitas de forma anônima e segura.
Segunda Turma forma maioria para manter prisão preventiva de investigados na Operação Sem Desconto
STF mantém prisão de Careca do INSS e empresário por fraudes ao INSS
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria neste domingo (28) para manter a prisão preventiva dos empresários Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Maurício Camisotti. Ambos são investigados por envolvimento em fraudes bilionárias contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), relacionadas a descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
Os ministros Edson Fachin e Kassio Nunes Marques acompanharam o voto do relator André Mendonça, que defendeu a manutenção das medidas cautelares impostas aos investigados no âmbito da Operação Sem Desconto. O ministro Gilmar Mendes se declarou impedido de votar no caso. O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte e está previsto para ser concluído na próxima sexta-feira (3). O ministro Dias Toffoli ainda não se manifestou.
As prisões foram decretadas no dia 11 de setembro e cumpridas pela Polícia Federal na manhã seguinte. No despacho que fundamentou a decisão, o ministro André Mendonça apontou a necessidade de garantir a ordem pública, preservar a instrução processual e assegurar a aplicação da lei penal.
STF mantém prisão
Segundo o relator, há suspeitas consistentes de participação relevante dos empresários nas irregularidades apuradas. O ministro também destacou a existência de uma estrutura criminosa complexa, com estratégias de ocultação de recursos ilícitos e envolvimento de pessoas com conexões em órgãos estatais.
Mendonça indicou que os investigados poderiam continuar praticando delitos, com o objetivo de ocultar ou dilapidar o patrimônio obtido por meio de condutas ilícitas. Também há indícios de tentativa de lavagem de dinheiro proveniente do esquema fraudulento.
Entre os elementos considerados para a manutenção da prisão preventiva, o ministro citou um episódio sob investigação que envolve uma suposta ameaça de morte feita por Antônio Carlos Camilo Antunes a uma testemunha do caso. A situação foi incluída como fator de risco à integridade da instrução processual.
A Operação Sem Desconto investiga um esquema de fraudes que teria causado prejuízos bilionários ao INSS. Os investigados são suspeitos de operar mecanismos de descontos indevidos em benefícios previdenciários, com possível envolvimento de servidores públicos e empresas privadas.
A decisão da Segunda Turma do STF reforça o entendimento de que as prisões são necessárias para evitar interferências nas investigações e garantir que os acusados não utilizem recursos obtidos de forma ilícita para obstruir a Justiça.
O julgamento segue em andamento no plenário virtual do Supremo Tribunal Federal e aguarda o voto do ministro Dias Toffoli para ser concluído. Até o momento, três dos cinco integrantes da Segunda Turma se posicionaram pela manutenção das prisões.
Polícia Federal cumpre mandados no RN e investiga organização criminosa que atuava em três estados
Operação Retentor desarticula grupo suspeito de fraudes bancárias com cartões retidos
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (25), a Operação Retentor, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias por meio da retenção de cartões em terminais de autoatendimento. A ação ocorreu no Rio Grande do Norte e teve desdobramentos em outros estados do Nordeste.
O esquema investigado consistia na instalação de dispositivos físicos em caixas eletrônicos para impedir a retirada dos cartões pelos usuários. As vítimas, ao tentarem recuperar os cartões, eram induzidas a ligar para números de falsas centrais de atendimento. Nessas ligações, integrantes do grupo se passavam por funcionários de instituições bancárias e obtinham as senhas dos clientes.
Após obterem as senhas, os criminosos retiravam os cartões retidos e realizavam saques, transferências para contas de terceiros e simulações de compras em maquinetas fornecidas pelo próprio grupo. As investigações apontam que a organização está envolvida em pelo menos 22 crimes consumados entre maio de 2024 e junho de 2025.
Operação Retentor
Os crimes foram praticados nos estados do Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe, com prejuízo estimado em R$ 171 mil a clientes da Caixa Econômica Federal. A atuação do grupo era caracterizada pela rapidez na subtração dos valores após a obtenção dos dados bancários.
Na operação de hoje, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva. Um deles foi executado em Parnamirim, dois em endereços residenciais de Natal e dois na Cadeia Pública de Natal, onde os investigados já estavam presos desde abril de 2025 por envolvimento nas mesmas fraudes. Uma mulher também foi presa preventivamente e teve aparelhos de telefonia apreendidos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de furto qualificado mediante fraude e por participação em organização criminosa. A Polícia Federal segue com as investigações para identificar outros envolvidos e possíveis ramificações do esquema.
A operação reforça o combate a crimes financeiros que afetam diretamente usuários de serviços bancários. A Polícia Federal orienta que vítimas de retenção de cartões em caixas eletrônicos procurem diretamente os canais oficiais das instituições bancárias e evitem realizar chamadas para números desconhecidos.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração/Divulgação/PF
Mandados de busca são cumpridos em Natal e São Gonçalo do Amarante na 18ª fase da Operação Uiraçu
Polícia Federal realiza operação contra abuso sexual infantil na internet no RN
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), a 18ª fase da Operação Uiraçu, voltada ao combate ao armazenamento e compartilhamento de mídias contendo cenas de abuso sexual infantil na internet. A ação ocorreu nos municípios de Natal e São Gonçalo do Amarante, no estado do Rio Grande do Norte.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram recolhidos aparelhos celulares que serão submetidos à perícia técnica. O objetivo é reunir elementos que possam subsidiar as investigações em andamento. Os alvos são suspeitos de crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.
A operação tem como foco o enfrentamento de crimes digitais que envolvem violência sexual contra crianças e adolescentes, especialmente em ambientes virtuais. A atuação da Polícia Federal busca identificar e responsabilizar indivíduos que armazenam ou compartilham esse tipo de conteúdo.
Nome da operação
A operação foi batizada de Uiraçu, em referência a uma ave de rapina que ataca pequenos mamíferos, simbolizando a ofensiva contra predadores sexuais que vitimam menores de idade. A escolha do nome representa o caráter estratégico da ação policial.
Legislação envolvida
Os crimes investigados estão previstos no artigo 241-E da Lei nº 8.069/1990, que trata do envolvimento de crianças e adolescentes em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou da exibição de órgãos genitais para fins sexuais. A legislação brasileira ainda utiliza o termo “pornografia infantil”, embora especialistas e organismos internacionais recomendem o uso de expressões como abuso sexual infantil ou violência sexual contra crianças e adolescentes, por refletirem com maior precisão a gravidade das condutas.
Prevenção e orientação
A Polícia Federal reforça a importância da prevenção e da orientação familiar como ferramentas essenciais para proteger crianças e adolescentes dos riscos presentes no ambiente digital. O monitoramento de atividades online, o diálogo aberto sobre segurança na internet e a atenção a mudanças de comportamento são medidas recomendadas para identificar possíveis situações de risco.
A atuação preventiva inclui o acompanhamento do uso de redes sociais, jogos e aplicativos, além da orientação sobre como agir diante de contatos inadequados. A informação é considerada um instrumento fundamental para garantir a segurança e o bem-estar dos menores.
Continuidade das investigações
A operação faz parte de um esforço contínuo da Polícia Federal para combater crimes relacionados ao abuso sexual infantil em plataformas digitais. As investigações seguem em andamento, com análise dos materiais apreendidos e identificação de possíveis conexões entre os suspeitos e redes de compartilhamento de conteúdo ilegal.
A Polícia Federal mantém canais de denúncia e incentiva a população a colaborar com informações que possam contribuir para a identificação de crimes dessa natureza. A atuação integrada entre órgãos de segurança, justiça e sociedade civil é considerada essencial para o enfrentamento eficaz desse tipo de violência.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração/Divulgação/PF
Operação Segurança Legal identificou irregularidades em 35% das empresas fiscalizadas entre 2017 e 2024
PF fecha mais de mil empresas clandestinas de segurança privada
A Polícia Federal (PF) determinou o fechamento de 1.176 empresas clandestinas de segurança privada entre os anos de 2017 e 2024. As ações ocorreram no âmbito da Operação Segurança Legal, que tem como objetivo reprimir a atuação de companhias não autorizadas em todo o território nacional.
Durante o período, a PF fiscalizou 3.358 empresas de segurança privada. Os dados indicam que cerca de 35% das firmas visitadas não possuíam autorização para funcionar. A operação resultou ainda em 26 prisões em flagrante e na apreensão de 46 armas de diferentes calibres.
A Operação Segurança Legal é realizada anualmente desde 2017, com exceção de 2020, quando foi suspensa devido à pandemia de Covid-19. Em 2019, a operação foi deflagrada duas vezes, com o objetivo de intensificar a fiscalização.
No Brasil, apenas empresas de segurança privada autorizadas pela Polícia Federal podem prestar serviços e contratar vigilantes. A contratação de serviços clandestinos representa risco à integridade física das pessoas e ao patrimônio dos contratantes, uma vez que essas empresas não cumprem os requisitos legais mínimos para atuação. Os funcionários dessas companhias não passam pela verificação da PF, que inclui análise de antecedentes criminais, formação profissional e aptidões física e psicológica.
Desde setembro de 2024, está em vigor o Estatuto da Segurança Privada e da Segurança das Instituições Financeiras, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A nova legislação considera como atividade de segurança todas as funções relacionadas à proteção patrimonial e pessoal, incluindo aquelas exercidas por profissionais identificados como “Controlador de Risco”, “Prevenção de Perdas”, “Apoio”, “Suporte” ou “Segurança”, mesmo que não estejam formalmente registrados como empresas de segurança.
empresas clandestinas de segurança privada
O vice-presidente da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist), Ivan Hermano Filho, afirmou que o número de empresas fechadas corresponde à realidade observada pela entidade. Segundo ele, há desde empresas irregulares com estrutura e funcionários até pessoas que atuam informalmente como seguranças sem qualquer infraestrutura.
A nova legislação também prevê penalidades para quem contratar empresas clandestinas ou organizar serviços irregulares. Além disso, tipifica como crime a atuação armada sem autorização, incluindo casos em que policiais utilizam armas funcionais para exercer atividades de segurança privada.
Antes da sanção do estatuto, a legislação brasileira permitia que empresas autuadas recorressem ao Poder Judiciário alegando que não se enquadravam como empresas de segurança. Em alguns casos, essas companhias obtinham liminares que permitiam a continuidade das atividades, mesmo sem autorização da PF.
Com o novo marco legal, a Polícia Federal passa a ter respaldo jurídico mais claro para agir contra empresas clandestinas. A atuação irregular armada, por exemplo, passa a ser considerada crime, o que amplia o alcance das ações de fiscalização.
A PF reforça que a contratação de empresas regulares é essencial para garantir a segurança dos estabelecimentos e das pessoas. A verificação da legalidade da empresa pode ser feita por meio dos canais oficiais da instituição, que disponibiliza informações sobre empresas autorizadas a operar no setor.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Investigado por desviar R$ 6,3 bilhões do INSS, empresário presta depoimento nesta segunda-feira (15) no Congresso Nacional
Careca do INSS depõe na CPMI sobre fraudes bilionárias na Previdência
O empresário conhecido como “Careca do INSS” será ouvido nesta segunda-feira (15), às 16h, pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O investigado está preso e é apontado como um dos principais operadores de um esquema que teria causado prejuízos bilionários à Previdência Social.
A presença foi confirmada após decisão judicial que tornou facultativa a ida de investigados a comissões parlamentares. A defesa optou por apresentar a versão do empresário sobre os fatos apurados. O depoimento será realizado com esquema especial de segurança e será aberto à imprensa.
A CPMI apura desvios relacionados a descontos indevidos em contracheques de aposentados e pensionistas. O esquema envolvia o uso de dados pessoais para aplicar mensalidades não autorizadas, vinculadas a associações e entidades diversas. Os valores eram movimentados por empresas e contas bancárias ligadas ao investigado, dificultando o rastreamento dos recursos.
Além do depoimento, a comissão aprovou medidas como quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico, além da solicitação de relatórios financeiros sobre movimentações suspeitas. O empresário é sócio de diversas empresas, algumas delas diretamente ligadas às operações investigadas.
A CPMI também analisa pedidos de prisão preventiva contra outros envolvidos no esquema, incluindo ex-diretores do INSS e empresários ligados às entidades que operavam os descontos. A investigação aponta que os dados dos beneficiários eram acessados por servidores públicos e utilizados para alimentar o sistema de cobranças indevidas.
Careca do INSS
O esquema teria funcionado por vários anos, com prejuízos acumulados em bilhões de reais. A comissão busca identificar os responsáveis e propor medidas para recuperar os valores desviados, além de fortalecer os mecanismos de controle da Previdência Social.
A investigação inclui também o levantamento de dados financeiros de entidades sindicais e organizações que atuavam como intermediárias nas cobranças. A CPMI avalia o impacto das fraudes sobre os beneficiários e sobre o sistema previdenciário como um todo.
O depoimento do “Careca do INSS” é considerado um dos momentos centrais da apuração, com expectativa de esclarecimentos sobre a estrutura do esquema, os beneficiários das operações e os métodos utilizados para ocultar os desvios.
A comissão segue com os trabalhos e deve apresentar relatório final com recomendações para o aprimoramento da fiscalização e da transparência nas operações do INSS.
Operação investiga desvio de mais de R$ 53 milhões de entidades associativas
PF prende Careca do INSS e empresário por fraudes contra aposentados
A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (12) Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti. Ambos são investigados por envolvimento em um esquema de desvio de recursos de aposentados e pensionistas, com movimentação financeira superior a R$ 53 milhões.
A prisão foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e faz parte de uma operação que apura fraudes cometidas por meio de sindicatos e associações ligadas a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De acordo com as investigações, Antônio Carlos atuava como intermediário entre entidades associativas e pessoas físicas e jurídicas. Os valores eram debitados indevidamente das contas de aposentados e pensionistas e repassados a servidores públicos, familiares e empresas com vínculos diretos com os operadores do esquema.
A Polícia Federal identificou que pessoas e empresas ligadas a Antônio Carlos receberam R$ 53.586.689,10 diretamente das entidades ou por meio de suas empresas. A atuação envolvia contratos e repasses sistemáticos, com indícios de irregularidades na prestação de serviços e na destinação dos recursos.
Maurício Camisotti é apontado como um dos beneficiários finais das fraudes. A investigação indica que ele teria recebido parte dos valores desviados por meio de empresas ligadas ao esquema. O empresário é alvo de medidas cautelares e segue sendo investigado por participação ativa na estrutura financeira montada para ocultar os repasses.
PF prende Careca do INSS
A operação da Polícia Federal tem como objetivo desarticular a rede de operadores que atuava na intermediação dos recursos, além de identificar servidores públicos e gestores que teriam colaborado com o esquema. A investigação também busca rastrear o destino dos valores desviados e apurar a responsabilidade de cada envolvido.
As prisões fazem parte de um conjunto de ações autorizadas pelo STF, que incluem mandados de busca e apreensão em diferentes estados. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que o esquema operava há vários anos, com ramificações em diversas entidades representativas de aposentados e pensionistas.
O caso levanta preocupações sobre a vulnerabilidade de beneficiários do INSS diante de práticas fraudulentas envolvendo associações e sindicatos. A investigação aponta para a necessidade de maior fiscalização sobre os contratos firmados entre essas entidades e empresas prestadoras de serviços.
A Polícia Federal segue com as diligências para aprofundar a análise dos documentos apreendidos e das movimentações financeiras identificadas. Novas fases da operação não estão descartadas, e outros envolvidos podem ser responsabilizados conforme o avanço das investigações.
Ex-ministro afirma que desconhecia dimensão do esquema de descontos em aposentadorias
CPMI do INSS: Carlos Lupi nega envolvimento em fraudes
O ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, prestou depoimento à CPMI do INSS (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) e negou qualquer envolvimento com o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Lupi afirmou que só teve conhecimento dos casos em março de 2023 e que não sabia da real dimensão das fraudes.
Segundo o ex-ministro, o Ministério da Previdência e o INSS atuaram em cooperação com a Polícia Federal desde o início das apurações. No entanto, ele declarou que não tinha ciência do tamanho do esquema até que a investigação da PF revelasse os dados. Lupi reconheceu que não deu a devida atenção à gravidade do problema.
CPMI do INSS
O ex-ministro foi questionado sobre a ausência de medidas cautelares, como a suspensão dos acordos com as entidades envolvidas. Em resposta, afirmou que as investigações ainda estavam em curso e que só após a operação da Polícia Federal foi possível compreender a extensão do caso.
Durante o depoimento, Lupi mencionou que o INSS chegou a editar normativos para tentar impedir as fraudes, mas os mecanismos não foram suficientes para barrar o esquema. Ele admitiu falhas na atuação do órgão e lamentou a falta de ações mais enérgicas.
Carlos Lupi também destacou que não é alvo de nenhuma denúncia formal. A decisão de deixar o ministério, segundo ele, foi motivada pela impossibilidade de enfrentar a pressão política e a campanha pela sua saída. O pedido de demissão foi formalizado em maio de 2025.
A CPMI do INSS foi instaurada para investigar o esquema bilionário de descontos não autorizados em benefícios previdenciários. As entidades envolvidas teriam cobrado cerca de R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024.
O caso veio à tona em abril de 2025, após operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação revelou que milhões de aposentados e pensionistas foram afetados por cobranças indevidas, realizadas por meio de convênios com entidades que atuavam junto ao INSS.
A comissão parlamentar segue com os trabalhos de apuração, ouvindo autoridades e representantes das entidades envolvidas. O objetivo é identificar os responsáveis, propor medidas de reparação e evitar que novas fraudes ocorram no sistema previdenciário.
Ação conjunta apreende mais de 350 mil maços e prende seis pessoas em flagrante
Operação combate contrabando de cigarros em Natal
Uma operação conjunta entre a Polícia Federal, a Receita Federal do Brasil e a Polícia Civil do Rio Grande do Norte, por meio da Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (DEICOR), foi deflagrada em Natal nesta terça-feira (2) com o objetivo de combater o contrabando de cigarros.
Durante a ação, foram apreendidas 712 caixas de cigarros contrabandeados, totalizando aproximadamente 358.500 maços. Seis pessoas foram presas em flagrante. Também foram apreendidos um caminhão e duas vans utilizadas para o transporte da carga ilícita.
contrabando de cigarros em Natal
As investigações indicam uma mudança no modo de atuação do crime organizado no estado, com crescimento expressivo do contrabando de cigarros. A operação reforça a importância da atuação integrada entre os órgãos de segurança e fiscalização para desarticular redes criminosas, proteger a economia nacional e resguardar a saúde pública.
O contrabando de cigarros é considerado crime contra a ordem tributária e a saúde pública, uma vez que os produtos não passam por controle sanitário e não recolhem tributos devidos. A comercialização ilegal afeta diretamente a arrecadação fiscal e favorece a atuação de organizações criminosas.
A carga apreendida foi encaminhada para análise e contabilização pelas autoridades competentes. Os veículos utilizados no transporte foram recolhidos para perícia. Os presos foram conduzidos à sede da Polícia Federal para os procedimentos legais e responderão por crimes relacionados ao contrabando e à associação criminosa.
A operação foi resultado de trabalho conjunto entre os órgãos federais e estaduais, com base em informações de inteligência e monitoramento de atividades suspeitas. A ação faz parte de um esforço contínuo para combater o comércio ilegal de produtos no estado.
Segundo dados da Receita Federal, o contrabando de cigarros representa uma das principais fontes de financiamento de grupos criminosos no Brasil. A prática envolve rotas interestaduais e, em alguns casos, internacionais, com entrada de produtos por fronteiras terrestres e portos.
A Polícia Federal informou que novas ações estão previstas para os próximos meses, com foco em desarticular redes envolvidas no transporte, armazenamento e distribuição de produtos contrabandeados. A cooperação entre os órgãos de segurança tem sido fundamental para o avanço das investigações.
A DEICOR, unidade especializada da Polícia Civil do RN, tem intensificado operações voltadas ao combate ao crime organizado, com foco em atividades como tráfico de drogas, armas e contrabando. A atuação integrada com a Polícia Federal e a Receita Federal tem ampliado a capacidade de resposta às ações criminosas.
A operação desta terça-feira é considerada uma das maiores apreensões de cigarros contrabandeados realizadas em Natal nos últimos anos. As autoridades destacam que o combate ao contrabando é essencial para garantir a segurança da população e a integridade das instituições públicas.
Foto: Divulgação/Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
Investigação revela atuação do PCC em usinas, postos, fintechs e fundos de investimento
Esquema bilionário do PCC envolve combustíveis, fintechs e fundos de investimento
A maior operação contra o crime organizado no Brasil revelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro comandado pelo grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação apontou que o grupo atuava em toda a cadeia produtiva do setor de combustíveis, desde a produção agrícola até o sistema financeiro.
A força-tarefa nacional envolveu cerca de 1.400 agentes e teve como alvos 350 pessoas físicas e jurídicas. Participaram da operação o Ministério Público, a Polícia Federal e a Receita Federal. Os estados envolvidos foram São Paulo, Bahia, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins.
PCC lavagem de dinheiro
Produção e distribuição
O esquema começou com a aquisição de usinas sucroalcooleiras. Fazendeiros e donos de usinas foram coagidos a vender suas propriedades, com suspeitas de incêndios criminosos como forma de intimidação. O PCC também praticava sobrepreço na compra de cana-de-açúcar.
Distribuidoras de combustíveis foram utilizadas para desviar e transportar clandestinamente metanol. Essas empresas simulavam operações fiscais e solicitavam ressarcimentos indevidos de tributos como PIS e Cofins. O pagamento de impostos era desproporcional ao faturamento declarado.
Transportadoras desviavam metanol destinado a empresas químicas legítimas, utilizando notas fiscais falsas que simulavam álcool ou gasolina. A adulteração de combustíveis era parte do esquema.
Empresas como Copape (formuladora) e Aster (distribuidora) atuavam em conjunto na fraude fiscal e contábil. O PCC inflava os preços dos insumos entre essas empresas para sonegar impostos e obter créditos tributários indevidos.
Terminais de armazenamento eram usados para ocultar a origem e o destino dos recursos ilícitos.
Postos e maquininhas
Redes de postos de combustíveis recebiam dinheiro em espécie e via maquininhas de cartão. Esses recursos eram transferidos para contas bancárias ligadas à organização criminosa. Nos últimos quatro anos, postos envolvidos no esquema movimentaram R$ 52 bilhões.
Além da venda de combustíveis adulterados, os postos colocavam menos combustível do que o indicado no painel. Cerca de 140 postos, sem movimentação real, foram destinatários de mais de R$ 2 bilhões em notas fiscais, indicando compras simuladas para ocultar valores ilícitos.
A sonegação de tributos foi estimada em R$ 7,6 bilhões, incluindo impostos federais, estaduais e municipais. Só na esfera federal, a perda foi de R$ 4 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão já está inscrito em dívida ativa.
Conveniências e padarias também foram usadas na lavagem de dinheiro. Muitas dessas empresas estavam em nome de laranjas e duravam poucos meses, sendo substituídas por outras com nomes similares.
Sistema financeiro
O esquema alcançou o sistema financeiro por meio de fintechs. Empresas como o BK Bank operavam como núcleos financeiros invisíveis, utilizando “contas-bolsão” abertas em bancos comerciais. Uma única fintech movimentou R$ 46 bilhões em recursos não rastreáveis.
Operadores do PCC controlavam fintechs menores, criando uma segunda camada de ocultação. Segundo a Receita Federal, essas empresas funcionavam como bancos paralelos, integrando lucros ilegais ao mercado de capitais.
As fintechs não estavam sujeitas ao sistema de gerenciamento de risco do governo. Após a operação, o Ministério da Fazenda anunciou que a Receita Federal passará a monitorar essas empresas com mais rigor.
Parte dos recursos foi aplicada em fundos de investimento. A Receita identificou 40 fundos com patrimônio superior a R$ 30 bilhões, controlados pelo PCC. Muitos desses fundos tinham apenas um cotista.
Entre os bens adquiridos estão um terminal portuário, quatro usinas de álcool (mais duas em negociação), 1.600 caminhões, mais de cem imóveis, incluindo seis fazendas no interior de São Paulo avaliadas em R$ 31 milhões e uma casa em Trancoso (BA) no valor de R$ 13 milhões.