Resgate de Animais

Guarda Municipal de Natal é chamada para resgatar garça branca dentro de uma casa na Zona Norte de Natal; animal não estava ferido II

Guarda Municipal de Natal é chamada para resgatar garça branca dentro de uma casa na Zona Norte de Natal; animal não estava ferido

Agentes do Grupamento de Ação Ambiental da Guarda Municipal do Natal (Gaam/GMN) resgataram uma garça branca que adentrou numa residência situada na Rua Professor Luiz Maranhão, conjunto Jardim Progresso, bairro de Nossa Senhora da Apresentação, na zona Norte da capital.

Os guardas municipais foram acionados pelo Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) e ao chegarem no local indicado fizeram o resgate da ave que aparentava se encontrar com alguma debilidade. Os agentes amparam o animal com cuidado e acondicionaram numa caixa com ventilação para fazer o transporte da ave em segurança até uma unidade de amparo e tratamento de animais silvestres.

A garça foi levada ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama que ficou encarregado de analisar o estado de saúde da ave, tratar e ver a possibilidade de reintegração no habitat.

A garça é uma ave que se caracteriza por ter pernas longas, asas grandes e pescoço comprido. Ela é encontrada em lagoas e brejos, mas vive também ao longo dos litorais, em lagos de água doce e em rios. A garça se alimenta enquanto está em água rasa, andando ou parada. Ela é encontrada em quase todo o mundo, porém especialmente em regiões quentes.

Para acionar as equipes de resgate de animais silvestre da Guarda Municipal, o cidadão pode ligar para o número 190 do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) que as guarnições serão deslocadas ao local da ocorrência.

Foto: Reprodução/Semdes/Guarda Municipal de Natal

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Saiba mais sobre o trabalho da Guarda Municipal de Natal e Corpo de Bombeiros no resgate de animais silvestres no Estado:

Guarda Municipal de Natal prende suspeito bater em cavalo debilitado em Neópolis, na Zona Sul da capital

Guarda Municipal de Natal prende suspeito bater em cavalo debilitado em Neópolis, na Zona Sul da capital

Agentes do Grupamento de Ação Ambiental da Guarda Municipal do Natal (Gaam/GMN) detiveram nessa quinta-feira (07), um homem suspeito de cometer maus-tratos contra um animal. O suspeito foi preso em flagrante quando batia em um cavalo debilitado na Avenida dos Pinheirais, bairro Neópolis, zona Sul da capital. 

De acordo com a narrativa dos guardas municipais, o patrulhamento foi deslocado pelo Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp), que recebeu denúncia de um popular informando que o suspeito estava batendo no animal ferido que não estava suportando o peso do material carregado na carroça que o mesmo estava atrelado. 

“Quando a guarnição chegou ao local encontrou o cavalo muito debilitado, magro, com fome, sede e sem condições de suportar o peso da carroça. O denunciante chegou a relatar que o animal chegou até mesmo a cair no solo devido a insistência do suspeito em conduzir a carroça”, contou o coordenador do Gaam/GMN, Isaac Cruz. 

Os guardas municipais ampararam o animal e providenciaram água e alimento. Em seguida foi acionada a equipe da Secretaria de Serviços Urbanos (Semsur) responsável pelo Curral Municipal para fazer o resgate do animal debilitado. 

O suspeito foi preso pela guarnição da GMN e conduzido à Delegacia Especializada em Proteção ao Meio Ambiente (Deprema) onde foi registrada a prisão em flagrante delito. O detido vai responder por maus-tratos de animal e por ameaça contra o cidadão que fez a denúncia do delito. 

O crime de maus tratos contra animais é tipificado na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) mais precisamente no seu artigo 32 que pune o ilícito com detenção de três meses a um ano, e multa. Podendo a pena ser aumentada de um sexto a um terço, devido à morte do animal. Se o crime for cometido contra cães ou gatos a pena sobe para 2 a 5 anos de reclusão, multa e proibição da guarda. 

Para denúncia de maus-tratos contra animais o cidadão pode acionar a Guarda Municipal do Natal no Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp), no número 190.

Foto: Reprodução/Semdes

Saiba mais sobre o trabalho da Guarda Municipal de Natal no resgate e na proteção aos animais

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Ronda de Proteção Ambiental resgata jiboia de 2,3 metros no bairro Pitimbu, Zona Sul de Natal

Ronda de Proteção Ambiental resgata jiboia de 2,3 metros no bairro Pitimbu, Zona Sul de Natal

Uma jiboia adulta de 2,3 metros de comprimento foi encontrada por populares nesta quinta-feira (26) na Rua Antônio Freire de Lemos, bairro Pitimbu, Zona Sul da capital potiguar. Agentes da Ronda de Proteção Ambiental da Guarda Municipal do Natal (Ropam/GMN) estavam em patrulhamento quando receberam a informação que o animal estava em uma área urbana.

Os guardas realizaram o resgate da serpente e fizeram uma avaliação prévia de saúde do animal, quando foi detectado que o mesmo estava sem ferimentos nem sinais de adoecimento. De acordo com especialistas, esse tipo de serpente é mais ativo durante a noite. Entretanto, pode ser observada durante o dia em busca de um local para se abrigar. Elas são encontradas tanto no solo quanto sobre as árvores, e não é um animal peçonhento.

De acordo com o guarda municipal Giovani, mesmo a jiboia não sendo venenosa, é preciso que os populares tenham alguns cuidados para não serem picados ou feridos pela serpente. “É sempre mais seguro acionar as equipes de resgates de animais silvestres, pois já temos experiência para fazer a captura com segurança para o agente e para o animal”, explicou.

Além disso, de acordo com o herpetólogo e parceiro do Por Dentro do RN, o biólogo Henrique Charles, o comportamento predatório da jiboia aponta para morte por asfixia e não há “nenhum caso de morte de seres humanos por esses animais”. De acordo com a professora do Departamento de Herpetologia da UFRN, Eliza Freire, o encontro com serpentes nesse período do ano é totalmente comum, uma vez que os animais estão em sua fase reprodutiva e acabam ficando mais expostos nas áreas urbanas das cidades.

Após avaliação, a jiboia foi levada a área da Zona de Proteção Ambiental 01 (ZPA), onde fica localizado o Parque da Cidade do Natal. A serpente foi solta numa parte de mata nativa, sendo dessa forma reconduzida a natureza.

Os resgates desses animais silvestres em Natal estão sendo feitos em todos os bairros e, muitas vezes, a contribuição da população é um fator primordial no acionamento das guarnições para agir no trabalho de amparo, cuidado e destino correto desses animais. Sem essa ação das guarnições, os animais teriam poucas chances de sobrevivência.

Qualquer cidadão que se deparar com algum animal silvestre fora do seu habitat em Natal pode solicitar o apoio da Guarda Municipal através do Ciosp, ligando para o número 190.

Foto: Reprodução/Ronda de Proteção Ambiental

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Leia mais sobre serpentes e sobre o trabalho do Corpo de Bombeiros e da Ronda de Proteção Ambiental da GMN no resgate a animais silvestres em Natal e no RN

Cobra Jiboia (Boa constrictor) é vista por populares em frente a uma escola no bairro da Ribeira em Natal

[VÍDEO] Cobra jiboia (Boa constrictor) é vista por populares em frente a uma escola no bairro da Ribeira, em Natal

Uma serpente da espécie jiboia (Boa constrictor) adulta foi vista por populares em frente a uma escola localizada no bairro da Ribeira, em Natal. Após a identificação, a equipe do corpo de bombeiros já foi acionada para recolher o animal.

Um popular, no vídeo, atenta para a ausência de peçonha nesses animais, o que os tornam inofensivos para os seres humanos. Isso ocorre devido à dentição das serpentes da espécie, que não possuem glândulas inoculadoras de peçonha. Além disso, de acordo com o herpetólogo e parceiro do Por Dentro do RN, o biólogo Henrique Charles, o comportamento predatório da jiboia aponta para morte por asfixia e não há “nenhum caso de morte de seres humanos por esses animais”.

De acordo com a professora do Departamento de Herpetologia da UFRN, Eliza Freire, o encontro com serpentes nesse período do ano é totalmente comum, uma vez que os animais estão em sua fase reprodutiva e acabam ficando mais expostos nas áreas urbanas das cidades.

Foto: Reprodução/Twitter

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Saiba mais sobre a importância da jiboia e de outras serpentes para o meio ambiente e acompanhe o trabalho do Corpo de Bombeiros e da Guarda Municipal na proteção desses animais:

Carlos Minc e Biólogo Henrique em live

Biólogo Henrique realiza live exclusiva com Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente; pauta é preservação ambiental e sustentabilidade

Ocorre nesta quinta-feira, 12 de agosto de 2021, uma transmissão ao vivo exclusiva entre o biólogo e mestre em Biologia, Henrique Abrahão Charles; com o ex-ministro do Meio Ambiente no governo do ex-presidente Lula, entre 2008 e 2010, o deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Carlos Minc. A live, que ocorre simultaneamente em todos os canais oficiais do biólogo Henrique, acontecerá às 20h e terá como tema a preservação ambiental e sustentabilidade.

Quem é o biólogo Henrique?

Henrique Abrahão Charles, também conhecido como o biólogo Henrique, nasceu na cidade de Nova Friburgo, no sudeste do estado do Rio de Janeiro e dedica a sua vida profissional à Biologia. Em 2021, se tornou colaborador do portal Por Dentro do RN em assuntos relacionados a acidentes ofídicos que acontecem no estado do Rio Grande do Norte.

Biólogo Henrique Charles

Além disso, o biólogo Henrique tem graduação em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e mestrado no Comportamento Predatório de Serpentes Boidaes (anacondas, sucuris, serpentes arco-íris e jiboias) de Diferentes Habitats na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Além disso, Henrique é professor e já deu aulas de Biologia na rede pública do estado fluminense.

Como subsecretário do Meio Ambiente de Macaé, o biólogo Henrique ajudou a tirar o maior parque urbano de restinga do mundo do papel, o Parque Ecológico da Restinga do Barreto, localizado no município fluminense de Macaé, às margens da BR-106. Embora não exerça mais nenhum cargo de chefia do local, ainda continua sendo consultor e biólogo do parque. O herpetólogo também tem um canal no YouTube, onde desmistifica alguns mitos sobre as serpentes e ensina sobre o fabuloso mundo da Herpetologia.

Quem é Carlos Minc?

Carlos Minc Baumfeld nasceu no dia 12 de julho de 1951. Economista e defensor dos direitos da minoria e do meio ambiente. Estudou no Colégio Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, em 1967, foi vice-presidente da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas.

Pelo motivo da participação em grupo de resistência contra a ditadura militar, foi preso em 1969, anistiado dez anos depois (1979). Deputado estadual pelo Rio de Janeiro, está em seu sexto mandato consecutivo (1986, 1990, 1994, 1998, 2002 e 2006). Recebeu o Prêmio Global 500, concedido pela ONU aos que se destacam mundialmente nas lutas em defesa do meio ambiente (1989).

É membro-fundador do Partido Verde (PV), juntamente com Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, tendo sido eleito deputado estadual em 1986. Em 1989, por ocasião das eleições presidenciais daquele ano, rompeu com Gabeira, que era candidato pelo PV, e passou a apoiar Luiz Inácio Lula da Silva, filiando-se ao PT, legenda na qual se abrigou até 2016, quando deixou o partido.

Carlos Minc e Biólogo Henrique se encontram em live

Atualmente, Carlos Minc está seu oitavo mandato de deputado estadual, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB/RJ) e é recordista de aprovação de leis no Rio de Janeiro: 168 até agora. Defensor do socialismo libertário, luta por mais qualidade de vida e pela preservação ambiental, pelos direitos de cidadania, das mulheres, dos negros, dos homossexuais – combatendo o machismo, o racismo, a homofobia, a intolerância religiosa.

Minc tem ação parlamentar voltada para outros temas, como segurança pública, saúde no trabalho, ética na política e fiscalização do orçamento estadual e de sua execução. Minc é defensor dos pescadores artesanais, catadores de resíduos recicláveis, rádios comunitárias, da saúde do trabalhador, de políticas democráticas de drogas e humanização da saúde mental.

Foto: Ilustração

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Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte resgate de serpentes

Cresce em 92% o resgate de serpentes no Rio Grande do Norte; saiba a quem recorrer e como evitar acidentes

Resgate de serpentes é realizado, em Natal, tanto pelo Corpo de Bombeiros quanto pelo Grupamento de Ação Ambiental da Guarda Municipal do Natal (Gaam/GMN).

A captura e o resgate de animais silvestres é algo rotineiro no ofício Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte. No entanto, existe um grupo em especial que causa pavor nas pessoas e deixa as ocorrências ainda mais interessantes e, até certo ponto, perigosas: o grupo das serpentes. Animais muito temidos e, muitas vezes, pouco compreendidos.

O leitor do Por Dentro do RN, todavia, aprendeu a respeitar esses bichos e compreende, hoje, a importância desses animais para a natureza e para o equilíbrio ambiental, no controle da população de roedores e outras pragas. O Por Dentro do RN defende que o conhecimento ainda é o menor caminho, seja para evitar acidentes quanto para preservar a vida dos animais silvestres.

Em entrevista ao portal, o biólogo e herpetólogo, Henrique Charles, explicou a importância das serpentes para o meio ambiente e para o equilíbrio ecológico do planeta. Caso tenha interesse de conhecer mais sobre o fabuloso mundo da herpetologia, a entrevista pode ser acessada no carrossel abaixo.

Além disso, você também pode acompanhar o trabalho desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte e da Guarda Municipal do Natal no importantíssimo trabalho de resgate dos animais silvestres.

Cresce em 92% o resgate de serpentes no Rio Grande do Norte

De acordo com um levantamento realizado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte (CBMRN), no período de janeiro a maio deste ano, foram atendidas 173 ocorrências de resgate/capturas de animais peçonhentos em todo o estado do RN. Já no mesmo período do ano passado, foram registrados apenas 90 casos.

Para evitar acidentes com serpentes, os bombeiros dão dicas de prevenção e do que pode ser feito quando encontrar esses animais.

Cuidados e recomendações:

• Normalmente, as serpentes só atacam o homem quando se sentem ameaçadas. Por isso, ao avistar uma serpente, não pense duas vezes, desvie do caminho dela;

• Usar luvas nas atividades rurais e de jardinagem. Nunca colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras;

• Manter seu quintal limpo e não acumular lixo, ou resto de materiais de construção ou quaisquer outros tipos;

• Sempre usar equipamento de segurança individual (EPI), como bota cano longo e luvas de punho alongado. Usar sempre um bastão ou vara longa para manipular objetos ou mato, lixo que possam conter algo escondido por baixo, de modo a manter-se distante em caso de um ataque de serpentes;

• Não estacionar veículo próximo a mato, lagoa, lugar escuro ou úmido. Use sempre calçado fechado e calças compridas. Se estiver em um local que é conhecido por ter serpentes, utilize botas de cano alto ou perneiras para proteger a parte de baixo das pernas;

• Não montar acampamentos junto a plantações, pastos ou matos em regiões onde normalmente há serpentes;

• Caso animais como esses apareçam em casa ou em outro local atípico, a orientação é evitar colocar as mãos neles e só se aproximar para espantá-los, sem machucar. Matá-los é proibido pelo Ibama;

• Nesses casos, ligue para o 193 para fazer o resgate de serpentes.

Em caso de acidentes com serpentes, saiba como proceder:

• Lavar local da picada de preferência com água e sabão, não fazer cortes na ferida ou tentar sugar o sangue;

• Manter a vítima deitada, não fazer torniquetes e evitar que ela se movimente para não favorecer a absorção do veneno;

• Levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, se possível com o animal agressor, mesmo morto, para facilitar o diagnóstico; ou, no melhor dos casos, tirar foto do animal.

Foto: Reprodução/Corpo de Bombeiros Militar do RN

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Jiboia

Jiboia de 1,5 metro é resgatada pelos bombeiros em São José de Mipibu

Jiboia foi capturada por um morador do bairro Taborda, em São José de Mipibu; homem ligou para os bombeiros, que fizeram soltura do animal.

Uma serpente da espécie jiboia (Boa constrictor) de quase 1,5 metro de comprimento foi resgatada pelos bombeiros na manhã desta segunda-feira (2) no município de São José de Mipibu, na região Metropolitana de Natal. A jiboia foi capturada inicialmente por um homem que mora no bairro Taborda, região onde aconteceu a ocorrência, e que colocou a cobra em uma caixa de papelão.

Em seguida, o homem ligou para o Corpo de Bombeiros para fazer o resgate. Segundo os bombeiros, a cobra não estava ferida e foi solta em uma área de vegetação. As jiboias não são peçonhentas e não oferecem risco de envenenamento para os seres humanos. Além disso, essa espécie de serpente é responsável pelo controle ambiental de ratos.

Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

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Saiba mais sobre a importância das serpentes para o meio ambiente

Biólogo Henrique: como a balbúrdia de um professor no YouTube vem ajudando a salvar serpentes no Brasil

Guarda Municipal de Natal tem trabalho importante no resgate de animais silvestres

Guarda Municipal de Natal resgata exemplares de coral-verdadeira que serão estudadas pela UFRN
Agentes do Grupamento Ambiental da GMN resgatam filhote de tamanduá-mirim nas Rocas
GMN resgata gavião-carijó e coruja-buraqueira feridos na Zona Norte

II Grupamento Ambiental da GMN

Agentes do Grupamento Ambiental da GMN resgatam filhote de tamanduá-mirim nas Rocas

De acordo com os agentes, a guarnição do Grupamento Ambiental da Guarda Municipal de Natal foi solicitada para resgatar o tamanduá-mirim.

Uma equipe do Grupamento de Ação Ambiental da Guarda Municipal do Natal (Gaam/GMN) resgatou na manhã desse domingo (1º) um filhote de tamanduá-mirim ferido que estava em poder de um cidadão residente no bairro das Rocas, zona Leste da cidade. O animal foi encontrado pelo homem na região de São Miguel do Gostoso e trazido para Natal para ser entregue aos cuidados da guarnição. 

De acordo com os guardas municipais, a guarnição foi acionada pelo Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) para atender ao chamado de resgate do tamanduá-mirim ferido. O animal que pode ser encontrado desde a Venezuela até o Sul do Brasil estava apresentando debilidade e foi amparado pelos guardas. 

I Grupamento Ambiental da GMN
Foto: Divulgação/GMN

O tamanduá-mirim foi conduzido ao Aquário Natal para receber os primeiros cuidados veterinários e, em seguida, será encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama para avaliar a possibilidade de sua soltura no habitat natural do animal.  

Durante este ano, o Grupamento de Ação Ambiental da GMN já registrou o resgate de diversas espécies de animais silvestre dentro da capital, a exemplo de raposa, coruja-buraqueira, cobra coral-verdadeira, uruatu, frango-d’água-azul, tatupeba, cágado, gavião-carijó, periquito-da-caatinga, coruja-de-igreja, sagui-do-tufo-branco, gambá, iguana, papa-capim-capuchinho, sabiá-da-mata, corujinha-de-orelha, asa-de-telha-pálida, garibalde, além outras aves mais comuns, a exemplo do azulão, golinho, galo de campina, rolinha, entre outros. 

Para acionar as equipes de resgate de animais silvestre da Guarda Municipal, o cidadão pode ligar para o número 190 do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) que as guarnições serão deslocadas ao local da ocorrência. 

Foto: Divulgação/GMN

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Veja abaixo mais ações da Guarda Municipal de Natal

Guarda Municipal de Natal resgata exemplares de coral-verdadeira que serão estudadas pela UFRN;

GMN resgata gavião-carijó e coruja-buraqueira feridos na Zona Norte;

Guarda Municipal de Natal apreende motos com placas idênticas em Felipe Camarão;

Guarda Municipal de Natal detém homem por desacato durante apreensão de equipamento de som;

Guarda Municipal desmobiliza ocupação de área pública na zona Oeste de Natal.

GMN coruja

GMN resgata gavião-carijó e coruja-buraqueira feridos na Zona Norte

A GMN tem um grupamento específico que realiza o trabalho de preservação da fauna silvestre da capital natalense.

O Grupamento de Ação Ambiental da Guarda Municipal de Natal (Gaam/GMN) resgatou na última sexta-feira (16), um gavião-carijó e uma coruja-buraqueira com sinais de ferimentos. As aves foram resgatadas no conjunto Nova Natal, na zona Norte de Natal. A ação faz parte do trabalho de preservação da fauna silvestre realizado pela Prefeitura de Natal.

De acordo com a Guarda Municipal de Natal, a ampliação nas ações ambientais tem verificado o aumento de ocorrências de animais feridos ou em situação de perigo dentro da área urbana. A coruja-buraqueira (Athene cunicularia) foi encontrada dentro de uma residência localizada na rua Boi Bumbá. A ave estava sem movimento nas pernas e nas garras, ocasionando a impossibilidade de voar.

Já o segundo resgate foi o de um gavião-carijó que adentrou no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Professora Stella Lopes da Silva, na Rua dos Mororós, conjunto Nova Natal. O animal apresentava dificuldade de alçar voo, permanecendo sempre no solo. “Não conseguimos identificar o motivo do gavião não voar, então demos sequência ao resgate mantendo-o na mesma caixa de papelão que se encontrava, no sentido de movimentá-lo menos possível, até a entrega aos cuidados veterinários”, contou A. Pereira.

As duas aves silvestres foram direcionadas à Companhia Independente de Proteção Ambiental (Cipam), no Parque das Dunas, e em seguida encaminhadas ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama para que as mesmas sejam avaliadas por veterinário, passem por tratamento e, quando em boas condições, sejam devolvidas a natureza.

A coruja-buraqueira é uma ave pequena. Quando adulta, chega a medir de 23 centímetros a 27 centímetros e a pesar entre 170 gramas e 214 gramas. Tem uma envergadura entre 53 centímetros e 61 centímetros. Já o gavião-carijó mede de 31 a 41 centímetros de comprimento, sendo os machos 20% menores que as fêmeas. Este último é encontrado em diferentes ambientes, ocorrendo do México à Argentina e em todo o Brasil.

Para acionar as equipes de resgate de animais silvestres da Guarda Municipal, a população pode ligar para o número 190 do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) que as guarnições serão deslocadas ao local da ocorrência.

Foto: Divulgação/Semdes

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Guarda Municipal de Natal micrurus ibiboboca

Guarda Municipal de Natal resgata exemplares de coral-verdadeira que serão estudadas pela UFRN

Duas cobras da espécie Micrurus ibiboboca, conhecida como coral-verdadeira, foram resgatadas por agentes do Grupamento de Ação Ambiental da Guarda Municipal do Natal (Gaam/GMN). As espécies vão servir de estudo científico de pesquisadores do Laboratório de Herpetologia da UFRN. As cobras foram encontradas pela guarnição da Ambiental na área de passagem de pessoas no Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte.

De acordo com a Guarda Municipal, a coral-verdadeira é comum em Natal, e é também a espécie que possui a peçonha mais perigosa entre todas as serpentes catalogadas em território brasileiro, porém, não é a que tem maior registro de ataque a pessoas, sendo essa menos agressiva e só ataca quando se sente ameaçada.

O guarda municipal A. Pereira informou que assim que as serpentes foram coletadas pela guarnição, foi feito o contato com o Laboratório de Herpetologia da UFRN, que vem desenvolvendo um trabalho de pesquisa relacionado ao estudo da coral-verdadeira focado na identificação taxonômica e na distribuição geográfica dessa espécie. “O Grupamento Ambiental tem como função, além das descritas na sua lei de criação, a de contribuir com a produção científica brasileira”, explicou.

De acordo com um dos participantes do estudo científico das serpentes pertencentes ao gênero Micrurus, André Duarte, o trabalho deve contribuir com o entendimento maior desse tipo de cobra. “A importância da pesquisa é a urgência de definir quais espécies que ocorrem no nosso Estado e conhecer melhor sua distribuição geográfica, uma vez que são um grupo de serpentes peçonhentas e de importância médica, possuindo uma toxina potente”, afirmou.

Por se tratar de uma serpente peçonhenta, recomenda-se que ao encontrar o animal, apenas mantenha a distância, pois ele vai seguir a vida dele normalmente e não vai causar nenhum problema. A Guarda orienta que, caso o encontro seja dentro da residência ou área de circulação de pessoas, o comando municipal seja acionado pelo número 190, do Centro Integrado de Operações em Segurança Públicas (Ciosp), que a guarnição efetuará o resgate.

Gosta de Herpetologia ou tem curiosidade na área? Que tal ler um artigo sobre o tema escrito no Por Dentro RN? É só clicar aqui para conhecer um pouco mais desse universo fabuloso das serpentes.

Foto: Divulgação/Semdes

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Leia mais:

Bálburdia (Biólogo Henrique)

Biólogo Henrique: como a balbúrdia de um professor no YouTube vem ajudando a salvar serpentes no Brasil

Conheça o canal do biólogo Henrique, um especialista em serpentes que desmistifica os répteis para o público leigo de uma maneira simples e didática.

Fosseta loreal, órgão de Jacobson, soro antiofídico, dentição solenóglifa, opistóglifa etc. Arrisco dizer que você, caro leitor, já tenha se deparado com esses termos alguma vez em sua vida escolar; e que, provavelmente, as obrigações com outras disciplinas, atreladas à falta de aulas mais dinâmicas por uma série de fatores, tenham contribuído para essa sensação de estranhamento que você deve ter sentido ao ler o primeiro período deste texto.

Adianto, antes de tudo, que estou longe de ser especialista em serpentes. Estou mais para um jornalista curioso que, no afã de encontrar alguma atividade menos entediante para fazer na pandemia, resolveu aprender um pouco sobre esses bichos fenomenais.

O início de tudo

E eu me lembro como se fosse hoje: despretensiosamente, no início do ano passado, comecei a assistir a alguns canais que abordavam a Herpetologia (área da Biologia que se dedica aos répteis e aos anfíbios) de maneira, muitas vezes, amadora; mas com o didatismo suficiente para me fazer voltar a assistir aos vídeos outras vezes. Foi o caso dos canais de “Haroldo Bauer, o Rei das Serpentes” e do “Comédia Selvagem”, este último apresentado pelos figuraças Charles e Tiringa. Pegadinhas e zoeiras à parte, que todo nordestino que se preza conhece bem, duas coisas me chamaram atenção:

A primeira é o fato de nenhum dos apresentadores possuírem formação acadêmica para falar (tão bem) sobre serpentes; e a segunda, talvez a mais importante, é a função social que esses dois canais exercem sem perder o bom humor e, o melhor de tudo, longe da linguagem difícil e acessível apenas aos acadêmicos.

Haroldo no texto do biólogo Henrique
Foto: Reprodução/Rede Record

Os resultados são tão positivos que a diminuição da matança de serpentes por parte da população sertaneja se tornou um fato comprovado; basta ver os diversos depoimentos de inscritos que, por agora possuírem o conhecimento, optam em deixar os répteis vivos e contribuem para a preservação ambiental, conscientizando as pessoas sobre o papel das serpentes na natureza.

Charles no canal do biólogo henrique
Foto: Reprodução/Canal Comédia Selvagem

Por falta de informação e devido às tradições transmitidas de geração em geração, muitos desses animais morriam sem nem sequer oferecerem ameaça à população das áreas em que o convívio entre seres humanos e serpentes é comum, como o sertão nordestino e outras regiões distantes das grandes cidades.

Quando o popular e o erudito trabalham juntos

Recentemente, uma criança do estado no qual nasci e onde moro até hoje (o Rio Grande do Norte) foi picada, ao que parece, por uma serpente jararaca quatro vezes e sobreviveu. Embora eu seja alguém da capital e nunca tenha passado por uma situação parecida, fiquei impressionado com a resistência do garoto às picadas da cobra que mais causa acidentes no país. E é aqui, caro leitor, que o texto entra no assunto principal.

Por mais que eu considere importante a simplificação de temas complexos com o intuito de facilitar a compreensão por parte do público leigo, comigo incluso, as palavras de especialistas e o saber científico também têm a sua importância e o seu espaço no YouTube; e a transmissão desse conhecimento não precisa, necessariamente, ser chato e monótono.

Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

Além de Charles e Tiringa, ou ainda do Rei das Serpentes, que permitiram que os seus inscritos tivessem outra visão a respeito do sertão nordestino e pernambucano, também passei a acompanhar biólogos de formação no YouTube.

Entre os vários que eu acompanho, tem um que eu gosto bastante e resolvi apresentar a vocês; e a minha escolha se deu por duas razões: A primeira pela maneira didática (ainda que técnica) que utiliza para divulgar a Herpetologia na Internet; e a segunda por possuir valores sociopolíticos semelhantes aos meus, sempre em defesa da Ciência, contra a desinformação e o obscurantismo científico; sem medo de se posicionar contra o desmonte que as instituições públicas vêm sofrendo nos últimos anos.

Conheça o canal ‘Biólogo Henrique, o biólogo das cobras’

Assisti tanto aos vídeos do Comédia Selvagem e do Haroldo Bauer que o YouTube começou a me indicar outros canais que falavam sobre serpentes, me levando direto para o canal do biólogo Henrique, de quem eu me tornei inscrito desde então.

O primeiro vídeo ao qual assisti, caso eu ainda esteja bem da memória, foi o de um homem que faleceu na Bahia após apertar uma cobra coral com as mãos. O rapaz, que estava alcoolizado, acreditava que o perigo da serpente estava “no ferrão” que ela teria na cauda e acabou morrendo após ser mordido (sim, a cobra coral morde, não pica) em uma das mãos.

Uma das coisas que aprendi nesse vídeo foi que, em primeiro lugar, cobras corais não têm ferrão; e, por fim, que tínhamos acabado de assistir a um caso raro no qual uma pessoa sofre um acidente com uma micrurus ibiboboca, nome científico da espécie de cobra coral mais comum no Nordeste do Brasil.

As serpentes do gênero micrurus, no Brasil, são as responsáveis pelo menor índice de acidentes no País, ainda que detenham o título de serpentes mais peçonhentas de todos os grupos de serpentes peçonhentas que ocorrem no Brasil.

Em vídeos sobre as corais que assisti no canal do biólogo Henrique, aprendi que algumas das razões que levam ao baixo índice de acidentes com as corais no Brasil se dão pelo fato dessas serpentes não realizarem uma picada verdadeira, uma vez que precisam morder seus predadores e possuem uma boca muito pequena.

Texto sobre o biólogo Henrique
Coral verdadeira (Micrurus ibiboboca)
Foto: Igor Roberto

Esses fatores, quando somados, demandam das serpentes do gênero micrurus um esforço um pouco maior que o esforço despendido por jararacas e cascavéis para que consigam inocular sua peçonha em seus predadores. Além disso, a quantidade pequena (cerca de 1%) de acidentes com esse tipo de serpente pode ser explicada pelo hábito que as cobras corais têm de viver escondidas embaixo de folhas secas e de troncos de árvores.

Quando comparadas com as jararacas (do gênero Bothrops) ou com a cascavel encontrada no Brasil (Crotalus durissus), as serpentes do gênero micrurus são relativamente mais dóceis, uma vez que não dão “botes” quando se sentem ameaçadas por qualquer razão. Mas isso não quer dizer, caro leitor, que você deva sair por aí pegando em cobras corais, pois há um risco enorme envolvido e um acidente com esses bichos pode ser fatal.

Eu já sabia que a cobra coral possuía a peçonha mais letal das serpentes Brasil, mas não fazia a mínima ideia de que o risco de ser mordido por uma era menor que o de ser picado por uma jararaca (a líder em acidentes) ou uma cascavel. O detalhe é que eu não aprendi nada disso na escola.

Das salas de aula para a bálburdia no YouTube: quem é o biólogo Henrique?

Embora acompanhe o biólogo Henrique no YouTube quase que diariamente, nunca havia tido a oportunidade de entrevistá-lo. Ultimamente, como vocês podem testemunhar, vinha me dedicando a entrevistas relacionadas à Astronomia, por ser uma área que vem me despertando mais dúvidas que as outras e devido ao fato de coisas interessantes estarem acontecendo em Marte e, muito em breve, na Lua.

Tudo mudou na última semana. Com o acidente com o bebê em São José do Seridó, aqui no Rio Grande do Norte, vi a oportunidade de pedir explicações sobre o caso para o biólogo e aproveitei para pedir uma entrevista exclusiva a ele, que aceitou prontamente o contato e ainda gravou um vídeo explicando o que pode ter acontecido com o bebê.

Se quiser conhecer o trabalho do biólogo Henrique e compreender o que aconteceu com o bebê, assista ao vídeo abaixo. Ele menciona o Por Dentro do RN e eu fiquei muito feliz por isso.

Henrique Abrahão Charles, também conhecido como o biólogo Henrique, nasceu na cidade de Nova Friburgo, no sudeste do estado do Rio de Janeiro e dedica a sua vida profissional (e por que não pessoal?) à Biologia; e, embora um herpetólogo também se dedique aos anfíbios, a paixão do biólogo Henrique parece ser mesmo as serpentes.

A minha hipótese foi confirmada quando, em meu contato inicial para começar a escrever este texto, perguntei sobre a sua formação acadêmica e sobre suas atividades profissionais e recebi a seguinte resposta:

Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e mestrado no Comportamento Predatório de Serpentes Boidaes (anacondas, sucuris, serpentes arco-íris e jiboias) de Diferentes Habitats na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Além disso, Henrique é professor e já deu aulas de Biologia na rede pública do estado fluminense.

“Ensinar Ciência é um dom, mas é muito difícil ensinar Ciência”, diz o biólogo Henrique

Como sempre costumo perguntar aos meus entrevistados cientistas e/ou divulgadores científicos, perguntei ao Henrique sobre sua opinião a respeito do ensino da Ciência nas escolas e como os professores poderiam estimular os alunos a darem mais valor à área. “Para você ensinar Ciência você precisa estar completamente apaixonado pela Ciência”, diz.

O biólogo e professor ainda aponta a superlotação de salas de aula como um dos entraves para o ensino adequado da Ciência nas escolas, que chegam a ter mais de 40 alunos por sala de aula; o que faz com que os professores fiquem sobrecarregados e, sob o meu ponto de vista, acaba atrapalhando qualquer tentativa de dar aulas mais dinâmicas e interessantes.

Biólogo Henrique ensinando
Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

“Nós temos de ser não apenas educadores; muitas vezes, nós temos de agir como pais dos alunos”, continua Henrique, que se emociona ao contar para este repórter as histórias de alguns alunos para os quais já deu aula enquanto era professor na rede pública. “Muitas vezes, tive de me preocupar se os meus alunos estavam comendo ou não; além disso, cansei de ver vários deles indo para a escola com problemas familiares de toda natureza. Então a gente acaba fazendo aquilo que a gente consegue para entregar uma aula interessante aos alunos”, conclui.

Confesso que as respostas do professor me fizeram refletir sobre as minhas críticas, que agora enxergo ser injustas em certos casos, ao modo de se ensinar Ciência nas escolas. Por ter estudado na rede particular durante a minha vida toda, nunca parei para pensar (não a fundo) na situação dos alunos de escola pública que, por várias razões internas e externas ao ambiente escolar, têm o seu desempenho prejudicado não só nas Ciências, sejam elas naturais ou exatas, mas em qualquer outra disciplina. “O problema é estrutural”, diz Henrique.

Sobre a criação do canal ‘Biólogo Henrique, o biólogo das cobras’ no YouTube

Quando perguntado sobre as motivações que o fizeram abrir um canal no YouTube e “dar a cara pra bater” em uma rede que, ao mesmo tempo em que pode ser maravilhosa, também pode ser tóxica na mesma medida, Henrique diz que a ideia veio após vários pedidos de ex-alunos e de pessoas o estimulando a gravar as coisas que ensinava. A carreira de professor entrou em um hiato depois que Henrique abandonou as salas de aula para se dedicar ao Parque Ecológico da Restinga do Barreto, localizado no município fluminense de Macaé, às margens da BR-106.

Biólogo Henrique no Parque
Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

Como subsecretário do Meio Ambiente de Macaé, o herpetólogo ajudou a tirar o maior parque urbano de restinga do mundo do papel e, embora não exerça mais nenhum cargo de chefia do local, ainda continua sendo consultor e biólogo do parque.

Em relação à motivação que teve para dar início à sua jornada no YouTube, o entrevistado diz que ela veio após o apelo de ex-alunos e de visitantes do parque, que pediam para que ele gravasse tudo aquilo que ele estava ensinando para aqueles pequenos grupos que apareciam no local. “Grava isso, cara; grava esse conhecimento que você passou. A gente viu aqui, mas outras pessoas também precisam ver”, revela Henrique sobre os estímulos que o levaram a se tornar conhecido no YouTube.

Relação com os haters e críticos

Mesmo com todos os avanços e com uma crescente de seguidores e apoiadores no canal, nada é perfeito. Quando o assunto são os haters, o biólogo afirma que há uma quantidade ínfima deles; e que não chegam a incomodar. Todavia, o biólogo diz que é recorrente alguns inscritos tentando refutá-lo em seus vídeos por meio do senso comum e do disse me disse, ainda que o seu conteúdo diga o contrário de maneira embasada.

“Por exemplo, quando eu digo que apenas a Ciência tem a cura para acidentes que envolvem picada de serpentes, algumas pessoas costumam dizer que existem chás milagrosos ou uma receita da vovó capazes de neutralizar as toxinas no corpo humano”, conta. Com o tempo, o herpetólogo diz que essas pessoas vão aprendendo e passam a compreender as coisas de maneira científica e menos dogmática. “É prazeroso trabalhar o medo das pessoas a um nível em que elas passem a achar as serpentes fascinantes”, diz.

Foto: Reprodução/YouTube

Em relação ao medo, ele conta que é uma coisa normal do ser humano e uma marca evolutiva da nossa espécie desde a época das cavernas, na qual animais peçonhentos já causavam problemas para o Homem. O temor pelas serpentes também é justificado, de acordo com o professor, pela quantidade de acidentes ofídicos que ocorrem no Brasil por ano, cerca de 30 mil.

“Morrem por volta de 150 pessoas por picada de cobras no País por ano”, afirma. No mundo, esse número chega a 4.000.000 de casos por ano; e morrem entre 80 e 140 mil pessoas. Com tantos dados assustadores, fica fácil descobrir as razões pelas quais o medo é completamente justificável.

“As serpentes são extremamente importantes na natureza para a regulação ambiental”.

Como em todas as coisas na natureza, a razão pela qual as serpentes existem é maior que qualquer medo que elas possam causar: equilíbrio ambiental.

Sobre a importância que esses répteis têm para o equilíbrio ecológico, o biólogo Henrique diz que, “se fôssemos fazer um cálculo linear, estima-se que uma serpente, ao longo dos seus 20 anos, poderia evitar o nascimento de dois milhões de roedores. Elas são extremamente importantes pois auxiliam na regulação ambiental”.

O herpetólogo continua dizendo que “também criou o canal com o objetivo de transformar esse medo das pessoas em fascínio”, por meio da conscientização sobre “papel que as serpentes desempenham na natureza”.

É visível perceber a felicidade que o professor tem ao concluir que se sente muito satisfeito por estar atingindo esse objetivo dia após dia. “Após o início do meu trabalho no canal, cansei de ver pessoas dizendo que não matam mais os animais porque entendem a importância deles”, comemora.

“O potencial biotecnológico de uma jararaca é capaz de salvar milhares de pessoas ao redor do mundo”

Sobre a importância da peçonha de serpentes para a Medicina, confesso a vocês que a primeira vez que eu ouvi sobre o fato foi no canal do Haroldo Bauer. Na ocasião, descobri que o farmacologista brasileiro Sérgio Henrique Ferreira foi o responsável por isolar uma substância no veneno da jararaca capaz de ajudar pessoas com hipertensão.

Sérgio Henrique Ferreira
Foto: Reprodção/Arquivo/SBED

Por essa razão, o cientista foi eleito membro da Academia Brasileira de Ciências em 29 de março de 1984 e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no período de 1997 a 1999, tendo recebido da entidade o título de presidente de honra. Hoje em dia, pessoas que sofrem com a pressão alta e utilizam o Captopril para controlá-la devem, e muito, às cobras jararacas e ao cientista por ter descoberto e isolado essa substância para a fabricação do medicamento.

Sobre os colegas e a fama de rei da balbúrdia: perguntei ao biólogo Henrique se ele sofreu preconceito por parte de seus pares da Academia

Quando perguntei ao entrevistado sobre a relação dele com seus colegas da Academia, ele me respondeu que sentiu preconceito logo no início do canal, mas por parte de outros divulgadores e/ou cientistas que trabalham no mesmo nicho de conteúdo. Para quem ainda não teve a oportunidade de ver, Henrique tornou-se conhecido como o “Rei da Balbúrdia” após os ataques de um certo ex-ministro da Educação do governo Bolsonaro (a quem não vou dar Ibope) às instituições públicas, se referindo a elas como espaços de “balbúrdia e arruaça”.

Vale salientar que ataques desse nível são comuns tanto para a alta cúpula de bolsonaristas convictos, que costumam circundar o presidente, quanto para o apoiador mais “baixo clero” que possa existir. Em seus vídeos, como uma reação irônica à fala do ex-ministro, o biólogo Henrique passou a utilizar a “máscara da balbúrdia” em homenagem aos trabalhos de pesquisa realizados pelas instituições públicas do Brasil e para, de maneira bem-humorada, divulgar a Ciência.

Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

Henrique diz que até mesmo os colegas da Academia compreendem a necessidade da máscara para atrair a atenção da “criançada que assiste ao canal, incluindo autistas, que passam a se interessar pelo conteúdo em decorrência da maneira descontraída que os vídeos são gravados”, diz o professor.

Ainda de acordo com o biólogo, “uma vez que o conteúdo abordado é de pós-graduação, no âmbito de mestrado e até mesmo de doutorado, é comum que a Academia também seja atraída ao canal”. Se ainda restavam dúvidas sobre a aceitação do canal do biólogo Henrique pelos biólogos, o entrevistado conta que muitos pesquisadores do Butantan não só aprovam e apoiam o trabalho dele no YouTube como também participam com dicas, entrevistas ou simplesmente como espectadores.

Política e Ciência se misturam? Para o biólogo Henrique, se misturam completamente

Uma das questões mais controversas para alguns divulgadores científicos que eu sigo, e não só da área da Biologia, é a certa ojeriza que sentem quando alguém toca no assunto Política. Quando não estão abstendo de opiniões a esse respeito em suas redes, muitos deles simplesmente partem para o senso comum de que “políticos são todos iguais” e que “nada vai mudar” Como falei logo no início deste texto, uma das coisas que me fizeram seguir o biólogo Henrique no YouTube foi o fato de me identificar com alguns de seus posicionamentos.

Quando perguntei sobre a relação entre Política e Ciência, Henrique foi categórico ao afirmar que “a divulgação científica é político-ativista”, isto é, o indivíduo faz Ciência e defende a Ciência porque acredita no que está defendendo. Na visão deste que vos escreve, o fato de o professor ter estudado em universidade pública e ter participado da administração de um parque público tenha o ajudado a enxergar a importância das políticas públicas para a Ciência no Brasil, mas essa visão ainda não é tão clara para muitos divulgadores, infelizmente.

Biólogo Henrique segura uma iguana
Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

“Ciência e Política se misturam completamente. A gente vem de uma época de ditadura na qual você não podia falar sobre Política que seria perseguido”, diz o professor. De acordo com o herpetólogo, foi a partir daí que se criou essa ideia de que não devemos discutir sobre o tema.

“A Ciência segue uma diretriz política e não é, de maneira nenhuma, neutra”, continua Henrique. Para ele, a Ciência funciona tanto para o bem quanto para o mal; e pode servir tanto para os interesses públicos quanto para os privados; é tudo questão de que sejam traçadas diretrizes capazes de nortear a Ciência.

“O ofidismo, por exemplo, é uma doença tropical negligenciada. Todos os avanços científicos ocorreram por causa de investimento público; graças ao médico Vital Brasil e ao Butantan”, destaca. Para a iniciativa privada, todavia, não seria lucrativo produzir e vender soro antiofídico para as pessoas porque “pobre não tem dinheiro pra comprar” e, como se sabe, o mercado vive essencialmente de lucro.

“É preciso ter uma bancada da Ciência na política brasileira”

Em contraposição às bancadas da bala, do boi e da bíblia; ou à bancada recente dos negacionistas da Ciência, o biólogo Henrique ainda é defensor da mobilização dos cientistas brasileiros para se lançarem no cenário político e formarem a “bancada da Ciência”.

Dessa forma, de acordo com o especialista em serpentes, uma bancada formada por homens e mulheres da Ciência poderia ajudar na formulação de diretrizes que incentivassem à área científica e ajudassem e combater de frente essa “idade média” que vem tomando conta das discussões políticas nos últimos anos.

“Divulgador que ignora isso não terá, depois, o que divulgar. Não dá para ficar em cima do muro enquanto a anticiência levou a óbito mais de meio milhão de pessoas no Brasil. E eu não irei ficar nessa covardia”, conclui.

O canal do “Biólogo das Cobras” é a prova de que dá para ser técnico sem ser chato; e os resultados provam isso

Com mais de 300 mil seguidores no YouTube e cerca de 65 milhões de visualizações, o canal do biólogo Henrique é uma prova prática de que é possível divulgar a Ciência na Internet sem ser chato ou monótono.

O fato de o obscurantismo científico e o negacionismo estarem em alta, atrelado à dificuldade que os canais de Ciência no YouTube têm de crescer, torna importante dar destaque ao sucesso do canal do “Biólogo das Cobras”, que se tornou, seguramente, o maior canal do mundo (de estudo) da fauna ofídica.

Além disso, o biólogo ainda administra a maior página do mundo de divulgação da herpetofauna, em Língua Portuguesa, do Facebook. É claro que os números, isoladamente, não querem dizer muita coisa. Mas, no caso acima, posso garantir que a qualidade da audiência também traz qualidade ao conteúdo do canal.

Foto: Reprodução/Cedida pelo entrevistado

Em nome dos leitores do Por Dentro do RN e de todos os interessados por Ciência que conheceram um pouco mais sobre a Herpetologia e sobre o canal, gostaria de agradecer ao biólogo Henrique pela atenção dispensada a este repórter.

Também quero revelar, publicamente, que a divulgação dessa área no YouTube me ajudou a aprender que uma cobra peçonhenta não tem “quatro ventas”, mas sim um órgão chamado de fosseta loreal (exceto as da família dos Elapídeos) o qual utiliza para detectar as variações de temperatura do ambiente e auxiliar na hora da alimentação e da defesa de predadores; e me ajudou, também, a ficar fascinado por esses bichos tão mal compreendidos quanto as serpentes.

No Brasil, das 370 espécies de serpentes catalogadas, apenas 55 são consideradas “de importância médica” e podem causar acidentes graves; ou seja, quando você mata uma serpente, há grandes chances de estar tirando a vida de uma que nem sequer seria um risco pra você.

Foto: Reprodução/Facebook/Hora da Ciência

E tem outro fato importante: todas essas 55 espécies estão inclusas em apenas quatro gêneros. São eles: o grupo das jararacas (Bothrops), o das cascavéis (Crotalus), o das corais (Micrurus) e o das surucucus (Lachesis); que possuem características marcantes capazes de nos fazer ligar o alerta e deixá-las em paz, no máximo desviando do seu caminho e/ou pedindo ajuda a alguém.

Sendo assim, deixo um apelo a você, caro leitor: viu uma cobra por perto? Não mate. O fato de tê-la enxergado já garante que você terá cautela e não se aproximará ao ponto de o encontro se tornar perigoso. Diferente do que diz o dito popular, cobras não correm atrás das pessoas a fim de picá-las.

Até a próxima e viva a balbúrdia!

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Sobre Gustavo Guedes, colunista do Por Dentro do RN

Gustavo Guedes escreve texto sobre o Universo Genial

Gustavo Guedes tem 29 anos, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Escreve quando quer, o que quer e do jeito que bem entende. Mas se interessa pela área musical, por Astronomia, serpentes e tem uma simpatia por aviões; e tudo mais que o ajude a sair do tédio. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.
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