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Ofício enviado ao Ministério das Cidades aponta que sistemas em Natal, Recife, João Pessoa e Maceió podem parar totalmente até agosto de 2025
A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) alertou oficialmente o Ministério das Cidades sobre o risco iminente de paralisação total dos sistemas ferroviários operados pela estatal, incluindo o sistema de transporte de passageiros da capital do Rio Grande do Norte, Natal. O colapso das operações poderá começar a ocorrer a partir de julho de 2025 e, caso não haja recomposição orçamentária, a interrupção completa está prevista para o fim de agosto do mesmo ano.
O alerta foi formalizado em ofício enviado em 28 de abril pelo diretor-presidente da CBTU, José Marques, e foi revelado por meio de reportagem publicada pelo Jornal do Commercio. Segundo o documento, os recursos orçamentários previstos para 2025 são insuficientes até mesmo para manter o funcionamento mínimo das operações nas capitais onde a companhia atua: Natal (RN), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Maceió (AL).
Em 2024, a CBTU teve à disposição R$ 216 milhões para custeio das operações. No entanto, para o exercício de 2025, a previsão caiu para R$ 165 milhões. De acordo com os cálculos apresentados no ofício, o valor necessário para assegurar a continuidade plena dos serviços seria de ao menos R$ 260 milhões.
A diminuição do orçamento, segundo o documento, compromete não apenas a operação dos trens, mas também a segurança dos passageiros, a manutenção da infraestrutura ferroviária e a proteção do patrimônio público. O ofício aponta que, mesmo com a suspensão dos serviços, algumas despesas, como segurança patrimonial e monitoramento dos sistemas, continuarão sendo obrigatórias.
O impacto previsto pela companhia com uma eventual paralisação total inclui:
Insegurança no tráfego e nas estações;
Risco de depredação das estruturas e equipamentos;
Dificuldade técnica e financeira para retomada das operações no futuro.
A CBTU solicita no documento que o Ministério das Cidades avalie a possibilidade de recomposição do orçamento e destaca a relevância social do transporte ferroviário nas capitais atendidas. O diretor-presidente José Marques afirmou, no ofício, que “apela à sensibilidade desse Ministério das Cidades acerca do impacto e relevância das operações da CBTU para a mobilidade urbana e para os usuários de baixa renda que dependem diariamente do transporte sobre trilhos”.
O sistema da CBTU é responsável por transportar milhares de passageiros diariamente em regiões metropolitanas do Nordeste. As linhas operadas pela estatal são consideradas alternativas de baixo custo para a população e cumprem papel estratégico no deslocamento urbano nas cidades atendidas.
Até o momento, o Ministério das Cidades não se manifestou publicamente sobre o conteúdo do ofício ou sobre a possibilidade de recomposição orçamentária para o próximo ano.
Relatórios do Cremern apontam falta de insumos, medicamentos e exames nos hospitais Walfredo Gurgel e Tarcísio Maia, com impacto direto nos atendimentos de urgência
Relatórios elaborados pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern) apontam falhas graves nos hospitais da rede estadual de saúde, com desabastecimento de medicamentos e insumos essenciais, comprometimento de exames laboratoriais e riscos diretos à segurança de pacientes. A situação foi identificada durante vistorias realizadas no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, e no Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró.
Diante do cenário, o Cremern protocolou uma Reclamação Pré-Processual na Justiça Federal em 3 de junho de 2025, solicitando providências por parte do Governo do Estado. Segundo o conselho, passados 10 dias, não houve melhora na situação das unidades vistoriadas.
No Walfredo Gurgel, relatório de vistoria realizada no dia 26 de maio aponta falta de antibióticos de amplo espectro (como Meropenem e Polimixina), trombolíticos (como Alteplase), anestésicos, analgésicos, anti-inflamatórios e insumos básicos como seringas, agulhas e álcool 70%. No setor de oftalmologia, não havia colírios nem pomadas anestésicas. Já na ala de queimados, faltavam lâminas específicas para o funcionamento do dermátomo elétrico, essencial para cirurgias em pacientes graves.
Segundo o Cremern, a falta desses materiais prolonga internações, eleva o risco de infecções hospitalares e pode resultar em mortes evitáveis. A gestão hospitalar atribui parte do problema à instabilidade de recursos da Fonte 500 (estadual), responsáveis pelo financiamento de muitos dos insumos em falta. Um processo licitatório estaria em andamento, mas sem previsão de conclusão.
O relatório aponta ainda que a escassez atinge diretamente o setor de urgência e emergência. A equipe médica da ala de queimados relatou que tem arcado pessoalmente com a compra de materiais básicos para a realização de curativos. O mês de junho, historicamente marcado pelo aumento de casos de queimaduras graves, agrava a preocupação.
Em Mossoró, no Hospital Regional Tarcísio Maia, vistoria feita em 5 de fevereiro identificou 29 leitos de UTI, dos quais um estava bloqueado por falta de insumos. A Central de Abastecimento da unidade apresentava desabastecimento relevante, com pedidos de reposição feitos à Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat) em janeiro parcialmente atendidos. A direção do hospital relatou à equipe de fiscalização a paralisação de uma reforma estrutural e a adoção de compra emergencial com dispensa de licitação como alternativa provisória.
O Cremern afirma que o problema de abastecimento se estende a outras unidades da rede estadual. O Hospital Santa Catarina, por exemplo, estaria com a UTI em funcionamento precário, segundo relatos colhidos pelo conselho.
Relatório aponta dívida de R$ 4,1 milhões com fornecedores
Um memorando da Divisão da Farmácia do Walfredo Gurgel, assinado por Thiago Alessandro Bezerra de Sá e enviado à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) em 26 de maio, reconhece o quadro crítico de desabastecimento. O documento aponta inadimplência acumulada com fornecedores como principal causa da falta de itens médico-hospitalares essenciais.
O relatório cita uma dívida superior a R$ 4,1 milhões com empresas fornecedoras, entre elas:
UNI Hospitalar: R$ 1.329.595,10
Conquista Distribuidora: R$ 617.278,80
ROSS Medical: R$ 280.464,00
O documento destaca que muitos fornecedores suspenderam as entregas por falta de pagamento, mesmo com tentativas parciais de regularização. A situação compromete diretamente a reposição de medicamentos vitais, como antibióticos, anestésicos e trombolíticos, além de materiais como ataduras, seringas e campos operatórios.
A chefia da farmácia alerta que o impasse pode levar à paralisação de setores essenciais e comprometer atendimentos de urgência e emergência, além de cirurgias e procedimentos clínicos.
Suspensão de exames laboratoriais compromete conduta médica
Além da escassez de insumos, a inadimplência também compromete a realização de exames laboratoriais essenciais para diagnóstico e tratamento. Estão suspensas análises de bioquímica clínica, imunologia, sorologia e microbiologia, consideradas indispensáveis para o manejo de infecções hospitalares e avaliação do estado clínico de pacientes internados.
O Cremern afirma que a suspensão dos exames prejudica diretamente a conduta médica, inviabilizando decisões terapêuticas seguras e aumentando os riscos de agravamento dos quadros clínicos.
Servidores e familiares protestam por falta de insumos
Na manhã do dia 13 de junho, servidores do Walfredo Gurgel, acompanhados por familiares de pacientes, realizaram protesto em frente ao hospital denunciando a falta de insumos como lençóis, sabão, álcool e medicamentos. Segundo relatos, a escassez obriga a equipe a priorizar pacientes mais graves para receberem itens básicos como banho ou lençóis limpos.
Representantes sindicais apontaram que a situação se estende por pelo menos quatro meses e afirmaram que, em períodos de vistoria, a unidade costuma receber reforço temporário de insumos para “disfarçar” a real situação. Também foram relatadas mortes de pacientes cujas infecções poderiam ter sido evitadas com a estrutura adequada.
Justificativa da Sesap/RN
A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap/RN) ainda se manifestou após a nova denúncia do Cremern. Em nota divulgada no início do mês, a pasta afirmou que as dificuldades de abastecimento decorrem da redução da alíquota do ICMS, que teria retirado R$ 132 milhões do financiamento da saúde em 2024. A secretaria também afirmou estar aplicando esforços para a regularização dos estoques em toda a rede estadual, composta por 21 hospitais e outras unidades de referência.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração / Tony Winston/Agência Brasília / Carmem Félix/Governo do RN/Ilustração
Itamaraty tenta garantir retorno de comitivas brasileiras após conflito entre Israel e Irã suspender voos
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil iniciou tratativas com o governo da Jordânia para abrir uma rota de retirada terrestre de comitivas de autoridades brasileiras que se encontram em Israel. O diálogo foi conduzido pelo chanceler brasileiro Mauro Vieira, que conversou com o ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, neste sábado (14.jun.2025), conforme nota divulgada pelo Itamaraty.
A medida visa viabilizar o retorno seguro de autoridades estaduais e municipais brasileiras que participavam de uma feira de segurança em Israel e foram surpreendidas pelo início de confrontos envolvendo o Irã. Segundo o governo brasileiro, a evacuação dependerá da melhoria das condições de segurança no território israelense para permitir o deslocamento terrestre até a fronteira com a Jordânia.
Suspensão de voos e interdição do espaço aéreo
Desde a escalada do conflito entre Israel e Irã, os voos no Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, estão suspensos. Além de Israel, os espaços aéreos do Iraque e do Irã também foram interditados, dificultando o retorno por via aérea de estrangeiros que se encontram na região.
De acordo com o Itamaraty, o governo brasileiro foi informado sobre a presença de duas comitivas de representantes políticos brasileiros em solo israelense. Os grupos estão sob a responsabilidade da embaixada do Brasil em Tel Aviv, que mantém contato direto com as delegações e com autoridades locais.
Contato com diplomacia israelense
A embaixada brasileira em Israel, juntamente com o Ministério das Relações Exteriores, está em articulação com o governo israelense para garantir a segurança das delegações. O secretário do Departamento de África e Oriente Médio do Itamaraty manteve contato telefônico com representantes da chancelaria israelense solicitando prioridade na proteção dos brasileiros que participam da missão oficial.
As autoridades israelenses, por sua vez, recomendaram que todas as comitivas estrangeiras permaneçam no país até que seja possível organizar uma retirada segura, seja por via aérea ou terrestre.
Delegações estão em bunkers
As comitivas de autoridades estaduais e municipais brasileiras participavam de uma feira internacional de tecnologia e segurança quando teve início a ofensiva iraniana. Com a intensificação dos ataques, os grupos foram conduzidos a abrigos subterrâneos (bunkers), utilizados como medida de proteção contra mísseis e drones lançados em direção ao território israelense.
Entre os integrantes das delegações estão os prefeitos de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), e de João Pessoa, Cícero Lucena (Progressistas). As autoridades brasileiras continuam em comunicação com seus respectivos gabinetes no Brasil, enquanto aguardam autorização e segurança para deixar o país.
Câmara dos Deputados acompanha a situação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou por meio das redes sociais que a instituição acompanha de perto a situação. Ele garantiu que medidas estão sendo adotadas para assegurar o retorno das autoridades municipais e estaduais ao Brasil com segurança.
A crise no Oriente Médio intensificou-se com o lançamento de ataques do Irã contra Israel, incluindo o envio de mísseis e drones. A escalada levou vários países a interromperem voos comerciais e a reforçarem medidas de segurança para proteger seus cidadãos no território israelense.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Durante visita a Currais Novos, ex-presidente reforça apoio ao senador e cita feitos da gestão
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) esteve nesta sexta-feira (13.jun.2025) em Currais Novos, na região do Seridó potiguar, onde participou de um evento político ao lado do senador Rogério Marinho (PL-RN). Durante discurso, Bolsonaro declarou abertamente que Marinho será o nome do Partido Liberal para disputar o governo do Rio Grande do Norte nas eleições de 2026.
A fala do ex-presidente aconteceu diante de apoiadores que se concentraram no centro da cidade. Em tom enfático, Bolsonaro demonstrou apoio total ao senador:
“Eu tenho uma grande gratidão por ter vindo aqui. Aqui ao meu lado está um grande senador da República: Rogério Marinho. É o nosso cabra da peste que vai ser governador no ano que vem”, afirmou.
A declaração confirma os rumores que já circulavam no meio político sobre a possível candidatura de Marinho ao governo estadual.
Destaques da gestão e atuação de Marinho
Bolsonaro também aproveitou a ocasião para destacar ações realizadas durante seu mandato e associá-las ao trabalho de Rogério Marinho, que comandou o Ministério do Desenvolvimento Regional entre 2020 e 2022. O ex-presidente ressaltou a conclusão da transposição do Rio São Francisco, atribuindo à gestão do senador o avanço das obras no Nordeste.
“Com o Marinho, trouxemos água para o Nordeste. Ele foi um leão à frente do ministério e fez o que o PT não fez em anos”, declarou.
Outros pontos mencionados por Bolsonaro como marcas de sua gestão incluem a criação do Pix, o aumento do valor do Auxílio Brasil (programa que substituiu o Bolsa Família durante seu governo) e políticas de infraestrutura voltadas para a região Nordeste.
Ato político em Currais Novos
A visita de Bolsonaro a Currais Novos ocorreu em meio a movimentações para fortalecer o PL no Rio Grande do Norte e articular uma base estadual com vistas às eleições municipais de 2024 e ao pleito estadual de 2026. O evento contou com presença de lideranças locais e apoiadores do ex-presidente.
Além do anúncio sobre a candidatura de Marinho, Bolsonaro fez críticas indiretas a gestões anteriores e ao atual governo federal. Em seu discurso, reforçou o discurso conservador e religioso que marcou sua campanha e seus mandatos.
“Se estão nos atacando, é porque estamos no caminho certo. Eles podem ter muita coisa, mas nós temos duas: temos Deus e o poder de Nossa Senhora. Vamos mudar o destino do nosso Brasil”, afirmou.
Trajetória de Rogério Marinho
Rogério Marinho tem trajetória política com atuação em diversas esferas. Antes de assumir o Ministério do Desenvolvimento Regional, foi secretário especial da Previdência e Trabalho no governo Bolsonaro, tendo protagonizado a reforma da Previdência aprovada em 2019.
No Congresso Nacional, Marinho já foi deputado federal por três mandatos. Em 2022, foi eleito senador pelo Rio Grande do Norte, com apoio direto de Bolsonaro, vencendo a disputa contra o então candidato do PT, Carlos Eduardo Alves.
Com a confirmação do ex-presidente, Marinho passa a ser oficialmente apontado como pré-candidato ao governo do estado em 2026. A expectativa agora recai sobre o posicionamento de outros partidos e lideranças potiguares em relação à corrida eleitoral.
Foto: Alan Santos/PR / Isac Nóbrega/PR / Marcos Corrêa/PR
Ex-ministro do Turismo deverá cumprir medidas cautelares impostas por Alexandre de Moraes; investigação envolve tentativa de obtenção de passaporte português para Mauro Cid
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do ex-ministro do Turismo Gilson Machado, que foi preso na manhã desta sexta-feira (13.jun.2025), em Recife (PE), por suspeita de envolvimento na tentativa de obtenção de um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A prisão de Gilson Machado foi realizada por ordem de Moraes no âmbito das investigações sobre a chamada trama golpista que apura articulações contra o resultado das eleições de 2022. Após análise da prisão, o ministro substituiu a medida por restrições cautelares, conforme divulgado por seu advogado, Célio Avelino.
Ex-ministro deverá cumprir medidas cautelares
Com a decisão do STF, Gilson Machado deverá ser solto nas próximas horas, conforme o mandado de soltura já expedido. Em substituição à prisão preventiva, o ex-ministro deverá cumprir uma série de medidas cautelares, entre elas:
Comparecimento obrigatório à Justiça sempre que solicitado;
Proibição de manter contato com outros investigados no inquérito da trama golpista;
Cancelamento do passaporte atual;
Impedimento de deixar o país sem autorização judicial.
Investigação envolve tentativa de obtenção de passaporte português
A investigação da Polícia Federal aponta que Gilson Machado teria atuado para intermediar a obtenção de um passaporte português para Mauro Cid, que atualmente é delator nas apurações do STF sobre os atos antidemocráticos ocorridos após as eleições de 2022.
Na manhã desta sexta-feira, Mauro Cid prestou novo depoimento à Polícia Federal. Durante a oitiva, o militar negou qualquer intenção de deixar o Brasil. Ainda assim, as investigações indicam que a família de Cid viajou para os Estados Unidos no mês anterior.
Pedido de cidadania portuguesa foi feito em janeiro de 2023
Em março de 2024, o ministro Alexandre de Moraes solicitou esclarecimentos formais a Mauro Cid sobre o motivo do pedido de cidadania portuguesa. À época, a defesa do militar informou que a solicitação havia sido protocolada em 11 de janeiro de 2023, poucos dias após os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.
O advogado Cesar Bittencourt, que representa Mauro Cid, afirmou que o pedido foi feito “única e exclusivamente porque a esposa e as filhas do tenente-coronel já possuem cidadania portuguesa”.
Segundo a defesa, o processo resultou na expedição de uma carteira de identidade portuguesa, entregue ao militar em 2024. O documento, de acordo com o advogado, tem validade apenas como identificação dentro do território português, e não implica automaticamente em autorização de residência ou passaporte válido.
Contexto da investigação
A atuação de Gilson Machado está sendo analisada como parte de uma suposta tentativa de facilitar a saída de Mauro Cid do país. O tenente-coronel firmou acordo de delação premiada com a Polícia Federal e é considerado peça-chave nas investigações sobre os bastidores do governo Bolsonaro, especialmente em temas como a minuta do golpe, fraude em cartão de vacinação e articulações paralelas ao sistema de Justiça.
Com a soltura de Gilson Machado, o processo seguirá sob acompanhamento do STF, com monitoramento das medidas cautelares impostas. A Polícia Federal continua a apurar os desdobramentos da tentativa de obtenção de documentos portugueses, bem como o possível envolvimento de outras pessoas na iniciativa.
Plano de pagamento prevê devolução de valores com correção monetária; mais de R$ 6 bilhões foram descontados irregularmente, segundo a Polícia Federal
O governo federal aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para anunciar o calendário de restituição dos descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entre os anos de 2019 e 2024.
A medida depende da autorização do STF para abertura de crédito extraordinário, conforme solicitado pela Advocacia-Geral da União (AGU) em ação protocolada na Corte. O montante a ser restituído não será computado dentro do teto de gastos dos exercícios de 2025 e 2026.
Segundo estimativas da Polícia Federal (PF), mais de R$ 6 bilhões foram descontados de forma irregular de aposentados e pensionistas, por meio de associações e entidades que firmaram vínculos não autorizados com os segurados.
Restituição será feita sem necessidade de ação judicial
O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou, nesta sexta-feira (13.jun.2025), durante participação no programa A Voz do Brasil, que os beneficiários que já contestaram os descontos junto ao INSS terão seus valores totalmente restituídos, com correção monetária.
“Apresentamos a proposta do plano de pagamento e, uma vez validado pelo STF, vamos anunciar o calendário de pagamento aos aposentados e pensionistas que buscaram o INSS e têm os valores confirmados”, disse Messias.
O representante da AGU reforçou que não há necessidade de ação judicial para garantir a restituição. Ele explicou que a própria União está assumindo o compromisso de efetuar o ressarcimento diretamente, sem a necessidade de mediação judicial.
A AGU também pediu ao STF a suspensão do prazo de prescrição e das ações judiciais em andamento, a fim de garantir que os segurados não percam o direito à restituição caso a decisão judicial demore a ser proferida.
“Queremos que os beneficiários sejam protegidos e não tenham seus direitos violados. Não há pretensão resistida por parte do governo”, destacou Messias.
Entidades e dirigentes tiveram bens bloqueados
No curso das investigações, a AGU obteve decisões judiciais que determinaram o bloqueio de quase R$ 3 bilhões de 12 entidades associativas e seus dirigentes, que teriam se beneficiado dos descontos sem consentimento dos segurados.
As investigações apontam que as associações firmavam convênios com o INSS, vinculando aposentados e pensionistas sem autorização expressa. Com isso, valores referentes a mensalidades e contribuições eram automaticamente descontados dos benefícios previdenciários.
A Polícia Federal, que atua em parceria com o Ministério da Previdência Social e a Controladoria-Geral da União (CGU), estima que o esquema operou de forma sistemática, com prejuízos bilionários aos beneficiários do INSS em todo o país.
Aguardada decisão do STF
A efetivação do plano de pagamento e a divulgação do calendário de restituição ainda dependem de análise e validação do Supremo Tribunal Federal. Após a autorização do crédito extraordinário, o governo deverá iniciar o repasse dos valores diretamente aos beneficiários lesados.
A expectativa é de que a devolução seja operacionalizada pelo próprio INSS, por meio dos dados já existentes nos sistemas de contestação e apuração dos descontos irregulares. O cronograma exato será divulgado após a decisão do STF.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Gilson Machado nega participação em tentativa de fuga e afirma que ligação ao consulado foi para renovar documento do pai
A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta sexta-feira (13.jun.2025), o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto de uma investigação que apura uma suposta tentativa de emissão de passaporte português para Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a PF, a investigação aponta que Machado teria atuado junto ao Consulado de Portugal, no Recife, para viabilizar a documentação que permitiria a saída de Mauro Cid do país. Os fatos investigados ocorreram em maio de 2025.
Além da prisão de Gilson Machado, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a Mauro Cid, em Brasília. Embora o STF inicialmente tenha autorizado a prisão de Cid, o mandado foi revogado antes do cumprimento. Mesmo assim, ele foi conduzido à sede da Polícia Federal para prestar depoimento.
Durante a prisão de Machado, os agentes apreenderam o celular, o carro e outros pertences do ex-ministro. Após ser ouvido na Superintendência da PF no Recife, ele foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) para exame de corpo de delito. Em seguida, foi levado para o Centro de Triagem e Observação Criminológica Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife, onde permanece à disposição da Justiça.
Em depoimento, Gilson Machado negou envolvimento na tentativa de emissão do passaporte para Mauro Cid. Segundo ele, a ligação para o consulado teve como finalidade solicitar a renovação do documento do pai, que tem 85 anos. “Apenas pedi um passaporte para meu pai, por telefone, ao Consulado Português do Recife. O meu pai foi lá no outro dia com meu irmão. Se ele não recebeu, está para receber”, afirmou.
Machado também declarou que não esteve fisicamente em nenhuma embaixada ou consulado. “É só pegar lá as ligações que eu fiz com o consulado. O áudio que eu mandei para funcionário dos consulados. Não estive presente em nenhum consulado, nem de Portugal, nem em qualquer outro lugar, nem no Brasil, nem fora do Brasil”, disse o ex-ministro.
O advogado de defesa de Gilson Machado, Célio Avelino, informou que ainda não teve acesso aos autos do processo. “A Polícia Federal recebeu, do ministro Alexandre de Moraes, um mandado de prisão preventiva, mas não disse os motivos da prisão. Estamos dando entrada em um pedido para ter acesso ao processo para saber o que levou o ministro a decretar a prisão”, afirmou o defensor.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a abertura de inquérito ao STF na última terça-feira (10.jun), com base em indícios de que Machado teria tentado ajudar Mauro Cid a deixar o Brasil por meio de um passaporte português. Segundo a PGR, a Polícia Federal encontrou arquivos no celular de Cid que indicam a tentativa de obtenção da cidadania portuguesa, datada de janeiro de 2023.
O Partido Liberal (PL), legenda à qual Machado é filiado, informou por nota que acompanha a situação do ex-ministro e aguarda o esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes.
Gilson Machado tem 57 anos e é formado em veterinária. Atuou como presidente da Embratur e secretário de Ecoturismo e Cidadania Ambiental no Ministério do Meio Ambiente antes de assumir o Ministério do Turismo, cargo que ocupou entre dezembro de 2020 e março de 2022 durante o governo Bolsonaro.
Além da carreira política, Machado também é empresário do setor hoteleiro e músico. É sanfoneiro da banda de forró Brucelose, com presença confirmada no São João 2025 de Caruaru, onde deve se apresentar no dia 24 de junho. Ele foi candidato ao Senado por Pernambuco em 2022, ficando em segundo lugar com 1,3 milhão de votos, e disputou a prefeitura do Recife em 2024, também sem êxito.
Em nota anterior à prisão, Machado já havia se manifestado sobre o caso, afirmando que apenas fez contato com o consulado para tratar da renovação do passaporte do pai.
Foto: Isac Nóbrega/PR / Anderson Riedel/PR / Isac Nóbrega/PR / Divulgação/Ministério do Turismo
Operação autorizada pelo STF apura suposta ajuda de Gilson Machado na emissão de passaporte português para o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
O tenente-coronel Mauro Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, compareceu na manhã desta sexta-feira (13.jun.2025) à sede da Polícia Federal (PF) em Brasília para prestar esclarecimentos no âmbito de uma investigação que apura a suposta intenção de deixar o país utilizando a cidadania portuguesa. A ação ocorre no contexto de uma operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), conduzida pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Mais cedo, a PF cumpriu mandados judiciais contra o militar. Inicialmente, o STF chegou a autorizar a prisão preventiva de Mauro Cid. No entanto, a ordem foi revogada antes da execução. Segundo a defesa, a revogação ocorreu a tempo e o mandado não chegou a ser cumprido.
A operação da PF está inserida na investigação da PGR sobre a possibilidade de Cid tentar sair do Brasil usando um passaporte português. A suposta ação teria contado com o apoio do ex-ministro do Turismo Gilson Machado, que foi preso em Recife na mesma manhã, suspeito de intermediar a emissão do documento junto ao Consulado de Portugal.
De acordo com a Polícia Federal, a movimentação para emissão do passaporte português ocorreu em maio de 2025. A PF afirma ter localizado, em janeiro de 2023, arquivos no celular de Mauro Cid indicando uma tentativa anterior de obter a cidadania portuguesa.
A advogada Vânia Bittencourt, integrante da defesa de Cid, confirmou que o tenente-coronel e sua família possuem tanto a cidadania quanto a carteira de identidade portuguesa. Entretanto, destacou que tais documentos não garantem trânsito livre pela Europa. Segundo ela, Mauro Cid estaria disposto a entregar sua carteira de identidade portuguesa às autoridades brasileiras, como forma de demonstrar colaboração. Ainda de acordo com a defesa, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro não possui passaporte português e não tem intenção de solicitar o documento nem de deixar o país sem autorização judicial.
Mauro Cid responde ainda, junto a Bolsonaro e outros 29 investigados, por uma ação penal relacionada a uma suposta tentativa de golpe de Estado. A acusação, movida pela PGR, aponta que o grupo teria agido com o objetivo de manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições presidenciais de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva.
A PF aponta que Gilson Machado teria atuado diretamente no consulado português no Recife para auxiliar Mauro Cid na tentativa de obter um passaporte. O objetivo seria viabilizar uma eventual saída do país, evitando o avanço das investigações.
Em nota anterior, Machado havia afirmado que apenas entrou em contato com o consulado português por telefone, com a intenção de solicitar a renovação do passaporte de seu pai, de 85 anos. A defesa de Machado afirmou que não teve acesso aos autos e ainda busca entender os fundamentos do mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Além dos depoimentos, a operação autorizou buscas e apreensões em endereços vinculados a Mauro Cid. Os agentes apreenderam pertences como celular e documentos. Apesar da revogação da prisão, Cid foi conduzido para prestar esclarecimentos à PF.
As investigações seguem em sigilo. A PGR reforçou que a apuração está em curso e que não há, por enquanto, mais informações públicas sobre o conteúdo do inquérito.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado / Lula Marques/ Agência Brasil / Lula Marques/ Agência Brasil / Ton Molina/STF
Vagner Araújo integra comitiva brasileira em missão oficial e relata fechamento do espaço aéreo e alertas de segurança
O secretário municipal de Planejamento de Natal, Vagner Araújo, buscou abrigo em um bunker nas primeiras horas desta sexta-feira (13.jun.2025), após um ataque aéreo de Israel contra infraestruturas nucleares no Irã. Araújo está em Israel desde o dia 9 de junho, integrando uma comitiva de representantes de cidades brasileiras e de outros países da América Latina. A visita ocorre a convite do governo israelense, com o objetivo de conhecer tecnologias voltadas à segurança, educação e cidades inteligentes.
Segundo relato do secretário, por volta das 3h da madrugada no horário local (21h de quinta-feira no horário de Brasília), os membros da comitiva receberam em seus celulares um alerta sonoro com instruções para se dirigirem imediatamente a abrigos antiaéreos. O grupo está hospedado na cidade de Kfar Saba, na região central de Israel, em um campus universitário que possui estrutura de segurança.
“Recebemos um alerta bastante barulhento nos telefones, indicando que deveríamos ir para um abrigo antiaéreo. O local onde estamos tem esses abrigos, e nos dirigimos imediatamente para lá. Ficamos aguardando novas informações. Existe expectativa de que o Irã reaja ao ataque”, afirmou Vagner Araújo.
Entre os integrantes da comitiva brasileira está o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, que, segundo Araújo, entrou em contato com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, pedindo apoio do governo brasileiro para uma eventual retirada do grupo de Israel.
O espaço aéreo israelense foi fechado por 48 horas, conforme o secretário, mas há previsão de que esse prazo seja ampliado. Ele explicou que as companhias aéreas internacionais interrompem as operações em situações de conflito e demoram a retomar os voos, mesmo após a reabertura do espaço aéreo.
“Mesmo com o espaço aéreo reaberto, as companhias levam dias para retomar a operação. Considerando a gravidade da situação, é pouco provável que voos comerciais voltem a operar nos próximos dias”, disse Araújo.
Apesar da escalada do conflito, o secretário afirma que o grupo permanece tranquilo, especialmente por estar em uma área distante de cidades mais visadas, como Tel Aviv. “Estamos em uma região um pouco afastada, o que reduz o risco de sermos alvo direto de ataques”, completou.
Ataque de Israel ao Irã
O ataque das Forças de Defesa de Israel foi realizado na madrugada desta sexta-feira (13), horário local, com foco em estruturas ligadas ao programa nuclear iraniano. A ação ocorreu dias após o Irã ter lançado mais de 100 drones contra o território israelense, segundo o governo de Israel.
De acordo com informações da TV estatal iraniana, o chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, e o chefe das Forças Armadas, Mohammad Bagheri, morreram durante os bombardeios. Dois cientistas ligados ao programa nuclear do país também foram mortos.
Em resposta ao ataque, o governo do Irã prometeu retaliação. As autoridades israelenses emitiram alertas à população, instruindo que os civis permaneçam próximos a abrigos e evitem áreas abertas, especialmente em cidades centrais como Tel Aviv e Jerusalém.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil ainda não se pronunciou sobre a situação do grupo de brasileiros em Israel. A expectativa é de que medidas de evacuação possam ser consideradas caso o conflito se intensifique nos próximos dias.
A missão brasileira em Israel está prevista para terminar no dia 20 de junho. No entanto, com o fechamento do espaço aéreo e a instabilidade na região, a programação pode ser alterada.
Durante três dias, ex-presidente participou de solenidades em Natal, percorreu cidades do interior e promoveu atividades do projeto Rota 22
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpriu uma extensa agenda de compromissos no Rio Grande do Norte entre os dias 12 e 14 de junho. A passagem pelo estado integrou as ações do projeto Rota 22, organizado pelo Partido Liberal em parceria com o Instituto Álvaro Valle. A programação incluiu eventos em Natal e em municípios do interior, com homenagens solenes, visitas técnicas e articulações políticas.
Sessão solene na Câmara Municipal de Natal
Na quarta-feira (12.jun.2025), Bolsonaro foi homenageado com os títulos de cidadão natalense e norte-rio-grandense durante uma sessão solene conjunta entre a Câmara Municipal de Natal e a Assembleia Legislativa do RN. A cerimônia foi realizada no plenário da Câmara e reuniu autoridades municipais, estaduais e federais.
A iniciativa dos títulos partiu do vereador Subtenente Eliabe (PL), que propôs a honraria no âmbito do Legislativo natalense, e do deputado estadual Coronel Azevedo (PL), autor da proposta na Assembleia. Durante o discurso, Bolsonaro relembrou sua trajetória política e destacou ações de seu governo voltadas ao estado, como o apoio à conclusão da transposição do Rio São Francisco e obras estruturantes em Natal.
A solenidade contou com a presença do prefeito Paulinho Freire, do senador Rogério Marinho (PL), do ex-prefeito Álvaro Dias, da deputada federal Carla Dickson (União Brasil), do deputado Coronel Feitosa (PL-PE) e de vereadores de Natal.
Visita à obra de engorda da praia de Ponta Negra
Ainda na quarta-feira (12), o ex-presidente esteve na praia de Ponta Negra, zona Sul de Natal, para visitar a obra de engorda e enrocamento do calçadão. O investimento federal de R$ 75 milhões permitiu o alargamento da faixa de areia e proteção do Morro do Careca contra erosão.
Durante o ato, Bolsonaro agradeceu o apoio dos natalenses, reafirmou suas convicções políticas e voltou a criticar o atual governo federal. O senador Rogério Marinho, o ex-prefeito Álvaro Dias e a vice-prefeita Joanna Guerra acompanharam a visita e destacaram os benefícios da intervenção para o turismo e a economia local.
Encontro com influenciadores digitais
Também na quinta-feira, Bolsonaro almoçou com cerca de 70 influenciadores digitais potiguares no restaurante Camarões, em Ponta Negra. O encontro buscou estreitar a relação com formadores de opinião e criadores de conteúdo das redes sociais.
Na ocasião, o ex-presidente respondeu a perguntas, conversou sobre política e compartilhou experiências de sua gestão. O momento integrou as atividades do projeto Rota 22, que tem como objetivo fortalecer a base partidária e promover debates regionais sobre desenvolvimento e comunicação política.
Agenda no interior do RN
Na sexta-feira (13.jun), a comitiva liderada por Bolsonaro visitou hospitais, obras e eventos em cinco municípios potiguares. Pela manhã, o ex-presidente esteve no Hospital Rio Grande, em Natal, para agradecer à equipe médica que o atendeu em abril. Em seguida, visitou Tangará e Santa Cruz, onde esteve no Hospital Municipal e no Santuário de Santa Rita de Cássia.
No início da tarde, Bolsonaro seguiu para Acari, onde visitou a Cidade da Moda, e depois foi até Jucurutu, onde conheceu as obras da Barragem de Oiticica. À noite, participou do Mossoró Cidade Junina, tradicional evento cultural da cidade.
Encerramento da agenda no sábado
No sábado (14), a agenda começou com visita ao Anel Viário de Mossoró, onde Bolsonaro recebeu o título de cidadão mossoroense. Logo após, participou do seminário do projeto Rota 22 no Hotel Garbos. O encerramento da agenda ocorreu no Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, com embarque previsto para as 14h30.
Ao longo da visita ao RN, Bolsonaro foi acompanhado por lideranças políticas locais e nacionais, reforçando articulações partidárias e ampliando sua presença pública no Nordeste.
Deputada teve mandato encaminhado à CCJ e verbas parlamentares bloqueadas após condenação por invasão ao sistema do CNJ
A Câmara dos Deputados deu início ao processo de cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou o caso à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que analisará a perda do mandato parlamentar, conforme o rito interno.
A parlamentar foi condenada a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em ação que também resultou na condenação do hacker Walter Delgatti Neto, réu confesso no mesmo processo. Entre os atos praticados, está a inserção de documentos falsos, incluindo um mandado de prisão em nome do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.
Encaminhamento à CCJ e prazo de defesa
O despacho de Hugo Motta para a CCJ segue a determinação da Corte Suprema, mas a decisão final sobre a cassação será submetida ao plenário da Câmara. Inicialmente, Motta havia declarado que acataria diretamente a decisão do STF, mas, na terça-feira (10.jun.2025), informou que o desfecho caberá ao voto dos deputados, conforme estabelece o regimento da Casa.
Carla Zambelli está atualmente licenciada do mandato. Segundo o regimento interno da Câmara, ela terá o prazo de até cinco sessões da comissão para apresentar sua defesa. Após esse período, o relator designado apresentará um parecer, que será votado pelos membros da CCJ e, posteriormente, levado ao plenário.
Bloqueio de verbas e ativos
Na mesma terça-feira (10), a presidência da Câmara comunicou oficialmente ao STF o bloqueio das verbas parlamentares da deputada. A medida atende a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, proferida no dia 4 de junho. O bloqueio inclui salários, cotas parlamentares e demais benefícios financeiros vinculados ao exercício do mandato.
A parlamentar também teve as contas bancárias e ativos financeiros bloqueados por ordem do Supremo Tribunal Federal. A ação visa impedir movimentações financeiras que possam dificultar a execução da pena determinada pela Justiça.
Conversão da prisão e pedido de extradição
No sábado (7), Moraes determinou o início do cumprimento definitivo da pena imposta à deputada. A prisão preventiva de Zambelli foi convertida em prisão definitiva após a constatação de que ela havia deixado o país com destino à Itália. A fuga foi interpretada pela Corte como tentativa de obstrução da Justiça.
Com base nesse cenário, o STF rejeitou os recursos apresentados pela defesa de Zambelli. Na quarta-feira (11.jun), o ministro Alexandre de Moraes encaminhou ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, o pedido formal de extradição da parlamentar.
Condenação e envolvimento no caso Delgatti
A condenação de Carla Zambelli se deu em processo conjunto com o hacker Walter Delgatti Neto, que admitiu ter invadido os sistemas do CNJ a pedido da parlamentar. Durante o julgamento, foi demonstrado que documentos falsificados foram inseridos no sistema eletrônico, em ação classificada pelo STF como grave ameaça ao funcionamento do Judiciário.
Delgatti, conhecido por envolvimento anterior na divulgação de mensagens da Lava Jato, também foi condenado por crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica.
Próximos passos na Câmara
Com o processo em curso na Comissão de Constituição e Justiça, a deputada pode apresentar defesa técnica e documentos em sua justificativa. A expectativa é de que o parecer da comissão seja votado ainda neste semestre, antes do recesso parlamentar.
Caso a maioria do plenário da Câmara vote a favor da cassação, Zambelli perderá o mandato de forma definitiva, independentemente de eventuais recursos. O processo marca mais um capítulo no embate entre membros do Legislativo e o Supremo Tribunal Federal em casos relacionados a crimes cometidos por autoridades com foro privilegiado.
Ex-presidente cumpre compromissos em Natal nesta quinta-feira (12), com destaque para entrega de títulos de cidadania e visita à praia de Ponta Negra
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) retorna ao Rio Grande do Norte nesta quinta-feira (12.jun.2025), após interrupção de compromissos políticos em abril por motivos de saúde. A visita anterior foi suspensa no dia 11 de abril, quando o político teve uma obstrução intestinal enquanto se deslocava para Santa Cruz, no interior do estado.
A agenda atual contempla eventos na capital potiguar e deve se estender para outras regiões do estado nos dias seguintes. O desembarque de Bolsonaro está previsto para as 11h no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante.
Logo após a chegada, o ex-presidente tem programado um almoço às 12h com influenciadores digitais em um restaurante localizado na zona Sul de Natal. O encontro faz parte da estratégia de articulação com apoiadores e comunicadores que atuam nas redes sociais.
Durante a tarde, às 14h30, Jair Bolsonaro receberá os títulos de cidadão natalense e potiguar em sessão solene na Câmara Municipal de Natal. A homenagem foi aprovada pela casa legislativa como reconhecimento à trajetória política do ex-presidente e à sua relação com o eleitorado potiguar.
Encerrando a programação do dia, às 16h, Bolsonaro visita a obra de engorda da praia de Ponta Negra, na zona Leste da capital, nas imediações do Morro do Careca. A obra é considerada uma das principais intervenções urbanísticas em curso no município e tem sido acompanhada por lideranças políticas locais.
Programação oficial desta quinta-feira (12)
11h: Chegada ao Rio Grande do Norte no Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante
12h: Almoço com influenciadores digitais na zona Sul de Natal
14h30: Entrega dos títulos de cidadão natalense e potiguar na Câmara Municipal de Natal
16h: Visita à obra de engorda da praia de Ponta Negra, nas proximidades do Morro do Careca
Segundo assessores do Partido Liberal (PL), outras atividades estão sendo organizadas para os dias seguintes, envolvendo visitas a cidades do interior potiguar, com participação em eventos políticos e encontros com lideranças regionais.
A presença de Jair Bolsonaro no estado mobiliza lideranças políticas locais, especialmente parlamentares e gestores municipais filiados ao PL. A expectativa é de que a agenda fortaleça o alinhamento político do ex-presidente com bases eleitorais no Nordeste, em especial no Rio Grande do Norte, onde obteve votações expressivas nas últimas eleições.
A segurança do evento contará com apoio da Polícia Militar do RN e agentes da segurança privada, especialmente nos locais de maior concentração de público. Trânsito e mobilidade urbana poderão ser afetados temporariamente, sobretudo nas imediações da Câmara Municipal e da orla de Ponta Negra.
O gabinete do vereador que propôs a concessão dos títulos de cidadania confirmou a entrega solene durante a tarde, com presença de autoridades municipais, estaduais e lideranças partidárias.
A visita de Bolsonaro ao RN será acompanhada por parlamentares do PL e aliados políticos do ex-presidente, que utilizam as agendas regionais para fortalecer a atuação em pré-campanhas e articulações eleitorais para 2026.
Hugo Motta diz que Congresso não aceitará nova carga tributária sem contrapartidas fiscais e defende reforma administrativa
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quarta-feira (11.jun.2025) que não está no cargo para “servir a projeto político de ninguém”, em referência ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante o evento Brasília Summit, organizado pelo Lide.
As críticas de Motta foram direcionadas às propostas apresentadas pelo Ministério da Fazenda para compensar a revogação parcial do decreto que havia elevado o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Segundo o parlamentar, medidas que aumentem impostos sem contrapartidas em cortes de despesas públicas não terão apoio do Congresso Nacional nem do setor produtivo.
Entre as propostas do governo federal está a tributação de investimentos que atualmente são isentos, como a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e a Letra de Crédito Imobiliário (LCI).
Reação do Congresso e do empresariado
Hugo Motta declarou que as propostas da equipe econômica, que envolvem exclusivamente aumentos de impostos, sem qualquer debate sobre redução de gastos, terão recepção negativa não apenas no Legislativo, mas também entre empresários e investidores.
Segundo o deputado, não é aceitável impor nova carga tributária ao setor produtivo sem que o governo dê sinais de responsabilidade fiscal, como a implementação de uma reforma administrativa e a racionalização de despesas públicas.
Medidas fiscais e impacto na arrecadação
A Medida Provisória que traz o novo pacote de aumento de impostos foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (11). O governo havia anunciado em maio a intenção de elevar o IOF, com expectativa de arrecadar cerca de R$ 19 bilhões em 2025. No entanto, após pressões políticas e econômicas, a equipe econômica decidiu rever parte das medidas, o que reduziu a projeção de receita extra para R$ 6 bilhões em 2025 e R$ 12 bilhões em 2026.
Mesmo após os recuos, as alternativas apresentadas pelo governo têm se limitado a novas formas de tributação, sem sinalização sobre cortes de despesas ou mudanças estruturais na administração pública.
Agenda fiscal e responsabilidade
Hugo Motta defende que o Executivo federal assuma a liderança de uma agenda de mudança fiscal, com foco em responsabilidade nas contas públicas. Em sua avaliação, a adoção de medidas estruturantes pode contribuir para a melhoria do ambiente econômico, com impactos positivos na taxa de juros, controle da inflação e estabilidade cambial.
Durante discurso no 3º Simpósio Liberdade Econômica, o presidente da Câmara afirmou que a discussão sobre o IOF obrigou o governo a enfrentar temas que vinha evitando, como a reforma administrativa e a revisão do gasto público.
Para Motta, o Brasil precisa avançar em reformas que garantam sustentabilidade fiscal. Ele reiterou que é possível manter políticas sociais e investimentos públicos, desde que essas ações estejam amparadas por um planejamento responsável do ponto de vista orçamentário.
Declarações sobre justiça social
Ainda segundo o parlamentar, não há possibilidade de alcançar justiça social sem equilíbrio nas contas públicas. A posição do presidente da Câmara se alinha a uma visão de que o fortalecimento da economia e o atendimento às camadas mais vulneráveis da população exigem responsabilidade na gestão dos recursos públicos.
A cobrança de Motta por reformas estruturais e ajustes fiscais ocorre em um momento de pressão crescente sobre o governo federal, que precisa encontrar alternativas para cumprir metas de resultado primário sem comprometer a atividade econômica.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil / Lula Marques/Agência Brasil
Declaração do cantor sobre o prefeito Allyson Bezerra durante o Pingo da Mei Dia motiva apuração sobre uso de recursos públicos
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) abriu uma investigação para apurar uma possível prática de propaganda eleitoral antecipada envolvendo o cantor Xand Avião e o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil). A investigação teve início após uma declaração do artista durante o evento “Pingo da Mei Dia”, realizado no último sábado (7.jun.2025), em Mossoró.
O show, promovido pela prefeitura da cidade como abertura do Mossoró Cidade Junina, reuniu aproximadamente 250 mil pessoas. Durante sua apresentação em cima do trio elétrico, Xand Avião fez menção direta ao prefeito e interagiu com o público perguntando quem gostaria de vê-lo como governador.
“Quem quer Allyson para governador grita eu! Por mim, ele era presidente logo”, disse o cantor ao microfone.
Investigação por uso de recursos públicos
A declaração levou o MPRN a instaurar uma “notícia de fato”, etapa inicial do procedimento investigativo. A promotora Ana Araújo Ximenes, responsável pelo caso, informou que o objetivo é verificar se houve propaganda eleitoral antecipada, supostamente patrocinada com recursos públicos durante o evento.
O inquérito menciona diretamente o prefeito Allyson Bezerra, o cantor Xand Avião e integrantes da equipe da gestão municipal. A promotora também considera o contexto do evento, promovido com financiamento do poder público, como elemento relevante para a apuração.
Posicionamento do cantor
Em nota oficial divulgada após o início da investigação, Xand Avião declarou que sua fala não configurou infração à legislação eleitoral. Segundo o artista, a frase foi dita em tom de “descontração” e não teve como objetivo influenciar a escolha política do público.
“Na verdade, o fez como menção elogiosa ao evento ocorrido no município, contudo, sem qualquer intenção de promover o prefeito local”, diz a nota. A equipe do cantor ainda afirmou que Xand Avião não tem qualquer relação com o prefeito Allyson Bezerra e desconhece suas eventuais pretensões políticas futuras.
A nota acrescenta que, “ao que se sabe, o Sr. Allyson Bezerra sequer é pretenso candidato ao Governo Estadual ou Presidência da República, o que retrata a jocosidade do comentário”.
A assessoria do cantor concluiu a nota destacando que Xand Avião “jamais atuou em favor de políticos e suas pretensões eleitorais”, e que sua carreira artística se manteve isenta de vínculos com campanhas ou candidaturas.
Prefeitura não se manifestou
Até a última atualização desta reportagem, a assessoria de comunicação do prefeito Allyson Bezerra não havia emitido posicionamento oficial sobre o caso. A Prefeitura de Mossoró também não divulgou qualquer nota institucional relacionada ao episódio.
A apuração do Ministério Público está em fase inicial. Caso sejam identificados elementos que apontem para violação da legislação eleitoral, o procedimento pode ser convertido em inquérito civil ou resultar em outras medidas legais cabíveis.
Foto: Lucas Bulcão (Secom/PMM) / Wilson Moreno (Secom/PMM)
Sessão na Câmara sobre medidas fiscais termina em tumulto após trocas de acusações entre o ministro da Fazenda e parlamentares do PL
A audiência pública realizada nesta quarta-feira (11.jun.2025) na Câmara dos Deputados com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, terminou em confusão e foi encerrada antes do previsto. O encontro, que discutia medidas para compensar o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o fim das isenções de Imposto de Renda (IR) sobre investimentos privados, foi interrompido após trocas de acusações entre Haddad e deputados da oposição.
A audiência foi realizada de forma conjunta pelas Comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira. Desde a primeira rodada de perguntas, parlamentares do PL, como Nikolas Ferreira (MG) e Carlos Jordy (RJ), fizeram críticas ao governo e às políticas fiscais conduzidas pelo ministro.
Durante a segunda rodada de perguntas, os deputados mencionaram o que consideraram como “gastança” do governo e alegaram que as propostas do Executivo não seriam suficientes para cobrir o déficit nas contas públicas. Após fazerem suas colocações, ambos deixaram a audiência antes da resposta do ministro.
Ao iniciar sua fala, Fernando Haddad criticou a ausência dos parlamentares que o questionaram. “Agora aparecem dois deputados, fazem as perguntas e correm do debate. Nikolas sumiu, só veio aqui para aparecer. Pessoas falaram: ‘agora tenha maturidade’. E correm daqui, não querem ouvir explicação. Querem manter o próprio argumento sem chance para o diálogo”, afirmou. Em seguida, qualificou a atitude como “molecagem” e disse que isso não contribui para a democracia.
Retorno ao plenário e tumulto
Na terceira rodada de perguntas, Carlos Jordy retornou ao plenário e exigiu direito de resposta. Em tom agressivo, rebateu o ministro da Fazenda: “Eu estava em outra comissão. O ministro nos chamou de moleque. Moleque é você, ministro, por ter aceitado um cargo dessa magnitude com apenas dois meses de faculdade de economia. Moleque é você por ter causado o maior déficit da história. Governo Lula é pior do que uma pandemia”.
Nikolas Ferreira também tentou obter direito de resposta por meio de questão de ordem, mas foi impedido pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), que presidia a audiência. A recusa gerou bate-boca entre Nikolas, Jordy, Correia e o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), que aguardava para fazer perguntas.
Após várias tentativas de restabelecer a ordem, Correia encerrou a audiência antes do início da terceira rodada de perguntas.
Discussões sobre medidas fiscais
Durante os momentos de fala, Fernando Haddad explicou que as medidas do governo para compensar a arrecadação com a elevação do IOF incluem o fim da isenção de IR sobre Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Fundos Imobiliários e Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro). A mudança está prevista para ocorrer a partir de 2026, com alíquota de 5%.
O ministro afirmou que a medida busca corrigir distorções e não representa aumento de tributos. “Isso não é aumento de tributo. É correção de distorção. São R$ 41 bilhões de renúncia fiscal nos títulos isentos. É mais do que todo o orçamento do seguro-desemprego. É o tamanho do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]”, afirmou.
Haddad também declarou que os benefícios fiscais não favorecem diretamente o produtor rural ou o setor da construção civil. Segundo ele, entre 60% e 70% da vantagem gerada pela isenção de IR fica com o sistema bancário ou o detentor do título.
Contas públicas e críticas à gestão anterior
Haddad rebateu as críticas da oposição sobre a situação fiscal do governo. Ele destacou que o superávit de R$ 54,1 bilhões obtido em 2022, no último ano da gestão de Jair Bolsonaro, foi viabilizado com o adiamento do pagamento de precatórios, a privatização da Eletrobras por valor abaixo do mercado e o repasse recorde de dividendos da Petrobras.
O ministro apontou ainda que o resultado daquele ano foi impactado negativamente pela perda de R$ 30 bilhões com a redução do ICMS sobre combustíveis. Os estados foram compensados pela atual gestão em 2023.
De acordo com Haddad, a arrecadação da União continua estável e, apesar de revisões nas renúncias fiscais, a carga tributária não aumentou. “A receita líquida federal em 2024 foi de 18,4% do PIB. Em 2022, também foi de 18,4%”, disse.
Foco em camadas mais ricas da população
O ministro afirmou que as medidas de compensação fiscal afetam principalmente a população de maior renda. Segundo ele, apenas 0,8% da população será diretamente atingida pelas mudanças. “Estamos falando de mais crescimento, menos taxa de juros, mais emprego e mais igualdade. Isso permitirá maior espaço para investimento”, declarou.
Haddad ainda reiterou a disposição do governo em dialogar com o Congresso Nacional, como ocorreu durante a tramitação da reforma tributária. “Temos que saber o que o Congresso está disposto a enfrentar. Demos suporte e o Congresso avançou”, completou.
Vereadora afirma que surfista recusou honraria; assessoria do atleta nega e diz que cerimônia será marcada
Durante a sessão ordinária realizada nesta terça-feira (10.jun.2025) na Câmara Municipal de Natal, a vereadora Camila Araújo (União) voltou a tratar sobre o impasse envolvendo a entrega do título de cidadão natalense ao surfista Ítalo Ferreira. O tema gerou repercussão após a declaração da parlamentar de que o atleta teria recusado a honraria concedida pela Casa Legislativa.
O episódio ganhou destaque depois que o vereador Léo Souza (Republicanos) reapresentou uma proposição para concessão do título. No entanto, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara identificou que a homenagem já havia sido aprovada anteriormente, o que levou Camila Araújo a se pronunciar sobre o ocorrido.
“Eu peguei o título e entreguei na garagem da residência dele em Baía Formosa, nas mãos da mãe dele que estava saindo no veículo. Pedi para que ela parasse e pudesse receber o que a Câmara, de forma muito honrosa, aprovou para um campeão”, declarou Camila. Segundo ela, a entrega ocorreu após o atleta supostamente se negar a comparecer à cerimônia oficial em Natal.
Nota da assessoria de Ítalo Ferreira contradiz declaração de vereadora
Logo após a repercussão da fala da vereadora, a assessoria de comunicação de Ítalo Ferreira divulgou nota oficial com uma versão diferente. Segundo o texto, o atleta recebeu a notícia da concessão do título de forma informal em 2021, por meio da própria vereadora Camila Araújo, e ficou “lisonjeado” com a homenagem.
De acordo com a assessoria, o surfista não pôde participar da cerimônia por estar viajando a trabalho na época. Ainda segundo a nota, em maio de 2025, o vereador Léo Souza procurou o atleta para tratar da realização da entrega oficial da honraria. “Tão breve a data for marcada, o evento será divulgado para a imprensa e comunidade”, informou o comunicado.
A equipe de Ítalo reforçou que não houve recusa por parte do surfista em receber o título. “Muito pelo contrário, ele aguardou o contato nos últimos anos para alinhar uma agenda compatível para receber a homenagem”, diz outro trecho da nota.
Camila Araújo reafirma versão e diz que atleta preferia cerimônia informal
Durante a mesma sessão, Camila Araújo reiterou seu entendimento sobre o episódio. Segundo a vereadora, a entrega do título foi feita de forma simbólica em Baía Formosa, município onde o atleta reside. Ela relatou que foi bem recebida pela mãe de Ítalo, Katiane, e que ele, na ocasião, confirmou que aceitaria a homenagem.
“Ele disse que não queria receber com formalidades aqui na Casa. Ele queria receber de forma informal no seu município”, relatou a parlamentar. Camila também afirmou que tratou do assunto com o então presidente da Câmara, Paulinho Freire, que teria concordado em viabilizar a homenagem nos moldes desejados pelo surfista, mas a cerimônia não chegou a ser realizada.
Proposição reapresentada por Léo Souza reacende debate
Com a nova proposição apresentada por Léo Souza, o debate sobre a entrega da honraria ganhou novo fôlego no plenário. O parlamentar tenta viabilizar uma cerimônia formal para entregar o título ao campeão olímpico, com o objetivo de celebrar a trajetória de Ítalo Ferreira no esporte e sua contribuição para o reconhecimento internacional do Rio Grande do Norte.
Camila Araújo defendeu a relevância da homenagem e disse que a discussão não interfere em sua admiração pessoal pelo surfista. “Essa situação em maneira alguma diminui sequer um milímetro da minha admiração e respeito pelo atleta”, declarou.
A Câmara de Natal aguarda o desfecho das tratativas para definir como e quando a entrega do título será finalmente realizada.
Foto: WSL / Ed Sloane e Kelly Cestari / Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
Ex-presidente e seu ex-vice depõem como réus por suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022; ambos rejeitam acusações e contestam depoimento de Mauro Cid
O ex-presidente Jair Bolsonaro e o general da reserva Walter Braga Netto prestaram depoimentos nesta terça-feira (10.jun.2025) ao Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ação penal que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado para reverter o resultado das eleições de 2022. Ambos são réus no núcleo 1 da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apura a existência de uma articulação golpista com apoio de militares e integrantes do governo à época.
Os depoimentos foram conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. A ação está em uma das últimas fases antes do julgamento que poderá decidir pela condenação ou absolvição dos envolvidos, previsto para o segundo semestre deste ano.
Durante a audiência, Jair Bolsonaro negou a existência de qualquer plano de golpe de Estado em seu governo. Ao ser questionado sobre uma minuta de decreto que previa estado de sítio e a prisão de ministros do STF, Bolsonaro afirmou que a proposta nunca foi discutida oficialmente e que seria danosa ao país.
“Da minha parte, nunca se falou em golpe. Golpe é abominável. O golpe até seria fácil começar. O afterday é imprevisível e danoso para todo mundo. O Brasil não poderia passar por uma experiência dessa”, disse Bolsonaro.
O ex-presidente também negou ter feito qualquer alteração em uma minuta golpista, como afirmou Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens, em depoimento anterior. De acordo com Cid, Bolsonaro teria enxugado o texto e sugerido incluir a prisão de ministros, entre eles o próprio Alexandre de Moraes.
Sobre as urnas eletrônicas, Bolsonaro reiterou sua defesa pelo voto impresso, mas disse que nunca agiu fora da legalidade. “Em nenhum momento eu agi contra a Constituição. Joguei dentro das quatro linhas o tempo todo”, afirmou.
Questionado sobre uma suposta oferta de tropas por parte do ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, Bolsonaro refutou: “Em hipótese alguma. Não existe isso. Não tinha clima, não tinha oportunidade e não tinha uma base minimamente sólida para fazer qualquer coisa.”
Em outro momento do depoimento, o ex-presidente pediu desculpas por declarações anteriores nas quais sugeriu que ministros do STF estariam envolvidos em corrupção para fraudar o processo eleitoral. “Me desculpe, não tinha essa intenção de acusar qualquer desvio de conduta”, afirmou.
Bolsonaro também negou ter pressionado o ex-ministro da Defesa Paulo Sergio Nogueira para produzir um relatório que questionasse a integridade das urnas eletrônicas. “Jamais eu pressionei. Não houve pressão em cima dele para fazer isso ou aquilo.”
Ainda segundo o ex-presidente, ele não foi alvo de voz de prisão durante reunião com os comandantes das Forças Armadas em 2022, contrariando o depoimento do ex-comandante da Aeronáutica Baptista Júnior, que alegou que o general Freire Gomes ameaçou prender Bolsonaro no encontro.
Braga Netto nega entrega de dinheiro e tentativa de interferência em delação de Mauro Cid
Também ouvido como réu no processo, o general Walter Braga Netto negou ter repassado dinheiro a Mauro Cid dentro de uma sacola de vinho, como declarou o ex-ajudante de ordens. Segundo Cid, os valores seriam destinados ao financiamento de ações ligadas ao plano golpista. Braga Netto respondeu de forma direta: “Eu não pedi dinheiro para ninguém e não dei dinheiro nenhum para o Cid.”
O general também rejeitou a acusação de ter procurado o pai de Mauro Cid para obter informações sobre o conteúdo da delação premiada. De acordo com ele, foi o general Lourena Cid quem o procurou em busca de apoio político ao filho. “Eu nunca entrei em contato com ele e perguntei nada sobre delação premiada”, afirmou.
Sobre possíveis ataques virtuais coordenados contra os ex-comandantes das Forças Armadas, Braga Netto negou envolvimento. Durante as investigações, foram encontradas mensagens em que ele teria incentivado apoiadores a criticar os generais Freire Gomes e Baptista Júnior. Segundo ele, nunca houve ordem nesse sentido: “Eu jamais ordenei ou coordenei ataques. Se tivesse que falar com eles, falaria pessoalmente.”
Braga Netto está preso desde dezembro de 2024, acusado de tentar obstruir as investigações. Seu depoimento foi o último da fase de interrogatórios dos réus do núcleo principal do inquérito, que também inclui nomes como Mauro Cid, Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Jair Bolsonaro e Paulo Sérgio Nogueira.
O desfecho do caso dependerá do julgamento que será realizado pelo STF nos próximos meses.
Ministro classificou como prudentes falas de Hugo Motta sobre pacote
As medidas de compensação ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incluirão uma alíquota única de 17,5% de Imposto de Renda sobre os rendimentos de aplicações, confirmou nesta terça-feira (10) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
“A média da tributação das aplicações financeiras já é 17,5%. Então, nós estamos fixando uma alíquota para todas as aplicações financeiras no mesmo patamar. Hoje ela vai de 15% [para aplicações de até dois anos] a 22,5% [para aplicações de longo prazo]”, disse Haddad, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro também citou na reunião uma alta de 15% para 20% no Imposto de Renda sobre os Juros sobre Capital Próprio (JCP). Embora a medida tenha sido rejeitada em 2023 pelo Congresso, Haddad disse que o tema foi incluído no pacote por sugestão de parlamentares.
Por cerca de duas horas, Haddad explicou a Lula as propostas acertadas com líderes partidários na reunião de domingo (8). Segundo o ministro, os textos das propostas foram encaminhados à Casa Civil antes do envio ao Congresso Nacional.
Segundo Haddad, o governo também pretende enviar um projeto de lei complementar para reduzir em 10% as isenções fiscais num segundo momento. O modelo do corte, explicou o ministro, ainda será definido pelo Congresso. Em relação às medidas de contenção de despesas, o ministro disse que elas serão discutidas por uma comissão de líderes partidários, com participação de integrantes da equipe econômica.
Prudência
Sobre a declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de que o Congresso Nacional não se compromete a aprovar o pacote para compensar a alta do IOF, Haddad disse ver como prudente a avaliação do parlamentar.
“Uma fala de prudência, lá não estavam os 513 parlamentares. Como é que ele pode tomar uma decisão de aprovar ou não sem ouvir as bancadas?”, questionou Haddad. “Entendo que o Congresso Nacional queira primeiro ouvir e depois, ao longo da tramitação da medida provisória, fazer as suas ponderações”, acrescentou.
Ao fim da reunião de domingo, que durou cinco horas, Haddad, Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciaram uma medida provisória com a elevação de receitas que permitam compensar parcialmente a elevação do IOF. O debate sobre cortes estruturais de despesas, no entanto, ficou para um segundo momento diante da falta de consenso entre o governo e os líderes partidários.
As propostas acertadas com o Congresso são as seguintes:
Aumento da taxação do faturamento das bets (empresas de apostas esportivas) de 12% para 18%;
Elevação de 9% para 15% as alíquotas da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) sobre fintechs e corretoras.
Fim de isenção de Imposto de Renda sobre títulos como Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito Agrícola (LCA), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), que passarão a pagar 5%.
O ministro evitou dar estimativas de quanto o governo pretende arrecadar com as medidas. Disse apenas que os cálculos ainda estão sendo fechados.
Contenção de gastos
Em relação às medidas de contenção de despesas, o ministro da Fazenda disse que o Congresso se reunirá com a área econômica para “enfrentar” esse debate. Segundo o ministro, será formada uma comissão de líderes para discutir os gastos primários.
“[Pretendemos] fazer um inventário do que já foi proposto, do que é politicamente viável, do que as pessoas estão querendo enfrentar, dos debates que os deputados e senadores querem enfrentar e vamos dar o suporte técnico para uma melhor conformação da medida possível”, declarou.
Na reunião com os parlamentares no domingo, o ministro levou uma apresentação que mencionava uma explosão de gastos nos últimos anos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), do Benefício de Prestação Continuada (BPC), das emendas parlamentares, do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e das transferências para estados e municípios.
Infirmação foi dada hoje pelo presidente da Câmara
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou hoje (10) que caberá ao plenário da Casa decidir sobre a perda do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). No sábado (7), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes determinou, além da perda do mandato, que Zambelli comece a cumprir, de forma definitiva, a pena de 10 anos de prisão pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ministro converteu, de preventiva para definitiva, a prisão da parlamentar.
“Eu darei o cumprimento regimental. Nós vamos notificar para que ela possa se defender e a palavra final será a palavra do plenário. Isso é cumprir a decisão.”, disse Motta.
Ontem (9), o presidente da Câmara disse que o Parlamento cumpriria a determinação do STF de declarar a cassação do mandato da deputada, que também teve decretado o bloqueio das contas bancárias e ativos financeiros.
“Essa decisão poderia ser cumprida pela Mesa [Diretora] ou pelo Plenário. E é o Plenário que tem a legitimidade desta Casa e ele decide para onde a Casa vai. Ele é soberano e está acima de cada um de nós”, declarou.
A Câmara dos Deputados autorizou, na quinta-feira (5), o pedido de licença não remunerada da deputada, apresentado no dia 29, 6 dias antes da parlamentar, condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tornar público que havia deixado o Brasil.
Em meados de maio, a Primeira Turma do STF condenou Zambelli a dez anos de prisão e à perda do mandato. A pena foi aplicada a Zambelli e o hacker, réu confesso e também condenado no mesmo processo, Walter Delgatti, por terem invadido o sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde inseriram documentos falsos, incluindo um mandato de prisão fraudulento contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Na última sexta-feira (6), a mesma Primeira Turma rejeitou os recursos que a deputada apresentou a fim de tentar reverter a sentença inicial.
A confirmação da condenação de Zambelli foi anunciada três dias após a parlamentar anunciar que deixou o Brasil com o propósito de se estabelecer na Europa e, assim, evitar ser presa.
Um dia antes, o Banco Central informou ao STF que emitiu a ordem de bloqueio das contas bancárias e ativos financeiros da deputada Carla Zambelli (PL-SP). A medida foi autorizada na quarta-feira (4) pelo ministro Alexandre de Moraes, após a expedição do mandado de prisão da deputada, que fugiu do Brasil semanas após ser condenada.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados / Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados / Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Ministro da Previdência esteve em audiência na Câmara dos Deputados
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, disse nesta terça-feira (10) que ainda não tem o número final dos descontos indevidos feitos por entidades associativas nos pagamentos a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas que estima que o valor fique entre R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões.
“Eu acredito que seja algo em torno entre R$ 2 bilhões a 3 bilhões de reais. Seis bilhões de reais seria se todas as pessoas tivessem sido descontadas durante o período máximo do prazo prescricional de cinco anos e todas elas tivessem descontos não autorizados”, afirmou o ministro durante audiência conjunta das comissões de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família na Câmara dos Deputados.
Aos deputados, Wolney disse ainda que o número exato só será conhecido após o término dos atendimentos aos aposentados e pensionistas, pelo aplicativo Meu INSS, agências do INSS e dos Correios. Cerca de 3 milhões de aposentados e pensionistas pediram o ressarcimento de valores indevidamente descontados.
“Não temos esse número ainda porque ele passa por uma autodeclaração. Nós temos, por assim dizer, uma floresta de nove milhões de pessoas que foram descontadas, em algum valor, durante algum período. Só depois que cada uma delas diga se concordou ou não com o desconto vamos fazer essa conta”, continuou.
Dados apresentados pelo ministro apontam três associações mais contestadas por aposentados e pensionistas por descontos irregulares entre 2021 e 2022. Juntas, elas somam 22% dos requerimentos registrados até 8 de junho, um total de 689.419 reclamações.
Ações
Wolney voltou a afirmar que o governo federal fará uma busca ativa para localizar e atender aposentados e pensionistas que tiveram desconto irregular na folha de pagamento. Segundo o ministro, a ideia é viabilizar, além dos canais tradicionais, atendimento mais próximo de domicílios localizados em áreas remotas, fazendo com que os serviços de acesso ao sistema previdenciário cheguem, inclusive, às pessoas com mobilidade reduzida.
Durante a audiência, o ministro reiterou ter recebido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientação para ir “às últimas consequências” para descobrir e punir os responsáveis pela fraude. Segundo Wolney, Lula ficou indignado com o golpe aplicado contra aposentados e pensionistas.
“É um público que o nosso campo sempre priorizou, que o campo progressista sempre deu atenção, são pessoas que o presidente Lula tem o maior apreço, procurou fazer a indexação [do valor dos benefícios] pelo salário mínimo, que foi tão criticada pelo mercado. O golpe atingir a essas pessoas foi algo que o deixou pessoalmente indignado”, afirmou o ministro.
“E que seja o dinheiro daquelas pessoas que fraudaram, que seja o dinheiro das associações fraudulentas que ressarça o governo para que o governo possa ressarcir os aposentados”, defendeu.
Almir Garnier depõe no STF e diz não ter recebido ordem ilegal de Bolsonaro; Moraes nega pedido de exibição de vídeos em interrogatório de Bolsonaro
O ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, afirmou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que cumpriu estritamente seu papel institucional durante reuniões realizadas no Palácio do Planalto em dezembro de 2022. As reuniões, segundo investigações, teriam tratado de um plano para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante o interrogatório realizado nesta terça-feira (10), Garnier negou qualquer envolvimento em ações para apoiar uma ruptura institucional. “Eu era comandante da Marinha. Não era assessor político do presidente. E me ative ao meu papel institucional”, declarou.
Segundo Garnier, o então presidente Jair Bolsonaro expressou preocupações relacionadas à segurança pública e à movimentação de manifestantes nas portas de quartéis, mas não apresentou nenhuma proposta concreta de ruptura democrática. “Havia vários assuntos [em pauta], entre eles a preocupação do presidente com a segurança pública”, afirmou.
Garnier também negou ter conhecimento de qualquer minuta golpista ou documento escrito com conteúdo ilegal. “Não vi nenhuma minuta. Não recebi nenhum documento. Vi uma apresentação na tela de um computador, com temas sobre pressão popular, caminhoneiros e questões eleitorais”, relatou.
De acordo com o almirante, participaram da reunião de 7 de dezembro de 2022 o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, o comandante do Exército, general Freire Gomes, o ajudante de ordens Mauro Cid e outros assessores da Presidência.
Questionado sobre declarações do ex-comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista Júnior, que disse que Garnier teria colocado tropas da FAB à disposição de Bolsonaro, o almirante negou a afirmação. “Não houve deliberações. E o presidente não abriu a palavra para nós”, afirmou.
Garnier declarou ainda que não recebeu qualquer informação sobre fraudes nas eleições ou falhas nas urnas eletrônicas, mas destacou que processos eleitorais mais transparentes ajudam a evitar crises. “Quanto mais transparente for o processo, maiores as garantias de uma transição pacífica”, pontuou.
O depoimento de Garnier é parte da ação penal do Núcleo 1 da suposta trama golpista investigada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus. O julgamento deve ocorrer no segundo semestre de 2025. As penas podem ultrapassar 30 anos de prisão em caso de condenação.
Moraes nega pedido de Bolsonaro para exibir vídeos em interrogatório
O ministro Alexandre de Moraes negou o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para exibir vídeos durante seu interrogatório, previsto para esta terça-feira (10), às 14h30, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.
A defesa havia solicitado a apresentação de recursos audiovisuais no telão da sala de audiência, o que foi rejeitado por Moraes. Segundo o ministro, o momento do interrogatório não permite a apresentação de provas novas, que não estejam previamente anexadas aos autos do processo.
“Não é o momento adequado para apresentação de provas novas, ainda não juntadas aos autos e desconhecidas das partes”, escreveu Moraes em sua decisão. O Código de Processo Penal estabelece que, nesta fase, o réu pode apenas se referir a provas já existentes no processo.
Bolsonaro será interrogado por ser um dos oito réus acusados de integrar o núcleo principal da trama golpista denunciada pela PGR. A acusação aponta que o ex-presidente tinha ciência de uma minuta que previa medidas inconstitucionais, como decretação de estado de sítio e prisão de ministros do STF.
A audiência faz parte da etapa final da ação penal. Após os depoimentos, o caso segue para julgamento, que poderá decidir pela condenação ou absolvição dos acusados.
Ex-comandante da Marinha e Jair Bolsonaro depõem nesta terça-feira em fase crucial da investigação
O Supremo Tribunal Federal (STF) dá continuidade, nesta terça-feira (10.jun.2025), à série de interrogatórios dos réus do núcleo 1 da investigação sobre a suposta trama golpista que teria ocorrido durante o governo de Jair Bolsonaro. A sessão, iniciada às 9h, marca o segundo dia de depoimentos de figuras centrais apontadas pela Polícia Federal (PF) como envolvidas nos planos para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022.
O primeiro a ser ouvido hoje é o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier. As investigações da Polícia Federal apontam que Garnier teria colocado suas tropas à disposição de Bolsonaro para ações com características golpistas. Essa fala do militar, segundo as apurações, teria ocorrido durante uma reunião em 2022 com os comandantes das Forças Armadas. Na ocasião, Bolsonaro teria apresentado estudos para a decretação de estado de sítio e de uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), visando barrar a posse de Lula.
Após o depoimento de Almir Garnier, os demais réus serão interrogados pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, seguindo a ordem alfabética. A previsão é que a audiência se estenda até as 20h.
A lista de depoimentos desta terça-feira inclui nomes de destaque do governo Bolsonaro:
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal
Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
Walter Braga Netto, general de Exército e ex-ministro de Bolsonaro
O primeiro dia de interrogatórios: Cid e Ramagem
O primeiro dia de interrogatórios, realizado na segunda-feira (9), trouxe à tona detalhes sobre as acusações de participação na suposta trama golpista. Foram ouvidos o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.
Mauro Cid confirmou durante seu depoimento que esteve presente em uma reunião onde foi apresentado ao ex-presidente Jair Bolsonaro um documento que previa a decretação de medidas de estado de sítio e a prisão de ministros do STF. O militar também confirmou que recebeu dinheiro do general Braga Netto, que seria repassado ao major do Exército Rafael de Oliveira, integrante dos “kids-pretos”, um esquadrão de elite da força. Essas informações corroboram partes das investigações da Polícia Federal sobre o planejamento e a articulação dos atos.
Por outro lado, Alexandre Ramagem negou em seu depoimento ter utilizado a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar ilegalmente a rotina de ministros do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o governo de Jair Bolsonaro. A negação de Ramagem contrapõe as acusações de uso da estrutura de inteligência do Estado para fins políticos e ilegais.
A fase final da ação penal e as possíveis consequências
Os interrogatórios dos réus são uma das últimas fases da ação penal que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado. A expectativa é que o ministro Alexandre de Moraes ouça presencialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro, Braga Netto e mais seis réus até a próxima sexta-feira (13.jun). Todos são acusados de integrar o “núcleo crucial” de uma trama para impedir a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o resultado das eleições de 2022.
A fase de interrogatórios é um momento decisivo para a defesa e a acusação apresentarem suas versões dos fatos, com os réus tendo a oportunidade de se manifestar diretamente sobre as imputações que pesam contra eles. Após esta etapa, o processo se encaminhará para o julgamento final.
A expectativa é de que o julgamento, que decidirá pela condenação ou absolvição do ex-presidente e dos demais réus, ocorra no segundo semestre deste ano. Em caso de condenação, as penas previstas para os crimes investigados, como abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, podem ultrapassar 30 anos de prisão. A investigação tem gerado grande repercussão e é um marco na história recente do Brasil, acompanhada de perto pela sociedade e pela imprensa. A resolução do caso terá implicações significativas para a política e a justiça brasileiras.
Afirmação foi feita em interrogatório da ação penal da trama golpista
O tenente-coronel do Exército Mauro Cid afirmou nesta segunda-feira (9) que o ex-presidente Jair Bolsonaro esperava encontrar uma fraude nas urnas eletrônicas para convencer os comandantes das Forças Armadas a aderirem à tentativa de golpe para reverter o resultado das eleições de 2022.
A afirmação de Cid foi feita durante a audiência de interrogatório da ação penal da trama golpista. Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Cid é primeiro réu do Núcleo 1 da trama golpista a ser interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal do golpe. O militar também está na condição de delator nas investigações.
Durante o depoimento, Cid disse que Bolsonaro e o general Walter Braga Netto, ex-ministro do governo e vice na chapa de 2022, esperavam encontrar uma fraude nas urnas para justificar uma intervenção militar no país.
Por esse motivo, segundo Mauro Cid, o ex-presidente pressionava o general Paulo Sergio Nogueira, ex-ministro da Defesa, a insinuar que não era possível descartar a possibilidade de fraudes na votação eletrônica.
“A grande expectativa era que fosse encontrada uma fraude nas urnas. O que a gente sempre viu era uma busca por encontrar fraude na urna. Com a fraude na urna, poderia convencer os militares, dizendo que a eleição foi fraudada e, talvez, a situação mudasse”, declarou.
Em 2022, Nogueira enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um parecer técnico para afirmar que não é possível afirmar que o sistema eletrônico de votação está isento da influência.
Os militares faziam parte da comissão de transparência criada pelo próprio TSE para fiscalizar as eleições.
Por volta das 16h45, o interrogatório de Mauro Cid foi suspenso para o intervalo. O depoimento deve prosseguir até as 20h.
Interrogatórios
De hoje a sexta-feira (13), Alexandre de Moraes vai interrogar o ex-presidente Jair Bolsonaro, Braga Netto e mais seis réus acusados de participarem do “núcleo crucial” de uma trama para impedir a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o resultado das eleições de 2022.
Confira a ordem dos depoimentos:
Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
Walter Braga Netto, general do Exército e ex-ministro de Bolsonaro.
Foto: Gustavo Moreno/STF / Fellipe Sampaio/STF / Ton Molina/STF
Presidente da Casa defende que esta é a única alternativa no momento
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que o Parlamento vai cumprir a recente determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de declarar a cassação do mandato da deputada federal Carla Zambelli sem submeter o assunto ao plenário.
“O tratamento que vamos dar é o de seguir o rito regimental para o cumprimento da decisão do STF. Até porque, esta é a única alternativa; a única coisa que temos a fazer, já que o processo foi concluído, com a condenação [da deputada]”, comentou Motta, ao participar nesta segunda-feira (9) de um evento realizado pelo jornal Valor Econômico, em São Paulo.
Em meados de maio, a Primeira Turma do STF condenou Zambelli a dez anos de prisão e à perda do mandato. A pena foi aplicada por Zambelli e o hacker, réu confesso e também condenado no mesmo processo, Walter Delgatti, terem invadido o sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde inseriram documentos falsos, incluindo um mandato de prisão fraudulento contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Na última sexta-feira (6), a mesma Primeira Turma rejeitou os recursos que a deputada apresentou a fim de tentar reverter a sentença inicial. A confirmação da condenação de Zambelli foi anunciada três dias após a parlamentar anunciar que deixou o Brasil com o propósito de se estabelecer na Europa e, assim, evitar ser presa.
Ao deixar o Brasil, Zambelli passou pelos Estados Unidos e partiu para a Itália, onde ingressou pouco antes de ter o nome incluído na lista de fugitivos procurados pela Interpol e do ministro Alexandre de Moraes decretar a prisão dela e o bloqueio dos passaportes (inclusive o diplomático), salários, contas bancárias, bens móveis e imobiliários e acesso às redes sociais.
Zambelli afirma ser alvo de perseguição política e já classificou a decisão do STF como “ilegal, inconstitucional e autoritária”. Para ela, constitucionalmente, um deputado federal só pode ser preso em flagrante ou por crime inafiançável. E a perda de mandato precisaria ser aprovada por seus pares, em plenário. Tese que não conta com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Mota.
“Quando há uma conclusão de julgamento do STF, não cabe mais ao presidente da Câmara colocar isso em votação, porque já há a condenação. Então, a decisão judicial tem que ser cumprida”, acrescentou Motta, assegurando que, embora defenda as prerrogativas parlamentares, não há o que fazer no caso de Zambelli.
O presidente da Casa ressalta que o caso da deputada é atípico, sem precedentes na Câmara dos Deputados. “Veio uma decisão condenatória. Quando chegou o momento de [apreciação, pelo STF] dos embargos [recursos], ela decidiu ir para outro país. Porque, penso eu, ela tinha cidadania italiana e, lá, teria a oportunidade de não cumprir uma possível pena, opinou Mota. “Por causa dessa decisão de fugir para outro país, o STF, penso eu, antecipou a análise do embargos e concluiu o julgamento na última semana”, concluiu, esclarecendo a razão de ter atendido a um pedido de Zambelli, concedendo-lhe 127 dias de licença.
“Ela tinha pedido uma licença médica, seguida de uma licença para tratar interesse particular, antes da decisão do STF. Concedemos esta licença até para que seu suplente [Coronel Tadeu (PL-SP)] pudesse assumir o mandato e, a partir daí, aguardássemos o desfecho do processo”, concluiu Motta.
Extradição
Na França, onde participou, junto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da assinatura da declaração de intenção para ampliar o atual acordo de cooperação entre o Brasil e a Interpol, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, comentou o trâmite do pedido de extradição que o governo brasileiro apresentará às autoridades italianas, por determinação da Justiça.
“Nos casos de extradição, cabe ao ministério cumprir as determinações do Poder Judiciário. O ministro Alexandre de Moraes determinou ao Ministério que pedisse a extradição desta senhora. Esta documentação está em tramitação e, quando ela chegar, vamos fazer o trabalho de protocolar sem entrar no mérito, enviando [o pedido] ao governo italiano” comentou Lewandowski, evitando fornecer mais detalhes, sobre o assunto.
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados / Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Ex-ajudante de ordens diz que presenciou mas não participou dos fatos
O tenente-coronel do Exército Mauro Cid confirmou nesta segunda-feira (9) que esteve presente em uma reunião na qual foi apresentado ao ex-presidente Jair Bolsonaro um documento que previa a decretação de medidas de estado de sítio e prisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outras autoridades, em 2022.
Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Cid foi o primeiro réu do núcleo 1 da trama golpista a ser interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal do golpe. O militar também está na condição de delator nas investigações.
Durante o depoimento, Cid confirmou que foram realizadas pelo menos duas reuniões em que Felipe Martins, o ex-assessor de assuntos internacionais de Bolsonaro, levou ao ex-presidente um documento com a proposta golpista para reverter o resultado das eleições de 2022.
No encontro, Bolsonaro leu a minuta e propôs alterações no documento, segundo o militar.
“Foi levado esse documento ao presidente. O documento consistia em duas partes. A primeira parte eram os considerandos. Dez, onze, doze páginas, muito robusto. Esses considerandos listavam as possíveis interferências do STF e TSE no governo Bolsonaro e nas eleições. Na segunda parte, entrava em uma área mais jurídica, estado de defesa, estado de sítio e prisão de autoridades”, afirmou.
Segundo Cid, após as alterações feitas por Bolsonaro, a minuta passou a prever somente a prisão de Alexandre de Moraes.
“Ele, de certa forma, enxugou o documento. Basicamente, retirando as autoridades das prisões. Somente o senhor [Moraes] ficaria como preso”, completou.
Mauro Cid também confirmou o conteúdo dos depoimentos de delação premiada prestados à Polícia Federal (PF) e negou ter sofrido qualquer tipo de pressão para assinar o acordo de delação premiada.
“Presenciei grande parte dos fatos, mas não participei deles”, declarou.
Durante o interrogatório, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e as defesas dos demais acusados também poderão fazer perguntas aos réus. O depoimento deve prosseguir até as 20h.
Interrogatórios
Entre os dias 9 e 13 de junho, Alexandre de Moraes vai interrogar o ex-presidente Jair Bolsonaro, Braga Netto e mais seis réus acusados de participarem do “núcleo crucial” de uma trama para impedir a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o resultado das eleições de 2022.
Confira a ordem dos depoimentos:
Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
Walter Braga Netto, general do Exército e ex-ministro de Bolsonaro.
Ferramenta envia alertas via celular sobre desastres naturais; abrangência chegará aos 167 municípios potiguares a partir de 18 de junho
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil lançaram no sábado (14.jun.2025) o sistema “Defesa Civil Alerta” na região Nordeste. No Rio Grande do Norte, a iniciativa começou com um alerta teste enviado aos municípios de Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Extremoz.
O sistema utiliza a rede de telefonia celular para emitir mensagens de texto gratuitas e avisos sonoros diretamente nos aparelhos móveis. A notificação interrompe qualquer conteúdo que esteja sendo exibido na tela até que o usuário confirme o recebimento. O objetivo da ação é reforçar os sistemas de prevenção e mitigação em situações de emergência como alagamentos, deslizamentos, enxurradas, chuvas intensas, vendavais e granizo.
A partir do dia 18 de junho, todos os 167 municípios potiguares passarão a integrar o sistema, recebendo alertas conforme os riscos identificados pelas autoridades de Defesa Civil.
Tecnologia de alerta e coordenação estadual
A tecnologia foi desenvolvida para complementar os canais já existentes de comunicação emergencial. O sistema é integrado à Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, vinculada ao Gabinete Civil do Governo do RN, responsável pela operacionalização dos avisos e ações preventivas locais.
O primeiro teste simultâneo foi aplicado em cidades de todos os nove estados da região Nordeste no mesmo dia. No Rio Grande do Norte, o disparo do alerta envolveu a infraestrutura de operadoras de telefonia móvel e o monitoramento técnico das autoridades estaduais.
Como funcionam os alertas
Ao identificar risco iminente em determinada localidade, a Defesa Civil poderá disparar um alerta geolocalizado para os aparelhos conectados naquela área. O sistema é similar ao utilizado em países como Estados Unidos e Japão, onde a comunicação direta com a população é usada para minimizar danos em catástrofes naturais.
O alarme sonoro e a mensagem de texto são exibidos automaticamente na tela do celular, mesmo com outros aplicativos abertos. O alerta só desaparece após o usuário confirmar o recebimento da mensagem.
Expansão nacional
O sistema faz parte de um esforço nacional do governo federal para ampliar a resposta a eventos climáticos extremos, que têm se tornado mais frequentes nos últimos anos. A implementação nos demais estados ocorrerá de forma progressiva, conforme cronograma da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
Casos em análise envolvem apenas aves silvestres e criações domésticas; granjas comerciais seguem fora do alerta
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apura atualmente dez casos suspeitos de gripe aviária em diferentes estados do Brasil. A informação foi divulgada por meio da Plataforma de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves, atualizada neste domingo (8.jun.2025), às 19h. Nenhuma das ocorrências investigadas até o momento envolve granjas comerciais, limitando-se a criações domésticas e aves silvestres.
Caso confirmado em Mato Grosso
Um caso de gripe aviária foi confirmado em uma galinha doméstica no município de Campinápolis, no estado de Mato Grosso. Como se trata de uma criação não comercial, o registro não impacta o status sanitário do país nem afeta as exportações brasileiras de carne de frango. O Brasil mantém o reconhecimento de país livre da doença em produção comercial, de acordo com as diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Brasília (DF), 04/06/2025 – O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, fala durante entrevista coletiva de imprensa para abordar a situação e as atualizações relacionadas à emergência zoossanitária da gripe aviária. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
O status sanitário brasileiro poderá ser recuperado internacionalmente a partir do dia 18 de junho, caso não haja novos registros em granjas comerciais. Essa data marca o encerramento do período de 28 dias após o último caso confirmado em uma granja em Montenegro (RS), detectado em maio.
Estados com casos em análise
As investigações em andamento envolvem seis casos em aves domésticas e quatro em aves silvestres. Os registros por categoria são os seguintes:
Esses casos fazem parte do sistema de monitoramento e defesa agropecuária em vigor no país, que exige notificação obrigatória e imediata sempre que houver suspeita da doença.
Notificação obrigatória e ações de vigilância
A influenza aviária de alta patogenicidade, causada pelo vírus H5N1, é uma enfermidade de notificação compulsória no Brasil. Segundo o Ministério da Agricultura, desde maio de 2023, quando foi registrado o primeiro caso da doença em ave silvestre no país, foram conduzidas mais de 2.500 investigações sobre suspeitas.
Fachada do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)
O ministério orienta produtores rurais, técnicos, prestadores de serviços, pesquisadores e demais envolvidos com a criação de aves a comunicarem imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial (SVO) qualquer suspeita de influenza aviária. A atuação precoce é essencial para evitar a disseminação do vírus e proteger o setor produtivo nacional.
Histórico de casos confirmados
Desde o início do monitoramento, o Brasil confirmou 172 casos de influenza aviária. Desse total:
167 casos ocorreram em animais silvestres, sendo 163 em aves e 4 em leões-marinhos.
4 casos foram registrados em criações de subsistência.
1 caso foi confirmado em granja comercial, no município de Montenegro (RS), em maio de 2024.
O único caso em granja comercial desencadeou medidas imediatas de controle sanitário e isolamento da área, seguindo os protocolos nacionais e internacionais para contenção da doença.
Monitoramento contínuo
As ações de vigilância sanitária seguem em curso nos estados com notificações em andamento e em regiões com maior risco sanitário. O Ministério da Agricultura mantém equipes de campo atuando em conjunto com as secretarias estaduais de agricultura e instituições de pesquisa, com o objetivo de preservar o status sanitário do país e garantir a segurança da cadeia produtiva avícola.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Antonio Cruz/Agência Brasil
Presidente cita R$ 100 bilhões anunciados por empresas francesas e fala sobre Putin, guerra na Ucrânia e eleições de 2026
Durante entrevista coletiva concedida neste sábado (7.jun.2025), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu seu papel como articulador de investimentos estrangeiros no Brasil e destacou os resultados da viagem à França. Lula citou o anúncio de R$ 100 bilhões em aportes previstos para os próximos cinco anos, feitos por 15 empresas francesas, como evidência da confiança internacional em sua gestão.
Ao comentar os custos da comitiva brasileira durante a viagem à Europa, o presidente afirmou que “não sabe quanto está gastando, mas sabe quanto está levando de volta para o Brasil”. Ele defendeu que o país pense grande e que os embaixadores brasileiros atuem para ampliar a presença internacional do país.
Acordo entre União Europeia e Mercosul
Lula voltou a cobrar a entrada em vigor do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul até o fim de 2025. A França é um dos principais opositores à assinatura. O presidente declarou que não pretende impor prejuízos a setores sensíveis, como a agricultura francesa, mas defendeu que o acordo precisa ser aceito por todas as partes.
“Não quero que assinem o acordo e as pessoas fiquem de cara feia. Aí não é acordo”, disse Lula ao citar conversas com líderes europeus, incluindo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
Putin e guerra na Ucrânia
Durante a coletiva, o presidente também falou sobre o possível comparecimento de Vladimir Putin à cúpula dos BRICS, marcada para julho, no Rio de Janeiro. Desde 2023, o presidente russo é alvo de um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional, o que, em tese, obrigaria o Brasil a executar a ordem se ele pisar em território nacional.
Lula afirmou que a decisão sobre participar ou não do encontro é de Putin. O presidente brasileiro relatou que conversou com o líder russo por telefone durante uma escala na Rússia, em maio, e o convidou para participar de um encontro sobre a paz na Turquia, que ocorreu recentemente. Putin não compareceu.
O presidente brasileiro afirmou ainda que o conflito entre Rússia e Ucrânia estaria “mais próximo de um acordo” do que se imagina, embora não tenha dado detalhes sobre eventuais negociações em andamento.
Críticas a Israel e eleições de 2026
Em meio à coletiva, Lula voltou a criticar Israel, acusando o país de cometer genocídio. A declaração reforça a posição do governo brasileiro no cenário internacional quanto ao conflito no Oriente Médio.
Questionado sobre as eleições presidenciais de 2026, Lula demonstrou confiança na possibilidade de reeleição. Segundo ele, a extrema direita não vencerá o pleito. A declaração foi dada com ênfase, enquanto batia no púlpito com as mãos.
Ministra diz que aprovação de 40% é suficiente para reverter cenário e projeta melhora até 2026
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que as recentes crises envolvendo o Pix e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atrapalharam o esforço do governo federal para recuperar a imagem do presidente Lula junto à população. A declaração foi feita em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada neste fim de semana.
Segundo Gleisi, mesmo com medidas positivas adotadas pelo governo, os efeitos dessas ações são ofuscados pela repercussão das dificuldades enfrentadas por cidadãos nas duas áreas. Ela citou a gestão de crises como fator limitante da comunicação institucional.
Aprovação de 40% e perspectiva para 2026
A ministra, que também é presidente nacional do PT, avaliou que o atual índice de aprovação do governo, em torno de 40%, é suficiente para disputar a próxima eleição presidencial. “É uma condição suficiente para uma boa disputa eleitoral. Tenho certeza que o governo vai melhorar. É mostrando o que está acontecendo para a população, os feitos do governo. Temos tempo para isso”, declarou.
Base aliada instável e articulação com o Congresso
Gleisi também reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo governo no Congresso Nacional, onde a base aliada é formada por partidos que nem sempre votam com o Executivo. Segundo ela, isso já era previsto desde a campanha eleitoral, quando a coligação foi composta por setores de diferentes partidos.
“Fizemos uma aliança ampla com setores de partidos que não vieram inteiros conosco. O MDB veio uma parte, tinha candidatura da Simone [Tebet]; PSD veio uma parte; PP veio uma parte. Não adianta querer que agora venham 100% [dos votos]”, afirmou.
A ministra elogiou a relação com os presidentes das comissões orçamentárias e de articulação política, destacando Hugo Motta (MDB-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), com quem mantém diálogo frequente. Gleisi disse que a articulação é baseada no “compartilhamento de responsabilidades institucionais”.
Relação com partidos e desafios internos
A entrevista também abordou os desafios enfrentados na manutenção da coalizão governista. Gleisi citou que parte dos partidos que hoje integram a base deverá estar no campo adversário em 2026, o que impõe obstáculos à fidelidade nas votações.
Ela defendeu que o governo continue apostando na divulgação de realizações e políticas públicas, buscando superar os desgastes causados por questões pontuais, como as filas do INSS e os problemas no sistema do Pix, que geraram críticas nos últimos meses.
A ministra evitou projetar nomes para 2026, mas reafirmou confiança na estratégia de reconstrução da imagem do governo por meio da comunicação direta com a população.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil / Jose Cruz/Agência Brasil
Alexandre de Moraes autoriza cumprimento imediato da pena de 10 anos por invasão ao sistema do CNJ
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou neste sábado (7.jun.2025) o cumprimento definitivo da pena de 10 anos de prisão imposta à deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A decisão converte a prisão preventiva da parlamentar em definitiva.
Moraes também notificou a perda do mandato de Zambelli e determinou o envio da documentação do julgamento à Câmara dos Deputados. A medida visa que a Mesa Diretora da Casa declare oficialmente a extinção do mandato da deputada.
Na mesma decisão, Moraes ordenou que a Secretaria Judiciária do STF encaminhe ao Ministério da Justiça os documentos necessários para formalizar o pedido de extradição de Zambelli, que deixou o Brasil após a condenação.
Na última sexta-feira (6.jun), a Primeira Turma do STF, por unanimidade, manteve a condenação de Carla Zambelli e do hacker Walter Delgatti Netto, apontado como executor da invasão. A sentença já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso, o que permite a execução imediata da pena.
Detalhes da condenação
A condenação, proferida pela Primeira Turma do STF no mês passado, estabelece pena de 10 anos de prisão, inelegibilidade e multa de R$ 2 milhões. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Zambelli foi a autora intelectual da invasão e atuou em parceria com Delgatti para inserir um mandado de prisão falso contra o próprio ministro Moraes, além de outras alterações fraudulentas no sistema.
De acordo com a PGR, o crime visava criar um fato político e midiático com o objetivo de atacar o Judiciário. Os ministros acompanharam o voto do relator, Alexandre de Moraes, que classificou a ação como uma ameaça à institucionalidade democrática.
Outros processos
Zambelli também responde a outro processo criminal no STF, relacionado a um episódio ocorrido às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. Na ocasião, a parlamentar sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo nas ruas de São Paulo.
A Primeira Turma do STF já formou maioria de 6 votos a 0 para condená-la a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto. O julgamento, no entanto, foi suspenso após pedido de vista do ministro Nunes Marques.
Residência no exterior e Interpol
Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil e passou a residir na Europa. Em entrevista recente, ela afirmou ter cidadania italiana e não informou o país em que está. Com isso, a parlamentar foi incluída na lista de procurados da Interpol. A extradição será solicitada formalmente pelo governo brasileiro, com base no pedido do STF.
Presidente brasileiro afirma que convidará pessoalmente o ex-presidente dos EUA para a conferência do clima
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou neste sábado (7.jun.2025) que pretende convidar pessoalmente o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para participar da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro, em Belém (PA).
Durante coletiva de imprensa em Paris, Lula afirmou que, se Trump não confirmar presença até perto do evento, fará uma ligação pessoal: “Se até perto [da conferência] o Trump não confirmar que vem, eu, pessoalmente, vou ligar para ele e falar: ‘Ô, cara, Trump, a COP é aqui no Brasil, vamos discutir esse negócio’”, declarou.
A COP30 reunirá chefes de Estado e representantes de quase 200 países para discutir metas e ações de enfrentamento às mudanças climáticas. Segundo Lula, o Brasil está organizando uma reunião preparatória entre os chefes de Estado, com dois dias de antecedência à abertura da conferência, para aprofundar os debates.
Lula destacou a importância da participação dos Estados Unidos na conferência, afirmando que o país “poluiu muito e ainda polui”, referindo-se à responsabilidade histórica das grandes potências industriais nas emissões de carbono.
COP30 será realizada no Brasil
Esta será a primeira vez que a conferência do clima será realizada na região amazônica. Belém sediará o evento entre os dias 30 de novembro e 12 de dezembro. A escolha da capital paraense tem como objetivo colocar os desafios da Amazônia e dos países em desenvolvimento no centro do debate climático.
Durante a COP30, os países deverão apresentar metas de redução de emissões mais ambiciosas para cumprir o Acordo de Paris, que estabelece o limite de aumento da temperatura média global em 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais.
Participação dos Estados Unidos e políticas de Trump
Donald Trump, durante seu mandato como presidente dos EUA, anunciou a retirada do país do Acordo de Paris, decisão revertida posteriormente por Joe Biden. Trump também promoveu medidas que flexibilizaram regras ambientais nos Estados Unidos, incluindo a expansão da exploração de combustíveis fósseis.
O governo brasileiro busca garantir a presença de lideranças internacionais, mesmo as mais controversas, como Trump, a fim de fortalecer a participação global no evento e pressionar países desenvolvidos a contribuírem financeiramente com a mitigação das mudanças climáticas.
Lula defende financiamento climático por países ricos
O presidente brasileiro reiterou que os países industrializados têm responsabilidade histórica e devem financiar ações climáticas nos países em desenvolvimento. “O mundo rico tem uma dívida tão contenciosa com o meio ambiente porque se industrializou há mais de 200 anos. Se industrializaram à custa da carbonização do planeta e têm que pagar um pouco agora para descarbonizar”, disse Lula.
Segundo ele, o Brasil pretende liderar o debate sobre justiça climática e financiamento climático durante a COP30.
Investimentos franceses no Brasil
A declaração de Lula ocorreu durante visita oficial à França, onde o presidente também anunciou a previsão de investimentos de R$ 100 bilhões por empresários franceses no Brasil até 2030. A viagem tem como foco o fortalecimento das relações comerciais e políticas com o governo francês.
Licenciamento ambiental
Durante a coletiva, Lula também foi questionado sobre o projeto de lei aprovado no Senado que flexibiliza regras de licenciamento ambiental no Brasil. O presidente afirmou que ainda aguardará a tramitação do projeto na Câmara dos Deputados e que poderá exercer seu direito de veto.
“É muito difícil um presidente da República dar palpite de uma coisa que está sendo votada na Câmara. Eu tenho direito de vetar. Então, deixa acontecer, deixa ver como o debate na Câmara evolui”, afirmou.
Ele destacou que ministros do governo ligados ao tema devem participar do debate com os parlamentares, buscando aperfeiçoamentos no texto.
Críticas ao projeto
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, já se manifestou publicamente contra o projeto. Em pronunciamento recente em rede nacional de rádio e TV, ela afirmou que a proposta representa risco à legislação ambiental brasileira. “Não podemos permitir que, em nome da agilização das licenças ambientais, seja desferido um golpe mortal em nossa legislação”, disse.
A tramitação do projeto segue sob atenção de ambientalistas, representantes do setor produtivo e do governo federal, que buscam um equilíbrio entre a proteção ambiental e o desenvolvimento econômico.
Foto: Ricardo Stuckert/PR / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Parlamentar, condenada pelo STF, se ausentou do país na terça-feira
A Câmara dos Deputados autorizou, na quinta-feira (5), o pedido de licença não remunerada da deputada Carla Zambelli (PL-SP) apresentado no dia 29, 6 dias antes da parlamentar, condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tornar público que havia deixado o Brasil.
Assinada pelo presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e publicada no Diário Oficial da Câmara, a licença totaliza 127 dias, contados a partir do dia 29, sendo 7 dias para que Zambelli se submeta a um tratamento de saúde, não especificado, e 120 dias para que ela trate de assuntos de “interesse particular”.
Brasília (DF) 23/04/2024 Deputada Carla Zambelli durante coletiva na Câmara dos Deputados. Foto Lula Marques/ Agência Brasil
Durante a ausência de Zambelli, o mandato será exercido por seu suplente, Coronel Tadeu (PL-SP), que já exerceu mandato de deputado federal de 2019 a 2023.
O suplente de Zambelli já recebeu uma advertência verbal do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara por ter quebrado, em novembro de 2019, uma placa alusiva ao assassinato de pessoas negras no Brasil. A peça fazia parte da exposição (Re)exisitr no Brasil: Trajetórias Negras Brasileiras, na Câmara.
Tadeu deve permanecer no cargo, uma vez que, além de condenar Zambelli à prisão pela invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e divulgação de documentos falsos, a Primeira Turma do STF também decretou a perda do mandato da parlamentar, após o julgamento de todos os recursos legais.
Nesta sexta-feira (6), a Primeira Turma do STF rejeitou, por unanimidade, o recurso que a parlamentar apresentou contra sua condenação. Agora, a prisão preventiva de Zambelli, determinada por Alexandre de Moraes após ela deixar o país, deve ser convertida em prisão para o cumprimento de pena. Já a perda do mandato depende de ato declaratório da Mesa Diretora da Câmara.
Brasília (DF) 23/04/2024 Deputada Carla Zambelli durante coletiva na Câmara dos Deputados. Foto Lula Marques/ Agência Brasil
Após deixar o Brasil, e ainda nos Estados Unidos, Zambelli revelou que pretendia se estabelecer em algum país da Europa, de onde seguiria atuando para, em suas palavras, “denunciar a ditadura que o Brasil enfrenta hoje”.
Na quarta-feira (4), um dia após Zambelli confirmar que estava fora do país, o ministro do Supremo Alexandre de Moraes decretou, entre outras medidas, sua prisão; o bloqueio do salário, bem como verbas parlamentares para seu gabinete, e a inclusão do perfil da deputada na lista de difusão vermelha da Interpol, o que faz dela uma fugitiva internacional.
O nome da deputada foi incluído na relação de procurados pela Interpol na quinta-feira, pouco após ela ingressar em território italiano.
A Itália, conforme a própria parlamentar comentou na terça-feira, é um dos países europeus onde ela planeja se estabelecer por ter cidadania italiana.
Recesso se estende ao feriado de Corpus Christi; serviços essenciais manterão funcionamento
O Governo do Rio Grande do Norte decretou ponto facultativo nos dias 19 e 20 de junho de 2025, quinta e sexta-feira, em órgãos e entidades da Administração Pública Direta, Autárquica e Fundacional. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 34.625, publicado na edição desta sexta-feira (6.jun.2025) do Diário Oficial do Estado (DOE).
A quinta-feira (19.jun), data alusiva à celebração de Corpus Christi, já havia sido prevista como ponto facultativo no Decreto nº 34.300, que dispõe sobre o calendário de feriados do ano. Com o novo decreto, a sexta-feira subsequente (20.jun) também será considerada ponto facultativo, ampliando o recesso dos servidores estaduais.
A medida, no entanto, não se aplica aos órgãos e serviços considerados essenciais, como segurança pública, saúde e atendimento de urgência. Nesses casos, os gestores das respectivas áreas deverão editar normativas internas para garantir o funcionamento contínuo das atividades.
A celebração de Corpus Christi, conforme a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ocorre sempre 60 dias após a Páscoa e representa, para a tradição católica, a exaltação da presença real de Cristo na Eucaristia.
Com a ampliação do recesso, unidades administrativas estaduais ficarão fechadas nos dias 19 e 20 de junho, retornando ao expediente normal na segunda-feira, 23 de junho. A determinação visa ajustar o calendário funcional sem comprometer os serviços essenciais à população.
Foto: Ascom/GOVERNO DO RN/Ilustração / Sandro Menezes/Governo do RN/Ilustração
Provas seguem marcadas para 27 de julho; edital retificado altera cronograma e conteúdo programático
O Governo do Rio Grande do Norte prorrogou o prazo de inscrições para o concurso público do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema). A alteração foi publicada na edição desta sexta-feira (6.jun.2025) do Diário Oficial do Estado e estende o período de inscrições até 13 de junho de 2025.
Os interessados devem se inscrever exclusivamente pelo site da banca organizadora, o Instituto AOCP, no endereço: https://www.institutoaocp.org.br/concursos/649. Inicialmente, o prazo final seria nesta sexta-feira (6).
Além da prorrogação das inscrições, o novo cronograma prevê alterações em outras etapas do certame. A publicação da relação definitiva de inscritos ocorrerá em 18 de junho. Já o edital com os horários e locais das provas será divulgado em 20 de julho.
As provas objetiva e discursiva seguem marcadas para 27 de julho de 2025, com aplicação em Natal. Pela manhã, farão prova os candidatos aos cargos de Analista Ambiental e Analista Administrativo. No turno da tarde, será a vez dos candidatos ao cargo de Fiscal Ambiental.
A retificação do edital também trouxe mudanças no conteúdo programático, exigindo atenção dos candidatos quanto às novas diretrizes. O documento completo com todas as alterações pode ser consultado no portal da organizadora.
O concurso do Idema oferta vagas para níveis superior e médio, com salários iniciais que variam conforme o cargo. A realização das provas e demais etapas do certame obedecerão ao novo cronograma estabelecido pelo Governo do Estado.
Foto: João Vital/Governo do RN/Ilustração / Divulgação/Idema / Arthur Carvalho
Novo nome oficial homenageia figura ligada à cultura e ao turismo de Ponta Negra; projeto foi aprovado por unanimidade
A Câmara Municipal de Natal aprovou, durante sessão ordinária realizada na quinta-feira (5.jun.2025), o Projeto de Lei nº 424/2025, que altera oficialmente o nome da conhecida Praça dos Gringos, localizada em Ponta Negra, para Praça de Eventos Cláudio Porpino. A iniciativa é de autoria do vereador Eriko Jácome (PP) e foi aprovada em regime de urgência com voto unânime dos parlamentares.
O novo nome é uma homenagem a Cláudio Porpino, personalidade local ligada à cultura popular, ao turismo e ao desenvolvimento do bairro de Ponta Negra. De acordo com o autor do projeto, a mudança reconhece a contribuição significativa de Porpino para a cidade de Natal.
“A aprovação deste projeto representa um gesto de valorização da história local e de reconhecimento público a uma figura que teve papel relevante na promoção da cultura e do turismo em nossa cidade”, destacou o vereador Eriko Jácome durante a sessão.
A praça, popularmente conhecida como Praça dos Gringos por sua intensa movimentação turística e localização estratégica em Ponta Negra, passa agora a ter nome oficial em homenagem a Cláudio Porpino. O local é ponto tradicional de encontros, eventos e apresentações culturais, sendo um dos espaços públicos mais simbólicos da zona Sul de Natal.
Além da alteração de nome da praça, a Câmara Municipal também aprovou outros projetos em segunda discussão, entre eles o Projeto de Lei nº 232/2024, de autoria do vereador Robson Carvalho (União Brasil), que prevê a veiculação de mensagens educativas sobre proteção animal nos ônibus do sistema de transporte público da capital. O objetivo do projeto é conscientizar a população sobre o bem-estar animal e o combate aos maus-tratos.
Outro projeto aprovado foi o de nº 221/2025, do vereador Fulvio Saulo (SD), que reconhece como de utilidade pública a Associação de Profissionais da Engenharia Ambiental do Rio Grande do Norte (APEA). A votação da proposta ocorreu no mesmo dia em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, o que, segundo o autor, reforça a importância da atuação da entidade no desenvolvimento sustentável do estado.
Durante a mesma sessão legislativa, foi lido o requerimento do vereador Kleber Fernandes (Republicanos) solicitando a criação da Frente Parlamentar do Mercado Imobiliário. O objetivo da frente é promover debates permanentes entre representantes do setor produtivo e o poder público, especialmente diante das recentes alterações no Plano Diretor de Natal.
De acordo com Kleber, o novo espaço de diálogo servirá para acompanhar os impactos das legislações urbanísticas e propor medidas que estimulem o crescimento econômico e o ordenamento urbano da capital potiguar.
As propostas aprovadas seguem para sanção do Executivo Municipal.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração / Francisco de Assis/Câmara de Natal
Deputada recorre de decisão que impôs pena de 10 anos por invasão ao sistema do CNJ; julgamento é virtual e termina nesta sexta (6)
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta sexta-feira (6) o recurso apresentado pela defesa da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023. O julgamento é realizado virtualmente e está previsto para encerrar às 23h59.
O processo é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes e conta com os votos dos ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Cristiano Zanin. O colegiado também julga o recurso apresentado pelo hacker Walter Delgatti, condenado a 8 anos e 3 meses de prisão no mesmo caso. De acordo com as investigações, Delgatti executou a invasão sob orientação de Zambelli.
Antes da condenação ser executada, Zambelli deixou o Brasil. A parlamentar embarcou para os Estados Unidos e, posteriormente, chegou a Roma, na Itália, na quinta-feira (4). A deputada possui cidadania italiana e, até o momento, não retornou ao país.
Caso a maioria dos ministros rejeite o recurso, a prisão da deputada poderá ser convertida de preventiva para cumprimento de pena. A condenação também pode resultar na perda automática do mandato parlamentar, sem necessidade de deliberação pela Câmara dos Deputados.
A Constituição prevê que parlamentares só podem ser presos em flagrante por crime inafiançável, situação que motivou a prisão preventiva anterior. No entanto, em caso de condenação definitiva, não há necessidade de aval do Legislativo.
A possibilidade de cumprimento imediato da pena pode ainda reforçar o pedido de extradição da deputada, caso permaneça fora do Brasil. Em precedentes similares, a Justiça italiana autorizou a extradição de brasileiros com dupla cidadania, como ocorreu com o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão.
No recurso apresentado ao STF, a defesa de Zambelli argumenta cerceamento de defesa, alegando que não teve acesso completo às provas. Os advogados também questionaram o valor fixado a título de indenização por danos coletivos, no montante de R$ 2 milhões.
Segundo a defesa, não há critérios objetivos para justificar esse valor e a decisão teria sido tomada de forma discricionária pelo relator. Após a fuga da parlamentar, o advogado Daniel Bialski deixou a causa, e o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Defensoria Pública da União (DPU) assuma a representação legal da deputada.
Na última quarta-feira (4.jun.2025), Natal parou. Literalmente. Com a deflagração da greve dos rodoviários, praticamente nenhum ônibus circulou na capital potiguar. Foi um dia de caos. Trabalhadores ficaram presos em paradas, estudantes perderam aulas, pacientes faltaram consultas, e a cidade mergulhou num colapso silencioso — silencioso, sobretudo, por parte de quem mais deveria se pronunciar: o prefeito Paulinho Freire.
Enquanto a população tentava, como podia, driblar os efeitos da paralisação no transporte público, nenhuma palavra do prefeito foi ouvida. Nenhuma nota. Nenhuma coletiva. Nenhuma postagem sequer. Nada que demonstrasse liderança, empatia ou, no mínimo, respeito com o cidadão natalense.
A única manifestação oficial da Prefeitura de Natal veio por meio da STTU, que afirmou que judicializaria o movimento grevista. A Justiça sequer precisou intervir — o acordo foi costurado entre patrões e rodoviários horas depois. Ainda assim, o prefeito se manteve ausente, calado e alheio ao drama urbano que se desenrolava diante dos olhos de todos.
Infelizmente, esse não foi um caso isolado. Desde o início da sua gestão, Paulinho Freire tem colecionado episódios de ausência e de falhas graves na comunicação institucional, o que já tem provocado incômodo inclusive entre seus próprios aliados. Em outras crises enfrentadas por Natal — como inundações, problemas com lixo, apagões de trânsito e alagamentos —, a figura do prefeito simplesmente sumiu da cena.
A comunicação de Paulinho é, para dizer o mínimo, desastrosa. Um prefeito que não se pronuncia nos momentos de maior angústia da cidade transmite à população uma perigosa sensação de abandono. Como se cada cidadão tivesse que enfrentar, sozinho, o caos, sem ao menos ouvir um “estamos trabalhando por vocês”.
A greve dos ônibus escancarou isso com nitidez. O transporte público de Natal já enfrenta críticas há anos: frota antiga, passagens caras, falta de transparência nas planilhas e ausência de ar-condicionado em pleno século XXI. A greve foi só a cereja amarga de um bolo mal assado por décadas de descaso e conivência.
E é justamente por isso que o silêncio do prefeito é ainda mais preocupante. Paulinho Freire não herdou um sistema de transporte eficiente. Herdou um problema. E, ao não assumir essa responsabilidade e se manter ausente, reforça a imagem de um gestor omisso, que parece mais interessado em preservar a própria imagem do que encarar os desafios da cidade.
Natal precisa de mais do que notas técnicas da STTU. Precisa de liderança. Precisa de um prefeito que apareça, que dialogue com a população, que enfrente crises de frente, que dê a cara a tapa quando for necessário. Paulinho, até aqui, tem preferido o conforto do silêncio à coragem da exposição.
A greve passou. Os ônibus voltaram às ruas. Mas a sensação de abandono permanece. A pergunta que não quer calar segue ecoando entre os natalenses: e a greve, prefeito? Onde estava o senhor quando a cidade precisou?
Solicitação foi feita pela defesa do general Braga Netto
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido feito pela defesa do general Braga Netto para suspender o início dos interrogatórios dos réus da ação penal do núcleo 1 da trama golpista. Os depoimentos terão início na próxima segunda-feira (9).
O militar, o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros seis acusados fazem parte deste núcleo.
A defesa do general alegou que ainda não teve acesso total às provas da investigação. Dessa forma, segundo os advogados, Braga Netto não pode ser interrogado antes de tomar conhecimento de todas as acusações que pesam contra ele.
Os advogados também solicitaram que os interrogatórios sejam suspensos para aguardar os depoimentos das testemunhas dos demais núcleos de acusados.
Na decisão, Moraes disse que o pedido da defesa de Braga Netto não tem justificativa legal.
“Não há justificativa legal, nem tampouco razoabilidade, em se suspender a realização dos interrogatórios da presente ação penal para aguardar a oitiva de testemunhas arroladas em outras ações penais e que, jamais foram consideradas necessárias”, justificou.
O general da reserva e vice na chapa de Bolsonaro em 2022 está preso desde dezembro do ano passado sob a acusação de obstruir a investigação sobre a tentativa de golpe de Estado no país para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os réus respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Núcleo 1
Os oito réus compõem o chamado núcleo crucial do golpe, o núcleo 1, e tiveram a denúncia aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em 26 de março. São eles:
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022;
General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa;
Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Vice-prefeita de Parnamirim solicitou linha para atender bairros como Coophab e Parque das Nações, mas proposta sofre pressões de operadores alternativos
Um pedido encaminhado pela vice-prefeita de Parnamirim, Kátia Pires, ao Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte (DER/RN), solicitando a criação de uma linha de ônibus intermunicipal entre os bairros Coophab, Parque das Nações, Parque das Árvores e a cidade de Natal, enfrenta resistência dentro do próprio órgão. Apesar de protocolado como prioridade, o pleito pode não avançar devido a pressões de operadores do transporte alternativo que atuam nessas regiões.
A solicitação tem como objetivo suprir uma demanda antiga de moradores dessas localidades, que não contam com linha de ônibus regular até a capital potiguar. No entanto, segundo fontes ligadas ao setor de transporte público, a proposta encontra obstáculos internos no DER/RN, atribuídos a interesses de permissionários do sistema alternativo que atuam sem concessão formal.
Pedido oficial foi protocolado no DER/RN
O pedido foi divulgado pela vice-prefeita no dia 28 de maio, por meio de vídeo publicado nas redes sociais. No conteúdo, ela destacou a importância da nova linha para moradores de áreas densamente povoadas de Parnamirim. Segundo a vice-prefeita, o objetivo é garantir acesso digno ao transporte público para quem precisa se deslocar diariamente para trabalho, estudo ou outros compromissos em Natal.
O ofício enviado ao DER/RN foi classificado como urgente, mas até o momento não houve retorno oficial do órgão sobre o andamento da análise. O DER/RN também não se pronunciou sobre a viabilidade técnica ou prazos para resposta à solicitação.
Interesses de operadores alternativos impactam decisão
De acordo com matérias divulgadas pela mídia local, a resistência à implantação da nova linha estariam relacionada a pressões exercidas por permissionários do transporte alternativo, que já operam informalmente nos bairros citados. Esses operadores, mesmo sem concessão, atuam de forma predominante no transporte de passageiros e enxergam o transporte regular como concorrência direta.
Relatos apontam que qualquer proposta de expansão do sistema legal de transporte intermunicipal é vista como ameaça à base econômica dos operadores alternativos. A influência política e econômica desse setor tem interferido, segundo as mesmas fontes, em decisões estratégicas do órgão estadual de transporte.
DER/RN acumula pedidos sem resposta
A situação não é isolada. Municípios como São Gonçalo do Amarante, Macaíba e Extremoz enfrentam dificuldades semelhantes, com solicitações de novas linhas ou retomada de rotas paralisadas sendo ignoradas. Nesses casos, também há relatos de entraves internos relacionados à pressão de operadores alternativos.
A diretora-geral do DER/RN, Natércia Nunes, já foi questionada anteriormente sobre a influência de interesses paralelos nas decisões do órgão. Até o momento, não houve resposta oficial da direção do DER/RN quanto à gestão dessas demandas nem apresentação de medidas concretas para garantir o fortalecimento do transporte público formal.
Impasse revela fragilidade na mobilidade urbana
O caso da linha entre Parnamirim e Natal revela fragilidades no planejamento da mobilidade urbana da Região Metropolitana. A ausência de enfrentamento à atuação irregular compromete a expansão de um sistema de transporte público que atenda com regularidade e segurança a população.
Enquanto o impasse se mantém, milhares de moradores continuam sem alternativa segura e regular para deslocamento, dependendo de sistemas que operam à margem da regulamentação.
Ministro do STF determina abertura de inquérito, pedido de prisão e inclusão da deputada na lista da Interpol
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (4.jun.2025) a abertura de um inquérito para apurar a conduta da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) pelos crimes de coação no curso do processo e obstrução de investigação penal.
A decisão do ministro foi tomada após declarações da parlamentar, que afirmou, em entrevista, que deixou o Brasil e pretende permanecer nos Estados Unidos. Ela ainda disse que planeja solicitar asilo político ao governo do ex-presidente norte-americano Donald Trump.
Investigação autorizada pelo STF
No despacho, Moraes sustenta que as falas de Zambelli indicam intenção de adotar estratégias semelhantes às atribuídas ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), investigado por suposta articulação para envolver o governo dos Estados Unidos em pressões contra autoridades brasileiras, incluindo o próprio ministro.
A investigação da deputada ocorrerá em paralelo a outras apurações em curso no Supremo sobre a atuação de parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo da nova apuração é identificar eventuais tentativas de influenciar ou impedir o andamento de investigações ou processos judiciais.
Depoimento à Polícia Federal e rastreamento de doações
Moraes determinou que Carla Zambelli preste depoimento à Polícia Federal no prazo de 10 dias, com a possibilidade de responder por escrito. A deputada poderá apresentar defesa e esclarecimentos sobre as declarações prestadas à imprensa.
Além disso, o ministro ordenou que o Banco Central forneça uma lista com os nomes dos responsáveis por transferências via PIX destinadas à deputada. As doações foram realizadas em uma campanha virtual de arrecadação após sua condenação pelo STF.
A origem e o destino dos recursos serão analisados para verificar se houve movimentações financeiras que possam configurar tentativa de burlar decisões judiciais ou financiar fuga do país.
Ordem de prisão e acionamento da Interpol
Ainda na quarta-feira (4), o ministro Alexandre de Moraes autorizou a prisão preventiva da deputada. A decisão atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que afirmou que a parlamentar deixou o país com o objetivo de fugir do cumprimento da sentença.
A PGR alegou risco de continuidade das ações consideradas ilegais por parte da deputada e apontou tentativa de descredibilizar instituições brasileiras no exterior.
Com a ordem de prisão expedida, Moraes também determinou:
Inclusão do nome de Carla Zambelli na lista vermelha da Interpol (alerta internacional de busca);
Suspensão dos perfis da parlamentar nas redes sociais;
Comunicação ao Ministério da Justiça para providências cabíveis nas tratativas internacionais.
Parlamentar afirma que saiu por motivo de saúde
Em entrevista concedida à rádio de uma cidade do interior paulista na terça-feira (3), Carla Zambelli disse que está fora do Brasil para realizar um tratamento de saúde. Na mesma ocasião, informou que pretende solicitar licença do mandato de deputada federal.
A parlamentar declarou ainda que deve seguir para a Itália nos próximos dias, país onde possui cidadania. Atualmente, ela está nos Estados Unidos.
Zambelli é alvo de diferentes processos no STF, e sua situação jurídica se agravou após recente condenação pela Corte. O processo judicial segue em segredo de Justiça em alguns pontos.
Mesmo com decisão judicial exigindo 70% da frota nos horários de pico, ônibus municipais não circularam nesta quarta-feira (4)
A cidade de Natal amanheceu nesta quarta-feira (4.jun.2025) sem nenhum ônibus municipal circulando, marcando o início da greve dos rodoviários, apesar de uma decisão judicial que determinava a manutenção de 70% da frota nos horários de pico. A ausência total de veículos das linhas municipais nas ruas levou a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) a judicializar o caso.
Segundo a própria STTU, a secretaria enviou ofício à Justiça relatando o descumprimento da decisão liminar do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN), que havia determinado a operação de pelo menos 70% da frota nos horários de maior movimento. A medida foi tomada ainda durante a manhã, após a constatação de que nenhum ônibus municipal havia deixado as garagens.
Além disso, apenas os ônibus de linhas semiurbanas — que operam entre municípios da Região Metropolitana de Natal — circulavam normalmente. A paralisação total das linhas municipais coincidiu com uma forte chuva na capital, agravando os transtornos enfrentados pela população, especialmente para quem dependia do transporte público para chegar ao trabalho ou a compromissos.
A secretária da STTU, Jódia Melo, explicou em entrevista à Rádio Jovem Pan News Natal que o órgão já havia notificado o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Natal (Seturn) sobre a necessidade de garantir uma frota mínima desde o anúncio do indicativo de greve, em 16 de maio.
“Desde quando houve esse indicativo de greve, a STTU notificou o Seturn para que, caso a greve realmente fosse deflagrada, eles cumprissem uma frota mínima de 70% de circulação de ônibus nas ruas, para garantir a mobilidade da cidade”, afirmou Jódia Melo.
Com a deflagração oficial da greve, o TRT-RN reforçou a obrigatoriedade por meio de liminar, mas, segundo a STTU, a decisão não foi cumprida. “Nós reiteramos essa notificação para garantir a circulação mínima. O papel da STTU é fiscalizar isso. Como se trata de uma relação entre empregadores e empregados, cabe à secretaria tomar as medidas cabíveis para assegurar o direito de ir e vir do cidadão natalense”, acrescentou a secretária.
Decisão do TRT-RN
A decisão liminar foi assinada pela desembargadora Isaura Maria Barbalho Simonetti, do TRT-RN, e determinava que o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sintro-RN) garantisse a circulação de 70% da frota durante os horários de pico. A medida também proíbe o bloqueio de acessos às garagens e ações que impeçam a operação de veículos por motoristas não aderentes à greve.
O descumprimento da decisão pode gerar multa diária de R$ 25 mil, aplicada solidariamente ao Sintro-RN e seus dirigentes.
Posicionamentos divergentes
O Sintro-RN declarou estar cumprindo a decisão, alegando não ter recebido informações oficiais sobre a frota a ser operada nem os adesivos que identificam os veículos em serviço emergencial. “Até o momento não fomos notificados sobre a frota correta e não recebemos os adesivos para identificação dos veículos”, afirmou o secretário-geral do sindicato, Arnaldo Dias. Ele reiterou que a categoria permanece unificada e que espera sensibilidade por parte dos empresários.
Já o Seturn, por meio do coordenador jurídico Augusto Maranhão Valle, afirmou que lamenta a deflagração da greve e atribui a dificuldade nas negociações às restrições econômicas e à falta de definição sobre o financiamento do transporte público. “O setor aguarda, com urgência, a definição sobre a fonte de custeio do transporte coletivo. O projeto de subsídio está travado na Câmara Municipal, e a licitação do sistema está paralisada no TCE”, declarou.
Negociações frustradas
A greve dos rodoviários foi deflagrada após a rejeição de proposta apresentada pelo Seturn durante mediação com a Superintendência Regional do Trabalho. A proposta aprovada pelo Sintro previa salário de R$ 2.583,37 em maio e R$ 2.600 em outubro, vale-alimentação de R$ 500 e R$ 550, reajuste de até 15,5% no plano de saúde, pagamento de CNH e exames toxicológicos pelas empresas, criação de banco de horas com validade de seis meses e reajuste pelo INPC com ganho real em 2026.
O Seturn, por sua vez, propôs reajuste salarial de 5,5% em 2025, parcelado em 3,5% em maio e 2% em novembro, além de aumento de 30% no vale-alimentação, também parcelado, e ajuda de custo para renovação da CNH. A proposta patronal foi rejeitada pelo sindicato dos trabalhadores, após oito rodadas de negociação.
Até o momento, o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), não se pronunciou oficialmente sobre a paralisação.
Foto: Matheus Felipe/Ilustração / Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
Júnior Balada e o presidente da Câmara, Roldão Teixeira, estavam no veículo e não tiveram ferimentos
O prefeito de Pedro Velho, Júnior Balada (União Brasil), se envolveu em um acidente de trânsito na noite da terça-feira (3.jun.2025), durante uma viagem ao estado da Bahia. De acordo com nota oficial divulgada pela Prefeitura do município, o acidente foi provocado por uma colisão com animais soltos na pista.
Além do prefeito, também estava no veículo o presidente da Câmara Municipal de Pedro Velho, o vereador Roldão Teixeira (União Brasil). Ambos não sofreram ferimentos e passam bem. A informação foi confirmada pela gestão municipal e pelos próprios envolvidos, por meio das redes sociais.
Segundo o comunicado oficial, a colisão não provocou danos à integridade física do prefeito nem do vereador, e os dois continuam em deslocamento para retornar ao Rio Grande do Norte. A Prefeitura também reforçou o compromisso com a transparência ao informar a população sobre o ocorrido.
Nota oficial da Prefeitura
A Prefeitura de Pedro Velho divulgou nota pública para esclarecer o ocorrido e tranquilizar a população. Confira o conteúdo na íntegra:
“A Prefeitura Municipal de Pedro Velho informa que, na data de hoje, o prefeito Júnior Balada, que realizava uma viagem ao estado da Bahia, se envolveu em um acidente de trânsito ocasionado por uma colisão com animais na pista.
Também estava presente no veículo o vereador e presidente da Câmara Municipal de Pedro Velho, Roldão Teixeira.
Felizmente, informamos e tranquilizamos toda a população pedrovelhense de que ambos passam bem e não sofreram nenhum dano à saúde física.
Agradecemos a todas as manifestações de carinho e preocupação, e reforçamos nosso compromisso com a transparência e responsabilidade na comunicação com o povo de Pedro Velho.”
Manifestação do prefeito Júnior Balada
O prefeito se pronunciou por meio de um vídeo publicado em suas redes sociais. Na gravação, ele agradeceu pelas mensagens recebidas e explicou que a dificuldade em se comunicar nas primeiras horas após o acidente foi provocada pela instabilidade no sinal de celular na região.
“Passando aqui só para agradecer as mensagens e dizer que, graças a Deus, estamos todos bem. Agradecer primeiramente a Deus que foi um livramento, foi um grande susto, e agradecer todas as mensagens”, disse Júnior Balada.
O gestor também ressaltou que não houve ferimentos físicos, apenas danos materiais ao veículo. “Foi só dano material”, afirmou.
Vereador Roldão Teixeira também se pronunciou
Roldão Teixeira, presidente da Câmara Municipal, também utilizou as redes sociais para tranquilizar os moradores de Pedro Velho. Em sua fala, ele agradeceu pelas manifestações de apoio e destacou que a situação não passou de um susto.
“Eu só estou passando aqui para agradecer a todos. Obrigado pelo carinho. Obrigado pelas ligações. Foi apenas um susto. Foram danos materiais apenas. Um grande susto. Mas apenas danos materiais”, disse o vereador.
O parlamentar também informou que o retorno ao estado do Rio Grande do Norte estava em andamento, e que novas informações seriam prestadas assim que possível. “Desculpem eu não atender todas as ligações porque aqui não pega área direito, telefone não pega. Mas quando chegar amanhã, se Deus quiser, a gente dá mais informações”, concluiu.
Colisão com animais é causa comum em estradas da região
A presença de animais soltos nas rodovias, especialmente em regiões do interior, é uma das causas recorrentes de acidentes de trânsito. As autoridades de trânsito recomendam atenção redobrada em trechos rurais e durante a noite, quando a visibilidade é reduzida.
Apesar do impacto e do susto relatado, a ausência de ferimentos foi confirmada tanto pela Prefeitura quanto pelos próprios envolvidos. Não há informações sobre o estado do veículo ou sobre os animais envolvidos na colisão.
A viagem de Júnior Balada à Bahia não teve o motivo divulgado até o momento, mas a gestão municipal seguirá atualizando os munícipes sobre o retorno da comitiva e a agenda institucional do prefeito.
Deputada federal teve prisão determinada por Alexandre de Moraes e anunciou que deixou o país
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou nesta quarta-feira (4.jun.2025) a prisão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A medida foi tomada após a parlamentar anunciar que deixou o país. A decisão inclui também o bloqueio dos passaportes, inclusive o diplomático, e o bloqueio do salário parlamentar e de outras verbas de gabinete pagas pela Câmara dos Deputados.
O valor das verbas bloqueadas será destinado ao pagamento das multas determinadas na condenação de Zambelli por invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A parlamentar foi condenada por envolvimento direto em um ataque hacker ao sistema do CNJ, e as medidas cautelares foram adotadas com base na gravidade dos fatos e no risco de fuga.
Saída do país motivou ordem de prisão
A decisão de Moraes foi fundamentada no fato de que Carla Zambelli comunicou, publicamente, que havia deixado o território brasileiro. A movimentação, segundo o ministro, configura tentativa de descumprir determinações judiciais. O Supremo entendeu que a fuga representa um risco à aplicação da lei penal, justificando a prisão preventiva.
Brasília (DF) 23/04/2024 Deputada Carla Zambelli durante coletiva na Câmara dos Deputados. Foto Lula Marques/ Agência Brasil
Ainda segundo a decisão, o STF determinou que autoridades internacionais sejam notificadas, por meio da Interpol, para localização e eventual extradição da parlamentar. As ações buscam garantir o cumprimento da pena e o andamento dos processos em curso.
Bloqueio de recursos e medidas adicionais
Além da prisão, Moraes ordenou o bloqueio do passaporte comum e do diplomático da parlamentar. Também foram congeladas todas as verbas pagas pela Câmara dos Deputados em nome de Carla Zambelli, incluindo salário, cotas parlamentares e auxílios. Os valores serão utilizados para quitar as multas estabelecidas na sentença do caso do CNJ, que ainda não foram pagas.
Brasília (DF) 23/04/2024 Deputada Carla Zambelli durante coletiva na Câmara dos Deputados. Foto Lula Marques/ Agência Brasil
A decisão foi comunicada oficialmente à presidência da Câmara, ao Ministério das Relações Exteriores, à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderão tomar providências adicionais.
A assessoria de Carla Zambelli ainda não se manifestou sobre a ordem de prisão e demais determinações do STF.
Levantamento mostra queda na aprovação e alta na rejeição ao governo federal, com maior crítica entre evangélicos e população do Sudeste
A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (4.jun.2025), revela que a reprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu 57% em maio, registrando uma leve alta em relação aos 56% de março. A aprovação caiu para 40%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam ou não responderam. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.
Rejeição cresce entre eleitores de baixa renda e baixa escolaridade
De acordo com os dados, a desaprovação cresceu entre grupos populares, incluindo os eleitores com até o Ensino Fundamental, cuja reprovação passou de 43% para 47%. Entre os brasileiros que ganham até dois salários mínimos, a rejeição subiu de 45% para 49%. Ambos os recortes possuem margem de erro de quatro pontos.
Brasília (DF) 03/06/2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Entre as mulheres, a desaprovação oscilou de 53% para 54%, dentro da margem de três pontos. A variação, embora pequena, indica estabilidade em níveis elevados de rejeição dentro desses grupos que compõem parte do eleitorado que historicamente apoiou o presidente.
Desaprovação entre católicos ultrapassa aprovação
Um dos dados que mais chama atenção é que, pela primeira vez, a reprovação entre católicos (53%) superou a aprovação (45%). Esse movimento aponta uma possível mudança no comportamento de um grupo que, em outros momentos, demonstrava maior adesão ao governo.
Região Sudeste e evangélicos lideram rejeição
A maior rejeição regional foi registrada no Sudeste, onde 64% dos entrevistados disseram desaprovar o governo Lula. A região concentra a maior população do país e tradicionalmente exerce influência sobre os resultados eleitorais.
Entre os evangélicos, a desaprovação chegou a 66%, a mais alta entre os recortes religiosos. No grupo dos que ganham acima de cinco salários mínimos, a rejeição foi de 61%.
Aprovação maior no Nordeste, entre idosos e população preta
Apesar do cenário de rejeição majoritária, alguns grupos ainda demonstram apoio ao governo. No Nordeste, a aprovação ficou em 54%. Entre os que possuem 60 anos ou mais, 52% aprovam a gestão federal. Já entre a população preta, a taxa de aprovação alcançou 51%.
Entre os beneficiários do Bolsa Família, a aprovação caiu de 54% para 51%, enquanto a reprovação se manteve em 44%.
Notícias negativas influenciam avaliação do governo
De acordo com o cientista político e CEO da Quaest, Felipe Nunes, a percepção negativa pode estar associada à repercussão de escândalos e à cobertura crítica da imprensa. Um exemplo citado foi o escândalo no INSS, que teria prejudicado a imagem do governo, mesmo com indicadores econômicos positivos e o lançamento de novos programas sociais.
Brasília (DF) 03/06/2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
“A forte repercussão de notícias como o escândalo do INSS diminuiu o efeito positivo da economia e do lançamento dos novos projetos e programas do governo”, afirmou Nunes.
Metodologia da pesquisa
O levantamento foi realizado entre os dias 29 de maio e 1º de junho de 2025, com 2.004 entrevistas presenciais em todas as regiões do país. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais.
Projeto do Governo do Estado prevê uso dos recursos em saúde, segurança e habitação; administração será da Sefaz
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte aprovou nesta terça-feira (3.jun.2025) o projeto de lei que cria oficialmente a Loteria Estadual do RN. A proposta foi enviada pelo Governo do Estado em abril e agora segue para sanção da governadora Fátima Bezerra (PT).
O projeto prevê uma arrecadação anual de até R$ 25 milhões. Esses recursos deverão ser aplicados prioritariamente em áreas como segurança pública, saúde e habitação, conforme especificado no texto aprovado.
Além da criação da loteria, a proposta institui também o Fundo Estadual da Loteria, que centralizará os valores arrecadados. A administração será de responsabilidade da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz).
Loteria estadual segue decisões do STF
A iniciativa tem como base decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2020 reconheceu que a União não possui exclusividade na exploração de serviços lotéricos. Desde então, estados e o Distrito Federal passaram a ter autonomia para regulamentar e operar seus próprios sistemas de loteria.
A tramitação do projeto ocorreu em regime de urgência, sendo aprovada pela maioria dos deputados estaduais presentes.
Debate e emendas durante votação
A votação provocou debate entre os parlamentares. Dois deputados votaram contra: José Dias (PL) e Adjuto Dias (MDB). Já o deputado Coronel Azevedo (PL) apresentou duas emendas ao texto original.
A primeira propõe autorizar municípios a criarem suas próprias loterias. A segunda trata da atualização das porcentagens de repasse dos recursos arrecadados, em alinhamento com normas federais sobre o tema.
O líder do governo na Assembleia, deputado Francisco do PT, defendeu a criação da loteria como uma alternativa viável para ampliar a capacidade de investimento do Estado em políticas públicas.
Modalidades e estrutura da loteria estadual
A Loteria Estadual do RN poderá operar com diversas modalidades de jogos, nos moldes das loterias já existentes em nível federal. Entre elas:
Concursos de prognósticos numéricos (como a Mega-Sena);
Concursos de prognósticos específicos e esportivos;
Jogos de raspadinhas físicas ou digitais (loteria instantânea).
A operação será regulamentada por planos lotéricos aprovados pela Receita Estadual, e deverá incluir medidas de segurança para garantir a integridade do sistema e combater fraudes.
Previsão de investimento inicial
O projeto prevê a abertura de um crédito especial no valor de R$ 3 milhões para instalação da loteria. Este montante deve viabilizar a implantação da estrutura técnica e tecnológica necessária para o funcionamento do sistema.
Os prêmios não resgatados no prazo de 90 dias após a realização dos sorteios serão revertidos ao Fundo Estadual da Loteria, reforçando o orçamento destinado às áreas prioritárias definidas pelo governo.
A expectativa da gestão estadual é de que, após a sanção da governadora, a Loteria Estadual comece a operar ainda em 2025, com a regulamentação e contratação de operadores via processo licitatório ou convênios.
A crise na saúde pública do Rio Grande do Norte atingiu um novo patamar de gravidade. O Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern) acionou a Justiça Federal para denunciar a falta de medicamentos e insumos básicos nos dois maiores hospitais do estado: o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, e o Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró.
Essa ação judicial é um reflexo do colapso que se instalou na gestão da saúde potiguar. A governadora Fátima Bezerra (PT), que prometeu priorizar áreas essenciais como saúde, segurança e educação, agora vê seu governo afundar em promessas não cumpridas e desculpas esfarrapadas.
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) tenta minimizar a situação, alegando que não há crise e atribuindo os problemas a fatores externos, como a arrecadação do ICMS no ano passado. Essa justificativa é uma afronta à inteligência da população potiguar, que diariamente enfrenta a realidade de hospitais sem materiais básicos e profissionais sobrecarregados – e produtos e serviços cada vez mais caros, dado o aumento do ICMS realizado pela gestão atual.
Os corredores do Walfredo Gurgel, por exemplo, voltaram a ficar lotados, evidenciando a falta de planejamento e gestão eficiente. A propaganda do governo não condiz com a realidade enfrentada por pacientes e profissionais de saúde.
Na segurança pública, embora os dados oficiais apontem para uma redução nos índices de criminalidade, a sensação de insegurança persiste entre os cidadãos. A presença ostensiva de policiais nas ruas não é suficiente para mascarar a falta de políticas públicas eficazes e investimentos estruturais.
Na educação, a situação também é preocupante. Professores da rede estadual entraram em greve neste ano, reivindicando melhores condições de trabalho e o cumprimento de acordos salariais. Aliás: É inadmissível que uma governadora, que é professora de carreira, trate com descaso a educação pública.
A governadora Fátima Bezerra precisa assumir a responsabilidade pelos problemas que assolam o estado. A população do Rio Grande do Norte merece mais do que desculpas e promessas vazias. É necessário agir com transparência, eficiência e compromisso com o bem-estar dos cidadãos.
Desvios foram apurados pela Operação Sem Desconto, da PF
A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta terça-feira (3) que a Justiça Federal em Brasília proferiu novas decisões que determinaram o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de empresas e investigados envolvidos nas fraudes em descontos irregulares nos benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Os bloqueios foram determinados pela juíza federal Luciana Raquel Tolentino de Moura, da 7ª Vara Federal do Distrito Federal, e ocorreram em cinco ações protocoladas pela AGU.
Em cada processo, foram bloqueados R$ 23,8 milhões em bens móveis, imóveis e ativos financeiros de oito empresas e nove pessoas físicas. Os sigilos bancário e fiscal também foram quebrados por determinação judicial.
De acordo com a AGU, há indícios de que as empresas são suspeitas de atuarem como firmas de fechada para praticar os desvios ilegais contra os aposentados. Em troca de autorização para a realização dos descontos, as empresas pagaram propina para agentes públicos.
No mês passado, a AGU pediu o bloqueio de R$ 2,5 bilhões contra 12 entidades associativas e 60 dirigentes. Por determinação da juíza, o caso foi fatiado em 15 ações para facilitar a análise dos pedidos.
As fraudes são investigadas na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga um esquema nacional de descontos de mensalidades associativas não autorizadas. Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões foram descontados de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.
As ações judiciais fazem parte do trabalho do grupo especial montado pela AGU para buscar a recuperação do dinheiro descontado irregularmente dos aposentados.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil / Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Deputada federal foi condenada pelo STF e informou que está fora do Brasil para tratamento de saúde
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta terça-feira (3.jun.2025), a prisão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). O requerimento foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a parlamentar afirmar que saiu do país. Zambelli declarou em entrevista a um canal no YouTube que deixou o Brasil para realizar um tratamento de saúde e que pretende solicitar licença do mandato. A deputada afirmou que está na Europa, sem revelar a localização exata.
Zambelli foi condenada recentemente pelo STF a dez anos de prisão em regime fechado, além do pagamento de R$ 2 milhões por danos coletivos, no processo que trata da invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023. O processo ainda está em fase de recurso, mas a saída do país motivou a manifestação da PGR para decretação de sua prisão.
Condenação por invasão ao CNJ
A condenação de Carla Zambelli refere-se ao episódio em que o sistema do CNJ foi invadido com o objetivo de emitir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. A investigação apontou que a deputada foi a autora intelectual da ação e que o responsável pela execução do hackeamento foi Walter Delgatti Neto, também condenado e colaborador das investigações.
A invasão ocorreu no contexto de ataques institucionais promovidos por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo os autos, Delgatti teria sido orientado por Zambelli a inserir informações fraudulentas no sistema.
Outro processo em andamento no STF
Além da condenação já proferida, Carla Zambelli responde a outro processo criminal no Supremo. Ela virou ré em 2023 por um episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando perseguiu com uma arma de fogo o jornalista Luan Araújo em São Paulo, no bairro dos Jardins.
Na ocasião, a parlamentar alegou legítima defesa após uma discussão com o jornalista. O caso foi julgado no STF, e até o momento, seis ministros votaram pela condenação da deputada a cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto. O julgamento está suspenso devido a um pedido de vista feito pelo ministro Nunes Marques.
Representação do PT na PGR
Também nesta terça-feira, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara, protocolou uma representação na PGR. O documento solicita que a Procuradoria peça a prisão preventiva de Carla Zambelli e que tome medidas adicionais, como a inclusão do nome da parlamentar no alerta vermelho da Interpol, o início do processo de extradição, o bloqueio de bens e a revogação do passaporte diplomático da deputada.
Segundo o parlamentar, essas ações visam garantir a efetividade da Justiça diante da condenação já imposta e da possibilidade de fuga.
Defesa deixa o caso
Após o anúncio de Carla Zambelli sobre sua saída do país, o advogado Daniel Bialski comunicou que deixou a defesa da parlamentar. Em nota, afirmou ter sido apenas informado da viagem para tratamento médico e, por motivo de foro íntimo, decidiu se desligar do caso.
A deputada ainda não se manifestou oficialmente sobre os pedidos de prisão ou sobre as medidas solicitadas à Interpol.
Paciente com pneumonia e insuficiência respiratória não foi transferida por ausência de leitos disponíveis na rede estadual
Uma criança morreu na madrugada desta segunda-feira (3.jun.2025) no município de Parelhas, no interior do Rio Grande do Norte, após não conseguir uma vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica. A paciente foi atendida no Hospital Dr. José Augusto Dantas com um quadro grave de pneumonia e insuficiência respiratória.
Segundo a equipe médica que prestou os primeiros atendimentos, a criança foi entubada e estabilizada ainda na unidade hospitalar. No entanto, os profissionais afirmaram que a paciente precisava de suporte intensivo, indisponível naquele momento. A ausência de vaga para transferência em UTI comprometeu o atendimento necessário. As informações foram publicadas pelo portal 96 FM.
O prefeito de Parelhas, Tiago Almeida, que também é médico, relatou que diversas tentativas foram feitas para viabilizar a transferência da paciente. “Lutamos até o último minuto para conseguir uma vaga de UTI”, declarou. “Fiz ligações, acionei contatos, fiz o que estava ao meu alcance. Mas a vaga não veio. E o tempo, cruel como é nessas horas, venceu.”
Ainda de acordo com Tiago Almeida, a estrutura de atendimento de alta complexidade para pacientes pediátricos é insuficiente no estado. “O suporte que ela precisava não existia. E não existia porque falta estrutura, falta vaga, falta resposta”, afirmou. O gestor municipal também mencionou que esse tipo de ocorrência tem sido recorrente. “Essa não é a primeira vez que isso acontece. Recentemente, outra criança morreu em Caicó na mesma situação.”
A Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) ainda não emitiu nota oficial sobre o caso. O município de Parelhas informou que aguarda uma resposta da pasta sobre a atual situação da oferta de vagas de UTI para crianças em todo o estado.
O prefeito ressaltou o impacto da tragédia sob múltiplas perspectivas: “Sou pai, sou médico, sou prefeito. E, hoje, mais do que tudo, sou um cidadão profundamente indignado com o que estamos enfrentando.”
A morte da criança chama atenção para a carência de atendimentos de alta complexidade em regiões do interior do Rio Grande do Norte, onde os serviços de urgência e emergência especializados são centralizados, dificultando o acesso em situações críticas. “O povo do interior não pode continuar morrendo por falta de estrutura. Não podemos naturalizar o inaceitável”, afirmou Tiago Almeida.
De acordo com dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), atualizados até abril de 2025, o Rio Grande do Norte possui poucos leitos de UTI pediátrica habilitados fora da capital, o que sobrecarrega a rede em Natal e impede respostas ágeis a pacientes do interior. A ausência de um sistema eficiente de regulação de vagas e de transporte rápido também é apontada como um fator que compromete o desfecho de casos urgentes.
Ex-deputado estadual será velado na sede do ABC nesta terça; decreto estadual reconhece trajetória política e serviços prestados ao Rio Grande do Norte
O Governo do Rio Grande do Norte decretou luto oficial de três dias em razão da morte do ex-deputado estadual Cláudio Henrique Pessoa Porpino, ocorrida na segunda-feira, 2 de junho, em Natal. O decreto, de número 34.616, foi publicado em edição extra do Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (3.jun.2025) e assinado pelo governador em exercício, Walter Alves.
O texto do decreto afirma que o luto é decretado “em sinal de profundo pesar”, reconhecendo a trajetória política e os serviços prestados por Cláudio Porpino ao estado. O político, que também atuou como vereador de Natal, exerceu cargos de destaque na administração pública estadual e municipal, incluindo a presidência da Empresa Potiguar de Turismo (Emprotur) e da Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana).
Cerimônia de despedida
O velório de Cláudio Porpino será realizado nesta terça-feira (3), das 12h às 16h, na sede do ABC Futebol Clube, no módulo 1 do Estádio Frasqueirão, localizado em Ponta Negra, zona Sul de Natal. Porpino teve atuação marcante no clube, onde foi assessor da presidência e conselheiro.
Às 16h, terá início o cortejo fúnebre com destino ao cemitério Morada da Paz, em Emaús. No local, uma missa de corpo presente será celebrada às 18h, seguida pelo sepultamento às 19h.
Histórico de saúde e falecimento
Cláudio Porpino morreu após sofrer um mal súbito em sua residência na tarde da segunda-feira (2.jun). Ele não resistiu mesmo após tentativas de reanimação. Em 2023, o ex-parlamentar passou por um período de internação prolongada, com cerca de quatro meses hospitalizado, sendo dois deles em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), devido a problemas renais.
Trajetória política
Além de deputado estadual, Cláudio Porpino teve passagens relevantes pela política e administração pública. Foi vereador de Natal e exerceu funções de destaque na estrutura do Governo do Estado e da Prefeitura da capital potiguar. Atuou como secretário estadual em diversas pastas durante o governo de Wilma de Faria (2003–2010), além de ter presidido a Emprotur.
No âmbito municipal, ocupou cargos em diferentes gestões, incluindo a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, e esteve à frente da Urbana. Sua atuação foi reconhecida por aliados políticos, lideranças partidárias e setores do turismo e do esporte.
Reconhecimento do Governo
O decreto assinado pelo governador em exercício ressalta a relevância da atuação pública de Porpino. A homenagem reforça o impacto de sua trajetória na política local e no serviço público, especialmente por sua ligação com áreas como turismo, mobilidade urbana e administração institucional.
Deputada condenada a 10 anos de prisão por invasão ao sistema do CNJ se diz na Europa e afirma que vai se afastar do cargo
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou nesta terça-feira (3.jun.2025) que está fora do Brasil e que pedirá licença de seu mandato na Câmara dos Deputados. A parlamentar, condenada recentemente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão, informou que está baseada na Europa, embora não tenha revelado o país em que se encontra.
A informação foi divulgada por meio de uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube. No vídeo, Zambelli alegou que viajou inicialmente para dar continuidade a um tratamento médico e que, diante da situação jurídica, pretende solicitar afastamento do cargo parlamentar.
“Queria anunciar que estou fora do Brasil já faz alguns dias. Eu vim, a princípio, buscando tratamento médico que eu já fazia aqui e, agora, eu vou pedir para que eu possa me afastar do cargo”, disse a deputada.
A parlamentar segue os passos de seu correligionário Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também se licenciou do cargo e deixou o país recentemente. “Tem essa possibilidade da Constituição, acho que as pessoas conhecem um pouco mais essa possibilidade hoje em dia porque foi o que o Eduardo fez também”, afirmou.
Zambelli foi condenada pelo STF em 20 de maio de 2025 a dez anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A decisão do Supremo Tribunal Federal também pode acarretar a cassação de seu mandato parlamentar e sua inelegibilidade por pelo menos oito anos após o cumprimento da pena, o que pode deixá-la afastada da vida pública por até 18 anos.
Em agosto de 2023, durante o curso das investigações sobre o caso, o ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão do passaporte de Zambelli. Posteriormente, o documento foi devolvido, e não havia, até então, qualquer impedimento legal para que ela deixasse o país.
A saída do país, no entanto, pode levar o Supremo a reavaliar medidas cautelares. Ministros do STF ouvidos por veículos de imprensa consideram o gesto como uma possível tentativa de fuga. Diante disso, existe a possibilidade de Zambelli ter a prisão preventiva decretada, além de ser incluída na lista de difusão vermelha da Interpol, o que pode acionar mecanismos internacionais de captura.
Mesmo com a condenação, ainda cabem recursos, como embargos de declaração, mas, segundo o rito habitual do STF, após a rejeição desses recursos, pode ser expedido o mandado de prisão para início do cumprimento da pena.
A deputada também pode perder o mandato, já que a condenação transitada em julgado implicará a suspensão de seus direitos políticos. A inelegibilidade, por sua vez, já começa a contar a partir da publicação da decisão, independentemente da execução imediata da pena.
A repercussão sobre a saída do país segue em análise no meio jurídico e político. Ainda não há uma decisão oficial do STF sobre o impacto da viagem de Zambelli na execução de sua condenação ou em eventuais novas medidas cautelares.
Portaria publicada no Diário Oficial da União autoriza seleção para o cargo de Analista do Seguro Social; edital deve sair em até seis meses
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi autorizado pelo Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) a realizar um novo concurso público com 300 vagas para o cargo de Analista do Seguro Social. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta terça-feira (3.jun.2025) e estabelece o prazo de até seis meses para publicação do edital.
As vagas são destinadas exclusivamente a candidatos com nível superior. Segundo a portaria, o descumprimento do prazo resultará na perda da autorização e do orçamento reservado para a realização do certame. O INSS será o responsável pela organização do concurso, incluindo contratação da banca, elaboração do edital e condução de todas as etapas.
O cargo de Analista do Seguro Social integra o Plano de Cargos e Carreiras do órgão e é voltado para atividades técnicas e administrativas de alta complexidade. A função exige formação superior em áreas específicas que serão detalhadas no edital, assim como os critérios de avaliação, conteúdo programático, políticas de cotas e cronograma.
De acordo com a legislação, a aplicação das provas deverá ocorrer no mínimo dois meses após a publicação do edital, garantindo tempo adequado para a preparação dos candidatos. A banca organizadora ainda será definida e poderá ser contratada por meio de licitação ou dispensa, conforme os trâmites legais.
A nomeação dos aprovados dependerá da homologação do resultado final e da declaração formal de adequação orçamentária e financeira por parte do gestor responsável. A expectativa é que os nomeados comecem a ser chamados ainda em 2026, conforme disponibilidade orçamentária e necessidade do INSS.
Nos últimos anos, o Instituto tem enfrentado déficit de servidores, o que tem impactado diretamente na capacidade de atendimento à população. O novo concurso visa minimizar esses impactos e reforçar o quadro técnico da instituição.
O último concurso para Analista do Seguro Social ocorreu em 2015, quando foram ofertadas 150 vagas. A remuneração atual do cargo gira em torno de R$ 8 mil, incluindo benefícios. No entanto, os valores podem variar de acordo com a lotação e as gratificações de desempenho.
O anúncio do novo concurso INSS 2025 já movimenta candidatos em todo o país, especialmente aqueles que aguardavam uma nova seleção para o nível superior. Cursinhos preparatórios devem lançar novas turmas nas próximas semanas com foco específico no conteúdo exigido para a função.
Candidatos interessados devem acompanhar as publicações oficiais do INSS e do Diário Oficial da União para atualizações sobre o edital, cronograma e orientações de inscrição.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Político e produtor cultural faleceu nesta segunda (2) após infarto; ele teve atuação destacada no esporte e na cultura do RN
O ex-deputado estadual do Rio Grande do Norte e ex-dirigente do ABC Futebol Clube, Cláudio Porpino, morreu nesta segunda-feira (2.jun.2025), aos 59 anos, vítima de um infarto fulminante. A informação foi confirmada por pessoas próximas ao clube alvinegro. Porpino também era conselheiro do ABC, produtor cultural e já atuou como Secretário de Esportes de Natal.
Figura conhecida nos meios político, esportivo e artístico do estado, Cláudio Porpino construiu uma trajetória marcada pela defesa da cultura, pelo incentivo ao esporte potiguar e pelo engajamento em pautas sociais durante sua carreira parlamentar.
Natural de Natal, Porpino era filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) durante parte de sua trajetória política. Como deputado estadual, ocupou cadeira na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, onde apresentou projetos voltados ao desenvolvimento social e à valorização de iniciativas culturais. Seu mandato também foi reconhecido pelo apoio a políticas públicas para juventude e inclusão por meio do esporte.
Na esfera executiva, exerceu o cargo de Secretário Municipal de Esportes e Lazer de Natal. Durante sua gestão, defendeu a ampliação de espaços públicos voltados à prática esportiva e o fomento a eventos culturais e desportivos nas comunidades da capital potiguar.
Além da política, Cláudio Porpino teve papel ativo como produtor cultural e articulador de eventos ligados à música e às artes no Rio Grande do Norte. Sua atuação no setor cultural fez com que conquistasse respeito entre artistas locais e produtores independentes. Por meio de projetos, buscava democratizar o acesso à cultura e promover talentos potiguares.
Como conselheiro do ABC Futebol Clube, Porpino era figura constante nos bastidores da equipe alvinegra. Sua ligação com o clube ultrapassava o campo político, tendo participado de gestões e decisões administrativas relevantes ao longo dos anos. Integrantes da diretoria do ABC lamentaram a morte e destacaram sua contribuição ao clube como conselheiro e dirigente.
O velório e sepultamento devem ocorrer em Natal, com detalhes a serem confirmados pela família. Diversas autoridades estaduais e municipais divulgaram notas lamentando o falecimento.
Presidente reage a declarações de autoridades americanas e pede mobilização da esquerda nas redes contra ofensivas bolsonaristas ao Supremo
Durante discurso no 16º congresso nacional do PSB, realizado neste domingo (1º.jun.2025), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou publicamente o governo do ex-presidente norte-americano Donald Trump após o Departamento de Estado dos Estados Unidos sugerir a aplicação de sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Lula condenou a tentativa de interferência estrangeira em decisões do Judiciário brasileiro, ao reagir às declarações recentes do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que indicou haver “grande possibilidade” de sanções contra Moraes. As críticas se referem a decisões do magistrado que impactaram plataformas digitais sediadas nos EUA e figuras ligadas à Casa Branca, como Elon Musk, dono do X (ex-Twitter).
“Você veja, os Estados Unidos querem processar o Alexandre de Moraes porque ele está querendo prender um cara brasileiro que está lá nos Estados Unidos fazendo coisa contra o Brasil o dia inteiro. Ora, que história é essa de os Estados Unidos quererem criticar alguma coisa da Justiça brasileira? Nunca critiquei a Justiça deles”, afirmou Lula.
O pronunciamento de Lula ocorreu no evento do PSB que marcou a eleição do prefeito do Recife, João Campos, para a presidência do partido, em substituição a Carlos Siqueira. A legenda é a mesma do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
A reação do presidente brasileiro se soma à crescente tensão política entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e o STF. Lula fez referência à atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos e articula apoio ao governo Trump para pressionar por sanções ao Supremo. No Congresso norte-americano, Eduardo vem contando com apoio de parlamentares considerados parte de uma “bancada anti-Moraes”.
Na última quinta-feira (29.mai), o Bureau of Western Hemisphere Affairs (WHA), órgão vinculado ao Departamento de Estado dos EUA, publicou uma mensagem em português no X afirmando que “nenhum inimigo da liberdade de expressão dos americanos será perdoado”, dias após Rubio citar as sanções ao ministro do STF.
Além da crítica direta ao governo Trump, Lula alertou sobre as estratégias políticas do bolsonarismo para as eleições de 2026, especialmente para o Senado. Segundo ele, a intenção é formar uma “superbancada” para confrontar o Supremo e tentar aprovar pedidos de impeachment de ministros da Corte, com foco em Moraes.
“Não que a Suprema Corte seja uma maçã doce. Não, é porque precisamos preservar as instituições que garantam a democracia deste País. Se a gente for destruir o que não gosta, não vai sobrar nada”, disse.
Lula também convocou os militantes da esquerda a disputarem espaço nas redes sociais com maior intensidade. O presidente destacou que a extrema direita tem tido protagonismo digital e que é preciso fazer frente a isso com engajamento.
“Muitas vezes a extrema direita faz a gente recuar. Vamos fazer uma revolução na rede digital. Temos que rebater na hora. Cada um de vocês tem que virar um influencer na internet. Atacou o PSB? Pau em quem atacou o PSB”, declarou Lula, em referência à necessidade de reação imediata no ambiente digital.
Durante o congresso do PSB, o presidente também comentou sobre a possibilidade de disputar a reeleição em 2026. “Para ser candidato, eu preciso estar 100% de saúde como estou hoje”, afirmou.
Crise do IOF e articulação com o Congresso
Ainda durante o evento, Lula se referiu à recente crise provocada pelo aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que gerou reações negativas no Congresso Nacional e no mercado financeiro. O presidente defendeu o diálogo entre Executivo e Legislativo para garantir governabilidade e aprovação de pautas.
Lula citou diretamente o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como parceiros no processo de articulação política. Segundo o presidente, decisões devem ser compartilhadas com os líderes partidários antes de serem anunciadas pelo governo.
“O correto não é tomar a decisão e depois comunicar. É chamar as pessoas para decidir junto com a gente. Quando chega no Congresso, já está mais alinhado. Se o Congresso não concordar, ninguém tem obrigação de aprovar. Nosso papel é convencer da importância”, disse Lula.
Com nova queda, parcela da estatal no preço da gasolina C ao consumidor será de R$ 2,08 por litro
A Petrobras anunciou que vai reduzir o preço médio da gasolina A vendida às distribuidoras a partir desta terça-feira (3.jun.2025). Segundo comunicado da estatal, o valor passará de R$ 3,02 para R$ 2,85 por litro, representando uma queda de R$ 0,17 por litro, ou 5,6%.
A gasolina A é o produto fornecido diretamente pela Petrobras às distribuidoras, que posteriormente fazem a mistura com etanol anidro para formar a gasolina C — tipo comercializado nos postos de combustíveis em todo o país.
Com a mistura obrigatória de 27% de etanol anidro e 73% de gasolina A, a empresa calcula que a sua participação no preço final da gasolina C repassada ao consumidor será reduzida para R$ 2,08 por litro. Isso representa uma queda de R$ 0,12 por litro.
Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira (2), no Rio de Janeiro, a Petrobras explicou que a política de preços da companhia segue critérios de mercado, levando em conta fatores como custos de produção, concorrência e o valor do petróleo no mercado internacional.
Histórico de reajustes
Desde dezembro de 2022, a Petrobras já acumulou uma redução de R$ 0,22 por litro no valor da gasolina A vendida às distribuidoras. Isso equivale a uma queda de 7,3% no período. Ao considerar a inflação acumulada nesse intervalo, a estatal calcula que o impacto real da redução chega a R$ 0,60 por litro, o que representa um recuo de 17,5% em termos reais.
A estatal afirma que essa estratégia de ajuste nos preços busca preservar a competitividade da empresa no mercado interno sem repassar imediatamente as oscilações do mercado internacional para o consumidor final.
Composição de preços
A Petrobras reforça que o preço cobrado nas refinarias não corresponde ao valor final pago pelos motoristas nos postos. O preço da gasolina C ao consumidor inclui, além da parcela da Petrobras, os custos da mistura com etanol anidro, margens de distribuição e revenda, e a carga tributária, composta por impostos como ICMS, Cide, PIS/Pasep e Cofins.
A companhia também destaca que o valor cobrado nas bombas pode variar entre estados e postos, devido às diferentes alíquotas de ICMS aplicadas pelas unidades federativas e às margens praticadas pelos revendedores.
Transparência ao consumidor
Para promover a transparência e facilitar o acompanhamento dos preços dos combustíveis, a Petrobras mantém uma seção dedicada em seu site institucional. Nela, os consumidores podem acessar informações detalhadas sobre a formação e composição dos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha.
A empresa afirma que esse esforço visa ampliar a compreensão da população sobre a política de preços praticada pela estatal e os fatores que influenciam o valor final dos combustíveis no país.
A prefeita de Parnamirim, Professora Nilda, apareceu em meio à multidão durante a Marcha para Jesus 2025, realizada neste fim de semana na cidade. Ao lado da vice-prefeita Kátia Pires e da vereadora e filha, Rafaela de Nilda, a gestora posou sorridente para fotos, participou dos momentos de oração e fez questão de marcar presença em um dos maiores eventos de apelo popular do calendário cristão local.
O evento, como noticiado por veículos de imprensa, foi de fato um sucesso de público. Milhares de fiéis ocuparam as ruas com louvores, manifestações de fé e palavras de esperança. Mas, por mais simbólico que o ato tenha sido para a comunidade evangélica da cidade, não se pode ignorar o uso político-religioso da ocasião por parte da prefeita e de seu grupo familiar e político.
Não é de hoje que o editorial do Por Dentro do RN vem apontando a estratégia de marketing da prefeita Nilda em detrimento de entregas reais à população. Em um texto publicado recentemente, destacamos que a atual gestão se especializou em publicidade, aparições públicas e discursos bem ensaiados — enquanto os problemas de Parnamirim seguem se acumulando sem solução à vista.
A participação em um evento de fé não é, por si só, algo condenável. Ao contrário: é até desejável que lideranças estejam próximas da população e compartilhem de suas vivências. O problema começa quando esse tipo de presença passa a ser usado como cortina de fumaça para esconder a ausência de resultados concretos.
Aparentemente, a prefeita Nilda tem investido mais tempo em redes sociais e eventos do que em ações efetivas que transformem a realidade de Parnamirim. A saúde pública continua em colapso, com postos de atendimento sucateados e falta de médicos. A mobilidade urbana é um caos, principalmente na região de Nova Parnamirim, que cresceu sem planejamento e agora sofre com engarrafamentos, calçadas destruídas e ausência de transporte digno. A educação municipal também dá sinais de fragilidade, com relatos de infraestrutura precária em diversas escolas da rede.
Enquanto isso, vemos a prefeita e sua equipe ocupando espaços de grande visibilidade emocional — como a Marcha para Jesus — para reforçar uma imagem de proximidade, fé e carisma. A mistura entre religião e política, tão delicada, vem sendo usada como ferramenta eleitoral antecipada, criando uma narrativa de “gestora do povo” que não condiz com a ausência de resultados práticos.
E chama muita atenção a naturalidade com que isso é feito. Em vez de prestar contas à população, a prefeita distribui sorrisos em suas publicações nas redes sociais, cultos e eventos — como se isso fosse suficiente para suprir a falta de políticas públicas estruturantes. E o mais grave: a presença da filha vereadora e da vice-prefeita no mesmo palanque é também sinal de que o projeto de poder se expande em família, visando perpetuar-se no comando da máquina pública local.
O povo de Parnamirim merece mais do que marketing religioso. Merece obras entregues, hospitais funcionando, ruas asfaltadas, escolas seguras e transporte eficiente. A fé deve ser respeitada, mas jamais utilizada como escudo para encobrir ineficiência administrativa.
A Marcha para Jesus, evento legítimo e valioso para a comunidade cristã, não pode servir como palco de encenação para uma gestão que tem falhado em entregar o básico. É hora de os cidadãos pararem de se contentar com presença em eventos e começarem a cobrar ações de verdade.
A pergunta que precisa ser feita à prefeita Nilda é simples e direta: quantas escolas foram reformadas este ano? Quantas unidades de saúde receberam novos profissionais? Onde estão as obras de infraestrutura prometidas em campanha? Porque, por mais fé que a população tenha, ela não caminha só com orações. Caminha com dignidade, estrutura e respeito.
Enquanto isso não acontecer, o povo seguirá marchando — mas não em direção ao progresso, e sim à desilusão com mais um governo que prometeu muito e entregou pouco.
Contribuintes que perderam o prazo estão sujeitos a multa e restrições no CPF
O prazo para envio da declaração do Imposto de Renda 2025 encerrou-se às 23h59 da última sexta-feira, 30 de maio. No Rio Grande do Norte, 440.434 contribuintes enviaram suas declarações à Receita Federal dentro do prazo estipulado. O número, no entanto, ficou abaixo da expectativa do Fisco, que previa 469.194 declarações no estado. A diferença representa um déficit de 28.760 envios.
Contribuintes que estavam obrigados a declarar, mas não o fizeram até o fim do prazo, estão sujeitos a penalidades. A multa por atraso tem valor mínimo de R$ 165,74 e pode chegar até 20% do valor do imposto devido. Além disso, a Receita Federal aplica juros sobre o valor da multa, o que torna mais oneroso o atraso quanto maior for o tempo de regularização.
A contagem para a aplicação da multa começa no primeiro dia útil seguinte ao fim do prazo, ou seja, em 1º de junho. A cobrança deixa de aumentar no momento em que o contribuinte realiza a entrega da declaração, com o pagamento da multa sendo feito por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) emitido no ato da regularização.
Além da penalidade financeira, os contribuintes que não entregarem a declaração podem enfrentar outras consequências. O Cadastro de Pessoa Física (CPF) pode ser classificado como “pendente de regularização” ou “omisso na entrega da declaração”. Com isso, o cidadão pode ter restrições em diversas situações, como:
Dificuldade na obtenção de financiamentos e empréstimos bancários;
Impedimentos para participação em programas sociais do governo federal;
Restrições para emissão de passaporte;
Limitações para inscrição em concursos públicos e matrículas em instituições de ensino.
Para quem perdeu o prazo, a orientação é realizar a entrega da declaração o quanto antes, minimizando o impacto dos juros e da multa. O procedimento é o mesmo, e o sistema da Receita Federal emite automaticamente o Darf correspondente à penalidade.
Segundo informações da Receita Federal, o contribuinte que regularizar sua situação e pagar a multa não terá mais pendências junto ao órgão. O status do CPF será normalizado após o processamento da declaração e a quitação da Darf correspondente.
Aqueles que ainda tiverem dúvidas sobre a obrigatoriedade ou sobre como proceder na entrega fora do prazo podem consultar as informações atualizadas no site da Receita Federal (www.gov.br/receitafederal). É possível ainda contar com auxílio de profissionais da área contábil para garantir o correto envio dos dados e evitar novos problemas no futuro.
Em 2025, a obrigatoriedade de declarar o Imposto de Renda incluiu contribuintes com rendimentos tributáveis acima de R$ 30.639,90 ao longo de 2024, entre outros critérios. Também precisaram declarar pessoas com bens superiores a R$ 800 mil, investidores na bolsa de valores, entre outros casos previstos pela legislação.
Presidente condiciona candidatura à reeleição em 2026 ao estado de saúde e alerta para ofensiva bolsonarista no Senado e ataques dos EUA ao STF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (1º.jun.2025) que poderá disputar a reeleição em 2026, desde que mantenha as boas condições de saúde atuais. A declaração foi feita durante o congresso nacional do PSB, em Brasília. Na ocasião, Lula também criticou a tentativa do governo dos Estados Unidos de processar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, defendeu a preservação das instituições democráticas e alertou para os riscos de uma nova ofensiva da extrema direita nas eleições para o Senado.
Em seu discurso, Lula destacou que o retorno da extrema direita ao comando do país dependerá diretamente de sua disposição para concorrer novamente. “Podem ter certeza de uma coisa: se eu estiver bonitão do jeito que estou, apaixonado do jeito que eu estou e motivado do jeito que eu estou, a extrema direita não volta a governar este País nunca mais”, afirmou o presidente, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Lula tem 79 anos e enfrentou problemas de saúde nos últimos meses, incluindo um episódio de queda no banheiro em 2024, que exigiu procedimentos médicos para conter um sangramento intracraniano. O estado físico do presidente é considerado fator decisivo na definição sobre a possível candidatura à reeleição.
Durante o evento, Lula também voltou a chamar atenção para a disputa no Senado em 2026. Segundo ele, há articulações de setores bolsonaristas para formar uma “superbancada” na Casa, o que abriria caminho para embates com o Supremo Tribunal Federal, inclusive com tentativas de impeachment de ministros. A renovação de dois terços das 81 cadeiras do Senado está prevista para as eleições gerais de 2026.
De acordo com a Constituição Federal, cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. A legislação que regulamenta esse processo é a Lei nº 1.079/1950, conhecida como Lei do Impeachment. Até hoje, nenhum ministro do Supremo foi alvo de um processo desse tipo.
Lula argumentou que a defesa do Supremo não significa endosso incondicional às suas decisões, mas sim uma medida de proteção à democracia brasileira. “Não que a Suprema Corte seja uma maçã doce. Não, é porque precisamos preservar as instituições que garantam a democracia deste País. Se a gente for destruir o que não gosta, não vai sobrar nada”, declarou.
Outro ponto abordado pelo presidente foi a insatisfação com ações do governo dos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes. Recentemente, o nome do ministro passou a ser mencionado por autoridades norte-americanas como possível alvo de sanções, após decisões que impactaram plataformas digitais sediadas nos EUA e figuras ligadas ao ex-presidente Donald Trump, como Elon Musk.
O presidente brasileiro reagiu às críticas com veemência. “Você veja, os Estados Unidos querem processar o Alexandre de Moraes porque ele está querendo prender um cara brasileiro que está lá nos Estados Unidos fazendo coisa contra o Brasil o dia inteiro. Ora, que história é essa de os Estados Unidos quererem criticar alguma coisa da Justiça brasileira? Nunca critiquei a Justiça deles. Eles fazem tanta barbaridade, tantas guerras, eu nunca critiquei”, disse.
Ao final do discurso, Lula também destacou a necessidade de a esquerda ampliar sua atuação nas redes sociais. Segundo ele, o ambiente digital tem sido dominado por vozes da ultradireita, com maior engajamento e presença online. O apelo se estendeu à militância progressista e aos partidos aliados, para que ampliem sua presença e narrativa nas plataformas digitais.
O congresso nacional do PSB marcou a posse do novo presidente da legenda, João Campos, prefeito do Recife, de 31 anos. Campos é apontado como uma das principais lideranças da esquerda com forte atuação nas redes sociais e figura crescente no cenário político nacional.
Empresa pública prevê contrato de 30 dias com motorista, combustível e veículos para diretores
Os Correios abriram uma licitação para contratar quatro carros de luxo que ficarão à disposição de membros da diretoria da estatal. A contratação terá vigência de 30 dias e inclui, além dos automóveis, combustível e motorista. O processo ocorre em meio ao anúncio de um prejuízo de R$ 2,6 bilhões em 2024.
Segundo informações obtidas pela revista Veja, o valor exato da licitação está sob sigilo. No entanto, o documento divulgado pelos Correios detalha as especificações mínimas exigidas para os veículos a serem contratados.
Entre as exigências, os automóveis devem ser preferencialmente pretos, novos ou seminovos com até três anos de uso ou 120 mil quilômetros rodados. Os carros devem ser movidos a combustão ou híbridos, com potência mínima de 150 cavalos e porta-malas com capacidade mínima de 300 litros.
Conforme os critérios definidos, um dos veículos deverá ser um utilitário esportivo grande, destinado ao “Executivo I”, enquanto os outros três veículos serão sedãs médios para uso de “Executivos II”.
A licitação foi divulgada poucos dias após os Correios anunciarem perdas bilionárias. No dia 9 de maio, a empresa estatal informou um prejuízo de R$ 2,6 bilhões no exercício de 2024.
O cenário das estatais federais também foi detalhado pelo Banco Central. Na sexta-feira (30), o órgão revelou que as estatais federais acumularam um déficit de R$ 2,69 bilhões no primeiro quadrimestre de 2025. Em contraste, as empresas estatais estaduais registraram superavit de R$ 573 milhões no mesmo período.
Os dados evidenciam o desafio enfrentado por empresas públicas na gestão de recursos e eficiência operacional. A licitação dos Correios, mesmo com a vigência limitada a um mês, reacende o debate sobre o uso de recursos públicos e os critérios adotados por estatais para gastos administrativos.
Até o momento, os Correios não detalharam os critérios que justificam a contratação dos veículos e os objetivos do contrato temporário, que segue em fase de recebimento de propostas.
Abertura do evento reuniu cerca de 75 mil pessoas e movimentou o comércio ambulante; programação se estende até o fim de junho em vários polos da cidade
O São João de Natal 2025 teve início neste sábado (31.jun.2025), na Praia da Redinha, com uma noite de atrações musicais, estrutura inclusiva e grande movimentação econômica. A abertura oficial do evento, realizada na chamada “Avenida da Alegria”, reuniu aproximadamente 75 mil pessoas, de diversas regiões da capital e visitantes de fora do estado. A festa se estende até o dia 29 de junho, com programação distribuída por vários polos da cidade.
A noite de estreia contou com shows de Capilé, Márcia Felipe e Bell Marques, que atraiu o público com seus grandes sucessos e declarou sentir-se em casa em Natal, cidade onde já recebeu o título de cidadão natalense. A atmosfera foi marcada por diversidade musical, segurança e um forte apelo à inclusão.
O evento é promovido pelo município com a coordenação da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), Secretaria Municipal de Cultura (Secult) e Secretaria de Turismo (Setur), com apoio de diversas outras pastas que atuam na organização, mobilidade urbana e segurança.
Inclusão e segurança marcaram a primeira noite
A estrutura montada na Avenida da Alegria priorizou a acessibilidade. O Camarote Solidário PicPay recebeu doações de latas de leite destinadas a instituições beneficentes e ofereceu espaço reservado para pessoas com deficiência (PCDs). A segurança foi reforçada com a operação “Arraiá Seguro”, coordenada pela Secretaria Municipal de Segurança Pública (Semdes), com atuação conjunta da Guarda Municipal, Polícia Civil e Polícia Militar.
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) implementou um esquema especial para garantir a fluidez no trânsito e a proteção dos pedestres durante o evento, o que foi reconhecido por participantes como um diferencial da festa.
Vendedores ambulantes comemoram faturamento
Além da proposta cultural e de entretenimento, o São João de Natal gerou efeitos concretos na economia local. Comerciantes e ambulantes instalados no entorno da festa comemoraram o volume de vendas e o movimento acima do esperado.
Fátima Serafim, que trabalha com vendas de bebidas, afirmou que o público surpreendeu pela quantidade e organização. “Foi como no Carnaval. A estrutura está organizada, a segurança funcionando e as vendas superaram as expectativas”, relatou.
Raelson da Silva, outro comerciante presente na Redinha, também elogiou o resultado da primeira noite. “Consegui vender tudo antes mesmo do último show. Estou otimista com os próximos dias”, afirmou.
A Prefeitura de Natal estabeleceu normas para organização do comércio ambulante nos polos da festa, com base na Portaria Especial nº 5745, de 17 de maio de 2025. O documento, disponível no site oficial do município, define as diretrizes para garantir a segurança do público e o ordenamento dos vendedores.
Programação se estende por toda a cidade
O São João de Natal 2025 segue até 29 de junho e será realizado em vários polos da cidade, além da Redinha. A programação inclui apresentações na Arena das Dunas (Zona Sul), Cidade da Esperança (Zona Oeste), Ginásio Nélio Dias (Zona Norte) e em outros pontos da capital potiguar.
Artistas como Alok, Luan Santana, Simone Mendes, Xand Avião, Mari Fernandez, Raça Negra, Belo, Pablo, Calcinha Preta, Flávio José e Henry Freitas estão entre os nomes confirmados nas próximas semanas. A expectativa é de que o evento continue movimentando a economia local e fortalecendo o turismo cultural da cidade.
De acordo com dados divulgados pela gestão municipal, o objetivo é superar os números do Carnaval, que gerou mais de R$ 190 milhões em faturamento. A estratégia de descentralização dos polos, a gratuidade dos shows e o reforço na segurança pública são apontados como fatores que contribuem para atrair público e aquecer setores como comércio, turismo e alimentação.
Foto: Magnus Nascimento/Prefeitura de Natal/Ilustração
Ex-presidente participa de seminário em Mossoró, visita obras, hospitais e recebe títulos de cidadania no RN
O ex-presidente Jair Bolsonaro cumprirá agenda no Rio Grande do Norte entre os dias 12 e 14 de junho de 2025. A visita contempla compromissos políticos, religiosos e institucionais em diversas cidades do estado, incluindo Natal, Mossoró, Santa Cruz, Acari e Jucurutu.
Entre os destaques da programação estão o agradecimento aos profissionais de saúde que o atenderam no Estado, a participação no seminário do projeto Rota 22, a visita a obras executadas com recursos federais durante sua gestão e encontros com apoiadores e influenciadores digitais.
Dia 12 de junho: chegada, títulos e visita à orla de Natal
A chegada do ex-presidente está prevista para as 11h no Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante.
Ao meio-dia, Bolsonaro almoçará com influenciadores digitais potiguares. Às 14h30, participará da entrega de títulos de Cidadão Natalense e Cidadão Norte-Rio-Grandense na Câmara Municipal de Natal.
Às 16h, Bolsonaro visitará a obra de engorda da praia de Ponta Negra, executada com recursos federais durante sua gestão, na área próxima ao Morro do Careca, principal cartão-postal da capital potiguar.
Dia 13 de junho: visitas a hospitais, cidades do Seridó e Mossoró
A programação de sexta-feira começa às 7h com visita ao Hospital Rio Grande, em Natal, onde Bolsonaro prestará agradecimentos pelo atendimento médico recebido anteriormente na unidade.
Às 9h30, ele seguirá para Tangará. Em seguida, às 10h30, irá à cidade de Santa Cruz, onde visitará o Hospital Municipal e o Santuário de Santa Rita de Cássia, ponto de peregrinação religiosa da região.
No início da tarde, às 13h, Bolsonaro estará em Acari, onde conhecerá a chamada “Cidade da Moda”. Em seguida, às 15h, visita a Barragem de Oiticica, em Jucurutu, uma das principais obras hídricas do estado, que teve boa parte de sua execução durante o governo federal anterior.
A agenda do dia será encerrada às 19h, com presença no evento Mossoró Cidade Junina, tradicional festejo do interior potiguar.
Dia 14 de junho: compromissos em Mossoró e retorno
O último dia da visita começa às 7h, com visita ao Anel Viário de Mossoró. Ainda pela manhã, Bolsonaro receberá o título de Cidadão Mossoroense.
Às 8h, participa do seminário Rota 22, no Garbos Hotel, evento político que reúne apoiadores e lideranças locais.
O retorno ao aeroporto de São Gonçalo do Amarante está previsto para as 14h30, encerrando a agenda no Rio Grande do Norte.
Foto: Isac Nóbrega/PR / Alan Santos/PR / Clauber Cleber Caetano/PR
Pacote fiscal de maio eleva IOF e reforça série de medidas que ampliaram carga tributária desde o início da atual gestão
Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023, o governo federal anunciou 24 medidas de criação ou aumento de tributos. O movimento, que corresponde a uma nova medida tributária a cada 37 dias, ganhou um novo capítulo no fim de maio com a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), como parte de um pacote fiscal que também congelou R$ 31,3 bilhões do orçamento.
A série de mudanças provocou aumento na carga tributária nacional, que alcançou o maior patamar da história, segundo dados compilados por entidades do setor. Parte das medidas ainda tramita no Congresso Nacional, mas a maioria já está em vigor.
Entre os tributos alterados ou criados desde o início de 2023, destacam-se iniciativas que incidem diretamente sobre o consumo, como a reoneração de combustíveis, o fim de isenções para importações específicas e a criação de novas cobranças para setores como comércio eletrônico e apostas online.
Veja abaixo a lista de medidas anunciadas pelo governo federal desde janeiro de 2023:
Reversão das alíquotas reduzidas de PIS/Cofins sobre receitas financeiras de grandes empresas
Retorno da cobrança de PIS, Cofins e Cide sobre gasolina e etanol
Criação de imposto sobre exportação de petróleo
Retirada do ICMS da base de cálculo de créditos de PIS/Cofins
Taxação de apostas eletrônicas (bets)
Criação de imposto sobre importações do e-commerce
Aumento do IPI para armas de fogo
Elevação do imposto de importação sobre painéis solares
Fim da isenção para importação de veículos elétricos
Retomada da incidência de IRPJ e CSLL sobre benefícios fiscais
Limitação ao uso de Juros sobre Capital Próprio
Aplicação de “come-cotas” sobre fundos exclusivos
Tributação de rendimentos no exterior (offshores)
Retorno do PIS e Cofins sobre diesel e biodiesel
Ampliação da chamada “taxa das blusinhas” para compras abaixo de US$ 50
Retomada e posterior revogação do DPVAT
Estimativa de IVA em 28%, com teto de 26,5%
Proposta de “imposto do pecado” sobre produtos como bebidas e cigarros
Proposta de imposto sobre altas rendas e dividendos
Proposta de imposto mínimo global de 15% sobre lucros de multinacionais
Aumento para 25% do imposto de importação sobre aço e ferro
Reoneração da folha de pagamento de prefeituras e setores econômicos
Extinção do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse)
Aumento do IOF
Além dessas medidas já anunciadas, o governo também estuda a criação de um tributo específico para as chamadas big techs — empresas globais do setor de tecnologia como Meta, Alphabet, Microsoft, Amazon, Apple e Netflix. Embora discutido desde 2023, o projeto ainda não foi formalmente encaminhado.
Carga tributária em alta
O conjunto de ações fiscais tem sido associado ao objetivo de aumentar a arrecadação para cobrir déficits orçamentários e financiar programas do governo. Especialistas do setor tributário apontam que a maior parte das medidas tem caráter emergencial e incide sobre o consumo, o que impacta diretamente a população em geral.
Apesar de sinalizações em favor de uma reforma tributária com foco em simplificação e progressividade, o modelo atual continua concentrando a maior parte da arrecadação nos impostos indiretos, que não diferenciam a capacidade contributiva dos pagadores.
Estados e municípios também elevam tributos
Paralelamente às ações do governo federal, estados e municípios também implementaram ajustes em suas estruturas tributárias. Diversos estados elevaram a alíquota padrão do ICMS, inclusive sobre combustíveis. Com a reforma tributária aprovada, estados poderão instituir o IPVA sobre aeronaves e embarcações.
O novo modelo tributário também prevê mudanças no Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), com possibilidade de aplicação de alíquotas progressivas e cobrança sobre doadores e herdeiros residentes no exterior.
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil / Joédson Alves/Agência Brasil
O projeto de lei que destina parte dos recursos arrecadados com multas de trânsito para a formação de condutores de baixa renda também determina a obrigatoriedade de realização de exame toxicológico para primeira habilitação nas categorias “A” e “B”. O texto aguarda a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Atualmente, a exigência é somente para os condutores de categorias C, D e E, seja na primeira habilitação ou nas renovações. Agora, quem for tirar a primeira habilitação deverá apresentar o exame toxicológico negativo, a ser realizado em clínicas credenciadas pelo órgão de trânsito, com análise retrospectiva mínima de 90 dias.
O projeto permite que as clínicas médicas cadastradas para fazer exames de aptidão física e mental façam coleta de material para realização do exame toxicológico, a ser realizado em laboratório credenciado.
O exame é utilizado para a detecção de anfetaminas (anfetamina, metanfetamina, MDA, MDMA, anfepramona, femproporex), mandizol, canabinoides (Carboxy THC) e opiáceos (cocaína, benzoilecgonina, cocaetileno, norcocaína, opiáceos, morfina, codeína e heroína). A validade do exame toxicológico também é de 90 dias, contados a partir da data da coleta da amostra.
O projeto aprovado, de autoria do deputado José Guimarães (PT-CE), prevê a destinação dos recursos obtidos com as multas de trânsito para garantir a gratuidade da formação para a habilitação de condutores de baixa renda.
Serão beneficiadas as pessoas de baixa renda que estejam no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
O custeio, previsto no projeto, abrangerá as taxas e demais despesas relativas ao processo de formação de condutores e ao documento de habilitação.
Atualmente, a legislação de trânsito prevê que os recursos provenientes de multas devem ser aplicados exclusivamente em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito.
Transferência
O projeto permite ainda a realização de transferência de veículos em plataforma eletrônica, com o contrato de compra e venda referendado por assinaturas digitais qualificadas ou avançadas. O texto diz que o processo poderá ocorrer junto a plataformas dos Detrans ou da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
Neste último caso, o processo terá validade em todo o território nacional e deverá ser obrigatoriamente acatada pelos Detrans.
A assinatura eletrônica avançada dos contratos de compra e venda de veículos deve ser realizada por meio de plataforma de assinatura homologada por esses órgãos, conforme regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil / Pedro Ventura/Agência Brasília / Edilson Rodrigues/Agência Senado
Projeto ainda precisa de aprovação na Câmara dos Deputados
Um projeto de lei aprovado pelo Senado nesta semana estabelece restrições para a propaganda de jogos de apostas esportivas de quotas fixas, as chamadas bets. O texto, que ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados para entrar em vigor, proíbe a realização de anúncios ou ações de publicidade com atletas, artistas, comunicadores, influenciadores ou autoridades.
De autoria do senador Styvenson Valentim (PSDB-RN), o texto foi aprovado na quarta-feira (28) na Comissão de Esporte, na forma de um substitutivo do relator, Carlos Portinho (PL-RJ). A votação final seria na Comissão de Comunicação e Direito Digital (CCDD), que ainda não foi instalada. Por esse motivo, o texto foi encaminhado para o plenário com pedido de urgência.
EDILSON RODRIGUES/AGENCIA SENADO
O objetivo do projeto é evitar o impacto da prática de apostas esportivas na população brasileira, especialmente com foco na proteção de públicos vulneráveis, como crianças e adolescentes. A regulação das ações de marketing e propaganda desse tipo de aposta busca estabelecer critérios e limites claros para a veiculação de conteúdos publicitários, “contribuindo para a transparência do setor e a preservação do interesse público”.
O projeto proíbe a promoção de programas e ações de comunicação que ensinem ou estimulem de forma direta ou subliminar a prática de jogos de apostas, além de não permitir o uso da imagem ou a participação de atletas, ex-atletas, artistas, comunicadores, influenciadores, autoridades, membros de comissões técnicas profissionais ou qualquer pessoa física, ainda que na condição de figurantes, na publicidade das bets. A única exceção é de ex-atletas, após cinco anos de encerramento da carreira.
Também é proibido o patrocínio, direto ou indireto, a juízes e demais membros da equipe de arbitragem de competições esportivas, assim como o uso de animações, desenhos, mascotes, personagens ou quaisquer recursos audiovisuais, inclusive gerados por inteligência artificial, dirigidos ao público infantojuvenil de forma direta ou subliminar.
Além disso, as peças publicitárias não deverão mostrar as apostas como socialmente atraentes, como forma de promoção do êxito pessoal, alternativa a emprego, solução para problemas financeiros, fonte de renda adicional, forma de investimento financeiro, garantia ou promessa de retorno financeiro.
Outro ponto é que não será permitida a promoção de programas e ações de comunicação que ensinem ou estimulem de forma direta ou subliminar a prática de jogos de apostas e o envio de mensagens, chamadas, correspondências, notificações por aplicativos ou quaisquer outras formas de comunicação sem o consentimento prévio, livre, informado e expresso do destinatário.
As restrições aprovadas pelos senadores também incluem a proibição de publicidade em suporte impresso; do impulsionamento de conteúdo fora dos horários permitidos, ainda que originado dos canais oficiais dos operadores de apostas, e a veiculação de publicidade de teor sexista, misógino ou discriminatório, inclusive a objetificação do corpo humano ou a associação de apostas a estereótipos de gênero.
Fica proibida a veiculação de cotações (odds) dinâmicas ou probabilidades atualizadas em tempo real durante a transmissão de jogos e eventos esportivos ao vivo, salvo quando exibidas exclusivamente nas próprias páginas, sites de internet ou aplicativos dos agentes operadores licenciados.
Permissões
A publicidade estática ou eletrônica das bets em estádio e praças esportivas será permitida apenas para o caso de patrocinador do evento, detentor de direitos do estádio ou quando a bet for patrocinadora no uniforme das equipes.
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As peças publicitárias deverão transmitir avisos de desestímulo ao jogo e de advertência sobre os malefícios da prática e ser veiculados pelos agentes operadores de forma clara e ostensiva, permitindo sua fácil leitura ou audição pelo público. Os avisos conterão, obrigatoriamente, a frase “apostas causam dependência e prejuízos a você e a sua família”, sem prejuízo de outras mensagens previstas em regulamento ou acrescidas pelas operadoras de bets.
O projeto mantém a permissão para que as bets possam patrocinar equipes esportivas, com a aposição de suas marcas nos uniformes, equipamentos e material de campo das equipes. Também permanece a proibição para a aplicação em uniformes de atletas menores de 18 anos.
Quando destinada ao público infantojuvenil, ou ofertada em tamanhos infantis, a venda de uniforme de agremiações ou equipes esportivas patrocinadas pelas operadoras de bets não poderá conter a marca, logomarca ou qualquer outro elemento identificador do patrocinador.
O texto estabelece limitações para a veiculação de publicidade de bets no rádio, na TV aberta, por assinatura, streaming, redes sociais e internet. No caso do rádio, a legislação estabelece limitação para veiculação em dois períodos: das 9h às 11h e das 17h às 19h30.
Na TV aberta, por assinatura, serviços de streaming, redes sociais e demais provedores de aplicação de internet será admitida exclusivamente no período compreendido entre 19h30 e 24h.
A limitação horária não se aplica ao conteúdo disponibilizado diretamente em sites, páginas ou aplicativos de titularidade dos patrocinados por operadores de apostas de quota fixa, cujo acesso dependa de ato voluntário do usuário, sendo vedado o impulsionamento de conteúdo fora dos horários permitidos.
Por outro lado, o projeto permite o patrocínio, sem restrição de horário, a eventos e programas esportivos, culturais ou jornalísticos, inclusive aqueles transmitidos por rádio, televisão ou plataformas digitais, mediante simples exposição da marca, logomarca ou outro elemento identificador do patrocinador. Fica vedada a inserção de mensagens publicitárias, além daquelas estritamente necessárias à identificação do patrocínio.
Durante a transmissão de jogos e eventos esportivos ao vivo, a publicidade é autorizada no período compreendido entre 15 minutos antes do início e 15 minutos após o término da transmissão da partida, prova, competição, evento esportivo ou equivalente, mesmo durante o horário de restrição.
Fica permitida ainda a exibição da marca dos patrocinadores e operadores das bets nas chamadas destinadas a anunciar a transmissão de eventos esportivos veiculadas das 21h às 6h, desde que não contenham convite, incentivo ou promessa de ganhos relacionados às apostas, não façam referência a probabilidades, cotações ou bônus promocionais e observem a classificação indicativa.
Também fica permitida a veiculação de publicidade de apostas em plataformas de redes sociais ou em outras aplicações de internet para usuários autenticados que tenham mais de 18 anos.
O projeto autoriza ainda as bets a se valer de lei de incentivo fiscal e fazer uso de projetos incentivados nas esferas federal, estadual, municipal ou distrital para o patrocínio de eventos esportivos ou culturais.
Foto: Pedro França/Agência Senado / Edilson Rodrigues/Agência Senado
Médico ortopedista e fundador do ITORN, Cipriano foi deputado estadual e federal com atuação voltada ao interior do RN
Morreu neste sábado (31.jun.2025), aos 79 anos, o ex-deputado estadual e federal Cipriano Correia, em Natal. Médico ortopedista de formação, Cipriano enfrentava complicações de saúde nos últimos meses. O corpo será velado e sepultado no cemitério Morada da Paz, em Emaús, na Grande Natal, com cerimônia marcada para às 19h.
Nascido em 10 de outubro de 1945, no município de Santana do Matos, na região Seridó do Rio Grande do Norte, Cipriano Correia teve trajetória marcada tanto pela atuação na medicina quanto na política. Foi um dos fundadores do Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Rio Grande do Norte (ITORN), considerado uma das referências em ortopedia no estado.
Na vida pública, ocupou cargos no legislativo estadual e federal. Foi eleito deputado estadual pelo Rio Grande do Norte, exercendo dois mandatos consecutivos entre 1987 e 1995. No mesmo período, também ocupou uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília, durante o mandato de 1991 a 1995.
Durante sua atuação política, Cipriano Correia teve como uma de suas principais bandeiras a defesa do homem do campo e o desenvolvimento das regiões do interior potiguar. Teve forte presença política no Seridó e em municípios como Lagoa Nova e Santana do Matos, onde manteve bases eleitorais e presença contínua, mesmo após deixar o Congresso Nacional.
Mesmo após o fim dos mandatos parlamentares, Cipriano continuou participando ativamente da vida política do estado. Nas eleições municipais mais recentes, foi candidato à prefeitura de Santana do Matos e de Lagoa Nova, embora não tenha obtido êxito nas disputas.
A ligação de Cipriano Correia com figuras históricas da política potiguar é marcante. Era cunhado do ex-governador e ex-senador Geraldo Melo, falecido em 2022, por meio do casamento com Ângela Melo, irmã do ex-governador. Também era irmão do ex-deputado estadual Neto Correia, que atuou como prefeito de Santana do Matos e faleceu em anos anteriores.
A trajetória de Cipriano é lembrada por sua contribuição à saúde pública, por meio do ITORN, e por seu empenho em levar pautas do interior para os debates na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. Seu envolvimento com temas ligados à saúde, agricultura familiar e infraestrutura rural marcaram sua atuação como parlamentar.
Ex-presidente será ouvido em 5 de junho no processo que apura possíveis crimes cometidos por seu filho
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestará depoimento no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A Polícia Federal ouvirá o ex-presidente na próxima quinta-feira (5.jun.2025).
Eduardo Bolsonaro passou a ser investigado pelo STF na última segunda-feira. A Procuradoria-Geral da República (PGR) alegou que o filho de Jair Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, tem buscado do governo americano sanções a integrantes do STF, do Ministério Público e da PF com o “intuito de embaraçar o andamento do julgamento” contra seu pai, réu no Supremo por tentativa de golpe de Estado.
O pedido de inquérito foi aceito por Alexandre de Moraes, que será o relator do processo, e o parlamentar passou a ser investigado pelos possíveis crimes de coação no curso do processo penal, obstrução de investigação contra organização criminosa e abolição do estado democrático de direito.
Contexto internacional
O governo dos Estados Unidos anunciou na última quarta-feira, 28, que vai restringir visto para “autoridades estrangeiras que sejam cúmplices na censura de americanos”. Ao anunciar a medida, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, não citou Moraes, mas há a expectativa de que o magistrado brasileiro seja um dos alvos da ação, pois o secretário citou a América Latina como exemplo da aplicação da sanção.
Como mostrou o Estadão, o uso da Lei Magnitsky para punir um ministro de Suprema Corte seria inédito. Além disso, até o momento, a norma só foi aplicada para violadores graves dos Direitos Humanos, como autoridades de regimes ditatoriais, integrantes de grupos terroristas e criminosos ligados a esquemas de lavagem de dinheiro e de assassinatos em série.
Declarações de Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro voltou, em entrevista, a atacar Moraes e disse que tem interesse em disputar a Presidência se essa for “uma missão” dada a ele por seu pai.
“O Brasil deveria ter tido a decência de conseguir parar o Alexandre de Moraes. Não aconteceu. Por isso, tivemos que recorrer aqui às autoridades americanas. Vamos dar assim o primeiro passo para resgatar a democracia brasileira. O STF hoje derruba aquilo que foi aprovado pelo Congresso. Não é uma democracia saudável”, afirmou Eduardo em entrevista à revista Veja publicada ontem.
O deputado licenciado disse que Moraes se comporta como “um tirano” e afirmou que o ministro “sabe que vai sair derrotado porque não tem a verdade ao lado dele”.
Em março deste ano, Eduardo Bolsonaro pediu licença do mandato na Câmara dos Deputados para viver nos Estados Unidos, onde pretende “buscar sanções aos violadores dos direitos humanos”.
Atendimento começou na sexta-feira nas mais de 5 mil agências da estatal
Os Correios atenderam mais de 60 mil pessoas em todo o país nesta sexta-feira (30), quando começou o atendimento presencial de aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos em seus benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O atendimento começou na manhã da sexta-feira nas mais de 5 mil agências da estatal.
Os locais estão habilitados para consultas e contestações relativas aos descontos irregulares feitos por entidades associativas desde 2019. Caso seja confirmado o desconto irregular, é possível fazer a constatação, bem como acompanhar o resultado da contestação.
O atendimento é gratuito, com prioridade aos aposentados e pensionistas nas agências com sistema de gestão de filas ou guichês exclusivos. Mas, logo no começo do dia, foi identificada instabilidade no sistema de atendimento.
A sobrecarga no sistema ocorreu devido ao grande número de acessos ao sistema do INSS. A instabilidade, segundo os Correios, durou cerca de uma hora e dificultou o atendimento presencial.
Pagamento
Ainda nesta sexta-feira, o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, reiterou que o governo pretende ressarcir todas as vítimas até o final do ano.
O pagamento é garantido pelo orçamento de 2025, mas a expectativa é de que os cofres públicos sejam compensados por meio dos recursos obtidos a partir dos bloqueios cautelares feitos nas 12 entidades suspeitas.
A expectativa é de que o INSS faça um balanço, no dia 4 de junho, quando encerra o primeiro ciclo de consultas.
É vergonhoso. Não há outro termo que se aplique com tanta precisão à atual condução da política de mobilidade na Grande Natal. A mais recente denúncia aponta que os permissionários dos transportes alternativos estão, na prática, travando qualquer avanço rumo a melhorias solicitadas pelos prefeitos das cidades que compõem a Região Metropolitana. E, pior, tudo isso com a complacência do próprio órgão que deveria regulamentar o setor: o Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte (DER/RN).
O governo Fátima Bezerra mais uma vez demonstra sua completa incapacidade de gerir áreas cruciais da administração pública. E no caso do transporte, a inação beira a omissão. A Região Metropolitana de Natal, com municípios como Extremoz, São Gonçalo, Macaíba e Parnamirim, sofre há anos com um sistema precário. Quem utiliza o transporte sabe bem disso.
Quem tem mandado no transporte da Grande Natal são os permissionários dos alternativos. O DER, em vez de impor a autoridade do Estado, baixa a cabeça e permite que os interesses particulares prevaleçam sobre o bem coletivo. A população, que diariamente depende de ônibus lotados, sem horários regulares e com tarifas elevadas, segue como vítima invisível.
E a situação se torna ainda mais vexatória diante do fato de que os próprios prefeitos da Grande Natal, que recentemente se reuniram para cobrar melhorias do transporte intermunicipal, já começam a sentir o desgaste. Fizeram propaganda, divulgaram releases para a imprensa anunciando avanços que possivelmente não conseguirão entregar — justamente porque dependem da boa vontade de um governo estadual frágil, desorganizado e sem comando.
Fátima Bezerra, que foi eleita com a promessa de modernizar o RN, parece cada vez mais distante da realidade da população. Seu governo acumula desgastes em áreas fundamentais, como saúde, segurança e, igualmente, mobilidade urbana. Agora vemos que o governo nem mesmo consegue proporcionar melhorias de um serviço básico como o transporte público.
Esse é o retrato do caos: um governo que terceiriza suas decisões, que não tem coragem de enfrentar lobbies, que abandona a população à própria sorte nas paradas, nos congestionamentos. Um governo que, diante da pressão, se esconde. Que finge governar, mas assiste tudo passivamente, como se não tivesse responsabilidade direta sobre a crise.
A inércia do DER/RN é simbólica. Mostra que o problema não é apenas técnico, mas político. Falta liderança. Falta comando. Falta coragem de enfrentar os interesses instalados há décadas, que fazem do sistema de transporte um verdadeiro feudo.
É preciso dizer com todas as letras: o transporte público da Grande Natal está refém. Refém de grupos que se opõem a qualquer melhoria. Refém de um governo fraco, que não governa. E, sobretudo, refém de uma estrutura estatal que perdeu a capacidade de se impor.
Os usuários, que diariamente enfrentam ônibus lotados, tarifas caras e rotas ineficientes, não podem mais esperar. A mobilidade é um direito — e não um favor que deve ser negociado com grupos privilegiados. A população exige ação, decisão e, acima de tudo, respeito.
Enquanto isso não vier, a Grande Natal continuará presa ao atraso, e a governadora Fátima Bezerra continuará colecionando promessas não cumpridas, além de uma crescente rejeição popular. A pergunta que fica é: até quando?
Decisão do ministro Messod Azulay Neto confirma manutenção da prisão do policial reformado investigado por triplo homicídio
O ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa do policial reformado do Rio Grande do Norte, Wendel Fagner Cortez de Almeida, conhecido como Wendel Lagartixa. A decisão foi publicada em 6 de maio de 2025.
A defesa argumentou que a prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) seria ilegal, uma vez que se baseia em processos já arquivados e em um suposto descumprimento de medidas cautelares, o que, segundo os advogados, não ocorreu. No entanto, o ministro afirmou que os argumentos apresentados se confundem com o mérito da impetração e que o caso será analisado em profundidade no julgamento definitivo.
O STJ solicitou informações atualizadas ao TJRN sobre o andamento processual e a situação prisional do acusado.
Na mesma semana da decisão, o advogado de Lagartixa comentou nas redes sociais sobre a prisão em Salvador (BA), ocorrida em maio de 2024. Segundo ele, Wendel foi absolvido no processo em trâmite na Bahia, o que, na visão da defesa, torna injustificada a prisão preventiva decretada pelo TJRN com base naquele episódio.
Histórico de prisões
Em 11 de julho de 2024, a Câmara Criminal do TJRN decretou a prisão preventiva de Wendel Lagartixa. A medida foi resultado de recurso apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN). O policial reformado é investigado por envolvimento em um triplo homicídio ocorrido em abril de 2022, no bairro da Redinha, na zona Norte de Natal.
As investigações fazem parte da Operação Aqueronte, conduzida pela Polícia Civil do RN. Na época, foram cumpridos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão contra dois suspeitos, incluindo Wendel, que chegou a ser preso e posteriormente liberado.
Em maio de 2024, ele voltou a ser detido, desta vez em Salvador, quando viajava para o Rio Grande do Sul. A prisão foi realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), sob a acusação de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e fraude processual.
Decisão judicial sobre nova prisão
O relator do caso no TJRN, desembargador Glauber Rêgo, justificou a nova prisão cautelar com base no descumprimento de medidas judiciais anteriormente estabelecidas. Segundo ele, a liberdade provisória havia sido concedida mediante condições específicas, que não foram cumpridas.
Além do descumprimento das cautelares, a decisão considerou o princípio do “periculum libertatis”, que representa o risco à ordem pública caso o investigado permaneça em liberdade.
Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) poderão, a partir esta sexta-feira (30), consultar, contestar e acompanhar a análise de descontos indevidos em seus benefícios diretamente nas agências dos Correios.
A iniciativa amplia a rede de atendimento presencial aos beneficiários, especialmente em localidades sem unidades próprias do instituto. A medida fortalece o papel dos Correios no enfrentamento às fraudes que lesaram milhares de idosos.
Com mais de 5 mil agências próprias habilitadas em todos os estados, os Correios oferecem estrutura pública essencial para viabilizar o esforço coletivo de proteção aos aposentados, garantindo atendimento humanizado, seguro e gratuito.
“Essa parceria reforça a vocação social dos Correios, que, com sua capilaridade, infraestrutura pública instalada e equipes preparadas, atuam como braço do governo federal a serviço da população. Estamos prontos para oferecer soluções que levem segurança, dignidade e acesso aos direitos fundamentais para todos, especialmente aqueles que mais precisam”, afirmou o presidente da estatal, Fabiano Silva dos Santos.
O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, destacou que a medida visa garantir que nenhum cidadão fique sem acesso ao direito de contestar descontos indevidos. “Estamos ampliando o acesso, reduzindo barreiras e oferecendo um caminho mais direto para resolver o problema dos descontos indevidos que lesou aposentadas e aposentados brasileiros”.
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz disse que a parceria faz parte do esforço concentrado do governo para atender aposentados e pensionistas lesados pela fraude dos descontos.
“Os Correios se somam nesse grande compromisso do governo para que nenhum aposentado fique no prejuízo. Vamos ampliar o atendimento, fazer um atendimento olho no olho e alcançar aqueles que são mais vulneráveis, que não têm acesso à tecnologia ou que, por outro motivo, queira receber o auxílio presencial”.
Segurança
A parceria prevê protocolos rigorosos de segurança, com atendimento feito exclusivamente por profissionais treinados em unidades próprias dos Correios. Todos os dados dos beneficiários são tratados com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo confidencialidade e rastreabilidade.
Para regiões ainda não atendidas pelas agências habilitadas, estão sendo planejadas ações itinerantes e mutirões de atendimento, com o objetivo de garantir a universalização do serviço.
A lista completa das unidades habilitadas está disponível no site dos Correios.
Ex-ministros foram ouvidos como testemunhas de defesa de Bolsonaro
Os ex-ministros Ciro Nogueira (Casa Civil), hoje senador, e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), atual governador de São Paulo, disseram nesta sexta-feira (30) desconhecer qualquer envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro com alguma tentativa de ruptura institucional ou golpe de Estado.
Os dois foram ouvidos por videoconferência como testemunhas de defesa de Bolsonaro, na ação penal sobre uma trama golpista que teria tentado manter o ex-presidente no poder mesmo com derrota na tentativa de reeleição, em 2022. A audiência foi presidida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Cotado como possível representante do bolsonarismo na próxima corrida presidencial, Tarcísio afirmou “jamais” ter tratado ou ter ouvido Bolsonaro tratar de qualquer assunto relativo a algum tipo de golpe, seja antes ou depois de eleição. “Assim como nunca aconteceu enquanto fui ministro”, acrescentou.
Após a derrota no pleito, quando já eleito governador e afastado do governo federal, Tarcísio disse ter visitado Bolsonaro ao menos duas vezes, “por amizade”, no Palácio da Alvorada, em Brasília.
“Da mesma forma, nesse período, na reta final [do governo], nas visitas, tivemos várias conversas, jamais se tocou nesse assunto, jamais mencionou ruptura”.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) deu resposta similar, ao ser questionado pelo advogado Celso Vilardi, que defende Bolsonaro, sobre se o ex-presidente mencionou algum tipo de ruptura nos vários encontros entre os dois após a derrota eleitoral.
“Em hipótese nenhuma. Nunca aconteceu isso”, afirmou Nogueira, que é também presidente do PP. “Todas as determinações que o presidente me deu foi para que fizesse a transição da melhor forma possível”.
Assim como Tarcísio, o ex-ministro-chefe da Casa Civil voltou a relatar que Bolsonaro chegou a ficar depressivo durante o período pós-eleitoral, com “falta de interesse pela situação do país”, mas que a transição ocorreu “dentro da normalidade”, assegurou. “O presidente em momento nenhum quis obstacular qualquer situação”.
Dispensados
Estava previsto para a manhã desta sexta também o depoimento de Valdermar da Costa Neto, presidente do PL, partido de Bolsonaro. O líder partidário, entretanto, foi dispensado pela defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, também réu na ação penal.
Valdemar chegou a ser indiciado pela Polícia Federal (PF) por envolvimento na trama golpista, mas acabou depois sendo poupado na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Outras testemunhas dispensadas nesta sexta foram os ex-ministros Gilson Machado (Turismo) e Eduardo Pazuello (Saúde), que falariam a tarde como testemunhas de Bolsonaro, mas foram dispensados pela equipe de defesa do ex-presidente.
Foi dispensado também o advogado Amaury Feres Saad, apontado no inquérito policial como um dos mentores intelectuais de uma minuta de decreto com teor golpista, mas que também não foi denunciado pela PGR.
Testemunhas de Torres
Ainda nesta sexta, foi ouvido o deputado distrital Hermeto (MDB), como testemunha de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Hermeto foi relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas por apoiadores de Bolsonaro.
Hermeto foi questionado sobre o motivo de não ter indiciado Torres, que era secretário de Segurança Pública do DF em 8 de janeiro, no relatório final da CPI.
“Eu não indiciei o secretário Anderson porque não vi nele a responsabilidade, porque o secretário de Segurança em exercício, o secretário-executivo [Fernando Souza de Oliveira], que estava no comando, e as forças de segurança respondiam a ele”.
A testemunha seguinte, a secretária de Desenvolvimento Social do DF, Ana Paula Soares Marra, confirmou ter participado de uma reunião no dia 6 de janeiro, junto com o general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, então chefe do Comando Militar do Planalto, e Torres.
A pauta na ocasião, segundo ela, foi a desmobilização do acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, onde bolsonaristas acampavam há meses e defendiam uma intervenção militar no país.
“No dia cinco, uma quinta-feria, eu recebi uma mensagem às oito e meia da noite, ainda tenho essa mensagem. O chefe de gabinete do secretário de Segurança Pública praticamente me convocando, dizendo que era uma reunião urgente”, contou Ana Paula.
No encontro, foram mostradas fotos que demonstraram uma relativa desmobilização do acampamento e estabelecido um plano para a retirada das pessoas do local na semana seguinte, junto com equipes de abordagem social, devido ao grande número de pessoas em situação de rua nos arredores, contou a secretária.
Entenda
A ação penal 2668 foi aberta depois que a Primeira Turma do Supremo aceitou, em março, a parte da denúncia da PGR relativa ao chamado núcleo “crucial” do golpe, composto pelo que seriam as principais cabeças do complô.
Entre os réus dessa ação penal está o próprio Bolsonaro, apontado pela PGR como líder e principal beneficiário da trama golpista, além de Torres e outros sete ex-ministros de seu governo e assessores próximos.
As testemunhas do caso começaram a ser ouvidas em 19 de maio, por videoconferência, e seguem até 2 de junho. Na tarde desta sexta, às 14h, estão marcados os depoimentos de mais quatro testemunhas de Bolsonaro.
As audiências são presididas pelo ministro Alexandre de Morares, relator do caso. Em despacho, ele proibiu qualquer tipo de gravação das audiências. Jornalistas foram autorizados a acompanhar as falas da sala da Primeira Turma, no Supremo.
Apesar da propaganda institucional que tenta pintar um Rio Grande do Norte mais seguro, a população, especialmente em Natal, segue vivendo dias de medo, angústia e desproteção. Um caso ocorrido nesta quinta-feira (29.mai.2025) escancarou o drama da insegurança que assombra os moradores do bairro do Tirol, onde, ironicamente, está localizado o Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte (PMRN). Mesmo com a presença ostensiva da instituição, os assaltos continuam à solta — e o medo é cotidiano.
O episódio mais recente é simbólico: uma mulher caiu da moto ao ser abordada por criminosos e foi assaltada ainda no chão. A cena, registrada por câmeras de segurança, se espalhou pelas redes sociais e noticiários com revolta. A vítima, além de ferida, foi desamparada pela segurança pública. Isso, a poucos metros do centro da PMRN. Que tipo de estado é esse, onde nem mesmo a sombra da autoridade intimida o crime?
A propaganda do governo não convence mais
O governo Fátima Bezerra (PT) tem usado como bandeira a suposta melhora nos indicadores de segurança. Dados estatísticos indicam redução nos homicídios e nos índices de violência em algumas áreas. Mas é preciso fazer uma distinção clara entre dados institucionais e vida real. O que os moradores do Tirol, Petrópolis, Alecrim, Rocas – enfim, de toda Natal – vivem todos os dias é o oposto de um estado seguro.
Os relatos são constantes: arrombamentos em residências, assaltos a motoristas, abordagens a pedestres em plena luz do dia. A cada semana, novos casos surgem, como o de criminosos que arrancaram o portão de uma casa no Tirol com a força bruta, aterrorizando os moradores. A poucos quarteirões do Comando Geral da PM, a segurança virou um luxo inatingível.
E onde está o governo? Em outdoors. Apenas. No mundo da propaganda institucional, o RN está melhorando. Na realidade das ruas, a violência segue reinando.
A percepção da população está no vermelho (literalmente)
A população não mede a segurança com gráficos ou relatórios. Ela mede pela tranquilidade de sair de casa, esperar um ônibus, caminhar pela rua. E nesse critério, o governo do estado reprova — com louvor.
A insegurança no RN não está contida a bairros periféricos. Ela invadiu áreas centrais, zonas comerciais, avenidas movimentadas. Se em lugares onde mora a elite política e onde ficam órgãos do estado áreas não há segurança, o que dizer das comunidades mais vulneráveis?
Governo precisa de ações, não apenas estatísticas
O estado precisa urgentemente parar de tratar a segurança como um dado técnico e começar a tratá-la como o problema social grave que é. Não se combate a criminalidade apenas com marketing. É preciso mais efetivo nas ruas, mais viaturas, melhor estrutura de investigação e valorização das forças de segurança.
Enquanto o governo não sair da bolha da comunicação institucional, os criminosos continuarão ditando as regras. E o povo continuará assistindo à escalada da violência de forma impotente.
A realidade que o governo insiste em ignorar
Em um estado onde nem o entorno do Quartel da PM é seguro, não há propaganda que convença. A governadora Fátima Bezerra precisa enfrentar essa crise com seriedade. A redução de índices é bem-vinda, mas não pode ser argumento para esconder a verdade: o povo do Rio Grande do Norte não se sente seguro. E, se a população não sente segurança, os números perdem o valor.
Mais do que investir em dados, é hora de investir em proteção real. E isso passa por escutar quem vive o cotidiano da insegurança — e não apenas pelos que se escondem atrás de planilhas.
Capital potiguar teve 2.220 vagas criadas em abril e respondeu por 75% do saldo positivo no estado
A cidade de Natal registrou, em abril de 2025, o melhor desempenho mensal na geração de empregos formais desde o início da série histórica do Novo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), iniciada em 2020. De acordo com os dados do Ministério do Trabalho e Emprego, foram 10.030 admissões e 7.810 desligamentos no período, resultando em um saldo positivo de 2.220 vagas com carteira assinada.
Com esse número, a capital potiguar respondeu por 75,8% de todas as vagas formais geradas no Rio Grande do Norte em abril. No total, o estado criou 2.927 empregos formais distribuídos entre os seus 167 municípios. O desempenho de Natal superou o de capitais vizinhas, como João Pessoa (PB), que obteve saldo de 1.620 vagas no mesmo período.
O setor de serviços liderou a geração de empregos em Natal, com 1.692 vagas abertas, seguido pelo setor de comércio e construção civil. O desempenho reforça a importância dos serviços na composição da economia local e no processo de recuperação econômica da capital.
Com o resultado de abril, o estoque de vínculos formais ativos em Natal chegou a 237.360. No acumulado de janeiro a abril de 2025, a cidade já soma 3.917 novas vagas, consolidando um cenário de crescimento contínuo no mercado formal de trabalho.
O prefeito de Natal, Paulinho Freire, destacou a importância dos dados. “Esses resultados refletem o esforço conjunto da Prefeitura do Natal para fomentar o desenvolvimento econômico da nossa cidade. Estamos trabalhando para atrair investimentos, apoiar o empreendedorismo e criar um ambiente favorável à geração de empregos”, declarou.
O Novo CAGED é o principal instrumento de monitoramento do mercado de trabalho formal brasileiro. Ele reúne mensalmente dados sobre admissões e demissões com base nos contratos firmados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). As informações orientam políticas públicas de combate ao desemprego e estratégias de inclusão produtiva em nível nacional, estadual e municipal.
O saldo positivo de abril confirma a recuperação gradual da economia local e reforça o papel de Natal como principal polo de geração de empregos do estado.
Veja como será atendimento remoto a quem tem dificuldade de locomoção
O governo federal fará uma busca ativa para localizar e atender aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que tiveram desconto irregular de mensalidade associativa na folha de pagamento.
A ideia é viabilizar, além dos canais tradicionais, atendimento mais próximo de domicílios localizados em áreas remotas, fazendo com que os serviços de acesso ao sistema previdenciário cheguem, inclusive, às pessoas com mobilidade reduzida.
Em entrevista nesta quinta-feira (29) ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, detalhou as etapas a serem adotadas, no sentido de identificar pessoas que se encontram nessas situações e, posteriormente, atendê-las remotamente.
“Vamos fazer uma busca ativa. Essa medida já está sendo preparada, e será feita em um passo seguinte [aos primeiros contatos para identificar as vítimas dos descontos irregulares]”, disse Queiroz.
De acordo com o ministro, o primeiro contato será feito pelo governo por meio dos canais oficiais. Segundo Queiroz, o não retorno dos aposentados e pensionistas indicará situações em que a busca ativa será necessária. De um modo geral, são pessoas que desconhecem ou não têm habilidade com os canais de contato.
“Há também aqueles que [por algum motivo] não podem se deslocar”, acrescentou o ministro. “Ao final dos primeiros dias ou semanas, veremos quem não deu retorno para, então, começarmos a busca ativa”, acrescentou.
Entre as situações em que se espera mais dificuldade de retorno dos aposentados e pensionistas, está o das pessoas que vivem em comunidades ribeirinhas sem energia elétrica, acesso a telefone celular, computador ou internet.
Para atender essas pessoas, o INSS usará, inclusive, unidades flutuantes do programa PrevBarco, para prestar o serviço previdenciário em comunidades ribeirinhas, indígenas quilombolas, bem como em outras áreas remotas.
“Esses barcos da Previdência Social vão fazer a busca ativa, vão na casa do cidadão”, disse o ministro ao citar, também, o PrevMóvel, serviço reinaugurado pelo INSS, que faz atendimento itinerante em regiões onde não há agências fixas ou acordo de cooperação técnica com alguma entidade ou ente público.
Canais confiáveis
Queiroz, no entanto, alerta sobre o risco de golpistas se passarem por representantes da Previdência Social. “Por isso, temos de fazer tudo com cuidado, porque, se citarmos qualquer coisa que o INSS vai fazer, rapidamente chega um fraudador dizendo que é do INSS. Por isso, é muito importante que as pessoas fiquem atentas aos canais oficiais”, complementou.
O Meu INSS é um canal oficial, assim como o site do INSS e as centrais de atendimento do Ministério da Previdência Social. Já o Disque 135 é o call center (central de atendimento) oficial. “Estas são redes confiáveis”, disse o ministro. “E agora, também, as agências dos Correios, com funcionários treinados para recebê-los”, completou.
“O INSS não vai telefonar nem enviar e-mail ou WhatsApp. Cuidado para não caírem em outro golpe ao tentarem ser ressarcidos de um golpe anterior”, alertou o ministro ao garantir que o governo não deixará ninguém para trás.
“Vamos fazer essa busca ativa para não deixar ninguém que foi lesado sem ser ressarcido”, complementou.
Descontos associativos
Queiroz lembrou que as entidades responsáveis pelos descontos associativos foram “associações feitas para fraudar” que, em geral, não têm sede, patrimônio, nem lastro financeiro. Além disso, seu patrimônio e seus recursos costumam estar escondidos, o que dificulta a retomada do dinheiro para ressarcir as vítimas.
“Detectamos que essas fraudes começaram em 2019. A partir de 2019 começaram, ali, as primeiras críticas e as primeiras denúncias. A imprensa recentemente divulgou a descoberta de um servidor aqui do Distrito Federal, que foi lá na Polícia Federal, denunciou que estavam ocorrendo descontos indevidos. O governo passado, no entanto, não apurou”, disse o ministro.
De acordo com o ministro, a PF da época chegou a instaurar inquérito, que acabou sendo arquivado. “Nada foi feito ou apurado pelo governo passado, e os descontos continuaram. Foi naquele período que essas entidades, que entraram e foram credenciadas para fraudar, se estabeleceram no INSS. Foi a partir dali que elas começaram a agir”, acrescentou.
Desafios
Segundo Queiroz, os principais desafios do INSS neste momento são o combate às fraudes e a diminuição das filas. “Temos que cuidar da fila, com prioridade. O desafio é enorme, [até para] restabelecer confiança e credibilidade do sistema previdenciário brasileiro”, disse.
O ministro explicou que o tempo médio para os atendimentos agendados está em 45 dias. “Antes,estava em 39 dias, mas subiu por conta as últimas fraudes. Nossa meta é zerar a fila “, completou.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil / Joédson Alves/Agência Brasil / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Vice-presidente cancelou a agenda do dia e segue na unidade hospitalar
O vice-presidente Geraldo Alckmin passou por consulta médica e exames no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, após um quadro de enjoo e de dores abdominais, na manhã desta quinta-feira (29).
De acordo com a assessoria, Alckmin cancelou a agenda do dia e segue na unidade hospitalar.
“O vice-presidente realizou exames preliminares que sugerem uma inflamação intestinal, os quais serão complementados à tarde, pela equipe médica que o está assistindo”, diz a nota da assessoria.
Além de vice-presidente, Alckmin é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Homem de 23 anos foi detido com drogas e apetrechos em imóvel que funcionava como restaurante e ponto de venda
Policiais civis da 22ª Delegacia de Polícia de Ceará-Mirim prenderam em flagrante, nesta quinta-feira (29.mai.2025), um homem de 23 anos suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas. A prisão ocorreu durante a Operação Delivery, voltada ao combate à comercialização de entorpecentes no município.
Segundo a Polícia Civil, o homem era investigado por atuar como líder do tráfico em uma área da cidade. Ele residia em um imóvel que servia, ao mesmo tempo, como restaurante e como ponto de venda de drogas.
Durante a abordagem, foram encontrados entorpecentes e apetrechos utilizados para o fracionamento e comercialização das substâncias.
Mandado de prisão também foi cumprido
Além da prisão em flagrante, a operação também deu cumprimento a um mandado de prisão temporária expedido pela 1ª Vara Criminal de Ceará-Mirim contra o suspeito. Após os procedimentos legais, ele foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
Apoio de equipes de outras delegacias
A ação contou com o apoio da 14ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), do 21º Distrito Policial de São Gonçalo do Amarante e do Grupo Penitenciário de Operações com Cães (GPOC) da Polícia Penal.
A Operação Delivery tem como objetivo desarticular grupos envolvidos no tráfico e na associação para o tráfico de drogas. A polícia também busca mapear a rota dos entorpecentes que circulam entre bairros e municípios próximos à região metropolitana.
Denúncias anônimas
A Polícia Civil reforça o pedido à população para que colabore com informações anônimas por meio do Disque Denúncia 181. Todas as informações são tratadas com sigilo e podem contribuir com o avanço das investigações e novas prisões.
STTU inicia campanha educativa sobre os novos limites de velocidade e punições por excesso
A fiscalização eletrônica por meio de radares será retomada na Avenida Felizardo Moura, em Natal, a partir do dia 15 de junho. A informação foi confirmada pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), que também iniciou uma campanha educativa para informar os condutores sobre os novos limites de velocidade na via.
Após obras recentes na avenida, os limites foram redefinidos: das 5h às 23h, o máximo permitido é de 50 km/h. Já no período noturno, entre 23h e 5h, o limite sobe para 70 km/h.
Oito radares já foram instalados
Ao todo, oito radares eletrônicos foram instalados, organizados em quatro pares ao longo da via. Os equipamentos entrarão em operação para autuar motoristas que ultrapassarem os limites estabelecidos, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
A Avenida Felizardo Moura é uma das principais ligações entre a zona Norte e o centro da capital potiguar. Por esse motivo, o fluxo de veículos é intenso, principalmente nos horários de pico.
Penalidades por excesso de velocidade
De acordo com o CTB, o excesso de velocidade pode acarretar multas que variam entre R$ 130,16 e R$ 880,41, além de perda de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Se a infração ultrapassar 50% do limite permitido, o condutor pode ter o direito de dirigir suspenso de forma imediata.
A STTU afirma que a medida tem como objetivo principal reduzir os índices de acidentes na avenida, aumentando a segurança tanto para motoristas quanto para pedestres.
Campanha educativa nas ruas e redes sociais
A campanha de conscientização será realizada nas ruas, com apoio de agentes de mobilidade, e nas redes sociais da secretaria. O material inclui orientações sobre os novos limites de velocidade e os riscos associados à condução em alta velocidade.
A expectativa da pasta é que a atuação conjunta da fiscalização e da educação no trânsito contribua para a redução de acidentes e infrações na via.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Natal / Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
Atualização amplia atuação da iniciativa privada em projetos como terminais, prédios públicos e parques
A Câmara Municipal de Natal aprovou, em segunda discussão, nesta quarta-feira (28.mai.2025), a nova Lei de Parcerias Público-Privadas (PPPs) da capital potiguar. O projeto havia sido enviado pela Prefeitura de Natal em abril e, com a aprovação, segue para sanção do prefeito e publicação no Diário Oficial do Município.
A legislação substitui a norma anterior, de 2011, com o objetivo de modernizar o arcabouço jurídico que rege a participação da iniciativa privada em projetos públicos. A nova lei permite que empresas assumam a construção, manutenção e operação de estruturas como terminais de ônibus, edifícios públicos e equipamentos de lazer, como parques e centros culturais.
Além de ampliar o escopo das parcerias possíveis, a atualização da lei busca oferecer maior segurança jurídica para investidores interessados em atuar em Natal. Segundo a prefeitura, a medida tem como objetivo criar um ambiente regulatório mais atrativo, estabelecendo condições mais claras e garantias legais para a execução dos contratos de PPPs.
Criação de Fundo Garantidor e Conselho Gestor
Um dos pontos centrais da nova legislação é a criação do Fundo Garantidor do Município de Natal. Esse fundo poderá receber aportes financeiros da prefeitura e utilizar imóveis como garantia para atrair investimentos. A medida visa reduzir riscos para empresas interessadas em firmar contratos de longo prazo com o poder público municipal.
A lei também prevê a criação de um Conselho Gestor para acompanhar a execução dos projetos realizados por meio das parcerias. O conselho terá a função de fiscalizar o cumprimento das obrigações estabelecidas nos contratos, bem como avaliar a viabilidade técnica, financeira e jurídica dos projetos antes de sua implementação.
Segundo a prefeitura, há uma preocupação em garantir que os compromissos assumidos pelo município em contratos de PPPs estejam dentro da capacidade orçamentária da administração, sem comprometer a saúde fiscal da cidade. A nova estrutura busca evitar desequilíbrios financeiros e assegurar que os contratos tenham sustentabilidade a longo prazo.
Portfólio de projetos e viabilidade de concessões
Atualmente, a Prefeitura de Natal possui um portfólio com cerca de 12 projetos com potencial para serem executados por meio de parcerias público-privadas. Um dos principais projetos em destaque é o Complexo Turístico da Redinha, localizado na zona norte da cidade.
O projeto do complexo passou por uma tentativa anterior de licitação, ainda na gestão passada, mas não houve propostas. Após esse insucesso, a prefeitura contratou uma empresa para realizar novos estudos de viabilidade técnico-econômica. A expectativa da administração municipal é utilizar esses estudos para elaborar um novo edital que atraia o interesse do setor privado.
Ainda não há previsão para a publicação do novo edital de concessão do Complexo da Redinha. O mercado permanece fechado desde a primeira tentativa fracassada.
Com a aprovação da nova lei, a gestão municipal espera aumentar a participação privada em áreas estratégicas e acelerar a execução de projetos estruturantes na cidade.
Foto: Francisco de Assis/Câmara de Natal / Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
A crise na gestão da governadora Fátima Bezerra atinge mais um nível preocupante: o governo do Rio Grande do Norte acumula um atraso de R$ 354 milhões no pagamento de precatórios, conforme divulgado pelo Tribunal de Justiça do RN. Esse valor é alarmante não apenas pela magnitude da dívida, mas pelo que ela simboliza — um governo que insiste em deixar pendências, descumprir acordos e empurrar com a barriga compromissos essenciais com servidores, aposentados, fornecedores e, agora, também com os credores judiciais.
O calote nos precatórios é só mais um sintoma da falência administrativa que se instalou no estado. A gestão estadual, que já coleciona críticas pela falta de entregas em diversas áreas, mostra que sua prioridade está longe de ser o equilíbrio fiscal e o respeito ao cidadão. O discurso de reconstrução do RN, tão explorado no início do primeiro mandato da governadora, hoje soa vazio diante da realidade dos potiguares.
Inércia generalizada e promessas não cumpridas
Na prática, Fátima Bezerra lidera uma gestão marcada por falta de obras estruturantes, hospitais sobrecarregados, escolas sem estrutura mínima e uma segurança pública que, apesar de apresentar melhora nos indicadores estatísticos, ainda deixa a população refém da criminalidade em várias regiões. A sensação de insegurança persiste — e, como se não bastasse, até dentro da Assembleia Legislativa, um dos espaços mais vigiados do estado, houve um roubo recente a um gabinete parlamentar. Isso evidencia que, apesar dos dados “positivos”, a segurança continua frágil até nos bastidores do poder.
Enquanto o governo atrasa pagamentos, fornecedores reclamam da demora para receber, o funcionalismo público segue sem qualquer perspectiva de valorização real, e a saúde amarga a falta de insumos, filas intermináveis e a ausência de políticas efetivas de gestão hospitalar. A população, que esperava uma governadora sensível às demandas sociais, hoje sente-se traída por um governo mais focado em propaganda institucional do que em resultados concretos.
Precatórios: uma dívida de confiança
A inadimplência nos precatórios não compromete apenas o caixa do Estado — ela compromete a confiança. O cidadão que venceu uma longa batalha judicial para ter seu direito reconhecido agora se vê diante de mais uma espera, mais um adiamento, mais uma injustiça. O discurso da governadora, que tenta justificar o atraso com dificuldades herdadas, não se sustenta mais no quinto ano de mandato. O problema agora é de responsabilidade direta da atual gestão, e fugir dessa realidade só aumenta a revolta popular.
Rejeição em alta e futuro político comprometido
Não à toa, Fátima Bezerra figura entre os gestores mais rejeitados do Brasil. Sua popularidade despenca a cada novo episódio de descompromisso e omissão. A frustração da população é visível e isso terá um peso considerável nas urnas — seja na tentativa da própria governadora de voltar ao Senado, seja na tarefa (quase impossível) de eleger um sucessor que carregue o fardo de sua gestão.
As dificuldades para o governo petista emplacar um nome para 2026 já são notórias nos bastidores. O que deveria ser uma missão natural de continuidade virou um desafio quase insustentável. A base está rachada, a confiança pública abalada, e o legado de Fátima Bezerra se encaminha para ser lembrado não por feitos, mas por fracassos.
O colapso da governança
O atraso dos precatórios é mais do que um problema contábil: é o retrato fiel de um governo que perdeu o rumo. A falta de planejamento, a centralização das decisões em torno de um núcleo político isolado e a desconexão com a realidade do povo potiguar conduziram o RN ao caos administrativo.
Se não houver uma reviravolta rápida — o que parece cada vez mais improvável —, o governo Fátima encerrará seu ciclo sob o peso de promessas não cumpridas, dívidas acumuladas e uma população cansada de esperar por mudanças que nunca vieram.
Ministro Fernando Haddad reuniu-se com presidentes de bancos
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta quarta-feira (28) que a pasta está aberta para estudar medidas alternativas para reverter alguns pontos do decreto que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Ele deu a declaração após uma reunião do ministro Fernando Haddad com os presidentes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e os presidentes dos quatro maiores bancos do país.
Segundo Durigan, as informações apresentadas pelos bancos “sensibilizaram” o governo. As instituições financeiras informaram que a elevação do IOF fará o custo efetivo total das operações de crédito para as empresas subir de 14,5% a 40% no curto prazo por causa das medidas. De acordo com o secretário-executivo, tanto o Ministério da Fazenda como os representantes dos bancos apresentaram sugestões para reverter parcialmente o aumento do IOF.
Real Moeda brasileira
“A Febraban nos traz o impacto das medidas no setor, de maneira legítima, de maneira bem racional, de maneira detalhada. A gente discutiu alternativas também apresentadas pela Febraban e outras que a gente trouxe para o debate. É natural que a gente avance nesse debate sobre o que poderia ser uma alternativa a itens isolados desse ajuste no IOF”, disse Durigan após a reunião nesta manhã.
O presidente da Febraban, Isaac Sidney, disse que as instituições financeiras e o Ministério da Fazenda conversam desde que as mudanças foram anunciadas, na última quinta-feira (22). Ele disse que os bancos estão à disposição para construir alternativas, em vez de simplesmente pressionarem pela derrubada do decreto.
Real Moeda brasileira
“Nós temos uma posição contrária ao aumento do IOF, só que, neste momento, criticar seria a parte mais fácil. Nós optamos por um debate construtivo”, comentou.
Sugestões
Segundo o presidente da Febraban, os bancos levaram a Haddad sugestões de medidas de aumento de receitas e de redução de despesas que permitam ao governo reverter parcialmente o aumento do IOF.
“Estamos diante de uma situação que o país precisa ter as suas finanças públicas equilibradas. O setor bancário tem essa compreensão, mas achamos que esse equilíbrio das finanças públicas não deveria se dar por meio de aumento de impostos, sobretudo de imposto regulatório”, declarou.
Isaac Sidney destacou que o setor bancário se opõe ao aumento do custo do crédito para as micro, pequenas e médias empresas. No entanto, informou que o ministro Fernando Haddad está disposto a construir alternativas.
“Gostaríamos muito que essa medida fosse revisitada. Agora, essa é uma decisão não só política, mas também técnica, e nós continuaremos a dar subsídios para que possamos revisitar esse aumento e tirar esse custo, que não é só do crédito. Esse é um custo, inclusive, da produção, do investimento e do consumo”, disse o presidente da Febraban.
Compensações
O secretário-executivo da Fazenda disse que todas as sugestões serão avaliadas de forma “célere e criteriosa”. Durigan lembrou que qualquer mudança no aumento do IOF precisará ser compensada na execução do Orçamento de 2025.
Ele ressaltou que novas reduções de gastos significarão mais contingenciamento e bloqueio de verbas e disse que o ministério também está disposto a conversar com o Congresso, por orientação do próprio Palácio do Planalto.
“Se essa medida do IOF for alterada, como foi alterada na quinta-feira, ela traz um ajuste em termos de como você executa o Orçamento e isso pode trazer, automaticamente – não por decisão nova do governo, da Junta de Execução Orçamentária — impactos para o contingenciamento e para o bloqueio”, justificou Durigan.
Originalmente, o governo pretendia reforçar o caixa em R$ 20,5 bilhões este ano com os aumentos nas alíquotas do IOF. Após a revogação de parte das medidas, na sexta-feira (23), Haddad informou que cerca de R$ 2 bilhões serão retirados da conta em 2025.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil / Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Durante a reunião, foram discutidas a situação das rodovias estaduais e a possibilidade de novas implantações de rodovias no município
O prefeito de Nísia Floresta, Gustavo Santos, esteve presente nesta quarta-feira (28), em uma reunião na governadoria do Rio Grande do Norte para tratar da malha viária do município. O encontro reuniu autoridades municipais e representantes do governo do estado, com foco em ações relacionadas à infraestrutura e mobilidade urbana.
Além do prefeito, participaram da comitiva municipal o presidente da Câmara, vereador Luiz Henrique, e o secretário de Infraestrutura e Desenvolvimento Econômico, Ivens Sátiro. O grupo foi recebido por Natécia Nunes, diretora do Departamento de Estradas de Rodagem do RN (DER/RN); Gustavo Coelho, secretário estadual de Infraestrutura; Thales Dantas, diretor técnico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (IDEMA); e Raimundo Alves, chefe do Gabinete Civil do governo do estado.
Durante a reunião, foram discutidas a situação das rodovias estaduais e a possibilidade de novas implantações de rodovias no município, para atender às demandas de mobilidade urbana em Nísia Floresta.
“O objetivo é estabelecer parcerias que contribuam para a melhoria da infraestrutura viária do município”, afirmou o prefeito Gustavo Santos.
A reunião resultou no encaminhamento de estudos técnicos e na articulação de ações entre o município e o governo do estado para dar continuidade às propostas discutidas.
Decisão da 8ª Zona Eleitoral anula votos e declara inelegibilidade de envolvidas por registro fictício de candidaturas femininas
A Justiça Eleitoral da 8ª Zona Eleitoral de São Paulo do Potengi, no Agreste Potiguar, reconheceu a ocorrência de fraude à cota de gênero praticada pelo Partido Solidariedade durante o registro de candidaturas para as eleições de 2024. A decisão foi proferida pela juíza Vanessa Lysandra Fernandes Nogueira de Souza, que julgou procedente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) nº 0600584-90.2024.6.20.0008.
De acordo com a sentença, as candidatas Vanusa Cassimiro da Silva e Francisca Sandra Gomes da Silva foram incluídas na chapa do partido de maneira fictícia, com o único objetivo de cumprir formalmente a exigência legal de 30% de candidaturas femininas prevista na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). As investigações apontaram que ambas não realizaram atos de campanha, tampouco movimentaram recursos eleitorais.
Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE
Com base nas provas constantes dos autos, a magistrada concluiu que houve fraude à cota de gênero, conforme a jurisprudência consolidada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), caracterizando o uso de candidaturas laranjas para burlar a legislação que assegura a participação feminina na política.
Como consequência da decisão, o juízo determinou:
A cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) do Partido Solidariedade;
A nulidade de todos os votos atribuídos à legenda no pleito de 2024;
A cassação dos diplomas dos doze candidatos registrados pelo partido, incluindo o único eleito, Chaui Bezerra Tavares Dutra;
A declaração de inelegibilidade de Vanusa Cassimiro e Francisca Sandra pelo período de 8 anos, com base no artigo 22, inciso XIV, da Lei Complementar nº 64/1990.
A decisão enfatiza a gravidade da conduta praticada, que compromete a integridade do processo eleitoral e viola os princípios constitucionais da igualdade de gênero e da representatividade política. A sentença reforça o entendimento de que a cota de gênero não se limita ao aspecto formal do registro, exigindo efetiva participação das candidatas na campanha.
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral foi movida pelo escritório Diógenes, Mafra e Dutra Advogados, representado pelos advogados Kennedy Diógenes, Breno Carvalho e Fabrício Bruno.
A cassação do DRAP implica que todos os votos recebidos pela chapa do Solidariedade em São Paulo do Potengi nas eleições municipais de 2024 são considerados nulos, com repercussões na totalização dos votos e possível redistribuição de vagas, caso o número de votos válidos seja afetado de forma significativa.
A Justiça Eleitoral tem intensificado a fiscalização sobre o cumprimento efetivo da cota de gênero, diante da proliferação de casos de candidaturas femininas fictícias nas eleições municipais e estaduais. O TSE tem reiterado que a prática de lançar mulheres candidatas apenas para preencher a cota legal, sem permitir sua atuação concreta na disputa, configura fraude e deve ser punida com rigor.
A sentença ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN).
Convocação fortalece quadro da SME e atende demandas da Educação Infantil e Ensino Fundamental
A Prefeitura de Natal oficializou, nesta quarta-feira (28.mai.2025), a convocação de 407 professores aprovados no concurso público realizado pela Secretaria Municipal de Educação (SME). O ato foi assinado pelo prefeito Paulinho Freire durante solenidade no gabinete, com o objetivo de reforçar o quadro da rede municipal de ensino e atender às demandas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental.
O concurso contemplou profissionais de diversas áreas, entre elas Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História, Geografia, Artes, Educação Física, Ensino Religioso e Pedagogia. Os convocados irão ocupar cargos efetivos, contribuindo para a ampliação e qualificação do atendimento educacional na capital potiguar.
Segundo o prefeito Paulinho Freire, a convocação representa o cumprimento de um compromisso com a educação pública. “Estamos renovando o quadro de professores da nossa rede. Esses profissionais irão fortalecer o ensino municipal, garantindo que crianças e jovens tenham as condições necessárias para seu desenvolvimento educacional”, destacou.
O secretário municipal de Educação, Aldo Fernandes, destacou que esta é uma ação estratégica da gestão para priorizar a educação no município. “Esse momento simboliza um avanço importante para Natal. São 407 profissionais que irão atuar nas escolas com estabilidade e compromisso, promovendo o fortalecimento do ensino público”, afirmou o titular da pasta.
Atendimento educacional especializado
Outro ponto ressaltado pelo secretário foi a inclusão de 60 vagas para o atendimento educacional especializado (AEE), área que pela primeira vez foi contemplada em concurso da SME. A medida busca ampliar a atuação pedagógica junto a estudantes com deficiência e outras necessidades educacionais específicas, contribuindo para a construção de uma educação mais inclusiva.
A convocação dos aprovados será formalizada por meio de publicação no Diário Oficial do Município, prevista para os próximos dias. Após a publicação, os convocados deverão seguir as orientações da SME para apresentação da documentação exigida, incluindo exames médicos e outros procedimentos necessários ao processo de admissão.
Próximas convocações
Aldo Fernandes também afirmou que a meta da gestão é convocar, de forma gradual, os 710 professores aprovados no certame. O concurso, que teve ampla participação, representa uma das maiores seleções públicas da área da educação em Natal nos últimos anos.
A solenidade de assinatura contou com a presença da vice-prefeita Joanna Guerra, secretários municipais, vereadores e técnicos das secretarias de educação e administração. O evento reforçou o compromisso institucional com a valorização dos profissionais da educação e com a qualificação do ensino público na capital potiguar.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração / Divulgação/Prefeitura de Natal
Setor de serviços lidera geração de empregos; todos os estados apresentaram saldo positivo no mês
O Brasil encerrou o mês de abril de 2025 com a criação de 257.528 empregos formais, de acordo com dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) divulgados nesta quarta-feira (28.mai.2025) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado representa o melhor desempenho para o mês de abril desde o início da série histórica, iniciada em 2020.
O saldo positivo é resultado de 2.282.187 admissões e 2.024.659 desligamentos registrados ao longo do mês. Com isso, o país acumula, nos quatro primeiros meses de 2025, um total de 922 mil novas vagas formais.
Nos últimos 12 meses, entre maio de 2024 e abril de 2025, o país criou 1.641.330 postos de trabalho com carteira assinada. O estoque total de vínculos celetistas ativos no país chegou a 48.124.423, com uma variação de +0,54% em relação ao mês anterior.
Setores da economia
Entre os setores econômicos avaliados, todos registraram saldos positivos. O setor de serviços foi o principal responsável pelo crescimento, com a criação de 136.109 vagas em abril. Em seguida aparecem:
Comércio: 48.040 vagas
Indústria: 35.068 vagas
Construção: 34.295 vagas
Agropecuária: 4.025 vagas
Análise por estado
O crescimento na geração de empregos foi registrado nas 27 Unidades da Federação, com destaque para:
São Paulo: 72.283 novas vagas (+0,50%)
Minas Gerais: 29.083 vagas (+0,58%)
Rio de Janeiro: 20.031 vagas (+0,51%)
Já os menores saldos foram observados em:
Alagoas: 414 postos (+0,09%)
Roraima: 669 postos (+0,80%)
Acre: 760 postos (+0,68%)
Perfil dos contratados
A faixa etária com maior saldo de admissões foi a de 18 a 24 anos, com 126.300 vagas. No critério de escolaridade, o destaque foi para candidatos com ensino médio completo, que acumularam um saldo de 191.084 empregos.
Foto: José Paulo Lacerda
Em relação à faixa salarial, o maior número de admissões ocorreu entre trabalhadores com rendimento de até 1,5 salários mínimos, que somaram 178.593 vagas.
No recorte por raça/cor, as pessoas que se declararam pardas representaram a maioria das novas contratações, com 171.377 postos. Pessoas que se declararam brancas tiveram um saldo de 78.400 vagas.
Distribuição por gênero e salários
Em abril, os homens foram maioria entre os novos contratados, com 133.766 empregos gerados, enquanto as mulheres ocuparam 123.762 novas vagas.
Foto: José Paulo Lacerda
O salário médio real de admissão foi de R$ 2.251,81, um aumento de R$ 15,96 (+0,71%) em relação ao valor registrado em março de 2025 (R$ 2.235,85). Em relação a abril de 2024, o ganho real foi de R$ 6,62, representando uma alta de 0,28%, já com os efeitos sazonais descontados.
Ministro comenta cenário econômico
Durante a apresentação dos dados, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou que os números refletem um esforço contínuo do governo para estimular a economia. Ele também voltou a criticar o atual patamar da taxa Selic, fixada em 14,75%, que segundo ele impacta negativamente o setor produtivo.
“O empresariado segue apontando o custo elevado dos juros, e isso precisa ser revisto. É preciso que o Banco Central calibre melhor sua bússola para pensar o futuro do país”, afirmou Marinho ao comentar o desempenho do mercado de trabalho em abril.
Estado deixa de pagar R$ 354 milhões referentes aos planos de 2024 e 2025; dívida total chega a R$ 6,4 bilhões
O Governo do Rio Grande do Norte está em atraso com o pagamento de precatórios junto ao Tribunal de Justiça do Estado (TJRN). Os débitos somam R$ 354 milhões relativos aos planos de pagamento dos anos de 2024 e 2025. A informação foi obtida por meio de processos e decisões judiciais em tramitação no Judiciário potiguar.
A Divisão de Precatórios do TJRN informou que o Estado deveria ter repassado R$ 328,8 milhões entre janeiro e abril de 2025, mas transferiu apenas R$ 119 milhões. Esse montante, no entanto, foi direcionado para reduzir a parcela pendente do plano de 2024, conforme orientação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
No plano de pagamentos de 2024, o valor total estipulado foi de R$ 646 milhões, dos quais o Governo aportou R$ 501 milhões. Para 2025, o plano aprovado soma R$ 919,2 milhões, exigindo aportes mensais na casa de R$ 76 milhões. Atualmente, o Estado integra o Regime Especial de Pagamento de Precatórios e deve quitar todo o passivo até novembro de 2029.
A dívida consolidada do Estado do Rio Grande do Norte com precatórios alcança R$ 6,4 bilhões até maio de 2025, segundo dados da Justiça Estadual. O governo argumenta que a crise fiscal enfrentada nos últimos anos comprometeu a capacidade de pagamento e busca renegociar os valores junto ao Judiciário potiguar.
Entre os fatores apontados para o desequilíbrio nas contas públicas está a redução da alíquota do ICMS em 2024, que estava fixada em 18%, o que teria impactado negativamente a arrecadação. Além disso, os precatórios acumulados incluem valores decorrentes de decisões judiciais relativas a salários atrasados e descumprimentos de direitos de servidores públicos.
O Governo do Estado propôs a redução do plano de 2025 para um percentual de 1,5% da Receita Corrente Líquida (RCL), mas o pedido foi indeferido pelo Comitê Gestor de Contas de Precatórios do TJRN, sob o argumento de ausência de fundamento constitucional para essa limitação. Mesmo assim, a Justiça autorizou o parcelamento dos valores não pagos de 2024 e 2025 até dezembro deste ano, com desconto direto na conta do Fundo de Participação dos Estados (FPE).
De acordo com a Secretaria Estadual de Fazenda, o pagamento integral dos valores previstos em 2025 comprometeria mais de 5% da RCL, o que, segundo o governo, é incompatível com a manutenção de outras obrigações, como o pagamento da folha salarial e o custeio da máquina pública.
O governo também acompanha a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Congresso Nacional, que prevê a ampliação do prazo para pagamento de precatórios. A proposta atual visa limitar os pagamentos anuais ao teto de 3% da Receita Corrente Líquida e originalmente se aplicaria apenas aos municípios, mas os estados buscam ser incluídos na emenda.
Desde 2019, o Governo do Rio Grande do Norte tem realizado repasses mensais para a quitação de precatórios. No entanto, com as novas diretrizes do CNJ, que elevaram o percentual sobre a RCL e incorporaram atualizações monetárias, os valores aumentaram significativamente. O Estado informou que mantém tratativas com o TJRN para revisar o plano de pagamentos e reafirma o compromisso com a regularização do passivo.
Foto: Heros Lucena/Governo do RN/Ilustração / Sandro Menezes/Governo do RN/Ilustração / Arquivo/POR DENTRO DO RN
Seis meses após assumir oficialmente a Prefeitura de Parnamirim, a professora Nilda Cruz segue demonstrando que, para além do marketing institucional e das fotos nas redes sociais – com sorriso largo, chupando picolés, mãos fazendo gesto de coração – falta gestão, comando e, sobretudo, resultados concretos.
É cada vez mais evidente que sua administração patina. A prefeita, que ascendeu ao cargo após derrotar o candidato de Rosano Taveira, Salatiel de Souza, parece não ter compreendido ainda a dimensão do desafio que representa governar a terceira maior cidade do Rio Grande do Norte.
E, enquanto a população espera soluções, o que se vê são promessas vazias, polêmicas familiares e uma avalanche de propaganda institucional — outdoors espalhados pela cidade com apelos religiosos — tentando esconder a inoperância que grita nas ruas.
Transporte público: um retrato do abandono
Um dos exemplos mais visíveis da falta de ação da prefeita Nilda está no transporte público municipal. As linhas interbairros de Parnamirim são operadas majoritariamente por vans antigas, muitas com mais de 20 anos de uso — há registros de veículos fabricados em 2001 ainda circulando. O serviço é caro, inseguro, sem acessibilidade para pessoas com deficiência e completamente incompatível com as exigências mínimas de dignidade para o usuário.
Enquanto o Ministério Público do RN atua exigindo melhorias no transporte intermunicipal, recomendando a retirada de veículos com mais de 18 anos de uso, a frota de Parnamirim segue como uma exceção vergonhosa: ultrapassada, irregular e ignorada pelo poder público municipal. A prefeita, que deveria ser a primeira a enfrentar essa realidade, se mantém em silêncio.
Sem apoio político e sem entregas
A gestão Nilda também amarga perdas políticas importantes. Seis vereadores – um deles do mesmo partido da prefeita – até então aliados, se declararam independentes e romperam com a base da prefeita. O movimento revela o descontentamento até mesmo dentro de sua própria trincheira, o que enfraquece ainda mais a capacidade de articulação e execução de projetos relevantes para a cidade.
Mas o distanciamento não surpreende. Faltam obras estruturantes, programas consistentes, ações efetivas de combate à desigualdade e investimentos sólidos em saúde, educação e infraestrutura urbana. Até mesmo sua principal “entrega” visível da prefeita à população, a publicidade institucional — dispendiosa, massiva e desproporcional frente à escassez de resultados reais – já é motivo de críticas da população local.
Polêmicas pessoais que respingam na gestão
A prefeita também vem acumulando polêmicas que abalam sua imagem. O caso mais grave envolve o acidente de carro que resultou na morte de um bebê de apenas quatro meses, atropelado junto à mãe por um veículo da prefeitura em abril deste ano. Ainda que o episódio esteja sob investigação, a situação escancarou o despreparo de sua equipe e expôs fragilidades na condução dos recursos públicos e na responsabilidade institucional.
Outro ponto que desperta atenção é o envolvimento de familiares da prefeita em casos controversos. Embora juridicamente resolvido, o histórico recente de seu esposo, acusado de tortura contra um suspeito de estupro, continua sendo explorado politicamente e enfraquece a autoridade moral da chefe do Executivo municipal.
Governar exige mais que outdoor
Nilda foi eleita com um discurso de renovação e responsabilidade, mas até agora não demonstrou capacidade técnica nem sensibilidade social para administrar Parnamirim. Em vez de propaganda em outdoors, a população espera ônibus novos nas ruas, UBS funcionando, UPA atendendo adequadamente, escolas bem equipadas, ruas asfaltadas e servidores valorizados.
É inaceitável que uma cidade do porte de Parnamirim continue à mercê de uma gestão que até agora só entregou promessas ilustradas em painéis de publicidade. A prefeita precisa lembrar que propaganda não tapa buraco, não melhora a mobilidade, não resolve a crise da saúde, nem convence um eleitorado que está atento.
A realidade é que o tempo está passando — e rápido. Se a prefeita quiser encerrar este ano com alguma credibilidade, precisa abandonar o marketing vazio e arregaçar as mangas. Porque até agora, o saldo de sua administração é, no mínimo, decepcionante.
Djairlon Moura afirmou ao STF que operação foi solicitada para coibir transporte irregular de eleitores e recursos
O ex-diretor de operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Djairlon Henrique Moura, afirmou em depoimento nesta terça-feira (27.mai.2025) que recebeu ordens do Ministério da Justiça para realizar blitz em ônibus durante as eleições de 2022. A informação foi dada à 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que conduz a ação penal contra o ex-ministro Anderson Torres e outros investigados por tentativa de golpe de Estado.
Segundo Djairlon, o objetivo da operação seria fiscalizar o possível transporte irregular de eleitores e de valores financeiros. As blitzes, de acordo com o delegado, foram direcionadas a ônibus que partiam dos estados de São Paulo e do Centro-Oeste com destino à região Nordeste.
De acordo com o depoimento, a solicitação para a realização da operação partiu da Secretaria de Operações Integradas (Seopi), durante reunião ocorrida no Ministério da Justiça. “Foi solicitada a realização de uma operação antes da eleição dos ônibus que saíssem de São Paulo e da região Centro-Oeste com destino ao Nordeste, com votantes e recursos financeiros que já estavam em investigação pela Polícia Federal”, disse Djairlon.
O ex-diretor da PRF alegou que, em mais de 60% dos veículos abordados, o tempo da blitz não passou de 15 minutos. Segundo ele, não houve orientação explícita para dificultar o deslocamento de eleitores, nem direcionamento político nas ações de fiscalização.
Entretanto, um servidor da PRF ouvido no processo relatou que a ordem para atuação da inteligência do órgão nas abordagens a ônibus e vans durante o período eleitoral partiu do próprio Djairlon Henrique Moura. Ainda segundo o relato, a chefia da PRF havia determinado que o órgão “tomasse um lado”, sob orientação do então diretor-geral.
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Durante o depoimento, Djairlon declarou que o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, solicitou que tanto a Polícia Federal (PF) quanto a PRF se empenhassem nas ações de policiamento das eleições com o objetivo de coibir crimes eleitorais. Entre os principais alvos estariam o transporte de valores sem declaração e o transporte irregular de eleitores.
Além de Djairlon, a sessão desta terça-feira ouviu outras testemunhas de defesa de Anderson Torres. Estavam presentes os delegados da Polícia Federal Bráulio do Carmo Vieira, Luís Flávio Zampronha e Caio Rodrigo Pellim, além dos delegados da Polícia Civil do Distrito Federal, Alberto Machado e George Estefani de Souza. Também foi ouvido Saulo Moura da Cunha, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Esses depoimentos fazem parte da instrução do processo que tramita no STF e apura suposta tentativa de golpe de Estado. O Ministério Público Federal sustenta que integrantes da antiga gestão federal atuaram para impedir o cumprimento do resultado das eleições presidenciais de 2022, que consagraram Luiz Inácio Lula da Silva como presidente eleito.
Na segunda-feira (26.mai), foram ouvidas testemunhas de defesa do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno. A fase de depoimentos continua ao longo da semana, com previsão de 25 testemunhas indicadas pela defesa de Anderson Torres.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) ofereceu denúncia em março de 2024 contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu ex-vice Braga Netto e outros 33 acusados. Segundo a PGR, o grupo formou uma organização dividida em núcleos civil, militar e jurídico, com o objetivo de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito e impedir a posse do presidente eleito.
O STF analisa se há indícios suficientes para a abertura de ações penais formais contra todos os denunciados, o que pode levar a futuras condenações por crimes como golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado de Direito.
Valor de retiradas ilegais desde 2019 ainda está sendo levantado
Os aposentados e pensionistas que sofreram descontos ilegais no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) serão ressarcidos até 31 de dezembro, disse nesta terça-feira (27) o presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior. Em reunião do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), ele disse que o Tesouro Nacional poderá adiantar parte do reembolso, com o valor bloqueado e apreendido das entidades sendo devolvido ao governo posteriormente.
Segundo Waller, o cronograma de devolução sairá em breve. “Com certeza, até 31 de dezembro todo mundo que foi lesado será ressarcido”, disse.
Em relação às fontes de recursos, Waller disse que R$ 1 bilhão em recursos bloqueados das entidades investigadas já estão disponíveis para o ressarcimento. O INSS aguarda a Justiça decidir sobre o bloqueio de outros R$ 2,5 bilhões, pedido pela Advocacia-Geral da União (AGU).
“Mais de R$ 1 bilhão foram bloqueados para garantir ressarcimento ao erário, e a AGU pediu bloqueio de mais R$ 2,5 bilhões, o que está pendente de decisão judicial”, ressaltou o presidente do INSS.
Em seguida, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, acrescentou que o ressarcimento ocorrerá independentemente da busca de recursos pela AGU.
A antecipação de recursos do Tesouro Nacional, explicou o presidente do INSS, é cogitada por causa da demora em vender os bens das associações e entidades bloqueados pela Justiça.
Estimativas
Waller reiterou que o valor retirado indevidamente de aposentados e pensionistas ainda é desconhecido, mas ficará menor que os R$ 5,9 bilhões descontados de março de 2020 a abril de 2025 de 9 milhões de aposentados e pensionistas, o que inclui valores retirados com autorização. O desconto médio não autorizado está em R$ 48 por mês, enquanto as retiradas entre R$ 60 e R$ 70 têm percentual menor de contestação.
O presidente do INSS também informou que os descontos ilegais se concentram nos últimos dois anos, não nos últimos cinco anos. Segundo Waller, isso deve diminuir o valor a ser ressarcido.
Há cerca de duas semanas, cerca de 9 milhões de aposentados e pensionistas foram notificados pelo aplicativo Meu INSS e devem informar se os descontos para associações e entidades foram autorizados ou são ilegais. Nesta terça-feira, o INSS publicou a lista de cerca de 4,7 mil agências dos Correios que atenderão os segurados com dificuldade de acesso à internet.
Decisões suspensas
A reunião do CNPS deste mês não teve a participação dos representantes das associações investigadas pela Polícia Federal, afastados preventivamente pelo ministro da Previdência, Wolney Queiroz. Por causa do afastamento, a reunião desta terça não teve decisões deliberativas.
O CNPS, que decide sobre questões como o teto de juros do crédito consignado do INSS, só voltará a deliberar após as centrais sindicais indicarem os substitutos dos conselheiros afastados. Há a expectativa de que, no encontro de junho, os nomes dos futuros conselheiros sejam definidos.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil / Joédson Alves/Agência Brasil / Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Episódio mostra a eficácia do sistema sanitário do país, disse Fávaro
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Carlos Fávaro, anunciou que o foco da gripe aviária, identificado no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul, está contido, em audiência pública, nesta terça-feira (27), na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.
“Apesar de estarmos no quinto dia útil depois da desinfecção total da granja e 15 dias do aparecimento do foco, eu posso assegurar com muita tranquilidade que o foco de Montenegro está contido”, afirmou Fávaro.
O ministro ressaltou que o episódio mostrou a eficácia do sistema sanitário do país.
Segundo o Ministério da Agricultura, no raio de 10 quilômetros da granja afetada, foram identificados 540 estabelecimentos rurais, e todos já foram vistoriados, sendo que além da granja do foco, mais dois atuam com avicultura comercial.
“O principal ponto que temos que ressaltar foi a capacidade do bloqueio desse foco. Imediatamente se instalou sete barreiras sanitárias e medidas de proteção aos trabalhadores. Ontem (segunda-feira), 21 casos estavam em investigação e dez já descartados hoje. Tínhamos duas granjas e, agora, só uma em investigação”, informou.
O ministro disse que em pouco mais de 20 dias o Brasil deverá anunciar que o país está livre da doença. O prazo se deve a questões sanitárias.
“Passados 28 dias desse período [de identificação do caso mais recente], que é incubatório do vírus, nós vamos de novo anunciar o Brasil livre de gripe aviária, e a tendência, muito forte, de que isso vai acontecer nos próximos 23 dias”, anunciou.
Após o aparecimento do foco, 24 países decidiram suspender a importação de carne e ovos do Brasil por questões sanitárias. Desses, 13 decidiram suspender a compra apenas das aves e ovos produzidos no Rio Grande do Sul.
Fávaro disse que com o anúncio de que o país ficou livre da doença, deve ser retomada a normalidade das exportações.
“Vamos avançar na repactuação com todos os países que restringiram a compra”.
O ministro comparou o caso do Brasil, que abateu 17 mil aves, após a descoberta do foco, com casos de gripe aviária nos Estados Unidos. Lá, dois dias antes da confirmação da gripe no Brasil, um foco da doença provocou o abate de 700 mil aves.
“Se tivesse escapado esse foco em Montenegro para outras regiões do país, teríamos outros casos de mortalidade. Novos casos letais poderiam surgir em 4 ou 5 dias, mas isso não foi registrado. Ao não ter [ocorridos novos casos], passados 15 dias, isso mostra a capacidade do sistema de controle sanitário brasileiro e de como ele funcionou”, explicou.
“O vírus da gripe aviária circula no mundo há pelo menos 30 anos. Há 19 anos já tem registros em granjas comerciais, e o Brasil, nesse período, se tornou o único grande produtor mundial de carne e ovos não tendo o vírus dentro dos seus plantéis comerciais, e isso não é coincidência”, afirmou.
Doença
A influenza aviária, comumente conhecida como gripe aviária, afeta principalmente aves, mas também foi detectada em mamíferos, incluindo bovinos.
A transmissão ocorre pelo contato com aves doentes e também por meio da água e de materiais contaminados.
A doença raramente afeta humanos, e a orientação é que as pessoas se mantenham informadas e adotem as medidas preventivas recomendadas.
Segundo o Ministério da Agricultura, carnes e ovos podem ser consumidos com segurança, desde que preparados adequadamente.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil / Valter Campanato/Agência Brasil
Episódio ocorreu na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, deixou a audiência na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado após ser atacada pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM).
O tucano pediu a palavra para fazer uma pergunta, mas acabou afirmando que, como ministra, ela não merecia respeito.
“Estou falando com a ministra e não com a mulher, porque a mulher merece respeito, a ministra, não”, afirmou Plínio Valério.
A ministra estava na comissão como convidada para tratar da criação de quatro unidades de conservação marítimas no Amapá. Durante a audiência, houve calorosos debates sobre temas como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, o Projeto de Lei do Licenciamento Ambiental e a extensão da BR-319.
Após retrucar que o convite foi feito porque ela ocupa o cargo de ministra e não por ser mulher, Marina Silva e a equipe do ministério deixaram a sessão.
O senador Rogério Carvalho (PT-SE) saiu em defesa da ministra.
“O debate político pode ser caloroso, pode se expressar as divergências, pontos de vistas, agora, manifestação de desrespeito é inaceitável.”
Reunião
Após reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, Marina afirmou que foi senadora por 16 anos e que está acostumada ao diálogo, mas que não aceitava que alguém dissesse que ela tinha de “se colocar no seu lugar”.
“O meu lugar é o lugar da defesa da democracia, o meu lugar é o lugar da defesa do meio ambiente, do combate à desigualdade, do desenvolvimento sustentável, da proteção da biodiversidade, de projetos de infraestrutura necessários ao país”, defendeu.
Ela disse ainda que solicitou desculpas por parte do parlamentar e que não foi atendida.
“O que não pode é alguém achar que porque você é mulher, é preta, vem de uma trajetória de vida humilde, que você vai dizer quem eu sou e ainda dizer que eu devo ficar no meu lugar. O meu lugar é aonde todas as mulheres devem estar.”
Reincidência
Plínio Valério já havia atacado anteriormente a ministra Marina Silva, durante um discurso público em um evento no Amazonas. Naquela ocasião, o senador afirmou: “Imagine o que é tolerar a Marina seis horas e dez minutos sem enforcá-la”.
Omar Aziz
Antes do ataque verbal de Plínio Valério, o senador Omar Aziz (PSD-AM) provocou Marina Silva, atribuindo a ela culpa pela aprovação do Projeto de Lei 2.159/2021 – que muda as regras do licenciamento ambiental.
“Se essa coisa [o PL] não andar, a senhora também terá responsabilidade do que nós estamos aprovando aqui. Pode ter certeza! Pela intransigência, a falta de vontade de dialogar, de negociar, de conversar e de agilizar, mas nós iremos agilizar”, disse Aziz.
“É não querer honrar os votos de quem os elegeu, porque quem tem um mandato de senador, de deputado, vota pelas convicções que tem, não porque alguém o obrigou a fazer alguma coisa”, rebateu a ministra.
Marina Silva concluiu ressaltando que “o licenciamento ambiental é uma conquista da sociedade brasileira e, nesse momento, só o povo brasileiro pode evitar esse desmonte que está sendo proposto.”
Após sentir vertigem, Lula realiza exames e resultados apontam normalidade, segundo boletim médico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou exames de imagem e sangue nesta segunda-feira (26.mai.2025) após apresentar quadro de vertigem. O diagnóstico médico foi de labirintite, e o presidente foi orientado a permanecer em repouso no Palácio da Alvorada.
De acordo com o boletim médico divulgado pelo Hospital Sírio-Libanês, localizado em Brasília, todos os exames apresentaram resultados dentro da normalidade. Lula é acompanhado pelas equipes médicas coordenadas pelo Dr. Roberto Kalil Filho e pela Dra. Ana Helena Germoglio.
Com a indisposição, Lula cancelou os compromissos oficiais que estavam programados para a tarde desta segunda-feira, incluindo reuniões com os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação) e Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos).
A agenda do presidente incluía ainda participação em cerimônia no Itamaraty em comemoração ao Dia do Diplomata, evento previsto para o dia seguinte. A presença de Lula nesse compromisso será reavaliada de acordo com sua evolução clínica.
Este é o segundo episódio recente envolvendo a saúde do presidente. Em janeiro deste ano, Lula foi submetido a exames de imagem na cabeça como parte do acompanhamento médico após sofrer um acidente doméstico em outubro de 2024.
A Presidência da República não informou por quanto tempo Lula deverá permanecer afastado das atividades públicas, mas fontes do governo indicam que o presidente continuará sob observação, com retorno gradual à rotina conforme a evolução de seu quadro de saúde.
O Rio Grande do Norte vive um momento paradoxal. Apesar de dados recentes apontarem para uma suposta redução da criminalidade, os fatos que se impõem no cotidiano do potiguar mostram uma realidade bem diferente — e, agora, atingem até o coração do poder legislativo estadual. O recente arrombamento e roubo no gabinete de um deputado estadual dentro da Assembleia Legislativa do RN (ALRN) escancara não apenas uma fragilidade institucional, mas também um retrato fiel da insegurança pública no RN.
O episódio não pode ser tratado como uma simples ocorrência criminal. Trata-se de um alerta gravíssimo: se nem os gabinetes parlamentares, em um prédio que deveria ser um dos mais seguros do estado, estão protegidos, o que resta ao cidadão comum nas ruas de Natal, Mossoró ou qualquer cidade do interior potiguar?
O furto ocorreu dentro do gabinete do deputado estadual Gustavo Carvalho (PL) e foi registrado pelas câmeras de segurança da própria ALRN. A polícia investiga, mas até agora a sensação de vulnerabilidade paira não apenas sobre os parlamentares, mas sobre toda a população. Afinal, se a Assembleia é violada, não há local seguro o suficiente.
Segurança falha dentro da própria casa do povo
A Assembleia Legislativa do RN é um espaço de representação popular. O mínimo que se espera é que seja também um ambiente de segurança e ordem. O que se viu, no entanto, foi o completo oposto: um prédio público com câmeras de segurança que não impediram o furto, vigilância falha e fragilidade no controle de acesso. É preocupante que, mesmo com as imagens do suspeito captadas, o crime tenha acontecido com tamanha facilidade.
A administração da Assembleia Legislativa, comandada pelo presidente Ezequiel Ferreira (PSDB), tem agora a obrigação de responder à sociedade: como um crime desses foi possível dentro do principal prédio legislativo do Estado? Onde estavam os protocolos de segurança? E o que será feito para que episódios como esse não voltem a ocorrer?
Uma tragédia anunciada diante do caos estadual
O caso reflete ainda uma crise mais ampla: a fragilidade da segurança pública no Rio Grande do Norte. Embora o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Segurança, tente divulgar números que apontam para a redução de homicídios e crimes violentos, a percepção da população segue sendo de medo, abandono e ausência de Estado.
Roubos a comércios, assaltos a mão armada, invasões de residências, arrastões em transportes públicos — essa é a realidade diária que o potiguar enfrenta. E, agora, os próprios representantes da população não estão imunes. O roubo na ALRN é simbólico porque representa o colapso da segurança institucional, algo que deveria ser intocável.
A governadora Fátima Bezerra (PT) precisa assumir sua responsabilidade nesse contexto. A segurança pública está longe de atender aos anseios da população e, enquanto se investe mais em propaganda do que em ações estruturais, a criminalidade segue avançando, inclusive dentro das instituições.
O povo assiste e cobra
O povo potiguar observa com descrença o desenrolar desse e de tantos outros casos. As promessas de campanha, os planos de segurança, as operações esporádicas — tudo parece insuficiente diante da ousadia de criminosos que agora não se intimidam nem com as paredes da Assembleia Legislativa.
Esse episódio não pode ser tratado como um caso isolado. Ele é reflexo direto do enfraquecimento da política de segurança pública no RN e da falta de gestão eficiente tanto no âmbito estadual quanto nas próprias instituições legislativas.
É hora de cobrar respostas, mudanças concretas e, acima de tudo, respeito ao cidadão e às instituições. Porque se nem na Assembleia há segurança, o que resta ao povo do Rio Grande do Norte?
Deputado é investigado por incitar EUA a adotarem ações contra Moraes
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (26) abrir um inquérito para investigar o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelos crimes de coação no curso do processo e obstrução de investigação.
O pedido de abertura de investigação foi feito ao Supremo pelo procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, para apurar a suposta atuação do parlamentar para incitar o governo dos Estados Unidos a adotar medidas contra Moraes, que foi escolhido relator do caso por também atuar no comando das ações da trama golpista e no inquérito das fake news.
O ministro também autorizou o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro para prestar esclarecimentos por ser “diretamente beneficiado” pelas ações de seu filho. Bolsonaro é réu do núcleo 1 da trama golpista. Diplomatas brasileiros também devem ser ouvidos.
A PGR também anexou ao inquérito a notícia-crime enviada em março ao STF pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Na ocasião, o deputado pediu a apreensão do passaporte de Eduardo Bolsonaro (foto) para evitar a saída dele para o exterior. No entanto, a procuradoria e Alexandre de Moraes rejeitaram o pedido.
Na ocasião, Lindbergh denunciou que Eduardo Bolsonaro fazia viagens aos Estados Unidos para articular com deputados daquele país ataques contra o ministro Alexandre. Segundo o parlamentar, o filho de Bolsonaro comete crime de lesa-pátria por constranger o ministro e o Poder Judiciário brasileiro.
Com a nova decisão de Moraes, Lindbergh Farias vai depor contra o filho de Bolsonaro no inquérito.
Em março deste ano, em meio ao julgamento no qual Bolsonaro virou réu, Eduardo pediu licença de 122 dias do mandato parlamentar e foi morar nos Estados Unidos. Por estar no exterior, Eduardo poderá depor por escrito.
Na semana passada, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, confirmou que há “uma grande possibilidade” de Moraes sofrer sanções do país.
Outro lado
Em postagem nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro considerou que o pedido de investigação é uma medida “injusta e desesperada”.
“Só configura aquilo que sempre falamos, o Brasil vive um regime de exceção, onde tudo no Judiciário defende de quem seja o cliente”, declarou.
Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados / Bruno Spada/Câmara dos Deputados / Antonio Augusto/STF / Nelson Jr./SCO/STF
Caso envolvendo gabinete de Gustavo Carvalho está sendo investigado pelas autoridades competentes
O gabinete do deputado estadual Gustavo Carvalho (PL), localizado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, foi alvo de arrombamento. A informação foi confirmada pelo parlamentar nesta segunda-feira (26.mai.2025), mas detalhes sobre o ocorrido ainda não foram divulgados oficialmente.
Segundo informações da assessoria de Gustavo Carvalho, o caso está sendo investigado pelas autoridades competentes. A equipe de segurança da própria Assembleia Legislativa também iniciou apuração interna para identificar as circunstâncias do arrombamento.
Até o momento, não há confirmação sobre o que teria sido levado do local, nem indícios de que o crime tenha motivação política. As investigações buscam esclarecer o dia exato em que o arrombamento ocorreu, bem como eventuais registros de entrada ou movimentação suspeita no prédio da Assembleia Legislativa.
A assessoria de imprensa da Assembleia informou que ainda está levantando informações sobre o caso. Câmeras de segurança e outros dispositivos de monitoramento estão sendo analisados para auxiliar no esclarecimento do episódio.
O deputado Gustavo Carvalho não se pronunciou sobre possíveis prejuízos ou sobre o impacto do ocorrido nas atividades do mandato. O caso segue sob análise das autoridades policiais.
Foto: João Gilberto/ALRN/Ilustração / Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
Encontro discute políticas públicas para o esporte e aproxima gestores de todo o país
O secretário municipal de Esportes e Lazer de Natal, Hermes Câmara, representou a capital potiguar no Encontro Nacional de Secretários de Esportes, que ocorreu em Salvador (BA). A programação, realizada entre os dias 26 e 28 de maio, reuniu dirigentes municipais de diversas regiões do Brasil para o debate de políticas públicas, intercâmbio de experiências e estratégias para o fortalecimento da gestão do esporte nos municípios.
A participação de Hermes Câmara no evento reforça o compromisso da Prefeitura de Natal com o desenvolvimento de políticas públicas esportivas e com a articulação institucional junto às demais cidades brasileiras. A agenda do encontro inclui painéis sobre financiamento público para o setor, inclusão social por meio do esporte, programas de incentivo às práticas esportivas nas escolas, parcerias com o setor privado, além da valorização de iniciativas locais que promovam a atividade física e o lazer.
Durante o evento, o secretário também participou de reuniões técnicas com representantes do Ministério do Esporte, da Confederação Nacional de Municípios (CNM) e de outras entidades que atuam na promoção do esporte em nível nacional. As reuniões buscam alinhar demandas e estratégias de cooperação para o fortalecimento das políticas municipais, incluindo a ampliação de recursos e a qualificação da infraestrutura esportiva nas cidades.
O Encontro Nacional de Secretários de Esportes em Salvador também contou com a participação de representantes do Conselho Federal de Educação Física, parlamentares da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados e técnicos da área, além de promover a troca de experiências bem-sucedidas na implementação de centros de iniciação ao esporte, programas de formação de atletas e ações voltadas à população em situação de vulnerabilidade social.
Natal poderá sediar próximo encontro dos secretários
Um dos pontos centrais da atuação de Hermes Câmara no encontro foi a articulação para que Natal seja a cidade-sede da próxima edição do Encontro Nacional de Secretários Municipais de Esportes. A proposta apresentada prevê a realização do evento em novembro deste ano. A iniciativa busca colocar Natal em destaque na agenda esportiva nacional, além de fortalecer o posicionamento da capital potiguar como referência na gestão esportiva pública.
A presença do secretário Hermes Câmara no evento e as articulações em andamento refletem uma movimentação estratégica que pode trazer benefícios para o fortalecimento das políticas públicas do esporte em Natal. A cidade tem investido em projetos de incentivo à prática esportiva em comunidades, apoio a atletas locais e manutenção de espaços destinados ao lazer e à atividade física em todas as regiões administrativas.
Ministro da Fazenda participou do evento Nova Indústria Brasil, no Rio
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, nesta segunda-feira (26), que o Brasil tem uma “caixa-preta” de R$ 800 bilhões em renúncias fiscais. Haddad participou do evento Nova Indústria Brasil, no Rio de Janeiro.
“Ao invés de oferecer uma alíquota média de tributos menor para todo mundo, a gente resolve escolher os campeões nacionais que levam o grosso do Orçamento. Aquele que paga imposto fica prejudicado por aquele que fez do lobby a sua profissão de fé”, disse.
O ministro afirmou ainda que a reforma tributária, aprovada recentemente no Congresso Nacional, terá efeitos extraordinários sobre o ambiente de negócios no país.
“Começando pelo fato de que a desoneração do investimento vai ser de 100%, A desoneração da exportação vai ser de 100%, a guerra fiscal vai acabar entre os estados, inclusive a guerra fiscal dos estados com a União também vai acabar, em benefício do bom empresário”.
Em seu discurso, Haddad afirmou que a carga tributária do país hoje é menor que há dez anos. “Temos desafios a enfrentar, sobretudo em relação ao equilíbrio orçamentário”, disse o ministro, ressaltando que o atual governo federal assumiu, em 2023, com um déficit primário estrutural de 2%.
“Com apoio de parte do Congresso, estamos conseguindo avançar no sentido de estabilizar o Orçamento e criar as condições macroeconômicas para a indústria voltar a se desenvolver”, afirmou Haddad.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil / Paulo Pinto/Agência Brasil
No total, a autarquia deverá devolver R$ 292 milhões
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começa a restituir, nesta segunda-feira (26), os valores relativos a mensalidades associativas descontadas de beneficiários da Previdência Social entre 24 de abril e 8 de maio
No total, a autarquia devolverá R$ 292 milhões. A quantia diz respeito a descontos apenas na folha de abril, fechada antes da megaoperação deflagrada pela Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) para aprofundar investigações sobre o esquema nacional de descontos ilegais.
Após a revelação do desconto, nas folhas de pagamento, de cobranças não autorizadas de milhares de pessoas em todo o país, o INSS suspendeu todos os acordos de cooperação técnica que permitiam que sindicatos, associações e outras entidades sociais cobrassem mensalidades de filiação diretamente dos benefícios pagos pelo instituto.
No entanto, como a folha de pagamento dos benefícios já estava fechada, muitos descontos foram efetivados. Contudo, o INSS reteve os valores, que agora serão devolvidos junto com os benefícios que começam a ser pagos hoje.
A data exata da devolução depende do valor do benefício (igual ou maior que um salário-mínimo) e do último algarismo do número de Benefício (NB) – sem considerar o dígito verificador, que aparece depois do traço. De acordo com o calendário regular de pagamentos, a devolução será feita nas seguintes datas:
Quem ganha até um salário-mínimo
Final 1 26 de maio Final 2 27 de maio Final 3 28 de maio Final 4 29 de maio Final 5 30 de maio Final 6 2 de junho Final 7 3 de junho Final 8 4 de junho Final 9 5 de junho Final 0 6 de junho
Quem ganha acima de um salário-mínimo
Final 1 e 6 2 de junho Final 2 e 7 3 de junho Final 3 e 8 4 de junho Final 4 e 9 5 de junho Final 5 e 0 6 de junho
Mensalidades antigas
Para reaver o valor de mensalidades associativas antigas, o aposentado ou pensionista deverá informar ao INSS que não reconhece autorização para o débito em folha. O pedido deve ser feito pelo Meu INSS (aplicativo ou site) ou pelo telefone 135. Não é necessário enviar documentos nem oferecer qualquer informação, além de dizer se autorizou ou não os descontos.
O INSS vai acionar a entidade para que comprove a autorização. Caso não haja comprovação, a entidade deverá devolver os recursos ao Instituto, que posteriormente fará o repasse ao beneficiário. A devolução será feita pelo INSS, pelo mesmo meio que faz os pagamentos regulares – seja conta bancária ou cartão magnético.
Para evitar que os beneficiários seja vítimas de novos golpes, o INSS alerta que não realiza atendimento, nem pede que documentos pessoais, fotos, senhas ou dados bancários sejam enviados por meio de redes sociais ou aplicativos como o WhatsApp.
Todos os serviços e informações sobre benefícios devem ser acessados apenas pelos canais oficiais, como o site Meu INSS, o Aplicativo Meu INSS ou o telefone 135.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil / Joédson Alves/Agência Brasil
A política potiguar se prepara para uma transição significativa: daqui a menos de um ano, a partir de abril de 2026, Walter Alves (MDB) assumirá o governo do Rio Grande do Norte, sucedendo Fátima Bezerra (PT), que deixará o cargo para tentar voltar ao Senado Federal nas eleições de outubro. A mudança, embora prevista, carrega expectativas e desafios que vão além da simples substituição no comando do Executivo estadual.
Walter Alves, filho do ex-governador Garibaldi Alves Filho, é conhecido por sua trajetória política discreta e por evitar confrontos diretos. No entanto, ao assumir o governo, mesmo que por apenas nove meses, ele enfrentará a pressão de resolver questões pendentes da gestão de Fátima Bezerra. Entre essas questões estão (e certamente estarão) obras inacabadas, problemas na saúde pública e, principalmente, demandas por maior eficiência administrativa.
É praticamente impossível ele conseguir obter uma efetividade, até mesmo devido ao pouco tempo sentado na cadeira de governador – e mais ainda pela ressaca de um governo com contas extrapoladas, atrasos aos fornecedores, que aumentou impostos e, dentro de um quadro geral, ter causado mais insatisfações do que qualquer alegria aos potiguares.
Aliado a isso, há ainda um fator muito significativo, que será o processo de sucessão para o futuro novo governador. Apesar das expectativas, Walter já deixou claro que não pretende disputar a reeleição. Em declarações recentes, afirmou que seu foco será concluir o mandato com responsabilidade e fortalecer o MDB para as eleições de 2026.
A decisão surpreendeu alguns aliados, que viam nele um candidato natural à sucessão, mas também foi recebida com respeito por aqueles que reconhecem sua postura coerente e seu compromisso com a estabilidade política do estado.
Walter sabe bem a situação do Estado, as dificuldades, problemas, a crise que o RN enfrenta, e o quanto seria difícil ir para a reeleição com a pecha de candidato de Fátima. Seria a continuidade de uma gestão – que apesar de eleita no 1° turno em 2022 – é altamente reprovada e com grandes dificuldades de entrega.
Há, porém, uma expectativa de que Walter Alves, mesmo em um mandato curto, possa imprimir um ritmo diferente à administração estadual, priorizando a resolução de problemas imediatos e preparando o terreno para seu sucessor. Sua habilidade em articular politicamente e sua experiência legislativa serão fundamentais para conduzir o estado nesse período de transição.
Já se escuta nos corredores do Centro Administrativo que determinadas situações “é Walter quem vai resolver”, pela falta de disponibilidade (ou de interesse) da governadora Fátima e sua equipe. A frase simboliza a esperança de que o vice-governador possa, ao menos, colocar a casa em ordem antes da eleição de um novo chefe do Executivo.
A missão de Walter Alves não será fácil. Mas seu desempenho poderá influenciar diretamente no futuro político do Estado e na construção de uma nova narrativa para o RN pós-Fátima. Se conseguir imprimir um ritmo mais dinâmico, voltado à resolução de problemas reais da população, poderá sair do governo com a imagem fortalecida — mesmo sem buscar um novo mandato.
A partir de abril de 2026, o Rio Grande do Norte terá a oportunidade de experimentar um novo estilo de governo, mesmo que temporário. A pergunta que fica é: Walter Alves vai conseguir resolver?
Estado terá 12 mil unidades habitacionais do programa; nova fase atende famílias com renda de até R$ 2.850
O estado do Rio Grande do Norte foi contemplado com a inclusão de mais 2.480 unidades habitacionais do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). O anúncio foi feito pelo ministro das Cidades, Jader Filho, em Brasília, após a 26ª Marcha dos Prefeitos. Com essa nova etapa, o total de moradias pactuadas para o estado chega a 12 mil.
As unidades anunciadas fazem parte de um lote nacional de 130 mil novas habitações e serão destinadas a municípios com mais de 50 mil habitantes. As construções serão realizadas na modalidade Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), com recursos previstos no orçamento do governo federal para este ano. O foco da nova fase é a Faixa 1 do MCMV, que atende famílias com renda familiar bruta mensal de até R$ 2.850.
Segundo a governadora Fátima Bezerra, a ampliação do programa no estado demonstra o alinhamento entre os governos estadual e federal na luta para reduzir o déficit habitacional. “É mais dignidade, mais cidadania para nosso povo”, disse a governadora durante pronunciamento.
Processo de habilitação e investimentos
O processo de habilitação das cidades interessadas terá início no dia 28 de maio. Os municípios deverão atender aos critérios técnicos e legais definidos pelo programa. A Companhia Estadual de Habitação (Cehab) oferecerá suporte técnico às gestões municipais durante o processo, como explicou o diretor-presidente da companhia, Pablo Thiago Lins.
Ainda segundo Lins, os investimentos mínimos no Rio Grande do Norte serão da ordem de R$ 336 milhões. A expectativa é de que quase 10 mil pessoas sejam beneficiadas com essa nova etapa do programa. A Cehab atuará como facilitadora, orientando as prefeituras sobre os trâmites para se habilitarem à nova fase do Minha Casa Minha Vida.
Municípios e etapas do processo
No Rio Grande do Norte, 111 municípios já foram contemplados com unidades habitacionais do programa, em diferentes modalidades: FAR, FDS, Sub-50 e Rural. Entre eles estão Natal e cidades da Região Metropolitana.
O próximo passo, após a habilitação das propostas, será a análise pela Caixa Econômica Federal, responsável pela aprovação técnica e contratação das obras. Após essa fase, os contratos são assinados e os projetos executados.
Além de oferecer moradia a famílias de baixa renda, o programa Minha Casa Minha Vida também impacta diretamente a economia ao movimentar a cadeia produtiva da construção civil. Gera empregos, estimula a renda e aumenta a arrecadação de tributos nos municípios onde as unidades são construídas.
De acordo com estimativas da Secretaria Estadual de Infraestrutura, o déficit habitacional no Rio Grande do Norte está em torno de 147 mil unidades. Com as novas moradias, o estado avança no enfrentamento a esse problema, com prioridade para famílias em situação de vulnerabilidade.
Ministro da Fazenda afirma que decisão foi técnica e teve impacto estimado inferior a R$ 2 bilhões
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou neste domingo (25.mai.2025) que a decisão de revogar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) foi técnica e tomada poucas horas após o anúncio da medida, que causou forte reação negativa no mercado financeiro e em setores econômicos.
A medida anunciada no dia 22 de maio previa a elevação da alíquota do IOF para 3,5% sobre transferências relativas a aplicações de fundos no exterior. A proposta foi incluída no pacote de medidas para viabilizar o cumprimento do novo arcabouço fiscal, mas acabou sendo retirada por decreto após a repercussão.
Brasília (DF), 20/03/2025 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa do programa “Bom Dia, Ministro”. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Segundo Haddad, a decisão de revogar o trecho do decreto foi tomada sem consulta prévia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de o conjunto das medidas ter sido discutido com o chefe do Executivo antes da divulgação.
“A minha decisão foi absolutamente técnica. Assim que identifiquei o problema, convoquei uma reunião virtual com a equipe e redigi o ato de correção. Antes, conferi com fontes confiáveis se as informações procediam”, disse Haddad em entrevista ao jornal O Globo.
O ministro informou ainda que a reversão da medida terá impacto estimado inferior a R$ 2 bilhões no orçamento de 2025, e justificou o recuo como uma forma de evitar especulações e instabilidade no mercado.
Além do recuo do IOF, a equipe econômica anunciou um bloqueio de R$ 31,3 bilhões no orçamento do próximo ano, sendo R$ 10,6 bilhões em bloqueios diretos e R$ 20,7 bilhões em contingenciamentos, para garantir o cumprimento do arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso Nacional.
Durante a entrevista, Haddad também comentou sobre a política de juros. A taxa Selic foi mantida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 14,75%, o maior índice em quase duas décadas. O ministro afirmou que Gabriel Galípolo, indicado à presidência do Banco Central, saberá conduzir a transição de forma responsável.
“Ele não foi convidado para dar um cavalo de pau. Sabemos da importância de manter a confiança dos investidores. Galípolo saberá promover a harmonização entre a política fiscal e monetária”, afirmou Haddad.
As medidas de contenção e ajustes fiscais estão sendo conduzidas pelo Ministério da Fazenda em meio ao esforço do governo federal para equilibrar as contas públicas e controlar a inflação, mantendo a credibilidade junto ao mercado financeiro e investidores.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Marcelo Camargo/Agência Brasil