UFRN enfrenta corte de 11% no orçamento previsto para 2025
Queda acompanha retração em universidades federais, segundo levantamento nacional
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está entre as instituições de ensino superior com cortes relevantes no orçamento previsto para 2025. Segundo levantamento da Gazeta do Povo com base nos programas orçamentários federais voltados à manutenção do ensino superior, a estimativa para a UFRN é de redução de 11% em relação ao ano anterior.
O levantamento mostra que, após aumento expressivo em 2023, estimulado pela chamada “PEC da Transição”, os recursos federais destinados às universidades voltaram a apresentar retração. Em 2024, o orçamento atualizado sofreu uma queda real de 7,6%. Para 2025, a previsão inicial é de novo recuo, calculado em 4,9% em termos gerais, com variações entre as instituições.
Queda após recomposição de 2023
Em 2023, a ampliação orçamentária foi resultado de articulações políticas que incluíram a aprovação da Emenda Constitucional que flexibilizou regras fiscais para viabilizar despesas adicionais. Porém, a recomposição não foi mantida de forma integral no ciclo seguinte.
Para 2024, o orçamento atualizado já apresentou retração real, e a perspectiva para 2025 confirma a tendência de redução nos repasses. A análise mostra que mesmo com valores nominais maiores previstos no papel, as universidades costumam executar efetivamente cerca de 70% do orçamento aprovado.
Impacto na execução e despesas pendentes
Os dados apontam que aproximadamente R$ 3 bilhões deixam de ser pagos anualmente às universidades federais. Esses valores incluem despesas liquidadas, mas não pagas no exercício, acumulando compromissos financeiros que são quitados em exercícios seguintes.
Entre 2021 e 2025, o levantamento identificou um aumento de R$ 166 milhões em “Despesas de Exercícios Anteriores”, categoria que reúne pagamentos feitos com atraso. Esse quadro pressiona o caixa das instituições e afeta a programação financeira anual.
Destino dos recursos
Os recursos orçamentários destinados às universidades federais são divididos em despesas correntes e despesas de capital.

Despesas Correntes: abrangem manutenção cotidiana, como pagamento de diárias, compra de materiais, serviços de TI e auxílios a estudantes.
Despesas de Capital: voltadas para investimentos em infraestrutura, obras e aquisição de equipamentos.
Os cortes orçamentários afetam ambas as categorias, limitando a capacidade das universidades de manter serviços básicos e realizar novos investimentos.
Panorama nacional dos cortes
Além da UFRN, outras universidades federais apresentam projeções de redução mais acentuadas. Entre os destaques estão a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), com queda de 39%, e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), com redução de 31%.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que tinha o maior orçamento entre as federais em 2021, também enfrentou sucessivas quedas nos anos seguintes.
Em sentido oposto, a Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), no Piauí, teve o maior aumento percentual recente, registrado em 95%.
Medidas de recomposição parcial
Em maio, após reunião com reitores, o governo federal anunciou medidas para recomposição parcial do orçamento das universidades federais.
Entre os anúncios, estão o desbloqueio de R$ 300 milhões e a previsão de mais R$ 400 milhões adicionais, por meio de remanejamento no Ministério da Educação (MEC). Essas ações foram apresentadas como forma de mitigar os efeitos dos cortes para o exercício de 2024.
Situação da UFRN
Apesar das medidas anunciadas em âmbito federal, a previsão para 2025 indica que a UFRN permanece no centro das atenções em razão da estimativa de corte de 11% em seu orçamento.
A redução pode impactar diretamente a capacidade operacional da universidade nos próximos meses, afetando atividades ligadas à manutenção, investimentos em infraestrutura e serviços voltados à comunidade acadêmica.
O cenário segue acompanhado por gestores e reitores de universidades federais em todo o país, diante do desafio de garantir a execução de programas e atividades com menor disponibilidade de recursos.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
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